domingo, 31 de maio de 2026
Marcos 12, 1-12 Jesus acusa as autoridades.
* 1 Jesus começou a falar para eles em parábolas: “Um homem plantou uma vinha, cercou-a, fez um tanque para pisar a uva e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou a vinha para alguns agricultores, e viajou para o estrangeiro. 2 Na época da colheita, ele mandou um empregado aos agricultores para receber a sua parte dos frutos da vinha. 3 Mas os agricultores pegaram o empregado, bateram nele, e o mandaram de volta sem nada. 4 Então o dono da vinha mandou mais um empregado. Os agricultores bateram na cabeça dele e o insultaram. 5 Então o dono mandou mais um, e eles o mataram. Trataram da mesma maneira muitos outros, batendo em uns e matando outros. 6 Sobrou para o dono apenas um: seu filho querido. Por último, ele mandou o filho até aos agricultores, pensando: ‘Eles vão respeitar meu filho’. 7 Mas os agricultores comentaram: ‘Esse é o herdeiro. Venham, vamos matá-lo, e a herança será nossa’. 8 Então agarraram o filho, o mataram, e o jogaram fora da vinha.
9 Que fará o dono da vinha? Ele virá, destruirá os agricultores, e entregará a vinha a outros. 10 Por acaso, vocês não leram na Escritura: ‘A pedra que os construtores deixaram de lado, tornou-se a pedra mais importante; 11 isso foi feito pelo Senhor e é admirável aos nossos olhos’?”
12 Então os chefes dos judeus procuraram prender Jesus. Eles tinham entendido muito bem que Jesus havia contado essa parábola contra eles. Mas ficaram com medo da multidão e, por isso, deixaram Jesus e foram embora.
Comentário:
* 1-12: Jesus passa ao ataque. A figueira não dá frutos, e o Templo tornou-se lugar de roubo, porque as autoridades (chefes dos sacerdotes, doutores da Lei, anciãos do Sinédrio) exploram e oprimem, apoderando-se daquilo que pertence a Deus, isto é, o povo da aliança (vinha). Depois de muitos profetas que pregavam a justiça (empregados), Deus envia o próprio Filho com o Reino. A rejeição e morte do Filho trazem a sentença: o povo de Deus, agora congregado em torno de Jesus (pedra), passa a outros chefes, que não devem tomar posse, mas servir.
Jesus e os discípulos estão em Jerusalém para celebrar a Páscoa. Em breve, Jesus manifestará plenamente sua messianidade. A parábola que lemos hoje é colocada pelo evangelista Marcos no contexto da discussão com os chefes dos sacerdotes e doutores da Lei que questionam Jesus: “Com que autoridade fazes estas coisas?” (Mc 11,28). Sua autoridade, portanto, vem do Pai, o Criador de todas as coisas, o dono da vinha. A Terra Prometida foi dada ao povo judeu para que ali crescesse e se desenvolvesse, mas esse povo não foi fiel a Deus, matando profetas e o próprio Filho. Será agora dada a outro povo, a todos nós que cremos e seguimos o Messias.
sábado, 30 de maio de 2026
2 Coríntios 13, 11-13 Saudações finais.
11 Ademais, irmãos, fiquem alegres. Procurem a perfeição e animem-se. Tenham os mesmos sentimentos, vivam na paz e o Deus do amor e da paz estará com vocês.
12 Saúdem-se uns aos outros com o beijo santo. Todos os cristãos enviam saudações.
13 Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vocês.
Comentário:
* 5-10: O essencial é que os coríntios se convertam. Depois disso, a ameaça de intervenção com autoridade será apenas uma vaga lembrança. Se eles se converterem, Paulo não terá como usar o seu poder. Os coríntios parecerão fortes, e Paulo fraco e derrotado, porque os adversários continuarão a dizer que as ameaças dele são puramente verbais. No entanto, ele não busca vitória nem sucesso pessoal; prefere a última hipótese, humilhante para ele, mas gloriosa para os fiéis.
João 3, 16-18 Jesus provoca decisão.
* 16 “Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna. 17 De fato, Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, e sim para que o mundo seja salvo por meio dele. 18 Quem acredita nele, não está condenado; quem não acredita, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus.
Comentário:
* 16-21: Deus não quer que os homens se percam, nem sente prazer em condená-los. Ele manifesta todo o seu amor através de Jesus, para salvar e dar a vida a todos. Mas a presença de Jesus é incômoda, pois coloca o mundo dos homens em julgamento, provocando divisão e conflito, e exigindo decisão. De um lado, os que acreditam em Jesus e vivem o amor, continuando a palavra e a ação dele em favor da vida. De outro lado, os que não acreditam nele e não vivem o amor, mas permanecem fechados em seus próprios interesses e egoísmo, que geram opressão e exploração; por isso estes sempre escondem suas verdadeiras intenções: não se aproximam da luz.
O capítulo três do Evangelho de João inicia com um diálogo entre Jesus e Nicodemos e depois se transforma num monólogo, quando Jesus se revela não apenas a Nicodemos, mas a todos. No texto de hoje, Jesus revela o motivo de sua vinda ao mundo: trazer o amor de Deus pela salvação da humanidade. O Filho de Deus veio para que as pessoas tenham vida plena. A condição exigida é a fé nele, que implica adesão a ele. A acolhida do amor de Deus é um desafio à liberdade humana, que pode acolhê-lo ou rejeitá-lo. Só com pessoas capazes de amar é que se podem construir verdadeiras comunidades seguidoras de Jesus. Deus, no seu Filho, oferece vida plena a todas as pessoas. Estas são convidadas a acolher esse dom precioso. Ao celebrarmos a solenidade da Santíssima Trindade, revela-se o amor do Pai por meio de seu Filho e comunicado pelo Espírito Santo. A solenidade revela um Deus misericordioso para conosco: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito descem juntos ao encontro da humanidade.
sexta-feira, 29 de maio de 2026
Marcos 11, 27-33 Jesus silencia as autoridades.
* 27 Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Jesus estava andando no Templo. E os chefes dos sacerdotes, os doutores da Lei e os anciãos se aproximaram dele. 28 Perguntaram: “Com que autoridade fazes tais coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?” 29 Jesus respondeu: “Vou fazer uma só pergunta. Respondam-me, e eu direi com que autoridade faço isso. 30 O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondam-me.” 31 Eles comentavam entre si: “Se respondemos que vinha do céu, ele vai dizer: ‘Então, por que vocês não acreditaram em João?’ 32 Devemos então dizer que vinha dos homens?” Mas eles tinham medo da multidão, porque todos consideravam João como verdadeiro profeta. 33 Então eles responderam a Jesus: “Não sabemos.” E Jesus disse: “Pois eu também não vou dizer a vocês com que autoridade faço essas coisas.”
Comentário:
* 27-33: As autoridades tentam fazer uma armadilha para desmoralizar a autoridade de Jesus diante do povo. Mas Jesus usa o mesmo truque: se as autoridades responderem, elas é que ficarão desmoralizadas.
Marcos mostra Jesus Cristo em peregrinação a Jerusalém no período da Páscoa judaica. Vemos que ele volta com os discípulos para dormir em Betânia, cerca de cinco quilômetros de Jerusalém, provavelmente na casa dos amigos Lázaro, Marta e Maria. No dia seguinte, volta à Cidade Santa e ao templo. Pelo caminho, é questionado: com que autoridade perdoa os pecados, realiza milagres, expulsa os comerciantes do templo? Traduzindo para uma linguagem de hoje, seria como perguntar a ele: “Quem você pensa que é?”. Jesus não se perturba, pois sabe bem quem é e de onde veio. Sabe que sua autoridade é muito superior à de qualquer chefe ou doutor da Lei. Questionam Jesus, mas não têm coragem de o enfrentar, pois não querem se comprometer e no fundo sabem que ele age em nome de Deus Pai.
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Marcos 11, 11-26 O Rei-Messias.
11 Jesus entrou em Jerusalém, no Templo, e olhou tudo ao redor. Mas, como já era tarde, saiu para Betânia com os Doze.
Uma sociedade estéril -* 12 No dia seguinte, quando voltavam de Betânia, Jesus sentiu fome. 13 Viu de longe uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. 14 Então Jesus disse à figueira: “Que ninguém mais coma de seus figos.” E os discípulos escutaram o que ele disse.
O centro da sociedade estéril -* 15 Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no Templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. 16 Ele não deixava ninguém carregar nada através do Templo. 17 E ensinava o povo, dizendo: “Não está nas Escrituras: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? No entanto, vocês fizeram dela uma toca de ladrões.” 18 Os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei ouviram isso e começaram a procurar um modo de matá-lo. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada com o ensinamento dele. 19 Ao entardecer, Jesus e os discípulos saíram da cidade.
Uma comunidade que dá frutos -* 20 Na manhã seguinte, Jesus e os discípulos, passando, viram a figueira que tinha secado até à raiz. 21 Pedro lembrou-se e disse a Jesus: “Olha, Mestre: a figueira que amaldiçoaste secou.” 22 Jesus disse para eles: “Tenham fé em Deus. 23 Eu garanto a vocês: se alguém disser a esta montanha: ‘Levante-se e jogue-se no mar, e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá’. 24 É por isso que eu digo a vocês: tudo o que vocês pedirem na oração, acreditem que já o receberam, e assim será. 25 Quando vocês estiverem rezando, perdoem tudo o que tiverem contra alguém, para que o Pai de vocês que está no céu também perdoe os pecados de vocês. 26 Mas, se vocês não perdoarem, o Pai de vocês que está no céu não perdoará os pecados de vocês.”
