sexta-feira, 26 de junho de 2026
Mateus 8, 5-17 As fronteiras do Reino.
* 5 Jesus estava entrando em Cafarnaum, quando um oficial romano se aproximou dele, suplicando: 6 “Senhor, meu empregado está em casa, de cama, sofrendo muito com uma paralisia.” 7 Jesus respondeu: “Eu vou curá-lo.” 8 O oficial disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e meu empregado ficará curado. 9 Pois eu também obedeço a ordens e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: vá, e ele vai; e a outro: venha, e ele vem; e digo ao meu empregado: faça isso, e ele faz.”
10 Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Eu garanto a vocês: nunca encontrei uma fé igual a essa em ninguém de Israel! 11 Eu digo a vocês: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino do Céu junto com Abraão, Isaac e Jacó. 12 Enquanto os herdeiros do Reino serão jogados nas trevas exteriores onde haverá choro e ranger de dentes.” 13 Então Jesus disse ao oficial: “Vá, e seja feito conforme você acreditou.” E nessa mesma hora o empregado do oficial ficou curado.
Ser livre para servir -* 14 Jesus foi para a casa de Pedro, e viu a sogra de Pedro deitada, com febre. 15 Então Jesus tocou a mão dela, e a febre a deixou. Ela se levantou, e começou a servi-los.
Jesus é o Servo de Javé -* 16 À tarde, levaram a Jesus muitas pessoas que estavam possuídas pelo demônio. Jesus, com a sua palavra, expulsou os espíritos e curou todos os doentes, 17 para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías: “Ele tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas doenças.”
Comentário:
* 5-13: Atendendo ao pedido de um pagão, Jesus mostra que as fronteiras do Reino vão muito além do mundo estreito da pertença a uma origem privilegiada. A fronteira agora é a fé na palavra libertadora de Jesus. Mesmo pertencendo ao grupo dos que se consideram salvos, se não houver essa fé, também não haverá possibilidade de entrar no Reino de Deus.
* 14-15: A presença de Jesus na comunidade liberta as pessoas do mal. Em resposta, as pessoas libertas se põem a serviço da comunidade.
* 16-17: Mateus mostra o sentido das curas realizadas por Jesus. Citando Is 53,4, ele apresenta Jesus como o Servo de Javé, que liberta os homens de tudo aquilo que os aliena e oprime (demônios).
O segundo milagre narrado por Mateus é realizado a partir do pedido de um pagão, centurião romano, o que mostra que Jesus veio para salvar a todos que manifestam fé verdadeira. O ato de fé do centurião é tão profundo e significativo que continuamos a repeti-lo ainda hoje em toda celebração eucarística: “Senhor, eu não sou digno(a) de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo(a)”, reconhecendo, assim, a presença real do Cordeiro de Deus no pão e vinho consagrados, e declarando nossa felicidade em sermos convidados para a ceia do Senhor.
quinta-feira, 25 de junho de 2026
Mateus 8, 1-4 Jesus purifica.
* 1 Quando Jesus desceu da montanha, grandes multidões começaram a segui-lo. 2 Eis que um leproso aproximou-se e ajoelhou-se diante de Jesus, dizendo: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar.” 3 Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fique purificado.” No mesmo instante o homem ficou purificado da lepra. 4 Então Jesus lhe disse: “Não conte isso a ninguém! Vá pedir ao sacerdote para examinar você, e depois faça a oferta que Moisés mandou, a fim de que seja um testemunho para eles.”
Comentário:
* 1-4: O leproso era um marginalizado da vida social (Lv 13,45-46). Através da cura, Jesus o reintegra na comunidade (Lv 14). O verdadeiro cumprimento da Lei não é declarar quem é puro ou impuro, mas fazer com que a pessoa fique purificada.
