quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Lucas 11, 5-13 Pedir com confiança.
* 5 Jesus acrescentou: “Se alguém de vocês tivesse um amigo, e fosse procurá-lo à meia-noite, dizendo: ‘Amigo, me empreste três pães, 6 porque um amigo meu chegou de viagem, e não tenho nada para oferecer a ele’. 7 Será que lá de dentro o outro responderia: ‘Não me amole! Já tranquei a porta, meus filhos e eu já nos deitamos; não posso me levantar para lhe dar os pães?’ 8 Eu declaro a vocês: mesmo que o outro não se levante para dar os pães porque é um amigo seu, vai levantar-se ao menos por causa da amolação, e dar tudo aquilo que o amigo necessita. 9 Portanto, eu lhes digo: peçam, e lhes será dado! Procurem, e encontrarão! Batam, e abrirão a porta para vocês! 10 Pois, todo aquele de que pede, recebe; quem procura, acha; e a quem bate, a porta será aberta. 11 Será que alguém de vocês que é pai, se o filho lhe pede um peixe, em lugar do peixe lhe dá uma cobra? 12 Ou ainda: se pede um ovo, será que vai lhe dar um escorpião? 13 Se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas aos filhos, quanto mais o Pai do céu! Ele dará o Espírito Santo àqueles que o pedirem.”
Comentário:
* 5-13: O Evangelho insiste na oração perseverante e confiante. Se os homens são capazes de atender ao pedido de amigos e filhos, quanto mais o Pai! Ele nada recusará. Pelo contrário, dará o Espírito Santo, isto é, a força de Deus que leva o homem a viver conforme a vida de Jesus Cristo.
Depois de ensinar seus discípulos a rezarem o pai-nosso (Lc 11,1-4), Jesus alude ao poder da oração: “Peçam e lhes será dado. Procurem e encontrarão. Batam e lhes será aberto”. Deus é Pai e, por isso, é incapaz de recusar o pedido sincero de um de seus filhos. Por outro lado, o Pai nos conhece e sabe do que precisamos, melhor do que nós mesmos, por isso nossa oração deve ser sempre sincera e direta. Além da oração de súplica ou petição, o Catecismo da Igreja (n. 2.626 e ss) ensina que temos outras formas de oração, como a bênção, a adoração, a intercessão, a ação de graças e o louvor. A oração é tão importante na vida do cristão que toda a quarta parte do Catecismo é dedicada a ela: §2.558-2.865.
terça-feira, 6 de outubro de 2026
Lucas 1, 26-38 O Messias vai chegar.
* 26 No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré. 27 Foi a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José, que era descendente de Davi. E o nome da virgem era Maria. 28 O anjo entrou onde ela estava, e disse: “Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!” 29 Ouvindo isso, Maria ficou preocupada, e perguntava a si mesma o que a saudação queria dizer. 30 O anjo disse: “Não tenha medo, Maria, porque você encontrou graça diante de Deus. 31 Eis que você vai ficar grávida, terá um filho, e dará a ele o nome de Jesus. 32 Ele será grande, e será chamado Filho do Altíssimo. E o Senhor dará a ele o trono de seu pai Davi, 33 e ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó. E o seu reino não terá fim.” 34 Maria perguntou ao anjo: “Como vai acontecer isso, se não vivo com nenhum homem?” 35 O anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com sua sombra. Por isso, o Santo que vai nascer de você será chamado Filho de Deus. 36 Olhe a sua parenta Isabel: apesar da sua velhice, ela concebeu um filho. Aquela que era considerada estéril, já faz seis meses que está grávida. 37 Para Deus nada é impossível.” 38 Maria disse: “Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” E o anjo a deixou.
Comentário:
* 26-38: Maria é outra representante da comunidade dos pobres que esperam pela libertação. Dela nasce Jesus Messias, o Filho de Deus. O fato de Maria conceber sem ainda estar morando com José indica que o nascimento do Messias é obra da intervenção de Deus. Aquele que vai iniciar nova história surge dentro da história de maneira totalmente nova.
A narrativa da anunciação, rica em símbolos, revela o cumprimento das promessas feitas por Deus à humanidade. Uma virgem, permanecendo virgem, dará à luz um filho. Maria acolhe o desafio proposto pelo anjo. Deixando de lado seus medos e preocupações, inicia seu itinerário de colaboração com Jesus na redenção. A grandeza de Maria consiste na sua fidelidade ao seguimento de Jesus, algo que marcará sua presença ao longo de todo o Evangelho de Lucas. Rezar o rosário é uma forma de recordar os principais eventos de sua vida ao lado do Filho, neste itinerário de Mãe e discípula perfeita, modelo e inspiração para nós hoje.
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Lucas 10, 38-42 Ouvir a palavra de Jesus.
* 38 Enquanto caminhavam, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa. 39 Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e ficou escutando a sua palavra. 40 Marta estava ocupada com muitos afazeres. Aproximou-se e falou: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda que ela venha ajudar-me!” 41 O Senhor, porém, respondeu: “Marta, Marta! Você se preocupa e anda agitada com muitas coisas; 42 porém, uma só coisa é necessária, Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada.”
Comentário:
* 38-42: Mais importante do que fazer as coisas, é fazê-las de modo novo. Para isso, é preciso ouvir a palavra de Jesus, que mostra o que fazer e como fazer.
O evangelista Lucas não cita o nome do vilarejo, mas sabemos se tratar de Betânia. Certamente Jesus passou várias vezes por ali e conhecia a família há muitos anos, como bem revelou o evangelista João, mas isso não é expresso na narração de Lucas. Isso se deve, certamente, ao objetivo do evangelista Lucas, que é mostrar Jesus Cristo como verdadeiro Mestre. A atitude de Maria demonstra como deve ser o discipulado: “ficou sentada aos pés do Senhor e escutava sua palavra”. Com isso, Lucas quer alertar a sua comunidade e a nossa comunidade de discípulos missionários de que o primeiro passo do discipulado é a escuta atenta, que abre o coração para acolher a Palavra e fazê-la brotar, produzindo muitos frutos, dez, vinte, cinquenta e até cem por um.
domingo, 4 de outubro de 2026
Lucas 10, 25-37 O amor é prática concreta.
* 25 Um especialista em leis se levantou, e, para tentar Jesus perguntou: “Mestre, o que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” 26 Jesus lhe disse: “O que é que está escrito na Lei? Como você lê?” 27 Ele então respondeu: “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma, com toda a sua força e com toda a sua mente; e ao seu próximo como a si mesmo.” 28 Jesus lhe disse: “Você respondeu certo. Faça isso, e viverá!” 29 Mas o especialista em leis, querendo se justificar, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” 30 Jesus respondeu: “Um homem ia descendo de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos de assaltantes, que lhe arrancaram tudo, e o espancaram. Depois foram embora, e o deixaram quase morto. 31 Por acaso um sacerdote estava descendo por aquele caminho; quando viu o homem, passou adiante, pelo outro lado. 32 O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu, e passou adiante, pelo outro lado. 33 Mas um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu, e teve compaixão. 34 Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal, e o levou a uma pensão, onde cuidou dele. 35 No dia seguinte, pegou duas moedas de prata, e as entregou ao dono da pensão, recomendando: ‘Tome conta dele. Quando eu voltar, vou pagar o que ele tiver gasto a mais’.” E Jesus perguntou: 36 “Na sua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” 37 O especialista em leis respondeu: “Aquele que praticou misericórdia para com ele.” Então Jesus lhe disse: “Vá, e faça a mesma coisa.”
Comentário:
* 25-37: O primeiro a colocar obstáculos no caminho de Jesus é um teólogo. Este sabe que o amor total a Deus e ao próximo é que leva à vida. Mas, não basta saber. É preciso amar concretamente. A parábola do samaritano mostra que o próximo é quem se aproxima do outro para lhe dar uma resposta às necessidades. Nessa tarefa prática, o amor não leva em conta barreiras de raça, religião, nação ou classe social. O próximo é aquele que eu encontro no meu caminho. O legista estabelecia limites para o amor: “Quem é o meu próximo?” Jesus muda a pergunta: “O que você faz para se tornar próximo do outro?”
Mais uma tentativa de pôr Jesus à prova. Desta vez, o tema central é o conceito de “próximo”, bastante amplo na Bíblia, mas muito claro para Jesus, que o expressa através de sua pedagogia habitual – o uso das parábolas. No tempo de Jesus, alguns consideravam “próximo” apenas um parente ou amigo, outros ampliavam o conceito e o estendiam aos membros do mesmo povo ou nação. Hoje, muitos de nós ainda pensamos como os judeus do tempo de Jesus, pois temos grande dificuldade em considerar os imigrantes como “um de nós”, nosso próximo, a quem devemos acolher, cuidar e amar. Jesus mostra que o nosso próximo é todo ser humano, filho de Deus, independentemente da sua origem ou condição.
sábado, 3 de outubro de 2026
Filipenses 4, 6-9 Recomendações.
6 Não se inquietem com nada. Apresentem a Deus todas as necessidades de vocês através da oração e da súplica, em ação de graças. 7 Então a paz de Deus, que ultrapassa toda compreensão, guardará em Jesus Cristo os corações e pensamentos de vocês.
8 Finalmente, irmãos, ocupem-se com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso, ou que de algum modo mereça louvor. 9 Pratiquem tudo o que vocês aprenderam e receberam como herança, o que ouviram e observaram em mim. Então o Deus da paz estará com vocês.
Comentário:
* 1-9: Nada sabemos sobre as pessoas nomeadas nos vv. 2-3, a não ser que devem estar profundamente comprometidas com o trabalho de evangelização. Paulo parece jogar com o significado dos nomes (Evódia = “caminho fácil”; Síntique = “encontro”; Sízigo = “companheiro de canga”). A alegria cristã se baseia na salvação obtida por Cristo, e é testemunhada sobretudo pela bondade que se irradia para todos e pela tranquila confiança em Deus. Os cristãos devem ser fiéis ao que aprenderam dos seus evangelizadores, mas também precisam estar abertos a todas as coisas sadias que encontram na sociedade.
Mateus 21, 33-43 Jesus acusa as autoridades.
-* 33 “Escutem essa outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, cercou-a, fez um tanque para pisar a uva, e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou a vinha para alguns agricultores, e viajou para o estrangeiro. 34 Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos agricultores para receber os frutos. 35 Os agricultores, porém, agarraram os empregados, bateram num, mataram outro, e apedrejaram o terceiro. 36 O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. 37 Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu próprio filho, pensando: ‘Eles vão respeitar o meu filho’. 38 Os agricultores, porém, ao verem o filho, pensaram: ‘Esse é o herdeiro. Venham, vamos matá-lo, e tomar posse da sua herança’. 39 Então agarraram o filho, o jogaram para fora da vinha, e o mataram. 40 Pois bem: quando o dono da vinha voltar, o que irá fazer com esses agricultores?” 41 Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “É claro que mandará matar de modo violento esses perversos, e arrendará a vinha a outros agricultores, que lhe entregarão os frutos no tempo certo.” 42 Então Jesus disse a eles: “Vocês nunca leram na Escritura: ‘A pedra que os construtores deixaram de lado tornou-se a pedra mais importante; isso foi feito pelo Senhor, e é admirável aos nossos olhos’? 43 Por isso eu lhes afirmo: o Reino de Deus será tirado de vocês, e será entregue a uma nação que produzirá seus frutos.
Comentário:
. * 33-46: Cf. nota em Mc 12,1-12. Mateus salienta a formação de um novo povo de Deus, formado agora não por uma nação particular, mas por todos aqueles que acreditam, comprometendo-se com Jesus.
Com suas parábolas, Jesus nos surpreende com muita frequência. É o caso da parábola de hoje. Na parábola de hoje está sintetizada a história dos profetas, de Jesus e dos apóstolos: muitos deles rejeitados e condenados. Deixando de lado o aspecto histórico e literal, a parábola questiona também a nós, pois nos foi confiado o Reino de Deus e temos o compromisso de produzir e entregar os frutos ao dono (Deus). Jesus não acusa a vinha (o povo) por não produzir frutos, mas seus responsáveis. Fazer parte do povo de Deus (a vinha do Senhor) não é privilégio, mas compromisso de produzir frutos de justiça, fraternidade, solidariedade. Deus cuida com amor e carinho do seu povo e espera dos responsáveis a mesma atitude.
