sábado, 18 de julho de 2026
Romanos 8, 26-27 Esperando um mundo novo.
26 Do mesmo modo, também o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois nem sabemos o que convém pedir; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. 27 E aquele que sonda os corações sabe quais são os desejos do Espírito, pois o Espírito intercede pelos cristãos de acordo com a vontade de Deus.
Comentário:
* 18-27: A luta contra o egoísmo é possível para aqueles que entraram no âmbito do Espírito. Essa luta não terminou, mas está em contínuo processo: vivemos na esperança de conseguir a vitória final. Esse anseio é universal e se expressa nos clamores da natureza e do homem. A natureza espera ser libertada do uso egoísta, para ser partilhada e colocada a serviço de todos. Os homens esperam ser libertos de toda exploração e opressão que escravizam seus corpos, a fim de sempre mais se projetarem gratuitamente a serviço dos irmãos. Entretanto, a salvação plena é uma realidade futura e inimaginável. Cegos pelo sistema egoísta, muitas vezes não conseguimos enxergar o caminho. É o clamor do Espírito que nos dirige, então, orientando-nos conforme a vontade de Deus.
Mateus 13, 24-43 O inimigo do Reino.
* 24 Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino do Céu é como um homem que semeou boa semente no seu campo. 25 Uma noite, quando todos dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. 26 Quando o trigo cresceu, e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. 27 Os empregados foram procurar o dono, e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’ 28 O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que arranquemos o joio?’ 29 O dono respondeu: ‘Não. Pode acontecer que, arrancando o joio, vocês arranquem também o trigo. 30 Deixem crescer um e outro até à colheita. E no tempo da colheita direi aos ceifadores: arranquem primeiro o joio, e o amarrem em feixes para ser queimado. Depois recolham o trigo no meu celeiro!’ “
A força do Reino -* 31 E Jesus contou outra parábola: “O Reino do Céu é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. 32 Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E se torna uma árvore, de modo que os pássaros do céu vêm e fazem ninhos em seus ramos.”
O Reino transforma -* 33 Jesus contou-lhes ainda outra parábola: “O Reino do Céu é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado.”
Jesus revela o mistério escondido -* 34 Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, 35 para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para usar parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo.”
A dinâmica do Reino na história -* 36 Então Jesus deixou as multidões, e foi para casa. Os discípulos se aproximaram dele, e disseram: “Explica-nos a parábola do joio.” 37 Jesus respondeu: “Quem semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38 O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. 39 O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos. 40 Assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, o mesmo também acontecerá no fim dos tempos: 41 o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles recolherão todos os que levam os outros a pecar e os que praticam o mal, 42 e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí eles vão chorar e ranger os dentes. 43 Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça.”
Comentário:
* 24-30: O Messias já veio. Então, por que o Reino ainda não se instalou definitivamente? Resposta de Jesus: Isso não se deve à imperfeição natural dos homens, mas a uma sabotagem premeditada, feita por aquele que quer usurpar a autoridade de Deus no mundo. Não cabe aos homens fazer a separação entre bons e maus, pois só Deus pode fazer o julgamento.
* 31-32: Por que será que o Reino parece não estar se expandindo no mundo? Cf. nota em Mc 4, 30-34: Diante das estruturas e ações deste mundo, a atividade de Jesus e daqueles que o seguem parece impotente, e mesmo ridícula. Mas ela crescerá, até atingir o mundo inteiro.
* 33: A comunidade dos discípulos parece desaparecer no meio dos homens. Num segundo momento, porém, ela exerce ação transformadora no seio da sociedade.
* 34-35: Somente através da pessoa e missão de Jesus é possível compreender o mistério do Reino de Deus, escondido na história desde o início do mundo.
* 36-43: A explicação da parábola é alegoria que apresenta a dinâmica do Reino na história. Jesus instaurou o Reino dentro da história, e esta é feita pela ação de bons e maus. A vinda do Reino, porém, entra em luta contra o espírito do mal, e conduz os justos à vitória final. A história é tensão contínua voltada para a manifestação gloriosa do Reino.
A parábola do trigo e do joio recebe uma explicação do próprio Jesus. Essa parábola nos mostra que na sociedade ainda existe o joio, a erva daninha, que destrói os valores do Reino de Deus. Ela convida à paciência e combate o espírito de intolerância e de vingança. A sociedade e a comunidade são formadas de pessoas mais ou menos santas e pecadoras. Cada um de nós é um pouco trigo e um pouco joio. A tentação dos discípulos, talvez, seja nossa também: extirpar o joio. A separação entre o trigo e o joio (julgamento) pertence a Deus. As outras duas parábolas (lidas na forma longa do Evangelho deste domingo) convidam a ser perseverantes e não desistir. É com pequenos gestos de amor e solidariedade que se constrói o Reino de Deus. Uma pequena semente dá uma árvore e uma pitadinha de fermento leveda toda a massa. O importante é não ficar com a semente na mão, mas plantá-la, nem deixar o fermento apodrecer.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Mateus 12, 14-21 O bem do homem está acima da lei.
