quarta-feira, 29 de abril de 2026

João 13, 16-20 Quem segue Jesus deve servir.

16 Eu garanto a vocês: o servo não é maior do que o seu senhor, nem o mensageiro é maior do que aquele que o enviou. 17 Se vocês compreenderam isso, serão felizes se o puserem em prática.” Jesus é traído por um discípulo -* 18 “Eu não falo de todos vocês. Eu conheço aqueles que escolhi, mas é preciso que se cumpra o que está na Escritura: ‘Aquele que come pão comigo, é o primeiro a me trair!’ 19 Digo isso agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, vocês acreditem que Eu Sou. 20 Eu garanto a vocês: quem recebe aquele que eu envio, está recebendo a mim, e quem me recebe, está recebendo aquele que me enviou.” Comentário: * 1-17: A morte de Jesus abre a passagem para o Pai, e testemunha o amor supremo que mostra o sentido de toda a sua vida. O gesto de Jesus é ensinamento: a autoridade só pode ser entendida como função de serviço aos outros. Pedro resiste, porque ainda acredita que a desigualdade é legítima e necessária, e não entende que o amor produz igualdade e fraternidade. Na comunidade cristã existe diferença de funções, mas todas elas devem concorrer para que o amor mútuo seja eficaz. Já não se justifica nenhum tipo de superioridade, mas somente a relação pessoal de irmãos e amigos. * 18-30: A longa noite da paixão começa com a traição de Judas, símbolo da traição que pode estar presente dentro da própria comunidade cristã. Aproxima-se a hora de Jesus, e João inicia a narração desta etapa da sua vida com o acontecimento da última ceia. Após lavar os pés dos apóstolos e recomendar-lhes que façam o mesmo, ou seja, que sirvam o próximo sempre com humildade, Jesus inicia um discurso no qual anuncia a traição de Judas e a negação de Pedro. É nesse contexto que encontramos o trecho do Evangelho proposto para a nossa meditação de hoje, com dois ensinamentos presentes inclusive nos sinóticos e que aqui são declarados como bem-aventuranças: se praticarem isso serão “felizes”. O primeiro recorda que “o servo não é maior do que o seu senhor”; portanto, se o Senhor deu o exemplo de humildade e doação, os discípulos devem imitá-lo. O segundo ensinamento diz que “quem recebe algum dos enviados de Jesus é a ele que recebe”, e quem receber Jesus está abrindo as portas de sua casa para o Pai que o enviou.

terça-feira, 28 de abril de 2026

João 12, 44-50 A palavra de Jesus julga os homens.

* 44 Então Jesus disse, gritando: “Quem acredita em mim, não é em mim que acredita, mas naquele que me enviou. 45 Quem me vê, vê também aquele que me enviou. 46 Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que acredita em mim não fique nas trevas. 47 Eu não condeno quem ouve as minhas palavras e não obedece a elas, porque eu não vim para condenar o mundo, mas para salvar o mundo. 48 Quem me rejeita e não aceita minhas palavras, já tem o seu juiz: a palavra que eu falei será o seu juiz no último dia. 49 Porque eu não falei por mim mesmo. O Pai que me enviou, ele é quem me ordenou o que eu devia dizer e falar. 50 E eu sei que o mandamento dele é a vida eterna. Portanto, o que digo, eu o digo conforme o Pai me disse.” Comentário: * 44-50: Toda ideia ou teoria sobre Deus que não esteja de acordo com a palavra e ação de Jesus é falsa. Porque Jesus é a revelação do próprio Deus. E a missão de Jesus se estende a todos, mas cada um permanece livre de aceitar a sua oferta. A recusa da vida, porém, traz consigo a escolha da própria morte. João conclui a primeira parte do seu Evangelho com uma síntese sobre a origem da autoridade de Jesus, que ajuda a compreender todos os sinais que ele fez e que foram descritos ao longo desta primeira parte, normalmente intitulada “sinais e discursos de revelação” ou simplesmente “livro dos sinais”. Sua autoridade vem do Pai, que o enviou como luz do mundo. Jesus Cristo é o único revelador do Pai e a única salvação para nós. Ele fala o que o Pai lhe ordenou, por isso quem acredita e acolhe suas palavras, acredita no próprio Deus que julga cada um de nós. Quem escuta sua palavra está pronto para testemunhar o “cumprimento do amor”, descrito na segunda parte do Evangelho de João.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

João 10, 22-30 As credenciais de Jesus são as suas obras.

