quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Lucas 9, 18-22 Jesus é o Messias.

* 18 Certo dia, Jesus estava rezando num lugar retirado, e os discípulos estavam com ele. Então Jesus perguntou: “Quem dizem as multidões que eu sou?” 19 Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que tu és algum dos antigos profetas que ressuscitou.” 20 Jesus perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Pedro respondeu: “O Messias de Deus.” 21 Então Jesus proibiu severamente que eles contassem isso a alguém. 22 E acrescentou: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto, e ressuscitar no terceiro dia.” Comentário: * 18-27: Não basta declarar e aceitar que Jesus é o Messias; é preciso rever a ideia a respeito do Messias, o qual, para construir a nova história, enfrenta os que não querem transformações. Por isso, ele vai sofrer, ser rejeitado e morto. Sua ressurreição será a sua vitória. E quem quiser acompanhar Jesus na sua ação messiânica e participar da sua vitória, terá que percorrer caminho semelhante: renunciar a si mesmo e às glórias do poder e da riqueza. O Evangelho proposto pela liturgia de hoje está em íntima relação com o de ontem e serve como resposta à pergunta de Herodes que ficou em aberto e que, como vimos, será respondida de modo definitivo apenas após a ressurreição de Jesus. Continuamos a refletir sobre “quem é Jesus”, agora com um questionamento dirigido diretamente aos discípulos. Pedro é quem responde, mostrando desde já sua liderança no grupo, que o levou a ser o primeiro papa da Igreja nascente: “Tu és o Messias de Deus”. Que bela e profunda profissão de fé. Jesus é o Messias, o Filho de Deus anunciado por Elias e por João Batista. Mas ainda não é o momento de revelar isso a todos, pois o mistério da salvação passará pela dor, morte e ressurreição ao terceiro dia. Trata-se do primeiro anúncio da paixão feito por Jesus no Evangelho de Lucas.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Lucas 9, 7-9 Jesus começa a inquietar.

* 7 O governador Herodes ouviu falar de tudo o que estava acontecendo, e ficou sem saber o que pensar, porque alguns diziam que João Batista tinha ressuscitado dos mortos; 8 outros diziam que Elias tinha aparecido; outros ainda, que um dos antigos profetas tinha ressuscitado. 9 Então Herodes disse: “Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?” E queria ver Jesus. Comentário: * 7-9: A palavra e ação de Jesus deixam o povo e as autoridades sem saber o que pensar. É que a presença dele força todo mundo a se perguntar: “Quem é esse homem?” O encontro de Jesus e Herodes acontecerá na Paixão (23,6-12). A fama de Jesus se espalhou e chegou aos ouvidos do tetrarca Herodes. Em outro momento (cf. 1º de agosto), tivemos a oportunidade de rever a organização política de Israel no tempo de Jesus, dividida em uma tetrarquia governada pelos filhos de Herodes, o Grande, pai do Herodes mencionado no Evangelho de hoje, mais conhecido por sua relação de adultério com Herodíades e por ter martirizado João Batista, que denunciava tal pecado. Diferentemente de Mateus e Marcos, Lucas não narra o martírio de João por decapitação, em cumprimento a uma promessa descabida de Herodes, logo após o texto que hoje lemos. Aqui, Lucas apenas descreve a confusão do líder político diante da repercussão da mensagem de Jesus: afinal, quem é Jesus? A novidade introduzida por Lucas é o desejo de Herodes de conhecer esse novo “profeta”: “E queria ver Jesus”. Temos uma antecipação ou anúncio do encontro de Jesus com Herodes, durante a paixão – por sinal, apenas descrito por Lucas –, significando que a resposta à pergunta “quem é Jesus?” só pode ser respondida à luz do mistério pascal.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Lucas 9, 1-6 A missão dos discípulos.

