segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Mateus 6, 7-15 O “Pai nosso”.

* 7 “Quando vocês rezarem, não usem muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por causa do seu palavreado. 8 Não sejam como eles, pois o Pai de vocês sabe do que é que vocês precisam, ainda antes que vocês façam o pedido. 9 Vocês devem rezar assim: Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome; 10 venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. 11 Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia. 12 Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. 13 E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. 14 De fato, se vocês perdoarem aos homens os males que eles fizeram, o Pai de vocês que está no céu também perdoará a vocês. 15 Mas, se vocês não perdoarem aos homens, o Pai de vocês também não perdoará os males que vocês tiverem feito.” Comentário: * 7-15: Mateus aproveita o tema da oração para inserir aqui o Pai-nosso (cf. Lc 11,1-4), contrapondo a oração cristã à oração dos fariseus e dos pagãos. O Pai-nosso mostra a simplicidade e intimidade do homem com Deus. Na primeira parte, pede-se que Deus manifeste o seu projeto de salvação; na segunda, pede-se o essencial para que o homem possa viver segundo o projeto de Deus: pão para o sustento, bom relacionamento com os irmãos e perseverança até o fim. Muitas vezes vemos a oração como uma negociação com Deus: preciso disso; se você me der, eu faço aquilo! Não, não pode ser assim. Não podemos rezar apenas quando precisamos de algo, quando estamos aflitos, desesperados. Obviamente, num momento de dor e sofrimento, podemos recorrer a Deus para buscar força e proteção, mas a oração é muito mais do que isso. Ela é como uma bússola que orienta, a luz que ilumina o caminho e a força que sustenta na peregrinação da vida. A oração é um diálogo com Deus, leve e descontraído, como uma conversa entre pai e filho, por isso Jesus ensina seus discípulos a rezarem o Pai-nosso. Essa é a oração principal da vida do cristão, não só porque foi o próprio Cristo que nos pediu que a rezássemos, mas porque ela é completa, tocando todas as dimensões da nossa vida material e espiritual. Que tal dedicarmos agora alguns minutos para rezar o Pai-nosso?

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Mateus 25, 31-46 O juízo final.

* 31 “Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. 32 Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33 E colocará as ovelhas à sua direita, e os cabritos à sua esquerda. 34 Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham vocês, que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança o Reino que meu Pai lhes preparou desde a criação do mundo. 35 Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro, e me receberam em sua casa; 36 eu estava sem roupa, e me vestiram; eu estava doente, e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e vocês foram me visitar’. 37 Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? 38 Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? 39 Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?’ 40 Então o Rei lhes responderá: ‘Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram.’ 41 Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastem-se de mim, malditos. Vão para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. 42 Porque eu estava com fome, e vocês não me deram de comer; eu estava com sede, e não me deram de beber; 43 eu era estrangeiro, e vocês não me receberam em casa; eu estava sem roupa, e não me vestiram; eu estava doente e na prisão, e vocês não me foram visitar’. 44 Também estes responderão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou sem roupa, doente ou preso, e não te servimos?’ 45 Então o Rei responderá a esses: ‘Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês não fizeram isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizeram’. 46 Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna.” Comentário: * 31-46: Esta é a única cena dos Evangelhos que mostra qual será o conteúdo do juízo final. Os homens vão ser julgados pela fé que tiveram em Jesus. Fé que significa reconhecimento e compromisso com a pessoa concreta de Jesus. Porém, onde está Jesus? Está identificado com os pobres e oprimidos, marginalizados por uma sociedade baseada na riqueza e no poder. Por isso, o julgamento será sobre a realização ou não de uma prática de justiça em favor da libertação dos pobres e oprimidos. Esta é a prática central da fé, desde o início apresentado por Mateus como o cerne de toda a atividade de Jesus: “cumprir toda a justiça” (3,15). É a condição para participar da vida do Reino. Estamos no contexto do sermão escatológico, rumo à sua conclusão. O evangelista descreve a vinda de Jesus como Rei-Pastor e Rei-Messias, que julga e separa cada pessoa a partir de suas ações, sobretudo as obras de misericórdia que cada um praticou. Vale a pena recordar quais são elas, divididas em obras de misericórdia corporais (dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, dar pousada aos peregrinos, vestir os nus, visitar os enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos) e espirituais (ensinar os ignorantes, dar bom conselho, corrigir os que erram, perdoar as injúrias, consolar os tristes, sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo, rezar a Deus por vivos e defuntos).

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Mateus 4, 1-11 Jesus supera as tentações.