Comentário:
* 1-11: Jesus é o Rei-Messias que vai confrontar-se com o centro da sociedade judaica, simbolizada por Jerusalém e pelo Templo, sede do poder econômico, político, ideológico e religioso. Ele entra na cidade, não como rei guerreiro, mas como simples homem, humilde e pacífico. Ele traz consigo a inversão de um sistema de sociedade apoiado na violência da força militar, que defende os privilegiados. O povo o aclama como aquele que traz o reino da verdadeira justiça.
* 12-14: A figueira simboliza a sociedade que Jesus encontra. Tem folhas, mas não tem frutos, tem aparência de vida, mas não alimenta o povo faminto.
* 15-19: Acusando e atacando o comércio existente dentro do Templo, Jesus retira as bases sobre as quais se apoiava toda uma sociedade. Com efeito, era com esse comércio que se sustentava grande parte da economia do país. O gesto de Jesus mexe não só com um modo de vida religiosa, mas com toda uma estrutura que usa a religião para estabelecer e assegurar privilégios de uma classe e sustentar uma visão mesquinha de salvação. Por isso, os que se favorecem desse sistema, pensam em matar Jesus, mas temem o povo.
* 20-26: A figueira secou: a sociedade que não acolhe a ação transformadora de Jesus morre sem dar frutos. Diante dela Jesus inicia uma comunidade que será o novo templo: comprometida com ele na fé e na confiança em Deus, a comunidade cristã será a semente de nova árvore frutífera para os homens.
Marcos nos narra um episódio curioso, com forte carga simbólica: Jesus amaldiçoa e faz secar uma figueira. Essa figueira representa Israel, envolto em tantas práticas exteriores, mas vazio de frutos, incapaz de acolher o Messias e gerar vida nova. A expulsão dos vendilhões do templo é um complemento ao gesto profético anterior, que reforça a esterilidade espiritual dos judeus, preocupados apenas com o ritualismo e o comércio religioso. Quantas falsas igrejas e seitas deveriam ler e compreender o Evangelho de hoje. Enganam o povo com ritos e outras coisas aparentes, mas são incapazes de nos cuidar da alma do ser humano. Jesus convoca à oração verdadeira, a respeitar a casa do Pai, a consagrar-se a Deus e a nada mais. A fé não comporta comércio, é pura doação e reciprocidade.
quarta-feira, 27 de maio de 2026
Marcos 10, 46-52 O verdadeiro discípulo.
* 46 Chegaram a Jericó. Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. Na beira do caminho havia um cego que se chamava Bartimeu, o filho de Timeu; estava sentado, pedindo esmolas. 47 Quando ouviu dizer que era Jesus Nazareno que estava passando, o cego começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” 48 Muitos o repreenderam e mandaram que ficasse quieto. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” 49 Então Jesus parou e disse: “Chamem o cego.” Eles chamaram o cego e disseram: “Coragem, levante-se, porque Jesus está chamando você.” 50 O cego largou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. 51 Então Jesus lhe perguntou: “O que você quer que eu faça por você?” O cego respondeu: “Mestre, eu quero ver de novo.” 52 Jesus disse: “Pode ir, a sua fé curou você.” No mesmo instante o cego começou a ver de novo e seguia Jesus pelo caminho.
Comentário:
* 46-52: O último milagre de Jesus é uma cura significativa. Ele não abre apenas os olhos do cego, mas também o coração. E o cego curado reconhece Jesus como o Messias (filho de Davi). E, com mais coragem do que Pedro (8,32) e do que o homem rico (10,22), segue a Jesus no caminho para a morte. Desse modo, Bartimeu torna-se o modelo do verdadeiro discípulo.
É significativo que a última cura realizada por Jesus tenha ocorrido em Jericó, cidade bastante citada na Sagrada Escritura. Quem não se recorda do cerco de Jericó, com a queda das muralhas da cidade diante dos israelitas liderados por Josué, ajudante e sucessor de Moisés? É em Jericó também que se encontra o monte das Tentações, local onde Jesus teria sido tentado pelo diabo antes de iniciar sua vida pública. Enfim, é simbólico que seja neste pequeno povoado próximo de Jerusalém que Jesus faça um cego ver, sinal messiânico segundo as profecias de Isaías, e deixe que o chamem de filho de Davi, outro sinal messiânico.
terça-feira, 26 de maio de 2026
Marcos 10, 32-45 Autoridade é serviço.
* 32 Jesus e os discípulos estavam a caminho, subindo para Jerusalém. Jesus ia na frente. Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo. Jesus chamou de novo os Doze à parte e começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com ele: 33 “Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos chefes dos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. 34 Vão caçoar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará.”
35 Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: “Mestre, queremos que faças por nós o que vamos te pedir.” 36 Jesus perguntou: “O que vocês querem que eu lhes conceda?” 37 Eles responderam: “Quando estiveres na glória, deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda.” 38 Jesus então lhes disse: “Vocês não sabem o que estão pedindo. Por acaso vocês podem beber o cálice que eu vou beber? Podem ser batizados com o batismo com que eu vou ser batizado?” 39 Eles responderam: “Podemos.” Jesus então lhes disse: “Vocês vão beber o cálice que eu vou beber, e vão ser batizados com o batismo com que eu vou ser batizado. 40 Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou esquerda. É Deus quem dará esses lugares àqueles, para os quais ele preparou.” 41 Quando os outros dez discípulos ouviram isso, começaram a ficar com raiva de Tiago e João. 42 Jesus chamou-os e disse: “Vocês sabem: aqueles que se dizem governadores das nações têm poder sobre elas, e os seus dirigentes têm autoridade sobre elas. 43 Mas, entre vocês não deverá ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês, 44 e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos. 45 Porque o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos.”
Comentário:
* 32-45: Jesus anuncia a sua morte como consequência de toda a sua vida. Enquanto isso, Tiago e João sonham com poder e honrarias, suscitando discórdia e competição entre os outros discípulos. Jesus mostra que a única coisa importante para o discípulo é seguir o exemplo dele: servir e não ser servido. Em a nova sociedade que Jesus projeta, a autoridade não é exercício de poder, mas a qualificação para serviço que se exprime na entrega de si mesmo para o bem comum.
Jesus continua seu caminho em direção a Jerusalém. Os apóstolos o seguem, mas com medo e assustados. Ainda não conseguem acreditar totalmente na divindade do Mestre, não conseguem reconhecê-lo plenamente como o Messias enviado. Parecem estar mais preocupados com a ceia pascal que vão preparar ou com os lugares onde vão se sentar. Ironia do evangelista para mostrar que discutem coisas secundárias, interessam-se por coisas marginais, banais, em vez de procurarem o essencial e de valorizarem a presença de Jesus, que em breve não estará mais com eles. Pela terceira vez no Evangelho de Marcos, Jesus prenuncia sua paixão, morte e ressurreição.
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Marcos 10, 28-31 O Reino é dom e partilha.
28 Pedro começou a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos.” 29 Jesus respondeu: “Eu garanto a vocês: quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e da Boa Notícia, 30 vai receber cem vezes mais. Agora, durante esta vida, vai receber casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, junto com perseguições. E, no mundo futuro, vai receber a vida eterna. 31 Muitos que agora são os primeiros serão os últimos, e muitos que agora são os últimos serão os primeiros.”
Comentário:
* 17-31: Para entrar no Reino (ou vida eterna) é preciso mais do que observar leis ou regras. O Reino é dom de Deus aos homens, e nele tudo deve ser partilhado entre todos. Isso significa repartir as riquezas em vista de uma igualdade, abolindo o sistema classista. É por isso que os ricos ficam tristes e dificilmente entram no Reino. E o que acontece quando a gente deixa tudo para seguir a Jesus e continuar o seu projeto? Encontra nova sociedade, embora em meio à perseguição, e já vive a certeza da plenitude que virá.
Quem segue Jesus deve ser, acima de tudo, humilde e despojado. Os Evangelhos nos apresentam diversas situações em que Jesus pede que os discípulos deixem tudo para segui-lo. Seu próprio nascimento, numa gruta de Belém, rodeado apenas pelos pais e por alguns animais, é sinal do abandono total ao projeto do Pai, que pede o mesmo a todos os que querem segui-lo. Outro sinal é a obediência, aceitando ser o último em tudo. Aquele que está disposto a seguir Jesus não pode ambicionar riqueza ou poder, não pode almejar um alto posto, um cargo de liderança, um status privilegiado e assim por diante. Deve se colocar como o último, lavando os pés dos seus discípulos, abaixando a cabeça diante das acusações, renunciando a qualquer regalia ou privilégio. Essas mesmas características são pedidas a nós hoje, especialmente aos que lideram a Igreja em todos os âmbitos. Por isso, o Vaticano II exorta os bispos, os sacerdotes e toda a Igreja a seguir o modelo de Jesus Cristo. Humildade, obediência e dedicação total ao Reino.
domingo, 24 de maio de 2026
João 19, 25-34 A relação entre Israel e a comunidade de Jesus.
* 25 A mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cléofas, e Maria Madalena estavam junto à cruz. 26 Jesus viu a mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava. Então disse à mãe: “Mulher, eis aí o seu filho.” 27 Depois disse ao discípulo: “Eis aí a sua mãe.” E dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa.
Jesus amou até o fim -* 28 Depois disso, sabendo que tudo estava realizado, para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse: “Tenho sede.” 29 Havia aí uma jarra cheia de vinagre. Amarraram uma esponja ensopada de vinagre numa vara, e aproximaram a esponja da boca de Jesus. 30 Ele tomou o vinagre e disse: “Tudo está realizado.” E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
A morte de Jesus é o maior sinal de vida -* 31 Era dia de preparativos para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque esse sábado era muito solene para eles. Então pediram que Pilatos mandasse quebrar as pernas dos crucificados e os tirasse da cruz. 32 Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro, que estavam crucificados com Jesus. 33 E se aproximaram de Jesus. Vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas, 34 mas um soldado lhe atravessou o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água.