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Lucas 10, 17-24 A alegria do discípulo.
* 17 Os setenta e dois voltaram muito alegres, dizendo: “Senhor, até os demônios obedecem a nós por causa do teu nome.” 18 Jesus respondeu: “Eu vi Satanás cair do céu como um relâmpago. 19 Vejam: eu dei a vocês o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo, e nada poderá fazer mal a vocês. 20 Contudo, não se alegrem porque os maus espíritos obedecem a vocês; antes, fiquem alegres porque os nomes de vocês estão escritos no céu.”
Os pobres evangelizam -* 21 Nessa hora, Jesus se alegrou no Espírito Santo, e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22 Meu Pai entregou tudo a mim. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai, e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar.” 23 E Jesus voltou-se para os discípulos, e lhes disse em particular: “Felizes os olhos que veem o que vocês veem. 24 Pois eu digo a vocês que muitos profetas quiseram ver o que vocês estão vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que vocês estão ouvindo, e não puderam ouvir.”
Comentário:
* 17-20: Os milagres realizados são motivo de alegria para os discípulos que retornam. No entanto, Jesus mostra que são apenas sinais de uma libertação muito mais ampla, que ameaça o domínio de Satanás. A verdadeira alegria dos discípulos é saber que a novidade do Reino está surgindo, e que eles estão participando dela.
* 21-24: Os sábios e inteligentes não são capazes de perceber em Jesus a presença do Reino. Só os desfavorecidos e pobres conseguem penetrar o sentido da atividade de Jesus e continuá-la.
Depois de passarem por todas as cidades por onde o próprio Jesus deverá também passar no seu itinerário rumo a Jerusalém, os setenta e dois discípulos missionários retornam para relatar ao Mestre o resultado da sua experiência missionária. Lucas destaca a “alegria” dos discípulos pelo êxito da missão. Todos exultam de alegria pelas maravilhas que Deus realizou por meio de cada discípulo, espalhando a paz e a liberdade através das curas e da expulsão de espíritos impuros (demônios). Jesus recorda que tudo é ação do Pai, que enviou o Filho e envia todos os discípulos missionários. A recompensa de quem o segue, mais do que testemunhar a libertação do “mundo”, é ter seu nome inscrito no céu, como herdeiro da vida eterna.
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mateus 18, 1-5.10 Quem é o maior na comunidade?
-* 1 Naquele momento, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino do Céu?” 2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles, 3 e disse: “Eu lhes garanto: se vocês não se converterem, e não se tornarem como crianças, vocês nunca entrarão no Reino do Céu. 4 Quem se abaixa, e se torna como essa criança, esse é o maior no Reino do Céu. 5 E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe.”
Por que alguém se afasta da comunidade? -* 10 “Cuidado para não desprezar nenhum desses pequeninos, pois eu digo a vocês: os anjos deles no céu estão sempre na presença do meu Pai que está no céu.
Comentário:
* 1-5: A comunidade cristã não é a reprodução de uma sociedade que se baseia na riqueza e no poder. Nela, é maior ou mais importante aquele que se converte, deixando todas as pretensões sociais, para pertencer a um grupo que acolhe fraternalmente Jesus na pessoa dos pequenos, fracos e pobres.
* 10-14: Por que alguém se extravia, isto é, se distancia da comunidade? Certamente por causa do escândalo (vv. 6-9), ou do desprezo daqueles que buscam poder e prestígio. A parábola mostra que a comunidade inteira deve preocupar-se e procurar aquele que se extraviou. A comunidade se alegra quando ele volta para o seu meio, porque a vontade do Pai foi cumprida.
Hoje celebramos os anjos da guarda, presença frequente na Bíblia e na nossa vida. Já no livro do Êxodo, Deus diz a Moisés: “Vou enviar um anjo à sua frente, para que cuide de você no caminho e o leve até o lugar que eu lhe preparei. Respeite-o e obedeça à voz dele” (Ex 23,20). A voz do anjo é a própria voz de Deus, pois eles são mensageiros e simbolizam a presença constante de Deus ao nosso lado, nos guiando e protegendo. O próprio Jesus referiu-se várias vezes aos anjos, de modo particular no trecho que lemos hoje, no qual afirma que os anjos da guarda das crianças estão sempre na presença de Deus. Desde o século XVII, a liturgia celebra a festa dos anjos da guarda. Através deles, louvamos a Deus, que atua continuamente na nossa vida.
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Lucas 10, 1-12 Os anunciadores do Reino.
* 1 O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos, e os enviou dois a dois, na sua frente, para toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E lhes dizia: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita. 3 Vão! Estou enviando vocês como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não levem bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não parem no caminho, para cumprimentar ninguém. 5 Em qualquer casa onde entrarem, digam primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 Se aí morar alguém de paz, a paz de vocês irá repousar sobre ele; se não, ela voltará para vocês. 7 Permaneçam nessa mesma casa, comam e bebam do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não fiquem passando de casa em casa. 8 Quando entrarem numa cidade, e forem bem recebidos, comam o que servirem a vocês, 9 curem os doentes que nela houver. E digam ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vocês!’ 10 Mas quando vocês entrarem numa cidade, e não forem bem recebidos, saiam pelas ruas e digam: 11 ‘Até a poeira dessa cidade, que se grudou em nossos pés, nós sacudimos contra vocês. Apesar disso, saibam que o Reino de Deus está próximo’. 12 Eu lhes afirmo: no dia do julgamento, Deus será mais tolerante com Sodoma do que com tal cidade.
Comentário:
*,1-16: Os discípulos são organizados por Jesus para anunciarem a Boa Notícia no caminho e começarem a realizar os atos que concretizam o Reino. Aqueles que não quiserem aderir à Boa Notícia ficarão fora da nova história.
No contexto da subida para Jerusalém, Jesus envia à sua frente setenta e dois discípulos, a fim de prepararem o seu caminho. O número é significativo, pois representa as nações da terra elencadas no livro do Gênesis (cf. Gn 10). Entretanto, é ainda mais significativo o fato de enviar muitos discípulos, e não apenas o grupo dos doze apóstolos. Esse particular é exclusivo de Lucas e abre a missão a todos os cristãos, inclusive nós, hoje. Não é apenas o “clero”, sucessores dos apóstolos, que é enviado para trabalhar pela messe, mas todo aquele que aceita seguir o Mestre é um discípulo missionário.
terça-feira, 29 de setembro de 2026
Lucas 9,57-62 Os primeiros passos do discípulo.
-* 57 Enquanto iam andando, alguém no caminho disse a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores.” 58 Mas Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça.” 59 Jesus disse a outro: “Siga-me.” Esse respondeu: “Deixa primeiro que eu vá sepultar meu pai.” 60 Jesus respondeu: “Deixe que os mortos sepultem seus próprios mortos; mas você, vá anunciar o Reino de Deus.” 61 Outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa primeiro que eu vá me despedir do pessoal de minha casa.” 62 Mas Jesus lhe respondeu: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não serve para o Reino de Deus.”
Comentário:
* 57-62: Os primeiros passos para os que seguem Jesus em seu caminho são: disponibilidade contínua, capacidade de renunciar a seguranças e, iniciado o caminho, não voltar para trás, por motivo nenhum.
O Messias inicia sua viagem rumo a Jerusalém. Aos discípulos que querem acompanhá-lo, Jesus recorda a radicalidade do seguimento, ou seja, que segui-lo implica instâncias e decisões vitais. É isso que será comprovado nos três primeiros encontros que Jesus tem, apenas iniciada a viagem. Alguns séculos depois de Jesus Cristo, a Igreja teve em São Jerônimo, cuja memória hoje celebramos, um exemplo de santidade e seguimento. A ele foi confiada, pelo papa Dâmaso, no século IV, a tradução da Bíblia (originalmente escrita em grego e hebraico) para o latim, dando origem à chamada Vulgata. Dedicou quase toda a sua vida a essa missão, estudando e aprofundando a leitura da Sagrada Escritura, ao mesmo tempo que a traduzia. Em 2020, no XVI centenário da sua morte, o papa Francisco dedicou a São Jerônimo uma carta apostólica, intitulada “Scripturae Sacrae Affectus” (O afeto à Sagrada Escritura), frase que resume toda a sua vida.
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
João 1, 47-51 As testemunhas apontam o Salvador.
47 Jesus viu Natanael aproximar-se e comentou: “Eis aí um israelita verdadeiro, sem falsidade.” 48 Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe chamasse você, eu o vi quando você estava debaixo da figueira.” 49 Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel!” 50 Jesus disse: “Você está acreditando só porque eu lhe disse: ‘Vi você debaixo da figueira’? No entanto, você verá coisas maiores do que essas.” 51 E Jesus continuou: “Eu lhes garanto: vocês verão o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.”
Comentário:
* 35-51: João descreve os sete dias da nova criação. No primeiro dia, João Batista afirma: “No meio de vocês existe alguém que vocês não conhecem.” Nos dias seguintes vemos como João Batista, João, André, Simão, Filipe e Natanael descobrem a Jesus. É sempre uma testemunha que aponta Jesus para outra. O último dia será o casamento em Caná, onde Jesus manifestará a sua glória.
“O que vocês estão procurando?” São estas as primeiras palavras de Jesus neste evangelho. Essa pergunta, ele a faz a todos os homens. Nós queremos saber quem é Jesus, e ele nos pergunta sobre o que buscamos na vida.
Os homens que encontraram Jesus começaram a conviver com ele. E no decorrer do tempo vão descobrindo que ele é o Mestre, o Messias, o Filho de Deus. O mesmo acontece conosco: enquanto caminhamos com Cristo, vamos progredindo no conhecimento a respeito dele.
João Batista era apenas testemunha de Jesus, a quem tudo se deve dirigir. João sabia disso; por isso convida seus próprios discípulos para que se dirijam a Jesus. E os dois primeiros vão buscar outros. É desse mesmo modo que nós encontramos a Jesus: porque outra pessoa nos falou dele ou nos comprometeu numa tarefa apostólica.
Jesus sempre reconhece aqueles que o Pai coloca em seu caminho. Ele reconhece Natanael debaixo da figueira e também Simão, escolhido para ser a primeira Pedra da Igreja.
Vereis o céu aberto: No sonho de Jacó, os anjos subiam e desciam por uma escada que ligava a terra ao céu (leia Gn 28,10-22). Doravante é Jesus, o Filho do Homem, a nova ligação entre Deus e os homens.
Hoje celebramos a festa dos três anjos mais conhecidos e citados na Bíblia: Miguel, Gabriel e Rafael. Miguel, nome hebraico que significa “Quem é como Deus?”, é lembrado no livro de Daniel (Dn 10,13 e 12-1), na carta de São Judas (v. 9) e também no Apocalipse (12,7). Muito venerado pelos judeus, logo se tornou muito popular no culto cristão. Gabriel, “força de Deus”, anunciou o nascimento de João Batista e o de Jesus Cristo (Lc 1,5-22.26-38), sendo citado anteriormente no livro de Daniel (8,16; 9,21). Rafael, “Deus curou”, aparece no livro de Tobias como acompanhante do jovem Tobias em sua viagem e como portador de salvação do velho pai cego. Algumas versões da Escritura apontam Rafael como o anjo que expulsou Adão e Eva do Jardim do Éden.
domingo, 27 de setembro de 2026
Lucas 9, 46-50 Quem é o maior.
* 46 Houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior. 47 Jesus sabia o que estavam pensando. Pegou então uma criança, colocou-a junto de si, 48 e disse a eles: “Quem receber esta criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois, aquele que é o menor entre vocês, esse é o maior.”
Quem está a favor de Jesus? -* 49 João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós lhe proibimos, porque ele não anda conosco”. 50 Jesus lhe disse: “Não lhe proíbam. Pois, quem não está contra vocês, está a favor de vocês.”
Comentário:
* 46-48: Para compreender o messianismo de Jesus é preciso mudar a ideia que se tem a respeito do poder. Enquanto persistir entre os discípulos o desejo do poder que domina, não haverá possibilidade alguma de construir o Reino de Deus.
