quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Lucas 12, 49-53 Jesus é sinal de contradição.
* 49 “Eu vim para lançar fogo sobre a terra: e como gostaria que já estivesse aceso! 50 Devo ser batizado com um batismo, e como estou ansioso até que isso se cumpra! 51 Vocês pensam que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu lhes digo, vim trazer divisão. 52 Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas, e duas contra três. 53 Ficarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra.”
Comentário:
* 49-53: A missão de Jesus, desde o batismo até a cruz, é anunciar e tornar presente o Reino, entrando em choque com as concepções dominantes na sociedade. Por isso, é preciso tomar uma decisão diante de Jesus, e isso provoca divisões até mesmo no relacionamento familiar.
Numa análise superficial do Evangelho de hoje, poderíamos acusar Jesus de promover a violência e a divisão. Logo ele, que é a paz verdadeira: “Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz” (Jo 14,27). Não, Jesus Cristo não quer a divisão e a guerra, mas exige decisão e uma atitude clara diante da proposta do Evangelho. Em certo sentido, é um “agitador político”, pois incita-nos a tomar posição: a favor ou contra o projeto de Deus, a favor ou contra o Evangelho, a favor ou contra a verdade, a favor ou contra a vida, a favor ou contra o mandamento do amor… O mesmo vale para nós, hoje. Como nos posicionamos diante das injustiças do mundo? Como reagimos diante da desigualdade, da corrupção política, da economia que mata, da falta de amor ao próximo, do aborto, da incoerência de tantos cristãos? O Evangelho nos questiona e nos pede ações.
terça-feira, 20 de outubro de 2026
Lucas 12, 39-48 Vigilância e responsabilidade.
39 Mas, fiquem certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que lhe arrombasse a casa. 40 Vocês também estejam preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que vocês menos esperarem.” 41 Então Pedro disse a Jesus: “Senhor, estás contando essa parábola só para nós, ou para todos?” 42 E o Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel e prudente, que o senhor coloca à frente do pessoal de sua casa, para dar a comida a todos na hora certa? 43 Feliz o empregado que o senhor, ao chegar, encontra fazendo isso! 44 Em verdade, eu digo a vocês: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. 45 Mas, se esse empregado pensar: ‘Meu patrão está demorando’, e se puser a surrar os criados e criadas, a comer, beber, e embriagar-se, 46 o senhor desse empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista. O senhor o expulsará de casa, e o fará tomar parte do destino dos infiéis. 47 Todavia aquele empregado que, mesmo conhecendo a vontade do seu senhor, não ficou preparado, nem agiu conforme a vontade dele, será chicoteado muitas vezes. 48 Mas, o empregado que não sabia, e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido.”
Comentário:
* 35-48: Esperando continuamente a chegada imprevisível do Senhor que serve, a comunidade cristã permanece atenta, concretizando a busca do Reino através da prontidão para o serviço fraterno. Os vv. 41-46 mostram que isso vale ainda mais para os dirigentes da comunidade, que receberam de Jesus o encargo de servir, provendo às necessidades da comunidade. A responsabilidade é ainda maior, quando se sabe o que deve ser feito (vv. 47-48).
Continuamos a refletir sobre o tema da vigilância, ajudados agora por uma parábola. A participação de Pedro mostra que o testemunho primeiro deve ser dado pelos líderes religiosos, demonstrando atitude de espera vigilante, em plena sintonia com a vontade de Deus revelada no Evangelho. Os líderes não são os “donos da fazenda”, mas administradores a quem o Mestre confiou o cuidado dos “servos” e de todos os seus bens. Devem, portanto, fazer a vontade de Deus e garantir que todos tomem parte na “lavoura”. Quanto maior o bem confiado, mais lhe será cobrado.
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Lucas 12, 35-38 Vigilância e responsabilidade.
* 35 “Estejam com os rins cingidos e com as lâmpadas acesas. 36 Sejam como homens que estão esperando o seu senhor voltar da festa de casamento: tão logo ele chega e bate, eles imediatamente vão abrir a porta. 37 Felizes dos empregados que o senhor encontra acordados quando chega. Eu garanto a vocês: ele mesmo se cingirá, os fará sentar à mesa, e, passando, os servirá. 38 E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão se assim os encontra!
Comentário:
* 35-48: Esperando continuamente a chegada imprevisível do Senhor que serve, a comunidade cristã permanece atenta, concretizando a busca do Reino através da prontidão para o serviço fraterno. Os vv. 41-46 mostram que isso vale ainda mais para os dirigentes da comunidade, que receberam de Jesus o encargo de servir, provendo às necessidades da comunidade. A responsabilidade é ainda maior, quando se sabe o que deve ser feito (vv. 47-48).
