quinta-feira, 11 de junho de 2026

Mateus 11, 25-30 Os pobres evangelizam.

-* 25 Naquele tempo, Jesus disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27 Meu Pai entregou tudo a mim. Ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar. 28 Venham para mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso. 29 Carreguem a minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas vidas. 30 Porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve.” Comentário: * 25-30: Com sua palavra e ação, Jesus revela a vontade do Pai, que é instaurar o Reino. Contudo, os sábios e inteligentes não são capazes de perceber a presença do Reino e sua justiça através de Jesus. Ao contrário, os desfavorecidos e os pobres é que conseguem penetrar o sentido dessa atividade de Jesus e continuá-la. Jesus veio tirar a carga pesada que os sábios e inteligentes haviam criado para o povo. Em troca, ele traz novo modo de viver na justiça e na misericórdia: doravante, os pobres serão evangelizados e partirão para evangelizar. Jesus eleva uma prece de gratidão ao Pai por ter escondido sua mensagem aos sábios e tê-la revelado aos pequeninos. Os sábios e entendidos já têm uma ideia formada e não conseguem se abrir à novidade do Reino. Provavelmente não lhes interessam as propostas do Mestre periférico de Nazaré. É difícil mudar a mentalidade de quem se fecha em si mesmo, considerando-se autossuficiente e acima dos outros. Jesus agradece principalmente porque os pequeninos estão disponíveis para acolher essa novidade e seguir os seus passos. Os pobres e pecadores ocuparam lugar importante no coração do Mestre, que está cheio de amor misericordioso para os deserdados da vida. Jesus nos diz que nossa vida deveria ser sempre leve e feliz.

1 João 4, 7-16 Deus é amor.

* 7 Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus. E todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus. 8 Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. 9 Nisto se tornou visível o amor de Deus entre nós: Deus enviou o seu Filho único a este mundo, para dar-nos a vida por meio dele. 10 E o amor consiste no seguinte: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou, e nos enviou o seu Filho como vítima expiatória por nossos pecados. 11 Amados, se Deus nos amou a tal ponto, também nós devemos amar-nos uns aos outros. 12 Ninguém jamais viu Deus. Se nos amamos uns aos outros, Deus está conosco, e o seu amor se realiza completamente entre nós. 13 Nisto reconhecemos que permanecemos com Deus, e ele conosco: ele nos deu o seu Espírito. 14 E nós vimos e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. 15 Quando alguém confessa que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece com ele, e ele com Deus. 16 E nós reconhecemos o amor que Deus tem por nós e acreditamos nesse amor. Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele. Comentário: * 7-21: O centro da vida é a prática do amor. Esse amor testemunha concreta e visivelmente o conhecimento e a união que temos com Deus, com seu Filho e com o Espírito. De fato, Deus Pai torna-se conhecido pelos homens no ato de dar, por amor, o seu Filho ao mundo (Jo 3,16). O Filho é conhecido pela entrega de si mesmo, no amor, até o fim (Jo 13,1). O Espírito gera a memória do Pai e do Filho nos cristãos, isto é, a própria vida no amor. A fé na Trindade é a teoria de uma prática que se expressa no amor concreto aos irmãos, a quem Deus ama. A incoerência fundamental seria afirmar uma fé na Trindade que não correspondesse à prática do amor. João deixa claro que o julgamento de Deus será feito sobre a prática do amor vivida ou não (cf. Mt 25,31-46). Por isso, quem ama não teme o julgamento.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Mateus 10, 7-13 A missão dos apóstolos.