* 49-50: Cf. nota em Mc 9, 38-41: Jesus não quer que o grupo daqueles que o seguem se torne seita fechada e monopolizadora da sua missão. Toda e qualquer ação que desaliena o homem é parte integrante da missão de Jesus.
Este pequeno trecho faz a passagem, no Evangelho de Lucas, entre o primeiro período, de atividades na Galileia, e o segundo, com a subida rumo a Jerusalém. Expressa um convite para acompanhar o Mestre neste caminho da paixão, que se caracteriza, sobretudo, pela humilhação. A imagem da criança, bastante usada também por Mateus, revela que a lógica do Reino é diferente da lógica do mundo: no Reino, os maiores são os menores, ou seja, fazendo-nos pequenos, deixaremos maior espaço para que em nós opere a força da graça de Deus. Para entrar no Reino de Deus, devemos nos reconhecer frágeis e carentes como as crianças, mas também devemos cultivar a mesma humildade que as caracteriza. Nos últimos dois versículos, destaca-se ainda o tema da tolerância, outra característica exigida do discípulo de Jesus. Num momento de grande intolerância como o que vivemos, sobretudo no ambiente virtual, é fundamental que o cristão cultive e desenvolva a tolerância, servindo como ponte entre diferentes grupos e pessoas.
sábado, 26 de setembro de 2026
Mateus 21, 28-32 Os dois filhos,
* 28 “O que vocês acham disto? Certo homem tinha dois filhos. Ele foi ao mais velho, e disse: ‘Filho, vá trabalhar hoje na vinha’. 29 O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois arrependeu-se, e foi. 30 O pai dirigiu-se ao outro filho, e disse a mesma coisa. Esse respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. 31 Qual dos dois fez a vontade do pai?” Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O filho mais velho.” Então Jesus lhes disse: “Pois eu garanto a vocês: os cobradores de impostos e as prostitutas vão entrar antes de vocês no Reino do Céu. 32 Porque João veio até vocês para mostrar o caminho da justiça, e vocês não acreditaram nele. Os cobradores de impostos e as prostitutas acreditaram nele. Vocês, porém, mesmo vendo isso, não se arrependeram para acreditar nele.”
Comentário:
* 28-32: O filho mais velho é figura dos pecadores públicos que se convertem à justiça anunciada por João Batista e por Jesus. O filho mais novo é figura dos chefes do povo, que se consideram justos e não se convertem.
Jesus desmascara as autoridades religiosas do seu tempo. A parábola mostra que o importante não são as palavras, mas as ações, o fazer. Podemos enganar os outros com nossas belas palavras, mas nossa prática revela nossas intenções e nossas opções. Jesus diz que os pecadores e as prostitutas precedem as autoridades religiosas no Reino de Deus. Enquanto os pecadores e as prostitutas são excluídos do templo por não cumprirem a Lei, levam a sério o caminho da justiça; as autoridades fazem de sua “suposta justiça” a fonte do seu poder, do seu domínio sobre os outros. Portanto, a parábola denuncia a hipocrisia da elite, que se apresenta como cumpridora da vontade de Deus, quando, de fato, não a cumpre. É clara a mensagem, o importante diante de Deus é o fazer. Os grupos desprezados são os verdadeiros herdeiros do Reino dos Céus. Jesus repreende os “bons” porque acham que já estão vivendo de forma honesta e justa e não há mais o que “melhorar”.
Filipenses 2, 1-11 O Evangelho autêntico.
* 1 Portanto, se há um conforto em Cristo, uma consolação no amor, se existe uma comunhão de espírito, se existe ternura e compaixão, 2 completem a minha alegria: tenham uma só aspiração, um só amor, uma só alma e um só pensamento. 3 Não façam nada por competição e por desejo de receber elogios, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo. 4 Que cada um procure, não o próprio interesse, mas o interesse dos outros. 5* Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo: 6 Ele tinha a condição divina, mas não se apegou a sua igualdade com Deus. 7 Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens. Assim, apresentando-se como simples homem, 8 humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz! 9 Por isso, Deus o exaltou grandemente, e lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome; 10 para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho no céu, na terra e sob a terra; 11 e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.
Comentário:
* 1-4: Paulo convida a comunidade a evitar as divisões causadas pelo espírito de competição, pelo desejo de receber elogios e pela busca dos próprios interesses. Tais vícios denotam o fechamento egoísta e a autopromoção à custa dos outros. A comunidade deve zelar pela harmonia interna e, para isso, é necessário que haja humildade, cada um considerando os outros superiores a si, e que o empenho tenha sempre em vista o bem comum.
* 5-11: Citando um hino conhecido, Paulo mostra qual é o Evangelho da cruz, o Evangelho autêntico, e apresenta em Cristo o modelo da humildade. Embora tivesse a mesma condição de Deus, Jesus se apresentou entre os homens como simples homem. E mais: abriu mão de qualquer privilégio, tornando-se apenas homem que obedece a Deus e serve aos homens. Não bastasse isso, Jesus serviu até o fim, perdendo a honra ao morrer na cruz, como se fosse criminoso. Por isso Deus o ressuscitou e o colocou no posto mais elevado que possa existir, como Senhor do universo e da história. Os cristãos são convidados a fazer o mesmo: abrir mão de todo e qualquer privilégio, até mesmo da boa fama, para pôr-se a serviço dos outros, até o fim.
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Lucas 9, 43-45 O Filho do Homem vai ser entregue.
* 37 No dia seguinte, quando desceram da montanha, uma grande multidão foi ao encontro deles. 38 Um homem gritou do meio da multidão: “Mestre, eu te peço, vem ver o meu filho, pois é o meu único filho. 39 Um espírito o ataca e, de repente, solta gritos e o sacode, e o faz espumar. 40 Eu pedi aos teus discípulos o espírito, mas eles não conseguiram.” 41 Jesus disse: “Ó geração sem fé e pervertida! Até quando deverei ficar com vocês, e ter que suportá-los? Traga o menino aqui.” 42 Quando o menino estava se aproximando, o demônio o jogou no chão e o sacudiu. Então Jesus ordenou ao espírito mau, e curou o menino. Depois o entregou a seu pai. 43 Todos ficaram admirados com a grandeza de Deus.
O povo estava admirado com tudo o que Jesus fazia. Então Jesus disse aos discípulos: 44 “Prestem atenção ao que eu vou dizer: o Filho do Homem vai ser entregue na mão dos homens.” 45 Mas os discípulos não compreendiam o que Jesus dizia. Isso estava escondido a eles, para que não entendessem. E tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto.
Comentário:
* 37-45: Enquanto os discípulos não mudarem sua ideia sobre o Messias, jamais realizarão atos de libertação, que dão continuidade à missão de Jesus.
A liturgia nos apresenta hoje o segundo anúncio da paixão. Após a confissão de Pedro e o primeiro anúncio da paixão, o evangelista Lucas fala das consequências que disso deve tirar o discípulo que aceita a paixão, depois descreve a transfiguração e a cura do epiléptico, abordando o tema da fé. Isso porque só quando somos iluminados pela fé podemos compreender o anúncio da paixão, que Jesus aqui repete pela segunda vez, de modo mais conciso e direto. A incompreensão dos discípulos mostra que ainda não estão prontos, precisam seguir no itinerário de formação com o Mestre, com uma experiência mais intensa, que se dará em Jerusalém. Ali não precisarão perguntar nada, pois tudo será bastante evidente e todas as palavras serão claras. Com esse episódio, o Evangelho de Lucas encerra o ministério de Jesus na Galileia e inicia a narração da viagem rumo à Cidade Santa, Jerusalém, onde se cumprirá a sua missão.
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Lucas 9, 18-22 Jesus é o Messias.
* 18 Certo dia, Jesus estava rezando num lugar retirado, e os discípulos estavam com ele. Então Jesus perguntou: “Quem dizem as multidões que eu sou?” 19 Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que tu és algum dos antigos profetas que ressuscitou.” 20 Jesus perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Pedro respondeu: “O Messias de Deus.” 21 Então Jesus proibiu severamente que eles contassem isso a alguém. 22 E acrescentou: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto, e ressuscitar no terceiro dia.”
Comentário:
* 18-27: Não basta declarar e aceitar que Jesus é o Messias; é preciso rever a ideia a respeito do Messias, o qual, para construir a nova história, enfrenta os que não querem transformações. Por isso, ele vai sofrer, ser rejeitado e morto. Sua ressurreição será a sua vitória. E quem quiser acompanhar Jesus na sua ação messiânica e participar da sua vitória, terá que percorrer caminho semelhante: renunciar a si mesmo e às glórias do poder e da riqueza.
O Evangelho proposto pela liturgia de hoje está em íntima relação com o de ontem e serve como resposta à pergunta de Herodes que ficou em aberto e que, como vimos, será respondida de modo definitivo apenas após a ressurreição de Jesus. Continuamos a refletir sobre “quem é Jesus”, agora com um questionamento dirigido diretamente aos discípulos. Pedro é quem responde, mostrando desde já sua liderança no grupo, que o levou a ser o primeiro papa da Igreja nascente: “Tu és o Messias de Deus”. Que bela e profunda profissão de fé. Jesus é o Messias, o Filho de Deus anunciado por Elias e por João Batista. Mas ainda não é o momento de revelar isso a todos, pois o mistério da salvação passará pela dor, morte e ressurreição ao terceiro dia. Trata-se do primeiro anúncio da paixão feito por Jesus no Evangelho de Lucas.
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Lucas 9, 7-9 Jesus começa a inquietar.
* 7 O governador Herodes ouviu falar de tudo o que estava acontecendo, e ficou sem saber o que pensar, porque alguns diziam que João Batista tinha ressuscitado dos mortos; 8 outros diziam que Elias tinha aparecido; outros ainda, que um dos antigos profetas tinha ressuscitado. 9 Então Herodes disse: “Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?” E queria ver Jesus.
Comentário:
* 7-9: A palavra e ação de Jesus deixam o povo e as autoridades sem saber o que pensar. É que a presença dele força todo mundo a se perguntar: “Quem é esse homem?” O encontro de Jesus e Herodes acontecerá na Paixão (23,6-12).
A fama de Jesus se espalhou e chegou aos ouvidos do tetrarca Herodes. Em outro momento (cf. 1º de agosto), tivemos a oportunidade de rever a organização política de Israel no tempo de Jesus, dividida em uma tetrarquia governada pelos filhos de Herodes, o Grande, pai do Herodes mencionado no Evangelho de hoje, mais conhecido por sua relação de adultério com Herodíades e por ter martirizado João Batista, que denunciava tal pecado. Diferentemente de Mateus e Marcos, Lucas não narra o martírio de João por decapitação, em cumprimento a uma promessa descabida de Herodes, logo após o texto que hoje lemos. Aqui, Lucas apenas descreve a confusão do líder político diante da repercussão da mensagem de Jesus: afinal, quem é Jesus? A novidade introduzida por Lucas é o desejo de Herodes de conhecer esse novo “profeta”: “E queria ver Jesus”. Temos uma antecipação ou anúncio do encontro de Jesus com Herodes, durante a paixão – por sinal, apenas descrito por Lucas –, significando que a resposta à pergunta “quem é Jesus?” só pode ser respondida à luz do mistério pascal.
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Lucas 9, 1-6 A missão dos discípulos.
* 1 Jesus convocou os Doze, e lhes deu poder e autoridade sobre os demônios e para curar as doenças. 2 E os enviou a pregar o Reino de Deus e a curar. 3 E disse-lhes: “Não levem nada para o caminho: nem bastão, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas. 4 Em qualquer casa onde vocês entrarem, fiquem aí, até vocês se retirarem do lugar. 5 E todos aqueles que não os acolherem, vocês, ao sair da cidade, sacudam a poeira dos pés, como protesto contra eles.” 6 Os discípulos partiram, e percorriam os povoados, anunciando a Boa Notícia, e fazendo curas em todos os lugares.
Comentário:
* 9,1-6: Cf. nota em Mc 6,7-13: Os discípulos são enviados para continuar a missão de Jesus: pedir mudança radical da orientação de vida (conversão), desalienar as pessoas (libertar dos demônios), restaurar a vida humana (curas). Os discípulos devem estar livres, ter bom senso e estar conscientes de que a missão vai provocar choque com os que não querem transformações.