* 1 Então o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2 Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, sentiu fome. 3 Então, o tentador se aproximou e disse a Jesus: “Se tu és Filho de Deus, manda que essas pedras se tornem pães!” 4 Mas Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.’ “ 5 Então o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o na parte mais alta do Templo. 6 E lhe disse: “Se tu és Filho de Deus, joga-te para baixo! Porque a Escritura diz: ‘Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra.’ “ 7 Jesus respondeu-lhe: “A Escritura também diz: ‘Não tente o Senhor seu Deus.’ “ 8 O diabo tornou a levar Jesus, agora para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e suas riquezas. 9 E lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar.” 10 Jesus disse-lhe: “Vá embora, Satanás, porque a Escritura diz: ‘Você adorará ao Senhor seu Deus e somente a ele servirá.’ “ 11 Então o diabo o deixou. E os anjos de Deus se aproximaram e serviram a Jesus. Comentário: * 1-11: Cf. nota em Mc 1,12-13. Mateus pormenoriza, salientando três tentações. Nelas, Jesus é tentado de falsificar a própria missão, realizando uma atividade que só busque satisfazer às necessidades imediatas, buscar o prestígio e ambicionar o poder e as riquezas. Jesus, porém, resiste a essas tentações. Seu projeto de justiça é transformar as estruturas segundo a vontade de Deus (palavra que sai da boca de Deus), não pondo Deus a seu próprio serviço ou interesse (Não tente o Senhor seu Deus), e não absolutizando coisas que geram opressão e exploração sobre os homens, criando ídolos (Você adorará ao Senhor seu Deus...). Depois de passar quarenta (os números são simbólicos) dias em jejum no deserto, Jesus teve fome. Diante da necessidade e da fraqueza, o tentador aproveitou para pôr Jesus à prova. Israel sucumbiu às tentações, Jesus as enfrenta e as supera, iluminado e fortalecido pela Palavra de Deus. O evangelista apresenta três tentações (podemos resumi-las: soluções mágicas, prestígio individual e riqueza-poder acumulados) que são como que a síntese dos desafios que Jesus enfrentou ao longo da vida. São também as tentações de todo cristão. Jesus teve de enfrentar muitos desafios a fim de se manter fiel ao projeto que o Pai lhe confiou. Projeto de amor, solidariedade, partilha e justiça. Fazendo um paralelo entre Adão e Jesus: aquele, num paraíso de delícias, sucumbiu; este, no deserto com seus desafios, se manteve fiel. Parece que a vida de luxo e prazeres nem sempre contribui para a fidelidade a Deus. Jesus rejeita o caminho fácil da gratificação imediata e de exaltação de si mesmo.

Romanos 5, 12-19 A vida supera a morte.

* 12 Assim como o pecado entrou no mundo através de um só homem e com o pecado veio a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. 13 De fato, já antes da Lei existia pecado no mundo, embora o pecado não possa ser levado em conta quando não existe Lei. 14 Ora, a morte reinou de Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não haviam pecado, cometendo uma transgressão igual à de Adão, o qual é figura daquele que devia vir. 15 O dom da graça, porém, não é como a falta. Se todos morreram devido à falta de um só, muito mais abundantemente se derramou sobre todos a graça de Deus e o dom gratuito de um só homem, Jesus Cristo. 16 Também não acontece com o dom da graça, como aconteceu com o pecado de um só que pecou: a partir do pecado de um só, o julgamento levou à condenação, ao passo que a partir de numerosas faltas, o dom da graça levou à justificação. 17 Porque se através de um só homem reinou a morte por causa da falta de um só, com muito mais razão reinarão na vida aqueles que recebem a abundância da graça e do dom da justiça, por meio de um só: Jesus Cristo. 18 Portanto, assim como pela falta de um só resultou a condenação para todos os homens, do mesmo modo foi pela justiça de um só que resultou para todos os homens a justificação que dá a vida. 19 Assim como, pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores, do mesmo modo, pela obediência de um só, todos se tornarão justos. Comentário: * 12-21: Paulo contrapõe duas figuras, dois reinos e duas consequências: Adão-Cristo, pecado-graça; morte-vida. Adão é o início e a personificação da humanidade mergulhada no reino do pecado e caminhando para a morte; Cristo, o novo Adão, é início e personificação da humanidade introduzida no reino da graça e caminhando para a vida. Paulo não está interessado nas semelhanças entre Cristo e Adão. Ele os contrapõe apenas para mostrar a supremacia de Cristo e do reino da graça sobre Adão e o reino do pecado; pois o dom de Deus supera de longe o pecado dos homens.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Lucas 5, 27-32 Jesus rejeita a hipocrisia social.