7 Vão e anunciem: ‘O Reino do Céu está próximo’. 8 Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios. Vocês receberam de graça, deem também de graça! 9 Não levem nos cintos moedas de ouro, de prata ou de cobre; 10 nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão, porque o operário tem direito ao seu alimento. 11 Em qualquer cidade ou povoado onde vocês entrarem, informem-se para saber se há alguém que é digno. E aí permaneçam até vocês se retirarem. 12 Ao entrarem na casa, façam a saudação. 13 Se a casa for digna, desça sobre ela a paz de vocês; se ela não for digna, que a paz volte para vocês. Comentário: * 5-15: A missão é reunir o povo para seguir a Jesus, o novo Pastor. Ela se realiza mediante o anúncio do Reino e pela ação que concretiza os sinais da presença do Reino. A missão se desenvolve em clima de gratuidade, pobreza e confiança, e comunica o bem fundamental da paz, isto é, da plena realização de todas as dimensões da vida humana. Os enviados são portadores da libertação; rejeitá-los é rejeitar a salvação e atrair sobre si o julgamento. Embora não fizesse parte do grupo dos doze, Barnabé foi chamado apóstolo, assim como Paulo. É interessante recordar que foi exatamente Barnabé o primeiro a acolher Paulo em Jerusalém, após a conversão na estrada de Damasco e o tempo que passou naquela cidade. Todos os demais seguidores de Cristo estavam receosos e duvidavam da conversão daquele que até então perseguia os cristãos, mas Barnabé não teve medo ou preconceito, acolhendo-o e inserindo-o na comunidade. Pouco sabemos sobre este apóstolo, judeu natural da ilha de Chipre e chamado José, que vendeu seus terrenos e colocou o dinheiro à disposição da comunidade, como nos relata os Atos dos Apóstolos 4,32-37. Barnabé encontra-se entre as pessoas mais influentes da Igreja nascente, sendo por isso considerado apóstolo.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Mateus 5, 17-19 A lei e a justiça.

-* 17 “Não pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento. 18 Eu garanto a vocês: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem sequer uma letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça. 19 Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu. Comentário: * 17-20: A lei não deve ser observada simplesmente por ser lei, mas por aquilo que ela realiza de justiça. Cumprir a lei fielmente não significa subdividi-la em observâncias minuciosas, criando uma burocracia escravizante; significa, isto sim, buscar nela inspiração para a justiça e a misericórdia, a fim de que o homem tenha vida e relações mais fraternas. Em 5,21-48, Mateus apresenta cinco exemplos, para mostrar como é que uma lei deve ser entendida. O julgamento no fim dos tempos está diretamente associado à vivência do Evangelho, ou seja, seremos julgados pelas nossas ações de amor a Deus, pela nossa fé, mas também pelo amor ao próximo, ou seja, pelo nosso compromisso com a fé, que é a prática de boas obras, transformando o Evangelho em vida e sinais concretos. Jesus não veio para abolir a Lei (o ensinamento de Moisés) nem os Profetas (mensageiros do amor de Deus que exortaram o povo no passado), mas para dar novo significado a eles, cumprindo-os plenamente. Enquanto os patriarcas e os profetas revelaram aspectos específicos de Deus, partes da sua totalidade, Jesus é o próprio Deus, por isso o revela de modo pleno e definitivo. Sua encarnação mostra-nos a face de Deus, sua imagem, a concretização do seu plano de salvação, enquanto as revelações do Antigo Testamento mostravam-nos apenas a sua voz e suas expectativas. Estejamos atentos para praticar e ensinar tudo o que Jesus nos revelou.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Mateus 5, 13-16 A força do testemunho.

