terça-feira, 15 de setembro de 2026

Lucas 5, 31-35 Os filhos da sabedoria.

* 31 “Com quem eu vou comparar os homens desta geração? Com quem se parecem eles? 32 São como crianças que se sentam nas praças, e se dirigem aos colegas, dizendo: ‘Tocamos flauta, e vocês não dançaram; cantamos música triste, e vocês não choraram’. 33 Pois veio João Batista, que não comia nem bebia, e vocês disseram: ‘Ele tem um demônio!’ 34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vocês dizem: ‘Ele é um comilão e beberrão, amigo dos cobradores de impostos e dos pecadores!’ 35 Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos.” Comentário: * 31-35: As autoridades religiosas do tempo de Jesus se comportam de maneira infantil: acusam João Batista de louco, porque é severo demais; acusam Jesus de boa-vida, porque parece muito condescendente. O povo e os cobradores de impostos se comportam de maneira sábia: acolhem João Batista e Jesus, reconhecendo neles a revelação da misericordiosa justiça de Deus. Em Lucas 7,18 vemos que os discípulos de João Batista informam-no sobre a ação de Jesus. João quer confirmar se Jesus é de fato o Messias, por isso manda seus discípulos para perguntarem diretamente a ele: “És tu aquele que deve vir, ou devemos esperar outro?”. João é prático e direto, homem de ação, indo direto ao ponto. Jesus é igualmente um homem de ação, por isso responde aos discípulos com o eloquente testemunho das suas curas e milagres. Isso tudo para dizer que o Evangelho que hoje meditamos só faz sentido à luz do contexto anterior, ou seja, quem tem o coração aberto para ver os sinais da messianidade anunciada pelos profetas consegue identificar Jesus como “aquele que devia vir”, o Messias. Os demais, fariseus, doutores da Lei e todos os que têm o coração endurecido, encontrarão sempre desculpas para “não verem” os sinais do Reino que transforma o mundo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

João 19, 25-27 A relação entre Israel e a comunidade de Jesus.

* 25 A mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cléofas, e Maria Madalena estavam junto à cruz. 26 Jesus viu a mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava. Então disse à mãe: “Mulher, eis aí o seu filho.” 27 Depois disse ao discípulo: “Eis aí a sua mãe.” E dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa. Comentário: * 25-27: A mãe de Jesus representa aqui o povo da antiga aliança que se conservou fiel às promessas e espera pelo salvador. E o discípulo amado representa o novo povo de Deus, formado por todos os que dão sua adesão a Jesus. Na relação mãe-filho, o evangelista mostra a unidade e continuação do povo de Deus, fiel à promessa e herdeiro da sua realização. A devoção às dores de Maria tem origem popular, passando posteriormente para a liturgia, quando o papa Pio VII introduziu a celebração da Bem-aventurada Virgem Maria das Dores, que hoje celebramos. A participação dolorosa da Mãe do Salvador em sua obra de salvação é atestada na hora da cruz pelo evangelista João, que a recebeu em sua casa como verdadeira Mãe, tornando todo discípulo de Jesus Cristo também filho de Maria (“Mulher, eis aí o seu filho”). A tradição, difundida particularmente pelos servitas e pelos passionistas, especificou sete dores de Nossa Senhora, que são: 1. A profecia de Simeão sobre Jesus (Lc 2,22-35); A perseguição de Herodes e a fuga para o Egito (Mt 2,13-21); 3. A perda do menino Jesus no templo de Jerusalém (Lc 2,41-51); 4. O encontro doloroso de Maria com seu Filho Jesus carregando a cruz, no caminho para o Calvário (via crucis); Maria aos pés da cruz (Jo 19,25-27); 6. Maria recebe em seus braços o corpo do seu filho morto tirado da cruz (Mt 27,55-61); 7. Maria observa quando depositam o corpo de Jesus no sepulcro, ficando em triste solidão (Jo 19,38-42).

domingo, 13 de setembro de 2026

João 3, 13-17 A vida nova vem de Jesus.