Encerrado o grande discurso do Mestre, com diversos ensinamentos importantes, Mateus começa a narrar agora os milagres de Jesus, entremeados pelos chamados de discípulos e instruções para eles. Depois da teoria, a prática. Após proclamar o Reino, Jesus inicia a sua instauração, enfrentando e vencendo o mal em suas várias manifestações. Desce do monte para agir na planície, unindo, assim, sua dimensão de Mestre à de Messias, iniciando com a purificação do leproso. São interessantes os particulares do diálogo entre Jesus e o leproso narrado por Mateus. O leproso reconhece o poder que age no Mestre e pede com humildade: “Senhor, se queres, tens o poder de me purificar”. “Eu quero”, afirma Jesus, libertando aquele homem do mal que o impedia de conviver na comunidade. Jesus tem o poder de curar nossos males também hoje, mas temos a coragem de nos aproximar dele e pedir humildemente a transformação que precisamos?
quarta-feira, 24 de junho de 2026
Mateus 7, 21-29 A fé é uma prática.
* 21 «Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino do Céu. Só entrará aquele que põe em prática a vontade do meu Pai, que está no céu.
22 Naquele dia muitos me dirão: ‘Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? E não foi em teu nome que fizemos tantos milagres?’ 23 Então, eu vou declarar a eles: Jamais conheci vocês. Afastem-se de mim, malfeitores!”
Passar para a ação -* 24 “Portanto, quem ouve essas minhas palavras e as põe em prática, é como o homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha. 25 Caiu a chuva, vieram as enxurradas, os ventos sopraram com força contra a casa, mas a casa não caiu, porque fora construída sobre a rocha.
26 Por outro lado, quem ouve essas minhas palavras e não as põe em prática, é como o homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. 27 Caiu a chuva, vieram as enxurradas, os ventos sopraram com força contra a casa, e a casa caiu, e a sua ruína foi completa!”
A autoridade de Jesus -* 28 Quando Jesus acabou de dizer essas palavras, as multidões ficaram admiradas com o seu ensinamento, 29 porque Jesus ensinava como alguém que tem autoridade, e não como os doutores da Lei.
Comentário:
* 21-23: Nem mesmo o ato de fé mais profundo da comunidade, que é o reconhecimento de Jesus como o Senhor, faz que alguém entre no Reino. Se o ato de fé pela palavra não for acompanhado de ações, é vazio e sem sentido. A expressão “naquele dia” indica o Juízo final e nos remete a Mt 25,31-46, onde são mostradas as ações que qualificam o autêntico reconhecimento de Jesus como Senhor.
* 24-27: Construir a casa sobre a rocha é viver e agir de acordo com a justiça do Reino apresentada no Sermão da Montanha. Construir a casa sobre a areia é ficar na teoria, sem passar para a prática.
* 28-29: A autoridade de Jesus não se baseia em tradições ou sistemas, e sim na sua própria pessoa. Ele vive e pratica o que ensina aos outros.
A decisão pelo Evangelho e pelo seguimento de Cristo não pode ser apenas “da boca para fora”, ou seja, uma decisão superficial, abstrata, apenas com palavras. Jesus nos diz que julgará seus seguidores pelo modo como aplicaram na vida concreta todo o ensinamento que ele deixou, como viveram o Evangelho no cotidiano, em todas as suas relações e ações. No dia do Juízo, nossas palavras não bastarão, precisaremos mostrar coerência entre o que professamos e fazemos. O longo discurso de Jesus no Sermão da montanha nos apresenta o ensinamento de Jesus, que deve ser colocado em prática para edificarmos uma vida (casa) bem fundamentada (sobre a rocha).
Lucas 1, 57-66.80 Nascimento de João Batista.
* 57 Terminou para Isabel o tempo de gravidez, e ela deu à luz um filho. 58 Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido bom para Isabel, e se alegraram com ela. 59 No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. 60 A mãe, porém, disse: “Não! Ele vai se chamar João.” 61 Os outros disseram: “Você não tem nenhum parente com esse nome!” 62 Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. 63 Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: “O nome dele é João.” E todos ficaram admirados. 64 No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. 65 Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia se espalhou por toda a região montanhosa da Judéia. 66 E todos os que ouviam a notícia, ficavam pensando: “O que será que esse menino vai ser?” De fato, a mão do Senhor estava com ele.
