quinta-feira, 12 de março de 2026

Marcos 12, 28-34 O centro da vida.

* 28 Um doutor da Lei estava aí, e ouviu a discussão. Vendo que Jesus tinha respondido bem, aproximou-se dele e perguntou: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” 29 Jesus respondeu: “O primeiro mandamento é este: Ouça, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor! 30 E ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, com todo o seu entendimento e com toda a sua força. 31 O segundo mandamento é este: Ame ao seu próximo como a si mesmo. Não existe outro mandamento mais importante do que esses dois.” 32 O doutor da Lei disse a Jesus: “Muito bem, Mestre! Como disseste, ele é, na verdade, o único Deus, e não existe outro além dele. 33 E amá-lo de todo o coração, de toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo, é melhor do que todos os holocaustos e do que todos os sacrifícios.” 34 Jesus viu que o doutor da Lei tinha respondido com inteligência, e disse: “Você não está longe do Reino de Deus.” E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus. Comentário: * 28-34: Jesus resume a essência e o espírito da vida humana num ato único com duas faces inseparáveis: amar a Deus com entrega total de si mesmo, porque o Deus verdadeiro e absoluto é um só e, entregando-se a Deus, o homem desabsolutiza a si mesmo, o próximo e as coisas; amar ao próximo como a si mesmo, isto é, a relação num espírito de fraternidade e não de opressão ou de submissão. O dinamismo da vida é o amor que tece as relações entre os homens, levando todos aos encontros, confrontos e conflitos que geram uma sociedade cada vez mais justa e mais próxima do Reino de Deus. Os doutores da Lei, ou rabis, tentavam se destacar apresentando alguma novidade na interpretação da Lei. É famosa, por exemplo, a máxima do rabi Hilel que procurou resumir toda a Lei em uma única ação: “Não faça ao próximo o que é odioso a você”. De fato, era sempre mais difícil ater-se a todos os mandamentos e preceitos criados pelos judeus a partir do decálogo de Moisés. Ao todo existiam, no tempo de Jesus, 248 mandamentos e 365 proibições. Ao anunciar o Evangelho do Reino e do amor, Jesus não poderia deixar de mencionar o mandamento do amor, já presente nos livros de Deuteronômio e Levítico: “Ame a Yhwh, o seu Deus, com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças” (Dt 6,5) e “Ame seu próximo como a si mesmo” (Lv 19,18).

quarta-feira, 11 de março de 2026

Lucas 11, 14-23 Jesus é mais forte do que Satanás.

* 14 Jesus estava expulsando um demônio que era mudo. Quando o demônio saiu, o mudo começou a falar, e as multidões ficaram admiradas. 15 Mas alguns disseram: “É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios.” 16 Outros, para tentar Jesus, pediram-lhe um sinal do céu. 17 Mas, conhecendo o pensamento deles, Jesus disse: “Todo reino dividido em grupos que lutam entre si, será destruído; e uma casa cairá sobre outra. 18 Ora, se até Satanás está dividido contra si mesmo, como o seu reino poderá sobreviver? Vocês dizem que é por Belzebu que eu expulso os demônios. 19 Se é através de Belzebu que eu expulso os demônios, através de quem os filhos de vocês expulsam os demônios? Por isso, eles mesmos hão de julgar vocês. 20 Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus chegou para vocês. 21 Quando um homem forte e bem armado guarda a sua casa, os bens dele estão em segurança. 22 Mas, quando chega um homem mais forte do que ele e o vence, arranca-lhe a armadura na qual ele confiava, e reparte o que roubou. 23 Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa.” Comentário: * 14-23: A cura do endemoninhado mostra que a ação de Jesus consiste em libertar o homem da alienação que o impede de falar. A ação de Jesus testemunha a chegada do Reino de Deus, pois para vencer Satanás é preciso ser mais forte do que ele. Mas Jesus é, ao mesmo tempo, a presença da salvação e do julgamento: quem não age com Jesus, torna-se adversário. A questão do exorcismo e da luta contra o demônio ainda hoje é controversa. Muitos não creem na presença e na ação de demônios no mundo, enquanto outros os veem em todos os lados. Presença simbólica ou real, o que importa é que a vitória de Cristo sobre o mal e sobre as forças de Beelzebu é real e transforma a nossa vida, mostrando que devemos nos ater ao amor de Deus que constrói, e não ao poder do mal que destrói e corrompe, que leva à divisão e à ruína. Quando seguimos o Evangelho, não há mais espaço para qualquer ação do demônio: estamos com Cristo e passamos a recolher e edificar com ele.

terça-feira, 10 de março de 2026

Mateus 5, 17-19 A lei e a justiça.