* 1 Jesus convocou os Doze, e lhes deu poder e autoridade sobre os demônios e para curar as doenças. 2 E os enviou a pregar o Reino de Deus e a curar. 3 E disse-lhes: “Não levem nada para o caminho: nem bastão, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas. 4 Em qualquer casa onde vocês entrarem, fiquem aí, até vocês se retirarem do lugar. 5 E todos aqueles que não os acolherem, vocês, ao sair da cidade, sacudam a poeira dos pés, como protesto contra eles.” 6 Os discípulos partiram, e percorriam os povoados, anunciando a Boa Notícia, e fazendo curas em todos os lugares. Comentário: * 9,1-6: Cf. nota em Mc 6,7-13: Os discípulos são enviados para continuar a missão de Jesus: pedir mudança radical da orientação de vida (conversão), desalienar as pessoas (libertar dos demônios), restaurar a vida humana (curas). Os discípulos devem estar livres, ter bom senso e estar conscientes de que a missão vai provocar choque com os que não querem transformações. Depois da escuta da Palavra de Deus, segue a missão, com autoridade e poder, em grego dynamis e exousia, praticamente sinônimos, atribuídos pelo próprio Jesus. Dynamis enfatiza a capacidade de realizar milagres, enquanto exousia destaca a tomada de decisão e a superioridade sobre os demônios e o mal presente no mundo. O fato de Jesus transferir aos apóstolos esse poder e autoridade é significativo, pois indica que eles estão presentes e conduzem a Igreja até hoje. Essa missão continua hoje, em contextos diferentes e com novas exigências, por isso necessitamos de novas formas e linguagens para evangelizar, como a digital. A essência, porém, permanece sempre a mesma, com um conteúdo inalterável e a mesma atitude de total pobreza e disposição.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Lucas 8, 19-21 A verdadeira família de Jesus.

* 19 A mãe e os irmãos de Jesus se aproximaram, mas não podiam chegar perto dele por causa da multidão. 20 Então anunciaram a Jesus: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem te ver.” 21 Jesus respondeu: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática.” Comentário: * 19-21: Jesus instaura novas relações entre os homens, que começam a existir quando os homens põem em prática a palavra do Evangelho, continuando a missão de Jesus. Jesus não nega os vínculos de parentesco e não pretende humilhar sua família, mas antes associar-lhe todos os que aceitam e assumem o Evangelho. Ele deseja alargar sua família com todos os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática, todos os que se posicionam a favor do seu projeto de construção do Reino. Não basta juntar pessoas em torno de uma teoria religiosa ou mesmo de um código moral, mas é preciso procurar e querer entrar na proposta de Jesus, é preciso transformar o Evangelho em ação, em vida. Quem dá esse passo começa a fazer parte da nova família de Jesus, formada por inúmeras mães, pais, irmãs e irmãos. O ensinamento de Jesus abre as portas do Reino a todas as pessoas, independentemente de raça, cultura, gênero, classe social… Aderindo ao Reino dos Céus, os seguidores de Jesus formam uma nova família, não de forma mágica ou passiva, mas a partir da mensagem do Evangelho. Vemos, assim, que o parentesco espiritual cria laços maiores e mais fortes que o parentesco biológico, por isso é missão da Igreja procurar ampliar sempre mais esta família espiritual, levando o Evangelho a todas as pessoas e a todos os povos.

domingo, 20 de setembro de 2026

Mateus 9, 9-13 Justiça e misericórdia.

* 9 Saindo daí, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e lhe disse: “Siga-me!” Ele se levantou, e seguiu a Jesus. 10 Estando Jesus à mesa em casa de Mateus, muitos cobradores de impostos e pecadores foram e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. 11 Alguns fariseus viram isso, e perguntaram aos discípulos: “Por que o mestre de vocês come com os cobradores de impostos e os pecadores?” 12 Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes. 13 Aprendam, pois, o que significa: ‘Eu quero a misericórdia e não o sacrifício’. Porque eu não vim para chamar justos, e sim pecadores.” Comentário: * 9-13: Cf. nota em Mc 2,13-17. Com a citação de Oséias 6,6, Mateus esclarece o sentido da missão de Jesus: a justiça do Reino é inseparável da misericórdia. Deus é misericordioso e quer a misericórdia antes de qualquer sacrifício. O chamado de Mateus revela essa dimensão de Deus, que exprime ternura e compaixão pelo pecador arrependido. Assim como os fariseus indicados no Evangelho, muitas vezes também nós temos dificuldade em aceitar a mudança de vida de alguma pessoa que praticou coisas más ou que nos ofendeu pessoalmente. Jesus se dirige também a nós, abrindo nossos olhos e pedindo que tenhamos misericórdia com nossos irmãos. Mostra, assim, que a Igreja deve estar sempre aberta para acolher a todos, pois todos podem contribuir com o anúncio do Reino quando encontram Jesus e se deixam tocar pela sua Palavra transformadora.

sábado, 19 de setembro de 2026

Mateus 20, 1-16 O Reino é dom gratuito.