80 O menino ia crescendo, e ficando forte de espírito. João viveu no deserto, até o dia em que se manifestou a Israel.
Comentário:
* 57-66: O nome de João (= Deus tem piedade) é o sinal que evidencia o projeto de Deus sobre a criança e sua missão.
* 67-80: O cântico de Zacarias é um louvor ao Deus misericordioso que realiza, através de Jesus, a “visita” aos pobres. Em Jesus se manifesta a força que liberta dos inimigos e do medo, formando um povo santo diante de Deus e justo diante dos homens. Desse modo, manifesta-se a luz que ilumina a condição do povo, abrindo uma história nova, que se encaminha para a Paz, isto é, a plenitude da vida.
O nascimento de João Batista anuncia a chegada de novos tempos, nos quais a esterilidade se tornará fecunda e o mutismo se transformará em anúncio profético. Seguindo o costume judaico, o menino é circuncidado ao mesmo tempo que recebe o nome. A atribuição do nome era prerrogativa do pai, mas Zacarias renuncia a esse direito, e quem lhe dá o nome é sua mãe, Isabel. O nome do filho será João, o que causa admiração dos vizinhos: “O que vai ser esse menino?”. João será o anunciador de Jesus, que traz a graça de Deus para libertar os pobres. João Batista, precursor de Jesus, tem duas comemorações: nascimento (24 de junho) e martírio (19 de agosto). Celebrar o nascimento de João Batista é celebrar a vida daquele que tem a missão de preparar e anunciar a vinda de Jesus. Foi habitar no deserto, preparando-se para a missão.
segunda-feira, 22 de junho de 2026
Mateus 7, 6.12-14 Saber discernir.
-* 6 «Não deem aos cães o que é santo, nem atirem pérolas aos porcos; eles poderiam pisá-las com os pés e, virando-se, despedaçar vocês.”
A regra de ouro -* 12 “Tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles. Pois nisso consistem a Lei e os Profetas.”
O Reino exige esforço -* 13 “Entrem pela porta estreita, porque é larga a porta e espaçoso o caminho que levam para a perdição, e são muitos os que entram por ela! 14 Como é estreita a porta e apertado o caminho que levam para a vida, e são poucos os que a encontram!”
Comentário:
* 6: Esta sentença provavelmente significa que é desperdício e perigo anunciar o Reino aos que não estão preocupados com ele. Se ligada à sentença sobre os dois senhores (Mt 6,24), poderia significar que é inútil e até perigoso anunciar os princípios evangélicos àqueles cujo deus são as riquezas. O coração deles está em outro lugar; fizeram outra opção fundamental. Em todo caso, a sentença parece fora de contexto, e é de difícil interpretação.
* 12: No tempo de Jesus, “Lei e Profetas” indicava todo o Antigo Testamento. Esta “regra de ouro” convida-nos a ter para com os outros a mesma preocupação que temos espontaneamente para com nós mesmos. Não se trata de visão calculista - dar para receber -, mas de uma compreensão do que seja o amor do Pai.
* 13-14: Tanto a opção fundamental pelo Reino e sua justiça (entrar pela porta), como continuar nessa busca fundamental (caminho), não são fáceis. A escolha verdadeira nunca será feita pelos indecisos e acomodados. Estes ficam relutando, ou escolhem a estrada mais larga proposta pelos ídolos.
