sábado, 24 de outubro de 2026

Mateus 22, 34-40 O centro da vida.

* 34 Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito os saduceus se calarem. Então eles se reuniram em grupo, 35 e um deles perguntou a Jesus para o tentar: 36 “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” 37 Jesus respondeu: “Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. 38 Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39 O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo. 40 Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos.” Comentário: * 34-40: Cf. nota em Mc 12, 28-34: Jesus resume a essência e o espírito da vida humana num ato único com duas faces inseparáveis: amar a Deus com entrega total de si mesmo, porque o Deus verdadeiro e absoluto é um só e, entregando-se a Deus, o homem desabsolutiza a si mesmo, o próximo e as coisas; amar ao próximo como a si mesmo, isto é, a relação num espírito de fraternidade e não de opressão ou de submissão. O dinamismo da vida é o amor que tece as relações entre os homens, levando todos aos encontros, confrontos e conflitos que geram uma sociedade cada vez mais justa e mais próxima do Reino de Deus. Um doutor da Lei lança a pergunta a Jesus: Qual é o mandamento mais importante? Jesus responde que o primeiro mandamento (amar a Deus) está unido ao segundo (amar o próximo). Trata-se dos dois amores da vida; amando um, estaremos amando o outro. A melhor forma de mostrar que amamos a Deus é amando o próximo.

1 Tessalonicenses 1, 5-10 O anúncio provoca conversão.

5 De fato, o Evangelho que pregamos não foi apresentado somente com palavras, mas com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Vocês sabem o que fizemos entre vocês, para o bem de vocês mesmos. 6 E vocês imitaram o nosso exemplo e o exemplo do Senhor, acolhendo a Palavra com a alegria do Espírito Santo, apesar de tantas tribulações. 7 Assim vocês se tornaram modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia. 8 Partindo de vocês, a Palavra do Senhor se propagou, não apenas pela Macedônia e Acaia, mas também por toda parte se espalhou a fé que vocês têm em Deus, de modo que sobre isso nada precisamos dizer. 9 Eles mesmos falam da acolhida que tivemos entre vocês, e de como vocês se converteram, deixando os ídolos e voltando-se para Deus, a fim de servir ao Deus vivo e verdadeiro. 10 Falam também de como vocês esperam que Jesus venha do céu, o Filho de Deus, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos. É ele que nos liberta da ira futura. Comentário: * 4-10: Sobre a tribulação, cf. nota em Rm 5,1-11. Paulo relembra o primeiro anúncio (querigma) que provocou a conversão dos tessalonicenses. Conforme os vv. 9-10, esse primeiro anúncio do Evangelho era um convite à mudança radical: deixar os ídolos para servir unicamente ao Deus vivo. Os ídolos são valores considerados absolutos mas que, na realidade, sustentam uma estrutura de sociedade baseada na opressão e exploração do corpo e da consciência do homem. Servir ao Deus vivo é comprometer-se com Jesus Cristo, que manifesta na história a presença e ação do Deus verdadeiro, o qual está comprometido com a libertação e a vida do homem. A conversão é um processo contínuo na história. O cristão dá o seu testemunho, animado sempre pela espera da plena manifestação de Jesus Ressuscitado.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Lucas 13, 1-9 Urgência da conversão.

