segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Lucas 4, 31-37 Jesus liberta da alienação.

* 31 Jesus foi a Cafarnaum, cidade da Galileia, e aí ensinava aos sábados. 32 As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento, porque Jesus falava com autoridade. 33 Na sinagoga havia um homem possuído pelo espírito de um demônio mau, que gritou em alta voz: 34 “O que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!” 35 Jesus o ameaçou, dizendo: “Cale-se, e saia dele!” Então o demônio jogou o homem no chão, saiu dele, e não lhe fez mal nenhum. 36 O espanto tomou conta de todos, e eles comentavam entre si: “Que palavra é essa? Ele manda nos espíritos maus com autoridade e poder, e eles saem.” 37 E a fama de Jesus se espalhava em todos os lugares da redondeza. Comentário: * 31-37: Cf. nota em Mc 1, 21-28: A ação demoníaca escraviza e aliena o homem, impedindo-o de pensar e de agir por si mesmo (por exemplo: ideologias, propagandas, estruturas, sistemas etc.): outros pensam e agem através dele. O primeiro milagre de Jesus é fazer o homem voltar à consciência e à liberdade. Só assim o homem pode segui-lo. Marcos não diz qual era o ensinamento de Jesus; contudo, mencionando-o junto com uma ação de cura, ele sugere que o ensinamento com autoridade repousa numa prática concreta de libertação: com sua ação Jesus interpreta as Escrituras de modo superior a toda a cultura dos doutores da Lei. É curioso notar a expressão utilizada pelo espírito impuro para se referir a Jesus. Chama-o de “Santo de Deus”. É a única vez que essa expressão é utilizada no Evangelho de Lucas e, ao longo dos Evangelhos, é utilizada apenas mais duas vezes, em Mc 1,24 e Jo 6,69. Essa expressão significativa é, portanto, um título forte dado ao Messias, com o qual as forças do mal reconhecem a proximidade de Jesus com a santidade de Deus três vezes santo: “Santo, santo, santo” (Is 6,3-5). Além da transcendência de Deus Santo do Antigo Testamento, do qual não é possível se aproximar, nessa expressão temos uma alusão ao Deus Trino: Pai, Filho e Espírito, todos os três Santos segundo o Novo Testamento.

domingo, 30 de agosto de 2026

Lucas 4, 16-30 O programa da atividade de Jesus.

16 Jesus foi à cidade de Nazaré, onde se havia criado. Conforme seu costume, no sábado entrou na sinagoga, e levantou-se para fazer a leitura. 17 Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem onde está escrito: 18 “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, 19 e para proclamar um ano de graça do Senhor.” 20 Em seguida Jesus fechou o livro, o entregou na mão do ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Então Jesus começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês acabam de ouvir.” Reação do povo -* 22 Todos aprovavam Jesus, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Este não é o filho de José?” 23 Mas Jesus disse: /”Sem dúvida vocês vão repetir para mim o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum.” 24 E acrescentou: “Eu garanto a vocês: nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25 De fato, eu lhes digo que havia muitas viúvas em Israel, no tempo do profeta Elias, quando não vinha chuva do céu durante três anos e seis meses, e houve grande fome em toda a região. 26 No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, e sim a uma viúva estrangeira, que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27 Havia também muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu. Apesar disso, nenhum deles foi curado, a não ser o estrangeiro Naamã, que era sírio.” 28 Quando ouviram essas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29 Levantaram-se, e expulsaram Jesus da cidade. E o levaram até o alto do monte, sobre o qual a cidade estava construída, com intenção de lançá-lo no precipício. 30 Mas Jesus, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho. Comentário: * 14-21: Colocada no início da vida pública de Jesus, esta passagem constitui, conforme Lucas, o programa de toda a atividade de Jesus. Is 61,1-2 anunciara que o Messias iria realizar a missão libertadora dos pobres e oprimidos. Jesus aplica a passagem a si mesmo, assumindo-a no hoje concreto em que se encontra. No ano da graça eram perdoadas todas as dívidas e se redistribuíam fraternalmente todas as terras e propriedades: Jesus encaminha a humanidade para uma situação de reconciliação e partilha, que tornam possíveis a igualdade, a fraternidade e a comunhão. * 22-30: A dúvida e a rejeição de Jesus por parte de seus compatriotas fazem prever a hostilidade e a rejeição de toda a atividade de Jesus por parte de todo o seu povo. No entanto, Jesus prossegue seu caminho, para construir a nova história que engloba toda a humanidade. Os sinais para identificar a chegada do Reino são claros: anúncio da Boa Notícia, com a consequente libertação dos presos, recuperação da vista aos cegos, alívio dos oprimidos, proclamação do ano da graça do Senhor. Jesus é a própria Boa Notícia, o Logos encarnado, e tudo o que realizou ao longo da sua vida pública concretiza as profecias de Isaías. Não há dúvida, portanto, de que nele “se cumpriu essa passagem da Escritura”. Nele se cumpre a libertação não apenas do povo de Israel, mas de toda a humanidade. O pecado e a morte não têm mais força sobre a vida nova.

sábado, 29 de agosto de 2026

Mateus 16, 21-27 Jesus é o Messias.

21 E Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém, e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. 22 Então Pedro levou Jesus para um lado, e o repreendeu, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” 23 Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: “Fique longe de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens!” O seguimento de Jesus -* 24 Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. 25 Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26 Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida? 27 Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a própria conduta. 28 Eu garanto a vocês: alguns daqueles que estão aqui, não morrerão sem terem visto o Filho do Homem vindo com o seu Reino.” Comentário: * 13-23: Cf. nota em Mc 8,27-33. Pedro é estabelecido como o fundamento da comunidade que Jesus está organizando e que deverá continuar no futuro. Jesus concede a Pedro o exercício da autoridade sobre essa comunidade, autoridade de ensinar e de excluir ou introduzir os homens nela. Para que Pedro possa exercer tal função, a condição fundamental é ele admitir que Jesus não é messias triunfalista e nacionalista, mas o Messias que sofrerá e morrerá na mão das autoridades do seu tempo. Caso contrário, ele deixa de ser Pedro para ser Satanás. Pedro será verdadeiro chefe, se estiver convicto de que os princípios que regem a comunidade de Jesus são totalmente diferentes daqueles em que se baseiam as autoridades religiosas do seu tempo. * 24-28: Cf. nota em Mc 8, 34-38: A morte de cruz era reservada a criminosos e subversivos. Quem quer seguir a Jesus esteja disposto a se tornar marginalizado por uma sociedade injusta (perder a vida) e mais, a sofrer o mesmo destino de Jesus: morrer como subversivo (tomar a cruz). Jesus nunca procurou esconder de seus seguidores a realidade a respeito de sua vida, nem tentou adocicar suas propostas para angariar mais seguidores. Ele não quer iludir ninguém. O texto de hoje revela seu destino trágico em Jerusalém e convida quem tiver coragem para segui-lo. Diante dessas revelações, Pedro, todo “corajoso”, chama a atenção do Mestre e diz que isso não pode acontecer. Jesus o convida a se colocar em seu lugar – ser um discípulo que ainda deve aprender – e o chama “Satanás”. Em suas boas intenções, Pedro quer livrar Jesus da morte trágica em Jerusalém, mas assim procura desviar Jesus do seu projeto. Diante da resistência de Pedro, Jesus revela o caminho do discipulado. Quem quiser segui-lo terá que renunciar regalias ou pretensões egoístas e assumir a própria cruz do dia a dia.

Romanos 12, 1-2 O culto autêntico.

* 1 Irmãos, pela misericórdia de Deus, peço que vocês ofereçam os próprios corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Esse é o culto autêntico de vocês. 2 Não se amoldem às estruturas deste mundo, mas transformem-se pela renovação da mente, a fim de distinguir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que é agradável a ele, o que é perfeito. Comentário: * 1-2: A vida cristã é resposta à misericórdia de Deus e abrange toda a existência concreta do homem, representada pelo corpo como centro de vida e ação e de relação com Deus, com os homens e com o mundo. Cada cristão oferece a si mesmo, sendo ele próprio o sacerdote e o sacrifício vivo. Tal sacerdócio é exercido de modo prático através do não-conformismo, que critica as estruturas corrompidas pela injustiça, e através de discernimento novo, que sabe distinguir a vontade de Deus que leva à justiça e à vida.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Marcos 6, 17-29 O banquete da morte.

