sexta-feira, 3 de julho de 2026

Mateus 9, 14-17 Jesus provoca ruptura.

* 14 Então os discípulos de João se aproximaram de Jesus, e perguntaram: “Nós e os fariseus fazemos jejum. Por que os teus discípulos não fazem jejum?” 15 Jesus respondeu: “Vocês acham que os convidados de um casamento podem estar de luto, enquanto o noivo está com eles? Mas chegarão dias em que o noivo será tirado do meio deles. Aí então eles vão jejuar. 16 Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo repuxa o pano, e o rasgo fica maior ainda. 17 Também não se põe vinho novo em barris velhos, senão os barris se arrebentam, o vinho se derrama e os barris se perdem. Mas vinho novo se põe em barris novos e assim os dois se conservam.” Comentário: * 14-17: Cf. nota em Mc 2,18-22. Jesus veio substituir o sistema da Lei, rigidamente seguido pelos fariseus. A justiça que vem da misericórdia abre as portas do Reino para todos. O jejum religioso tem sempre em vista o louvor a Deus. É um gesto de sacrifício e controle dos desejos a fim de alcançar o crescimento espiritual. Em todas as religiões há a prática do jejum. Os muçulmanos, por exemplo, jejuam do amanhecer ao pôr do sol no mês festivo do Ramadão, para que todos os seus pecados sejam perdoados. Os judeus fazem jejum no Dia do Perdão (Yom Kippur): do pôr do sol de um dia ao pôr do sol do outro dia, eles não comem e não bebem nada, nem mesmo água. Na Igreja Católica, o jejum quaresmal é uma prática comum desde o século IV e há uma distinção entre jejum e abstinência. O jejum é a renúncia total de comida e bebida (com exceção da água), enquanto a abstinência é abster-se de alguma coisa que seja mais cobiçada, como gesto de renúncia e penitência.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

João 20, 24-29 A comunidade é testemunha de Jesus ressuscitado.

* 24 Tomé, chamado Gêmeo, que era um dos Doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25 Os outros discípulos disseram para ele: “Nós vimos o Senhor.” Tomé disse: “Se eu não vir a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o meu dedo na marca dos pregos, e se eu não colocar a minha mão no lado dele, eu não acreditarei.” 26 Uma semana depois, os discípulos estavam reunidos de novo. Dessa vez, Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou. Ficou no meio deles e disse: “A paz esteja com vocês.” 27 Depois disse a Tomé: “Estenda aqui o seu dedo e veja as minhas mãos. Estenda a sua mão e toque o meu lado. Não seja incrédulo, mas tenha fé.” 28 Tomé respondeu a Jesus: “Meu Senhor e meu Deus!” 29 Jesus disse: “Você acreditou porque viu? Felizes os que acreditaram sem ter visto.” Comentário: * 24-29: Tomé simboliza aqueles que não acreditam no testemunho da comunidade e exigem uma experiência particular para acreditar. Jesus, porém, se revela a Tomé dentro da comunidade. Todas as gerações do futuro acreditarão em Jesus vivo e ressuscitado através do testemunho da comunidade cristã. Cristo vai ao encontro de Tomé. Chama-o pelo nome e critica sua falta de fé. Tomé exerce, na verdade, um importante papel na pedagogia bíblica. Ele é o exemplo de amadurecimento na fé. De incrédulo, passa a fazer a maior profissão de fé presente no Evangelho de João: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28). O fato de exigir provas para a fé é um argumento comum ainda hoje. É normal ter dúvidas, questionar, mas é característica da fé confiar na experiência da Verdade que fazemos em comunidade. Verdade que para nós não é um conceito ou teoria, mas uma pessoa, Jesus Cristo, alcançada não através de um processo racional, mas encarnando o Evangelho. O diálogo entre razão e fé é, portanto, possível e necessário; e os que necessitam de provas encontram-nas na comunidade cristã, o corpo de Cristo.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Mateus 9, 1-8 O poder de perdoar.