Comentário:
* 25-27: A mãe de Jesus representa aqui o povo da antiga aliança que se conservou fiel às promessas e espera pelo salvador. E o discípulo amado representa o novo povo de Deus, formado por todos os que dão sua adesão a Jesus. Na relação mãe-filho, o evangelista mostra a unidade e continuação do povo de Deus, fiel à promessa e herdeiro da sua realização.
* 28-30: O projeto de Deus a respeito do homem se completa na morte de Jesus, sinal do seu dom de amor até o fim. O Espírito que Jesus entrega é o mesmo que o conduziu em toda a sua atividade. Ele realiza o reino universal e constitui o novo povo de Deus, que continuará a obra de Jesus.
* 31-37: Morto na cruz, Jesus é o grande sinal, o ápice de todos os sinais narrados pelo evangelista. O sangue simboliza a morte; a água simboliza o Espírito que dá a vida: com sua morte Jesus trouxe a vida. Captar e testemunhar este sinal é questão decisiva, pois só através dele a história do homem vai encontrar a possibilidade de chegar à sua plenitude, dando lugar à sociedade livre e fraterna. É acreditando na vida de Jesus que o cristão continua a obra libertadora por ele iniciada.
Maria viveu como ninguém as bem-aventuranças. É aquela que estremecia de júbilo na presença de Deus, aquela que conservava tudo no seu coração e que se deixou atravessar pela espada. É a santa entre os santos, a mais abençoada, aquela que nos acompanha e nos mostra o caminho da santidade. Quando caímos, não nos deixa por terra e, às vezes, carrega-nos em seus braços sem nos julgar. Conversar com ela consola-nos, liberta-nos, santifica-nos. A Mãe não necessita de muitas palavras, não precisa que nos esforcemos demasiado para lhe explicar o que sentimos ou precisamos. É suficiente sussurrar: “Ave, Maria…”.
sábado, 23 de maio de 2026
João 20, 19-23 Jesus ressuscitado está vivo na comunidade.
* 19 Era o primeiro dia da semana. Ao anoitecer desse dia, estando fechadas as portas do lugar onde se achavam os discípulos por medo das autoridades dos judeus, Jesus entrou. Ficou no meio deles e disse: “A paz esteja com vocês.” 20 Dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos ficaram contentes por ver o Senhor.
21 Jesus disse de novo para eles: “A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.” 22 Tendo falado isso, Jesus soprou sobre eles, dizendo: “Recebam o Espírito Santo. 23 Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados.”
Comentário:
* 19-23: O medo impede o anúncio e o testemunho. Jesus liberta do medo, mostrando que o amor doado até à morte é sinal de vitória e alegria. Depois, convoca seus seguidores para a missão no meio do mundo, infunde neles o Espírito da vida nova e mostra-lhes o objetivo da missão: continuar a atividade dele, provocando o julgamento. De fato, a aceitação ou recusa do amor de Deus, trazido por Jesus, é o critério de discernimento que leva o homem a tomar consciência da sentença que cada um atrai para si próprio: sentença de libertação ou de condenação.
Não há mais barreiras que o Ressuscitado não possa atravessar. No mesmo dia da Páscoa, ele aparece aos apóstolos amedrontados e lhes deseja a paz: “A paz esteja com vocês”. É o desejo de plenitude que o Mestre lhes oferece. É a primeira Boa Notícia que recebem e a dádiva por excelência que os auxilia na superação do medo. Alegraram-se ao ver as marcas da crucificação, e pensaram: é ele mesmo. Após uma segunda saudação com o desejo da paz, os discípulos são convidados a dar continuidade à obra do Mestre, e para isso são enviados. Em seguida, sopra sobre eles o Espírito Santo, que é a certeza da sua presença e da sua força na missão dos seus. Com o sopro do Espírito, o Ressuscitado renova a ação de Deus criador que deu vida ao ser humano, criado para viver a paz, a reconciliação e a harmonia entre si. Com o sopro do Espírito, Jesus ressuscitado impele sua Igreja e cada fiel a sair de si, superando o medo e o comodismo, e levando à sociedade os valores do Reino de Deus.
1 Coríntios 12, 3-7.12-13 Jesus é o Senhor.
3 E ninguém poderá dizer: “Jesus é o Senhor!” a não ser sob a ação do Espírito Santo.
A Trindade gera a comunidade -* 4 Existem dons diferentes, mas o Espírito é o mesmo; 5 diferentes serviços, mas o Senhor é o mesmo; 6 diferentes modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos.
7 Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos.
A comunidade é o Corpo de Cristo -* 12 De fato, o corpo é um só, mas tem muitos membros; e no entanto, apesar de serem muitos, todos os membros do corpo formam um só corpo. Assim acontece também com Cristo. 13 Pois todos fomos batizados num só Espírito para sermos um só corpo, quer sejamos judeus ou gregos, quer escravos ou livres. E todos bebemos de um só Espírito.
Comentário:
* 12,1-3: Na efervescência carismática dos coríntios existem traços pagãos. Estes se reúnem para cultivar o espetacular e o fascínio pelo sobrenatural impregnado de mística pagã; isso acaba tornando-se verdadeiro ópio. Paulo adverte: nem todas as manifestações de entusiasmo religioso provêm de Deus. Na mística cristã, o primeiro critério para discernir os verdadeiros dons do Espírito é reconhecer Jesus como Senhor.
* 4-11: A Trindade é a base sobre a qual a comunidade se constrói: nesta, toda ação provém do Pai, todo serviço provém de Jesus e todos os dons (= carismas) provêm do Espírito. Cada pessoa na comunidade recebe um dom, ou melhor, é um dom para o bem de todos. Por isso, cada um, sendo o que é e fazendo o que pode, age para o bem da comunidade, colocando-se a serviço de todos como dom gratuito. Desse modo, cada um e todos se tornam testemunho e sacramento da ação, serviço e dom do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Paulo enumera apenas os carismas de direção e ensino. A lista não é completa, pois cada pessoa é um carisma para a comunidade toda.
* 12-31: A imagem do corpo é usada para falar da unidade, diversidade e solidariedade que caracterizam a comunidade cristã. Esta é una, porque forma o corpo de Cristo, dado que todos receberam o mesmo batismo e o mesmo Espírito, que produzem a comunhão e igualdade fundamental. Contudo, as pessoas são diferentes entre si; cada uma com sua originalidade contribui, de maneira indispensável, para a construção e crescimento de todos; portanto, não há lugar para complexos de superioridade ou inferioridade. O cimento da vida comunitária é a solidariedade, que faz todos voltar-se para cada um, principalmente para os mais fracos e necessitados, partilhando os sofrimentos e alegrias.
sexta-feira, 22 de maio de 2026
João 21, 20-25 O testemunho continua sempre.
20 Pedro virou-se e viu atrás de si aquele outro discípulo que Jesus amava, o mesmo que estivera bem perto de Jesus durante a ceia e que havia perguntado: “Senhor, quem é que vai traí-lo?” 21 Quando Pedro viu aquele discípulo, perguntou a Jesus: “Senhor, o que vai acontecer a ele?” 22 Jesus respondeu: “Se eu quero que ele viva até que eu venha, o que é que você tem com isso? Quanto a você, siga-me.”
23 Então correu a notícia entre os irmãos de que aquele discípulo não iria morrer. Porém Jesus não disse que ele não ia morrer, mas disse: “Se eu quero que ele viva até que eu venha, o que é que você tem com isso?”
O Evangelho é testemunho -* 24 Este é o discípulo que deu testemunho dessas coisas e que as escreveu. E nós sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.
25 Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que não caberiam no mundo os livros que seriam escritos.
Comentário:
* 15-23: A ideia de superioridade e domínio no exercício do pastoreio é absolutamente contrária ao ensino e atitude de Jesus, que considera todos os seus discípulos como amigos e irmãos. O verdadeiro pastor é aquele que segue a Jesus, colocando-se a serviço da comunidade e sendo capaz de amá-la até o fim, dando por ela até a própria vida.
* 24-25: A segunda conclusão do evangelho salienta novamente o tema do testemunho. O Evangelho não é ensinamento de doutrina, nem exposição de verdades ou sistemas, nem conjunto de fórmulas jurídicas, às quais todos deveriam se ajustar. Evangelho é o testemunho de uma comunidade que se transforma cada vez mais ao seguir Jesus na experiência do amor.
quinta-feira, 21 de maio de 2026
João 21, 15-19 Para dirigir a comunidade, é preciso amar.
* 15 Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, você me ama mais do que estes outros?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.” Jesus disse: “Cuide dos meus cordeiros.” 16 Jesus perguntou de novo a Pedro: “Simão, filho de João, você me ama?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.” Jesus disse: “Tome conta das minhas ovelhas.” 17 Pela terceira vez Jesus perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, você me ama?” Então Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Disse a Jesus: “Senhor, tu conheces tudo, e sabes que eu te amo.” Jesus disse: “Cuide das minhas ovelhas. 18 Eu garanto a você: quando você era mais moço, você colocava o cinto e ia para onde queria. Quando você ficar mais velho, estenderá as suas mãos, e outro colocará o cinto em você e o levará para onde você não quer ir.” 19 Jesus falou isso aludindo ao tipo de morte com que Pedro iria glorificar a Deus. E Jesus acrescentou: “Siga-me.”
Comentário:
* 15-23: A ideia de superioridade e domínio no exercício do pastoreio é absolutamente contrária ao ensino e atitude de Jesus, que considera todos os seus discípulos como amigos e irmãos. O verdadeiro pastor é aquele que segue a Jesus, colocando-se a serviço da comunidade e sendo capaz de amá-la até o fim, dando por ela até a própria vida.