Encaminhando-nos para a conclusão do Sermão da montanha, Mateus reúne vários ditos de Jesus sobre a prudência, a caridade e a decisão em prol do Evangelho. Iniciamos com a prudência relacionada aos valores do Evangelho e do Reino, considerados sagrados, que nem todos entendem nem estão dispostos a acolher. Só quem tem um coração disponível é capaz de discernir e acolher a Palavra e os valores do Reino. A caridade é definida na chamada “regra de ouro”, ou seja, “façam às pessoas o mesmo que vocês desejam que elas façam a vocês”. O discípulo procura agir sempre pensando no bem do próximo e espera receber o mesmo dele. O difícil, às vezes, está em praticar isso em todos os momentos nas nossas relações com os outros, e assim chegamos ao terceiro dito de Jesus, sobre a decisão: optar pela porta estreita ou pela porta larga. Nem sempre é fácil trilhar o caminho proposto por Jesus, mas é com liberdade que optamos e decidimos pela felicidade ou infelicidade, pela salvação ou condenação.
domingo, 21 de junho de 2026
Mateus 7, 1-5 Ninguém pode julgar.
-* 1 “Não julguem, e vocês não serão julgados. 2 De fato, vocês serão julgados com o mesmo julgamento com que vocês julgarem, e serão medidos com a mesma medida com que vocês medirem.
3 Por que você fica olhando o cisco no olho do seu irmão, e não presta atenção à trave que está no seu próprio olho? 4 Ou, como você se atreve a dizer ao irmão: ‘deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando você mesmo tem uma trave no seu? 5 Hipócrita, tire primeiro a trave do seu próprio olho, e então você enxergará bem para tirar o cisco do olho do seu irmão.”
Comentário:
* 1-5: Deus nos julga com a mesma medida que usamos para os outros. O rigor do nosso julgamento sobre o nosso próximo (cisco) mostra que desconhecemos a nossa própria fragilidade e a nossa condição de pecadores diante de Deus (trave).
A liturgia nos propõe hoje um texto breve, mas muito rico de ensinamentos. Em primeiro lugar, nos ensina que não fomos criados por Deus para julgar, mas para amar, ou seja, não somos juízes, mas irmãos. Se tomamos outro caminho, procurando julgar e condenar o nosso irmão, também Deus nos condenará. No fundo, Jesus mostra aos discípulos que todos os seres humanos são limitados, têm algum “cisco no olho”. Faz parte da natureza humana, que, com o pecado original, perdeu sua condição de “imagem e semelhança” de Deus, a perfeição. Entretanto, podemos trilhar o caminho da perfeição, e para tal somos auxiliados pelo Pai, que nos ama, e por Cristo, que é o nosso Caminho, Verdade e Vida. O Sermão da montanha, que estamos meditando nestes dias, mostra o caminho de retorno ao Pai, desviado pelo pecado de Adão e Eva.
sábado, 20 de junho de 2026
Romanos 5, 12-15 A vida supera a morte.
* 12 Assim como o pecado entrou no mundo através de um só homem e com o pecado veio a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. 13 De fato, já antes da Lei existia pecado no mundo, embora o pecado não possa ser levado em conta quando não existe Lei. 14 Ora, a morte reinou de Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não haviam pecado, cometendo uma transgressão igual à de Adão, o qual é figura daquele que devia vir.
15 O dom da graça, porém, não é como a falta. Se todos morreram devido à falta de um só, muito mais abundantemente se derramou sobre todos a graça de Deus e o dom gratuito de um só homem, Jesus Cristo.
Comentário:
* 12-21: Paulo contrapõe duas figuras, dois reinos e duas consequências: Adão-Cristo, pecado-graça; morte-vida. Adão é o início e a personificação da humanidade mergulhada no reino do pecado e caminhando para a morte; Cristo, o novo Adão, é início e personificação da humanidade introduzida no reino da graça e caminhando para a vida. Paulo não está interessado nas semelhanças entre Cristo e Adão. Ele os contrapõe apenas para mostrar a supremacia de Cristo e do reino da graça sobre Adão e o reino do pecado; pois o dom de Deus supera de longe o pecado dos homens.
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