* 1 Nesse tempo, chegaram algumas pessoas levando notícias a Jesus sobre os galileus que Pilatos tinha matado, enquanto ofereciam sacrifícios. 2 Jesus respondeu-lhes: “Pensam vocês que esses galileus, por terem sofrido tal sorte, eram mais pecadores do que todos os outros galileus? 3 De modo algum, lhes digo eu. E se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo modo. 4 E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu em cima deles? Pensam vocês que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? 5 De modo algum, lhes digo eu. E se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo modo.” 6 Então Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada no meio da vinha. Foi até ela procurar figos, e não encontrou. 7 Então disse ao agricultor: ‘Olhe! Hoje faz três anos que venho buscar figos nesta figueira, e não encontro nada! Corte-a. Ela só fica aí esgotando a terra’. 8 Mas o agricultor respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e pôr adubo. 9 Quem sabe, no futuro ela dará fruto! Se não der, então a cortarás’.” Comentário: * 1-9: No caminho da vida há acontecimentos trágicos. Estes não significam que as vítimas são mais pecadoras do que os outros. Ao contrário, são convites abertos para que se pense no imprevisível dos fatos e na urgência da conversão, para se construir a nova história. A parábola (vv. 6-9) salienta que, em Jesus, Deus sempre dá uma última chance. Esse trecho do Evangelho é um exemplo concreto do tema abordado nos dias anteriores, ou seja, a atenção aos sinais dos tempos. Jesus utiliza dois eventos históricos ocorridos naquele momento como ponto de partida para desenvolver outra das exigências da vida cristã na espera escatológica. Mostra que a morte pode chegar de improviso, assim como o chamado e o Juízo de Deus chegam quando menos se espera. Para estarmos preparados, devemos nos converter, fazer penitência e realizar boas obras. A parábola que fecha o Evangelho reforça a necessidade de produzirmos frutos, pois a esterilidade leva à morte.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Lucas 12, 54-59 Interpretar o tempo presente.

* 54 Jesus também dizia às multidões: “Quando vocês veem uma nuvem vinda do ocidente, vocês logo dizem que vem chuva; e assim acontece. 55 Quando vocês sentem soprar o vento do sul, vocês dizem que vai fazer calor; e assim acontece. 56 Hipócritas! Vocês sabem interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que vocês não sabem interpretar o tempo presente? 57 Por que vocês não julgam por si mesmos o que é justo? 58 Quando, pois, você está para se apresentar com seu adversário diante do magistrado, procure resolver o caso com o adversário enquanto estão a caminho, senão este o levará ao juiz, e o juiz entregará você ao guarda, e o guarda o jogará na cadeia. 59 Eu digo: daí você não sairá, enquanto não pagar o último centavo.” Comentário: * 54-59: Assim como os homens podem prever o tempo a partir dos sinais da natureza, também é possível reconhecer na atividade de Jesus a manifestação do Reino de Deus. Essa tarefa empenhativa e urgente implica uma decisão a favor ou contra o Reino. É preciso agir enquanto é tempo. O Evangelho de hoje se divide em duas partes intimamente ligadas, sendo uma consequência da outra. Os primeiros versículos mostram a importância de saber reconhecer o sinal dos tempos, mais especificamente o tempo messiânico, tempo de salvação presente no ministério de Jesus. A segunda parte mostra que tudo isso está em função do Juízo final, ou seja, ao reconhecer que a salvação está próxima, devemos nos converter e nos apresentar de coração puro e consciência limpa diante do juiz. Estar atentos e perscrutar os sinais dos tempos é um dever permanente da Igreja peregrina, como bem nos recordou o Concílio Vaticano II, há 60 anos (cf. Gaudium et Spes, n. 4).

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Lucas 12, 49-53 Jesus é sinal de contradição.

* 49 “Eu vim para lançar fogo sobre a terra: e como gostaria que já estivesse aceso! 50 Devo ser batizado com um batismo, e como estou ansioso até que isso se cumpra! 51 Vocês pensam que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu lhes digo, vim trazer divisão. 52 Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas, e duas contra três. 53 Ficarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra.” Comentário: * 49-53: A missão de Jesus, desde o batismo até a cruz, é anunciar e tornar presente o Reino, entrando em choque com as concepções dominantes na sociedade. Por isso, é preciso tomar uma decisão diante de Jesus, e isso provoca divisões até mesmo no relacionamento familiar. Numa análise superficial do Evangelho de hoje, poderíamos acusar Jesus de promover a violência e a divisão. Logo ele, que é a paz verdadeira: “Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz” (Jo 14,27). Não, Jesus Cristo não quer a divisão e a guerra, mas exige decisão e uma atitude clara diante da proposta do Evangelho. Em certo sentido, é um “agitador político”, pois incita-nos a tomar posição: a favor ou contra o projeto de Deus, a favor ou contra o Evangelho, a favor ou contra a verdade, a favor ou contra a vida, a favor ou contra o mandamento do amor… O mesmo vale para nós, hoje. Como nos posicionamos diante das injustiças do mundo? Como reagimos diante da desigualdade, da corrupção política, da economia que mata, da falta de amor ao próximo, do aborto, da incoerência de tantos cristãos? O Evangelho nos questiona e nos pede ações.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Lucas 12, 39-48 Vigilância e responsabilidade.