Jesus Cristo confia a Pedro a liderança do seu rebanho. Neste profundo e ao mesmo tempo enigmático diálogo entre Jesus e Pedro, vemos expressa a vontade do Mestre de dar continuidade à missão através dos seus discípulos. São eles que levarão o Evangelho a todos os povos, fazendo com que Cristo possa encarnar em cada rosto humano. Mais importante nesse diálogo, porém, é o sentido de unidade e comunhão que Cristo confere simbolicamente ao apóstolo. Pedro, a rocha sobre a qual se edifica a Igreja, não apenas “alimenta as suas ovelhas”, mas garante a presença de Jesus junto ao rebanho, junto a nós, guiando-nos e protegendo-nos contra as ameaças do mundo. A nossa fidelidade a Cristo deve hoje se revelar e prolongar, portanto, na fidelidade ao papa, o seu vigário no mundo.
quarta-feira, 20 de maio de 2026
João 16, 20-26 A unidade no amor.
* 20 “Eu não te peço só por estes, mas também por aqueles que vão acreditar em mim por causa da palavra deles, 21 para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. E para que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo acredite que tu me enviaste. 22 Eu mesmo dei a eles a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um. 23 Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade, e para que o mundo reconheça que tu me enviaste e que os amaste, como amaste a mim.
24 Pai, aqueles que tu me deste, eu quero que eles estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória que tu me deste, pois me amaste antes da criação do mundo.
25 Pai justo, o mundo não te reconheceu, mas eu te reconheci. Estes também reconheceram que tu me enviaste. 26 E eu tornei o teu nome conhecido para eles. E continuarei a torná-lo conhecido, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu mesmo esteja neles.”
Comentário:
* 20-26: Graças ao testemunho dos discípulos, as comunidades cristãs do futuro vão acreditar e se comprometer com Jesus. Na unidade do amor, as comunidades serão o sacramento ou expressão da presença atuante de Jesus, lembrando continuamente o próprio Jesus, que é o dom que o Pai concedeu aos homens.
Chegamos à terceira e última parte da “oração sacerdotal de Jesus”. Além de rezar pelos apóstolos, o Mestre pede por todos os futuros seguidores, ou seja, por todos os que fizeram, fazem e farão parte da Igreja. À unidade, Jesus junta agora o tema do amor. Isso mostra que a força da Igreja se alicerça sobre esses dois grandes pilares, que vêm de Deus Uno e Trino, e são por ele mantidos. Unidade e amor têm suas fontes no Pai, chegam até nós pelo Filho e são vividos pelos fiéis sob a proteção e guia do Espírito Santo.
terça-feira, 19 de maio de 2026
João 17, 11-19 Os discípulos de Jesus rompem com o mundo.
11 Eu já não estou no mundo. Eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que tu me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um. 12 Quando eu estava com eles, eu os guardava em teu nome, o nome que tu me deste. Eu os protegi e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. 13 Agora eu vou para junto de ti. Entretanto, continuo a dizer essas coisas neste mundo, para que eles possuam toda a minha alegria. 14 Eu dei a eles a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não pertencem ao mundo, como eu não pertenço ao mundo.15 Não te peço para tirá-los do mundo, mas para guardá-los do Maligno. 16 Eles não pertencem ao mundo, como eu não pertenço ao mundo. 17 Consagra-os com a verdade: a verdade é a tua palavra. 18 Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os envio ao mundo. 19 Em favor deles eu me consagro, a fim de que também eles sejam consagrados com a verdade.”
Comentário:
* 6-19: Os discípulos vão continuar a missão de Jesus. Como Jesus, eles romperam com a mentalidade perversa do sistema que rege a sociedade. A missão deles, porém, não é sair do “mundo”, e sim permanecerem unidos, presentes no meio da sociedade, dando testemunho de Jesus. O Pai os protegerá de se contaminarem com o espírito do “mundo”, a cujas ameaças e seduções eles não cederão.
A “oração sacerdotal de Jesus”, posta no contexto da última ceia, como conclusão do sermão de adeus, cheia de confidência, doçura e amor, é altamente inspirada, porque nela Jesus se apresenta em atitude de sacerdote, intercedendo pelos seus apóstolos (e todos os seguidores), no momento em que está para deixá-los sozinhos no mundo. Também o trecho que lemos hoje é dirigido ao grupo dos doze. Jesus pede a unidade dos apóstolos, a exemplo da unidade fundamental que une a Santíssima Trindade, tema central da parte final que meditaremos amanhã. Pede ainda que o Pai conserve os apóstolos, que sejam preservados do mal e santificados na verdade para poderem cumprir com perfeição a missão à qual são enviados.
segunda-feira, 18 de maio de 2026
João 17, 1-11 O que é a vida eterna?
* 1 Depois de falar essas coisas, Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: “Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o Filho glorifique a ti, 2 pois lhe deste poder sobre todos os homens, para que ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe deste. 3 Ora, a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que tu enviaste, Jesus Cristo.
4 Eu te glorifiquei na terra, completei a obra que me deste para fazer. 5 E agora, Pai, glorifica-me junto a ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse.”
Os discípulos de Jesus rompem com o mundo -* 6 “Eu manifestei o teu nome aos homens que me deste do meio do mundo. Eles eram teus e tu os deste a mim, e eles guardaram a tua palavra. 7 Agora eles conhecem que tudo o que me deste provém de ti, 8 e que as palavras que eu lhes dei são aquelas que tu me deste. Eles as receberam, e conheceram verdadeiramente que eu saí de junto de ti, e acreditaram que tu me enviaste. 9 Eu peço por eles. Não peço pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10 E tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu, e assim sou glorificado neles. 11 Eu já não estou no mundo. Eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti.
Comentário:
* 17,1-5: A vida eterna consiste em comprometer-se com o verdadeiro Deus e o verdadeiro homem, que se manifestaram na vida e ação de Jesus. O Deus verdadeiro é o Pai que ama os homens, a ponto de entregar seu Filho até à morte, para dar vida. Todo deus que não dá vida ao homem é falso, é ídolo. O homem verdadeiro é aquele que se abre para se tornar filho do Deus que dá vida e para ser irmão dos outros homens, dando a vida por eles, como Jesus fez. Todo homem que se fecha para Deus e para os irmãos é um falso homem.
* 6-19: Os discípulos vão continuar a missão de Jesus. Como Jesus, eles romperam com a mentalidade perversa do sistema que rege a sociedade. A missão deles, porém, não é sair do “mundo”, e sim permanecerem unidos, presentes no meio da sociedade, dando testemunho de Jesus. O Pai os protegerá de se contaminarem com o espírito do “mundo”, a cujas ameaças e seduções eles não cederão.
Hoje começamos a ler e meditar a chamada “oração sacerdotal”, na qual Jesus pede, sobretudo, o amor e a unidade dos seus, sinais que atraem o mundo para a fé. A reunião escatológica iniciou em Jesus e será cumprida no fim dos tempos. Esta primeira parte divide-se em dois trechos: os cinco primeiros versículos convergem para o ponto central da glória, ou seja, chegou a hora da paixão e da morte, que é a hora da glorificação de Jesus e do Pai. Nos v. 6-11, Jesus pensa em seus apóstolos, a quem comunicou toda a revelação recebida do Pai. Eles responderam com a fé; por isso, Jesus será glorificado nos seus, mediante a fé que opera no amor.
domingo, 17 de maio de 2026
João 16, 29-33 A vitória sobre o mundo.
29 Os discípulos disseram: “Agora estás falando claramente e sem comparações. 30 Agora sabemos que tu sabes todas as coisas, e que é inútil alguém te fazer perguntas. Agora sim, acreditamos que saíste de junto de Deus.” 31 Jesus disse: “Agora vocês acreditam? 32 Vem a hora, e já chegou, em que vocês se espalharão, cada um para o seu lado, e me deixarão sozinho. Mas eu não estou sozinho, pois o Pai está comigo. 33 Eu disse essas coisas, para que vocês tenham a minha paz. Neste mundo vocês terão aflições, mas tenham coragem; eu venci o mundo.”
Comentário:
* 25-33: Jesus não engana seus seguidores: o futuro é tempo de testemunho em meio a lutas e perseguições. Mas é também tempo de confiança e paz, pois os cristãos podem contar com o amor do Pai. E desde já podem estar certos da vitória: Jesus já venceu todos os adversários. Para quem acredita em Jesus, a ordem social injusta, que condena o justo inocente, está condenada ao fracasso para sempre.
Jesus Cristo vence o mundo e mostra que nós também podemos superar qualquer mal ou ameaça. Também nós, se estivermos unidos a Cristo, venceremos toda a dimensão negativa do mundo, todas as suas tramas. Também nós temos ao nosso lado o Pai e o próprio Jesus, por isso não estamos sozinhos ou órfãos. Os apóstolos afirmam conhecer Jesus, mas são advertidos de que ainda há muito por conhecer, porque muitas coisas ainda estão por vir. Jesus não veio ao mundo para transmitir uma filosofia de vida, nem algumas orientações práticas de vida feliz, ao estilo dos coaches atuais. Não! Ele veio para salvar o mundo, para provocar mudança, para exigir conversão e transformação de vida. Ele veio para revelar o projeto de Deus para o ser humano, que deve responder, através da fé, se aceita ou não fazer parte deste projeto de vida e salvação.
sábado, 16 de maio de 2026
Mateus 28, 16-20 Jesus é o Senhor da história.
* 16 Os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. 17 Quando viram Jesus, ajoelharam-se diante dele. Ainda assim, alguns duvidaram. 18 Então Jesus se aproximou, e falou: “Toda a autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra. 19 Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, 20 e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo.”