17 De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, com quem tinha casado, apesar de ser ela a mulher do seu irmão Filipe. 18 João dizia a Herodes: “Não é permitido você se casar com a mulher do seu irmão.” 19 Por isso, Herodíades ficou com raiva de João e queria matá-lo, mas não podia. 20 Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava. 21 Finalmente chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes. E ele fez um banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. 22 A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Peça o que quiser e eu darei a você.” 23 E jurou: “Juro que darei qualquer coisa que você me pedir, mesmo que seja a metade do meu reino.” 24 A moça saiu e perguntou à mãe: “O que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista.” 25 A moça correu para a sala e pediu ao rei: “Quero que me dê agora, num prato, a cabeça de João Batista.” 26 O rei ficou muito triste. Mas não pôde recusar, pois tinha feito o juramento na frente dos convidados. 27 Imediatamente o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, foi à prisão e cortou a cabeça de João. 28 Depois levou a cabeça num prato, deu à moça, e esta a entregou à sua mãe. 29 Ao saber disso, os discípulos de João foram, levaram o cadáver e o sepultaram. Comentário: * 14-29: A narração da morte de João Batista apresenta o destino de Jesus e dos que o seguem. A morte de João acontece dentro de um banquete de poderosos. Assim, o profeta que pregava o início de transformação radical é morto por aqueles que se sentem incomodados com essa transformação. O martírio de João Batista nos leva a refletir sobre as consequências de uma liderança guiada pelos interesses humanos, e não divinos, seja ela política, religiosa ou econômica. Quando o líder tem como meta apenas o poder e a riqueza, deixa-se levar pela ganância e pela luxúria, sendo incapaz de ver as atrocidades que comete. Isso vale não só para Herodes, mas também para sua amante Herodíades, que deixou o marido para se unir ao irmão dele por simples ambição. João representa a voz dos profetas e dos mártires, a voz que a Igreja deveria ser hoje na sociedade corrupta e ambiciosa.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Mateus 25, 1-13 Estejam preparados.

-* 1 “Naquele dia, o Reino do Céu será como dez virgens que pegaram suas lâmpadas de óleo, e saíram ao encontro do noivo. 2 Cinco delas não tinham juízo, e as outras cinco eram prudentes. 3 Aquelas sem juízo pegaram suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4 As prudentes, porém, levaram vasilhas com óleo, junto com as lâmpadas. 5 O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormiram. 6 No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Saiam ao seu encontro’. 7 Então as dez virgens se levantaram, e prepararam as lâmpadas. 8 Aquelas que eram sem juízo disseram às prudentes: ‘Deem um pouco de óleo para nós, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. 9 As prudentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode faltar para nós e para vocês. É melhor vocês irem aos vendedores e comprar’. 10 Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. 11 Por fim, chegaram também as outras virgens, e disseram: ‘Senhor, Senhor, abre a porta para nós’. 12 Ele, porém, respondeu: ‘Eu garanto a vocês que não as conheço’. 13 Portanto, fiquem vigiando, pois vocês não sabem qual será o dia, nem a hora.” Comentário: * 1-13: Nesta parábola, o noivo é Jesus, que virá no fim da história. As virgens representam as comunidades cristãs, que devem sempre estar preparadas para o encontro com o Senhor, mediante a prática da justiça (o óleo). Não poderíamos ter um Evangelho mais apropriado para celebrar a memória de Santo Agostinho do que este que tem como tema central a espera vigilante e prudente. A intensa procura pela verdade e pela origem do mal impulsionou Agostinho a encontrar o caminho do cristianismo, tornando-se um dos maiores pensadores de todos os tempos, sempre preocupado em dar razões à nossa fé ao mesmo tempo que promovia o amor a Deus e à verdade. Em um dos seus famosos Sermões (88, 14, 13), Agostinho afirmou: “Tenho medo que Jesus passe sem me dar conta”. Se estivermos desatentos, seguindo nossos próprios interesses, certamente não perceberemos Jesus passar na nossa vida!

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Mateus 24, 42-51 Fiquem vigiando.

42 Portanto, fiquem vigiando! Porque vocês não sabem em que dia virá o Senhor de vocês. 43 Compreendam bem isto: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente ficaria vigiando, e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44 Por isso, também vocês estejam preparados. Porque o Filho do Homem virá na hora em que vocês menos esperarem. 45 Qual é o empregado fiel e prudente? É aquele que o Senhor colocou como responsável pelos outros empregados, para dar comida a eles na hora certa. 46 Feliz o empregado cujo senhor o encontrar fazendo assim quando voltar. 47 Eu garanto a vocês: ele colocará esse empregado à frente de todos os seus bens. 48 Mas, se for mau empregado, pensará: ‘Meu senhor está demorando’. 49 Então começará a bater nos companheiros, a comer e a beber com os bêbados. 50 O senhor desse empregado virá num dia em que ele não espera, e numa hora que ele não conhece. 51 Então o senhor o cortará em pedaços, e o fará participar da mesma sorte dos hipócritas. Aí haverá choro e ranger de dentes.” Comentário: * 32-51: Jesus agora responde à pergunta feita pelos discípulos (v. 3). Cf. nota em Mc 13,28-37. A parábola dos vv. 45-51 ressalta a missão dos responsáveis pela comunidade cristã. Enquanto esperam por Jesus, eles devem continuar fiéis no serviço à comunidade, sem cair na tentação de afrouxar a prática da justiça, diante da demora do Senhor. Como é nossa atitude enquanto esperamos a vinda definitiva do Senhor? Preocupamo-nos em defender os seus interesses, seguindo todas as indicações que ele nos deixou através do Evangelho? Ou preferimos passar o tempo nos divertindo, curtindo a vida, autossuficientes e indiferentes para Deus e para o próximo? Essa é uma forma de atualizar as questões presentes no Evangelho de hoje, relacionadas ao tema da vigilância, que estará em foco na liturgia dos próximos dias. Jesus nos exorta a vigiar, pois não sabemos nem o dia nem a hora da sua nova vinda. Nossa única certeza é que ele virá.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Mateus 23, 27-32 Jesus condena a hipocrisia religiosa.

27 Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e podridão! 28 Assim também vocês: por fora, parecem justos diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça. 29 Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês constroem sepulcros para os profetas, e enfeitam os túmulos dos justos, 30 e dizem: ‘Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices na morte dos profetas’. 31 Com isso, vocês confessam que são filhos daqueles que mataram os profetas. 32 Pois bem: acabem de encher a medida dos pais de vocês! Comentário: * 13-36: Jesus critica e condena os líderes religiosos que sustentam um sistema formalista e hipócrita: eles não consideram o Reino de Deus como dom, nem respeitam a liberdade dos filhos de Deus. Tal sistema impede de entrar no Reino, pois não leva à conversão, mas à perversão, e destrói o verdadeiro espírito das Escrituras, chegando a matar até mesmo os enviados de Deus. Jesus mostra que a religião formalista e jurídica não é meio de salvação, mas produz prática escravizadora; portanto, é frontalmente oposta àquela que deve ser vivida por qualquer comunidade cristã. Continua a série de admoestações de Jesus dirigidas aos líderes religiosos e políticos de Israel. Hoje vemos as duas últimas das sete sentenças. A indignação de Jesus é tamanha que ele compara os doutores da Lei e os fariseus a “sepulcros caiados”, pois têm a aparência exterior de um túmulo recém-pintado de branco que tenta esconder sua realidade interior de corrupção e morte. Aparentando ser pessoas boas e justas, escondem uma realidade de mentiras e exploração, camuflam pecados e falta de comprometimento com os valores essenciais da religião, como a misericórdia e a justiça. São “sepulcros caiados” também porque dizem uma coisa e fazem outra, totalmente diferente, motivados por interesses próprios, e não pelo bem comum.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Mateus 23, 23-26 Jesus condena a hipocrisia religiosa.

23 Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês pagam o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês deveriam praticar isso, sem deixar aquilo. 24 Guias cegos! Vocês coam um mosquito, mas engolem um camelo. 25 Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês limpam o copo e o prato por fora, mas por dentro vocês estão cheios de desejos de roubo e cobiça. Comentário: * 13-36: Jesus critica e condena os líderes religiosos que sustentam um sistema formalista e hipócrita: eles não consideram o Reino de Deus como dom, nem respeitam a liberdade dos filhos de Deus. Tal sistema impede de entrar no Reino, pois não leva à conversão, mas à perversão, e destrói o verdadeiro espírito das Escrituras, chegando a matar até mesmo os enviados de Deus. Jesus mostra que a religião formalista e jurídica não é meio de salvação, mas produz prática escravizadora; portanto, é frontalmente oposta àquela que deve ser vivida por qualquer comunidade cristã. O dízimo sobre ervas e especiarias, como a hortelã, a erva-doce e o cominho, que serviam apenas como tempero, não era prescrito na Lei que vemos em Dt 14,22-29 (trigo, vinho, azeite e primeiras crias do gado…). Faz parte de uma interpretação posterior que taxa tudo o que serve de alimento. Nisso os fariseus são especialistas, porém Jesus pede que vão além da “regra”, seguindo o fundamental da Lei, pois nesse quesito eles falham muito. Estamos falando do senso de justiça, de misericórdia e de fidelidade, que é o “espírito” do direito, aquilo que dá sentido à Lei. Esses princípios são expressos na legislação brasileira em vigor hoje? De que modo os valores evangélicos poderiam ajudar a iluminar as nossas leis e os nossos legisladores?

domingo, 23 de agosto de 2026

João 1, 45-51 As testemunhas apontam o Salvador.