13 Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu: o Filho do Homem. 14 Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, do mesmo modo é preciso que o Filho do Homem seja levantado. 15 Assim, todo aquele que nele acreditar, nele terá a vida eterna.” Jesus provoca decisão -* 16 “Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna. 17 De fato, Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, e sim para que o mundo seja salvo por meio dele. Comentário: * 9-15: A grande novidade que Deus tem para os homens está em Jesus, que vai revelar na cruz a vida nova. Aí ele demonstra o maior ato de amor: a doação de sua própria vida em favor dos homens. * 16-21: Deus não quer que os homens se percam, nem sente prazer em condená-los. Ele manifesta todo o seu amor através de Jesus, para salvar e dar a vida a todos. Mas a presença de Jesus é incômoda, pois coloca o mundo dos homens em julgamento, provocando divisão e conflito, e exigindo decisão. De um lado, os que acreditam em Jesus e vivem o amor, continuando a palavra e a ação dele em favor da vida. De outro lado, os que não acreditam nele e não vivem o amor, mas permanecem fechados em seus próprios interesses e egoísmo, que geram opressão e exploração; por isso estes sempre escondem suas verdadeiras intenções: não se aproximam da luz. As palavras do Evangelho seguem o colóquio de Jesus com Nicodemos e nos apresentam o objetivo da fé cristã que dá a vida: a paixão de Jesus e o amor de Deus, que, em seu Filho, quer a salvação da humanidade. A exemplo da serpente levantada por Moisés no deserto, assim Jesus será levantado no alto da cruz, donde atrairá as pessoas que acreditam nele para serem salvas. O Evangelho nos narra o grande amor de Deus por ter entregue seu Filho à condição humana e à morte. O objetivo dessa entrega é salvar e perdoar a humanidade, e não a condenar. Acreditando nesse amor, teremos a vida verdadeira e seremos libertos para sempre. A cruz de Cristo revela o grande amor de Deus pela humanidade. Da cruz de Cristo vem a misericórdia de Deus que abraça o mundo com amor.

sábado, 12 de setembro de 2026

Romanos 14, 7-9 Não brigar por coisas secundárias.

7 Porque nenhum de vocês vive para si mesmo, e ninguém morre para si mesmo. 8 Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. 9 Cristo morreu e voltou à vida para ser o Senhor dos mortos e dos vivos. Comentário: * 1-9: A comunidade cristã, que verdadeiramente possui objetivo e procura realizá-lo com convicção, não se perde em questões secundárias; estas podem provocar desunião e dispersar as forças necessárias para se atingir a meta proposta. E o principal na vida cristã é viver para Deus, dando testemunho de Jesus Cristo. Nas coisas secundárias, cada um deve agir segundo a sua própria convicção.

Mateus 18, 21-35 Perdoar sem limites.

-* 21 Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22 Jesus respondeu: “Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. 25 Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: ‘Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo’. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. 28 Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague logo o que me deve’. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dê-me um prazo, e eu pagarei a você’. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. 32 O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: ‘Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. 33 E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?’ 34 O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.” Comentário: * 21-35: Na comunidade de Jesus não existem limites para o perdão (setenta vezes sete). Ao entrar na comunidade, cada pessoa já recebeu do Pai um perdão sem limites (dez mil talentos). A vida na comunidade precisa, portanto, basear-se no amor e na misericórdia, compartilhando entre todos esse perdão que cada um recebeu. Outra proposta a ser vivida na comunidade dos discípulos e discípulas de Jesus é a do perdão. Nossa mesquinhez procura estabelecer limite: até sete vezes? Toda vez que rezamos o pai-nosso, pedimos o perdão a Deus e nos dispomos a perdoar. Sempre desejamos o perdão divino, mas nem sempre estamos dispostos a estendê-lo aos irmãos e irmãs. Penso que se trata do perdão entre as pessoas da comunidade, onde o pobre endividado necessitava do cancelamento da sua dívida. Sabemos que a vivência em comunidade e na sociedade não é fácil, pois todos temos nossos defeitos, grandes ou pequenos. Aqui provavelmente se trata de pequenas ofensas entre as pessoas no seu dia a dia. Não se refere aos grandes roubos, que acontecem entre os grandes e na esfera pública e que mais lesam os cidadãos. O perdão também não significa permitir o desvio que acontece na sociedade, prejudicando o investimento no bem comum. O perdão é fundamental para construirmos uma “cultura da paz” e combatermos a “cultura da violência”.

