segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Mateus 19, 23-30 O Reino é dom e partilha.

23 Então Jesus disse aos discípulos: “Eu garanto a vocês: um rico dificilmente entrará no Reino do Céu. 24 E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus.” 25 Ouvindo isso, os discípulos ficaram muito espantados, e perguntaram: “Então, quem pode ser salvo?” 26 Jesus olhou para os discípulos, e disse: “Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível.” 27 Então Pedro tomou a palavra, e disse: Vê! Nós deixamos tudo e te seguimos. O que vamos receber?” 28 Jesus respondeu: “Eu garanto a vocês: no mundo novo, quando o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória, vocês, que me seguiram, também se sentarão em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. 29 E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais, e terá como herança a vida eterna. 30 Muitos que agora são os primeiros, serão os últimos; e muitos que agora são os últimos, serão os primeiros.” Comentário: * 16-30: Cf. nota em Mc 10,17-31. Mateus salienta: quem se engaja completamente no seguimento de Jesus, participará como juiz, quando a história for julgada. Mais um ensinamento sobre a riqueza, unido ao Evangelho de ontem, do jovem rico. Hoje temos dois temas principais para refletir: o risco da riqueza e a recompensa dos que renunciam a ela. Na cultura judaica, retomada por algumas Igrejas evangélicas, reina a teologia da prosperidade, ou seja, a riqueza é vista como sinal de bênção, portanto acumular riquezas significa ser muito abençoado por Deus. Jesus mostra que essa interpretação é errônea, pois Deus quer a misericórdia e o sacrifício, quer a solidariedade e o amor. Essa é a verdadeira bênção, que torna possível até mesmo um camelo passar pelo buraco de uma agulha. Os que renunciam à riqueza e dedicam-se a amar e servir ao próximo, esses serão recompensados e herdarão a vida eterna.

domingo, 16 de agosto de 2026

Mateus 19, 16-22 O Reino é dom e partilha.

* 16 Um jovem se aproximou, e disse a Jesus: “Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?” 17 Jesus respondeu: “Por que você me pergunta sobre o que é bom? Um só é o bom. Se você quer entrar para a vida, guarde os mandamentos.” 18 O homem perguntou: “Quais mandamentos?” Jesus respondeu: “Não mate; não cometa adultério; não roube; não levante falso testemunho; 19 honre seu pai e sua mãe; e ame seu próximo como a si mesmo.” 20 O jovem disse a Jesus: “Tenho observado todas essas coisas. O que é que ainda me falta fazer?” 21 Jesus respondeu: “Se você quer ser perfeito, vá, venda tudo o que tem, dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois venha, e siga-me.” 22 Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. Comentário: * 16-30: Cf. nota em Mc 10,17-31. Mateus salienta: quem se engaja completamente no seguimento de Jesus, participará como juiz, quando a história for julgada. Os Profetas e toda a Lei, sobretudo o Decálogo, se resumem no mandamento do amor, mas precisamos recordar que o mandamento tem duas dimensões: amor a Deus e amor ao próximo. O jovem que dialoga com Jesus no Evangelho de hoje não compreendeu essa dinâmica. Pensava que estava sendo fiel a Deus por seguir o Decálogo e os preceitos da tradição judaica, esquecendo-se de que nada disso tem valor se somos egoístas e não nos sensibilizamos com os irmãos mais necessitados. Ainda hoje muitos cristãos pensam ser fiéis a Deus e à Igreja porque vão à missa, fazem ofertas, ajudam vez ou outra a própria paróquia ou um santuário (ou talvez algum influenciador digital), mas negligenciam o amor ao próximo, aquele que está ao seu lado, sentado na rua, desabrigado, com fome, com sede, doente, sem perspectiva… Se você quer ser perfeito, Jesus tem um bom conselho: “use os seus bens para ajudar os pobres e transformar vidas!”.

