sábado, 30 de maio de 2026

2 Coríntios 13, 11-13 Saudações finais.

11 Ademais, irmãos, fiquem alegres. Procurem a perfeição e animem-se. Tenham os mesmos sentimentos, vivam na paz e o Deus do amor e da paz estará com vocês. 12 Saúdem-se uns aos outros com o beijo santo. Todos os cristãos enviam saudações. 13 Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vocês. Comentário: * 5-10: O essencial é que os coríntios se convertam. Depois disso, a ameaça de intervenção com autoridade será apenas uma vaga lembrança. Se eles se converterem, Paulo não terá como usar o seu poder. Os coríntios parecerão fortes, e Paulo fraco e derrotado, porque os adversários continuarão a dizer que as ameaças dele são puramente verbais. No entanto, ele não busca vitória nem sucesso pessoal; prefere a última hipótese, humilhante para ele, mas gloriosa para os fiéis.

João 3, 16-18 Jesus provoca decisão.

* 16 “Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna. 17 De fato, Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, e sim para que o mundo seja salvo por meio dele. 18 Quem acredita nele, não está condenado; quem não acredita, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus. Comentário: * 16-21: Deus não quer que os homens se percam, nem sente prazer em condená-los. Ele manifesta todo o seu amor através de Jesus, para salvar e dar a vida a todos. Mas a presença de Jesus é incômoda, pois coloca o mundo dos homens em julgamento, provocando divisão e conflito, e exigindo decisão. De um lado, os que acreditam em Jesus e vivem o amor, continuando a palavra e a ação dele em favor da vida. De outro lado, os que não acreditam nele e não vivem o amor, mas permanecem fechados em seus próprios interesses e egoísmo, que geram opressão e exploração; por isso estes sempre escondem suas verdadeiras intenções: não se aproximam da luz. O capítulo três do Evangelho de João inicia com um diálogo entre Jesus e Nicodemos e depois se transforma num monólogo, quando Jesus se revela não apenas a Nicodemos, mas a todos. No texto de hoje, Jesus revela o motivo de sua vinda ao mundo: trazer o amor de Deus pela salvação da humanidade. O Filho de Deus veio para que as pessoas tenham vida plena. A condição exigida é a fé nele, que implica adesão a ele. A acolhida do amor de Deus é um desafio à liberdade humana, que pode acolhê-lo ou rejeitá-lo. Só com pessoas capazes de amar é que se podem construir verdadeiras comunidades seguidoras de Jesus. Deus, no seu Filho, oferece vida plena a todas as pessoas. Estas são convidadas a acolher esse dom precioso. Ao celebrarmos a solenidade da Santíssima Trindade, revela-se o amor do Pai por meio de seu Filho e comunicado pelo Espírito Santo. A solenidade revela um Deus misericordioso para conosco: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito descem juntos ao encontro da humanidade.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Marcos 11, 27-33 Jesus silencia as autoridades.