14 Logo depois, os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus.
A missão do Servo de Javé -* 15 Jesus soube disso, e foi embora desse lugar. Numerosas multidões o seguiram, e ele curou a todos. 16 Jesus ordenou que não dissessem quem ele era. 17 Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 18 “Eis aqui o meu servo, que escolhi; o meu amado, no qual minha alma se compraz. Colocarei sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará o julgamento às nações. 19 Não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. 20 Não esmagará a cana quebrada, nem apagará o pavio que ainda fumega, até que leve o julgamento à vitória. 21 E em seu nome as nações depositarão a sua esperança.”
Comentário:
* 9-14: Cf. nota em Mc 3,1-6. Jesus sabe que os fariseus permitem salvar um animal em dia de sábado. E propõe um caso de consciência: um homem não vale mais do que um animal?
* 15-21: Jesus não é um demagogo que exige publicidade para suas ações. Ele é o Servo de Javé, isto é, o novo mediador que traz e garante para todos os homens a salvação misericordiosa de Deus.
Reunindo-se em uma espécie de conselho, os fariseus resolvem matar Jesus, com a desculpa de que ele desrespeita a Lei e blasfema contra Deus. Na verdade, sentem seu poder ameaçado com a novidade que Jesus anuncia, pois no Reino a ordem hierárquica será invertida e o poder e a riqueza de que agora usufruem não mais existirão. Serão certamente os últimos, como Jesus anunciou. Serão condenados por não dedicarem ao próximo o amor que o Pai dedica a eles. Jesus se retira, não por medo, mas para que se cumpra a profecia de Isaías. Em breve cumprirá sua missão, a justiça triunfará e todos reconhecerão que ele é o servo amado e escolhido de Deus, seu Filho, Senhor do céu e da terra, que devolve ao mundo a esperança perdida com o pecado.
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Mateus 12, 1-8 Jesus é o Senhor do sábado.
* 1 Naquele tempo, Jesus passou por uns campos de trigo, num dia de sábado. Seus discípulos ficaram com fome, e começaram a apanhar espigas para comer. 2 Vendo isso, os fariseus disseram: “Eis que os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido fazer em dia de sábado!” 3 Jesus perguntou aos fariseus: “Vocês nunca leram o que Davi e seus companheiros fizeram, quando estavam sentindo fome? 4 Como ele entrou na casa de Deus, e eles comeram os pães oferecidos a Deus? Ora, nem para Davi, nem para os que estavam com ele, era permitido comer os pães reservados apenas aos sacerdotes. 5 Ou vocês não leram também, na Lei, que em dia de sábado, no Templo, os sacerdotes violam o sábado, sem cometer falta? 6 Pois eu digo a vocês: aqui está quem é maior do que o Templo. 7 Se vocês tivessem compreendido o que significa: ‘Quero a misericórdia e não o sacrifício’, vocês não teriam condenado estes homens que não estão em falta. 8 Portanto, o Filho do Homem é senhor do sábado.”
Comentário:
* 1-8: Cf. nota em Mc 2,23-28. Mateus acrescenta um exemplo para mostrar que a lei do sábado não é absoluta. Jesus, como nova presença de Deus entre os homens, é maior do que o Templo, e é senhor do sábado. Por isso, ele tem poder para relativizar a lei, propondo a misericórdia como atitude fundamental de Deus para com os homens.
O livro do Êxodo 34,21 determina: “Trabalhe seis dias, mas no sétimo dia você descansará. Seja no plantio seja na colheita, você descansará”. É a aplicação concreta do quarto mandamento, que pede para santificar o dia de sábado. Com o passar do tempo, a casuística rabina elaborou uma lista enorme de “ações proibidas” no dia de sábado, tais como acender fogo, espremer uvas, caminhar mais do que 900 metros, trocar mercadorias, plantar… e colher espigas, que foi a ação realizada pelos discípulos de Jesus e criticada pelos fariseus. O Mestre, porém, demonstra a contradição desses preceitos acrescidos à Lei mosaica e que não passavam de puro ritualismo, desprovido de significado espiritual. Jesus é o Filho de Deus, portanto é também Senhor do sábado. Ele nos dá uma nova lei, o mandamento do amor, que conduz à justiça e à solidariedade.
Mateus 12, 46-50 Uma nova geração.
* 46 Jesus ainda estava falando às multidões. Sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. 47 Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo.” 48 Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” 49 E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos, 50 pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está no céu, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”
Comentário:
* 46-50: Cf. nota em Mc 3,31-35. Mateus salienta que a família de Jesus são os seus discípulos, isto é, a comunidade que já se dispôs a segui-lo. São eles que aprendem os ensinamentos de Jesus, para levá-los aos outros; são eles que trilham o caminho da vontade do Pai, isto é, a obediência à radicalização da Lei proposta por Jesus. Desse modo, começa nova geração, diferente da geração má dos fariseus.