Comentário:
* 16-20: Doravante, Jesus é a única autoridade entre Deus e os homens. Ele dá apenas uma ordem àqueles que o seguem: fazer com que todos os povos se tornem discípulos. Todos são chamados a participar de uma nova comunidade (batismo), que se compromete a viver de acordo com o que Jesus ensinou: praticar a justiça (3,15; 5,20) em favor dos pobres e marginalizados (25,31-46).
O Evangelho se encerra com a promessa já feita no início: Jesus está vivo e sempre presente no meio da comunidade, como o Emanuel, o Deus-conosco (1,23).
Obedecendo ao pedido do Mestre, os discípulos se dirigem à Galileia, onde acontece o último encontro com o Ressuscitado. Na Galileia Jesus iniciou sua missão e lá a conclui. É nas periferias, fora do grande centro religioso e político, que o pequeno grupo também é convidado a iniciar sua missão. Antes de deixar os apóstolos, Jesus lhes transmite as últimas instruções, entrega-lhes o programa de vida. Com o poder recebido de Deus, Jesus lhes confia a tarefa de ensinar “todas as nações”. Todos somos convidados a seguir os passos do Mestre. A prática do batismo em nome da Santíssima Trindade nasceu no início da Igreja e perdura até hoje. Mateus conclui seu Evangelho confirmando o que disse no início: Jesus é o Emanuel, o Deus conosco, “estarei com vocês todos os dias”. Com sua ascensão, Jesus não abandona a humanidade, assim como não abandonou o céu quando desceu à terra. Cristo
Efésios 1, 17-23 Agradecimento e pedido.
17 Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, lhes dê um espírito de sabedoria que lhes revele Deus, e faça que vocês o conheçam profundamente. 18 Que lhes ilumine os olhos da mente, para que compreendam a esperança para a qual ele os chamou; para que entendam como é rica e gloriosa a herança destinada ao seu povo; 19 e compreendam o grandioso poder com que ele age em favor de nós que acreditamos, conforme a sua força poderosa e eficaz. 20 Ele a manifestou em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita no céu, 21 muito acima de qualquer principado, autoridade, poder e soberania, e de qualquer outro nome que se possa nomear, não só no presente, mas também no futuro. 22 De fato, Deus colocou tudo debaixo dos pés de Cristo e o colocou acima de todas as coisas, como Cabeça da Igreja, 23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que plenifica tudo em todas as coisas.
Comentário:
* 15-23: Pela fé, os cristãos possuem uma sabedoria que supera qualquer outro conhecimento: sabem que Deus manifestou em Jesus Cristo a sua força, destronizando todos os poderes que até agora aprisionam a vida, e libertando os homens para uma esperança nova diante do futuro.
Nesta carta, a Igreja ideal se identifica praticamente com o Reino e, portanto, ultrapassa meras concretizações históricas. Como corpo e plenitude de Cristo, ela se torna a meta para a qual caminhamos. Paulo se refere a uma Igreja santa, a um modelo ideal que exige conversão contínua da Igreja real que vive na história.
sexta-feira, 15 de maio de 2026
João 16, 23-28 A angústia se transformará em alegria.
23 Nesse dia, vocês não me farão mais perguntas. Eu garanto a vocês: se vocês pedirem alguma coisa a meu Pai em meu nome, ele a concederá. 24 Até agora vocês não pediram nada em meu nome: peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja completa.”
A vitória sobre o mundo -* 25 “Até agora falei para vocês através de comparações. Está chegando a hora em que não falarei mais através de comparações, mas falarei a vocês claramente a respeito do Pai. 26 Nesse dia vocês pedirão em meu nome e não será necessário que eu os recomende ao Pai, 27 pois o próprio Pai ama vocês, porque vocês me amaram e acreditaram que eu saí de junto de Deus. 28 Eu saí de junto do Pai e vim ao mundo; agora deixo o mundo e volto para o Pai.”
Comentário:
* 16-24: A morte de Jesus significará ausência e tristeza. Mas é morte fecunda, pois dará lugar à alegria, uma vez que será o princípio de uma presença nova, a presença do Ressuscitado, que age mediante o Espírito Santo. O que acontece com Jesus acontece com todos: para dar fruto, o grão de trigo deve morrer. Também a comunidade é chamada ao testemunho que pode ir até à morte, como entrega em favor do homem, morrendo para dar a vida.
* 25-33: Jesus não engana seus seguidores: o futuro é tempo de testemunho em meio a lutas e perseguições. Mas é também tempo de confiança e paz, pois os cristãos podem contar com o amor do Pai. E desde já podem estar certos da vitória: Jesus já venceu todos os adversários. Para quem acredita em Jesus, a ordem social injusta, que condena o justo inocente, está condenada ao fracasso para sempre.
No credo Niceno-Constantinopolitano, professamos que Jesus é o “Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem”. Os que acreditam de fato no que professam, ou seja, que Jesus é Deus e que veio ao mundo por nós e para nossa salvação, serão amados e acolhidos pelo Pai que está nos céus. Os que creem podem pedir o que quiserem ao Pai, em nome de Jesus, que serão atendidos. Eis o poder da oração, que está associado ao poder da fé e que garante a continuidade da missão de Jesus no mundo após o seu retorno para junto do Pai.
quinta-feira, 14 de maio de 2026
João 16, 20-23 A angústia se transformará em alegria.
20 Eu lhes garanto: vocês vão gemer e se lamentar, enquanto o mundo vai se alegrar. Vocês ficarão angustiados, mas a angústia de vocês se transformará em alegria. 21 Quando a mulher está para dar à luz, sente angústia, porque chegou a sua hora. Mas quando a criança nasce, ela nem se lembra mais da aflição, porque fica alegre por ter posto um homem no mundo. 22 Agora, vocês também estão angustiados. Mas, quando vocês tornarem a me ver, vocês ficarão alegres, e essa alegria ninguém tirará de vocês. 23 Nesse dia, vocês não me farão mais perguntas. Eu garanto a vocês: se vocês pedirem alguma coisa a meu Pai em meu nome, ele a concederá.
Comentário:
* 16-24: A morte de Jesus significará ausência e tristeza. Mas é morte fecunda, pois dará lugar à alegria, uma vez que será o princípio de uma presença nova, a presença do Ressuscitado, que age mediante o Espírito Santo. O que acontece com Jesus acontece com todos: para dar fruto, o grão de trigo deve morrer. Também a comunidade é chamada ao testemunho que pode ir até à morte, como entrega em favor do homem, morrendo para dar a vida.
Na carta aos Coríntios, lemos que a cruz de Cristo é “escândalo para os judeus e loucura para os gregos” (1Cor 1,23). Esse comentário do apóstolo Paulo sobre Cristo crucificado ajuda a compreender o que Jesus afirma no Evangelho de hoje. Sua crucificação aparentemente será uma derrota. O “mundo” se alegrará, ou seja, as forças do mal pensarão ter vencido o Rei da glória. Nesse momento, seus discípulos chorarão e se lamentarão, confusos por ainda não verem e não compreenderem plenamente o que Jesus ensinou. Após a ressurreição, os que seguem Jesus se alegrarão, farão festa, poderão ver toda a verdade anunciada, por isso já não precisarão fazer nenhuma pergunta. Ao mesmo tempo, o “mundo” se dividirá entre os que se escandalizam com o Evangelho, que acham loucura o mandamento do amor, e os cristãos, que são escolhidos e chamados para testemunhar que “Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Cor 1,24).
quarta-feira, 13 de maio de 2026
João 15, 9-17 O fruto do discípulo é o amor.
9 Assim como meu Pai me amou, eu também amei vocês: permaneçam no meu amor. 10 Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11 Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa.
12 O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês. 13 Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos. 14 Vocês são meus amigos, se fizerem o que eu estou mandando. 15 Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos, porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai. 16 Não foram vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês. Eu os destinei para ir e dar fruto, e para que o fruto de vocês permaneça. O Pai dará a vocês qualquer coisa que vocês pedirem em meu nome. 17 O que eu mando é isto: amem-se uns aos outros.”
Comentário:
* 7-17: O fruto que a comunidade é chamada a produzir é o amor. Ora, Jesus não quer uma adesão de servos que obedeçam a um senhor, mas uma adesão livre, de amigos. E a amizade é dom: Jesus é o amigo que dá a vida pelos amigos. A missão da comunidade não nasce da obediência a uma lei, mas do dom livre que participa com alegria da tarefa comum, que é testemunhar o amor de Deus que quer dar vida.
Jesus escolheu e orientou os apóstolos para que dessem continuidade à sua missão, testemunhando o amor de Deus ao mundo. O exemplo de entrega total de Jesus na cruz inspirou os apóstolos a superarem todo medo, enfrentando perigos e perseguições para levar o Evangelho aos quatro cantos do mundo. Como vemos relatado no início dos Atos dos Apóstolos, São Matias não fez parte do grupo dos doze apóstolos desde o princípio, mas era um dos discípulos que acompanharam Jesus do início ao fim de sua vida terrena (cf. Atos 1,21-22). Portanto, foi como se tivesse sido escolhido pelo próprio Jesus Cristo para ocupar o lugar de Judas, o traidor.
terça-feira, 12 de maio de 2026
João 16, 12-15 O Espírito vai guiar o testemunho dos discípulos.
12 “Ainda tenho muitas coisas para dizer, mas agora vocês não seriam capazes de suportar. 13 Quando vier o Espírito da Verdade, ele encaminhará vocês para toda a verdade, porque o Espírito não falará em seu próprio nome, mas dirá o que escutou e anunciará para vocês as coisas que vão acontecer. 14 O Espírito da Verdade manifestará a minha glória, porque ele vai receber daquilo que é meu, e o interpretará para vocês. 15 Tudo o que pertence ao Pai, é meu também. Por isso é que eu disse: o Espírito vai receber daquilo que é meu, e o interpretará para vocês.