Depois da escuta da Palavra de Deus, segue a missão, com autoridade e poder, em grego dynamis e exousia, praticamente sinônimos, atribuídos pelo próprio Jesus. Dynamis enfatiza a capacidade de realizar milagres, enquanto exousia destaca a tomada de decisão e a superioridade sobre os demônios e o mal presente no mundo. O fato de Jesus transferir aos apóstolos esse poder e autoridade é significativo, pois indica que eles estão presentes e conduzem a Igreja até hoje. Essa missão continua hoje, em contextos diferentes e com novas exigências, por isso necessitamos de novas formas e linguagens para evangelizar, como a digital. A essência, porém, permanece sempre a mesma, com um conteúdo inalterável e a mesma atitude de total pobreza e disposição.
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Lucas 8, 19-21 A verdadeira família de Jesus.
* 19 A mãe e os irmãos de Jesus se aproximaram, mas não podiam chegar perto dele por causa da multidão. 20 Então anunciaram a Jesus: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem te ver.” 21 Jesus respondeu: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática.”
Comentário:
* 19-21: Jesus instaura novas relações entre os homens, que começam a existir quando os homens põem em prática a palavra do Evangelho, continuando a missão de Jesus.
Jesus não nega os vínculos de parentesco e não pretende humilhar sua família, mas antes associar-lhe todos os que aceitam e assumem o Evangelho. Ele deseja alargar sua família com todos os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática, todos os que se posicionam a favor do seu projeto de construção do Reino. Não basta juntar pessoas em torno de uma teoria religiosa ou mesmo de um código moral, mas é preciso procurar e querer entrar na proposta de Jesus, é preciso transformar o Evangelho em ação, em vida. Quem dá esse passo começa a fazer parte da nova família de Jesus, formada por inúmeras mães, pais, irmãs e irmãos. O ensinamento de Jesus abre as portas do Reino a todas as pessoas, independentemente de raça, cultura, gênero, classe social… Aderindo ao Reino dos Céus, os seguidores de Jesus formam uma nova família, não de forma mágica ou passiva, mas a partir da mensagem do Evangelho. Vemos, assim, que o parentesco espiritual cria laços maiores e mais fortes que o parentesco biológico, por isso é missão da Igreja procurar ampliar sempre mais esta família espiritual, levando o Evangelho a todas as pessoas e a todos os povos.
domingo, 20 de setembro de 2026
Mateus 9, 9-13 Justiça e misericórdia.
* 9 Saindo daí, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e lhe disse: “Siga-me!” Ele se levantou, e seguiu a Jesus. 10 Estando Jesus à mesa em casa de Mateus, muitos cobradores de impostos e pecadores foram e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. 11 Alguns fariseus viram isso, e perguntaram aos discípulos: “Por que o mestre de vocês come com os cobradores de impostos e os pecadores?” 12 Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes. 13 Aprendam, pois, o que significa: ‘Eu quero a misericórdia e não o sacrifício’. Porque eu não vim para chamar justos, e sim pecadores.”
Comentário:
* 9-13: Cf. nota em Mc 2,13-17. Com a citação de Oséias 6,6, Mateus esclarece o sentido da missão de Jesus: a justiça do Reino é inseparável da misericórdia.
Deus é misericordioso e quer a misericórdia antes de qualquer sacrifício. O chamado de Mateus revela essa dimensão de Deus, que exprime ternura e compaixão pelo pecador arrependido. Assim como os fariseus indicados no Evangelho, muitas vezes também nós temos dificuldade em aceitar a mudança de vida de alguma pessoa que praticou coisas más ou que nos ofendeu pessoalmente. Jesus se dirige também a nós, abrindo nossos olhos e pedindo que tenhamos misericórdia com nossos irmãos. Mostra, assim, que a Igreja deve estar sempre aberta para acolher a todos, pois todos podem contribuir com o anúncio do Reino quando encontram Jesus e se deixam tocar pela sua Palavra transformadora.
sábado, 19 de setembro de 2026
Mateus 20, 1-16 O Reino é dom gratuito.
* 1 “De fato, o Reino do Céu é como um patrão, que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. 3 Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo. Viu outros que estavam desocupados na praça, 4 e lhes disse: ‘Vão vocês também para a minha vinha. Eu lhes pagarei o que for justo’. 5 E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. 6 Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: ‘Por que vocês estão aí o dia inteiro desocupados?’ 7 Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. O patrão lhes disse: ‘Vão vocês também para a minha vinha’. 8 Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chame os trabalhadores, e pague uma diária a todos. Comece pelos últimos, e termine pelos primeiros’. 9 Chegaram aqueles que tinham sido contratados pelas cinco da tarde, e cada um recebeu uma moeda de prata. 10 Em seguida chegaram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. No entanto, cada um deles recebeu também uma moeda de prata. 11 Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12 ‘Esses últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor do dia inteiro!’ 13 E o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto com você. Não combinamos uma moeda de prata? 14 Tome o que é seu, e volte para casa. Eu quero dar também a esse, que foi contratado por último, o mesmo que dei a você. 15 Por acaso não tenho o direito de fazer o que eu quero com aquilo que me pertence? Ou você está com ciúme porque estou sendo generoso?’ 16 Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos.”
Comentário:
*1-16: No Reino não existem marginalizados. Todos têm o mesmo direito de participar da bondade e misericórdia divinas, que superam tudo o que os homens consideram como justiça. No Reino não há lugar para o ciúme. Aqueles que julgam possuir mais méritos do que os outros devem aprender que o Reino é dom gratuito.
A parábola compara o Reino a um proprietário que vai em busca de trabalhadores para sua vinha. Revela uma triste realidade do tempo em que o Evangelho foi redigido e que é tema muito atual: o desemprego (ninguém nos contratou). O narrador insiste sobre a “justiça”. Para Jesus, justo é o que é necessário para uma pessoa suprir suas necessidades básicas do dia a dia (“uma moeda de prata por dia”). O patrão, porque é bom, vê a necessidade do outro e lhe paga o que é necessário para viver o dia. Se no Reino existirem “primeiros e últimos”, os primeiros serão aqueles que a sociedade considera como últimos. O interesse das autoridades e das lideranças deve começar sempre pelos últimos, assim como o capataz começou o pagamento pelos últimos. A parábola nos revela que os primeiros a receber a revelação foram os judeus, mas nem sempre estavam dispostos a abrir a porta também aos que chegaram depois (os pagãos).
Filipenses 1, 20-24.27 Viver para Cristo.
20 O que desejo e espero é não fracassar, mas, agora como sempre, manifestar com toda a coragem a glória de Cristo em meu corpo, tanto na vida, como na morte. 21 Pois para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. 22 Mas, se eu ainda continuar vivendo, poderei fazer algum trabalho útil. Por isso é que não sei bem o que escolher. 23 Fico na indecisão: meu desejo é partir dessa vida e estar com Cristo, e isso é muito melhor. 24 No entanto, por causa de vocês, é mais necessário que eu continue a viver.
Lutar pela fé -* 27 Uma só coisa: comportem-se como pessoas dignas do Evangelho de Cristo. Desse modo, indo vê-los ou estando longe, eu ouça dizer que vocês estão firmes num só espírito, lutando juntos numa só alma pela fé do Evangelho
Comentário:
* 19-26: Paulo provavelmente tem meios para ser solto da prisão e escapar à morte. Mas encontra-se num dilema: viver ou morrer? No contexto da sua fé, as duas coisas se equivalem: viver é estar em função de Cristo, ou seja, da evangelização; e morrer é lucro, pois leva a estar com Cristo. Paulo resolve o dilema, não levando em conta seu próprio interesse, mas o que é melhor para a comunidade: continuar vivo, para ajudar os filipenses a crescer e se realizar plenamente na fé.
* 27-30: Os adversários são talvez os pregadores judaizantes, que anunciam um evangelho sem cruz e sem necessidade da graça de Deus. Paulo espera que a comunidade se mantenha firme e unida, testemunhando o Evangelho autêntico. Não se trata apenas de acreditar em Cristo, mas de empenhar-se de fato com Cristo numa luta que pode trazer perseguição e sofrimento, assim como levou Paulo à prisão.
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Lucas 8, 4-15 Uma colheita custosa.
-* 4 Ajuntou-se uma grande multidão, e de todas as cidades as pessoas iam até Jesus. Então ele contou esta parábola: 5 “O semeador saiu para semear a sua semente. Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada e os passarinhos foram, e comeram tudo. 6 Outra parte caiu sobre pedras; brotou e secou, porque não havia umidade. 7 Outra parte caiu no meio de espinhos; os espinhos brotaram junto, e a sufocaram. 8 Outra parte caiu em terra boa; brotou e deu fruto, cem por um.” Dizendo isso, Jesus exclamou: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”
O mistério da missão de Jesus -* 9 Os discípulos perguntaram a Jesus o significado dessa parábola. 10 Jesus respondeu: “A vocês foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus. Mas, aos outros ele vem por meio de parábolas, para que olhando não vejam, e ouvindo não compreendam.”
Compreender a Palavra nos conflitos -* 11 “A parábola quer dizer o seguinte: a semente é a Palavra de Deus. 12 Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouviram; mas, depois chega o diabo, e tira a Palavra do coração deles, para que não acreditem, nem se salvem. 13 Os que caíram sobre a pedra são aqueles que, ouvindo, acolheram com alegria a Palavra. Mas eles não têm raiz: por um momento, acreditam; mas na hora da tentação voltam atrás. 14 O que caiu entre os espinhos são aqueles que ouvem, mas, continuando a caminhar, se afogam nas preocupações, na riqueza e nos prazeres da vida, e não chegam a amadurecer. 15 O que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo de coração bom e generoso, conservam a Palavra, e dão fruto na perseverança.”
Comentário:
* 4-8: Cf. nota em Mt 13,1-9: Cf. nota em Mc 4,1-9. Se o Reino já está aqui, por que existem fracassos e conflitos? Jesus trouxe as sementes do Reino, e elas se espalharam pelo mundo. Mas, assim como Jesus encontrou resistência no meio do seu próprio povo, do mesmo modo pessoas e estruturas continuam impedindo a justiça do Reino de se estabelecer entre os homens. Sem dúvida, haverá uma colheita, mas à custa de muitas perdas, isto é, muitos procurarão sufocar as sementes do Reino, antes que chegue a vitória final. Querer negar e fugir dessas dificuldades para a implantação do Reino é não compreender o seu mistério.
* 9-10: Cf. nota em Mc 4,10-12: As parábolas são histórias que ajudam a ler e compreender toda a missão de Jesus. Mas é preciso “estar dentro”, isto é, seguir a Jesus, para perceber que o Reino de Deus está se aproximando através de sua ação. Os que não seguem a Jesus ficam “por fora”, e nada podem compreender.
* 11-15: Cf. notas em Mc 4,13-20: A explicação da parábola focaliza os vários terrenos, mostrando o efeito que a missão de Jesus (contada pela palavra do Evangelho) tem sobre os ouvintes ou leitores. Cada pessoa vê e entende a partir do lugar que ocupa na sociedade e das dificuldades que encontra para se comprometer com Jesus e para continuar a ação dele.
e Mt 13, 18-23: Os obstáculos para compreender a Palavra do Reino (= ensinamento de Jesus) são: a alienação, que tira o poder de decisão humana; as perseguições concretas que causam desânimo; as estruturas políticas e econômicas que fascinam e seduzem. A compreensão da Palavra do Reino se realiza na dramaticidade dos conflitos pessoais e sociais.
A Palavra de Deus é como uma semente lançada no mundo, que germina e produz frutos de acordo com a qualidade do terreno que a acolhe, ou seja, de acordo com o modo como é cultivada no coração de cada ouvinte. Ao longo de toda a história da Igreja, repetiu-se esse processo iniciado pelos apóstolos, e viu-se o mesmo resultado: muitas vezes rejeitada, deixada de lado, ouvida sem atenção, aceita sem compromisso, sufocada… Mas às vezes acolhida e colocada em prática, gerando muitos frutos. Nós, hoje, com que terreno nos identificamos? A Palavra que é semeada em nosso coração é cultivada ou é sufocada e desprezada? Que frutos ela produz em mim, na minha família, na minha comunidade?