* 27 Depois disso, Jesus saiu, e viu um cobrador de impostos chamado Levi, que estava na coletoria. Jesus disse para ele: “Siga-me.” 28 Levi deixou tudo, levantou-se, e seguiu a Jesus. 29 Depois, Levi preparou em casa um grande banquete para Jesus. Estava aí numerosa multidão de cobradores de impostos e outras pessoas sentadas à mesa com eles. 30 Os fariseus e seus doutores da Lei murmuravam, e diziam aos discípulos de Jesus: “Por que vocês comem e bebem com os cobradores de impostos e com pecadores?” 31 Jesus respondeu: “As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes. 32 Eu não vim para chamar justos, e sim pecadores para o arrependimento.” Comentário: * 27-32: Cf. nota em Mc 2,13-17: Os cobradores de impostos eram desprezados e marginalizados porque colaboravam com a dominação romana, cobrando imposto e, em geral, aproveitando para roubar. Jesus rompe os esquemas sociais que dividem os homens em bons e maus, puros e impuros. Chamando um cobrador de impostos para ser seu discípulo, e comendo com os pecadores, Jesus mostra que sua missão é reunir e salvar aqueles que a sociedade hipócrita rejeita como maus. Jesus é o médico das almas, que cura nossas mais profundas enfermidades, até mesmo aquelas que todos consideram incuráveis, como o mal da corrupção. Exemplo disso nos é dado no Evangelho de hoje, quando o Mestre chama Levi (Mateus) para ser seu seguidor. Mateus era um cobrador de impostos e estava a serviço do Império Romano, sendo considerado um traidor e extremamente corrupto pelos seus conterrâneos. Mas seu “sim” ao seguimento revela sua capacidade de mudar, de se converter, de deixar para trás o que poderia trazer-lhe riqueza e estabilidade material, para assumir os bens eternos. Nós, hoje, somos capazes de fazer tais renúncias para seguir o Evangelho? Neste tempo de Quaresma, que renúncia eu posso fazer em prol do meu irmão mais necessitado?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Mateus 9, 14-15 Jesus provoca ruptura.

-* 14 Então os discípulos de João se aproximaram de Jesus, e perguntaram: “Nós e os fariseus fazemos jejum. Por que os teus discípulos não fazem jejum?”15 Jesus respondeu: “Vocês acham que os convidados de um casamento podem estar de luto, enquanto o noivo está com eles? Mas chegarão dias em que o noivo será tirado do meio deles. Aí então eles vão jejuar. Comentário: * 14-17: Cf. nota em Mc 2,18-22. Jesus veio substituir o sistema da Lei, rigidamente seguido pelos fariseus. A justiça que vem da misericórdia abre as portas do Reino para todos. Na Bíblia, o jejum pode ser tanto individual como comunitário, em sinal de penitência, expiação dos pecados, oração intensa ou vontade firme de conseguir algo. Também marca a preparação intensa para um acontecimento importante, como nos quarenta dias de Jesus antes de começar sua missão, de Moisés no monte e de Elias no deserto. São inúmeros os textos bíblicos que mencionam o jejum, como: Ex 34,28; Lv 16,29; 1Sm 7,6; 2Sm 12,16; 1Rs 21,12; Esd 8,21; Ne 9,1; Est 4,3.16; Sl 35,13; Is 58,5ss; Dn 6,9; Dn 9,3; Jl 2,12.15; Mt 4,2; Mt 6,17ss; Mt 9,14; Mc 2,18ss; Lc 5,34; At 9,9; At 27,33. Iluminados pela Palavra de Deus e pelo convite da Igreja, provavelmente muitos de nós fizeram um propósito de abstinência para esta Quaresma. Não nos esqueçamos, porém, de que a verdadeira abstinência deve estar ligada à oração, à meditação da Palavra e à caridade. Nesse sentido, o melhor programa quaresmal que podemos fazer é dar a quem precisa o alimento ou bebida que estamos renunciando. Ou seja, converter em doação o valor renunciado, a fim de fazer o bem ao irmão e agradar a Deus. Assim estaremos cumprindo verdadeiramente o mandamento do amor a Deus e ao próximo, e estaremos preparados para bem acolher o Cristo ressuscitado.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Lucas 9, 22-25 Jesus é o Messias.

22 E acrescentou: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto, e ressuscitar no terceiro dia.” 23 Depois Jesus disse a todos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga. 24 Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, esse a salvará. 25 De fato, que adianta um homem ganhar o mundo inteiro, se perde e destrói a si mesmo? Comentário: * 18-27: Não basta declarar e aceitar que Jesus é o Messias; é preciso rever a ideia a respeito do Messias, o qual, para construir a nova história, enfrenta os que não querem transformações. Por isso, ele vai sofrer, ser rejeitado e morto. Sua ressurreição será a sua vitória. E quem quiser acompanhar Jesus na sua ação messiânica e participar da sua vitória, terá que percorrer caminho semelhante: renunciar a si mesmo e às glórias do poder e da riqueza. Em outras palavras, de que adianta acumular poder, fama ou riqueza se não formos capazes de nutrir o nosso interior? Acumular bens materiais é relativamente fácil, o difícil é ser justo, caridoso, prestativo… pois como nos recorda o apóstolo Paulo: “Quando este ser corruptível se revestir de incorruptibilidade, e este ser mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra da Escritura” (1Cor 15,54). Jesus não dá ordens, mas oferece um caminho. Quem quiser segui-lo deve atender a alguns requisitos mínimos, como renunciar a si mesmo e carregar suas cruzes. Deve se colocar à disposição de Jesus, imitando o seu modo de agir e também o seu modo de enfrentar as dores e adversidades provocadas pelo mundo. Esse é o caminho que conduz à salvação, à vitória, por isso é exigente e difícil. Muito mais simples e plainos são os caminhos que conduzem à perdição. Até que ponto estamos dispostos a sofrer, ser rejeitados e morrer com Cristo?