sábado, 3 de outubro de 2026
Filipenses 4, 6-9 Recomendações.
6 Não se inquietem com nada. Apresentem a Deus todas as necessidades de vocês através da oração e da súplica, em ação de graças. 7 Então a paz de Deus, que ultrapassa toda compreensão, guardará em Jesus Cristo os corações e pensamentos de vocês.
8 Finalmente, irmãos, ocupem-se com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso, ou que de algum modo mereça louvor. 9 Pratiquem tudo o que vocês aprenderam e receberam como herança, o que ouviram e observaram em mim. Então o Deus da paz estará com vocês.
Comentário:
* 1-9: Nada sabemos sobre as pessoas nomeadas nos vv. 2-3, a não ser que devem estar profundamente comprometidas com o trabalho de evangelização. Paulo parece jogar com o significado dos nomes (Evódia = “caminho fácil”; Síntique = “encontro”; Sízigo = “companheiro de canga”). A alegria cristã se baseia na salvação obtida por Cristo, e é testemunhada sobretudo pela bondade que se irradia para todos e pela tranquila confiança em Deus. Os cristãos devem ser fiéis ao que aprenderam dos seus evangelizadores, mas também precisam estar abertos a todas as coisas sadias que encontram na sociedade.
Mateus 21, 33-43 Jesus acusa as autoridades.
-* 33 “Escutem essa outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, cercou-a, fez um tanque para pisar a uva, e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou a vinha para alguns agricultores, e viajou para o estrangeiro. 34 Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos agricultores para receber os frutos. 35 Os agricultores, porém, agarraram os empregados, bateram num, mataram outro, e apedrejaram o terceiro. 36 O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. 37 Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu próprio filho, pensando: ‘Eles vão respeitar o meu filho’. 38 Os agricultores, porém, ao verem o filho, pensaram: ‘Esse é o herdeiro. Venham, vamos matá-lo, e tomar posse da sua herança’. 39 Então agarraram o filho, o jogaram para fora da vinha, e o mataram. 40 Pois bem: quando o dono da vinha voltar, o que irá fazer com esses agricultores?” 41 Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “É claro que mandará matar de modo violento esses perversos, e arrendará a vinha a outros agricultores, que lhe entregarão os frutos no tempo certo.” 42 Então Jesus disse a eles: “Vocês nunca leram na Escritura: ‘A pedra que os construtores deixaram de lado tornou-se a pedra mais importante; isso foi feito pelo Senhor, e é admirável aos nossos olhos’? 43 Por isso eu lhes afirmo: o Reino de Deus será tirado de vocês, e será entregue a uma nação que produzirá seus frutos.
Comentário:
. * 33-46: Cf. nota em Mc 12,1-12. Mateus salienta a formação de um novo povo de Deus, formado agora não por uma nação particular, mas por todos aqueles que acreditam, comprometendo-se com Jesus.
Com suas parábolas, Jesus nos surpreende com muita frequência. É o caso da parábola de hoje. Na parábola de hoje está sintetizada a história dos profetas, de Jesus e dos apóstolos: muitos deles rejeitados e condenados. Deixando de lado o aspecto histórico e literal, a parábola questiona também a nós, pois nos foi confiado o Reino de Deus e temos o compromisso de produzir e entregar os frutos ao dono (Deus). Jesus não acusa a vinha (o povo) por não produzir frutos, mas seus responsáveis. Fazer parte do povo de Deus (a vinha do Senhor) não é privilégio, mas compromisso de produzir frutos de justiça, fraternidade, solidariedade. Deus cuida com amor e carinho do seu povo e espera dos responsáveis a mesma atitude.
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Lucas 10, 17-24 A alegria do discípulo.
* 17 Os setenta e dois voltaram muito alegres, dizendo: “Senhor, até os demônios obedecem a nós por causa do teu nome.” 18 Jesus respondeu: “Eu vi Satanás cair do céu como um relâmpago. 19 Vejam: eu dei a vocês o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo, e nada poderá fazer mal a vocês. 20 Contudo, não se alegrem porque os maus espíritos obedecem a vocês; antes, fiquem alegres porque os nomes de vocês estão escritos no céu.”
Os pobres evangelizam -* 21 Nessa hora, Jesus se alegrou no Espírito Santo, e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22 Meu Pai entregou tudo a mim. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai, e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar.” 23 E Jesus voltou-se para os discípulos, e lhes disse em particular: “Felizes os olhos que veem o que vocês veem. 24 Pois eu digo a vocês que muitos profetas quiseram ver o que vocês estão vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que vocês estão ouvindo, e não puderam ouvir.”
Comentário:
* 17-20: Os milagres realizados são motivo de alegria para os discípulos que retornam. No entanto, Jesus mostra que são apenas sinais de uma libertação muito mais ampla, que ameaça o domínio de Satanás. A verdadeira alegria dos discípulos é saber que a novidade do Reino está surgindo, e que eles estão participando dela.