* 22 Em Jerusalém estava sendo celebrada a festa da Dedicação. Era inverno. 23 Jesus passeava pelo Templo, andando no pórtico de Salomão. 24 Então as autoridades dos judeus o rodearam e disseram: “Até quando nos irás deixar em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente.” 25 Jesus respondeu: “Eu já disse, mas vocês não acreditam em mim. As obras que eu faço em nome do meu Pai, dão testemunho de mim; 26 vocês, porém, não querem acreditar, porque vocês não são minhas ovelhas. 27 Minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem. 28 Eu dou a elas vida eterna, e elas nunca morrerão. Ninguém vai arrancá-las da minha mão. 29 O Pai, que tudo entregou a mim, é maior do que todos. Ninguém pode arrancar coisa alguma da mão do Pai. 30 O Pai e eu somos um.” Comentário: * 22-39: Jesus define sua condição de Messias, apresentando-se como o Filho de Deus. As provas de seu messianismo não são teorias jurídicas, mas fatos concretos: suas ações comprovam que é Deus quem age nele. A narrativa de hoje é rica de detalhes e referências. O fato de Jesus caminhar (em grego, “peripatein”) no templo alude à uma famosa escola de filosofia grega, os peripatéticos; assim como o pórtico (“stoá”) faz lembrar do estoicismo, outra escola filosófica grega. Jesus é um mestre maior do que qualquer um dos filósofos, pois ele é a Sabedoria encarnada. Outro detalhe destacado pelo evangelista João é o contexto da festa da Dedicação, que durava oito dias. Essa festa (em hebraico, Hanukkah) celebrava a dedicação e a reconsagração do templo de Jerusalém, profanado por Antíoco IV, após a vitória de Judas Macabeu sobre Israel, no ano 164 a.C. Jesus associa essa festa a si mesmo, referindo-se à sua própria consagração pelo Pai, que será mencionada mais adiante, no v. 36.

domingo, 26 de abril de 2026

João 10, 11-18 Jesus é o único caminho.

11 Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. 12 O mercenário, que não é pastor a quem pertencem, e as ovelhas não são suas, quando vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e sai correndo. Então o lobo ataca e dispersa as ovelhas. 13 O mercenário foge porque trabalha só por dinheiro, e não se importa com as ovelhas. 14 Eu sou o bom pastor: conheço minhas ovelhas, e elas me conhecem, 15 assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou a vida pelas ovelhas. 16 Tenho também outras ovelhas que não são deste curral. Também a elas eu devo conduzir; elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 17 O Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la de novo. 18 Ninguém tira a minha vida; eu a dou livremente. Tenho poder de dar a vida e tenho poder de retomá-la. Esse é o mandamento que recebi do meu Pai.” Comentário: * 7-21: O único meio de libertar-se de opressores ou de uma instituição opressora é comprometer-se com Jesus, pois ele é a única alternativa (a porta). Jesus é o modelo de pastor: ele não busca seus próprios interesses; ao contrário, ele dá a sua própria vida a todos aqueles que aceitam sua proposta. Jesus provoca divisão: para uns, suas palavras são loucura; para outros, sua ação é sinal de libertação. Jesus conhece cada um de nós, ovelhas do seu rebanho. Isso porque ele nos escolheu e nos chamou para fazer parte desse rebanho. Ele é o bom pastor, único e verdadeiro. Ele nos conduz e protege. É interessante também a ênfase que Jesus dá ao fato de que tem ainda muitas ovelhas que não estão no curral. Isso nos remete a outra parábola do Mestre, da ovelha perdida. Ele não nos abandona no momento em que somos atacados, em que os “lobos” vêm à nossa procura para nos devorar (e quantos lobos existem na sociedade atual, que nos ameaçam e aterrorizam!), mas também é incapaz de deixar para trás uma de suas ovelhas. Quando sente que estamos seguros, ele retorna para procurar aquela que se perdeu. Uma imagem muito atual, pois são inúmeras as situações e ocasiões que nos levam hoje a nos afastarmos de Jesus e do seu caminho.

sábado, 25 de abril de 2026

João 10, 1-10 O povo conhece a voz de Jesus.

* 1 “Eu garanto a vocês: aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2 Mas aquele que entra pela porta, é o pastor das ovelhas. 3 O porteiro abre a porta para ele, e as ovelhas ouvem a sua voz; ele chama cada uma de suas ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4 Depois de fazer sair todas as suas ovelhas, ele caminha na frente delas; e as ovelhas o seguem porque conhecem a sua voz. 5 Elas nunca vão seguir um estranho; ao contrário, vão fugir dele, porque elas não conhecem a voz dos estranhos.” 6 Jesus contou-lhes essa parábola, mas eles não entenderam o que Jesus queria dizer. Jesus é o único caminho -* 7 Jesus continuou dizendo: “Eu garanto a vocês: eu sou a porta das ovelhas. 8 Todos os que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os ouviram. 9 Eu sou a porta. Quem entra por mim, será salvo. Entrará, e sairá, e encontrará pastagem. 10 O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância. Comentário: * 1-6: Nesta comparação, o curral representa a instituição que explora e domina o povo. Os ladrões e assaltantes são os dirigentes. Jesus mostra que sua mensagem é incompatível com qualquer instituição opressora e que sua missão é conduzir para fora da influência dela os que nele acreditam, a fim de formar uma comunidade que possa ter vida plena e liberdade. * 7-21: O único meio de libertar-se de opressores ou de uma instituição opressora é comprometer-se com Jesus, pois ele é a única alternativa (a porta). Jesus é o modelo de pastor: ele não busca seus próprios interesses; ao contrário, ele dá a sua própria vida a todos aqueles que aceitam sua proposta. Jesus provoca divisão: para uns, suas palavras são loucura; para outros, sua ação é sinal de libertação. No Evangelho de hoje, Jesus se apresenta como a porta para entrada e saída de pastores e ovelhas. Como porta, Jesus é o acesso à segurança e à liberdade. A prática de Jesus é libertadora. Conduzindo para fora, ele liberta de tudo o que oprime e explora o povo. Jesus está sempre aberto para acolher os que querem fazer parte de sua caminhada e, ao mesmo tempo, deixa a liberdade para quem não se sente à vontade. Ele propõe entrar pela porta, que é ele, e não por outros subterfúgios que podem denotar outros interesses. Jesus vai na frente e, ouvindo sua voz, seus seguidores podem caminhar com segurança. Quem segue outras vozes pode ser manipulado e explorado. Quem passa pela porta, encontrará pastagem, vida plena e abundante, tudo o que necessita para uma vida digna. O Evangelho conclui: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”. O Mestre de Nazaré dedicou toda a sua vida para cuidar das “ovelhas” abandonadas. Seguindo sua voz, teremos vida e liberdade.

