quinta-feira, 14 de maio de 2026
João 16, 20-23 A angústia se transformará em alegria.
20 Eu lhes garanto: vocês vão gemer e se lamentar, enquanto o mundo vai se alegrar. Vocês ficarão angustiados, mas a angústia de vocês se transformará em alegria. 21 Quando a mulher está para dar à luz, sente angústia, porque chegou a sua hora. Mas quando a criança nasce, ela nem se lembra mais da aflição, porque fica alegre por ter posto um homem no mundo. 22 Agora, vocês também estão angustiados. Mas, quando vocês tornarem a me ver, vocês ficarão alegres, e essa alegria ninguém tirará de vocês. 23 Nesse dia, vocês não me farão mais perguntas. Eu garanto a vocês: se vocês pedirem alguma coisa a meu Pai em meu nome, ele a concederá.
Comentário:
* 16-24: A morte de Jesus significará ausência e tristeza. Mas é morte fecunda, pois dará lugar à alegria, uma vez que será o princípio de uma presença nova, a presença do Ressuscitado, que age mediante o Espírito Santo. O que acontece com Jesus acontece com todos: para dar fruto, o grão de trigo deve morrer. Também a comunidade é chamada ao testemunho que pode ir até à morte, como entrega em favor do homem, morrendo para dar a vida.
Na carta aos Coríntios, lemos que a cruz de Cristo é “escândalo para os judeus e loucura para os gregos” (1Cor 1,23). Esse comentário do apóstolo Paulo sobre Cristo crucificado ajuda a compreender o que Jesus afirma no Evangelho de hoje. Sua crucificação aparentemente será uma derrota. O “mundo” se alegrará, ou seja, as forças do mal pensarão ter vencido o Rei da glória. Nesse momento, seus discípulos chorarão e se lamentarão, confusos por ainda não verem e não compreenderem plenamente o que Jesus ensinou. Após a ressurreição, os que seguem Jesus se alegrarão, farão festa, poderão ver toda a verdade anunciada, por isso já não precisarão fazer nenhuma pergunta. Ao mesmo tempo, o “mundo” se dividirá entre os que se escandalizam com o Evangelho, que acham loucura o mandamento do amor, e os cristãos, que são escolhidos e chamados para testemunhar que “Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Cor 1,24).
quarta-feira, 13 de maio de 2026
João 15, 9-17 O fruto do discípulo é o amor.
9 Assim como meu Pai me amou, eu também amei vocês: permaneçam no meu amor. 10 Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11 Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa.
12 O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês. 13 Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos. 14 Vocês são meus amigos, se fizerem o que eu estou mandando. 15 Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos, porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai. 16 Não foram vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês. Eu os destinei para ir e dar fruto, e para que o fruto de vocês permaneça. O Pai dará a vocês qualquer coisa que vocês pedirem em meu nome. 17 O que eu mando é isto: amem-se uns aos outros.”
Comentário:
* 7-17: O fruto que a comunidade é chamada a produzir é o amor. Ora, Jesus não quer uma adesão de servos que obedeçam a um senhor, mas uma adesão livre, de amigos. E a amizade é dom: Jesus é o amigo que dá a vida pelos amigos. A missão da comunidade não nasce da obediência a uma lei, mas do dom livre que participa com alegria da tarefa comum, que é testemunhar o amor de Deus que quer dar vida.
Jesus escolheu e orientou os apóstolos para que dessem continuidade à sua missão, testemunhando o amor de Deus ao mundo. O exemplo de entrega total de Jesus na cruz inspirou os apóstolos a superarem todo medo, enfrentando perigos e perseguições para levar o Evangelho aos quatro cantos do mundo. Como vemos relatado no início dos Atos dos Apóstolos, São Matias não fez parte do grupo dos doze apóstolos desde o princípio, mas era um dos discípulos que acompanharam Jesus do início ao fim de sua vida terrena (cf. Atos 1,21-22). Portanto, foi como se tivesse sido escolhido pelo próprio Jesus Cristo para ocupar o lugar de Judas, o traidor.
terça-feira, 12 de maio de 2026
João 16, 12-15 O Espírito vai guiar o testemunho dos discípulos.