A “vigilância” é o tema central da liturgia de hoje. Na Bíblia, vigiar equivale a não ceder à preguiça ou ao desânimo (como os que dormem); significa escutar a vontade de Deus e responder sim em toda ocasião. Em diversos trechos da Sagrada Escritura, somos convidados a vigiar, rezar e dar graças constantemente, como no Evangelho que hoje meditamos. Apesar de pequeno, este trecho é carregado de símbolos e referências. Os “rins cingidos”, por exemplo, lembram a atitude dos hebreus em vias de deixar o Egito (Ex 12,11), enquanto as “lâmpadas acesas” remetem à parábola das dez virgens (Mt 25,1-13). Tudo isso mostra que a vida do cristão deve ser inteiramente voltada para preparar o encontro com o Senhor, numa espera vigilante, ou seja, ativa e perseverante. Mesmo que esta espera seja longa, devemos saber esperar, pois assim seremos “bem-aventurados” ou felizes (v. 37). E nós, vivemos em atitude de espera vigilante?
domingo, 18 de outubro de 2026
Lucas 12, 13-21 A vida é dom de Deus.
-* 13 Do meio da multidão, alguém disse a Jesus: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo.” 14 Jesus respondeu: “Homem, quem foi que me encarregou de julgar ou dividir os bens entre vocês?” 15 Depois Jesus falou a todos: “Atenção! Tenham cuidado com qualquer tipo de ganância. Porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a sua vida não depende de seus bens.” 16 E contou-lhes uma parábola: “A terra de um homem rico deu uma grande colheita. 17 E o homem pensou: ‘O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita’. 18 Então resolveu: ‘Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir outros maiores; e neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. 19 Então poderei dizer a mim mesmo: meu caro, você possui um bom estoque, uma reserva para muitos anos; descanse, coma e beba, alegre-se!’ 20 Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Nesta mesma noite você vai ter que devolver a sua vida. E as coisas que você preparou, para quem vão ficar?’ 21 Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico para Deus.”
Comentário:
* 13-21: No caminho da vida, o homem depara com o problema das riquezas. Jesus mostra que é idiotice acumular bens para assegurar a própria vida. Só Deus pode dar ao homem a riqueza que é a própria vida.
Jesus não condena a riqueza nem critica o homem rico, mas sim a estultice daqueles que confundem os bens terrenos com os bens eternos. Ensina que o valor de uma pessoa está nas suas ações, e não nos seus bens, ou seja, quem age egoisticamente e só pensa em acumular tem pouco valor. Ao contrário, quem pensa no próximo, faz caridade, dá esmola, ajuda de algum modo na devolução da dignidade dos irmãos que sofrem e são excluídos, esses têm grande valor, são ricos para Deus e certamente serão acolhidos no Reino dos Céus. Temos, aqui, uma lição de como lidar com os bens terrenos, fazendo-os render espiritualmente, e não materialmente.
sábado, 17 de outubro de 2026
Mateus 22, 15-21 O povo pertence a Deus.
* 15 Então os fariseus se retiraram, e fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. 16 Mandaram os seus discípulos, junto com alguns partidários de Herodes, para dizerem a Jesus: “Mestre, sabemos que tu és verdadeiro, e que ensinas de fato o caminho de Deus. Tu não dás preferência a ninguém, porque não levas em conta as aparências. 17 Dize-nos, então, o que pensas: É lícito ou não é, pagar imposto a César?” 18 Jesus percebeu a maldade deles, e disse: “Hipócritas! Por que vocês me tentam? 19 Mostrem-me a moeda do imposto.” Levaram então a ele a moeda. 20 E Jesus perguntou: “De quem é a figura e inscrição nesta moeda?” 21 Eles responderam: “É de César.” Então Jesus disse: “Pois deem a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”
Comentário:
* 15-22: Cf. nota em Mc 12,13-17. O novo povo de Deus pertence unicamente a Deus, e só Deus pode exigir do homem adoração.
Os adversários de Jesus vão ao encontro dele, começam a bajulá-lo com elogios e depois lançam a pergunta desafiadora: deve-se ou não pagar imposto a César? O “imposto a César” era “mais um tributo” cobrado pelo Império Romano. Além disso, a questão não era apenas um “debate econômico”, mas uma “questão de fé”. Pagar imposto a César era reconhecer o “deus César”, em contraste com o “Deus de Jesus”, e reconhecer a “submissão à servidão”. O Mestre entendeu perfeitamente a hipocrisia deles e aonde queriam chegar. A resposta de Jesus – dar a César o que é dele e a Deus o que lhe pertence – mostra que não é lícito César tomar o lugar e o nome de Deus. Tudo a Deus pertence. Também não podemos usar esse texto para justificar taxas, impostos e duas realidades “Igreja e Estado” distintas. Não podemos adorar a “Deus e a César”, eles não estão no mesmo plano, nem negar os direitos de Deus sobre o povo, a própria imagem de Deus, que lhe pertence e é sua maior e melhor propriedade.