Comentário:
* 4b-15: Através do testemunho dos discípulos, o testemunho de Jesus continua na história. Guiados pelo Espírito, os discípulos se tornam capazes de interpretar o mundo a partir da palavra e ação de Jesus. Em qualquer lugar e época, eles irão testemunhar, mostrando que: o pecador é aquele que rejeita a obra de Deus realizada em Jesus e em seus seguidores; o justo é Jesus, presente e atuante naqueles que o testemunham; o condenado é príncipe ou chefe do sistema que condenou Jesus e continua perseguindo seus seguidores. Desse modo, o julgamento de Deus inverte o julgamento dos homens: a morte de Jesus transforma-se em vida, e aqueles que o condenaram, agora são condenados.
Também o Espírito da Verdade fala aquilo que escutou do Pai, transmite a mensagem que emana da comunhão com o Pai e o Filho. Vemos aqui a perfeita unidade que existe na Santíssima Trindade, uma comunhão plena no amor: Pai, Filho e Espírito Santo estão em plena harmonia e união. Desse modo, quando uma das Pessoas da Trindade atua, é a própria Trindade que está presente e age. O Espírito permanece no mundo após a Ascensão de Jesus, mas é toda a Santíssima Trindade que redime o ser humano e que guia o cristão na verdade. Quando abrimos nossa mente e nosso coração para acolher o Espírito, acolhemos também o Filho e o Pai. Todas as três Pessoas da Trindade agem em nós, estão presentes em nós, conduzem–nos no caminho do bem e do amor. Na sua vida cotidiana, como sente a ação da Santíssima Trindade? Já teve alguma experiência especial que comprovou a ação de Deus na sua vida?
segunda-feira, 11 de maio de 2026
João 16, 5-11 O Espírito vai desmascarar o mundo.
5 Mas agora eu vou para aquele que me enviou. E ninguém de vocês pergunta para onde eu vou? 6 Mas porque eu lhes disse essas coisas, a tristeza encheu o coração de vocês. 7 Entretanto, eu lhes digo a verdade: é melhor para vocês que eu vá embora, porque, se eu não for, o Advogado não virá para vocês. Mas se eu for, eu o enviarei.
8 Quando o Advogado vier, ele vai desmascarar o mundo, mostrando quem é pecador, quem é o Justo e quem é o condenado. 9 Quem é pecador? Aqueles que não acreditaram em mim. 10 Quem é o Justo? Sou eu. Mas vocês não me verão mais, porque eu vou para o Pai. 11 Quem é o condenado? É o príncipe deste mundo, que já foi condenado.”
Comentário:
* 4b-15: Através do testemunho dos discípulos, o testemunho de Jesus continua na história. Guiados pelo Espírito, os discípulos se tornam capazes de interpretar o mundo a partir da palavra e ação de Jesus. Em qualquer lugar e época, eles irão testemunhar, mostrando que: o pecador é aquele que rejeita a obra de Deus realizada em Jesus e em seus seguidores; o justo é Jesus, presente e atuante naqueles que o testemunham; o condenado é príncipe ou chefe do sistema que condenou Jesus e continua perseguindo seus seguidores. Desse modo, o julgamento de Deus inverte o julgamento dos homens: a morte de Jesus transforma-se em vida, e aqueles que o condenaram, agora são condenados.
O Espírito da Verdade será enviado pelo Filho para acompanhar a Igreja nascente. Ele continua a nos fortalecer e guiar hoje, cumprindo sempre a tríplice missão anunciada por Jesus: “convencer o mundo a respeito do pecado, da justiça e do julgamento”. No Evangelho de hoje, é o próprio Jesus que explica esta missão do “Advogado”. Ele ajudará o mundo a compreender que condenou à morte um inocente (Jesus), e que, através dessa morte na cruz, todo o pecado humano foi redimido. Ele ajudará o mundo a compreender o verdadeiro significado do mandamento do amor, para que sejamos justos e fiéis à vontade de Deus. Ele nos ajudará a compreender que só participaremos da glória de Cristo se crermos e manifestarmos nossa fé vivendo o Evangelho que Jesus nos ensinou.
domingo, 10 de maio de 2026
João 15, 26-16,4 As testemunhas de Jesus e o ódio do mundo.
26 O Advogado, que eu mandarei para vocês de junto do Pai, é o Espírito da Verdade que procede do Pai. Quando ele vier, dará testemunho de mim. 27 Vocês também darão testemunho de mim, porque vocês estão comigo desde o começo.”
Os discípulos não devem se acovardar -* 1 “Eu disse tudo isso para que vocês não se acovardem. 2 Expulsarão vocês das sinagogas. E vai chegar a hora em que alguém, ao matar vocês, pensará que está oferecendo um sacrifício a Deus. 3 Eles farão assim, porque não conhecem o Pai nem a mim. 4 Eu disse tudo isso para que, quando chegar a hora, vocês se lembrem do que eu disse.”
Comentário:
* 18-27: O sinal concreto da comunidade de Jesus é o amor. O sistema de poder que organiza a sociedade e seus adeptos (o mundo) reage com o ódio, pois não aceita os valores do Evangelho. Não existe possibilidade de conciliação entre o “mundo” e a comunidade de Jesus. A comunidade vive debaixo de suspeita e pressão, e basta um passo para sofrer a perseguição aberta. O confronto cresce, porque o “mundo” não aceita o Deus de Jesus, que denuncia a perversidade da sociedade injusta e liberta o povo oprimido.
* 16,1-4a: A palavra de Jesus se dirige agora aos discípulos, preparando-os para a missão futura. A mesma perseguição e marginalização que eles agora sofrem se repetirá mais tarde em relação a qualquer sociedade e sistema religioso que acoberta a injustiça, porque o cristianismo é radicalmente diferente e contrário ao “mundo”.
Para o cristão, é uma obrigação dar testemunho de Cristo ressuscitado, anunciando o seu Evangelho em todos os lugares e tempos, mesmo que deste testemunho brote a perseguição. Na verdade, a perseguição surge porque a mensagem de Jesus é exigente e desafiadora. Ela provoca a todos, tira todos do estado de letargia, obriga a uma tomada de decisão e posicionamento. Muitos se sentem incomodados e ameaçados, não aceitando uma palavra revolucionária e transformadora. Daí nascem o ódio e a perseguição. Desde o início Jesus deixou claro aos seus discípulos que isso iria acontecer, mas quem é tocado pelo Espírito da Verdade não consegue agir de outra forma a não ser exigindo a verdade do mundo e espalhando por toda parte a semente desta verdade e do amor que a nutre. O mundo pode até matar o corpo, mas nada pode matar a alma de quem é fiel a Jesus Cristo.
sábado, 9 de maio de 2026
1 Pedro 3, 15-18 Quem lhes fará mal?
15 Ao contrário, reconheçam de coração o Cristo como Senhor, estando sempre prontos a dar a razão de sua esperança a todo aquele que a pede a vocês, 16 mas com bons modos, com respeito e mantendo a consciência limpa. Assim, quando vocês forem difamados em alguma coisa, aqueles que criticam o bom comportamento que vocês têm em Cristo ficarão confundidos. 17 Pois, se é da vontade de Deus que vocês sofram, é melhor que seja por praticarem o bem, e não o mal.
Solene compromisso com Deus -* 18 De fato, o próprio Cristo morreu uma vez por todas pelos pecados, o justo pelos injustos, a fim de os conduzir a Deus. Ele sofreu a morte em seu corpo, mas recebeu vida pelo Espírito.
Comentário:
* 13-17: Os sofrimentos, de que fala a carta, não são aqueles provindos de alguma doença ou de uma perseguição programada pelo Estado. São os sofrimentos originados da situação em que se encontram os destinatários: imigrantes sem direitos e, além disso, cristãos com projeto de vida diverso do ambiente em que vivem. Com certeza eles já eram vistos como subversivos e conspiradores (cf. Is 8,12, onde Pedro se inspira). Por outro lado, tais sofrimentos não devem ser suportados pelo sofrimento em si, mas com finalidade bem precisa; “por causa da justiça” (v. 13; cf. também v. 17). Esse sofrimento é uma bem-aventurança (“felizes de vocês”), pois é consequência do testemunho cristão (v. 15).
* 18-22: Diante dos sofrimentos, o modelo sempre é a morte de Jesus, através do qual se realizou o ato definitivo da salvação. Pedro compara duas situações: o tempo de Noé e o tempo dos cristãos. No tempo de Noé, foi salvo um pequeno grupo de justos, enquanto a maioria pereceu. Com a descida de Jesus à mansão dos mortos, também eles tiveram que se confrontar com o Evangelho. No tempo dos cristãos, igualmente existe um grupo menor de batizados (“salvos pela água”), e a maioria ainda não se converteu. Agora, o testemunho dos batizados deve fazer com que os não-convertidos se confrontem com o Evangelho.
João 14, 15-21 O Espírito Santo continua a obra de Jesus.
* 15 “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos. 16 Então, eu pedirei ao Pai, e ele dará a vocês outro Advogado, para que permaneça com vocês para sempre. 17 Ele é o Espírito da Verdade, que o mundo não pode acolher, porque não o vê, nem o conhece. Vocês o conhecem, porque ele mora com vocês, e estará com vocês.
18 Eu não deixarei vocês órfãos, mas voltarei para vocês. 19 Mais um pouco, e o mundo não me verá, mas vocês me verão, porque eu vivo, e também vocês viverão. 20 Nesse dia, vocês conhecerão que eu estou em meu Pai, vocês em mim, e eu em vocês. 21 Quem aceita os meus mandamentos e a eles obedece, esse é que me ama. E quem me ama, será amado por meu Pai. Eu também o amarei e me manifestarei a ele.”
