sábado, 5 de setembro de 2026
Romanos 13, 8-10 O amor é o pleno cumprimento da Lei.
* 8 Não fiquem devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo. Pois, quem ama o próximo cumpriu plenamente a Lei. 9 De fato, os mandamentos: não cometa adultério, não mate, não roube, não cobice, e todos os outros se resumem nesta sentença: “Ame o seu próximo como a si mesmo.” 10 O amor não pratica o mal contra o próximo, pois o amor é o pleno cumprimento da Lei.
Comentário:
* 8-10: Na vida cristã a única tarefa que não tem limites é o amor, pois ele não só resume tudo o que deve ser feito, mas é também o espírito com que tudo deve ser feito. Como nos evangelhos, Paulo também vê o amor como a expressão perfeita de toda a Lei.
Mateus 18, 15-20 E quando o irmão peca?
* 15 “Se o seu irmão pecar, vá e mostre o erro dele, mas em particular, só entre vocês dois. Se ele der ouvidos, você terá ganho o seu irmão. 16 Se ele não lhe der ouvidos, tome com você mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. 17 Caso ele não dê ouvidos, comunique à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele der ouvidos, seja tratado como se fosse um pagão ou um cobrador de impostos. 18 Eu lhes garanto: tudo o que vocês ligarem na terra, será ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra, será desligado no céu. 19 E lhes digo ainda mais: se dois de vocês na terra estiverem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está no céu. 20 Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles.”
Comentário:
* 15-20: Quando um irmão peca, prejudicando o bem comum, a comunidade age com prudência e justiça, procurando corrigir o irmão. Reunida em nome e no espírito de Jesus, a comunidade tem o poder de incluir ou excluir pessoas do seu meio (cf. 16,19), isto é, incluir ou excluir pessoas. A missão dela, porém, não termina com a exclusão do pecador: ela deve procurá-lo, como o pastor que sai em busca da ovelha perdida (18,11-14).
O Evangelho deste domingo está dentro do capítulo que trata do “discurso comunitário”, ou seja, das orientações do Mestre aos seus discípulos. O texto pode revelar como as comunidades cristãs excluem pessoas com muita facilidade. O esforço da comunidade deve caminhar sempre no sentido de “salvar e recuperar” a pessoa. A comunidade tem poder para tomar a decisão final, mas isso não pode ser na base do autoritarismo, e sim com amor e compreensão. Em geral, é mais fácil “excluir que incluir”. Devemos reconhecer que ninguém é perfeito e não é pelo fato de sermos cristãos que estamos livres de cometer deslizes. Jesus nos desafia a sentirmo-nos responsáveis uns pelos outros. A proposta da “correção fraterna” é válida para a comunidade cristã, para as famílias e para qualquer grupo de convivência.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Lucas 6, 1-5 Jesus liberta da lei .
1 Num dia de sábado, Jesus estava passando por uns campos de trigo. Os discípulos arrancavam e comiam as espigas, debulhando-as com as mãos. 2 Então alguns fariseus disseram: “Por que vocês estão fazendo o que não é permitido em dia de sábado?” 3 Jesus respondeu: “Então vocês não leram o que Davi e seus companheiros fizeram quando estavam sentindo fome? 4 Davi entrou na casa de Deus, pegou e comeu dos pães oferecidos a Deus, e ainda os deu a seus companheiros. No entanto, só os sacerdotes podem comer desses pães.” 5 E Jesus acrescentou: “O Filho do Homem é senhor do sábado.”
Comentário:
*1-5: Sendo senhor do sábado, Jesus está acima das leis, mesmo religiosas, que os homens elaboram. Ele relativiza essas leis, mostrando que elas não têm sentido quando impedem o homem de ter acesso aos bens necessários para a própria sobrevivência.
Ao recordar um famoso episódio da vida do rei Davi, Jesus não está apenas confrontando os fariseus e mostrando sua hipocrisia ao “engessar” a Lei mosaica. Ao mesmo tempo, Jesus afirma sua própria divindade, mostrando que é maior do que Davi (considerado o maior líder político de Israel) e maior do que Moisés (considerado o maior líder religioso de Israel). Jesus é o Senhor (Yhwh, Adonai, Kyrios) do sábado, porque é o Filho do Homem (encarnação de Deus). Jesus é Deus, que veio ao mundo para nos salvar. Tudo, portanto também o sábado, está a serviço da salvação e recebe novo significado em Cristo. Daí o domingo (dia do Senhor, que representa no cristianismo o que o sábado é no judaísmo) ser um dia de encontro e fraternidade, um dia de festa, alegria e louvor a Deus, e não de “obrigações” e limitações.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Lucas 5, 1-11 O seguimento de Jesus.