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Lucas 8, 1-3 As mulheres servem a Jesus.
-* 1 Depois disso, Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus. Os Doze iam com ele, 2 e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos maus e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios; 3 Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres, que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam.
Comentário:
* 8,1-3: Jesus continua sua missão, e vai formando uma comunidade nova, a partir daqueles que são marginalizados pela sociedade do seu tempo, como eram as mulheres. Elas também são parte integrante do grupo que acompanha Jesus.
A liturgia nos presenteia hoje com um texto de extrema atualidade, que deveria ser lido e aprofundado por todas as comunidades cristãs, pois destaca o papel e a presença da mulher ao lado de Jesus. Também elas seguiram o Mestre ao longo de toda a sua vida pública e certamente estavam com ele no momento da Última Ceia, na instituição da Eucaristia, e no momento do envio em missão com a autoridade de curar doentes, expulsar demônios e anunciar o Evangelho. Uma dessas mulheres que se destacaram ao lado de Jesus é Maria Madalena, que é claramente identificada aqui como a mulher “da qual tinham saído sete demônios”, não sendo, portanto, uma prostituta, como muitas vezes a tradição e a arte cristã a representaram. Não é por acaso que Maria Madalena recebe o título de “apóstola dos apóstolos”. Ela nos ajuda a refletir sobre o fato de que a mulher tem participação ativa desde o início da Igreja, por isso deveria ser mais valorizada e respeitada hoje em todos os âmbitos da Igreja e da sociedade.
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Lucas 7, 36-50 O perdão gera o amor.
* 36 Certo fariseu convidou Jesus para uma refeição em casa. Jesus entrou na casa do fariseu, e se pôs à mesa. 37 Apareceu então certa mulher, conhecida na cidade como pecadora. Ela, sabendo que Jesus estava à mesa na casa do fariseu, levou um frasco de alabastro com perfume. 38 A mulher se colocou por trás, chorando aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés. Em seguida, os enxugava com os cabelos, cobria-os de beijos, e os ungia com perfume. 39 Vendo isso, o fariseu que havia convidado Jesus ficou pensando: “Se esse homem fosse mesmo um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, porque ela é pecadora.” 40 Jesus disse então ao fariseu: “Simão, tenho uma coisa para dizer a você.” Simão respondeu: “Fala, mestre.” 41” Certo credor tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentas moedas de prata, e o outro lhe devia cinquenta. 42 Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?” 43 Simão respondeu: “Acho que é aquele a quem ele perdoou mais.” Jesus lhe disse: “Você julgou certo.” 44 Então Jesus voltou-se para a mulher e disse a Simão: “Está vendo esta mulher? Quando entrei em sua casa, você não me ofereceu água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos. 45 Você não me deu o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. 46 Você não derramou óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. 47 Por essa razão, eu declaro a você: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor. Aquele a quem foi perdoado pouco, demonstra pouco amor.” 48 E Jesus disse à mulher: “Seus pecados estão perdoados.” 49 Então os convidados começaram a pensar: “Quem é esse que até perdoa pecados?” 50 Mas Jesus disse à mulher: “Sua fé salvou você. Vá em paz!”
Comentário:
* 36-50: O fariseu não se considera pecador; por isso, fica numa atitude de julgamento, e não é capaz de entender e experimentar o perdão e o amor. Jesus mostra que a justiça de Deus se manifesta como amor que perdoa os pecados e transforma as condições das pessoas. O amor é expressão e sinal do perdão recebido.
Em diversas passagens do Evangelho, vemos os fariseus contrapondo-se a Jesus ou colocando-o à prova, como ferozes inimigos. Na passagem de hoje, porém, constatamos que, apesar de todos os ataques, Jesus procura se aproximar deles, indo inclusive jantar na casa de um fariseu chamado Simão. Mais do que uma crítica, o texto parece expressar a incompreensão de Simão, que não entende o porquê de Jesus se deixar tocar por uma pecadora. O Mestre, sempre paciente, explica-lhe. Ainda hoje temos dificuldade em aceitar que um grande pecador receba as bênçãos de Deus, por isso Jesus nos ensina que quem mais é perdoado, mais ama.
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Lucas 5, 31-35 Os filhos da sabedoria.
* 31 “Com quem eu vou comparar os homens desta geração? Com quem se parecem eles? 32 São como crianças que se sentam nas praças, e se dirigem aos colegas, dizendo: ‘Tocamos flauta, e vocês não dançaram; cantamos música triste, e vocês não choraram’. 33 Pois veio João Batista, que não comia nem bebia, e vocês disseram: ‘Ele tem um demônio!’ 34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vocês dizem: ‘Ele é um comilão e beberrão, amigo dos cobradores de impostos e dos pecadores!’ 35 Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos.”
Comentário:
* 31-35: As autoridades religiosas do tempo de Jesus se comportam de maneira infantil: acusam João Batista de louco, porque é severo demais; acusam Jesus de boa-vida, porque parece muito condescendente. O povo e os cobradores de impostos se comportam de maneira sábia: acolhem João Batista e Jesus, reconhecendo neles a revelação da misericordiosa justiça de Deus.
Em Lucas 7,18 vemos que os discípulos de João Batista informam-no sobre a ação de Jesus. João quer confirmar se Jesus é de fato o Messias, por isso manda seus discípulos para perguntarem diretamente a ele: “És tu aquele que deve vir, ou devemos esperar outro?”. João é prático e direto, homem de ação, indo direto ao ponto. Jesus é igualmente um homem de ação, por isso responde aos discípulos com o eloquente testemunho das suas curas e milagres. Isso tudo para dizer que o Evangelho que hoje meditamos só faz sentido à luz do contexto anterior, ou seja, quem tem o coração aberto para ver os sinais da messianidade anunciada pelos profetas consegue identificar Jesus como “aquele que devia vir”, o Messias. Os demais, fariseus, doutores da Lei e todos os que têm o coração endurecido, encontrarão sempre desculpas para “não verem” os sinais do Reino que transforma o mundo.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
João 19, 25-27 A relação entre Israel e a comunidade de Jesus.
* 25 A mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cléofas, e Maria Madalena estavam junto à cruz. 26 Jesus viu a mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava. Então disse à mãe: “Mulher, eis aí o seu filho.” 27 Depois disse ao discípulo: “Eis aí a sua mãe.” E dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa.
Comentário:
* 25-27: A mãe de Jesus representa aqui o povo da antiga aliança que se conservou fiel às promessas e espera pelo salvador. E o discípulo amado representa o novo povo de Deus, formado por todos os que dão sua adesão a Jesus. Na relação mãe-filho, o evangelista mostra a unidade e continuação do povo de Deus, fiel à promessa e herdeiro da sua realização.
A devoção às dores de Maria tem origem popular, passando posteriormente para a liturgia, quando o papa Pio VII introduziu a celebração da Bem-aventurada Virgem Maria das Dores, que hoje celebramos. A participação dolorosa da Mãe do Salvador em sua obra de salvação é atestada na hora da cruz pelo evangelista João, que a recebeu em sua casa como verdadeira Mãe, tornando todo discípulo de Jesus Cristo também filho de Maria (“Mulher, eis aí o seu filho”). A tradição, difundida particularmente pelos servitas e pelos passionistas, especificou sete dores de Nossa Senhora, que são: 1. A profecia de Simeão sobre Jesus (Lc 2,22-35); A perseguição de Herodes e a fuga para o Egito (Mt 2,13-21); 3. A perda do menino Jesus no templo de Jerusalém (Lc 2,41-51); 4. O encontro doloroso de Maria com seu Filho Jesus carregando a cruz, no caminho para o Calvário (via crucis); Maria aos pés da cruz (Jo 19,25-27); 6. Maria recebe em seus braços o corpo do seu filho morto tirado da cruz (Mt 27,55-61); 7. Maria observa quando depositam o corpo de Jesus no sepulcro, ficando em triste solidão (Jo 19,38-42).
domingo, 13 de setembro de 2026
João 3, 13-17 A vida nova vem de Jesus.
13 Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu: o Filho do Homem. 14 Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, do mesmo modo é preciso que o Filho do Homem seja levantado. 15 Assim, todo aquele que nele acreditar, nele terá a vida eterna.”
Jesus provoca decisão -* 16 “Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna. 17 De fato, Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, e sim para que o mundo seja salvo por meio dele.
Comentário:
* 9-15: A grande novidade que Deus tem para os homens está em Jesus, que vai revelar na cruz a vida nova. Aí ele demonstra o maior ato de amor: a doação de sua própria vida em favor dos homens.
* 16-21: Deus não quer que os homens se percam, nem sente prazer em condená-los. Ele manifesta todo o seu amor através de Jesus, para salvar e dar a vida a todos. Mas a presença de Jesus é incômoda, pois coloca o mundo dos homens em julgamento, provocando divisão e conflito, e exigindo decisão. De um lado, os que acreditam em Jesus e vivem o amor, continuando a palavra e a ação dele em favor da vida. De outro lado, os que não acreditam nele e não vivem o amor, mas permanecem fechados em seus próprios interesses e egoísmo, que geram opressão e exploração; por isso estes sempre escondem suas verdadeiras intenções: não se aproximam da luz.
As palavras do Evangelho seguem o colóquio de Jesus com Nicodemos e nos apresentam o objetivo da fé cristã que dá a vida: a paixão de Jesus e o amor de Deus, que, em seu Filho, quer a salvação da humanidade. A exemplo da serpente levantada por Moisés no deserto, assim Jesus será levantado no alto da cruz, donde atrairá as pessoas que acreditam nele para serem salvas. O Evangelho nos narra o grande amor de Deus por ter entregue seu Filho à condição humana e à morte. O objetivo dessa entrega é salvar e perdoar a humanidade, e não a condenar. Acreditando nesse amor, teremos a vida verdadeira e seremos libertos para sempre. A cruz de Cristo revela o grande amor de Deus pela humanidade. Da cruz de Cristo vem a misericórdia de Deus que abraça o mundo com amor.
sábado, 12 de setembro de 2026
Romanos 14, 7-9 Não brigar por coisas secundárias.
7 Porque nenhum de vocês vive para si mesmo, e ninguém morre para si mesmo. 8 Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. 9 Cristo morreu e voltou à vida para ser o Senhor dos mortos e dos vivos.
Comentário:
* 1-9: A comunidade cristã, que verdadeiramente possui objetivo e procura realizá-lo com convicção, não se perde em questões secundárias; estas podem provocar desunião e dispersar as forças necessárias para se atingir a meta proposta. E o principal na vida cristã é viver para Deus, dando testemunho de Jesus Cristo. Nas coisas secundárias, cada um deve agir segundo a sua própria convicção.
Mateus 18, 21-35 Perdoar sem limites.
-* 21 Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22 Jesus respondeu: “Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. 25 Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: ‘Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo’. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. 28 Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague logo o que me deve’. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dê-me um prazo, e eu pagarei a você’. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. 32 O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: ‘Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. 33 E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?’ 34 O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.”
Comentário:
* 21-35: Na comunidade de Jesus não existem limites para o perdão (setenta vezes sete). Ao entrar na comunidade, cada pessoa já recebeu do Pai um perdão sem limites (dez mil talentos). A vida na comunidade precisa, portanto, basear-se no amor e na misericórdia, compartilhando entre todos esse perdão que cada um recebeu.
Outra proposta a ser vivida na comunidade dos discípulos e discípulas de Jesus é a do perdão. Nossa mesquinhez procura estabelecer limite: até sete vezes? Toda vez que rezamos o pai-nosso, pedimos o perdão a Deus e nos dispomos a perdoar. Sempre desejamos o perdão divino, mas nem sempre estamos dispostos a estendê-lo aos irmãos e irmãs. Penso que se trata do perdão entre as pessoas da comunidade, onde o pobre endividado necessitava do cancelamento da sua dívida. Sabemos que a vivência em comunidade e na sociedade não é fácil, pois todos temos nossos defeitos, grandes ou pequenos. Aqui provavelmente se trata de pequenas ofensas entre as pessoas no seu dia a dia. Não se refere aos grandes roubos, que acontecem entre os grandes e na esfera pública e que mais lesam os cidadãos. O perdão também não significa permitir o desvio que acontece na sociedade, prejudicando o investimento no bem comum. O perdão é fundamental para construirmos uma “cultura da paz” e combatermos a “cultura da violência”.