45 Filipe se encontrou com Natanael e disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei e também os profetas: é Jesus de Nazaré, o filho de José.” 46 Natanael disse: “De Nazaré pode sair coisa boa?” Filipe respondeu: “Venha, e você verá.” 47 Jesus viu Natanael aproximar-se e comentou: “Eis aí um israelita verdadeiro, sem falsidade.” 48 Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe chamasse você, eu o vi quando você estava debaixo da figueira.” 49 Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel!” 50 Jesus disse: “Você está acreditando só porque eu lhe disse: ‘Vi você debaixo da figueira’? No entanto, você verá coisas maiores do que essas.” 51 E Jesus continuou: “Eu lhes garanto: vocês verão o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.” Comentário: * 35-51: João descreve os sete dias da nova criação. No primeiro dia, João Batista afirma: “No meio de vocês existe alguém que vocês não conhecem.” Nos dias seguintes vemos como João Batista, João, André, Simão, Filipe e Natanael descobrem a Jesus. É sempre uma testemunha que aponta Jesus para outra. O último dia será o casamento em Caná, onde Jesus manifestará a sua glória. “O que vocês estão procurando?” São estas as primeiras palavras de Jesus neste evangelho. Essa pergunta, ele a faz a todos os homens. Nós queremos saber quem é Jesus, e ele nos pergunta sobre o que buscamos na vida. Os homens que encontraram Jesus começaram a conviver com ele. E no decorrer do tempo vão descobrindo que ele é o Mestre, o Messias, o Filho de Deus. O mesmo acontece conosco: enquanto caminhamos com Cristo, vamos progredindo no conhecimento a respeito dele. João Batista era apenas testemunha de Jesus, a quem tudo se deve dirigir. João sabia disso; por isso convida seus próprios discípulos para que se dirijam a Jesus. E os dois primeiros vão buscar outros. É desse mesmo modo que nós encontramos a Jesus: porque outra pessoa nos falou dele ou nos comprometeu numa tarefa apostólica. Jesus sempre reconhece aqueles que o Pai coloca em seu caminho. Ele reconhece Natanael debaixo da figueira e também Simão, escolhido para ser a primeira Pedra da Igreja. Vereis o céu aberto: No sonho de Jacó, os anjos subiam e desciam por uma escada que ligava a terra ao céu (leia Gn 28,10-22). Doravante é Jesus, o Filho do Homem, a nova ligação entre Deus e os homens. Bartolomeu, ou, em hebraico, Natanael, como é chamado pelo evangelista João, era pescador, como a maioria dos apóstolos. Era natural de Caná, oito quilômetros ao norte de Nazaré, por isso se acredita que estava presente nas famosas Bodas de Caná, local do primeiro milagre de Jesus, que o próprio Bartolomeu reconheceu como o Filho de Deus, rei de Israel, assim que o viu. Inicialmente, movido pelo preconceito, havia duvidado que Jesus, filho de José e Maria, habitante da pequena Nazaré, era verdadeiramente o Messias. Assim que o viu, porém, seu coração se encheu de alegria, confirmando as palavras de Filipe: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas” (v. 45). Segundo a tradição, Bartolomeu evangelizou a Índia e a Armênia, onde foi martirizado.

sábado, 22 de agosto de 2026

Romanos 11, 33-36 As decisões de Deus são insondáveis.

* 33 Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus! Como são insondáveis as suas decisões, e como são impenetráveis seus caminhos! 34 Quem poderá compreender o pensamento do Senhor? Quem foi o seu conselheiro? 35 Quem lhe emprestou alguma coisa, para que ele tenha algo a devolver? 36 Porque todas as coisas vêm dele, por meio dele e vão para ele. A ele pertence a glória para sempre. Amém. Comentário: * 33-36: Contemplando o final da história, quando a humanidade toda se reúne, salva por Deus, Paulo tem exclamações de admiração e de adoração.

Mateus 16, 13-20 Jesus é o Messias.

* 13 Jesus chegou à região de Cesaréia de Filipe, e perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?” 14 Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias, ou algum dos profetas.” 15 Então Jesus perguntou-lhes: “E vocês, quem dizem que eu sou?” 16 Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.” 17 Jesus disse: “Você é feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que lhe revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18 Por isso eu lhe digo: você é Pedro, e sobre essa pedra construirei a minha Igreja, e o poder da morte nunca poderá vencê-la. 19 Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu, e o que você ligar na terra será ligado no céu, e o que você desligar na terra será desligado no céu.” 20 Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias. Comentário: * 13-23: Cf. nota em Mc 8,27-33. Pedro é estabelecido como o fundamento da comunidade que Jesus está organizando e que deverá continuar no futuro. Jesus concede a Pedro o exercício da autoridade sobre essa comunidade, autoridade de ensinar e de excluir ou introduzir os homens nela. Para que Pedro possa exercer tal função, a condição fundamental é ele admitir que Jesus não é messias triunfalista e nacionalista, mas o Messias que sofrerá e morrerá na mão das autoridades do seu tempo. Caso contrário, ele deixa de ser Pedro para ser Satanás. Pedro será verdadeiro chefe, se estiver convicto de que os princípios que regem a comunidade de Jesus são totalmente diferentes daqueles em que se baseiam as autoridades religiosas do seu tempo. O texto que lemos neste domingo constitui um marco importante no Evangelho de Mateus. Numa região pagã (Cesareia de Filipe), Jesus quer saber o que seus seguidores mais próximos pensam dele, e Pedro (porta-voz do grupo) reconhece nele o Messias, o Filho do Deus vivo. Jesus é mais que um simples profeta, ele é a revelação verdadeira do Pai. Ele é o Emanuel, a presença e a ação de Deus no meio da humanidade. A resposta de Pedro traz a essência da fé cristológica: Jesus é Messias, Filho de Deus. Pela resposta, revelada pelo Pai, Pedro é proclamado feliz, testemunha a fé da comunidade e recebe as chaves para abrir as portas do Reino de Deus, para que todos os que desejarem tenham acesso a ele. Ele tem o poder de discernir quem de fato pertence à comunidade comprometida com a justiça do Reino. A pergunta de Jesus continua soando em nossos dias: “Vocês, quem dizem que eu sou?”. A resposta deve ser dada pela nossa prática, pelo nosso compromisso com o projeto de Jesus, que exige liberdade e vida digna para todos.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Lucas 1, 26-38 O Messias vai chegar.

* 26 No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré. 27 Foi a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José, que era descendente de Davi. E o nome da virgem era Maria. 28 O anjo entrou onde ela estava, e disse: “Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!” 29 Ouvindo isso, Maria ficou preocupada, e perguntava a si mesma o que a saudação queria dizer. 30 O anjo disse: “Não tenha medo, Maria, porque você encontrou graça diante de Deus. 31 Eis que você vai ficar grávida, terá um filho, e dará a ele o nome de Jesus. 32 Ele será grande, e será chamado Filho do Altíssimo. E o Senhor dará a ele o trono de seu pai Davi, 33 e ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó. E o seu reino não terá fim.” 34 Maria perguntou ao anjo: “Como vai acontecer isso, se não vivo com nenhum homem?” 35 O anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com sua sombra. Por isso, o Santo que vai nascer de você será chamado Filho de Deus. 36 Olhe a sua parenta Isabel: apesar da sua velhice, ela concebeu um filho. Aquela que era considerada estéril, já faz seis meses que está grávida. 37 Para Deus nada é impossível.” 38 Maria disse: “Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” E o anjo a deixou. Comentário: * 26-38: Maria é outra representante da comunidade dos pobres que esperam pela libertação. Dela nasce Jesus Messias, o Filho de Deus. O fato de Maria conceber sem ainda estar morando com José indica que o nascimento do Messias é obra da intervenção de Deus. Aquele que vai iniciar nova história surge dentro da história de maneira totalmente nova. No quinto mistério glorioso, contemplamos a coroação de Maria como Rainha do Céu e da Terra, ao lado de seu Filho, o Rei do Universo. Alguns poderiam dizer que se trata de resquícios da tradição medieval, marcada pelas relações entre reis e súditos. Porém, é significativo celebrar a memória que hoje a liturgia nos apresenta, pois ela ressalta a beleza da Assunção de Nossa Senhora, celebrada há uma semana, e nos recorda que Maria é modelo e sinal de esperança para os cristãos que, já revestidos da dignidade real do Senhor no batismo, são chamados a reinar eternamente com ele.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Mateus 22, 34-40 O centro da vida.