Comentário:
* 15-26: Advogado é alguém que defende uma causa. Jesus envia o Espírito Santo como advogado da comunidade cristã. O Espírito é a memória de Jesus que continua sempre viva e presente na comunidade. Ele ajuda a comunidade a manter e a interpretar a ação de Jesus em qualquer tempo e lugar. O Espírito também leva a comunidade a discernir os acontecimentos para continuar o processo de libertação, distinguindo o que é vida e o que é morte, e realizando novos atos de Jesus na história.
Jesus continua seu discurso de despedida. O Mestre procura animar a esperança dos seus seguidores, prometendo que não os abandonará. Ele lhes garante o dom do Espírito da verdade, o advogado que estará ao lado deles, defendendo-os. São convidados a observar e viver os mandamentos, forma concreta de amar Jesus e seu Pai e ser por eles amados. Mais um pouco e Jesus não mais será visto pelo mundo injusto, mas seus seguidores o verão e sentirão sua presença amorosa se guardarem suas palavras. O evangelista nos apresenta nova imagem de Deus, não mais alguém distante e acessível apenas por mediações, mas um Deus próximo, vivendo em nós e conosco.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
João 15, 18-21 As testemunhas de Jesus e o ódio do mundo.
* 18 “Se o mundo odiar vocês, saibam que odiou primeiro a mim. 19 Se vocês fossem do mundo, o mundo amaria o que é dele. Mas o mundo odiará vocês, porque vocês não são do mundo, pois eu escolhi vocês e os tirei do mundo. 20 Lembrem-se do que eu disse: nenhum empregado é maior do que seu patrão. Se perseguiram a mim, vão perseguir vocês também; se guardaram a minha palavra, vão guardar também a palavra de vocês. 21 Farão isso a vocês por causa de meu nome, pois não reconhecem aquele que me enviou.
Comentário:
* 18-27: O sinal concreto da comunidade de Jesus é o amor. O sistema de poder que organiza a sociedade e seus adeptos (o mundo) reage com o ódio, pois não aceita os valores do Evangelho. Não existe possibilidade de conciliação entre o “mundo” e a comunidade de Jesus. A comunidade vive debaixo de suspeita e pressão, e basta um passo para sofrer a perseguição aberta. O confronto cresce, porque o “mundo” não aceita o Deus de Jesus, que denuncia a perversidade da sociedade injusta e liberta o povo oprimido.
Ao amor manifestado por Jesus (e pelo Pai) e exigido aos discípulos se contrapõe o ódio do mundo, entendido aqui como o conjunto daquelas pessoas ou situações que se opõem à fé e a Cristo. Ao longo da história da Igreja, foram diversas essas manifestações de ódio, com perseguições que perduram ainda hoje. Os martírios são um exemplo concreto do ódio do mundo pelos discípulos de Cristo. Os mártires (do grego martyria, que significa “testemunha”) são os “servos” que seguiram os passos do Senhor até as últimas consequências, são discípulos que preferiram entregar a própria vida em vez de negar a fé. Eles certamente não “perderam” a vida, mas ganharam o céu e mostraram ao mundo que o amor de Cristo é superior a qualquer coisa. Mostraram que não são do “mundo”, mas pertencem ao Reino, que é infinitamente maior. Mostraram que nenhum ódio pode vencer o amor que vem de Deus.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
João 15, 12-17 O fruto do discípulo é o amor.
12 O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês. 13 Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos. 14 Vocês são meus amigos, se fizerem o que eu estou mandando. 15 Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos, porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai. 16 Não foram vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês. Eu os destinei para ir e dar fruto, e para que o fruto de vocês permaneça. O Pai dará a vocês qualquer coisa que vocês pedirem em meu nome. 17 O que eu mando é isto: amem-se uns aos outros.”
Comentário:
* 7-17: O fruto que a comunidade é chamada a produzir é o amor. Ora, Jesus não quer uma adesão de servos que obedeçam a um senhor, mas uma adesão livre, de amigos. E a amizade é dom: Jesus é o amigo que dá a vida pelos amigos. A missão da comunidade não nasce da obediência a uma lei, mas do dom livre que participa com alegria da tarefa comum, que é testemunhar o amor de Deus que quer dar vida.
No Evangelho que meditamos ontem, Jesus afirmou que quem guarda os seus mandamentos permanece no seu amor. Hoje ele nos dá um novo mandamento, ou melhor, um mandamento que resume todos os preceitos judaicos e toda a nova lei presente no Sermão da montanha. Este mandamento supremo é o amor: amar ao próximo como o próprio Jesus nos amou, entregando sua vida na cruz para nos salvar. Jesus nos revelou o Pai de modo pleno e definitivo, como um irmão e amigo. Ele nos escolheu e nos orientou para que o imitássemos na prática do amor ao próximo. Ser discípulo de Cristo, portanto, implica a doação total de si no amor. Ser cristão significa amar ao próximo, mesmo sem conhecê-lo, assim como fez o nosso Mestre e Senhor. É nessa ação que manifestaremos e colheremos os frutos da alegria e da vida eterna.
quarta-feira, 6 de maio de 2026
João 15,9-11 O fruto do discípulo é o amor.
9 Assim como meu Pai me amou, eu também amei vocês: permaneçam no meu amor. 10 Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11 Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa.
Comentário:
* 7-17: O fruto que a comunidade é chamada a produzir é o amor. Ora, Jesus não quer uma adesão de servos que obedeçam a um senhor, mas uma adesão livre, de amigos. E a amizade é dom: Jesus é o amigo que dá a vida pelos amigos. A missão da comunidade não nasce da obediência a uma lei, mas do dom livre que participa com alegria da tarefa comum, que é testemunhar o amor de Deus que quer dar vida.
A melhor forma de manifestarmos nosso amor a Jesus Cristo é seguindo os seus mandamentos: os dez mandamentos do Antigo Testamento e as oito bem-aventuranças que ensinou no Sermão da montanha e que se tornam a nova lei do amor. É importante recordar que o amor de Cristo consiste na generosidade, no sacrifício e na comunhão. A generosidade envolve a gratuidade e a universalidade; o sacrifício compreende o perdão, o serviço e a fidelidade, assim como a comunhão exige a partilha, a solidariedade e a compaixão. Muito mais do que um simples sentimento, o amor manifestado por Jesus, que no fundo é o próprio ser de Deus, equivale ao dom de si a Deus e ao próximo. É um amor que transforma e enche de alegria, um amor que gera vida nova e determina todas as nossas ações. Um amor comprometido, que exige obediência e perseverança. Um amor que conduz a Deus e nos enche de alegria, paz e vivacidade.
terça-feira, 5 de maio de 2026
João 15, 1-8 Quem está unido a Jesus produz frutos.
* 1 “Eu sou a verdadeira videira, e meu Pai é o agricultor. 2 Todo ramo que não dá fruto em mim, o Pai o corta. Os ramos que dão fruto, ele os poda para que deem mais fruto ainda. 3 Vocês já estão limpos por causa da palavra que eu lhes falei. 4 Fiquem unidos a mim, e eu ficarei unido a vocês. O ramo que não fica unido à videira não pode dar fruto. Vocês também não poderão dar fruto, se não ficarem unidos a mim. 5 Eu sou a videira, e vocês são os ramos. Quem fica unido a mim, e eu a ele, dará muito fruto, porque sem mim vocês não podem fazer nada. 6 Quem não fica unido a mim será jogado fora como um ramo, e secará. Esses ramos são ajuntados, jogados no fogo e queimados.”
O fruto do discípulo é o amor -* 7 “Se vocês ficam unidos a mim e minhas palavras permanecem em vocês, peçam o que quiserem e será concedido a vocês. 8 A glória de meu Pai se manifesta quando vocês dão muitos frutos e se tornam meus discípulos.
Comentário:
* 1-6: A comunidade cristã não é uma instituição, mas uma participação na vida de Jesus. Unido a Jesus, cada membro é chamado a testemunhá-lo, colocando a comunidade em contínua expansão e crescimento.
* 7-17: O fruto que a comunidade é chamada a produzir é o amor. Ora, Jesus não quer uma adesão de servos que obedeçam a um senhor, mas uma adesão livre, de amigos. E a amizade é dom: Jesus é o amigo que dá a vida pelos amigos. A missão da comunidade não nasce da obediência a uma lei, mas do dom livre que participa com alegria da tarefa comum, que é testemunhar o amor de Deus que quer dar vida.
Depois de afirmar que quem escuta e aceita a sua Palavra demonstra que ama a Deus e por isso é por ele amado, Jesus vai além e afirma que somente quem aceita a Palavra e a faz frutificar é digno de ser seu discípulo. Para permanecermos unidos ao Mestre, é preciso que façamos sua Palavra germinar, produzir frutos e, assim, “alimentar” o povo. O discipulado, portanto, está intimamente unido à ação, ao fazer render dez, cinquenta, cem vezes mais os talentos (ensinamento) que Jesus nos deixou. Para que isso seja possível, precisamos estar unidos a ele, como o ramo está em contato com o tronco.
segunda-feira, 4 de maio de 2026
João 14, 27-31 A paz que só Jesus pode dar.
* 27 “Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz. A paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá. Não fiquem perturbados, nem tenham medo. 28 Vocês ouviram o que eu disse: ‘Eu vou, mas voltarei para vocês’. Se vocês me amassem, ficariam alegres porque eu vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. 29 Eu lhes digo isso agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vocês acreditem. 30 Já não tenho muito tempo para falar com vocês, pois o príncipe deste mundo está chegando. Ele não tem poder sobre mim, 31 mas vem para que o mundo reconheça que eu amo o Pai, e é por isso que faço tudo o que o Pai me mandou. Levantem-se. Vamos sair daqui.”
Comentário:
* 27-31: Jesus fala de paz e alegria no momento em que sua morte está para acontecer. Paz é a plena realização humana. Ela só é possível se aquele que rege uma sociedade desumana for destituído de poder. A morte de Jesus realiza a paz. Todo martírio é participação nessa luta vitoriosa de Jesus e, portanto, causa de paz e alegria.