Lucas 6, 43-49 Os atos revelam a pessoa.
* 43 “Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons; 44 porque toda árvore é conhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem se apanham uvas de plantas espinhosas. 45 O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, mas o homem mau tira do seu mal coisas más, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio.”
Passar para a ação -* 46 “Por que vocês me chamam: ‘Senhor! Senhor!’, e não fazem o que eu digo? 47 Vou mostrar a vocês com quem se parece todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática. 48 É semelhante a um homem que construiu uma casa: cavou fundo e colocou o alicerce sobre a rocha. Veio a enchente, a enxurrada bateu contra a casa, mas não conseguiu derrubá-la, porque estava bem construída. 49 Aquele que ouve e não põe em prática, é semelhante a um homem que construiu uma casa sobre a terra, sem alicerce. A enxurrada bateu contra a casa, e ela imediatamente desabou; e foi grande a ruína dessa casa.”
Comentário:
* 43-45: Assim como as árvores são conhecidas pelos frutos, do mesmo modo os homens são conhecidos pelos seus atos.
* 46-49: Quem põe em prática a mensagem de Jesus, constrói a vida pessoal e comunitária sobre alicerce firme, que resiste à alienação, aos conflitos e até mesmo à perseguição. Quem fica somente no ouvir ou no falar, jamais colabora na construção de nova sociedade.
Todos recordaremos que, certa vez, Jesus, contrapondo-se ao ritualismo farisaico, disse que o que torna o ser humano impuro não é o alimento que ingere, mas o que sai de seu interior. Pois a primeira parte do Evangelho de hoje exemplifica e aprofunda tal afirmação, especialmente o v. 45. Se cultivamos o mal no nosso coração, como pretendemos colher frutos bons? Sabedoria profunda, que deve iluminar a nossa vida. Hoje está na moda a PNL (Programação Neurolinguística), abordagem de comunicação, psicoterapia e autodesenvolvimento que afirma que existe uma conexão entre a parte neurológica e a linguagem e os padrões comportamentais. Ela pode nos ajudar, mas o ensinamento de Jesus vai muito além e diz que é a centelha divina que cultivamos através da fé que deve ser cultivada no nosso interior, e assim todos os frutos gerados serão bons.
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Lucas 6, 39-42 Só Deus pode julgar.
39 Jesus contou uma parábola aos discípulos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? 40 Nenhum discípulo é maior do que o mestre; e todo discípulo bem formado será como o seu mestre. 41 Por que você fica olhando o cisco no olho do seu irmão, e não presta atenção na trave que há no seu próprio olho? 42 Como é que você pode dizer ao seu irmão: ‘Irmão, deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando você não vê a trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave do seu próprio olho, e então você enxergará bem, para tirar o cisco do olho do seu irmão.”
Comentário:
* 37-42: Cf. nota em Mt 7,1-5. Lucas salienta que as relações numa sociedade nova não devem ser de julgamento e condenação, mas de perdão e dom. Só Deus pode julgar.
A parábola de hoje, que na verdade se divide em três imagens ou três ensinamentos, fala sobre a misericórdia e a gratuidade, especialmente na vida em comunidade. Serve para alertar os dirigentes e guias da comunidade, para que vivam com coerência e evitem a tentação de se impor aos outros. Por isso, aquele que não tem clareza ou visão do futuro não pode guiar outro “cego”; o líder deve motivar e orientar a comunidade, não se fazer superior a ela; e ninguém tem o direito de criticar o outro se antes não fizer uma autocrítica sobre suas ações. Tais atitudes revelam os bons líderes comunitários, e teríamos muitos bons nomes para citar, no Brasil e no mundo. Você se recorda de algum ou tem particular admiração por algum líder cristão?
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Lucas 6, 27-38 A gratuidade nas relações.
* 27 “Mas, eu digo a vocês que me escutam: amem os seus inimigos, e façam o bem aos que odeiam vocês. 28 Desejem o bem aos que os amaldiçoam, e rezem por aqueles que caluniam vocês. 29 Se alguém lhe dá um tapa numa face, ofereça também a outra; se alguém lhe toma o manto, deixe que leve também a túnica. 30 Dê a quem lhe pede e, se alguém tira o que é de você, não peça que devolva. 31 O que vocês desejam que os outros lhes façam, também vocês devem fazer a eles. 32 Se vocês amam somente aqueles que os amam, que gratuidade é essa? Até mesmo os pecadores amam aqueles que os amam. 33 Se vocês fazem o bem somente aos que lhes fazem o bem, que gratuidade é essa? Até mesmo os pecadores fazem assim. 34 E se vocês emprestam somente para aqueles de quem esperam receber, que gratuidade é essa? Até mesmo os pecadores emprestam aos pecadores, para receber de volta a mesma quantia. 35 Ao contrário, amem os inimigos, façam o bem e emprestem, sem esperar coisa alguma em troca. Então, a recompensa de vocês será grande, e vocês serão filhos do Altíssimo, porque Deus é bondoso também para com os ingratos e maus. 36 Sejam misericordiosos, como também o Pai de vocês é misericordioso.”
Só Deus pode julgar -* 37 “Não julguem, e vocês não serão julgados; não condenem, e não serão condenados; perdoem, e serão perdoados. 38 Deem, e será dado a vocês; colocarão nos braços de vocês uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante. Porque a mesma medida que vocês usarem para os outros, será usada para vocês.”
Comentário:
* 27-36: A vida em sociedade é feita de relacionamentos de interesses e reciprocidade, que geram lucro, poder e prestígio. O Evangelho revoluciona o campo das relações humanas, mostrando que, numa sociedade justa e fraterna, as relações devem ser gratuitas, à semelhança do amor misericordioso do Pai.
* 37-42: Cf. nota em Mt 7,1-5. Lucas salienta que as relações numa sociedade nova não devem ser de julgamento e condenação, mas de perdão e dom. Só Deus pode julgar.
O trecho do Evangelho que hoje meditamos resume melhor do que qualquer escola filosófica os princípios da ética humana. A máxima dita por Jesus – “Tratem as pessoas como vocês gostariam que elas tratassem vocês” – é superior e mais objetiva que o famoso imperativo categórico de Kant: “Age como se a máxima de tua ação devesse ser erigida por tua vontade em lei universal da Natureza”. Esse pequeno código moral oferecido pelo Mestre deve caracterizar o cristão, servindo como um manual de prática diária para alcançarmos a santidade, para quem sabe um dia sermos misericordiosos como o nosso Pai é misericordioso.
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Lucas 6, 20-26 Anseio por um mundo novo.
20 Levantando os olhos para os discípulos, Jesus disse: “Felizes de vocês, os pobres, porque o Reino de Deus lhes pertence. 21 Felizes de vocês que agora têm fome, porque serão saciados. Felizes de vocês que agora choram, porque hão de rir. 22 Felizes de vocês se os homens os odeiam, se os expulsam, os insultam e amaldiçoam o nome de vocês, por causa do Filho do Homem. 23 Alegrem-se nesse dia, pulem de alegria, pois será grande a recompensa de vocês no céu, porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. 24 Mas, ai de vocês, os ricos, porque já têm a sua consolação! 25 Ai de vocês, que agora têm fartura, porque vão passar fome! Ai de vocês, que agora riem, porque vão ficar aflitos e irão chorar! 26 Ai de vocês, se todos os elogiam, porque era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas.”
Comentário:
* 17-26: O povo vem de todas as partes ao encontro de Jesus, porque a ação dele faz nascer a esperança de uma sociedade nova, libertada da alienação e dos males que afligem os homens. Os vv. 20-26 proclamam o cerne de toda a atividade de Jesus: produzir uma sociedade justa e fraterna, aberta para a novidade de Deus. Para isso, é preciso libertar os pobres e famintos, os aflitos e os que são perseguidos por causa da justiça. Isso, porém, só se alcança denunciando aqueles que geram a pobreza e a opressão e depondo-os dos seus privilégios. Não é possível abençoar o pobre sem libertá-lo da pobreza. Não é possível libertar o pobre da pobreza sem denunciar o rico para libertá-lo da riqueza.
No Evangelho de Mateus, as bem-aventuranças abrem o famoso Sermão da montanha, mostrando que o ser humano é vocacionado à felicidade, e que essa felicidade está associada ao não-conformismo diante das injustiças do mundo e à convocação para a ação segundo os valores evangélicos. Na versão de Lucas que hoje lemos, Jesus acrescenta algumas “denúncias” às bem-aventuranças. Ao estilo dos antigos profetas, Jesus alerta os que procuram a riqueza, o poder e o prestígio, pois ali não encontrarão a felicidade. Antídoto para a tentação da autorreferencialidade, que conduz ao egoísmo e à condenação, é a humildade, a obediência e a fidelidade. Os fracos, pobres e simples encontrarão consolo no Reino, enquanto os ricos, que exploram e excluem, cairão em tristeza.
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Mateus 1,18-23 O começo de uma nova história.
* 18 A origem de Jesus, o Messias, foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19 José, seu marido, era justo. Não queria denunciar Maria, e pensava em deixá-la, sem ninguém saber. 20 Enquanto José pensava nisso, o Anjo do Senhor lhe apareceu em sonho, e disse: “José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria como esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, e você lhe dará o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados.”
22 Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 23 “Vejam: a virgem conceberá, e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco.”
Comentário:
* 18-25: Jesus não é apenas filho da história dos homens. É o próprio Filho de Deus, o Deus que está conosco. Ele inicia nova história, em que os homens serão salvos (Jesus = Deus salva) de tudo o que diminui ou destrói a vida e a liberdade (os pecados).
A liturgia nos ensina a buscar no culto da Natividade de Maria uma verdade profunda: a vinda do homem-Deus à terra foi longamente preparada pelo Pai no decurso dos séculos. Celebrada exatamente nove meses após a solenidade da Imaculada Conceição (8 de dezembro), dogma da Igreja que afirma que a Virgem Maria foi preservada do pecado original desde o momento de sua concepção e, portanto, nasce sem a mancha do pecado original, sendo escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador. As informações que temos sobre o nascimento e a infância da Virgem Maria vêm sobretudo dos chamados livros apócrifos, particularmente do Protoevangelho de Tiago (século II).
domingo, 6 de setembro de 2026
Lucas 6,6-11 A lei de Jesus é salvar o homem.
* 6 Em outro sábado, Jesus entrou na sinagoga, e começou a ensinar. Aí havia um homem com a mão direita seca. 7 Os doutores e os fariseus espiavam, para ver se Jesus iria curá-lo durante o sábado, e assim encontrarem motivo para acusá-lo. 8 Mas Jesus sabia o que eles estavam pensando, e disse ao homem da mão seca: “Levante-se, e fique no meio.” Ele se levantou, e ficou de pé. 9 Jesus disse aos outros: “Eu pergunto a vocês: a Lei permite no sábado fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?” 10 Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor, e disse ao homem: “Estenda a mão.” O homem assim o fez, e sua mão ficou boa. 11 Eles ficaram com muita raiva, e começaram a conversar sobre o que poderiam fazer contra Jesus.
Comentário:
* 6-11: Jesus mostra que a lei do sábado deve ser interpretada como libertação e vida para o homem. Por isso, os que preferem ficar com o velho sistema se reúnem para planejar a morte de Jesus: ele está destruindo as ideias de religião e sociedade que eles tinham.
sábado, 5 de setembro de 2026
Romanos 13, 8-10 O amor é o pleno cumprimento da Lei.
* 8 Não fiquem devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo. Pois, quem ama o próximo cumpriu plenamente a Lei. 9 De fato, os mandamentos: não cometa adultério, não mate, não roube, não cobice, e todos os outros se resumem nesta sentença: “Ame o seu próximo como a si mesmo.” 10 O amor não pratica o mal contra o próximo, pois o amor é o pleno cumprimento da Lei.