* 34 Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito os saduceus se calarem. Então eles se reuniram em grupo, 35 e um deles perguntou a Jesus para o tentar: 36 “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” 37 Jesus respondeu: “Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. 38 Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39 O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo. 40 Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos.” Comentário: * 34-40: Cf. nota em Mc 12,28-34: Jesus resume a essência e o espírito da vida humana num ato único com duas faces inseparáveis: amar a Deus com entrega total de si mesmo, porque o Deus verdadeiro e absoluto é um só e, entregando-se a Deus, o homem desabsolutiza a si mesmo, o próximo e as coisas; amar ao próximo como a si mesmo, isto é, a relação num espírito de fraternidade e não de opressão ou de submissão. O dinamismo da vida é o amor que tece as relações entre os homens, levando todos aos encontros, confrontos e conflitos que geram uma sociedade cada vez mais justa e mais próxima do Reino de Deus. Uma armadilha dos fariseus serve para Jesus ensinar o mandamento do amor, coração de toda a Lei e essência da mensagem dos profetas. É importante aqui recordar que no judaísmo do tempo de Jesus existia um catálogo com 365 mandamentos ou preceitos negativos (não pode…) e 248 positivos (deve…). Um “fardo” pesado para o povo seguir. Qualquer desvio era punido, ou duramente criticado, como vimos nas discussões dos fariseus com Jesus sobre o sábado ou sobre as abluções. O novo mandamento é simples e, ao mesmo tempo, extremamente exigente: amar a Deus e ao próximo. Trata-se, na verdade, de um único e mesmo amor, visto que o próximo é o rosto de Deus no mundo: “Tive fome e vocês me deram de comer, tive sede e me deram de beber, era estrangeiro e me acolheram, estava nu e me vestiram, estava doente e me visitaram, estava na cadeia e vieram me ver…” (cf. Mt 25,31-46). Toda vez que manifestamos amor ao próximo, é uma prova de amor ao próprio Jesus Cristo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Mateus 22, 1-14 O novo povo de Deus.

* 1 Jesus voltou a falar em parábolas aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo. 2 Ele dizia: “ Reino do Céu é como um rei que preparou a festa de casamento do seu filho. 3 E mandou seus empregados chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram ir. 4 O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Falem aos convidados que eu já preparei o banquete, os bois e animais gordos já foram abatidos, e tudo está pronto. Que venham para a festa’. 5 Mas os convidados não deram a menor atenção; um foi para o seu campo, outro foi fazer os seus negócios, 6 e outros agarraram os empregados, bateram neles, e os mataram. 7 Indignado, o rei mandou suas tropas, que mataram aqueles assassinos, e puseram fogo na cidade deles. 8 Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não a mereceram. 9 Portanto, vão até as encruzilhadas dos caminhos, e convidem para a festa todos os que vocês encontrarem’. 10 Então os empregados saíram pelos caminhos, e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. 11 Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí alguém que não estava usando o traje de festa. 12 E lhe perguntou: ‘Amigo, como foi que você entrou aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem nada respondeu. 13 Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrem os pés e as mãos desse homem, e o joguem fora na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes’. 14 Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos.” Comentário: * 1-14: É em Jesus que Deus convoca os homens para uma nova aliança, simbolizada pela festa de casamento. Os que rejeitam o convite são aqueles que se apegam ao sistema religioso que defende seus interesses e, por isso, não aceitam o chamado de Jesus. Estes serão julgados e destruídos juntamente com o sistema que defendem. O convite é dirigido então aos que não estão comprometidos com tal sistema, mas, ao contrário, são até marginalizados por ele. Começa na história novo povo de Deus, formado de pobres e oprimidos. Os vv. 11-14, porém, mostram que até mesmo estes últimos serão excluídos, se não realizarem a prática da nova justiça (traje de festa). Ao longo desta semana, refletimos sobre a questão da riqueza como empecilho para entrar no Reino de Deus. Hoje Mateus nos apresenta outros empecilhos, a partir da parábola do banquete de casamento. O maior deles é a falta de preparação adequada e a ausência de comprometimento, simbolicamente expressos na “roupa de festa”. A recusa de Israel em receber o Reino trazido pelo Filho de Deus (recusa em participar da festa) abre a possibilidade de todos serem admitidos a essa festa (serem batizados, fazerem parte da Igreja e um dia entrarem no Reino), mas isso exige de cada um de nós uma resposta de aliança, que é dada através da fé.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Mateus 20, 1-16 O Reino é dom gratuito.

-* 1 “De fato, o Reino do Céu é como um patrão, que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. 3 Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo. Viu outros que estavam desocupados na praça, 4 e lhes disse: ‘Vão vocês também para a minha vinha. Eu lhes pagarei o que for justo’. 5 E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. 6 Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: ‘Por que vocês estão aí o dia inteiro desocupados?’ 7 Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. O patrão lhes disse: ‘Vão vocês também para a minha vinha’. 8 Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chame os trabalhadores, e pague uma diária a todos. Comece pelos últimos, e termine pelos primeiros’. 9 Chegaram aqueles que tinham sido contratados pelas cinco da tarde, e cada um recebeu uma moeda de prata. 10 Em seguida chegaram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. No entanto, cada um deles recebeu também uma moeda de prata. 11 Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12 ‘Esses últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor do dia inteiro!’ 13 E o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto com você. Não combinamos uma moeda de prata? 14 Tome o que é seu, e volte para casa. Eu quero dar também a esse, que foi contratado por último, o mesmo que dei a você. 15 Por acaso não tenho o direito de fazer o que eu quero com aquilo que me pertence? Ou você está com ciúme porque estou sendo generoso?’ 16 Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos.” Comentário: * 1-16: No Reino não existem marginalizados. Todos têm o mesmo direito de participar da bondade e misericórdia divinas, que superam tudo o que os homens consideram como justiça. No Reino não há lugar para o ciúme. Aqueles que julgam possuir mais méritos do que os outros devem aprender que o Reino é dom gratuito. É curioso que, após transmitir alguns ensinamentos sobre a riqueza, Jesus conte a parábola dos trabalhadores da vinha. Serve-nos como exemplo de aplicação prática de tal ensinamento, sobretudo para os empresários cristãos. O “patrão” cristão deve desejar o bem de todos e que todos tenham o mínimo necessário para ter uma vida digna. Se os últimos não tiveram a oportunidade de desempenhar o mesmo trabalho que os primeiros, isso não significa que tenham que passar fome ou outra necessidade. Ao chegar em casa, todo trabalhador deveria se alegrar por poder sustentar sua família, proporcionando-lhe uma vida feliz, e isso pode ser assegurado pelos empresários e empreendedores cristãos, se seguirem a Doutrina Social da Igreja e as indicações de Jesus Cristo presentes no Evangelho de hoje.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Mateus 19, 23-30 O Reino é dom e partilha.

23 Então Jesus disse aos discípulos: “Eu garanto a vocês: um rico dificilmente entrará no Reino do Céu. 24 E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus.” 25 Ouvindo isso, os discípulos ficaram muito espantados, e perguntaram: “Então, quem pode ser salvo?” 26 Jesus olhou para os discípulos, e disse: “Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível.” 27 Então Pedro tomou a palavra, e disse: Vê! Nós deixamos tudo e te seguimos. O que vamos receber?” 28 Jesus respondeu: “Eu garanto a vocês: no mundo novo, quando o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória, vocês, que me seguiram, também se sentarão em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. 29 E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais, e terá como herança a vida eterna. 30 Muitos que agora são os primeiros, serão os últimos; e muitos que agora são os últimos, serão os primeiros.” Comentário: * 16-30: Cf. nota em Mc 10,17-31. Mateus salienta: quem se engaja completamente no seguimento de Jesus, participará como juiz, quando a história for julgada. Mais um ensinamento sobre a riqueza, unido ao Evangelho de ontem, do jovem rico. Hoje temos dois temas principais para refletir: o risco da riqueza e a recompensa dos que renunciam a ela. Na cultura judaica, retomada por algumas Igrejas evangélicas, reina a teologia da prosperidade, ou seja, a riqueza é vista como sinal de bênção, portanto acumular riquezas significa ser muito abençoado por Deus. Jesus mostra que essa interpretação é errônea, pois Deus quer a misericórdia e o sacrifício, quer a solidariedade e o amor. Essa é a verdadeira bênção, que torna possível até mesmo um camelo passar pelo buraco de uma agulha. Os que renunciam à riqueza e dedicam-se a amar e servir ao próximo, esses serão recompensados e herdarão a vida eterna.

domingo, 16 de agosto de 2026

Mateus 19, 16-22 O Reino é dom e partilha.