1 Pedro 2, 20-25 Só Deus é Senhor.

20 Que mérito haveria em suportar com paciência, se vocês fossem esbofeteados por terem agido errado? Pelo contrário, se vocês são pacientes no sofrimento quando fazem o bem, isto sim é ação louvável diante de Deus. 21 De fato, para isso é que vocês foram chamados, pois Cristo também sofreu por vocês, deixando-lhes exemplo para que sigam os passos dele. 22 Ele não cometeu nenhum pecado e mentira nenhuma foi encontrada em sua boca. 23 Quando insultado, não revidava; ao sofrer, não ameaçava. Antes, depositava sua causa nas mãos daquele que julga com justiça. 24 Sobre o madeiro levou os nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que nós, mortos para nossos pecados, vivêssemos para a justiça. Através dos ferimentos dele é que vocês foram curados, 25 pois estavam desgarrados como ovelhas, mas agora retornaram ao seu Pastor e Guardião. Comentário: * 18-25: O ponto importante é que os cristãos devem sempre fazer o bem (v. 20), em qualquer condição, mesmo que para isso tenham de suportar sofrimentos. Quando nem se pensava em abolição da escravatura, esta exortação mostra que Deus não quer a escravidão. De fato, Pedro considera os sofrimentos como injustos (v. 19). Se na época era impensável deixar de ser escravo, torna-se claro que essa submissão é feita por temor a Deus a exemplo de Jesus Cristo e não como submissão servil aos patrões (no v. 18 “com todo temor” se refere a Deus). A resistência cristã numa situação sem saída consiste em fazer o bem. Se aqui não há nenhuma referência ao comportamento dos patrões é porque estes, provavelmente, não fazem parte dos destinatários da carta. Já vimos (cf. Introdução) que se trata de gente fora da pátria e em situação de oprimidos.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Marcos 16, 15-20 Aparições de Jesus ressuscitado.

15 Então Jesus disse-lhes: “Vão pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia para toda a humanidade. 16 Quem acreditar e for batizado, será salvo. Quem não acreditar, será condenado. 17 Os sinais que acompanharão aqueles que acreditarem são estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; 18 se pegarem cobras ou beberem algum veneno, não sofrerão nenhum mal; quando colocarem as mãos sobre os doentes, estes ficarão curados.” 19 Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. 20 Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e, por meio dos sinais que os acompanhavam, provava que o ensinamento deles era verdadeiro. Comentário: * 9-20: Este trecho difere muito do livro até aqui; por isso é considerado obra de outro autor. Os cristãos da primeira geração provavelmente quiseram completar o livro de Marcos com um resumo das aparições de Jesus e uma apresentação global da missão da Igreja. Parece que se inspiraram no último capítulo de Mateus (28,18-20), em Lucas (24,10-53), em João (20,11-23) e no início do livro dos Atos dos Apóstolos (1,4-14). Embora seja acréscimo de retalhos tomados de outros escritos do Novo Testamento, o trecho conserva o pensamento de Marcos, isto é: os discípulos devem continuar a ação de Jesus. Marcos não era um dos apóstolos de Jesus, mas, segundo a tradição, pertencia a uma família de Jerusalém que pôs sua casa à disposição dos primeiros cristãos (At 12,12-16) e acompanhou o apóstolo Paulo em sua primeira viagem missionária (At 12,25; 13,5). Desentendendo-se com Paulo, passa então a acompanhar Pedro, ajudando-o durante a sua prisão em Roma, algo que depois se repetiu com Paulo (cf. 2Tm 4,11). Provavelmente nesse período, escreveu o Evangelho que leva seu nome, a partir da tradição oral que chegou até ele ao escutar os que viveram e conviveram com Jesus. Por isso, o foco central de sua obra é mostrar quem é Jesus, através da experiência de seus discípulos. Seu Evangelho foi o primeiro a ser escrito, servindo como base para Mateus e Lucas, os chamados Evangelhos sinóticos.