sábado, 12 de setembro de 2026

Romanos 14, 7-9 Não brigar por coisas secundárias.

7 Porque nenhum de vocês vive para si mesmo, e ninguém morre para si mesmo. 8 Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. 9 Cristo morreu e voltou à vida para ser o Senhor dos mortos e dos vivos. Comentário: * 1-9: A comunidade cristã, que verdadeiramente possui objetivo e procura realizá-lo com convicção, não se perde em questões secundárias; estas podem provocar desunião e dispersar as forças necessárias para se atingir a meta proposta. E o principal na vida cristã é viver para Deus, dando testemunho de Jesus Cristo. Nas coisas secundárias, cada um deve agir segundo a sua própria convicção.

Mateus 18, 21-35 Perdoar sem limites.

-* 21 Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22 Jesus respondeu: “Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. 25 Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: ‘Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo’. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. 28 Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague logo o que me deve’. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dê-me um prazo, e eu pagarei a você’. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. 32 O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: ‘Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. 33 E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?’ 34 O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.” Comentário: * 21-35: Na comunidade de Jesus não existem limites para o perdão (setenta vezes sete). Ao entrar na comunidade, cada pessoa já recebeu do Pai um perdão sem limites (dez mil talentos). A vida na comunidade precisa, portanto, basear-se no amor e na misericórdia, compartilhando entre todos esse perdão que cada um recebeu. Outra proposta a ser vivida na comunidade dos discípulos e discípulas de Jesus é a do perdão. Nossa mesquinhez procura estabelecer limite: até sete vezes? Toda vez que rezamos o pai-nosso, pedimos o perdão a Deus e nos dispomos a perdoar. Sempre desejamos o perdão divino, mas nem sempre estamos dispostos a estendê-lo aos irmãos e irmãs. Penso que se trata do perdão entre as pessoas da comunidade, onde o pobre endividado necessitava do cancelamento da sua dívida. Sabemos que a vivência em comunidade e na sociedade não é fácil, pois todos temos nossos defeitos, grandes ou pequenos. Aqui provavelmente se trata de pequenas ofensas entre as pessoas no seu dia a dia. Não se refere aos grandes roubos, que acontecem entre os grandes e na esfera pública e que mais lesam os cidadãos. O perdão também não significa permitir o desvio que acontece na sociedade, prejudicando o investimento no bem comum. O perdão é fundamental para construirmos uma “cultura da paz” e combatermos a “cultura da violência”.

Lucas 6, 43-49 Os atos revelam a pessoa.

* 43 “Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons; 44 porque toda árvore é conhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem se apanham uvas de plantas espinhosas. 45 O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, mas o homem mau tira do seu mal coisas más, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio.” Passar para a ação -* 46 “Por que vocês me chamam: ‘Senhor! Senhor!’, e não fazem o que eu digo? 47 Vou mostrar a vocês com quem se parece todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática. 48 É semelhante a um homem que construiu uma casa: cavou fundo e colocou o alicerce sobre a rocha. Veio a enchente, a enxurrada bateu contra a casa, mas não conseguiu derrubá-la, porque estava bem construída. 49 Aquele que ouve e não põe em prática, é semelhante a um homem que construiu uma casa sobre a terra, sem alicerce. A enxurrada bateu contra a casa, e ela imediatamente desabou; e foi grande a ruína dessa casa.” Comentário: * 43-45: Assim como as árvores são conhecidas pelos frutos, do mesmo modo os homens são conhecidos pelos seus atos. * 46-49: Quem põe em prática a mensagem de Jesus, constrói a vida pessoal e comunitária sobre alicerce firme, que resiste à alienação, aos conflitos e até mesmo à perseguição. Quem fica somente no ouvir ou no falar, jamais colabora na construção de nova sociedade. Todos recordaremos que, certa vez, Jesus, contrapondo-se ao ritualismo farisaico, disse que o que torna o ser humano impuro não é o alimento que ingere, mas o que sai de seu interior. Pois a primeira parte do Evangelho de hoje exemplifica e aprofunda tal afirmação, especialmente o v. 45. Se cultivamos o mal no nosso coração, como pretendemos colher frutos bons? Sabedoria profunda, que deve iluminar a nossa vida. Hoje está na moda a PNL (Programação Neurolinguística), abordagem de comunicação, psicoterapia e autodesenvolvimento que afirma que existe uma conexão entre a parte neurológica e a linguagem e os padrões comportamentais. Ela pode nos ajudar, mas o ensinamento de Jesus vai muito além e diz que é a centelha divina que cultivamos através da fé que deve ser cultivada no nosso interior, e assim todos os frutos gerados serão bons.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Lucas 6, 39-42 Só Deus pode julgar.