1 Tessalonicenses 1, 1-5 Endereço e saudação.
* 1 Paulo, Silvano e Timóteo à igreja dos tessalonicenses, que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo. A vocês, graça e paz.
Agradecimento: a vida cristã -* 2 Agradecemos continuamente a Deus por todos vocês, sempre que nos lembramos de vocês em nossas orações. 3 Com efeito, diante de Deus nosso Pai nos lembramos sempre da fé ativa, do amor capaz de sacrifícios e da firme esperança que vocês depositam em nosso Senhor Jesus Cristo.
O anúncio provoca conversão -* 4 Irmãos amados por Deus, sabemos que vocês foram escolhidos por ele. 5 De fato, o Evangelho que pregamos não foi apresentado somente com palavras, mas com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Vocês sabem o que fizemos entre vocês, para o bem de vocês mesmos.
Comentário:
* 1: A igreja é a comunidade cristã local formada pelas pessoas que acreditam em Deus e se comprometem com o testemunho de Jesus Cristo.
* 2-3: Cf. nota em Cl 1, 3-8: A trilogia fé-amor-esperança define a vida cristã na sua base, na sua concretização prática e no seu dinamismo histórico. A vida cristã nasce do compromisso de fé em Jesus Cristo, que significa aceitar a vida e ação de Jesus e continuá-las entre os homens. O amor é a realização prática desse testemunho, através da partilha dos bens e da fraternidade, que concretizam o Reino de Deus no dia a dia da história. A esperança é o dinamismo que nasce do amor, alimentando a vida cristã, voltada para o futuro do Reino de Deus, isto é, para a realização plena da vida.
* 4-10: Sobre a tribulação, cf. nota em Rm 5,1-11. Paulo relembra o primeiro anúncio (querigma) que provocou a conversão dos tessalonicenses. Conforme os vv. 9-10, esse primeiro anúncio do Evangelho era um convite à mudança radical: deixar os ídolos para servir unicamente ao Deus vivo. Os ídolos são valores considerados absolutos mas que, na realidade, sustentam uma estrutura de sociedade baseada na opressão e exploração do corpo e da consciência do homem. Servir ao Deus vivo é comprometer-se com Jesus Cristo, que manifesta na história a presença e ação do Deus verdadeiro, o qual está comprometido com a libertação e a vida do homem. A conversão é um processo contínuo na história. O cristão dá o seu testemunho, animado sempre pela espera da plena manifestação de Jesus Ressuscitado.
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Lucas 12, 8-12 Testemunhar sem medo.
8 Eu digo a vocês: todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus. 9 Mas, aquele que me renegar diante dos homens, será renegado diante dos anjos de Deus. 10 Todo aquele que disser alguma coisa contra o Filho do Homem, será perdoado. Mas, quem blasfemar contra o Espírito Santo, não será perdoado. 11 Quando introduzirem vocês diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não fiquem preocupados como ou com que vocês se defenderão, ou o que dirão. 12 Pois, nessa hora o Espírito Santo ensinará o que vocês devem dizer.”
Comentário:
* 4-12: Cf. nota em Mt 10, 26-33: Os discípulos não devem ter medo, porque a missão se baseia na verdade, que põe a descoberto toda a mentira de um sistema social que não mostra a sua verdadeira face. Os homens podem até matar o corpo dos discípulos, mas não conseguirão tirar-lhes a vida, pois é Deus quem dá e conserva ou tira a vida para sempre. A segurança do discípulo está na promessa: quem é fiel a Jesus, terá Jesus a seu favor diante de Deus.
Em outro momento, ao falar de Beelzebu, Jesus afirmou: “Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, espalha” (Lc 11,23). Hoje repete a mesma coisa, mas de forma diversa, mostrando também a consequência da negação e do não seguimento. Para os que o seguem e se comprometem com o Evangelho, o destino é bem diferente, pois Cristo é fiel aos que demonstram fidelidade, e jamais os abandonará, mesmo nos piores momentos de perseguição, quando serão presos e martirizados. A presença de Jesus se concretiza na presença do Espírito por ele enviado, que orientará e sustentará o discípulo em todas as situações e contextos. Hoje também o Espírito Santo continua a sustentar e guiar a Igreja de Cristo, iluminando nossas ações e palavras.
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