* 1 Certo dia, Jesus estava na margem do lago de Genesaré. A multidão se apertava ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. 2 Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago; os pescadores haviam desembarcado, e lavavam as redes. 3 Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões. 4 Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avance para águas mais profundas, e lancem as redes para a pesca.” 5 Simão respondeu: “Mestre, tentamos a noite inteira, e não pescamos nada. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes.” 6 Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes, que as redes se arrebentavam. 7 Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que fossem ajudá-los. Eles foram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem. 8 Ao ver isso, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” 9 É que o espanto tinha tomado conta de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer. 10 Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Mas Jesus disse a Simão: “Não tenha medo! De hoje em diante você será pescador de homens.” 11 Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo, e seguiram a Jesus.
Comentário:
* 1-11: A cena é simbólica. Jesus chama seus primeiros discípulos, mostrando-lhes qual a missão reservada a eles: fazer que os homens participem da libertação trazida por Jesus e que só pode realizar-se no seguimento dele, mediante a união com ele e sua missão. O convite ao seguimento é exigente: é preciso “deixar tudo”, para que nada impeça o discípulo de anunciar a Boa Notícia do Reino.
No contexto da pesca milagrosa se dá o primeiro chamado a seguir Jesus, segundo o evangelista Lucas. Os apóstolos, portanto, “sabem onde estão se metendo”, diríamos numa expressão popular. A decisão de seguir Jesus acontece após escutarem o seu ensinamento e testemunharem o seu poder, curando os doentes e, agora, realizando o milagre da pesca abundante. Acontece após os chamados tomarem consciência de suas próprias fraquezas e limitações, ao mesmo tempo que reconhecem a força de Jesus em transformar não apenas suas vidas, mas a própria humanidade e o mundo. Cheios de fé e esperança, deixam tudo e aceitam o desafio de serem “pescadores de gente”.
terça-feira, 1 de setembro de 2026
Lucas 4, 38-44 Ser livre para servir.
* 38 Jesus saiu da sinagoga, e foi para a casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. 39 Inclinando-se para ela, Jesus ameaçou a febre, e esta deixou a mulher. Então, no mesmo instante, ela se levantou, e começou a servi-los.
40 Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levavam a Jesus. Jesus colocava as mãos em cada um deles, e os curava. 41 De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: “Tu és o Filho de Deus.” Jesus os ameaçava, e não os deixava falar, porque os demônios sabiam que ele era o Messias.
Jesus anuncia o Reino -* 42 Ao raiar do dia, Jesus saiu, e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam, e, indo até ele, não queriam deixá-lo que fosse embora. 43 Mas Jesus disse: “Devo anunciar a Boa Notícia do Reino de Deus também para as outras cidades, porque para isso é que fui enviado.” 44 E Jesus pregava nas sinagogas da Judéia.
Comentário:
* 38-41: Cf. nota em Mc 1,29-34: Para os antigos, a febre era de origem demoníaca. Libertos do demônio, os homens podem levantar-se e pôr-se a serviço. Os demônios reconhecem quem é Jesus, porque sentem que a palavra e ação dele ameaça o domínio que eles têm sobre o homem.
* 42-44: A Boa Notícia do Reino é o amor de Deus que provoca a transformação radical das estruturas que escravizam os homens. Para anunciá-la, Jesus vai ao encontro daqueles que ainda não a conhecem.
Em Cafarnaum, Jesus ensina e cura. Estamos num sábado, dia de oração, no qual os judeus se dirigiam à sinagoga. Ali Jesus ensina. Mas é também dia de descanso sagrado, por isso a ênfase de que levavam a Jesus os doentes “ao pôr do sol”, quando o dia já tinha terminado e as atividades poderiam retomar a normalidade. Jesus cura a todos, indistintamente. Sua única exigência é a fé verdadeira. Na cura da sogra de Pedro, cena bastante conhecida, vemos Jesus tratar a febre como uma espécie de espírito impuro: “repreendeu a febre, e a febre a deixou”. Algo que limita e aprisiona. Assim, entendemos melhor a ênfase na continuidade da ação, sinal de gratidão e discipulado: “a mulher se levantou e começou a servi-los”.
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Lucas 4, 31-37 Jesus liberta da alienação.
* 31 Jesus foi a Cafarnaum, cidade da Galileia, e aí ensinava aos sábados. 32 As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento, porque Jesus falava com autoridade. 33 Na sinagoga havia um homem possuído pelo espírito de um demônio mau, que gritou em alta voz: 34 “O que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!” 35 Jesus o ameaçou, dizendo: “Cale-se, e saia dele!” Então o demônio jogou o homem no chão, saiu dele, e não lhe fez mal nenhum. 36 O espanto tomou conta de todos, e eles comentavam entre si: “Que palavra é essa? Ele manda nos espíritos maus com autoridade e poder, e eles saem.” 37 E a fama de Jesus se espalhava em todos os lugares da redondeza.