39 Jesus contou uma parábola aos discípulos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? 40 Nenhum discípulo é maior do que o mestre; e todo discípulo bem formado será como o seu mestre. 41 Por que você fica olhando o cisco no olho do seu irmão, e não presta atenção na trave que há no seu próprio olho? 42 Como é que você pode dizer ao seu irmão: ‘Irmão, deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando você não vê a trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave do seu próprio olho, e então você enxergará bem, para tirar o cisco do olho do seu irmão.” Comentário: * 37-42: Cf. nota em Mt 7,1-5. Lucas salienta que as relações numa sociedade nova não devem ser de julgamento e condenação, mas de perdão e dom. Só Deus pode julgar. A parábola de hoje, que na verdade se divide em três imagens ou três ensinamentos, fala sobre a misericórdia e a gratuidade, especialmente na vida em comunidade. Serve para alertar os dirigentes e guias da comunidade, para que vivam com coerência e evitem a tentação de se impor aos outros. Por isso, aquele que não tem clareza ou visão do futuro não pode guiar outro “cego”; o líder deve motivar e orientar a comunidade, não se fazer superior a ela; e ninguém tem o direito de criticar o outro se antes não fizer uma autocrítica sobre suas ações. Tais atitudes revelam os bons líderes comunitários, e teríamos muitos bons nomes para citar, no Brasil e no mundo. Você se recorda de algum ou tem particular admiração por algum líder cristão?

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Lucas 6, 27-38 A gratuidade nas relações.

* 27 “Mas, eu digo a vocês que me escutam: amem os seus inimigos, e façam o bem aos que odeiam vocês. 28 Desejem o bem aos que os amaldiçoam, e rezem por aqueles que caluniam vocês. 29 Se alguém lhe dá um tapa numa face, ofereça também a outra; se alguém lhe toma o manto, deixe que leve também a túnica. 30 Dê a quem lhe pede e, se alguém tira o que é de você, não peça que devolva. 31 O que vocês desejam que os outros lhes façam, também vocês devem fazer a eles. 32 Se vocês amam somente aqueles que os amam, que gratuidade é essa? Até mesmo os pecadores amam aqueles que os amam. 33 Se vocês fazem o bem somente aos que lhes fazem o bem, que gratuidade é essa? Até mesmo os pecadores fazem assim. 34 E se vocês emprestam somente para aqueles de quem esperam receber, que gratuidade é essa? Até mesmo os pecadores emprestam aos pecadores, para receber de volta a mesma quantia. 35 Ao contrário, amem os inimigos, façam o bem e emprestem, sem esperar coisa alguma em troca. Então, a recompensa de vocês será grande, e vocês serão filhos do Altíssimo, porque Deus é bondoso também para com os ingratos e maus. 36 Sejam misericordiosos, como também o Pai de vocês é misericordioso.” Só Deus pode julgar -* 37 “Não julguem, e vocês não serão julgados; não condenem, e não serão condenados; perdoem, e serão perdoados. 38 Deem, e será dado a vocês; colocarão nos braços de vocês uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante. Porque a mesma medida que vocês usarem para os outros, será usada para vocês.” Comentário: * 27-36: A vida em sociedade é feita de relacionamentos de interesses e reciprocidade, que geram lucro, poder e prestígio. O Evangelho revoluciona o campo das relações humanas, mostrando que, numa sociedade justa e fraterna, as relações devem ser gratuitas, à semelhança do amor misericordioso do Pai. * 37-42: Cf. nota em Mt 7,1-5. Lucas salienta que as relações numa sociedade nova não devem ser de julgamento e condenação, mas de perdão e dom. Só Deus pode julgar. O trecho do Evangelho que hoje meditamos resume melhor do que qualquer escola filosófica os princípios da ética humana. A máxima dita por Jesus – “Tratem as pessoas como vocês gostariam que elas tratassem vocês” – é superior e mais objetiva que o famoso imperativo categórico de Kant: “Age como se a máxima de tua ação devesse ser erigida por tua vontade em lei universal da Natureza”. Esse pequeno código moral oferecido pelo Mestre deve caracterizar o cristão, servindo como um manual de prática diária para alcançarmos a santidade, para quem sabe um dia sermos misericordiosos como o nosso Pai é misericordioso.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Lucas 6, 20-26 Anseio por um mundo novo.

