segunda-feira, 28 de setembro de 2026

João 1, 47-51 As testemunhas apontam o Salvador.

47 Jesus viu Natanael aproximar-se e comentou: “Eis aí um israelita verdadeiro, sem falsidade.” 48 Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe chamasse você, eu o vi quando você estava debaixo da figueira.” 49 Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel!” 50 Jesus disse: “Você está acreditando só porque eu lhe disse: ‘Vi você debaixo da figueira’? No entanto, você verá coisas maiores do que essas.” 51 E Jesus continuou: “Eu lhes garanto: vocês verão o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.” Comentário: * 35-51: João descreve os sete dias da nova criação. No primeiro dia, João Batista afirma: “No meio de vocês existe alguém que vocês não conhecem.” Nos dias seguintes vemos como João Batista, João, André, Simão, Filipe e Natanael descobrem a Jesus. É sempre uma testemunha que aponta Jesus para outra. O último dia será o casamento em Caná, onde Jesus manifestará a sua glória. “O que vocês estão procurando?” São estas as primeiras palavras de Jesus neste evangelho. Essa pergunta, ele a faz a todos os homens. Nós queremos saber quem é Jesus, e ele nos pergunta sobre o que buscamos na vida. Os homens que encontraram Jesus começaram a conviver com ele. E no decorrer do tempo vão descobrindo que ele é o Mestre, o Messias, o Filho de Deus. O mesmo acontece conosco: enquanto caminhamos com Cristo, vamos progredindo no conhecimento a respeito dele. João Batista era apenas testemunha de Jesus, a quem tudo se deve dirigir. João sabia disso; por isso convida seus próprios discípulos para que se dirijam a Jesus. E os dois primeiros vão buscar outros. É desse mesmo modo que nós encontramos a Jesus: porque outra pessoa nos falou dele ou nos comprometeu numa tarefa apostólica. Jesus sempre reconhece aqueles que o Pai coloca em seu caminho. Ele reconhece Natanael debaixo da figueira e também Simão, escolhido para ser a primeira Pedra da Igreja. Vereis o céu aberto: No sonho de Jacó, os anjos subiam e desciam por uma escada que ligava a terra ao céu (leia Gn 28,10-22). Doravante é Jesus, o Filho do Homem, a nova ligação entre Deus e os homens. Hoje celebramos a festa dos três anjos mais conhecidos e citados na Bíblia: Miguel, Gabriel e Rafael. Miguel, nome hebraico que significa “Quem é como Deus?”, é lembrado no livro de Daniel (Dn 10,13 e 12-1), na carta de São Judas (v. 9) e também no Apocalipse (12,7). Muito venerado pelos judeus, logo se tornou muito popular no culto cristão. Gabriel, “força de Deus”, anunciou o nascimento de João Batista e o de Jesus Cristo (Lc 1,5-22.26-38), sendo citado anteriormente no livro de Daniel (8,16; 9,21). Rafael, “Deus curou”, aparece no livro de Tobias como acompanhante do jovem Tobias em sua viagem e como portador de salvação do velho pai cego. Algumas versões da Escritura apontam Rafael como o anjo que expulsou Adão e Eva do Jardim do Éden.

domingo, 27 de setembro de 2026

Lucas 9, 46-50 Quem é o maior.

* 46 Houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior. 47 Jesus sabia o que estavam pensando. Pegou então uma criança, colocou-a junto de si, 48 e disse a eles: “Quem receber esta criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois, aquele que é o menor entre vocês, esse é o maior.” Quem está a favor de Jesus? -* 49 João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós lhe proibimos, porque ele não anda conosco”. 50 Jesus lhe disse: “Não lhe proíbam. Pois, quem não está contra vocês, está a favor de vocês.” Comentário: * 46-48: Para compreender o messianismo de Jesus é preciso mudar a ideia que se tem a respeito do poder. Enquanto persistir entre os discípulos o desejo do poder que domina, não haverá possibilidade alguma de construir o Reino de Deus. * 49-50: Cf. nota em Mc 9, 38-41: Jesus não quer que o grupo daqueles que o seguem se torne seita fechada e monopolizadora da sua missão. Toda e qualquer ação que desaliena o homem é parte integrante da missão de Jesus. Este pequeno trecho faz a passagem, no Evangelho de Lucas, entre o primeiro período, de atividades na Galileia, e o segundo, com a subida rumo a Jerusalém. Expressa um convite para acompanhar o Mestre neste caminho da paixão, que se caracteriza, sobretudo, pela humilhação. A imagem da criança, bastante usada também por Mateus, revela que a lógica do Reino é diferente da lógica do mundo: no Reino, os maiores são os menores, ou seja, fazendo-nos pequenos, deixaremos maior espaço para que em nós opere a força da graça de Deus. Para entrar no Reino de Deus, devemos nos reconhecer frágeis e carentes como as crianças, mas também devemos cultivar a mesma humildade que as caracteriza. Nos últimos dois versículos, destaca-se ainda o tema da tolerância, outra característica exigida do discípulo de Jesus. Num momento de grande intolerância como o que vivemos, sobretudo no ambiente virtual, é fundamental que o cristão cultive e desenvolva a tolerância, servindo como ponte entre diferentes grupos e pessoas.