Comentário:
* 31-37: Cf. nota em Mc 1, 21-28: A ação demoníaca escraviza e aliena o homem, impedindo-o de pensar e de agir por si mesmo (por exemplo: ideologias, propagandas, estruturas, sistemas etc.): outros pensam e agem através dele. O primeiro milagre de Jesus é fazer o homem voltar à consciência e à liberdade. Só assim o homem pode segui-lo.
Marcos não diz qual era o ensinamento de Jesus; contudo, mencionando-o junto com uma ação de cura, ele sugere que o ensinamento com autoridade repousa numa prática concreta de libertação: com sua ação Jesus interpreta as Escrituras de modo superior a toda a cultura dos doutores da Lei.
É curioso notar a expressão utilizada pelo espírito impuro para se referir a Jesus. Chama-o de “Santo de Deus”. É a única vez que essa expressão é utilizada no Evangelho de Lucas e, ao longo dos Evangelhos, é utilizada apenas mais duas vezes, em Mc 1,24 e Jo 6,69. Essa expressão significativa é, portanto, um título forte dado ao Messias, com o qual as forças do mal reconhecem a proximidade de Jesus com a santidade de Deus três vezes santo: “Santo, santo, santo” (Is 6,3-5). Além da transcendência de Deus Santo do Antigo Testamento, do qual não é possível se aproximar, nessa expressão temos uma alusão ao Deus Trino: Pai, Filho e Espírito, todos os três Santos segundo o Novo Testamento.
domingo, 30 de agosto de 2026
Lucas 4, 16-30 O programa da atividade de Jesus.
16 Jesus foi à cidade de Nazaré, onde se havia criado. Conforme seu costume, no sábado entrou na sinagoga, e levantou-se para fazer a leitura. 17 Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem onde está escrito: 18 “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, 19 e para proclamar um ano de graça do Senhor.” 20 Em seguida Jesus fechou o livro, o entregou na mão do ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Então Jesus começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês acabam de ouvir.”
Reação do povo -* 22 Todos aprovavam Jesus, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Este não é o filho de José?” 23 Mas Jesus disse: /”Sem dúvida vocês vão repetir para mim o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum.” 24 E acrescentou: “Eu garanto a vocês: nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25 De fato, eu lhes digo que havia muitas viúvas em Israel, no tempo do profeta Elias, quando não vinha chuva do céu durante três anos e seis meses, e houve grande fome em toda a região. 26 No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, e sim a uma viúva estrangeira, que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27 Havia também muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu. Apesar disso, nenhum deles foi curado, a não ser o estrangeiro Naamã, que era sírio.” 28 Quando ouviram essas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29 Levantaram-se, e expulsaram Jesus da cidade. E o levaram até o alto do monte, sobre o qual a cidade estava construída, com intenção de lançá-lo no precipício. 30 Mas Jesus, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.
Comentário:
* 14-21: Colocada no início da vida pública de Jesus, esta passagem constitui, conforme Lucas, o programa de toda a atividade de Jesus. Is 61,1-2 anunciara que o Messias iria realizar a missão libertadora dos pobres e oprimidos. Jesus aplica a passagem a si mesmo, assumindo-a no hoje concreto em que se encontra. No ano da graça eram perdoadas todas as dívidas e se redistribuíam fraternalmente todas as terras e propriedades: Jesus encaminha a humanidade para uma situação de reconciliação e partilha, que tornam possíveis a igualdade, a fraternidade e a comunhão.
* 22-30: A dúvida e a rejeição de Jesus por parte de seus compatriotas fazem prever a hostilidade e a rejeição de toda a atividade de Jesus por parte de todo o seu povo. No entanto, Jesus prossegue seu caminho, para construir a nova história que engloba toda a humanidade.
Os sinais para identificar a chegada do Reino são claros: anúncio da Boa Notícia, com a consequente libertação dos presos, recuperação da vista aos cegos, alívio dos oprimidos, proclamação do ano da graça do Senhor. Jesus é a própria Boa Notícia, o Logos encarnado, e tudo o que realizou ao longo da sua vida pública concretiza as profecias de Isaías. Não há dúvida, portanto, de que nele “se cumpriu essa passagem da Escritura”. Nele se cumpre a libertação não apenas do povo de Israel, mas de toda a humanidade. O pecado e a morte não têm mais força sobre a vida nova.
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