20 Levantando os olhos para os discípulos, Jesus disse: “Felizes de vocês, os pobres, porque o Reino de Deus lhes pertence. 21 Felizes de vocês que agora têm fome, porque serão saciados. Felizes de vocês que agora choram, porque hão de rir. 22 Felizes de vocês se os homens os odeiam, se os expulsam, os insultam e amaldiçoam o nome de vocês, por causa do Filho do Homem. 23 Alegrem-se nesse dia, pulem de alegria, pois será grande a recompensa de vocês no céu, porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. 24 Mas, ai de vocês, os ricos, porque já têm a sua consolação! 25 Ai de vocês, que agora têm fartura, porque vão passar fome! Ai de vocês, que agora riem, porque vão ficar aflitos e irão chorar! 26 Ai de vocês, se todos os elogiam, porque era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas.” Comentário: * 17-26: O povo vem de todas as partes ao encontro de Jesus, porque a ação dele faz nascer a esperança de uma sociedade nova, libertada da alienação e dos males que afligem os homens. Os vv. 20-26 proclamam o cerne de toda a atividade de Jesus: produzir uma sociedade justa e fraterna, aberta para a novidade de Deus. Para isso, é preciso libertar os pobres e famintos, os aflitos e os que são perseguidos por causa da justiça. Isso, porém, só se alcança denunciando aqueles que geram a pobreza e a opressão e depondo-os dos seus privilégios. Não é possível abençoar o pobre sem libertá-lo da pobreza. Não é possível libertar o pobre da pobreza sem denunciar o rico para libertá-lo da riqueza. No Evangelho de Mateus, as bem-aventuranças abrem o famoso Sermão da montanha, mostrando que o ser humano é vocacionado à felicidade, e que essa felicidade está associada ao não-conformismo diante das injustiças do mundo e à convocação para a ação segundo os valores evangélicos. Na versão de Lucas que hoje lemos, Jesus acrescenta algumas “denúncias” às bem-aventuranças. Ao estilo dos antigos profetas, Jesus alerta os que procuram a riqueza, o poder e o prestígio, pois ali não encontrarão a felicidade. Antídoto para a tentação da autorreferencialidade, que conduz ao egoísmo e à condenação, é a humildade, a obediência e a fidelidade. Os fracos, pobres e simples encontrarão consolo no Reino, enquanto os ricos, que exploram e excluem, cairão em tristeza.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Mateus 1,18-23 O começo de uma nova história.

* 18 A origem de Jesus, o Messias, foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19 José, seu marido, era justo. Não queria denunciar Maria, e pensava em deixá-la, sem ninguém saber. 20 Enquanto José pensava nisso, o Anjo do Senhor lhe apareceu em sonho, e disse: “José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria como esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, e você lhe dará o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados.” 22 Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 23 “Vejam: a virgem conceberá, e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco.” Comentário: * 18-25: Jesus não é apenas filho da história dos homens. É o próprio Filho de Deus, o Deus que está conosco. Ele inicia nova história, em que os homens serão salvos (Jesus = Deus salva) de tudo o que diminui ou destrói a vida e a liberdade (os pecados). A liturgia nos ensina a buscar no culto da Natividade de Maria uma verdade profunda: a vinda do homem-Deus à terra foi longamente preparada pelo Pai no decurso dos séculos. Celebrada exatamente nove meses após a solenidade da Imaculada Conceição (8 de dezembro), dogma da Igreja que afirma que a Virgem Maria foi preservada do pecado original desde o momento de sua concepção e, portanto, nasce sem a mancha do pecado original, sendo escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador. As informações que temos sobre o nascimento e a infância da Virgem Maria vêm sobretudo dos chamados livros apócrifos, particularmente do Protoevangelho de Tiago (século II).