Lucas 6, 43-49 Os atos revelam a pessoa.

* 43 “Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons; 44 porque toda árvore é conhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem se apanham uvas de plantas espinhosas. 45 O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, mas o homem mau tira do seu mal coisas más, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio.” Passar para a ação -* 46 “Por que vocês me chamam: ‘Senhor! Senhor!’, e não fazem o que eu digo? 47 Vou mostrar a vocês com quem se parece todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática. 48 É semelhante a um homem que construiu uma casa: cavou fundo e colocou o alicerce sobre a rocha. Veio a enchente, a enxurrada bateu contra a casa, mas não conseguiu derrubá-la, porque estava bem construída. 49 Aquele que ouve e não põe em prática, é semelhante a um homem que construiu uma casa sobre a terra, sem alicerce. A enxurrada bateu contra a casa, e ela imediatamente desabou; e foi grande a ruína dessa casa.” Comentário: * 43-45: Assim como as árvores são conhecidas pelos frutos, do mesmo modo os homens são conhecidos pelos seus atos. * 46-49: Quem põe em prática a mensagem de Jesus, constrói a vida pessoal e comunitária sobre alicerce firme, que resiste à alienação, aos conflitos e até mesmo à perseguição. Quem fica somente no ouvir ou no falar, jamais colabora na construção de nova sociedade. Todos recordaremos que, certa vez, Jesus, contrapondo-se ao ritualismo farisaico, disse que o que torna o ser humano impuro não é o alimento que ingere, mas o que sai de seu interior. Pois a primeira parte do Evangelho de hoje exemplifica e aprofunda tal afirmação, especialmente o v. 45. Se cultivamos o mal no nosso coração, como pretendemos colher frutos bons? Sabedoria profunda, que deve iluminar a nossa vida. Hoje está na moda a PNL (Programação Neurolinguística), abordagem de comunicação, psicoterapia e autodesenvolvimento que afirma que existe uma conexão entre a parte neurológica e a linguagem e os padrões comportamentais. Ela pode nos ajudar, mas o ensinamento de Jesus vai muito além e diz que é a centelha divina que cultivamos através da fé que deve ser cultivada no nosso interior, e assim todos os frutos gerados serão bons.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Lucas 6, 39-42 Só Deus pode julgar.

39 Jesus contou uma parábola aos discípulos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? 40 Nenhum discípulo é maior do que o mestre; e todo discípulo bem formado será como o seu mestre. 41 Por que você fica olhando o cisco no olho do seu irmão, e não presta atenção na trave que há no seu próprio olho? 42 Como é que você pode dizer ao seu irmão: ‘Irmão, deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando você não vê a trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave do seu próprio olho, e então você enxergará bem, para tirar o cisco do olho do seu irmão.” Comentário: * 37-42: Cf. nota em Mt 7,1-5. Lucas salienta que as relações numa sociedade nova não devem ser de julgamento e condenação, mas de perdão e dom. Só Deus pode julgar. A parábola de hoje, que na verdade se divide em três imagens ou três ensinamentos, fala sobre a misericórdia e a gratuidade, especialmente na vida em comunidade. Serve para alertar os dirigentes e guias da comunidade, para que vivam com coerência e evitem a tentação de se impor aos outros. Por isso, aquele que não tem clareza ou visão do futuro não pode guiar outro “cego”; o líder deve motivar e orientar a comunidade, não se fazer superior a ela; e ninguém tem o direito de criticar o outro se antes não fizer uma autocrítica sobre suas ações. Tais atitudes revelam os bons líderes comunitários, e teríamos muitos bons nomes para citar, no Brasil e no mundo. Você se recorda de algum ou tem particular admiração por algum líder cristão?