* 17 “Não pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento. 18 Eu garanto a vocês: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem sequer uma letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça. 19 Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu. Comentário: * 17-20: A lei não deve ser observada simplesmente por ser lei, mas por aquilo que ela realiza de justiça. Cumprir a lei fielmente não significa subdividi-la em observâncias minuciosas, criando uma burocracia escravizante; significa, isto sim, buscar nela inspiração para a justiça e a misericórdia, a fim de que o homem tenha vida e relações mais fraternas. Em 5,21-48, Mateus apresenta cinco exemplos, para mostrar como é que uma lei deve ser entendida. O Novo Testamento não representa uma ruptura com o Antigo, mas sim uma continuidade que leva à plenitude. Portanto, Jesus Cristo não veio para abolir o caminho feito pelo povo ao longo de séculos, quando Deus se revelava aos poucos, lentamente, através dos patriarcas e dos profetas. Veio, sim, para levar à perfeição essa revelação, mostrando-se por completo. O Deus invisível se torna visível, o Deus que se revelou através da palavra agora se revela através da imagem, assumindo um corpo humano. Jesus é a revelação plena do Deus Uno e Trino, e como tal exige do povo obediência e fé perfeitas, praticando a Lei que agora assume nova forma: a do Evangelho. Antigo e Novo Testamento, portanto, formam uma unidade, pois apresentam a totalidade do plano divino da salvação, que exige a fé como resposta e sinal de adesão humana a tal projeto. Se olharmos para a nossa vida hoje, quanto do Evangelho é refletido nela? O referencial para nossas ações, relações, educação, trabalho, convívio, e assim por diante, são os valores evangélicos e a mensagem de Jesus, ou nos guiamos por outras leis?

segunda-feira, 9 de março de 2026

Mateus 18, 21-25 Perdoar sem limites.

* 21 Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22 Jesus respondeu: “Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. 25 Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: ‘Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo’. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. 28 Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague logo o que me deve’. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dê-me um prazo, e eu pagarei a você’. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. 32 O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: ‘Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. 33 E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?’ 34 O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.” Comentário: * 21-35: Na comunidade de Jesus não existem limites para o perdão (setenta vezes sete). Ao entrar na comunidade, cada pessoa já recebeu do Pai um perdão sem limites (dez mil talentos). A vida na comunidade precisa, portanto, basear-se no amor e na misericórdia, compartilhando entre todos esse perdão que cada um recebeu. A Quaresma é um tempo propício para refletirmos sobre o arrependimento, mas também sobre o perdão. Perdoar não significa esquecer ou tolerar o mal, mas é um ato de amor, compaixão e misericórdia. Jesus ensina seus discípulos a perdoarem setenta vezes sete, ou seja, infinitas vezes. Ele nos mostra que devemos perdoar nossos irmãos e irmãs sempre, sem limites, assim como Deus nos perdoa. Quem já fez a experiência do perdão sincero e profundo sabe que essa é uma ação libertadora, que enche de alegria tanto a pessoa perdoada quanto a que perdoa. Que tal começarmos hoje a praticar o perdão em tudo, desde as coisas mais simples até as grandes ofensas que fazem doer nosso coração e nossa alma?

domingo, 8 de março de 2026

Lucas 4, 24-30 Reação do povo.

24 E acrescentou: “Eu garanto a vocês: nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25 De fato, eu lhes digo que havia muitas viúvas em Israel, no tempo do profeta Elias, quando não vinha chuva do céu durante três anos e seis meses, e houve grande fome em toda a região. 26 No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, e sim a uma viúva estrangeira, que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27 Havia também muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu. Apesar disso, nenhum deles foi curado, a não ser o estrangeiro Naamã, que era sírio.” 28 Quando ouviram essas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29 Levantaram-se, e expulsaram Jesus da cidade. E o levaram até o alto do monte, sobre o qual a cidade estava construída, com intenção de lançá-lo no precipício. 30 Mas Jesus, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho. Comentário: * 22-30: A dúvida e a rejeição de Jesus por parte de seus compatriotas fazem prever a hostilidade e a rejeição de toda a atividade de Jesus por parte de todo o seu povo. No entanto, Jesus prossegue seu caminho, para construir a nova história que engloba toda a humanidade. Jesus é o Filho de Deus, muito maior do que os profetas Elias e Eliseu. O centro da mensagem do Evangelho de hoje, portanto, não é mostrar que Jesus é um profeta desprezado pelos seus concidadãos, mas afirmar que os pagãos são o novo povo escolhido para a salvação que vem com Jesus Cristo. É por isso que os nazarenos ficam furiosos e procuram matar Jesus, tentando precipitá-lo do alto do monte. Essa ameaça de que eles serão excluídos do Reino por não aceitarem a verdade revelada é o motivo da revolta e acusação de blasfêmia contra Jesus. Mas, como está muito seguro do que diz, o Filho de Deus passa tranquilamente pelo meio deles, deixando a cidade para trás e dirigindo-se aos que estão abertos para acolher o seu Evangelho.

sábado, 7 de março de 2026

João 4, 5-42 Jesus sacia a sede do homem.