* 21-24: Os sábios e inteligentes não são capazes de perceber em Jesus a presença do Reino. Só os desfavorecidos e pobres conseguem penetrar o sentido da atividade de Jesus e continuá-la.
Depois de passarem por todas as cidades por onde o próprio Jesus deverá também passar no seu itinerário rumo a Jerusalém, os setenta e dois discípulos missionários retornam para relatar ao Mestre o resultado da sua experiência missionária. Lucas destaca a “alegria” dos discípulos pelo êxito da missão. Todos exultam de alegria pelas maravilhas que Deus realizou por meio de cada discípulo, espalhando a paz e a liberdade através das curas e da expulsão de espíritos impuros (demônios). Jesus recorda que tudo é ação do Pai, que enviou o Filho e envia todos os discípulos missionários. A recompensa de quem o segue, mais do que testemunhar a libertação do “mundo”, é ter seu nome inscrito no céu, como herdeiro da vida eterna.
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mateus 18, 1-5.10 Quem é o maior na comunidade?
-* 1 Naquele momento, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino do Céu?” 2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles, 3 e disse: “Eu lhes garanto: se vocês não se converterem, e não se tornarem como crianças, vocês nunca entrarão no Reino do Céu. 4 Quem se abaixa, e se torna como essa criança, esse é o maior no Reino do Céu. 5 E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe.”
Por que alguém se afasta da comunidade? -* 10 “Cuidado para não desprezar nenhum desses pequeninos, pois eu digo a vocês: os anjos deles no céu estão sempre na presença do meu Pai que está no céu.
Comentário:
* 1-5: A comunidade cristã não é a reprodução de uma sociedade que se baseia na riqueza e no poder. Nela, é maior ou mais importante aquele que se converte, deixando todas as pretensões sociais, para pertencer a um grupo que acolhe fraternalmente Jesus na pessoa dos pequenos, fracos e pobres.
* 10-14: Por que alguém se extravia, isto é, se distancia da comunidade? Certamente por causa do escândalo (vv. 6-9), ou do desprezo daqueles que buscam poder e prestígio. A parábola mostra que a comunidade inteira deve preocupar-se e procurar aquele que se extraviou. A comunidade se alegra quando ele volta para o seu meio, porque a vontade do Pai foi cumprida.
Hoje celebramos os anjos da guarda, presença frequente na Bíblia e na nossa vida. Já no livro do Êxodo, Deus diz a Moisés: “Vou enviar um anjo à sua frente, para que cuide de você no caminho e o leve até o lugar que eu lhe preparei. Respeite-o e obedeça à voz dele” (Ex 23,20). A voz do anjo é a própria voz de Deus, pois eles são mensageiros e simbolizam a presença constante de Deus ao nosso lado, nos guiando e protegendo. O próprio Jesus referiu-se várias vezes aos anjos, de modo particular no trecho que lemos hoje, no qual afirma que os anjos da guarda das crianças estão sempre na presença de Deus. Desde o século XVII, a liturgia celebra a festa dos anjos da guarda. Através deles, louvamos a Deus, que atua continuamente na nossa vida.
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Lucas 10, 1-12 Os anunciadores do Reino.
* 1 O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos, e os enviou dois a dois, na sua frente, para toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E lhes dizia: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita. 3 Vão! Estou enviando vocês como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não levem bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não parem no caminho, para cumprimentar ninguém. 5 Em qualquer casa onde entrarem, digam primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 Se aí morar alguém de paz, a paz de vocês irá repousar sobre ele; se não, ela voltará para vocês. 7 Permaneçam nessa mesma casa, comam e bebam do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não fiquem passando de casa em casa. 8 Quando entrarem numa cidade, e forem bem recebidos, comam o que servirem a vocês, 9 curem os doentes que nela houver. E digam ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vocês!’ 10 Mas quando vocês entrarem numa cidade, e não forem bem recebidos, saiam pelas ruas e digam: 11 ‘Até a poeira dessa cidade, que se grudou em nossos pés, nós sacudimos contra vocês. Apesar disso, saibam que o Reino de Deus está próximo’. 12 Eu lhes afirmo: no dia do julgamento, Deus será mais tolerante com Sodoma do que com tal cidade.
Comentário:
*,1-16: Os discípulos são organizados por Jesus para anunciarem a Boa Notícia no caminho e começarem a realizar os atos que concretizam o Reino. Aqueles que não quiserem aderir à Boa Notícia ficarão fora da nova história.
No contexto da subida para Jerusalém, Jesus envia à sua frente setenta e dois discípulos, a fim de prepararem o seu caminho. O número é significativo, pois representa as nações da terra elencadas no livro do Gênesis (cf. Gn 10). Entretanto, é ainda mais significativo o fato de enviar muitos discípulos, e não apenas o grupo dos doze apóstolos. Esse particular é exclusivo de Lucas e abre a missão a todos os cristãos, inclusive nós, hoje. Não é apenas o “clero”, sucessores dos apóstolos, que é enviado para trabalhar pela messe, mas todo aquele que aceita seguir o Mestre é um discípulo missionário.
terça-feira, 29 de setembro de 2026
Lucas 9,57-62 Os primeiros passos do discípulo.