sábado, 15 de agosto de 2026

1 Coríntios 15, 20-27 Deus será tudo em todos.

* 20 Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos como primeiro fruto dos que morreram. 21 De fato, já que a morte veio através de um homem, também por um homem vem a ressurreição dos mortos.22 Como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos receberão a vida.23 Cada um, porém, na sua própria ordem: Cristo como primeiro fruto; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24 A seguir, chegará o fim, quando Cristo entregar o Reino a Deus Pai, depois de ter destruído todo principado, toda autoridade, todo poder. 25 Pois é preciso que ele reine, até que tenha posto todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. 26 O último inimigo a ser destruído será a morte, 27 pois Deus tudo colocou debaixo dos pés de Cristo. Mas, quando se diz que tudo lhe será submetido, é claro que se deve excluir Deus, que tudo submeteu a Cristo. Comentário: * 20-28: Dois estados da humanidade se opõem: o pecado e a morte, dos quais Adão é o símbolo; a graça e a vida, realizadas em Cristo (cf. Rm 5,17-21). A partir do pecado, existem na sociedade forças e estruturas que invertem o destino humano, desagregando, pervertendo, e até mesmo levando os homens à morte. Cristo foi morto por essas estruturas, mas Deus o ressuscitou e lhe deu poder de destruí-las. Após vencer essas forças, também a morte será vencida; então, o triunfo será definitivo. Unida a Cristo, a humanidade estará de novo submetida a Deus e o Reino de Deus se manifestará completamente.

Lucas 1, 39-56 João aponta o Messias.

* 39 Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, às pressas, a uma cidade da Judéia. 40 Entrou na casa de Zacarias, e saudou Isabel. 41 Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança se agitou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42 Com um grande grito exclamou: “Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre! 43 Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar? 44 Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu ventre. 45 Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu.” O cântico de Maria -* 46 Então Maria disse: “Minha alma proclama a grandeza do Senhor, 47 meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, 48 porque olhou para a humilhação de sua serva. Doravante todas as gerações me felicitarão, 49 porque o Todo-poderoso realizou grandes obras em meu favor: seu nome é santo, 50 e sua misericórdia chega aos que o temem, de geração em geração. 51 Ele realiza proezas com seu braço: dispersa os soberbos de coração,52 derruba do trono os poderosos e eleva os humildes; 53 aos famintos enche de bens, e despede os ricos de mãos vazias. 54 Socorre Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55 conforme prometera aos nossos pais em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre.” 56 Maria ficou três meses com Isabel; e depois voltou para casa. Comentário: * 39-45: Ainda no seio de sua mãe, João Batista recebe o Espírito prometido (1,15). Reconhece o Messias e o aponta através da exclamação de sua mãe Isabel. * 46-56: O cântico de Maria é o cântico dos pobres que reconhecem a vinda de Deus para libertá-los através de Jesus. Cumprindo a promessa, Deus assume o partido dos pobres, e realiza uma transformação na história, invertendo a ordem social: os ricos e poderosos são depostos e despojados, e os pobres e oprimidos são libertos e assumem a direção dessa nova história. Dois grandes sinais aparecem no texto: a mulher e o dragão. A mulher é vista como figura de Maria e como representante do povo fiel. O dragão é símbolo do mal, da força opressora que se opõe ao projeto de Jesus e se encarna em pessoas e sistemas. / Cristo, vencedor da morte, é primícias dos seus seguidores. Sua ressurreição é a certeza da nossa vitória final. Se o estrago do “pecado de Adão” foi grande, a vitória de Jesus supera a própria morte. / Duas mulheres se encontram e partilham a vida e a mútua ajuda. Os filhos em seu ventre mudarão a história da humanidade e, junto com elas, são uma bênção para todas as gerações. Isabel proclama Maria bem-aventurada por acreditar no que o Senhor lhe prometeu. Por sua vez, Maria proclama a grandeza de Deus, que não apenas fez grandes coisas em seu favor, mas também exalta os pobres, dispersa os soberbos e derruba os poderosos.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Mateus 19, 13-15 O Reino pertence aos pobres.

* 13 Então levaram crianças para que Jesus pusesse as mãos sobre elas, e rezasse. Mas os discípulos as repreendiam. 14 Jesus, porém, disse: “Deixem as crianças, e não lhes proíbam de vir a mim, porque o Reino do Céu pertence a elas.” 15 E depois de pôr as mãos sobre as crianças, Jesus partiu daí. Comentário: * 13-15: Cf. nota em Mc 10, 13-16: Aqui a criança serve de exemplo não pela inocência ou pela perfeição moral. Ela é o símbolo do ser fraco, sem pretensões sociais: é simples, não tem poder nem ambições. Principalmente na sociedade do tempo de Jesus, a criança não era valorizada, não tinha nenhuma significação social. A criança é, portanto, o símbolo do pobre marginalizado, que está vazio de si mesmo, pronto para receber o Reino. Pequeno trecho do Evangelho, mas com um profundo ensinamento: o Reino dos Céus pertence aos pequenos e fracos. Para compreender plenamente a mensagem de Jesus, precisamos recordar o que ele tinha dito pouco antes, em Mateus 18,1-5, que meditamos na última terça-feira. Vale a pena reler o Evangelho e a reflexão, pois ali vemos a associação do Reino com a atitude de humildade e respeito para com os simples e frágeis, assim como as pequenas crianças. Mas hoje Jesus vai além, afirmando que ele é o caminho e a porta para o Reino, por isso nenhum desses pequenos pode ser impedido de o seguir, ou melhor, eles devem ser auxiliados no itinerário de aproximação de Jesus. Essa é a função dos discípulos, por isso são reprimidos quando fazem o contrário. Não temos hoje a mesma tentação de facilitar o acesso dos ricos e influentes à Igreja? É verdade que nosso discurso sempre fala dos pobres e oprimidos, mas, na prática, são eles que são acolhidos de modo privilegiado na Igreja? Eles que participam das grandes festas? Eles que são homenageados e condecorados? Algo que nos deve fazer refletir e mudar algumas práticas atuais para retomarmos o caminho indicado por Jesus.

