terça-feira, 27 de outubro de 2026
Lucas 6, 12-19 Os doze apóstolos.
* 12 Nesses dias, Jesus foi para a montanha a fim de rezar. E passou toda a noite em oração a Deus. 13 Ao amanhecer, chamou seus discípulos, e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de apóstolos: 14 Simão, a quem também deu o nome de Pedro, e seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15 Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelota; 16 Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que se tornou traidor.
Anseio por um mundo novo -* 17 Jesus desceu da montanha com os doze apóstolos, e parou num lugar plano. Estava aí numerosa multidão de seus discípulos com muita gente do povo de toda a Judéia, de Jerusalém, e do litoral de Tiro e Sidônia. 18 Foram para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças. E aqueles que estavam atormentados por espíritos maus, foram curados. 19 Toda a multidão procurava tocar em Jesus, porque uma força saía dele, e curava a todos.
Comentário:
* 6-11: Jesus mostra que a lei do sábado deve ser interpretada como libertação e vida para o homem. Por isso, os que preferem ficar com o velho sistema se reúnem para planejar a morte de Jesus: ele está destruindo as ideias de religião e sociedade que eles tinham.
* 12-16: Jesus escolhe os doze apóstolos, que formarão o núcleo da comunidade nova que ele veio criar. A palavra apóstolo significa aquele que Jesus envia para continuar a sua obra.
Simão, chamado “zelota”, e São Judas Tadeu, filho de Tiago, para o diferenciar do traidor, foram dois apóstolos que acompanharam Jesus ao longo da sua vida pública, constituindo o grupo dos doze. Depois de uma noite em oração no alto da montanha, Jesus escolhe esse pequeno grupo, dentre os inúmeros discípulos que o seguiam. Os apóstolos são o fundamento do novo povo de Deus, daí o número doze, como as tribos de Israel. Eles são enviados por Jesus para evangelizar, curar, expulsar demônios, enfim, para ser no mundo a presença do próprio Jesus. O Mestre se preocupa em escolher e constituir uma comunidade formada por discípulos e apóstolos comprometidos com ele, que dão continuidade à missão até hoje.
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Lucas 13, 18-21 O Reino atingirá o mundo inteiro.
* 18 E Jesus dizia: “A que é semelhante o Reino de Deus, e com o que eu poderia compará-lo? 19 Ele é como a semente de mostarda que um homem pega e joga no seu jardim. A semente cresce, torna-se árvore, e as aves do céu fazem seus ninhos nos ramos dela.”
20 Jesus disse ainda: “Com o que eu poderia comparar o Reino de Deus? 21 Ele é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado.”
Comentário:
* 18-21: Cf. nota em Mc 4, 30-34: Diante das estruturas e ações deste mundo, a atividade de Jesus e daqueles que o seguem parece impotente, e mesmo ridícula. Mas ela crescerá, até atingir o mundo inteiro.
A missão de Jesus no mundo é implantar o Reino de Deus, ou seja, reconduzir toda a humanidade de volta à união com o Criador, perdida através do pecado de Adão e Eva. Esse Reino é semeado no coração de cada pessoa, mas seus frutos não são imediatos. Ele é semeado no mundo, mas precisa de tempo para crescer, assim como a mostarda ou o pão, dois exemplos muito próximos dos interlocutores de Jesus, por isso de fácil compreensão. Recordemos que, em outro momento, Jesus usou o mesmo exemplo do grão de mostarda para representar a fé capaz de mover montanhas (Mt 17,20). O fato de ser quase imperceptível na sua origem, ou seja, no início da missão de Jesus, não diminui a força e a potência do Reino, que em breve se tornará a maior das hortaliças e fermentará a massa toda. É preciso ter paciência para aguardar os frutos, confiança em Deus que os faz crescer e esperança para vê-los amadurecer e saciar a todos.
domingo, 25 de outubro de 2026
Lucas 13, 10-17 O sábado foi feito para o homem.