A paz que Jesus dá abraça o céu e a terra, implica todos os bens messiânicos, por isso o mundo não a pode dar e por isso não existe verdadeira paz sem a presença de Deus. Na sua Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, sobre o chamado à santidade no mundo atual, o papa Francisco recorda muito bem que “os pacíficos são fonte de paz, constroem paz e amizade social. Àqueles que cuidam de semear a paz por todo o lado, Jesus faz-lhes uma promessa maravilhosa: ‘serão chamados filhos de Deus’ (Mt 5,9). Aos discípulos, pedia-lhes que, ao chegar a uma casa, dissessem: ‘A paz esteja nesta casa!’ (Lc 10,5). A Palavra de Deus exorta cada crente a procurar, juntamente ‘com todos’, a paz, pois ‘é com a paz que uma colheita de justiça é semeada pelos que trabalham pela paz’ (Tg 3,18)” (GE, n. 89).
domingo, 3 de maio de 2026
João 14, 21-26 O Espírito Santo continua a obra de Jesus.
21 Quem aceita os meus mandamentos e a eles obedece, esse é que me ama. E quem me ama, será amado por meu Pai. Eu também o amarei e me manifestarei a ele.”
22 Judas, não o Iscariotes, perguntou: “Senhor, por que vais manifestar-te a nós e não ao mundo?” 23 Jesus respondeu: “Se alguém me ama, guarda a minha palavra, e meu Pai o amará. Eu e meu Pai viremos e faremos nele a nossa morada. 24 Quem não me ama, não guarda as minhas palavras. E a palavra que vocês ouvem não é minha, mas é a palavra do Pai que me enviou. 25 Essas são as coisas que eu tinha para dizer estando com vocês. 26 Mas o Advogado, o Espírito Santo, que o Pai vai enviar em meu nome, ele ensinará a vocês todas as coisas e fará vocês lembrarem tudo o que eu lhes disse.”
Comentário:
* 15-26: Advogado é alguém que defende uma causa. Jesus envia o Espírito Santo como advogado da comunidade cristã. O Espírito é a memória de Jesus que continua sempre viva e presente na comunidade. Ele ajuda a comunidade a manter e a interpretar a ação de Jesus em qualquer tempo e lugar. O Espírito também leva a comunidade a discernir os acontecimentos para continuar o processo de libertação, distinguindo o que é vida e o que é morte, e realizando novos atos de Jesus na história.
Jesus promete enviar aos discípulos um Advogado, que estará com eles para sempre. Este Advogado é o Espírito Santo, que instrui a comunidade cristã e atualiza a cada dia a mensagem de Jesus. Algumas traduções da Bíblia usam o termo grego para Advogado, “Paráclito” (parakletos), que significa igualmente “intercessor”, “defensor” ou “consolador”. O primeiro “Paráclito”, portanto, é o próprio Jesus Cristo. Mas, para não deixar seus discípulos órfãos, após a sua ascensão ao céu, Jesus enviará um novo Paráclito, que é o Espírito Santo, terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Ele nos faz recordar a cada dia o amor que Deus tem por nós e o amor que nós devemos manter por ele, guardando a Palavra de Jesus. É esse mesmo Espírito que mantém a Igreja unida ao longo dos séculos, impulsionando-a a fazer coisas boas e a evangelizar todos os povos.
sábado, 2 de maio de 2026
João 14, 1-12 Jesus é o caminho que leva ao Pai.
* 1 Jesus continuou dizendo: “Não fique perturbado o coração de vocês. Acreditem em Deus e acreditem também em mim. 2 Existem muitas moradas na casa de meu Pai. Se não fosse assim, eu lhes teria dito, porque vou preparar um lugar para vocês. 3 E quando eu for e lhes tiver preparado um lugar, voltarei e levarei vocês comigo, para que onde eu estiver, estejam vocês também. 4 E para onde eu vou, vocês já conhecem o caminho.” 5 Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais; como podemos conhecer o caminho?” 6 Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7 Se vocês me conhecem, conhecerão também o meu Pai. Desde agora vocês o conhecem e já o viram.”
8 Filipe disse a Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso basta para nós.” 9 Jesus respondeu: “Faz tanto tempo que estou no meio de vocês, e você ainda não me conhece, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que você diz: ‘Mostra-nos o Pai’? 10 Você não acredita que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que digo a vocês, não as digo por mim mesmo, mas o Pai que permanece em mim, ele é que realiza suas obras. 11 Acreditem em mim: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditem nisso, ao menos por causa destas obras. 12 Eu garanto a vocês: quem acredita em mim, fará as obras que eu faço, e fará maiores do que estas, porque eu vou para o Pai.
Comentário:
* 14,1-14: Jesus é o verdadeiro caminho para a vida. Através da encarnação, Deus, doador da vida, se manifesta inteiramente na pessoa e ação de Jesus. A comunidade que segue Jesus não caminha para o fracasso, pois a meta é a vida. Jesus não apresenta apenas uma utopia, mas convida a percorrer um caminho historicamente concreto. Inspirada nos sinais que Jesus realizou, a comunidade criará novos sinais dentro do mundo, abrindo espaços de esperança e vida fraterna.
O Mestre está preparando seus seguidores para quando ele for embora. Somente Jesus pode dizer “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Entendendo isso, não há motivo para tanta perturbação. Ele volta para o Pai, e agora eles conhecem o caminho para chegar a Deus. Jesus garante que há um lugar para todos junto ao Pai celeste. Seus ouvintes sabem do compromisso com a vida que ele defendeu todo o tempo que esteve com eles. O Mestre revela a própria presença do Pai: vendo o Mestre, vemos o Pai; conhecendo Jesus, conhecemos a Deus. As credenciais que Jesus apresenta para acreditar nele são sua vida, suas palavras e suas obras. Cada cristão deveria ser o rosto encarnado de Deus. Uma comunidade cristã se assemelha a Jesus quando conduz a Deus, proclama a verdade de Jesus e defende a vida de todos.
1 Pedro 2, 4-9 Cristãos: o povo sacerdotal.
* 4 Aproximem-se do Senhor, a pedra viva rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. 5 Do mesmo modo, vocês também, como pedras vivas, vão entrando na construção do templo espiritual, e formando um sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais que Deus aceita por meio de Jesus Cristo. 6 De fato, nas Escrituras se lê: “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa. Quem nela acreditar não ficará confundido.” 7 Isto é: para vocês que acreditam, ela será tesouro precioso; mas, para os que não acreditam, a pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a pedra angular, 8 uma pedra de tropeço e uma rocha que faz cair. Eles tropeçam porque não acreditam na Palavra, pois foram para isso destinados.
9 Vocês, porém, são raça eleita, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido por Deus, para proclamar as obras maravilhosas daquele que chamou vocês das trevas para a sua luz maravilhosa.
Comentário:
* 4-10: A situação dos cristãos imigrantes em terras estrangeiras é a mesma de Jesus, que foi descartado pelos homens como pedra inútil. Mas, como Jesus ressuscitou e se tornou a pedra viva, do mesmo modo os cristãos menosprezados se tornam pedras vivas que, unidas a Cristo, formam o templo vivo, onde todos são sacerdotes, oferecendo os sacrifícios que são agradáveis a Deus, através da própria vida. Agora, já não há outros entre Deus e seu povo: todos participam da única mediação sacerdotal de Cristo. Os cristãos não só têm uma casa, mas eles mesmos são essa casa; são o verdadeiro povo que dá testemunho das obras maravilhosas de Deus.
sexta-feira, 1 de maio de 2026
João 14, 7-14 Jesus é o caminho que leva ao Pai.
7 Se vocês me conhecem, conhecerão também o meu Pai. Desde agora vocês o conhecem e já o viram.”
8 Filipe disse a Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso basta para nós.” 9 Jesus respondeu: “Faz tanto tempo que estou no meio de vocês, e você ainda não me conhece, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que você diz: ‘Mostra-nos o Pai’? 10 Você não acredita que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que digo a vocês, não as digo por mim mesmo, mas o Pai que permanece em mim, ele é que realiza suas obras. 11 Acreditem em mim: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditem nisso, ao menos por causa destas obras. 12 Eu garanto a vocês: quem acredita em mim, fará as obras que eu faço, e fará maiores do que estas, porque eu vou para o Pai. 13 O que vocês pedirem em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. 14 Se vocês pedirem qualquer coisa em meu nome, eu o farei.”
Comentário:
* 14,1-14: Jesus é o verdadeiro caminho para a vida. Através da encarnação, Deus, doador da vida, se manifesta inteiramente na pessoa e ação de Jesus. A comunidade que segue Jesus não caminha para o fracasso, pois a meta é a vida. Jesus não apresenta apenas uma utopia, mas convida a percorrer um caminho historicamente concreto. Inspirada nos sinais que Jesus realizou, a comunidade criará novos sinais dentro do mundo, abrindo espaços de esperança e vida fraterna.
Jesus se apresenta como o caminho que leva ao Pai, como a revelação pessoal do Pai. No v. 6, ele tinha dado uma das mais belas e significativas autodefinições sobre sua pessoa e missão: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Mesmo assim, Filipe insiste, sem compreender: “Senhor, mostra-nos o Pai”. Jesus se irrita com tamanha incapacidade de interpretar os sinais dados, mas mesmo assim responde com calma: “Quem me vê, está vendo o Pai” (v. 9). Como pode os discípulos acompanharem tanto tempo Jesus e mesmo assim serem incapazes de reconhecê-lo de verdade? E nós, hoje, conhecemos Jesus de verdade? O que poderíamos fazer para conhecê-lo mais e para demonstrar que o seguimos?
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