39 Mas, fiquem certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que lhe arrombasse a casa. 40 Vocês também estejam preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que vocês menos esperarem.” 41 Então Pedro disse a Jesus: “Senhor, estás contando essa parábola só para nós, ou para todos?” 42 E o Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel e prudente, que o senhor coloca à frente do pessoal de sua casa, para dar a comida a todos na hora certa? 43 Feliz o empregado que o senhor, ao chegar, encontra fazendo isso! 44 Em verdade, eu digo a vocês: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. 45 Mas, se esse empregado pensar: ‘Meu patrão está demorando’, e se puser a surrar os criados e criadas, a comer, beber, e embriagar-se, 46 o senhor desse empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista. O senhor o expulsará de casa, e o fará tomar parte do destino dos infiéis. 47 Todavia aquele empregado que, mesmo conhecendo a vontade do seu senhor, não ficou preparado, nem agiu conforme a vontade dele, será chicoteado muitas vezes. 48 Mas, o empregado que não sabia, e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido.” Comentário: * 35-48: Esperando continuamente a chegada imprevisível do Senhor que serve, a comunidade cristã permanece atenta, concretizando a busca do Reino através da prontidão para o serviço fraterno. Os vv. 41-46 mostram que isso vale ainda mais para os dirigentes da comunidade, que receberam de Jesus o encargo de servir, provendo às necessidades da comunidade. A responsabilidade é ainda maior, quando se sabe o que deve ser feito (vv. 47-48). Continuamos a refletir sobre o tema da vigilância, ajudados agora por uma parábola. A participação de Pedro mostra que o testemunho primeiro deve ser dado pelos líderes religiosos, demonstrando atitude de espera vigilante, em plena sintonia com a vontade de Deus revelada no Evangelho. Os líderes não são os “donos da fazenda”, mas administradores a quem o Mestre confiou o cuidado dos “servos” e de todos os seus bens. Devem, portanto, fazer a vontade de Deus e garantir que todos tomem parte na “lavoura”. Quanto maior o bem confiado, mais lhe será cobrado.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Lucas 12, 35-38 Vigilância e responsabilidade.

* 35 “Estejam com os rins cingidos e com as lâmpadas acesas. 36 Sejam como homens que estão esperando o seu senhor voltar da festa de casamento: tão logo ele chega e bate, eles imediatamente vão abrir a porta. 37 Felizes dos empregados que o senhor encontra acordados quando chega. Eu garanto a vocês: ele mesmo se cingirá, os fará sentar à mesa, e, passando, os servirá. 38 E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão se assim os encontra! Comentário: * 35-48: Esperando continuamente a chegada imprevisível do Senhor que serve, a comunidade cristã permanece atenta, concretizando a busca do Reino através da prontidão para o serviço fraterno. Os vv. 41-46 mostram que isso vale ainda mais para os dirigentes da comunidade, que receberam de Jesus o encargo de servir, provendo às necessidades da comunidade. A responsabilidade é ainda maior, quando se sabe o que deve ser feito (vv. 47-48). A “vigilância” é o tema central da liturgia de hoje. Na Bíblia, vigiar equivale a não ceder à preguiça ou ao desânimo (como os que dormem); significa escutar a vontade de Deus e responder sim em toda ocasião. Em diversos trechos da Sagrada Escritura, somos convidados a vigiar, rezar e dar graças constantemente, como no Evangelho que hoje meditamos. Apesar de pequeno, este trecho é carregado de símbolos e referências. Os “rins cingidos”, por exemplo, lembram a atitude dos hebreus em vias de deixar o Egito (Ex 12,11), enquanto as “lâmpadas acesas” remetem à parábola das dez virgens (Mt 25,1-13). Tudo isso mostra que a vida do cristão deve ser inteiramente voltada para preparar o encontro com o Senhor, numa espera vigilante, ou seja, ativa e perseverante. Mesmo que esta espera seja longa, devemos saber esperar, pois assim seremos “bem-aventurados” ou felizes (v. 37). E nós, vivemos em atitude de espera vigilante?