Comentário:
* 8-10: Na vida cristã a única tarefa que não tem limites é o amor, pois ele não só resume tudo o que deve ser feito, mas é também o espírito com que tudo deve ser feito. Como nos evangelhos, Paulo também vê o amor como a expressão perfeita de toda a Lei.
Mateus 18, 15-20 E quando o irmão peca?
* 15 “Se o seu irmão pecar, vá e mostre o erro dele, mas em particular, só entre vocês dois. Se ele der ouvidos, você terá ganho o seu irmão. 16 Se ele não lhe der ouvidos, tome com você mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. 17 Caso ele não dê ouvidos, comunique à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele der ouvidos, seja tratado como se fosse um pagão ou um cobrador de impostos. 18 Eu lhes garanto: tudo o que vocês ligarem na terra, será ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra, será desligado no céu. 19 E lhes digo ainda mais: se dois de vocês na terra estiverem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está no céu. 20 Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles.”
Comentário:
* 15-20: Quando um irmão peca, prejudicando o bem comum, a comunidade age com prudência e justiça, procurando corrigir o irmão. Reunida em nome e no espírito de Jesus, a comunidade tem o poder de incluir ou excluir pessoas do seu meio (cf. 16,19), isto é, incluir ou excluir pessoas. A missão dela, porém, não termina com a exclusão do pecador: ela deve procurá-lo, como o pastor que sai em busca da ovelha perdida (18,11-14).
O Evangelho deste domingo está dentro do capítulo que trata do “discurso comunitário”, ou seja, das orientações do Mestre aos seus discípulos. O texto pode revelar como as comunidades cristãs excluem pessoas com muita facilidade. O esforço da comunidade deve caminhar sempre no sentido de “salvar e recuperar” a pessoa. A comunidade tem poder para tomar a decisão final, mas isso não pode ser na base do autoritarismo, e sim com amor e compreensão. Em geral, é mais fácil “excluir que incluir”. Devemos reconhecer que ninguém é perfeito e não é pelo fato de sermos cristãos que estamos livres de cometer deslizes. Jesus nos desafia a sentirmo-nos responsáveis uns pelos outros. A proposta da “correção fraterna” é válida para a comunidade cristã, para as famílias e para qualquer grupo de convivência.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Lucas 6, 1-5 Jesus liberta da lei .
1 Num dia de sábado, Jesus estava passando por uns campos de trigo. Os discípulos arrancavam e comiam as espigas, debulhando-as com as mãos. 2 Então alguns fariseus disseram: “Por que vocês estão fazendo o que não é permitido em dia de sábado?” 3 Jesus respondeu: “Então vocês não leram o que Davi e seus companheiros fizeram quando estavam sentindo fome? 4 Davi entrou na casa de Deus, pegou e comeu dos pães oferecidos a Deus, e ainda os deu a seus companheiros. No entanto, só os sacerdotes podem comer desses pães.” 5 E Jesus acrescentou: “O Filho do Homem é senhor do sábado.”
Comentário:
*1-5: Sendo senhor do sábado, Jesus está acima das leis, mesmo religiosas, que os homens elaboram. Ele relativiza essas leis, mostrando que elas não têm sentido quando impedem o homem de ter acesso aos bens necessários para a própria sobrevivência.
Ao recordar um famoso episódio da vida do rei Davi, Jesus não está apenas confrontando os fariseus e mostrando sua hipocrisia ao “engessar” a Lei mosaica. Ao mesmo tempo, Jesus afirma sua própria divindade, mostrando que é maior do que Davi (considerado o maior líder político de Israel) e maior do que Moisés (considerado o maior líder religioso de Israel). Jesus é o Senhor (Yhwh, Adonai, Kyrios) do sábado, porque é o Filho do Homem (encarnação de Deus). Jesus é Deus, que veio ao mundo para nos salvar. Tudo, portanto também o sábado, está a serviço da salvação e recebe novo significado em Cristo. Daí o domingo (dia do Senhor, que representa no cristianismo o que o sábado é no judaísmo) ser um dia de encontro e fraternidade, um dia de festa, alegria e louvor a Deus, e não de “obrigações” e limitações.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Lucas 5, 1-11 O seguimento de Jesus.
* 1 Certo dia, Jesus estava na margem do lago de Genesaré. A multidão se apertava ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. 2 Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago; os pescadores haviam desembarcado, e lavavam as redes. 3 Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões. 4 Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avance para águas mais profundas, e lancem as redes para a pesca.” 5 Simão respondeu: “Mestre, tentamos a noite inteira, e não pescamos nada. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes.” 6 Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes, que as redes se arrebentavam. 7 Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que fossem ajudá-los. Eles foram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem. 8 Ao ver isso, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” 9 É que o espanto tinha tomado conta de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer. 10 Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Mas Jesus disse a Simão: “Não tenha medo! De hoje em diante você será pescador de homens.” 11 Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo, e seguiram a Jesus.
Comentário:
* 1-11: A cena é simbólica. Jesus chama seus primeiros discípulos, mostrando-lhes qual a missão reservada a eles: fazer que os homens participem da libertação trazida por Jesus e que só pode realizar-se no seguimento dele, mediante a união com ele e sua missão. O convite ao seguimento é exigente: é preciso “deixar tudo”, para que nada impeça o discípulo de anunciar a Boa Notícia do Reino.
No contexto da pesca milagrosa se dá o primeiro chamado a seguir Jesus, segundo o evangelista Lucas. Os apóstolos, portanto, “sabem onde estão se metendo”, diríamos numa expressão popular. A decisão de seguir Jesus acontece após escutarem o seu ensinamento e testemunharem o seu poder, curando os doentes e, agora, realizando o milagre da pesca abundante. Acontece após os chamados tomarem consciência de suas próprias fraquezas e limitações, ao mesmo tempo que reconhecem a força de Jesus em transformar não apenas suas vidas, mas a própria humanidade e o mundo. Cheios de fé e esperança, deixam tudo e aceitam o desafio de serem “pescadores de gente”.
terça-feira, 1 de setembro de 2026
Lucas 4, 38-44 Ser livre para servir.
* 38 Jesus saiu da sinagoga, e foi para a casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. 39 Inclinando-se para ela, Jesus ameaçou a febre, e esta deixou a mulher. Então, no mesmo instante, ela se levantou, e começou a servi-los.
40 Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levavam a Jesus. Jesus colocava as mãos em cada um deles, e os curava. 41 De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: “Tu és o Filho de Deus.” Jesus os ameaçava, e não os deixava falar, porque os demônios sabiam que ele era o Messias.
Jesus anuncia o Reino -* 42 Ao raiar do dia, Jesus saiu, e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam, e, indo até ele, não queriam deixá-lo que fosse embora. 43 Mas Jesus disse: “Devo anunciar a Boa Notícia do Reino de Deus também para as outras cidades, porque para isso é que fui enviado.” 44 E Jesus pregava nas sinagogas da Judéia.
Comentário:
* 38-41: Cf. nota em Mc 1,29-34: Para os antigos, a febre era de origem demoníaca. Libertos do demônio, os homens podem levantar-se e pôr-se a serviço. Os demônios reconhecem quem é Jesus, porque sentem que a palavra e ação dele ameaça o domínio que eles têm sobre o homem.
* 42-44: A Boa Notícia do Reino é o amor de Deus que provoca a transformação radical das estruturas que escravizam os homens. Para anunciá-la, Jesus vai ao encontro daqueles que ainda não a conhecem.
Em Cafarnaum, Jesus ensina e cura. Estamos num sábado, dia de oração, no qual os judeus se dirigiam à sinagoga. Ali Jesus ensina. Mas é também dia de descanso sagrado, por isso a ênfase de que levavam a Jesus os doentes “ao pôr do sol”, quando o dia já tinha terminado e as atividades poderiam retomar a normalidade. Jesus cura a todos, indistintamente. Sua única exigência é a fé verdadeira. Na cura da sogra de Pedro, cena bastante conhecida, vemos Jesus tratar a febre como uma espécie de espírito impuro: “repreendeu a febre, e a febre a deixou”. Algo que limita e aprisiona. Assim, entendemos melhor a ênfase na continuidade da ação, sinal de gratidão e discipulado: “a mulher se levantou e começou a servi-los”.
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Lucas 4, 31-37 Jesus liberta da alienação.
* 31 Jesus foi a Cafarnaum, cidade da Galileia, e aí ensinava aos sábados. 32 As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento, porque Jesus falava com autoridade. 33 Na sinagoga havia um homem possuído pelo espírito de um demônio mau, que gritou em alta voz: 34 “O que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!” 35 Jesus o ameaçou, dizendo: “Cale-se, e saia dele!” Então o demônio jogou o homem no chão, saiu dele, e não lhe fez mal nenhum. 36 O espanto tomou conta de todos, e eles comentavam entre si: “Que palavra é essa? Ele manda nos espíritos maus com autoridade e poder, e eles saem.” 37 E a fama de Jesus se espalhava em todos os lugares da redondeza.
Comentário:
* 31-37: Cf. nota em Mc 1, 21-28: A ação demoníaca escraviza e aliena o homem, impedindo-o de pensar e de agir por si mesmo (por exemplo: ideologias, propagandas, estruturas, sistemas etc.): outros pensam e agem através dele. O primeiro milagre de Jesus é fazer o homem voltar à consciência e à liberdade. Só assim o homem pode segui-lo.
Marcos não diz qual era o ensinamento de Jesus; contudo, mencionando-o junto com uma ação de cura, ele sugere que o ensinamento com autoridade repousa numa prática concreta de libertação: com sua ação Jesus interpreta as Escrituras de modo superior a toda a cultura dos doutores da Lei.
É curioso notar a expressão utilizada pelo espírito impuro para se referir a Jesus. Chama-o de “Santo de Deus”. É a única vez que essa expressão é utilizada no Evangelho de Lucas e, ao longo dos Evangelhos, é utilizada apenas mais duas vezes, em Mc 1,24 e Jo 6,69. Essa expressão significativa é, portanto, um título forte dado ao Messias, com o qual as forças do mal reconhecem a proximidade de Jesus com a santidade de Deus três vezes santo: “Santo, santo, santo” (Is 6,3-5). Além da transcendência de Deus Santo do Antigo Testamento, do qual não é possível se aproximar, nessa expressão temos uma alusão ao Deus Trino: Pai, Filho e Espírito, todos os três Santos segundo o Novo Testamento.
domingo, 30 de agosto de 2026
Lucas 4, 16-30 O programa da atividade de Jesus.
16 Jesus foi à cidade de Nazaré, onde se havia criado. Conforme seu costume, no sábado entrou na sinagoga, e levantou-se para fazer a leitura. 17 Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem onde está escrito: 18 “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, 19 e para proclamar um ano de graça do Senhor.” 20 Em seguida Jesus fechou o livro, o entregou na mão do ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Então Jesus começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês acabam de ouvir.”
Reação do povo -* 22 Todos aprovavam Jesus, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Este não é o filho de José?” 23 Mas Jesus disse: /”Sem dúvida vocês vão repetir para mim o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum.” 24 E acrescentou: “Eu garanto a vocês: nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25 De fato, eu lhes digo que havia muitas viúvas em Israel, no tempo do profeta Elias, quando não vinha chuva do céu durante três anos e seis meses, e houve grande fome em toda a região. 26 No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, e sim a uma viúva estrangeira, que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27 Havia também muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu. Apesar disso, nenhum deles foi curado, a não ser o estrangeiro Naamã, que era sírio.” 28 Quando ouviram essas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29 Levantaram-se, e expulsaram Jesus da cidade. E o levaram até o alto do monte, sobre o qual a cidade estava construída, com intenção de lançá-lo no precipício. 30 Mas Jesus, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.
Comentário:
* 14-21: Colocada no início da vida pública de Jesus, esta passagem constitui, conforme Lucas, o programa de toda a atividade de Jesus. Is 61,1-2 anunciara que o Messias iria realizar a missão libertadora dos pobres e oprimidos. Jesus aplica a passagem a si mesmo, assumindo-a no hoje concreto em que se encontra. No ano da graça eram perdoadas todas as dívidas e se redistribuíam fraternalmente todas as terras e propriedades: Jesus encaminha a humanidade para uma situação de reconciliação e partilha, que tornam possíveis a igualdade, a fraternidade e a comunhão.