* 1 Jesus subiu numa barca, passou para a outra margem e chegou à sua cidade. 2 Nisso, levaram a ele um paralítico deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: “Coragem, filho! Os seus pecados estão perdoados.” 3 Então alguns doutores da Lei pensaram: “Esse homem está blasfemando!” 4 Mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse: “Por que é que vocês pensam coisas más? 5 O que é mais fácil dizer: ‘Os seus pecados estão perdoados’; ou dizer: ‘Levante-se e ande’? 6 Pois bem, para que vocês saibam que o Filho do Homem tem poder na terra para perdoar pecados - então disse Jesus ao paralítico: - Levante-se, pegue a sua cama e vá para a sua casa.” 7 O paralítico então se levantou, e foi para a sua casa. 8 Vendo isso, a multidão ficou com medo e louvou a Deus, por ter dado tal poder aos homens. Comentário: * 9,1-8: Cf. nota em Mc 2,1-12. Só Mateus acrescenta na conclusão as palavras “por ter dado tal poder aos homens”. Desse modo, o episódio se torna apresentação do poder de perdoar, que é entregue à comunidade da Igreja (cf. Mt 18,15-18). Jesus veio ao mundo para nos libertar das amarras do pecado e é exatamente, isso que vemos na cura do paralítico descrita por Mateus. Liberto do pecado, o homem volta à vida plena, sendo curado dos males que limitam a sua existência. Na época de Jesus, muitas doenças e paralisias eram vistas como “castigos” de Deus por um pecado cometido, seja pelo próprio doente ou por um ancestral. Mentalidade semelhante aos hinduístas e budistas, que chamam esse efeito de “carma”. Para o cristão, obviamente, isso não faz sentido, pois Deus não castiga nenhum de seus filhos, mas quer sempre o nosso bem. Jesus é a prova do amor incondicional de Deus e age com a autoridade que recebeu do Pai.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Mateus 8, 28-34 Jesus desaliena os homens.

* 28 Quando Jesus chegou à outra margem, à terra dos gadarenos, foram ao encontro dele dois homens possuídos pelo demônio. Saíam do meio dos túmulos e eram muito selvagens, de modo que ninguém podia passar por esse caminho. 29 Então eles gritaram: “Que é que há entre nós, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?” 30 Havia, ao longe, uma grande manada de porcos que estavam pastando. 31 Os demônios suplicavam: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos.” 32 Jesus disse: “Podem ir.” Os demônios saíram, e foram para os porcos; e eis que toda a manada se atirou monte abaixo para dentro do mar e morreu afogada. 33 Os homens que guardavam os porcos saíram correndo, foram à cidade e contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. 34 Então toda a cidade saiu ao encontro de Jesus. Vendo-o, começaram a suplicar que Jesus se retirasse da região deles. Comentário: * 28-34: Cf. nota em Mc 5,1-20. Para desalienar os homens não existem limite de espaço (“aqui”) e de tempo (“antes do tempo”). Mateus mostra que Jesus realizou sua ação libertadora, mesmo que para isso tivesse que “invadir” áreas pagãs, consideradas propriedade do demônio.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Mateus 8, 23-27 Jesus é o Senhor das situações.

* 23 Então Jesus entrou na barca, e seus discípulos o acompanharam. 24 E eis que houve grande agitação no mar, de modo que a barca estava sendo coberta pelas ondas. Jesus, porém, estava dormindo. 25 Os discípulos se aproximaram e o acordaram, dizendo: “Senhor, salva-nos, porque estamos afundando!” 26 Jesus respondeu: “Por que vocês têm medo, homens de pouca fé?” E, levantando-se, ameaçou os ventos e o mar, e tudo ficou calmo. 27 Os homens ficaram admirados e disseram: “Quem é esse homem, a quem até o vento e o mar obedecem?” Comentário: * 23-27: É nos momentos de crise e dificuldades diante do mundo que a comunidade cristã (discípulos) mostra se confia ou não na presença de Jesus em seu meio. As situações críticas são sempre um termômetro que mede o grau de consciência da maturidade ou infantilidade da fé. Um dos símbolos mais frequentes associados à Igreja é a barca. Pode se referir à barca de Pedro, o primeiro papa, ou à barca dos pescadores-apóstolos, com diversas pescas milagrosas, ou ainda à barca descrita no Evangelho de hoje, ameaçada pela tempestade. De fato, ao longo da sua história, a Igreja teve de enfrentar muitas tempestades. Hoje mesmo, quantas intempéries ameaçam a Igreja e a nossa própria vida de fé! Mas não deveríamos ter medo, pois conosco está o Senhor, que acalma qualquer tempestade, que nos livra de todos os perigos, que nos enche de força e motivação. Enfrentar as tribulações da vida com coragem e esperança é, portanto, sinal de fé, sinal de que acreditamos que Jesus está conosco e nos protege, sinal de que sabemos “quem é esse, a quem até os ventos e o mar obedecem” (v. 27). Ele é o Filho de Deus, o nosso Salvador. Quem decide seguir o Senhor precisa estar disposto a viver na tempestade e a resistir com fé.