* 1 Os fariseus ficaram sabendo que Jesus atraía discípulos e batizava mais do que João. 2 (Na verdade, não era Jesus que batizava, mas os seus discípulos). 3 Ao saber disso, Jesus deixou a Judéia e foi de novo para a Galileia. 4 Jesus tinha que atravessar a Samaria. 5 Chegou, então, a uma cidade da Samaria chamada Sicar, perto do campo que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6 Aí ficava a fonte de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto à fonte. Era quase meio-dia. 7 Então chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe pediu: “Dê-me de beber.” 8 (Os discípulos tinham ido à cidade para comprar mantimentos). 9 A samaritana perguntou: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou samaritana?” (De fato, os judeus não se dão bem com os samaritanos). 10 Jesus respondeu: “Se você conhecesse o dom de Deus, e quem lhe está pedindo de beber, você é que lhe pediria. E ele daria a você água viva.” 11 A mulher disse a Jesus: “Senhor, não tens um balde, e o poço é fundo. De onde vais tirar a água viva? 12 Certamente não pretendes ser maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, e do qual ele bebeu junto com seus filhos e animais!” 13 Jesus respondeu: “Quem bebe desta água vai ter sede de novo. 14 Mas aquele que beber a água que eu vou dar, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe darei, vai se tornar dentro dele uma fonte de água que jorra para a vida eterna.” 15 A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem precise vir aqui para tirar.” A verdadeira religião sai de dentro do homem -* 16 Jesus disse à samaritana: “Vá chamar o seu marido e volte aqui.” 17 A mulher respondeu: “Eu não tenho marido.” Jesus disse: “Você tem razão ao dizer que não tem marido. 18 De fato, você teve cinco maridos. E o homem que você tem agora, não é seu marido. Nisso você falou a verdade.” 19 A mulher então disse a Jesus: “Senhor, vejo que és profeta! 20 Os nossos pais adoraram a Deus nesta montanha. E vocês judeus dizem que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.” 21 Jesus disse: “Mulher, acredite em mim. Está chegando a hora, em que não adorarão o Pai, nem sobre esta montanha nem em Jerusalém. 22 Vocês adoram o que não conhecem, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23 Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores vão adorar o Pai em espírito e verdade. Porque são estes os adoradores que o Pai procura. 24 Deus é espírito, e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade.” 25 A mulher disse a Jesus: “Eu sei que vai chegar um Messias (aquele que se chama Cristo); e quando chegar, ele nos vai mostrar todas as coisas.” 26 Jesus disse: “Esse Messias sou eu, que estou falando com você.” Os discípulos continuam a missão de Jesus -* 27 Nesse momento, os discípulos de Jesus chegaram. E ficaram admirados de ver Jesus falando com uma mulher, mas ninguém perguntou o que ele queria, ou por que ele estava conversando com a mulher. 28 Então a mulher deixou o balde, foi para a cidade e disse para as pessoas: 29 “Venham ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Será que ele não é o Messias?” 30 O pessoal saiu da cidade e foi ao encontro de Jesus. 31 Enquanto isso, os discípulos insistiam com Jesus, dizendo: “Mestre, come alguma coisa.” 32 Jesus disse: “Eu tenho um alimento para comer, que vocês não conhecem.” 33 Os discípulos comentavam: “Será que alguém trouxe alguma coisa para ele comer?” 34 Jesus disse: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. 35 Vocês não dizem que faltam quatro meses para a colheita? Pois eu digo a vocês: ergam os olhos e olhem os campos: já estão dourados para a colheita. 36 Aquele que colhe, recebe desde já o salário, e recolhe fruto para a vida eterna; desse modo, aquele que semeia se alegra junto com aquele que colhe. 37 Na verdade é como diz o provérbio: ‘Um semeia e outro colhe’. 38 Eu enviei vocês para colher aquilo que vocês não trabalharam. Outros trabalharam, e vocês entraram no trabalho deles.” O encontro com a palavra de Jesus produz a verdadeira fé -* 39 Muitos samaritanos dessa cidade acreditaram em Jesus, por causa do testemunho que a mulher tinha dado. “Ele me disse tudo o que eu fiz.” 40 Os samaritanos então foram ao encontro de Jesus e lhe pediram que ficasse com eles. E Jesus ficou aí dois dias. 41 Muitas outras pessoas acreditaram em Jesus ao ouvir sua palavra. 42 E diziam à mulher: “Já não acreditamos por causa daquilo que você disse. Agora, nós mesmos ouvimos e sabemos que este é, de fato, o salvador do mundo.” Comentário: * 1-15: Conversando com uma mulher que era samaritana, Jesus supera os preconceitos de raça e as discriminações sociais. Como qualquer pessoa, essa mulher tem sede de vida. Todos buscam algo que lhes mate a sede, mas encontram apenas águas paradas. Jesus traz água viva corrente e faz com que a fonte brote de dentro de cada um. * 16-26: Enquanto os judeus adoravam a Deus no templo de Jerusalém, os samaritanos o adoravam no templo do monte Garizim. Jesus supera o nacionalismo religioso, mostrando que Deus quer ser adorado na própria dimensão da vida humana. A própria vida, dedicada ao bem dos outros, como a de Jesus, é o verdadeiro culto a Deus, a adoração em espírito e verdade. Como Pai, Deus está presente na família humana e não quer que os homens separem religião e vida. * 27-38: Com sua palavra e ação, Jesus realiza a obra do semeador. Todos os que fazem a experiência de Jesus partem para anunciá-lo, como a samaritana, provocando a vinda do povo. A vontade do Pai é reunir a humanidade em torno de Jesus, e cabe aos discípulos continuar essa tarefa, iniciada pelo próprio Jesus. * 39-42: Os judeus se consideravam escolhidos por Deus, mas não compreenderam e não aceitaram a mensagem de Jesus, e até o obrigaram a sair da Judéia (4,1-3). Os samaritanos, que eram considerados como povo marginalizado e herege, acolheram Jesus como o Salvador do mundo. Jesus, em suas andanças, chega a uma cidade da Samaria e aí estabelece bonito diálogo com uma mulher do local. Naquele tempo, um rabino conversar em público com uma mulher, ainda mais samaritana, era inédito. Dificilmente os rabinos “perdiam seu tempo” conversando com mulheres. Há muito tempo, os samaritanos eram desprezados pelos judeus. Jesus quebra esse preconceito e dialoga com a samaritana. A missão de Jesus é ir ao encontro de gente desprezada, que luta pela vida. Ao lado do poço de Jacó, o Mestre, cansado e sedento, conduz a samaritana no caminho da fé e nos traz belo ensinamento sobre a “Água Viva”, que é o próprio Cristo. Jesus nos convida: “quem tiver sede venha a mim e beba”. Na tradição bíblica, a água é símbolo rico: é necessária para a vida, tira a sede, purifica e refresca, além de simbolizar o batismo. Nesse diálogo, Jesus leva a mulher samaritana, desprezada pelos judeus, a se tornar mensageira da Boa-nova. Com a samaritana, rezamos: Senhor, dá-nos sempre dessa água viva.