* 16 Um jovem se aproximou, e disse a Jesus: “Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?” 17 Jesus respondeu: “Por que você me pergunta sobre o que é bom? Um só é o bom. Se você quer entrar para a vida, guarde os mandamentos.” 18 O homem perguntou: “Quais mandamentos?” Jesus respondeu: “Não mate; não cometa adultério; não roube; não levante falso testemunho; 19 honre seu pai e sua mãe; e ame seu próximo como a si mesmo.” 20 O jovem disse a Jesus: “Tenho observado todas essas coisas. O que é que ainda me falta fazer?” 21 Jesus respondeu: “Se você quer ser perfeito, vá, venda tudo o que tem, dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois venha, e siga-me.” 22 Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. Comentário: * 16-30: Cf. nota em Mc 10,17-31. Mateus salienta: quem se engaja completamente no seguimento de Jesus, participará como juiz, quando a história for julgada. Os Profetas e toda a Lei, sobretudo o Decálogo, se resumem no mandamento do amor, mas precisamos recordar que o mandamento tem duas dimensões: amor a Deus e amor ao próximo. O jovem que dialoga com Jesus no Evangelho de hoje não compreendeu essa dinâmica. Pensava que estava sendo fiel a Deus por seguir o Decálogo e os preceitos da tradição judaica, esquecendo-se de que nada disso tem valor se somos egoístas e não nos sensibilizamos com os irmãos mais necessitados. Ainda hoje muitos cristãos pensam ser fiéis a Deus e à Igreja porque vão à missa, fazem ofertas, ajudam vez ou outra a própria paróquia ou um santuário (ou talvez algum influenciador digital), mas negligenciam o amor ao próximo, aquele que está ao seu lado, sentado na rua, desabrigado, com fome, com sede, doente, sem perspectiva… Se você quer ser perfeito, Jesus tem um bom conselho: “use os seus bens para ajudar os pobres e transformar vidas!”.

sábado, 15 de agosto de 2026

1 Coríntios 15, 20-27 Deus será tudo em todos.

* 20 Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos como primeiro fruto dos que morreram. 21 De fato, já que a morte veio através de um homem, também por um homem vem a ressurreição dos mortos.22 Como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos receberão a vida.23 Cada um, porém, na sua própria ordem: Cristo como primeiro fruto; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24 A seguir, chegará o fim, quando Cristo entregar o Reino a Deus Pai, depois de ter destruído todo principado, toda autoridade, todo poder. 25 Pois é preciso que ele reine, até que tenha posto todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. 26 O último inimigo a ser destruído será a morte, 27 pois Deus tudo colocou debaixo dos pés de Cristo. Mas, quando se diz que tudo lhe será submetido, é claro que se deve excluir Deus, que tudo submeteu a Cristo. Comentário: * 20-28: Dois estados da humanidade se opõem: o pecado e a morte, dos quais Adão é o símbolo; a graça e a vida, realizadas em Cristo (cf. Rm 5,17-21). A partir do pecado, existem na sociedade forças e estruturas que invertem o destino humano, desagregando, pervertendo, e até mesmo levando os homens à morte. Cristo foi morto por essas estruturas, mas Deus o ressuscitou e lhe deu poder de destruí-las. Após vencer essas forças, também a morte será vencida; então, o triunfo será definitivo. Unida a Cristo, a humanidade estará de novo submetida a Deus e o Reino de Deus se manifestará completamente.

Lucas 1, 39-56 João aponta o Messias.

* 39 Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, às pressas, a uma cidade da Judéia. 40 Entrou na casa de Zacarias, e saudou Isabel. 41 Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança se agitou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42 Com um grande grito exclamou: “Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre! 43 Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar? 44 Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu ventre. 45 Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu.” O cântico de Maria -* 46 Então Maria disse: “Minha alma proclama a grandeza do Senhor, 47 meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, 48 porque olhou para a humilhação de sua serva. Doravante todas as gerações me felicitarão, 49 porque o Todo-poderoso realizou grandes obras em meu favor: seu nome é santo, 50 e sua misericórdia chega aos que o temem, de geração em geração. 51 Ele realiza proezas com seu braço: dispersa os soberbos de coração,52 derruba do trono os poderosos e eleva os humildes; 53 aos famintos enche de bens, e despede os ricos de mãos vazias. 54 Socorre Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55 conforme prometera aos nossos pais em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre.” 56 Maria ficou três meses com Isabel; e depois voltou para casa. Comentário: * 39-45: Ainda no seio de sua mãe, João Batista recebe o Espírito prometido (1,15). Reconhece o Messias e o aponta através da exclamação de sua mãe Isabel. * 46-56: O cântico de Maria é o cântico dos pobres que reconhecem a vinda de Deus para libertá-los através de Jesus. Cumprindo a promessa, Deus assume o partido dos pobres, e realiza uma transformação na história, invertendo a ordem social: os ricos e poderosos são depostos e despojados, e os pobres e oprimidos são libertos e assumem a direção dessa nova história. Dois grandes sinais aparecem no texto: a mulher e o dragão. A mulher é vista como figura de Maria e como representante do povo fiel. O dragão é símbolo do mal, da força opressora que se opõe ao projeto de Jesus e se encarna em pessoas e sistemas. / Cristo, vencedor da morte, é primícias dos seus seguidores. Sua ressurreição é a certeza da nossa vitória final. Se o estrago do “pecado de Adão” foi grande, a vitória de Jesus supera a própria morte. / Duas mulheres se encontram e partilham a vida e a mútua ajuda. Os filhos em seu ventre mudarão a história da humanidade e, junto com elas, são uma bênção para todas as gerações. Isabel proclama Maria bem-aventurada por acreditar no que o Senhor lhe prometeu. Por sua vez, Maria proclama a grandeza de Deus, que não apenas fez grandes coisas em seu favor, mas também exalta os pobres, dispersa os soberbos e derruba os poderosos.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Mateus 19, 13-15 O Reino pertence aos pobres.

* 13 Então levaram crianças para que Jesus pusesse as mãos sobre elas, e rezasse. Mas os discípulos as repreendiam. 14 Jesus, porém, disse: “Deixem as crianças, e não lhes proíbam de vir a mim, porque o Reino do Céu pertence a elas.” 15 E depois de pôr as mãos sobre as crianças, Jesus partiu daí. Comentário: * 13-15: Cf. nota em Mc 10, 13-16: Aqui a criança serve de exemplo não pela inocência ou pela perfeição moral. Ela é o símbolo do ser fraco, sem pretensões sociais: é simples, não tem poder nem ambições. Principalmente na sociedade do tempo de Jesus, a criança não era valorizada, não tinha nenhuma significação social. A criança é, portanto, o símbolo do pobre marginalizado, que está vazio de si mesmo, pronto para receber o Reino. Pequeno trecho do Evangelho, mas com um profundo ensinamento: o Reino dos Céus pertence aos pequenos e fracos. Para compreender plenamente a mensagem de Jesus, precisamos recordar o que ele tinha dito pouco antes, em Mateus 18,1-5, que meditamos na última terça-feira. Vale a pena reler o Evangelho e a reflexão, pois ali vemos a associação do Reino com a atitude de humildade e respeito para com os simples e frágeis, assim como as pequenas crianças. Mas hoje Jesus vai além, afirmando que ele é o caminho e a porta para o Reino, por isso nenhum desses pequenos pode ser impedido de o seguir, ou melhor, eles devem ser auxiliados no itinerário de aproximação de Jesus. Essa é a função dos discípulos, por isso são reprimidos quando fazem o contrário. Não temos hoje a mesma tentação de facilitar o acesso dos ricos e influentes à Igreja? É verdade que nosso discurso sempre fala dos pobres e oprimidos, mas, na prática, são eles que são acolhidos de modo privilegiado na Igreja? Eles que participam das grandes festas? Eles que são homenageados e condecorados? Algo que nos deve fazer refletir e mudar algumas práticas atuais para retomarmos o caminho indicado por Jesus.

Mateus 19, 3-12 Matrimônio e celibato.

3 Alguns fariseus se aproximaram de Jesus, e perguntaram, para o tentar: “É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo?” 4 Jesus respondeu: “Vocês nunca leram que o Criador, desde o início, os fez homem e mulher? 5 E que ele disse: ‘Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne’? 6 Portanto, eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não deve separar.” 7 Os fariseus perguntaram: “Então, como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio ao despedir a mulher?” 8 Jesus respondeu: “Moisés permitiu o divórcio, porque vocês são duros de coração. Mas não foi assim desde o início. 9 Eu, por isso, digo a vocês: quem se divorciar de sua mulher, a não ser em caso de fornicação, e casar-se com outra, comete adultério.” 10 Os discípulos disseram a Jesus: “Se a situação do homem com a mulher é assim, então é melhor não se casar.” 11 Jesus respondeu: “Nem todos entendem isso, a não ser aqueles a quem é concedido. 12 De fato, há homens castrados, porque nasceram assim; outros, porque os homens os fizeram assim; outros, ainda, se castraram por causa do Reino do Céu. Quem puder entender, entenda.” Comentário: * 1-12: Cf. nota em Mc 10,1-12. Diante do matrimônio indissolúvel, os discípulos observam que o celibato é melhor. Jesus mostra que a escolha do celibato é dom de Deus, e que este só adquire todo o seu valor quando é assumido com plena liberdade em vista de serviço ao Reino. Jesus Cristo apresenta e justifica a razão de ser de duas vocações cristãs: o matrimônio e o celibato. Quem optar pelo matrimônio, deve estar consciente de que é um elo indissolúvel. O que Deus uniu, o ser humano não separe, mostrando o valor do sacramento do matrimônio e a importância de tomar a decisão com plena consciência e fortes motivações ligadas ao amor entre homem e mulher. Os que optam pelo celibato, como os sacerdotes e consagrados, também devem fazê-lo com consciência e tendo em vista uma causa maior: o Reino dos Céus.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Mateus 18, 21-19,1 Perdoar sem limites.