sábado, 26 de setembro de 2026

Mateus 21, 28-32 Os dois filhos,

* 28 “O que vocês acham disto? Certo homem tinha dois filhos. Ele foi ao mais velho, e disse: ‘Filho, vá trabalhar hoje na vinha’. 29 O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois arrependeu-se, e foi. 30 O pai dirigiu-se ao outro filho, e disse a mesma coisa. Esse respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. 31 Qual dos dois fez a vontade do pai?” Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O filho mais velho.” Então Jesus lhes disse: “Pois eu garanto a vocês: os cobradores de impostos e as prostitutas vão entrar antes de vocês no Reino do Céu. 32 Porque João veio até vocês para mostrar o caminho da justiça, e vocês não acreditaram nele. Os cobradores de impostos e as prostitutas acreditaram nele. Vocês, porém, mesmo vendo isso, não se arrependeram para acreditar nele.” Comentário: * 28-32: O filho mais velho é figura dos pecadores públicos que se convertem à justiça anunciada por João Batista e por Jesus. O filho mais novo é figura dos chefes do povo, que se consideram justos e não se convertem. Jesus desmascara as autoridades religiosas do seu tempo. A parábola mostra que o importante não são as palavras, mas as ações, o fazer. Podemos enganar os outros com nossas belas palavras, mas nossa prática revela nossas intenções e nossas opções. Jesus diz que os pecadores e as prostitutas precedem as autoridades religiosas no Reino de Deus. Enquanto os pecadores e as prostitutas são excluídos do templo por não cumprirem a Lei, levam a sério o caminho da justiça; as autoridades fazem de sua “suposta justiça” a fonte do seu poder, do seu domínio sobre os outros. Portanto, a parábola denuncia a hipocrisia da elite, que se apresenta como cumpridora da vontade de Deus, quando, de fato, não a cumpre. É clara a mensagem, o importante diante de Deus é o fazer. Os grupos desprezados são os verdadeiros herdeiros do Reino dos Céus. Jesus repreende os “bons” porque acham que já estão vivendo de forma honesta e justa e não há mais o que “melhorar”.

Filipenses 2, 1-11 O Evangelho autêntico.

* 1 Portanto, se há um conforto em Cristo, uma consolação no amor, se existe uma comunhão de espírito, se existe ternura e compaixão, 2 completem a minha alegria: tenham uma só aspiração, um só amor, uma só alma e um só pensamento. 3 Não façam nada por competição e por desejo de receber elogios, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo. 4 Que cada um procure, não o próprio interesse, mas o interesse dos outros. 5* Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo: 6 Ele tinha a condição divina, mas não se apegou a sua igualdade com Deus. 7 Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens. Assim, apresentando-se como simples homem, 8 humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz! 9 Por isso, Deus o exaltou grandemente, e lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome; 10 para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho no céu, na terra e sob a terra; 11 e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. Comentário: * 1-4: Paulo convida a comunidade a evitar as divisões causadas pelo espírito de competição, pelo desejo de receber elogios e pela busca dos próprios interesses. Tais vícios denotam o fechamento egoísta e a autopromoção à custa dos outros. A comunidade deve zelar pela harmonia interna e, para isso, é necessário que haja humildade, cada um considerando os outros superiores a si, e que o empenho tenha sempre em vista o bem comum. * 5-11: Citando um hino conhecido, Paulo mostra qual é o Evangelho da cruz, o Evangelho autêntico, e apresenta em Cristo o modelo da humildade. Embora tivesse a mesma condição de Deus, Jesus se apresentou entre os homens como simples homem. E mais: abriu mão de qualquer privilégio, tornando-se apenas homem que obedece a Deus e serve aos homens. Não bastasse isso, Jesus serviu até o fim, perdendo a honra ao morrer na cruz, como se fosse criminoso. Por isso Deus o ressuscitou e o colocou no posto mais elevado que possa existir, como Senhor do universo e da história. Os cristãos são convidados a fazer o mesmo: abrir mão de todo e qualquer privilégio, até mesmo da boa fama, para pôr-se a serviço dos outros, até o fim.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Lucas 9, 43-45 O Filho do Homem vai ser entregue.