domingo, 28 de junho de 2026

Mateus 8, 18-22 Exigências para seguir Jesus.

* 18 Vendo grandes multidões ao seu redor, Jesus mandou passar para a outra margem. 19 Então um doutor da Lei se aproximou e disse: “Mestre, eu te seguirei aonde quer que fores.” 20 Mas Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça.” 21 Outro, que era discípulo, disse a Jesus: “Senhor, deixa primeiro que eu vá sepultar meu pai.” 22 Mas Jesus lhe respondeu: “Siga-me, e deixe que os mortos sepultem seus próprios mortos.” Comentário: * 18-22: Para seguir a Jesus, a pessoa precisa estar disposta a duas coisas: correr o risco da insegurança sobre o futuro, e estar pronta para não adiar o compromisso. Após a narração do primeiro ciclo de milagres, Mateus descreve algumas instruções deixadas pelo Mestre a quem pretende segui-lo. Inicia por mostrar que o discipulado não é tarefa fácil, nem pode ser encarado com superficialidade. A primeira condição para segui-lo é estar disposto a aceitar sua absoluta pobreza e a dureza de sua vida itinerante. A segunda condição está diretamente relacionada à primeira e consiste em deixar tudo para trás, ou seja, ter o Reino de Deus como única preocupação pessoal, acima de qualquer outro bem ou valor terreno. Jesus não está dizendo que os mortos não precisam ser enterrados. Essa é, inclusive, uma das obras de misericórdia corporais! Está enfatizando que, para segui-lo, devemos assumir plenamente o seu projeto de vida, deixando para trás tudo o que conduz à morte.

sábado, 27 de junho de 2026

2 Timóteo 4, 6-8.17-18 Combati o bom combate.

-* 6 Quanto a mim, meu sangue está para ser derramado em libação, e chegou o tempo da minha partida. 7 Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé. 8 Agora só me resta a coroa da justiça que o Senhor, justo Juiz, me entregará naquele Dia; e não somente para mim, mas para todos os que tiverem esperado com amor a sua manifestação. O Senhor me deu forças - 17 Mas o Senhor ficou comigo e me encheu de força, a fim de que eu pudesse anunciar toda a mensagem, e ela chegasse aos ouvidos de todas as nações. E assim eu fui liberto da boca do leão. 18 O Senhor me libertará de todo mal e me levará para o seu Reino eterno. Ao Senhor, glória para sempre. Amém! Comentário: * 6-8: Diante da certeza do martírio, Paulo se compara a um atleta que recebe o prêmio da vitória: ele sabe que sua vida foi inteiramente dedicada a propagar e sustentar a fé. * 9-18: Os últimos tempos de Paulo são tristes e solitários. Embora abandonado e traído pelos companheiros mais próximos, seu olhar continua firme no Senhor, para anunciar o Evangelho e finalmente participar plenamente do Reino. Lucas já estava com Paulo no tempo da primeira prisão (cf. Cl 4,14); talvez seja este Lucas o autor do 3.° Evangelho e do livro dos Atos dos Apóstolos. Marcos ou João Marcos foi companheiro circunstancial (cf. At 12,12) e teve uma divergência com Paulo (cf. At 15,37-39). Mas o encontramos como companheiro fiel no tempo da perseguição (cf. Cl 4,10).

Mateus 16, 13-19 Jesus é o Messias.