* 10 Jesus estava ensinando numa sinagoga em dia de sábado. 11 Havia aí uma mulher que, fazia dezoito anos, estava com um espírito que a tornava doente. Era encurvada e incapaz de se endireitar. 12 Vendo-a, Jesus dirigiu-se a ela, e disse: “Mulher, você está livre da sua doença.” 13 Jesus colocou as mãos sobre ela, e imediatamente a mulher se endireitou, e começou a louvar a Deus. 14 O chefe da sinagoga ficou furioso, porque Jesus tinha feito uma cura em dia de sábado. E tomando a palavra, começou a dizer à multidão: “Há seis dias para trabalhar. Venham, então, nesses dias e sejam curados, e não em dia de sábado.” 15 O Senhor lhe respondeu: “Hipócritas! Cada um de vocês não solta do curral o boi ou o jumento para dar-lhe de beber, mesmo que seja dia de sábado? 16 Aqui está uma filha de Abraão que Satanás amarrou durante dezoito anos. Será que não deveria ser libertada dessa prisão, em dia de sábado?” 17 Essa resposta deixou confusos todos os inimigos de Jesus. E toda a multidão se alegrava com as maravilhas que Jesus fazia.
Comentário:
* 10-17: O dia de sábado é expressão máxima daquilo que Jesus realiza ao curar a mulher: a comemoração da pessoa libertada. O povo se enche de alegria ao ver como o dia santificado é sinal da vida que Deus dá aos homens, e não um dia de simples rituais obrigatórios pré-estabelecidos.
Hoje temos a aplicação prática do trecho do Evangelho de Mateus que lemos ontem, ou seja, amar ao próximo está em sintonia e é consequência de amar a Deus. Como esse mandamento se reflete no episódio da cura no sábado? O que Jesus quer mostrar aos seus adversários é que o louvor e o respeito a Deus (guardando o sábado) não entram em conflito com a ação de salvar uma pessoa. Negligenciando a natureza humana e as necessidades das pessoas, não estaremos dando maior atenção a Deus. Ao contrário, quando acolhemos o fraco, pobre e excluído é que estamos acolhendo Deus e rendendo graças a ele, pois estamos devolvendo a vida e a dignidade a uma de suas criaturas, a um de seus filhos.
sábado, 24 de outubro de 2026
Mateus 22, 34-40 O centro da vida.
* 34 Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito os saduceus se calarem. Então eles se reuniram em grupo, 35 e um deles perguntou a Jesus para o tentar: 36 “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” 37 Jesus respondeu: “Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. 38 Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39 O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo. 40 Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos.”
Comentário:
* 34-40: Cf. nota em Mc 12, 28-34: Jesus resume a essência e o espírito da vida humana num ato único com duas faces inseparáveis: amar a Deus com entrega total de si mesmo, porque o Deus verdadeiro e absoluto é um só e, entregando-se a Deus, o homem desabsolutiza a si mesmo, o próximo e as coisas; amar ao próximo como a si mesmo, isto é, a relação num espírito de fraternidade e não de opressão ou de submissão. O dinamismo da vida é o amor que tece as relações entre os homens, levando todos aos encontros, confrontos e conflitos que geram uma sociedade cada vez mais justa e mais próxima do Reino de Deus.
Um doutor da Lei lança a pergunta a Jesus: Qual é o mandamento mais importante? Jesus responde que o primeiro mandamento (amar a Deus) está unido ao segundo (amar o próximo). Trata-se dos dois amores da vida; amando um, estaremos amando o outro. A melhor forma de mostrar que amamos a Deus é amando o próximo.
1 Tessalonicenses 1, 5-10 O anúncio provoca conversão.
5 De fato, o Evangelho que pregamos não foi apresentado somente com palavras, mas com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Vocês sabem o que fizemos entre vocês, para o bem de vocês mesmos. 6 E vocês imitaram o nosso exemplo e o exemplo do Senhor, acolhendo a Palavra com a alegria do Espírito Santo, apesar de tantas tribulações. 7 Assim vocês se tornaram modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia. 8 Partindo de vocês, a Palavra do Senhor se propagou, não apenas pela Macedônia e Acaia, mas também por toda parte se espalhou a fé que vocês têm em Deus, de modo que sobre isso nada precisamos dizer. 9 Eles mesmos falam da acolhida que tivemos entre vocês, e de como vocês se converteram, deixando os ídolos e voltando-se para Deus, a fim de servir ao Deus vivo e verdadeiro. 10 Falam também de como vocês esperam que Jesus venha do céu, o Filho de Deus, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos. É ele que nos liberta da ira futura.