* 27 Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Jesus estava andando no Templo. E os chefes dos sacerdotes, os doutores da Lei e os anciãos se aproximaram dele. 28 Perguntaram: “Com que autoridade fazes tais coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?” 29 Jesus respondeu: “Vou fazer uma só pergunta. Respondam-me, e eu direi com que autoridade faço isso. 30 O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondam-me.” 31 Eles comentavam entre si: “Se respondemos que vinha do céu, ele vai dizer: ‘Então, por que vocês não acreditaram em João?’ 32 Devemos então dizer que vinha dos homens?” Mas eles tinham medo da multidão, porque todos consideravam João como verdadeiro profeta. 33 Então eles responderam a Jesus: “Não sabemos.” E Jesus disse: “Pois eu também não vou dizer a vocês com que autoridade faço essas coisas.” Comentário: * 27-33: As autoridades tentam fazer uma armadilha para desmoralizar a autoridade de Jesus diante do povo. Mas Jesus usa o mesmo truque: se as autoridades responderem, elas é que ficarão desmoralizadas. Marcos mostra Jesus Cristo em peregrinação a Jerusalém no período da Páscoa judaica. Vemos que ele volta com os discípulos para dormir em Betânia, cerca de cinco quilômetros de Jerusalém, provavelmente na casa dos amigos Lázaro, Marta e Maria. No dia seguinte, volta à Cidade Santa e ao templo. Pelo caminho, é questionado: com que autoridade perdoa os pecados, realiza milagres, expulsa os comerciantes do templo? Traduzindo para uma linguagem de hoje, seria como perguntar a ele: “Quem você pensa que é?”. Jesus não se perturba, pois sabe bem quem é e de onde veio. Sabe que sua autoridade é muito superior à de qualquer chefe ou doutor da Lei. Questionam Jesus, mas não têm coragem de o enfrentar, pois não querem se comprometer e no fundo sabem que ele age em nome de Deus Pai.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Marcos 11, 11-26 O Rei-Messias.

11 Jesus entrou em Jerusalém, no Templo, e olhou tudo ao redor. Mas, como já era tarde, saiu para Betânia com os Doze. Uma sociedade estéril -* 12 No dia seguinte, quando voltavam de Betânia, Jesus sentiu fome. 13 Viu de longe uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. 14 Então Jesus disse à figueira: “Que ninguém mais coma de seus figos.” E os discípulos escutaram o que ele disse. O centro da sociedade estéril -* 15 Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no Templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. 16 Ele não deixava ninguém carregar nada através do Templo. 17 E ensinava o povo, dizendo: “Não está nas Escrituras: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? No entanto, vocês fizeram dela uma toca de ladrões.” 18 Os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei ouviram isso e começaram a procurar um modo de matá-lo. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada com o ensinamento dele. 19 Ao entardecer, Jesus e os discípulos saíram da cidade. Uma comunidade que dá frutos -* 20 Na manhã seguinte, Jesus e os discípulos, passando, viram a figueira que tinha secado até à raiz. 21 Pedro lembrou-se e disse a Jesus: “Olha, Mestre: a figueira que amaldiçoaste secou.” 22 Jesus disse para eles: “Tenham fé em Deus. 23 Eu garanto a vocês: se alguém disser a esta montanha: ‘Levante-se e jogue-se no mar, e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá’. 24 É por isso que eu digo a vocês: tudo o que vocês pedirem na oração, acreditem que já o receberam, e assim será. 25 Quando vocês estiverem rezando, perdoem tudo o que tiverem contra alguém, para que o Pai de vocês que está no céu também perdoe os pecados de vocês. 26 Mas, se vocês não perdoarem, o Pai de vocês que está no céu não perdoará os pecados de vocês.” Comentário: * 1-11: Jesus é o Rei-Messias que vai confrontar-se com o centro da sociedade judaica, simbolizada por Jerusalém e pelo Templo, sede do poder econômico, político, ideológico e religioso. Ele entra na cidade, não como rei guerreiro, mas como simples homem, humilde e pacífico. Ele traz consigo a inversão de um sistema de sociedade apoiado na violência da força militar, que defende os privilegiados. O povo o aclama como aquele que traz o reino da verdadeira justiça. * 12-14: A figueira simboliza a sociedade que Jesus encontra. Tem folhas, mas não tem frutos, tem aparência de vida, mas não alimenta o povo faminto. * 15-19: Acusando e atacando o comércio existente dentro do Templo, Jesus retira as bases sobre as quais se apoiava toda uma sociedade. Com efeito, era com esse comércio que se sustentava grande parte da economia do país. O gesto de Jesus mexe não só com um modo de vida religiosa, mas com toda uma estrutura que usa a religião para estabelecer e assegurar privilégios de uma classe e sustentar uma visão mesquinha de salvação. Por isso, os que se favorecem desse sistema, pensam em matar Jesus, mas temem o povo. * 20-26: A figueira secou: a sociedade que não acolhe a ação transformadora de Jesus morre sem dar frutos. Diante dela Jesus inicia uma comunidade que será o novo templo: comprometida com ele na fé e na confiança em Deus, a comunidade cristã será a semente de nova árvore frutífera para os homens. Marcos nos narra um episódio curioso, com forte carga simbólica: Jesus amaldiçoa e faz secar uma figueira. Essa figueira representa Israel, envolto em tantas práticas exteriores, mas vazio de frutos, incapaz de acolher o Messias e gerar vida nova. A expulsão dos vendilhões do templo é um complemento ao gesto profético anterior, que reforça a esterilidade espiritual dos judeus, preocupados apenas com o ritualismo e o comércio religioso. Quantas falsas igrejas e seitas deveriam ler e compreender o Evangelho de hoje. Enganam o povo com ritos e outras coisas aparentes, mas são incapazes de nos cuidar da alma do ser humano. Jesus convoca à oração verdadeira, a respeitar a casa do Pai, a consagrar-se a Deus e a nada mais. A fé não comporta comércio, é pura doação e reciprocidade.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Marcos 10, 46-52 O verdadeiro discípulo.