* 13 Jesus chegou à região de Cesaréia de Filipe, e perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?” 14 Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias, ou algum dos profetas.” 15 Então Jesus perguntou-lhes: “E vocês, quem dizem que eu sou?” 16 Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.” 17 Jesus disse: “Você é feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que lhe revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18 Por isso eu lhe digo: você é Pedro, e sobre essa pedra construirei a minha Igreja, e o poder da morte nunca poderá vencê-la. 19 Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu, e o que você ligar na terra será ligado no céu, e o que você desligar na terra será desligado no céu.” Comentário: * 13-23: Cf. nota em Mc 8,27-33. Pedro é estabelecido como o fundamento da comunidade que Jesus está organizando e que deverá continuar no futuro. Jesus concede a Pedro o exercício da autoridade sobre essa comunidade, autoridade de ensinar e de excluir ou introduzir os homens nela. Para que Pedro possa exercer tal função, a condição fundamental é ele admitir que Jesus não é messias triunfalista e nacionalista, mas o Messias que sofrerá e morrerá na mão das autoridades do seu tempo. Caso contrário, ele deixa de ser Pedro para ser Satanás. Pedro será verdadeiro chefe, se estiver convicto de que os princípios que regem a comunidade de Jesus são totalmente diferentes daqueles em que se baseiam as autoridades religiosas do seu tempo. Depois de ter sido acompanhado pelos seus discípulos, Jesus deseja saber o que pensam dele. Segundo o povo, Jesus é um dos antigos profetas que teria ressuscitado. A visão dos seus seguidores é dada por Pedro, representante do grupo: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Jesus o elogia pela resposta revelada pelo Pai e lhe entrega as chaves do Reino do Céu. As chaves significam serviço em prol do Reino. A missão de Pedro e de todos os discípulos de Jesus é uma missão desafiadora, que exige coragem e discernimento, pois encontrará muitos desafios e obstáculos. A Igreja celebra o martírio de Pedro e Paulo na mesma data, pois são considerados as duas principais colunas da Igreja, apóstolos fiéis e comprometidos até a morte. Fica a pergunta para nós: quem é Jesus para mim?

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Mateus 8, 5-17 As fronteiras do Reino.

* 5 Jesus estava entrando em Cafarnaum, quando um oficial romano se aproximou dele, suplicando: 6 “Senhor, meu empregado está em casa, de cama, sofrendo muito com uma paralisia.” 7 Jesus respondeu: “Eu vou curá-lo.” 8 O oficial disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e meu empregado ficará curado. 9 Pois eu também obedeço a ordens e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: vá, e ele vai; e a outro: venha, e ele vem; e digo ao meu empregado: faça isso, e ele faz.” 10 Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Eu garanto a vocês: nunca encontrei uma fé igual a essa em ninguém de Israel! 11 Eu digo a vocês: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino do Céu junto com Abraão, Isaac e Jacó. 12 Enquanto os herdeiros do Reino serão jogados nas trevas exteriores onde haverá choro e ranger de dentes.” 13 Então Jesus disse ao oficial: “Vá, e seja feito conforme você acreditou.” E nessa mesma hora o empregado do oficial ficou curado. Ser livre para servir -* 14 Jesus foi para a casa de Pedro, e viu a sogra de Pedro deitada, com febre. 15 Então Jesus tocou a mão dela, e a febre a deixou. Ela se levantou, e começou a servi-los. Jesus é o Servo de Javé -* 16 À tarde, levaram a Jesus muitas pessoas que estavam possuídas pelo demônio. Jesus, com a sua palavra, expulsou os espíritos e curou todos os doentes, 17 para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías: “Ele tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas doenças.” Comentário: * 5-13: Atendendo ao pedido de um pagão, Jesus mostra que as fronteiras do Reino vão muito além do mundo estreito da pertença a uma origem privilegiada. A fronteira agora é a fé na palavra libertadora de Jesus. Mesmo pertencendo ao grupo dos que se consideram salvos, se não houver essa fé, também não haverá possibilidade de entrar no Reino de Deus. * 14-15: A presença de Jesus na comunidade liberta as pessoas do mal. Em resposta, as pessoas libertas se põem a serviço da comunidade. * 16-17: Mateus mostra o sentido das curas realizadas por Jesus. Citando Is 53,4, ele apresenta Jesus como o Servo de Javé, que liberta os homens de tudo aquilo que os aliena e oprime (demônios). O segundo milagre narrado por Mateus é realizado a partir do pedido de um pagão, centurião romano, o que mostra que Jesus veio para salvar a todos que manifestam fé verdadeira. O ato de fé do centurião é tão profundo e significativo que continuamos a repeti-lo ainda hoje em toda celebração eucarística: “Senhor, eu não sou digno(a) de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo(a)”, reconhecendo, assim, a presença real do Cordeiro de Deus no pão e vinho consagrados, e declarando nossa felicidade em sermos convidados para a ceia do Senhor.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Mateus 8, 1-4 Jesus purifica.