* 21 Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22 Jesus respondeu: “Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. 25 Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: ‘Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo’. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. 28 Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague logo o que me deve’. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dê-me um prazo, e eu pagarei a você’. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. 32 O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: ‘Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. 33 E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?’ 34 O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.” Matrimônio e celibato -* 1 Quando Jesus acabou de dizer essas palavras, ele partiu da Galileia, e foi para o território da Judéia, no outro lado do rio Jordão. Comentário: * 21-35: Na comunidade de Jesus não existem limites para o perdão (setenta vezes sete). Ao entrar na comunidade, cada pessoa já recebeu do Pai um perdão sem limites (dez mil talentos). A vida na comunidade precisa, portanto, basear-se no amor e na misericórdia, compartilhando entre todos esse perdão que cada um recebeu. * 19,1-12: Cf. nota em Mc 10,1-12. Diante do matrimônio indissolúvel, os discípulos observam que o celibato é melhor. Jesus mostra que a escolha do celibato é dom de Deus, e que este só adquire todo o seu valor quando é assumido com plena liberdade em vista de serviço ao Reino. Um ensinamento sobre o perdão sem limites conclui o discurso comunitário de Jesus. Como é já característico do Evangelho de Mateus, o discurso é seguido por uma parábola que ajuda a refletir, aprofundar e fixar na mente e no coração o sentido daquele ensinamento. Nossa mesquinhez humana é incapaz de perdoar uma pequena dívida, demonstrando não reconhecer a generosidade enorme do Rei divino que perdoou uma fortuna. Além do perdão ao próximo como consequência do infinito perdão proporcionado por Deus a nós, a parábola nos faz refletir, portanto, sobre o sentido da gratidão, que muitas vezes deixamos em segundo plano.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Mateus 18, 15-20 E quando o irmão peca?

* 15 “Se o seu irmão pecar, vá e mostre o erro dele, mas em particular, só entre vocês dois. Se ele der ouvidos, você terá ganho o seu irmão. 16 Se ele não lhe der ouvidos, tome com você mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. 17 Caso ele não dê ouvidos, comunique à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele der ouvidos, seja tratado como se fosse um pagão ou um cobrador de impostos. 18 Eu lhes garanto: tudo o que vocês ligarem na terra, será ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra, será desligado no céu. 19 E lhes digo ainda mais: se dois de vocês na terra estiverem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está no céu. 20 Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles.” Comentário: * 15-20: Quando um irmão peca, prejudicando o bem comum, a comunidade age com prudência e justiça, procurando corrigir o irmão. Reunida em nome e no espírito de Jesus, a comunidade tem o poder de incluir ou excluir pessoas do seu meio (cf. 16,19), isto é, incluir ou excluir pessoas. A missão dela, porém, não termina com a exclusão do pecador: ela deve procurá-lo, como o pastor que sai em busca da ovelha perdida (18,11-14). Após apresentar as crianças como modelos da comunidade comprometida, Jesus transmite algumas instruções para a correção fraterna e a oração em comum, aqui colocadas em extrema unidade. De fato, nenhuma comunidade pode rezar serenamente se antes não reinar a harmonia e a paz entre seus membros. Seria uma hipocrisia e uma afronta ao Pai misericordioso, que nos trata a todos como filhos. Se um irmão da comunidade pecar, ou seja, se desviar do caminho evangélico, não deve ser julgado e excluído. Ao contrário. Jesus nos diz que deve ser procurado em particular para ser conscientizado sobre sua falta. Se isso não for o suficiente, temos um novo passo: um grupo converse e tente ajudá-lo, abrindo seus olhos e propondo um itinerário de correção. Na nossa comunidade ou mesmo na nossa família, é assim que agimos?

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Mateus 18, 1-5.10.12-14 Quem é o maior na comunidade?

* 1 Naquele momento, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino do Céu?” 2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles, 3 e disse: “Eu lhes garanto: se vocês não se converterem, e não se tornarem como crianças, vocês nunca entrarão no Reino do Céu. 4 Quem se abaixa, e se torna como essa criança, esse é o maior no Reino do Céu. 5 E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe.” Por que alguém se afasta da comunidade? -* 10 “Cuidado para não desprezar nenhum desses pequeninos, pois eu digo a vocês: os anjos deles no céu estão sempre na presença do meu Pai que está no céu. 12 O que vocês acham? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, será que ele não vai deixar as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? 13 Eu garanto a vocês: quando ele a encontra, fica muito mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. 14 Do mesmo modo, o Pai que está no céu não quer que nenhum desses pequeninos se perca.” Comentário: * 1-5: A comunidade cristã não é a reprodução de uma sociedade que se baseia na riqueza e no poder. Nela, é maior ou mais importante aquele que se converte, deixando todas as pretensões sociais, para pertencer a um grupo que acolhe fraternalmente Jesus na pessoa dos pequenos, fracos e pobres. * 10-14: Por que alguém se extravia, isto é, se distancia da comunidade? Certamente por causa do escândalo (vv. 6-9), ou do desprezo daqueles que buscam poder e prestígio. A parábola mostra que a comunidade inteira deve preocupar-se e procurar aquele que se extraviou. A comunidade se alegra quando ele volta para o seu meio, porque a vontade do Pai foi cumprida. Com o Evangelho de hoje, iniciamos um novo discurso de Jesus, que se estenderá por todo o capítulo 18, chamado “discurso comunitário”, pois apresenta a comunidade comprometida com o Reino e sua justiça. Como é característico do Mestre, para abrir este discurso, ele usa uma imagem eloquente: a presença de uma pequena criança, símbolo da humildade, da pureza e da total submissão ao Pai, não por medo, mas porque vê nele um modelo a imitar. Cada discípulo deve se fazer como uma criança, mas deve também prover os que são fracos e necessitados como as crianças, sem jamais excluí-los ou desprezá-los. Eis a dupla função da comunidade comprometida.

domingo, 9 de agosto de 2026

João 12, 24-26 A missão do verdadeiro Messias.

24 Eu garanto a vocês: se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas se morre, produz muito fruto. 25 Quem tem apego à sua vida, vai perdê-la; quem despreza a sua vida neste mundo, vai conservá-la para a vida eterna. 26 Se alguém quer servir a mim, que me siga. E onde eu estiver, aí também estará o meu servo. Se alguém serve a mim, o Pai o honrará. Comentário: * 12-36: Temos aqui duas concepções sobre o Messias. Seguindo a tradição transmitida pelos dirigentes, o povo aclama Jesus como um rei político. Mais tarde, essa ideia será transformada em motivo da condenação de Jesus. Por outro lado, Jesus se apresenta como o Messias predito pelas Escrituras, mostrando, porém, sua verdadeira missão: dar a vida para salvar e reunir o povo. O Evangelho escolhido para a festa de São Lourenço explica o sentido do próprio martírio que este e inúmeros outros santos sofreram ao longo da história do cris-tianismo. A morte não é o fim para quem crê em Jesus Cristo e na vida eterna. É uma passagem e uma mudança para algo muito superior, assim como o simples grão de trigo que precisa morrer para produzir muitos frutos. Assim como Lourenço, muitos outros aceitaram entregar a própria vida para seguir o Messias, estando ao seu lado na vida, na morte e na ressurreição. É por isso que temos a certeza de que esses santos estão ao lado de Deus no céu, pois o próprio Cristo nos afirmou que, por servi-lo, seriam honrados pelo Pai. Para o cristão, uma vida doada é chamada de amor: amor a Deus e amor ao próximo. Por isso, o caminho do cristão não pode ser diferente daquele trilhado por Jesus, passando pela cruz, mas com destino à esperança e à glória. Esse é o caminho da felicidade eterna.

sábado, 8 de agosto de 2026

Mateus 14, 22-33 A fé nos momentos difíceis.