Comentário:
* 4-10: Sobre a tribulação, cf. nota em Rm 5,1-11. Paulo relembra o primeiro anúncio (querigma) que provocou a conversão dos tessalonicenses. Conforme os vv. 9-10, esse primeiro anúncio do Evangelho era um convite à mudança radical: deixar os ídolos para servir unicamente ao Deus vivo. Os ídolos são valores considerados absolutos mas que, na realidade, sustentam uma estrutura de sociedade baseada na opressão e exploração do corpo e da consciência do homem. Servir ao Deus vivo é comprometer-se com Jesus Cristo, que manifesta na história a presença e ação do Deus verdadeiro, o qual está comprometido com a libertação e a vida do homem. A conversão é um processo contínuo na história. O cristão dá o seu testemunho, animado sempre pela espera da plena manifestação de Jesus Ressuscitado.
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Lucas 13, 1-9 Urgência da conversão.
* 1 Nesse tempo, chegaram algumas pessoas levando notícias a Jesus sobre os galileus que Pilatos tinha matado, enquanto ofereciam sacrifícios. 2 Jesus respondeu-lhes: “Pensam vocês que esses galileus, por terem sofrido tal sorte, eram mais pecadores do que todos os outros galileus? 3 De modo algum, lhes digo eu. E se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo modo. 4 E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu em cima deles? Pensam vocês que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? 5 De modo algum, lhes digo eu. E se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo modo.” 6 Então Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada no meio da vinha. Foi até ela procurar figos, e não encontrou. 7 Então disse ao agricultor: ‘Olhe! Hoje faz três anos que venho buscar figos nesta figueira, e não encontro nada! Corte-a. Ela só fica aí esgotando a terra’. 8 Mas o agricultor respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e pôr adubo. 9 Quem sabe, no futuro ela dará fruto! Se não der, então a cortarás’.”
Comentário:
* 1-9: No caminho da vida há acontecimentos trágicos. Estes não significam que as vítimas são mais pecadoras do que os outros. Ao contrário, são convites abertos para que se pense no imprevisível dos fatos e na urgência da conversão, para se construir a nova história. A parábola (vv. 6-9) salienta que, em Jesus, Deus sempre dá uma última chance.
Esse trecho do Evangelho é um exemplo concreto do tema abordado nos dias anteriores, ou seja, a atenção aos sinais dos tempos. Jesus utiliza dois eventos históricos ocorridos naquele momento como ponto de partida para desenvolver outra das exigências da vida cristã na espera escatológica. Mostra que a morte pode chegar de improviso, assim como o chamado e o Juízo de Deus chegam quando menos se espera. Para estarmos preparados, devemos nos converter, fazer penitência e realizar boas obras. A parábola que fecha o Evangelho reforça a necessidade de produzirmos frutos, pois a esterilidade leva à morte.
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Lucas 12, 54-59 Interpretar o tempo presente.
* 54 Jesus também dizia às multidões: “Quando vocês veem uma nuvem vinda do ocidente, vocês logo dizem que vem chuva; e assim acontece. 55 Quando vocês sentem soprar o vento do sul, vocês dizem que vai fazer calor; e assim acontece. 56 Hipócritas! Vocês sabem interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que vocês não sabem interpretar o tempo presente? 57 Por que vocês não julgam por si mesmos o que é justo? 58 Quando, pois, você está para se apresentar com seu adversário diante do magistrado, procure resolver o caso com o adversário enquanto estão a caminho, senão este o levará ao juiz, e o juiz entregará você ao guarda, e o guarda o jogará na cadeia. 59 Eu digo: daí você não sairá, enquanto não pagar o último centavo.”
Comentário:
* 54-59: Assim como os homens podem prever o tempo a partir dos sinais da natureza, também é possível reconhecer na atividade de Jesus a manifestação do Reino de Deus. Essa tarefa empenhativa e urgente implica uma decisão a favor ou contra o Reino. É preciso agir enquanto é tempo.
O Evangelho de hoje se divide em duas partes intimamente ligadas, sendo uma consequência da outra. Os primeiros versículos mostram a importância de saber reconhecer o sinal dos tempos, mais especificamente o tempo messiânico, tempo de salvação presente no ministério de Jesus. A segunda parte mostra que tudo isso está em função do Juízo final, ou seja, ao reconhecer que a salvação está próxima, devemos nos converter e nos apresentar de coração puro e consciência limpa diante do juiz. Estar atentos e perscrutar os sinais dos tempos é um dever permanente da Igreja peregrina, como bem nos recordou o Concílio Vaticano II, há 60 anos (cf. Gaudium et Spes, n. 4).
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