* 1 Quando Jesus desceu da montanha, grandes multidões começaram a segui-lo. 2 Eis que um leproso aproximou-se e ajoelhou-se diante de Jesus, dizendo: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar.” 3 Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fique purificado.” No mesmo instante o homem ficou purificado da lepra. 4 Então Jesus lhe disse: “Não conte isso a ninguém! Vá pedir ao sacerdote para examinar você, e depois faça a oferta que Moisés mandou, a fim de que seja um testemunho para eles.” Comentário: * 1-4: O leproso era um marginalizado da vida social (Lv 13,45-46). Através da cura, Jesus o reintegra na comunidade (Lv 14). O verdadeiro cumprimento da Lei não é declarar quem é puro ou impuro, mas fazer com que a pessoa fique purificada. Encerrado o grande discurso do Mestre, com diversos ensinamentos importantes, Mateus começa a narrar agora os milagres de Jesus, entremeados pelos chamados de discípulos e instruções para eles. Depois da teoria, a prática. Após proclamar o Reino, Jesus inicia a sua instauração, enfrentando e vencendo o mal em suas várias manifestações. Desce do monte para agir na planície, unindo, assim, sua dimensão de Mestre à de Messias, iniciando com a purificação do leproso. São interessantes os particulares do diálogo entre Jesus e o leproso narrado por Mateus. O leproso reconhece o poder que age no Mestre e pede com humildade: “Senhor, se queres, tens o poder de me purificar”. “Eu quero”, afirma Jesus, libertando aquele homem do mal que o impedia de conviver na comunidade. Jesus tem o poder de curar nossos males também hoje, mas temos a coragem de nos aproximar dele e pedir humildemente a transformação que precisamos?

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Mateus 7, 21-29 A fé é uma prática.

* 21 «Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino do Céu. Só entrará aquele que põe em prática a vontade do meu Pai, que está no céu. 22 Naquele dia muitos me dirão: ‘Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? E não foi em teu nome que fizemos tantos milagres?’ 23 Então, eu vou declarar a eles: Jamais conheci vocês. Afastem-se de mim, malfeitores!” Passar para a ação -* 24 “Portanto, quem ouve essas minhas palavras e as põe em prática, é como o homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha. 25 Caiu a chuva, vieram as enxurradas, os ventos sopraram com força contra a casa, mas a casa não caiu, porque fora construída sobre a rocha. 26 Por outro lado, quem ouve essas minhas palavras e não as põe em prática, é como o homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. 27 Caiu a chuva, vieram as enxurradas, os ventos sopraram com força contra a casa, e a casa caiu, e a sua ruína foi completa!” A autoridade de Jesus -* 28 Quando Jesus acabou de dizer essas palavras, as multidões ficaram admiradas com o seu ensinamento, 29 porque Jesus ensinava como alguém que tem autoridade, e não como os doutores da Lei. Comentário: * 21-23: Nem mesmo o ato de fé mais profundo da comunidade, que é o reconhecimento de Jesus como o Senhor, faz que alguém entre no Reino. Se o ato de fé pela palavra não for acompanhado de ações, é vazio e sem sentido. A expressão “naquele dia” indica o Juízo final e nos remete a Mt 25,31-46, onde são mostradas as ações que qualificam o autêntico reconhecimento de Jesus como Senhor. * 24-27: Construir a casa sobre a rocha é viver e agir de acordo com a justiça do Reino apresentada no Sermão da Montanha. Construir a casa sobre a areia é ficar na teoria, sem passar para a prática. * 28-29: A autoridade de Jesus não se baseia em tradições ou sistemas, e sim na sua própria pessoa. Ele vive e pratica o que ensina aos outros. A decisão pelo Evangelho e pelo seguimento de Cristo não pode ser apenas “da boca para fora”, ou seja, uma decisão superficial, abstrata, apenas com palavras. Jesus nos diz que julgará seus seguidores pelo modo como aplicaram na vida concreta todo o ensinamento que ele deixou, como viveram o Evangelho no cotidiano, em todas as suas relações e ações. No dia do Juízo, nossas palavras não bastarão, precisaremos mostrar coerência entre o que professamos e fazemos. O longo discurso de Jesus no Sermão da montanha nos apresenta o ensinamento de Jesus, que deve ser colocado em prática para edificarmos uma vida (casa) bem fundamentada (sobre a rocha).