Esta é a primeira presença de Maria na vida pública de Jesus, segundo o Evangelho de Mateus. Depois das narrativas da infância, com a genealogia, o sonho de José, a visita dos magos e a fuga para o Egito, Mateus cita apenas duas vezes a Mãe de Jesus: no episódio que hoje lemos; e na menção a Jesus como “o filho de José e filho de Maria” (Mt 13,53-58). É interessante notar que, nesta protomariologia de Mateus, Maria recebe lugar de destaque no plano de Deus, assumindo papel importante na história da salvação por causa de sua missão. No texto que hoje meditamos, vemos a definição da nova família de Jesus, composta agora pelos seus discípulos e pelos que aceitam a sua Palavra. Isso não significa que deixou sua família de sangue, mas sim que agora se acrescenta a ela uma família escatológica. Maria não se surpreende, nem reage às palavras do filho, pois sabe que o concebeu virginalmente e sabe que ele veio ao mundo para salvar o povo de seus pecados.
terça-feira, 14 de julho de 2026
Mateus 11, 25-27 Os pobres evangelizam.
* 25 Naquele tempo, Jesus disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27 Meu Pai entregou tudo a mim. Ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar.
Comentário:
* 25-30: Com sua palavra e ação, Jesus revela a vontade do Pai, que é instaurar o Reino. Contudo, os sábios e inteligentes não são capazes de perceber a presença do Reino e sua justiça através de Jesus. Ao contrário, os desfavorecidos e os pobres é que conseguem penetrar o sentido dessa atividade de Jesus e continuá-la. Jesus veio tirar a carga pesada que os sábios e inteligentes haviam criado para o povo. Em troca, ele traz novo modo de viver na justiça e na misericórdia: doravante, os pobres serão evangelizados e partirão para evangelizar.
O Filho revela de modo pleno e definitivo o mistério da salvação do Pai, que jamais deixou de amar a sua criatura. O Filho, Jesus, manifesta aos discípulos a sua enorme alegria por poder revelar as verdades do Pai e estender essa missão aos apóstolos e a todos os que o seguirem de coração sincero e disponível, todos aqueles que reconhecem Deus como Pai e, por isso, se unem na nova família de irmãos e irmãs de Jesus, a Igreja, corpo de Cristo e povo de Deus. Esses pequeninos são privilegiados, pois acolhem a revelação de coração aberto e livre. Os sábios, ao contrário, não receberão a revelação, por estarem fechados na soberba e na vaidade. Refere-se, certamente, aos doutores da Lei e aos fariseus, incapazes de abrir os olhos e acolher a verdade proclamada pelo único Mestre, Jesus. Os “sábios” serão os últimos a entrar no Reino, enquanto os pobres e simples serão os primeiros. Analisando a nossa vida e comportamento, podemos dizer que estamos mais próximos dos pobres e simples ou dos sábios e doutores?
segunda-feira, 13 de julho de 2026
Mateus 11, 20-24 O julgamento da auto-suficiência.
* 20 Então Jesus começou a falar contra as cidades onde havia realizado a maior parte de seus milagres, porque elas não tinham se convertido. 21 Ele dizia: “Ai de você, Corazin! Ai de você, Betsaida! Porque, se em Tiro e Sidônia tivessem sido realizados os milagres que foram feitos no meio de vocês, há muito tempo elas teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinzas. 22 Pois bem! Eu digo a vocês: no dia do julgamento, Tiro e Sidônia terão uma sentença menos dura que vocês. 23 E você, Cafarnaum! Será erguida até o céu? Será jogada é no inferno, isso sim! Porque, se em Sodoma tivessem acontecido os milagres que foram realizados no meio de você, ela existiria até o dia de hoje! 24 Eu lhe digo: no dia do julgamento, Sodoma terá uma sentença menos dura que você!”
Comentário:
* 20-24: Corazin, Betsaida e Cafarnaum são exemplos da auto-suficiência e orgulho que não reconhecem a presença do Reino nas ações realizadas por Jesus. Por isso serão julgadas com mais severidade do que as cidades pagãs de Tiro, Sidônia e Gomorra, símbolos da perdição.
Corazin, Betsaida e Cafarnaum eram três cidades às margens do lago de Genesaré, também chamado mar da Galileia. Essas cidades aparecem aqui como símbolos da falta de fé e da rejeição absoluta do Reino, apesar de testemunharem inúmeros milagres do Mestre. Sobre essas cidades que não se converteram e não acolheram a Palavra recairá um julgamento maior do que aquele que caiu sobre as cidades símbolos do pecado no Antigo Testamento, como Sodoma e as cidades fenícias de Tiro e Sidônia, todas elas destruídas como castigo por não acreditarem nos profetas. Cafarnaum, em particular, é acusada do pecado da soberba, um dos sete pecados capitais, infelizmente ainda hoje muito presente na nossa sociedade e até mesmo em diversos católicos.
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