Mateus 19, 3-12 Matrimônio e celibato.

3 Alguns fariseus se aproximaram de Jesus, e perguntaram, para o tentar: “É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo?” 4 Jesus respondeu: “Vocês nunca leram que o Criador, desde o início, os fez homem e mulher? 5 E que ele disse: ‘Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne’? 6 Portanto, eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não deve separar.” 7 Os fariseus perguntaram: “Então, como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio ao despedir a mulher?” 8 Jesus respondeu: “Moisés permitiu o divórcio, porque vocês são duros de coração. Mas não foi assim desde o início. 9 Eu, por isso, digo a vocês: quem se divorciar de sua mulher, a não ser em caso de fornicação, e casar-se com outra, comete adultério.” 10 Os discípulos disseram a Jesus: “Se a situação do homem com a mulher é assim, então é melhor não se casar.” 11 Jesus respondeu: “Nem todos entendem isso, a não ser aqueles a quem é concedido. 12 De fato, há homens castrados, porque nasceram assim; outros, porque os homens os fizeram assim; outros, ainda, se castraram por causa do Reino do Céu. Quem puder entender, entenda.” Comentário: * 1-12: Cf. nota em Mc 10,1-12. Diante do matrimônio indissolúvel, os discípulos observam que o celibato é melhor. Jesus mostra que a escolha do celibato é dom de Deus, e que este só adquire todo o seu valor quando é assumido com plena liberdade em vista de serviço ao Reino. Jesus Cristo apresenta e justifica a razão de ser de duas vocações cristãs: o matrimônio e o celibato. Quem optar pelo matrimônio, deve estar consciente de que é um elo indissolúvel. O que Deus uniu, o ser humano não separe, mostrando o valor do sacramento do matrimônio e a importância de tomar a decisão com plena consciência e fortes motivações ligadas ao amor entre homem e mulher. Os que optam pelo celibato, como os sacerdotes e consagrados, também devem fazê-lo com consciência e tendo em vista uma causa maior: o Reino dos Céus.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Mateus 18, 21-19,1 Perdoar sem limites.

* 21 Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22 Jesus respondeu: “Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. 25 Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: ‘Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo’. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. 28 Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague logo o que me deve’. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dê-me um prazo, e eu pagarei a você’. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. 32 O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: ‘Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. 33 E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?’ 34 O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.” Matrimônio e celibato -* 1 Quando Jesus acabou de dizer essas palavras, ele partiu da Galileia, e foi para o território da Judéia, no outro lado do rio Jordão. Comentário: * 21-35: Na comunidade de Jesus não existem limites para o perdão (setenta vezes sete). Ao entrar na comunidade, cada pessoa já recebeu do Pai um perdão sem limites (dez mil talentos). A vida na comunidade precisa, portanto, basear-se no amor e na misericórdia, compartilhando entre todos esse perdão que cada um recebeu. * 19,1-12: Cf. nota em Mc 10,1-12. Diante do matrimônio indissolúvel, os discípulos observam que o celibato é melhor. Jesus mostra que a escolha do celibato é dom de Deus, e que este só adquire todo o seu valor quando é assumido com plena liberdade em vista de serviço ao Reino. Um ensinamento sobre o perdão sem limites conclui o discurso comunitário de Jesus. Como é já característico do Evangelho de Mateus, o discurso é seguido por uma parábola que ajuda a refletir, aprofundar e fixar na mente e no coração o sentido daquele ensinamento. Nossa mesquinhez humana é incapaz de perdoar uma pequena dívida, demonstrando não reconhecer a generosidade enorme do Rei divino que perdoou uma fortuna. Além do perdão ao próximo como consequência do infinito perdão proporcionado por Deus a nós, a parábola nos faz refletir, portanto, sobre o sentido da gratidão, que muitas vezes deixamos em segundo plano.