* 22 Logo em seguida, Jesus obrigou os discípulos a entrar na barca, e ir na frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despedia as multidões. 23 Logo depois de despedir as multidões, Jesus subiu sozinho ao monte, para rezar. Ao anoitecer, Jesus continuava aí sozinho. 24 A barca, porém, já longe da terra, era batida pelas ondas, porque o vento era contrário. 25 Entre as três e as seis da madrugada, Jesus foi até os discípulos, andando sobre o mar. 26 Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: “É um fantasma!” E gritaram de medo. 27 Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo.” 28 Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água.” 29 Jesus respondeu: “Venha.” Pedro desceu da barca, e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30 Mas ficou com medo quando sentiu o vento e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me.” 31 Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que você duvidou?” 32 Então eles subiram na barca. E o vento parou. 33 Os que estavam na barca se ajoelharam diante de Jesus, dizendo: “De fato, tu és o Filho de Deus.” Comentário * 22-33: Sobressai aqui a figura de Pedro, protótipo da comunidade que, nas grandes crises, duvida da presença de Jesus em seu meio e, por isso, pede um sinal. E mesmo vendo sinais, continua com medo das ambiguidades da situação e, por isso, a sua fé fica paralisada. Então faz o seu pedido de socorro. Jesus atende ao pedido da comunidade. Mas deixa bem claro que ela precisa crescer na fé e não temer os passos dados dentro das águas agitadas do mundo. Elias foge para o monte Horeb, onde faz a experiência de Deus. O Senhor não se manifesta mediante os elementos tradicionais – o vento, o terremoto e o fogo –, e sim na brisa mansa. Ele sempre se revela de maneiras inesperadas e variadas, também no silêncio do coração e na solidão. / O Evangelho é recusado pelos que deviam ser os primeiros a acolhê-lo. Isso atormenta Paulo, que, porém, não perde a esperança. Mais cedo ou mais tarde, os inumeráveis dons de Deus darão seus frutos. / Caminhando sobre o mar, diante dos poderes da morte, Jesus se revela como Senhor. Ele convida a comunidade a encarar os desafios para fazer a travessia do “mar”, pois a outra margem do lago é o lugar da missão. Por causa de nossa pouca fé, corremos o risco de ser tragados pelas ondas sufocantes; neste momento, precisamos apelar para o Senhor: “Salva-nos!”

Romanos 9, 1-5 Os privilégios de Israel.

* 1 Digo a verdade em Cristo, não minto, e disso me dá testemunho a minha consciência pelo Espírito Santo: 2 tenho uma grande dor e um contínuo sofrimento no coração. 3 Sim, eu gostaria de ser amaldiçoado e separado de Cristo em favor dos meus irmãos de raça e sangue. 4 Eles são israelitas e possuem a adoção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; 5 deles são os patriarcas e deles nasceu Cristo segundo a condição humana, que está acima de tudo. Deus seja bendito para sempre. Amém. Comentário: * 1-5: Nos capítulos 9-11, Paulo analisa a situação do povo de Israel, procurando responder à difícil questão: “Não é uma contradição o fato de que o próprio povo escolhido, portador da história da salvação, tenha rejeitado Jesus e se tenha excluído da salvação?” Esse problema escandalizava judeus e pagãos e comprometia o êxito do Evangelho.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Evangelho: Mateus 17,14-20

* 14 Eles foram em direção à multidão. Um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se, 15 e disse: “Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epilético, e tem ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. 16 Eu o levei aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!” 17 Jesus respondeu: “Gente sem fé e pervertida! Até quando deverei ficar com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam o menino aqui.” 18 Então Jesus ordenou, e o demônio saiu. E na mesma hora o menino ficou curado. 19 Os discípulos se aproximaram de Jesus, e lhe perguntaram em particular: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?” 20 Jesus respondeu: “É porque vocês não têm bastante fé. Eu garanto a vocês: se vocês tiverem fé do tamanho de uma semente de mostarda, podem dizer a esta montanha: ‘Vá daqui para lá’, e ela irá. E nada será impossível para vocês. Comentário: * 14-21: Cf. nota em Mc 9,14-29. Os discípulos, que estão iniciando o trabalho de continuar a obra de Jesus, falham nas primeiras tentativas. O motivo é a falta de fé, ou seja, não acreditam que o poder de Deus se expressa através da ação concreta deles. Considerar impossível a desalienação dos homens é não acreditar no poder de Deus que age na pessoa de Jesus e em nós. O grão de mostarda, que Jesus já havia usado como referência para o Reino, por ser a menor das sementes, agora serve para ilustrar o tamanho da fé dos discípulos, menor do que a menor de todas as sementes. De que serviu todo o ensinamento de Jesus, especialmente a parábola do semeador? Parece que os discípulos não aprenderam nada, e os que o procuram também ainda não compreenderam o sentido da sua messianidade. Jesus é paciente, acolhe novamente os que sofrem para libertá-los de todo mal (simbolizado no menino epilético, que na época era visto como sinal de possessão demoníaca), a fim de ensinar o povo a ter fé autêntica, mesmo que seja pequena como um grão de mostarda.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Mateus 16, 24-28 O seguimento de Jesus.

* 24 Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. 25 Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26 Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida? 27 Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a própria conduta. 28 Eu garanto a vocês: alguns daqueles que estão aqui, não morrerão sem terem visto o Filho do Homem vindo com o seu Reino.” Comentário: * 24-28: Cf. nota em Mc 8,34-38: A morte de cruz era reservada a criminosos e subversivos. Quem quer seguir a Jesus esteja disposto a se tornar marginalizado por uma sociedade injusta (perder a vida) e mais, a sofrer o mesmo destino de Jesus: morrer como subversivo (tomar a cruz). Todos os dias, Jesus continua a dizer a cada um de nós: “Renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. A questão é: sou capaz de renunciar a mim mesmo, tomar a cruz de Cristo e o seguir? Não nos faltam exemplos de pessoas que assumiram esse desafio ao longo da história da Igreja, desde os apóstolos e as primeiras comunidades até os santos contemporâneos. Particular testemunho foi dado pelos mártires. De fato, a palavra “mártir” vem do grego martyria e significa exatamente “testemunha”, aquele que testemunhou a sua fé de modo radical, entregando-se até à morte. O exemplo destes santos nos inspira a sermos fiéis ao Evangelho e a nos dedicarmos, mesmo que em grau muito menor, à mesma causa do Reino.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Mateus 17, 1-9 O sinal da vitória.

* 1 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, os irmãos Tiago e João, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. 2 E se transfigurou diante deles: o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz. 3 Nisso lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Jesus. 4 Então Pedro tomou a palavra, e disse a Jesus: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.” 5 Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra, e da nuvem saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz.” 6 Quando ouviram isso, os discípulos ficaram muito assustados, e caíram com o rosto por terra. 7 Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantem-se, e não tenham medo.” 8 Os discípulos ergueram os olhos, e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. 9 Ao descerem da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não contem a ninguém essa visão, até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos.” Comentário: * 17,1-9: Cf. nota em Mc 9,1-13: A vida e ação de Jesus não terminam na sua morte. A transfiguração é sinal da Ressurreição: a sociedade não conseguirá deter a pessoa e a atividade de Jesus, que irão continuar através de seus discípulos. A voz de Deus mostra que, daqui por diante, Jesus é a única autoridade. Todos os que ouvem o convite de Deus e seguem a Jesus até o fim, começam desde já a participar da sua vitória final, quando ressuscitarão com ele. Jesus toma consigo três apóstolos mais próximos e, no alto da montanha, se transfigura diante deles. Nisso, apareceu-lhes Moisés, representante da Lei, e Elias, representante dos profetas, falando com ele. Há um paralelismo entre Jesus no monte da Transfiguração e Moisés no Sinai. Tal como o rosto de Moisés, também o de Jesus irradia uma luz resplandecente. Mais do que a Moisés, é preciso escutar Jesus. Ele é o novo legislador que veio dar novo sentido à Lei mosaica. Moisés e Elias dão testemunho dele. Pedro se entusiasma e propõe ao Mestre ficar naquele lugar maravilhoso, construindo três tendas. Nisso, uma voz se faz ouvir: este é meu Filho amado, escutai-o. Escutando Jesus, escutaremos também seu Pai. A proposta de Pedro de permanecer na montanha é fugir da missão, que se realiza na planície.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Mateus 15, 21-28 Jesus veio para todos.