12 “Ainda tenho muitas coisas para dizer, mas agora vocês não seriam capazes de suportar. 13 Quando vier o Espírito da Verdade, ele encaminhará vocês para toda a verdade, porque o Espírito não falará em seu próprio nome, mas dirá o que escutou e anunciará para vocês as coisas que vão acontecer. 14 O Espírito da Verdade manifestará a minha glória, porque ele vai receber daquilo que é meu, e o interpretará para vocês. 15 Tudo o que pertence ao Pai, é meu também. Por isso é que eu disse: o Espírito vai receber daquilo que é meu, e o interpretará para vocês.
Comentário:
* 4b-15: Através do testemunho dos discípulos, o testemunho de Jesus continua na história. Guiados pelo Espírito, os discípulos se tornam capazes de interpretar o mundo a partir da palavra e ação de Jesus. Em qualquer lugar e época, eles irão testemunhar, mostrando que: o pecador é aquele que rejeita a obra de Deus realizada em Jesus e em seus seguidores; o justo é Jesus, presente e atuante naqueles que o testemunham; o condenado é príncipe ou chefe do sistema que condenou Jesus e continua perseguindo seus seguidores. Desse modo, o julgamento de Deus inverte o julgamento dos homens: a morte de Jesus transforma-se em vida, e aqueles que o condenaram, agora são condenados.
Também o Espírito da Verdade fala aquilo que escutou do Pai, transmite a mensagem que emana da comunhão com o Pai e o Filho. Vemos aqui a perfeita unidade que existe na Santíssima Trindade, uma comunhão plena no amor: Pai, Filho e Espírito Santo estão em plena harmonia e união. Desse modo, quando uma das Pessoas da Trindade atua, é a própria Trindade que está presente e age. O Espírito permanece no mundo após a Ascensão de Jesus, mas é toda a Santíssima Trindade que redime o ser humano e que guia o cristão na verdade. Quando abrimos nossa mente e nosso coração para acolher o Espírito, acolhemos também o Filho e o Pai. Todas as três Pessoas da Trindade agem em nós, estão presentes em nós, conduzem–nos no caminho do bem e do amor. Na sua vida cotidiana, como sente a ação da Santíssima Trindade? Já teve alguma experiência especial que comprovou a ação de Deus na sua vida?
segunda-feira, 11 de maio de 2026
João 16, 5-11 O Espírito vai desmascarar o mundo.
5 Mas agora eu vou para aquele que me enviou. E ninguém de vocês pergunta para onde eu vou? 6 Mas porque eu lhes disse essas coisas, a tristeza encheu o coração de vocês. 7 Entretanto, eu lhes digo a verdade: é melhor para vocês que eu vá embora, porque, se eu não for, o Advogado não virá para vocês. Mas se eu for, eu o enviarei.
8 Quando o Advogado vier, ele vai desmascarar o mundo, mostrando quem é pecador, quem é o Justo e quem é o condenado. 9 Quem é pecador? Aqueles que não acreditaram em mim. 10 Quem é o Justo? Sou eu. Mas vocês não me verão mais, porque eu vou para o Pai. 11 Quem é o condenado? É o príncipe deste mundo, que já foi condenado.”
Comentário:
* 4b-15: Através do testemunho dos discípulos, o testemunho de Jesus continua na história. Guiados pelo Espírito, os discípulos se tornam capazes de interpretar o mundo a partir da palavra e ação de Jesus. Em qualquer lugar e época, eles irão testemunhar, mostrando que: o pecador é aquele que rejeita a obra de Deus realizada em Jesus e em seus seguidores; o justo é Jesus, presente e atuante naqueles que o testemunham; o condenado é príncipe ou chefe do sistema que condenou Jesus e continua perseguindo seus seguidores. Desse modo, o julgamento de Deus inverte o julgamento dos homens: a morte de Jesus transforma-se em vida, e aqueles que o condenaram, agora são condenados.