Romanos 5, 1-2.5-8 O motivo da nossa esperança.

* 1 Assim, justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. 2 Por meio dele e através da fé, nós temos acesso à graça, na qual nos mantemos e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus. 5 E a esperança não engana, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6 De fato, quando ainda éramos fracos, Cristo, no momento oportuno, morreu pelos ímpios. 7 Dificilmente se encontra alguém disposto a morrer em favor de um justo; talvez haja alguém que tenha coragem de morrer por um homem de bem. 8 Mas Deus demonstra seu amor para conosco porque Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores. Comentário: * 5,1-11: Justificados pela fé em Jesus Cristo, estamos em paz com Deus; por isso, começamos a viver a esperança da salvação. Essa esperança é vivida em meio a uma luta perseverante, ancorada na certeza, garantida pelo Espírito Santo que nos foi dado (vv. 1-5). Deus manifestou seu amor em Jesus Cristo, que morreu por nós quando ainda éramos pecadores (vv. 6-8). Agora que já fomos reconciliados podemos crer com maior razão e esperar que seremos salvos pela vida-ressurreição de Jesus (vv. 9-11). O termo “tribulação”, que aparece muitas vezes no Novo Testamento, se refere às opressões e repressões de que é vítima o povo de Deus. Opressões e repressões por parte dos poderes humanos, que procuram reduzir o alcance do testemunho cristão para que este não abale a estrutura vigente na sociedade.