* 21 Jesus saiu daí, e foi para a região de Tiro e Sidônia. 22 Nisso, uma mulher Cananéia, que morava nessa região, gritou para Jesus: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim. Minha filha está sendo cruelmente atormentada por um demônio.” 23 Mas Jesus nem lhe deu resposta. Então os discípulos se aproximaram e pediram: “Manda embora essa mulher, porque ela vem gritando atrás de nós.” 24 Jesus respondeu: “Eu fui mandado somente para as ovelhas perdidas do povo de Israel.” 25 Mas a mulher, aproximando-se, ajoelhou-se diante de Jesus, e começou a implorar: “Senhor, ajuda-me.” 26 Jesus lhe disse: “Não está certo tirar o pão dos filhos, e jogá-lo aos cachorrinhos.” 27 A mulher disse: “Sim, Senhor, é verdade; mas também os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.” 28 Diante disso, Jesus lhe disse: “Mulher, é grande a sua fé! Seja feito como você quer.” E desde esse momento a filha dela ficou curada. Comentário: * 21-28: Cf. nota em Mc 7,24-30. A mulher pagã reconhece que Jesus não é só uma personalidade moral e religiosa, mas alguém que realiza um projeto concreto: constituir o povo de Deus na história. Esse reconhecimento faz que ela participe, com sua filha, desse projeto. Não são os atos de purificação ou as crenças particulares que engajam alguém no povo de Deus, mas o fato de acreditar que Jesus é o guia desse povo. As ações de Jesus ao longo de Mateus 14-15 procuram, sobretudo, responder a questões específicas enfrentadas pelos discípulos na comunidade a que se dirige, composta principalmente por judeu-cristãos. A questão discutida hoje é a primazia do povo “escolhido”, Israel. Deve ser mantida ou não? Vemos que não, pois a missão de Jesus se abriu aos pagãos após a recusa de Israel. A atitude da mulher pagã serve de paradigma da fé que salva: reconhece e aceita Jesus como o Salvador, e vai ao seu encontro, mesmo sabendo que não tem direito a ela (por causa do pecado).

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Mateus 15, 1-2.10-14 Condição para ser verdadeiro guia.

* 1 Alguns fariseus e diversos doutores da Lei, de Jerusalém, se aproximaram de Jesus, e perguntaram: 2 “Por que os teus discípulos desobedecem à tradição dos antigos? De fato, comem pão sem lavar as mãos!”10 Em seguida, Jesus chamou a multidão para perto dele, e disse: “Escutem e compreendam. 11 Não é o que entra na boca que torna o homem impuro, mas o que sai da boca, isso torna o homem impuro.” 12 Então os discípulos se aproximaram, e disseram a Jesus: “Sabes que os fariseus ficaram escandalizados com o que disseste?” 13 Jesus respondeu: “Toda planta que não foi plantada pelo meu Pai celeste será arrancada. 14 Não se preocupem com eles. São cegos guiando cegos. Ora, se um cego guia outro cego, os dois cairão num buraco.” Comentário: * 1-20: Através de sua moralidade casuística, os doutores da Lei e os fariseus são condutores cegos do povo. Com suas interpretações desobedecem aos próprios mandamentos de Deus, sob a pretensão de observá-los. Também Pedro e os discípulos não serão verdadeiros guias, enquanto não entenderem que só é impuro aquilo que estraga o relacionamento fraterno entre os homens. Cf. também nota em Mc 7,1-13 e 7,14-23. Nova discussão sobre as tradições seguidas no tempo de Jesus. É importante notar aqui que mesmo entre os diversos grupos judaicos não existia um consenso sobre essas tradições orais. De fato, o historiador Flávio Josefo assim escreveu: “Os fariseus transmitiram ao povo algumas regras recebidas por sucessão de seus pais e que não estão escritas nas leis de Moisés, e por isso os saduceus as rejeitam, porque, dizem, é preciso observar apenas as normas escritas e não aquelas recebidas pela tradição”. Portanto, Jesus não é questionado propriamente por não seguir a Lei mosaica, mas por não respeitar a tradição oral (ou seja, o conjunto de interpretações sobre as questões de pureza), passada através das gerações, e que depois do tempo de Jesus seria recolhida no conhecido Talmude e na Mishná.

domingo, 2 de agosto de 2026

Mateus 14, 22-36 A fé nos momentos difíceis.

* 22 Logo em seguida, Jesus obrigou os discípulos a entrar na barca, e ir na frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despedia as multidões. 23 Logo depois de despedir as multidões, Jesus subiu sozinho ao monte, para rezar. Ao anoitecer, Jesus continuava aí sozinho. 24 A barca, porém, já longe da terra, era batida pelas ondas, porque o vento era contrário. 25 Entre as três e as seis da madrugada, Jesus foi até os discípulos, andando sobre o mar. 26 Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: “É um fantasma!” E gritaram de medo. 27 Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo.” 28 Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água.” 29 Jesus respondeu: “Venha.” Pedro desceu da barca, e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30 Mas ficou com medo quando sentiu o vento e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me.” 31 Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que você duvidou?” 32 Então eles subiram na barca. E o vento parou. 33 Os que estavam na barca se ajoelharam diante de Jesus, dizendo: “De fato, tu és o Filho de Deus.” Jesus e os doentes -* 34 Acabando de atravessar, desembarcaram em Genesaré. 35 Os homens desse lugar, reconhecendo-os, espalharam a notícia por toda a região. Então levaram a Jesus todos os doentes, 36 e pediram que pudessem ao menos tocar a barra da roupa dele. E todos os que tocaram, ficaram curados. Comentário: * 22-33: Sobressai aqui a figura de Pedro, protótipo da comunidade que, nas grandes crises, duvida da presença de Jesus em seu meio e, por isso, pede um sinal. E mesmo vendo sinais, continua com medo das ambiguidades da situação e, por isso, a sua fé fica paralisada. Então faz o seu pedido de socorro. Jesus atende ao pedido da comunidade. Mas deixa bem claro que ela precisa crescer na fé e não temer os passos dados dentro das águas agitadas do mundo. * 34-36: Jesus exerce sua missão em benefício de todo o povo, e não de acordo com os critérios e interesses de privilegiados ou especialistas da religião. Estes consideravam um escândalo deixar-se tocar pela multidão doente. Mateus repete na narração de hoje alguns elementos presentes no milagre da tempestade (8,23-27), como o poder sobre as forças da natureza e a decepção diante da falta de fé dos discípulos traduzida no medo. Nas entrelinhas, colhemos em ambas as narrativas o ensinamento de que a vitória do discípulo de Cristo no mundo depende da fé em Jesus Salvador (v. 30; 8,25), fé que exprime o grito de socorro e de confiança naquele que pode salvar. Quando cremos em Jesus Cristo, todo medo se dissipa, as ondas e o vento já não nos preocupam, a serenidade e a paz voltam a reinar.

sábado, 1 de agosto de 2026

Mateus 14, 13-21 O banquete da vida.

* 13 Quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu, e foi de barca para um lugar deserto e afastado. Mas, quando as multidões ficaram sabendo disso, saíram das cidades, e o seguiram a pé. 14 Ao sair da barca, Jesus viu grande multidão. Teve compaixão deles, e curou os que estavam doentes. 15 Ao entardecer, os discípulos chegaram perto de Jesus, e disseram: “Este lugar é deserto, e a hora já vai adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar alguma coisa para comer.” 16 Mas Jesus lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Vocês é que têm de lhes dar de comer.” 17 Os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes.” 18 Jesus disse: “Tragam isso aqui.” 19 Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Depois pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães, e os deu aos discípulos; os discípulos distribuíram às multidões. 20 Todos comeram, ficaram satisfeitos, e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços que sobraram. 21 O número dos que comeram era mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. Comentário: * 13-21: Cf. nota em Mc 6,31-44. Mateus salienta o comportamento de Jesus: ele não é fanático, querendo enfrentar imediatamente Herodes; mas também não é fatalista, deixando as coisas correr como estão. Ele continua fiel à missão de servir ao seu povo. Reúne e alimenta as multidões sofredoras, realizando os sinais de um novo modo de vida e de anúncio do Reino. A Eucaristia é o sacramento-memória dessa presença de Jesus, lembrando continuamente qual é a missão a que nós, cristãos, fomos chamados. Embora ainda tímidos, os discípulos entreveem saída no sinal simbólico dos cinco pães e dois peixes. A partir daí, o milagre acontece. O pouco que cada um tem, quando partilhado e abençoado por Deus, é suficiente para transformar a realidade para melhor. O episódio se conclui com a constatação: todos ficaram saciados e ainda sobrou (v. 20). Com esse ensinamento, os discípulos aprenderam que, para seguir Jesus, é necessário decidir-se em favor da vida, sendo sinais visíveis de misericórdia daquele que veio para que todos tenham vida e a tenham em plenitude (Jo 10,10). Essa é também nossa missão!

Romanos 8, 35.37-39 Ninguém pode impedir o projeto de Deus.

35 Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? 37 Mas, em todas essas coisas somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou. 38 Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes 39 nem as forças das alturas ou das profundidades, nem qualquer outra criatura, nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor. Comentário: * 31-39: Com o amor de Deus, manifestado em seu Filho, nada mais temos a temer: nem dificuldades, nem perseguições, nem martírio, nem qualquer forma de dominação. Nada poderá desfazer o que Deus já realizou. Nada poderá impedir o testemunho dos cristãos. E nada poderá opor-se à plena realização do projeto de Deus.