-* 57 Enquanto iam andando, alguém no caminho disse a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores.” 58 Mas Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça.” 59 Jesus disse a outro: “Siga-me.” Esse respondeu: “Deixa primeiro que eu vá sepultar meu pai.” 60 Jesus respondeu: “Deixe que os mortos sepultem seus próprios mortos; mas você, vá anunciar o Reino de Deus.” 61 Outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa primeiro que eu vá me despedir do pessoal de minha casa.” 62 Mas Jesus lhe respondeu: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não serve para o Reino de Deus.”
Comentário:
* 57-62: Os primeiros passos para os que seguem Jesus em seu caminho são: disponibilidade contínua, capacidade de renunciar a seguranças e, iniciado o caminho, não voltar para trás, por motivo nenhum.
O Messias inicia sua viagem rumo a Jerusalém. Aos discípulos que querem acompanhá-lo, Jesus recorda a radicalidade do seguimento, ou seja, que segui-lo implica instâncias e decisões vitais. É isso que será comprovado nos três primeiros encontros que Jesus tem, apenas iniciada a viagem. Alguns séculos depois de Jesus Cristo, a Igreja teve em São Jerônimo, cuja memória hoje celebramos, um exemplo de santidade e seguimento. A ele foi confiada, pelo papa Dâmaso, no século IV, a tradução da Bíblia (originalmente escrita em grego e hebraico) para o latim, dando origem à chamada Vulgata. Dedicou quase toda a sua vida a essa missão, estudando e aprofundando a leitura da Sagrada Escritura, ao mesmo tempo que a traduzia. Em 2020, no XVI centenário da sua morte, o papa Francisco dedicou a São Jerônimo uma carta apostólica, intitulada “Scripturae Sacrae Affectus” (O afeto à Sagrada Escritura), frase que resume toda a sua vida.
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
João 1, 47-51 As testemunhas apontam o Salvador.
47 Jesus viu Natanael aproximar-se e comentou: “Eis aí um israelita verdadeiro, sem falsidade.” 48 Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe chamasse você, eu o vi quando você estava debaixo da figueira.” 49 Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel!” 50 Jesus disse: “Você está acreditando só porque eu lhe disse: ‘Vi você debaixo da figueira’? No entanto, você verá coisas maiores do que essas.” 51 E Jesus continuou: “Eu lhes garanto: vocês verão o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.”
Comentário:
* 35-51: João descreve os sete dias da nova criação. No primeiro dia, João Batista afirma: “No meio de vocês existe alguém que vocês não conhecem.” Nos dias seguintes vemos como João Batista, João, André, Simão, Filipe e Natanael descobrem a Jesus. É sempre uma testemunha que aponta Jesus para outra. O último dia será o casamento em Caná, onde Jesus manifestará a sua glória.
“O que vocês estão procurando?” São estas as primeiras palavras de Jesus neste evangelho. Essa pergunta, ele a faz a todos os homens. Nós queremos saber quem é Jesus, e ele nos pergunta sobre o que buscamos na vida.
Os homens que encontraram Jesus começaram a conviver com ele. E no decorrer do tempo vão descobrindo que ele é o Mestre, o Messias, o Filho de Deus. O mesmo acontece conosco: enquanto caminhamos com Cristo, vamos progredindo no conhecimento a respeito dele.
João Batista era apenas testemunha de Jesus, a quem tudo se deve dirigir. João sabia disso; por isso convida seus próprios discípulos para que se dirijam a Jesus. E os dois primeiros vão buscar outros. É desse mesmo modo que nós encontramos a Jesus: porque outra pessoa nos falou dele ou nos comprometeu numa tarefa apostólica.
Jesus sempre reconhece aqueles que o Pai coloca em seu caminho. Ele reconhece Natanael debaixo da figueira e também Simão, escolhido para ser a primeira Pedra da Igreja.
Vereis o céu aberto: No sonho de Jacó, os anjos subiam e desciam por uma escada que ligava a terra ao céu (leia Gn 28,10-22). Doravante é Jesus, o Filho do Homem, a nova ligação entre Deus e os homens.
Hoje celebramos a festa dos três anjos mais conhecidos e citados na Bíblia: Miguel, Gabriel e Rafael. Miguel, nome hebraico que significa “Quem é como Deus?”, é lembrado no livro de Daniel (Dn 10,13 e 12-1), na carta de São Judas (v. 9) e também no Apocalipse (12,7). Muito venerado pelos judeus, logo se tornou muito popular no culto cristão. Gabriel, “força de Deus”, anunciou o nascimento de João Batista e o de Jesus Cristo (Lc 1,5-22.26-38), sendo citado anteriormente no livro de Daniel (8,16; 9,21). Rafael, “Deus curou”, aparece no livro de Tobias como acompanhante do jovem Tobias em sua viagem e como portador de salvação do velho pai cego. Algumas versões da Escritura apontam Rafael como o anjo que expulsou Adão e Eva do Jardim do Éden.
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