* 46 Chegaram a Jericó. Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. Na beira do caminho havia um cego que se chamava Bartimeu, o filho de Timeu; estava sentado, pedindo esmolas. 47 Quando ouviu dizer que era Jesus Nazareno que estava passando, o cego começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” 48 Muitos o repreenderam e mandaram que ficasse quieto. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” 49 Então Jesus parou e disse: “Chamem o cego.” Eles chamaram o cego e disseram: “Coragem, levante-se, porque Jesus está chamando você.” 50 O cego largou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. 51 Então Jesus lhe perguntou: “O que você quer que eu faça por você?” O cego respondeu: “Mestre, eu quero ver de novo.” 52 Jesus disse: “Pode ir, a sua fé curou você.” No mesmo instante o cego começou a ver de novo e seguia Jesus pelo caminho. Comentário: * 46-52: O último milagre de Jesus é uma cura significativa. Ele não abre apenas os olhos do cego, mas também o coração. E o cego curado reconhece Jesus como o Messias (filho de Davi). E, com mais coragem do que Pedro (8,32) e do que o homem rico (10,22), segue a Jesus no caminho para a morte. Desse modo, Bartimeu torna-se o modelo do verdadeiro discípulo. É significativo que a última cura realizada por Jesus tenha ocorrido em Jericó, cidade bastante citada na Sagrada Escritura. Quem não se recorda do cerco de Jericó, com a queda das muralhas da cidade diante dos israelitas liderados por Josué, ajudante e sucessor de Moisés? É em Jericó também que se encontra o monte das Tentações, local onde Jesus teria sido tentado pelo diabo antes de iniciar sua vida pública. Enfim, é simbólico que seja neste pequeno povoado próximo de Jerusalém que Jesus faça um cego ver, sinal messiânico segundo as profecias de Isaías, e deixe que o chamem de filho de Davi, outro sinal messiânico.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Marcos 10, 32-45 Autoridade é serviço.