* 1 “De fato, o Reino do Céu é como um patrão, que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. 3 Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo. Viu outros que estavam desocupados na praça, 4 e lhes disse: ‘Vão vocês também para a minha vinha. Eu lhes pagarei o que for justo’. 5 E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. 6 Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: ‘Por que vocês estão aí o dia inteiro desocupados?’ 7 Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. O patrão lhes disse: ‘Vão vocês também para a minha vinha’. 8 Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chame os trabalhadores, e pague uma diária a todos. Comece pelos últimos, e termine pelos primeiros’. 9 Chegaram aqueles que tinham sido contratados pelas cinco da tarde, e cada um recebeu uma moeda de prata. 10 Em seguida chegaram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. No entanto, cada um deles recebeu também uma moeda de prata. 11 Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12 ‘Esses últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor do dia inteiro!’ 13 E o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto com você. Não combinamos uma moeda de prata? 14 Tome o que é seu, e volte para casa. Eu quero dar também a esse, que foi contratado por último, o mesmo que dei a você. 15 Por acaso não tenho o direito de fazer o que eu quero com aquilo que me pertence? Ou você está com ciúme porque estou sendo generoso?’ 16 Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos.” Comentário: *1-16: No Reino não existem marginalizados. Todos têm o mesmo direito de participar da bondade e misericórdia divinas, que superam tudo o que os homens consideram como justiça. No Reino não há lugar para o ciúme. Aqueles que julgam possuir mais méritos do que os outros devem aprender que o Reino é dom gratuito. A parábola compara o Reino a um proprietário que vai em busca de trabalhadores para sua vinha. Revela uma triste realidade do tempo em que o Evangelho foi redigido e que é tema muito atual: o desemprego (ninguém nos contratou). O narrador insiste sobre a “justiça”. Para Jesus, justo é o que é necessário para uma pessoa suprir suas necessidades básicas do dia a dia (“uma moeda de prata por dia”). O patrão, porque é bom, vê a necessidade do outro e lhe paga o que é necessário para viver o dia. Se no Reino existirem “primeiros e últimos”, os primeiros serão aqueles que a sociedade considera como últimos. O interesse das autoridades e das lideranças deve começar sempre pelos últimos, assim como o capataz começou o pagamento pelos últimos. A parábola nos revela que os primeiros a receber a revelação foram os judeus, mas nem sempre estavam dispostos a abrir a porta também aos que chegaram depois (os pagãos).

Filipenses 1, 20-24.27 Viver para Cristo.

20 O que desejo e espero é não fracassar, mas, agora como sempre, manifestar com toda a coragem a glória de Cristo em meu corpo, tanto na vida, como na morte. 21 Pois para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. 22 Mas, se eu ainda continuar vivendo, poderei fazer algum trabalho útil. Por isso é que não sei bem o que escolher. 23 Fico na indecisão: meu desejo é partir dessa vida e estar com Cristo, e isso é muito melhor. 24 No entanto, por causa de vocês, é mais necessário que eu continue a viver. Lutar pela fé -* 27 Uma só coisa: comportem-se como pessoas dignas do Evangelho de Cristo. Desse modo, indo vê-los ou estando longe, eu ouça dizer que vocês estão firmes num só espírito, lutando juntos numa só alma pela fé do Evangelho Comentário: * 19-26: Paulo provavelmente tem meios para ser solto da prisão e escapar à morte. Mas encontra-se num dilema: viver ou morrer? No contexto da sua fé, as duas coisas se equivalem: viver é estar em função de Cristo, ou seja, da evangelização; e morrer é lucro, pois leva a estar com Cristo. Paulo resolve o dilema, não levando em conta seu próprio interesse, mas o que é melhor para a comunidade: continuar vivo, para ajudar os filipenses a crescer e se realizar plenamente na fé. * 27-30: Os adversários são talvez os pregadores judaizantes, que anunciam um evangelho sem cruz e sem necessidade da graça de Deus. Paulo espera que a comunidade se mantenha firme e unida, testemunhando o Evangelho autêntico. Não se trata apenas de acreditar em Cristo, mas de empenhar-se de fato com Cristo numa luta que pode trazer perseguição e sofrimento, assim como levou Paulo à prisão.