O Espírito da Verdade será enviado pelo Filho para acompanhar a Igreja nascente. Ele continua a nos fortalecer e guiar hoje, cumprindo sempre a tríplice missão anunciada por Jesus: “convencer o mundo a respeito do pecado, da justiça e do julgamento”. No Evangelho de hoje, é o próprio Jesus que explica esta missão do “Advogado”. Ele ajudará o mundo a compreender que condenou à morte um inocente (Jesus), e que, através dessa morte na cruz, todo o pecado humano foi redimido. Ele ajudará o mundo a compreender o verdadeiro significado do mandamento do amor, para que sejamos justos e fiéis à vontade de Deus. Ele nos ajudará a compreender que só participaremos da glória de Cristo se crermos e manifestarmos nossa fé vivendo o Evangelho que Jesus nos ensinou.
domingo, 10 de maio de 2026
João 15, 26-16,4 As testemunhas de Jesus e o ódio do mundo.
26 O Advogado, que eu mandarei para vocês de junto do Pai, é o Espírito da Verdade que procede do Pai. Quando ele vier, dará testemunho de mim. 27 Vocês também darão testemunho de mim, porque vocês estão comigo desde o começo.”
Os discípulos não devem se acovardar -* 1 “Eu disse tudo isso para que vocês não se acovardem. 2 Expulsarão vocês das sinagogas. E vai chegar a hora em que alguém, ao matar vocês, pensará que está oferecendo um sacrifício a Deus. 3 Eles farão assim, porque não conhecem o Pai nem a mim. 4 Eu disse tudo isso para que, quando chegar a hora, vocês se lembrem do que eu disse.”
Comentário:
* 18-27: O sinal concreto da comunidade de Jesus é o amor. O sistema de poder que organiza a sociedade e seus adeptos (o mundo) reage com o ódio, pois não aceita os valores do Evangelho. Não existe possibilidade de conciliação entre o “mundo” e a comunidade de Jesus. A comunidade vive debaixo de suspeita e pressão, e basta um passo para sofrer a perseguição aberta. O confronto cresce, porque o “mundo” não aceita o Deus de Jesus, que denuncia a perversidade da sociedade injusta e liberta o povo oprimido.
* 16,1-4a: A palavra de Jesus se dirige agora aos discípulos, preparando-os para a missão futura. A mesma perseguição e marginalização que eles agora sofrem se repetirá mais tarde em relação a qualquer sociedade e sistema religioso que acoberta a injustiça, porque o cristianismo é radicalmente diferente e contrário ao “mundo”.
Para o cristão, é uma obrigação dar testemunho de Cristo ressuscitado, anunciando o seu Evangelho em todos os lugares e tempos, mesmo que deste testemunho brote a perseguição. Na verdade, a perseguição surge porque a mensagem de Jesus é exigente e desafiadora. Ela provoca a todos, tira todos do estado de letargia, obriga a uma tomada de decisão e posicionamento. Muitos se sentem incomodados e ameaçados, não aceitando uma palavra revolucionária e transformadora. Daí nascem o ódio e a perseguição. Desde o início Jesus deixou claro aos seus discípulos que isso iria acontecer, mas quem é tocado pelo Espírito da Verdade não consegue agir de outra forma a não ser exigindo a verdade do mundo e espalhando por toda parte a semente desta verdade e do amor que a nutre. O mundo pode até matar o corpo, mas nada pode matar a alma de quem é fiel a Jesus Cristo.
sábado, 9 de maio de 2026
1 Pedro 3, 15-18 Quem lhes fará mal?
15 Ao contrário, reconheçam de coração o Cristo como Senhor, estando sempre prontos a dar a razão de sua esperança a todo aquele que a pede a vocês, 16 mas com bons modos, com respeito e mantendo a consciência limpa. Assim, quando vocês forem difamados em alguma coisa, aqueles que criticam o bom comportamento que vocês têm em Cristo ficarão confundidos. 17 Pois, se é da vontade de Deus que vocês sofram, é melhor que seja por praticarem o bem, e não o mal.