* 32 Jesus e os discípulos estavam a caminho, subindo para Jerusalém. Jesus ia na frente. Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo. Jesus chamou de novo os Doze à parte e começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com ele: 33 “Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos chefes dos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. 34 Vão caçoar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará.” 35 Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: “Mestre, queremos que faças por nós o que vamos te pedir.” 36 Jesus perguntou: “O que vocês querem que eu lhes conceda?” 37 Eles responderam: “Quando estiveres na glória, deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda.” 38 Jesus então lhes disse: “Vocês não sabem o que estão pedindo. Por acaso vocês podem beber o cálice que eu vou beber? Podem ser batizados com o batismo com que eu vou ser batizado?” 39 Eles responderam: “Podemos.” Jesus então lhes disse: “Vocês vão beber o cálice que eu vou beber, e vão ser batizados com o batismo com que eu vou ser batizado. 40 Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou esquerda. É Deus quem dará esses lugares àqueles, para os quais ele preparou.” 41 Quando os outros dez discípulos ouviram isso, começaram a ficar com raiva de Tiago e João. 42 Jesus chamou-os e disse: “Vocês sabem: aqueles que se dizem governadores das nações têm poder sobre elas, e os seus dirigentes têm autoridade sobre elas. 43 Mas, entre vocês não deverá ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês, 44 e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos. 45 Porque o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos.” Comentário: * 32-45: Jesus anuncia a sua morte como consequência de toda a sua vida. Enquanto isso, Tiago e João sonham com poder e honrarias, suscitando discórdia e competição entre os outros discípulos. Jesus mostra que a única coisa importante para o discípulo é seguir o exemplo dele: servir e não ser servido. Em a nova sociedade que Jesus projeta, a autoridade não é exercício de poder, mas a qualificação para serviço que se exprime na entrega de si mesmo para o bem comum. Jesus continua seu caminho em direção a Jerusalém. Os apóstolos o seguem, mas com medo e assustados. Ainda não conseguem acreditar totalmente na divindade do Mestre, não conseguem reconhecê-lo plenamente como o Messias enviado. Parecem estar mais preocupados com a ceia pascal que vão preparar ou com os lugares onde vão se sentar. Ironia do evangelista para mostrar que discutem coisas secundárias, interessam-se por coisas marginais, banais, em vez de procurarem o essencial e de valorizarem a presença de Jesus, que em breve não estará mais com eles. Pela terceira vez no Evangelho de Marcos, Jesus prenuncia sua paixão, morte e ressurreição.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Marcos 10, 28-31 O Reino é dom e partilha.

28 Pedro começou a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos.” 29 Jesus respondeu: “Eu garanto a vocês: quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e da Boa Notícia, 30 vai receber cem vezes mais. Agora, durante esta vida, vai receber casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, junto com perseguições. E, no mundo futuro, vai receber a vida eterna. 31 Muitos que agora são os primeiros serão os últimos, e muitos que agora são os últimos serão os primeiros.” Comentário: * 17-31: Para entrar no Reino (ou vida eterna) é preciso mais do que observar leis ou regras. O Reino é dom de Deus aos homens, e nele tudo deve ser partilhado entre todos. Isso significa repartir as riquezas em vista de uma igualdade, abolindo o sistema classista. É por isso que os ricos ficam tristes e dificilmente entram no Reino. E o que acontece quando a gente deixa tudo para seguir a Jesus e continuar o seu projeto? Encontra nova sociedade, embora em meio à perseguição, e já vive a certeza da plenitude que virá. Quem segue Jesus deve ser, acima de tudo, humilde e despojado. Os Evangelhos nos apresentam diversas situações em que Jesus pede que os discípulos deixem tudo para segui-lo. Seu próprio nascimento, numa gruta de Belém, rodeado apenas pelos pais e por alguns animais, é sinal do abandono total ao projeto do Pai, que pede o mesmo a todos os que querem segui-lo. Outro sinal é a obediência, aceitando ser o último em tudo. Aquele que está disposto a seguir Jesus não pode ambicionar riqueza ou poder, não pode almejar um alto posto, um cargo de liderança, um status privilegiado e assim por diante. Deve se colocar como o último, lavando os pés dos seus discípulos, abaixando a cabeça diante das acusações, renunciando a qualquer regalia ou privilégio. Essas mesmas características são pedidas a nós hoje, especialmente aos que lideram a Igreja em todos os âmbitos. Por isso, o Vaticano II exorta os bispos, os sacerdotes e toda a Igreja a seguir o modelo de Jesus Cristo. Humildade, obediência e dedicação total ao Reino.