* 22-30: A dúvida e a rejeição de Jesus por parte de seus compatriotas fazem prever a hostilidade e a rejeição de toda a atividade de Jesus por parte de todo o seu povo. No entanto, Jesus prossegue seu caminho, para construir a nova história que engloba toda a humanidade.
Os sinais para identificar a chegada do Reino são claros: anúncio da Boa Notícia, com a consequente libertação dos presos, recuperação da vista aos cegos, alívio dos oprimidos, proclamação do ano da graça do Senhor. Jesus é a própria Boa Notícia, o Logos encarnado, e tudo o que realizou ao longo da sua vida pública concretiza as profecias de Isaías. Não há dúvida, portanto, de que nele “se cumpriu essa passagem da Escritura”. Nele se cumpre a libertação não apenas do povo de Israel, mas de toda a humanidade. O pecado e a morte não têm mais força sobre a vida nova.
sábado, 29 de agosto de 2026
Mateus 16, 21-27 Jesus é o Messias.
21 E Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém, e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. 22 Então Pedro levou Jesus para um lado, e o repreendeu, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” 23 Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: “Fique longe de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens!”
O seguimento de Jesus -* 24 Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. 25 Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26 Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida? 27 Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a própria conduta. 28 Eu garanto a vocês: alguns daqueles que estão aqui, não morrerão sem terem visto o Filho do Homem vindo com o seu Reino.”
Comentário:
* 13-23: Cf. nota em Mc 8,27-33. Pedro é estabelecido como o fundamento da comunidade que Jesus está organizando e que deverá continuar no futuro. Jesus concede a Pedro o exercício da autoridade sobre essa comunidade, autoridade de ensinar e de excluir ou introduzir os homens nela. Para que Pedro possa exercer tal função, a condição fundamental é ele admitir que Jesus não é messias triunfalista e nacionalista, mas o Messias que sofrerá e morrerá na mão das autoridades do seu tempo. Caso contrário, ele deixa de ser Pedro para ser Satanás. Pedro será verdadeiro chefe, se estiver convicto de que os princípios que regem a comunidade de Jesus são totalmente diferentes daqueles em que se baseiam as autoridades religiosas do seu tempo.
* 24-28: Cf. nota em Mc 8, 34-38: A morte de cruz era reservada a criminosos e subversivos. Quem quer seguir a Jesus esteja disposto a se tornar marginalizado por uma sociedade injusta (perder a vida) e mais, a sofrer o mesmo destino de Jesus: morrer como subversivo (tomar a cruz).
Jesus nunca procurou esconder de seus seguidores a realidade a respeito de sua vida, nem tentou adocicar suas propostas para angariar mais seguidores. Ele não quer iludir ninguém. O texto de hoje revela seu destino trágico em Jerusalém e convida quem tiver coragem para segui-lo. Diante dessas revelações, Pedro, todo “corajoso”, chama a atenção do Mestre e diz que isso não pode acontecer. Jesus o convida a se colocar em seu lugar – ser um discípulo que ainda deve aprender – e o chama “Satanás”. Em suas boas intenções, Pedro quer livrar Jesus da morte trágica em Jerusalém, mas assim procura desviar Jesus do seu projeto. Diante da resistência de Pedro, Jesus revela o caminho do discipulado. Quem quiser segui-lo terá que renunciar regalias ou pretensões egoístas e assumir a própria cruz do dia a dia.
Romanos 12, 1-2 O culto autêntico.
* 1 Irmãos, pela misericórdia de Deus, peço que vocês ofereçam os próprios corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Esse é o culto autêntico de vocês. 2 Não se amoldem às estruturas deste mundo, mas transformem-se pela renovação da mente, a fim de distinguir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que é agradável a ele, o que é perfeito.
Comentário:
* 1-2: A vida cristã é resposta à misericórdia de Deus e abrange toda a existência concreta do homem, representada pelo corpo como centro de vida e ação e de relação com Deus, com os homens e com o mundo. Cada cristão oferece a si mesmo, sendo ele próprio o sacerdote e o sacrifício vivo. Tal sacerdócio é exercido de modo prático através do não-conformismo, que critica as estruturas corrompidas pela injustiça, e através de discernimento novo, que sabe distinguir a vontade de Deus que leva à justiça e à vida.
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Marcos 6, 17-29 O banquete da morte.
17 De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, com quem tinha casado, apesar de ser ela a mulher do seu irmão Filipe. 18 João dizia a Herodes: “Não é permitido você se casar com a mulher do seu irmão.” 19 Por isso, Herodíades ficou com raiva de João e queria matá-lo, mas não podia. 20 Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava.
21 Finalmente chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes. E ele fez um banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. 22 A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Peça o que quiser e eu darei a você.” 23 E jurou: “Juro que darei qualquer coisa que você me pedir, mesmo que seja a metade do meu reino.” 24 A moça saiu e perguntou à mãe: “O que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista.” 25 A moça correu para a sala e pediu ao rei: “Quero que me dê agora, num prato, a cabeça de João Batista.” 26 O rei ficou muito triste. Mas não pôde recusar, pois tinha feito o juramento na frente dos convidados. 27 Imediatamente o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, foi à prisão e cortou a cabeça de João. 28 Depois levou a cabeça num prato, deu à moça, e esta a entregou à sua mãe. 29 Ao saber disso, os discípulos de João foram, levaram o cadáver e o sepultaram.
Comentário:
* 14-29: A narração da morte de João Batista apresenta o destino de Jesus e dos que o seguem. A morte de João acontece dentro de um banquete de poderosos. Assim, o profeta que pregava o início de transformação radical é morto por aqueles que se sentem incomodados com essa transformação.
O martírio de João Batista nos leva a refletir sobre as consequências de uma liderança guiada pelos interesses humanos, e não divinos, seja ela política, religiosa ou econômica. Quando o líder tem como meta apenas o poder e a riqueza, deixa-se levar pela ganância e pela luxúria, sendo incapaz de ver as atrocidades que comete. Isso vale não só para Herodes, mas também para sua amante Herodíades, que deixou o marido para se unir ao irmão dele por simples ambição. João representa a voz dos profetas e dos mártires, a voz que a Igreja deveria ser hoje na sociedade corrupta e ambiciosa.
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Mateus 25, 1-13 Estejam preparados.
-* 1 “Naquele dia, o Reino do Céu será como dez virgens que pegaram suas lâmpadas de óleo, e saíram ao encontro do noivo. 2 Cinco delas não tinham juízo, e as outras cinco eram prudentes. 3 Aquelas sem juízo pegaram suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4 As prudentes, porém, levaram vasilhas com óleo, junto com as lâmpadas. 5 O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormiram. 6 No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Saiam ao seu encontro’. 7 Então as dez virgens se levantaram, e prepararam as lâmpadas. 8 Aquelas que eram sem juízo disseram às prudentes: ‘Deem um pouco de óleo para nós, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. 9 As prudentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode faltar para nós e para vocês. É melhor vocês irem aos vendedores e comprar’. 10 Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. 11 Por fim, chegaram também as outras virgens, e disseram: ‘Senhor, Senhor, abre a porta para nós’. 12 Ele, porém, respondeu: ‘Eu garanto a vocês que não as conheço’. 13 Portanto, fiquem vigiando, pois vocês não sabem qual será o dia, nem a hora.”
Comentário:
* 1-13: Nesta parábola, o noivo é Jesus, que virá no fim da história. As virgens representam as comunidades cristãs, que devem sempre estar preparadas para o encontro com o Senhor, mediante a prática da justiça (o óleo).
Não poderíamos ter um Evangelho mais apropriado para celebrar a memória de Santo Agostinho do que este que tem como tema central a espera vigilante e prudente. A intensa procura pela verdade e pela origem do mal impulsionou Agostinho a encontrar o caminho do cristianismo, tornando-se um dos maiores pensadores de todos os tempos, sempre preocupado em dar razões à nossa fé ao mesmo tempo que promovia o amor a Deus e à verdade. Em um dos seus famosos Sermões (88, 14, 13), Agostinho afirmou: “Tenho medo que Jesus passe sem me dar conta”. Se estivermos desatentos, seguindo nossos próprios interesses, certamente não perceberemos Jesus passar na nossa vida!
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Mateus 24, 42-51 Fiquem vigiando.
42 Portanto, fiquem vigiando! Porque vocês não sabem em que dia virá o Senhor de vocês. 43 Compreendam bem isto: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente ficaria vigiando, e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44 Por isso, também vocês estejam preparados. Porque o Filho do Homem virá na hora em que vocês menos esperarem.
45 Qual é o empregado fiel e prudente? É aquele que o Senhor colocou como responsável pelos outros empregados, para dar comida a eles na hora certa. 46 Feliz o empregado cujo senhor o encontrar fazendo assim quando voltar. 47 Eu garanto a vocês: ele colocará esse empregado à frente de todos os seus bens. 48 Mas, se for mau empregado, pensará: ‘Meu senhor está demorando’. 49 Então começará a bater nos companheiros, a comer e a beber com os bêbados. 50 O senhor desse empregado virá num dia em que ele não espera, e numa hora que ele não conhece. 51 Então o senhor o cortará em pedaços, e o fará participar da mesma sorte dos hipócritas. Aí haverá choro e ranger de dentes.”
Comentário:
* 32-51: Jesus agora responde à pergunta feita pelos discípulos (v. 3). Cf. nota em Mc 13,28-37. A parábola dos vv. 45-51 ressalta a missão dos responsáveis pela comunidade cristã. Enquanto esperam por Jesus, eles devem continuar fiéis no serviço à comunidade, sem cair na tentação de afrouxar a prática da justiça, diante da demora do Senhor.
Como é nossa atitude enquanto esperamos a vinda definitiva do Senhor? Preocupamo-nos em defender os seus interesses, seguindo todas as indicações que ele nos deixou através do Evangelho? Ou preferimos passar o tempo nos divertindo, curtindo a vida, autossuficientes e indiferentes para Deus e para o próximo? Essa é uma forma de atualizar as questões presentes no Evangelho de hoje, relacionadas ao tema da vigilância, que estará em foco na liturgia dos próximos dias. Jesus nos exorta a vigiar, pois não sabemos nem o dia nem a hora da sua nova vinda. Nossa única certeza é que ele virá.
terça-feira, 25 de agosto de 2026
Mateus 23, 27-32 Jesus condena a hipocrisia religiosa.
27 Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e podridão! 28 Assim também vocês: por fora, parecem justos diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça. 29 Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês constroem sepulcros para os profetas, e enfeitam os túmulos dos justos, 30 e dizem: ‘Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices na morte dos profetas’. 31 Com isso, vocês confessam que são filhos daqueles que mataram os profetas. 32 Pois bem: acabem de encher a medida dos pais de vocês!
Comentário:
* 13-36: Jesus critica e condena os líderes religiosos que sustentam um sistema formalista e hipócrita: eles não consideram o Reino de Deus como dom, nem respeitam a liberdade dos filhos de Deus. Tal sistema impede de entrar no Reino, pois não leva à conversão, mas à perversão, e destrói o verdadeiro espírito das Escrituras, chegando a matar até mesmo os enviados de Deus. Jesus mostra que a religião formalista e jurídica não é meio de salvação, mas produz prática escravizadora; portanto, é frontalmente oposta àquela que deve ser vivida por qualquer comunidade cristã.
Continua a série de admoestações de Jesus dirigidas aos líderes religiosos e políticos de Israel. Hoje vemos as duas últimas das sete sentenças. A indignação de Jesus é tamanha que ele compara os doutores da Lei e os fariseus a “sepulcros caiados”, pois têm a aparência exterior de um túmulo recém-pintado de branco que tenta esconder sua realidade interior de corrupção e morte. Aparentando ser pessoas boas e justas, escondem uma realidade de mentiras e exploração, camuflam pecados e falta de comprometimento com os valores essenciais da religião, como a misericórdia e a justiça. São “sepulcros caiados” também porque dizem uma coisa e fazem outra, totalmente diferente, motivados por interesses próprios, e não pelo bem comum.
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