Solene compromisso com Deus -* 18 De fato, o próprio Cristo morreu uma vez por todas pelos pecados, o justo pelos injustos, a fim de os conduzir a Deus. Ele sofreu a morte em seu corpo, mas recebeu vida pelo Espírito.
Comentário:
* 13-17: Os sofrimentos, de que fala a carta, não são aqueles provindos de alguma doença ou de uma perseguição programada pelo Estado. São os sofrimentos originados da situação em que se encontram os destinatários: imigrantes sem direitos e, além disso, cristãos com projeto de vida diverso do ambiente em que vivem. Com certeza eles já eram vistos como subversivos e conspiradores (cf. Is 8,12, onde Pedro se inspira). Por outro lado, tais sofrimentos não devem ser suportados pelo sofrimento em si, mas com finalidade bem precisa; “por causa da justiça” (v. 13; cf. também v. 17). Esse sofrimento é uma bem-aventurança (“felizes de vocês”), pois é consequência do testemunho cristão (v. 15).
* 18-22: Diante dos sofrimentos, o modelo sempre é a morte de Jesus, através do qual se realizou o ato definitivo da salvação. Pedro compara duas situações: o tempo de Noé e o tempo dos cristãos. No tempo de Noé, foi salvo um pequeno grupo de justos, enquanto a maioria pereceu. Com a descida de Jesus à mansão dos mortos, também eles tiveram que se confrontar com o Evangelho. No tempo dos cristãos, igualmente existe um grupo menor de batizados (“salvos pela água”), e a maioria ainda não se converteu. Agora, o testemunho dos batizados deve fazer com que os não-convertidos se confrontem com o Evangelho.
João 14, 15-21 O Espírito Santo continua a obra de Jesus.
* 15 “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos. 16 Então, eu pedirei ao Pai, e ele dará a vocês outro Advogado, para que permaneça com vocês para sempre. 17 Ele é o Espírito da Verdade, que o mundo não pode acolher, porque não o vê, nem o conhece. Vocês o conhecem, porque ele mora com vocês, e estará com vocês.
18 Eu não deixarei vocês órfãos, mas voltarei para vocês. 19 Mais um pouco, e o mundo não me verá, mas vocês me verão, porque eu vivo, e também vocês viverão. 20 Nesse dia, vocês conhecerão que eu estou em meu Pai, vocês em mim, e eu em vocês. 21 Quem aceita os meus mandamentos e a eles obedece, esse é que me ama. E quem me ama, será amado por meu Pai. Eu também o amarei e me manifestarei a ele.”
Comentário:
* 15-26: Advogado é alguém que defende uma causa. Jesus envia o Espírito Santo como advogado da comunidade cristã. O Espírito é a memória de Jesus que continua sempre viva e presente na comunidade. Ele ajuda a comunidade a manter e a interpretar a ação de Jesus em qualquer tempo e lugar. O Espírito também leva a comunidade a discernir os acontecimentos para continuar o processo de libertação, distinguindo o que é vida e o que é morte, e realizando novos atos de Jesus na história.
Jesus continua seu discurso de despedida. O Mestre procura animar a esperança dos seus seguidores, prometendo que não os abandonará. Ele lhes garante o dom do Espírito da verdade, o advogado que estará ao lado deles, defendendo-os. São convidados a observar e viver os mandamentos, forma concreta de amar Jesus e seu Pai e ser por eles amados. Mais um pouco e Jesus não mais será visto pelo mundo injusto, mas seus seguidores o verão e sentirão sua presença amorosa se guardarem suas palavras. O evangelista nos apresenta nova imagem de Deus, não mais alguém distante e acessível apenas por mediações, mas um Deus próximo, vivendo em nós e conosco.
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