* 13 “Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal perde o gosto, com que poderemos salgá-lo? Não serve para mais nada; serve só para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. 14 Vocês são a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15 Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha, e sim para colocá-la no candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. 16 Assim também: que a luz de vocês brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que vocês fazem, e louvem o Pai de vocês que está no céu.” Comentário: * 13-16: Os discípulos de Jesus devem estar conscientes de que se acham unidos com todos aqueles que anseiam por um mundo novo. Eles não podem se subtrair a essa missão, mas precisam dar testemunho através de suas obras. Não se comprometer com isso é deixar de ser discípulo do Reino. Através do testemunho visível dos discípulos é que os homens podem descobrir a presença e a ação do Deus invisível. Depois de nos mostrar o caminho para a felicidade (bem-aventuranças), Jesus afirma que nós, seus seguidores, somos o sal da terra e a luz do mundo. O cristão deve levar ao mundo a luz, que é o próprio Cristo, deve dar testemunho da luz, daquela alegria e paz que tem dentro de si e que vem de Jesus, contribuindo, assim, para eliminar as “trevas” e as “sombras” que dominam o mundo. O cristão deve também levar ao mundo o sal, que é o Evangelho, purificando e dando sabor a tudo o que faz e a todos os lugares por onde anda. Sendo no nosso cotidiano o sal e a luz que penetram todas as pessoas e todas as realidade, estaremos dando o melhor testemunho possível de amor a Deus e de seguimento do seu Filho Jesus Cristo.

domingo, 7 de junho de 2026

Mateus 5,1-12 Bem-aventuranças: anseio por um mundo novo.

* 1 Jesus viu as multidões, subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos se aproximaram, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. 4 Felizes os aflitos, porque serão consolados. 5 Felizes os mansos, porque possuirão a terra. 6 Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. 8 Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. 11 Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim. 12 Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vocês.” Comentário: * 1-12: As bem-aventuranças são o anúncio da felicidade, porque proclamam a libertação, e não o conformismo ou a alienação. Elas anunciam a vinda do Reino através da palavra e ação de Jesus. Estas tornam presente no mundo a justiça do próprio Deus. Justiça para aqueles que são inúteis ou incômodos para uma estrutura de sociedade baseada na riqueza que explora e no poder que oprime. Os que buscam a justiça do Reino são os “pobres em espírito.” Sufocados no seu anseio pelos valores que a sociedade injusta rejeita, esses pobres estão profundamente convictos de que eles têm necessidade de Deus, pois só com Deus esses valores podem vigorar, surgindo assim uma nova sociedade. As bem-aventuranças propõem um caminho de vida e destacam as bênçãos maravilhosas prometidas a nós, se desenvolvermos a lógica do amor. Elas são o cântico da nova felicidade evangélica. Segundo o Catecismo da Igreja Católica (n. 1.717), as bem-aventuranças “retratam o rosto de Jesus Cristo e descrevem-nos a sua caridade: exprimem a vocação dos fiéis associados à glória da sua paixão e ressurreição; definem os atos e atitudes características da vida cristã; são as promessas paradoxais que sustentam a esperança no meio das tribulações; anunciam aos discípulos as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas; já estão inauguradas na vida da Virgem Maria e de todos os santos”.

sábado, 6 de junho de 2026

Romanos 4, 18-25 O que é ter fé.

* 18 Esperando contra toda esperança, Abraão acreditou e tornou-se o pai de muitas nações, conforme foi dito a ele: “Assim será a sua descendência.” 19 Ele não fraquejou na fé, embora já estivesse vendo o próprio corpo sem vigor - ele tinha quase cem anos - e o ventre de Sara já estivesse amortecido. 20 Diante da promessa divina, ele não duvidou, mas foi fortalecido pela fé e deu glória a Deus. 21 Ele estava plenamente convencido de que Deus podia realizar o que havia prometido. 22 Eis o motivo pelo qual isso lhe foi creditado como justiça. 23 Ora, não é para um só que está escrito: “Isso lhe foi creditado”; 24 mas também para nós. Será igualmente creditado para nós, pois acreditamos naquele que ressuscitou dos mortos, Jesus nosso Senhor, 25 o qual foi entregue à morte pelos nossos pecados e foi ressuscitado para nos tornar justos. Comentário: * 18-25: Ter fé e entregar a própria vida a Deus é esperar contra toda esperança. Abraão acreditou que ia ser pai quando sua velhice e a esterilidade de Sara diziam o contrário. A justiça de Abraão é a fé confiante de que Deus pode realizar tudo o que promete. Nós também somos justificados por Deus quando acreditamos que ele ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos, para nos livrar da morte do pecado e nos dar a vida nova.