* 37 No dia seguinte, quando desceram da montanha, uma grande multidão foi ao encontro deles. 38 Um homem gritou do meio da multidão: “Mestre, eu te peço, vem ver o meu filho, pois é o meu único filho. 39 Um espírito o ataca e, de repente, solta gritos e o sacode, e o faz espumar. 40 Eu pedi aos teus discípulos o espírito, mas eles não conseguiram.” 41 Jesus disse: “Ó geração sem fé e pervertida! Até quando deverei ficar com vocês, e ter que suportá-los? Traga o menino aqui.” 42 Quando o menino estava se aproximando, o demônio o jogou no chão e o sacudiu. Então Jesus ordenou ao espírito mau, e curou o menino. Depois o entregou a seu pai. 43 Todos ficaram admirados com a grandeza de Deus. O povo estava admirado com tudo o que Jesus fazia. Então Jesus disse aos discípulos: 44 “Prestem atenção ao que eu vou dizer: o Filho do Homem vai ser entregue na mão dos homens.” 45 Mas os discípulos não compreendiam o que Jesus dizia. Isso estava escondido a eles, para que não entendessem. E tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto. Comentário: * 37-45: Enquanto os discípulos não mudarem sua ideia sobre o Messias, jamais realizarão atos de libertação, que dão continuidade à missão de Jesus. A liturgia nos apresenta hoje o segundo anúncio da paixão. Após a confissão de Pedro e o primeiro anúncio da paixão, o evangelista Lucas fala das consequências que disso deve tirar o discípulo que aceita a paixão, depois descreve a transfiguração e a cura do epiléptico, abordando o tema da fé. Isso porque só quando somos iluminados pela fé podemos compreender o anúncio da paixão, que Jesus aqui repete pela segunda vez, de modo mais conciso e direto. A incompreensão dos discípulos mostra que ainda não estão prontos, precisam seguir no itinerário de formação com o Mestre, com uma experiência mais intensa, que se dará em Jerusalém. Ali não precisarão perguntar nada, pois tudo será bastante evidente e todas as palavras serão claras. Com esse episódio, o Evangelho de Lucas encerra o ministério de Jesus na Galileia e inicia a narração da viagem rumo à Cidade Santa, Jerusalém, onde se cumprirá a sua missão.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Lucas 9, 18-22 Jesus é o Messias.

* 18 Certo dia, Jesus estava rezando num lugar retirado, e os discípulos estavam com ele. Então Jesus perguntou: “Quem dizem as multidões que eu sou?” 19 Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que tu és algum dos antigos profetas que ressuscitou.” 20 Jesus perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Pedro respondeu: “O Messias de Deus.” 21 Então Jesus proibiu severamente que eles contassem isso a alguém. 22 E acrescentou: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto, e ressuscitar no terceiro dia.” Comentário: * 18-27: Não basta declarar e aceitar que Jesus é o Messias; é preciso rever a ideia a respeito do Messias, o qual, para construir a nova história, enfrenta os que não querem transformações. Por isso, ele vai sofrer, ser rejeitado e morto. Sua ressurreição será a sua vitória. E quem quiser acompanhar Jesus na sua ação messiânica e participar da sua vitória, terá que percorrer caminho semelhante: renunciar a si mesmo e às glórias do poder e da riqueza. O Evangelho proposto pela liturgia de hoje está em íntima relação com o de ontem e serve como resposta à pergunta de Herodes que ficou em aberto e que, como vimos, será respondida de modo definitivo apenas após a ressurreição de Jesus. Continuamos a refletir sobre “quem é Jesus”, agora com um questionamento dirigido diretamente aos discípulos. Pedro é quem responde, mostrando desde já sua liderança no grupo, que o levou a ser o primeiro papa da Igreja nascente: “Tu és o Messias de Deus”. Que bela e profunda profissão de fé. Jesus é o Messias, o Filho de Deus anunciado por Elias e por João Batista. Mas ainda não é o momento de revelar isso a todos, pois o mistério da salvação passará pela dor, morte e ressurreição ao terceiro dia. Trata-se do primeiro anúncio da paixão feito por Jesus no Evangelho de Lucas.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Lucas 9, 7-9 Jesus começa a inquietar.

* 7 O governador Herodes ouviu falar de tudo o que estava acontecendo, e ficou sem saber o que pensar, porque alguns diziam que João Batista tinha ressuscitado dos mortos; 8 outros diziam que Elias tinha aparecido; outros ainda, que um dos antigos profetas tinha ressuscitado. 9 Então Herodes disse: “Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?” E queria ver Jesus. Comentário: * 7-9: A palavra e ação de Jesus deixam o povo e as autoridades sem saber o que pensar. É que a presença dele força todo mundo a se perguntar: “Quem é esse homem?” O encontro de Jesus e Herodes acontecerá na Paixão (23,6-12). A fama de Jesus se espalhou e chegou aos ouvidos do tetrarca Herodes. Em outro momento (cf. 1º de agosto), tivemos a oportunidade de rever a organização política de Israel no tempo de Jesus, dividida em uma tetrarquia governada pelos filhos de Herodes, o Grande, pai do Herodes mencionado no Evangelho de hoje, mais conhecido por sua relação de adultério com Herodíades e por ter martirizado João Batista, que denunciava tal pecado. Diferentemente de Mateus e Marcos, Lucas não narra o martírio de João por decapitação, em cumprimento a uma promessa descabida de Herodes, logo após o texto que hoje lemos. Aqui, Lucas apenas descreve a confusão do líder político diante da repercussão da mensagem de Jesus: afinal, quem é Jesus? A novidade introduzida por Lucas é o desejo de Herodes de conhecer esse novo “profeta”: “E queria ver Jesus”. Temos uma antecipação ou anúncio do encontro de Jesus com Herodes, durante a paixão – por sinal, apenas descrito por Lucas –, significando que a resposta à pergunta “quem é Jesus?” só pode ser respondida à luz do mistério pascal.