Lucas 1, 57-66.80 Nascimento de João Batista.

* 57 Terminou para Isabel o tempo de gravidez, e ela deu à luz um filho. 58 Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido bom para Isabel, e se alegraram com ela. 59 No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. 60 A mãe, porém, disse: “Não! Ele vai se chamar João.” 61 Os outros disseram: “Você não tem nenhum parente com esse nome!” 62 Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. 63 Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: “O nome dele é João.” E todos ficaram admirados. 64 No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. 65 Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia se espalhou por toda a região montanhosa da Judéia. 66 E todos os que ouviam a notícia, ficavam pensando: “O que será que esse menino vai ser?” De fato, a mão do Senhor estava com ele. 80 O menino ia crescendo, e ficando forte de espírito. João viveu no deserto, até o dia em que se manifestou a Israel. Comentário: * 57-66: O nome de João (= Deus tem piedade) é o sinal que evidencia o projeto de Deus sobre a criança e sua missão. * 67-80: O cântico de Zacarias é um louvor ao Deus misericordioso que realiza, através de Jesus, a “visita” aos pobres. Em Jesus se manifesta a força que liberta dos inimigos e do medo, formando um povo santo diante de Deus e justo diante dos homens. Desse modo, manifesta-se a luz que ilumina a condição do povo, abrindo uma história nova, que se encaminha para a Paz, isto é, a plenitude da vida. O nascimento de João Batista anuncia a chegada de novos tempos, nos quais a esterilidade se tornará fecunda e o mutismo se transformará em anúncio profético. Seguindo o costume judaico, o menino é circuncidado ao mesmo tempo que recebe o nome. A atribuição do nome era prerrogativa do pai, mas Zacarias renuncia a esse direito, e quem lhe dá o nome é sua mãe, Isabel. O nome do filho será João, o que causa admiração dos vizinhos: “O que vai ser esse menino?”. João será o anunciador de Jesus, que traz a graça de Deus para libertar os pobres. João Batista, precursor de Jesus, tem duas comemorações: nascimento (24 de junho) e martírio (19 de agosto). Celebrar o nascimento de João Batista é celebrar a vida daquele que tem a missão de preparar e anunciar a vinda de Jesus. Foi habitar no deserto, preparando-se para a missão.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Mateus 7, 6.12-14 Saber discernir.

-* 6 «Não deem aos cães o que é santo, nem atirem pérolas aos porcos; eles poderiam pisá-las com os pés e, virando-se, despedaçar vocês.” A regra de ouro -* 12 “Tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles. Pois nisso consistem a Lei e os Profetas.” O Reino exige esforço -* 13 “Entrem pela porta estreita, porque é larga a porta e espaçoso o caminho que levam para a perdição, e são muitos os que entram por ela! 14 Como é estreita a porta e apertado o caminho que levam para a vida, e são poucos os que a encontram!” Comentário: * 6: Esta sentença provavelmente significa que é desperdício e perigo anunciar o Reino aos que não estão preocupados com ele. Se ligada à sentença sobre os dois senhores (Mt 6,24), poderia significar que é inútil e até perigoso anunciar os princípios evangélicos àqueles cujo deus são as riquezas. O coração deles está em outro lugar; fizeram outra opção fundamental. Em todo caso, a sentença parece fora de contexto, e é de difícil interpretação. * 12: No tempo de Jesus, “Lei e Profetas” indicava todo o Antigo Testamento. Esta “regra de ouro” convida-nos a ter para com os outros a mesma preocupação que temos espontaneamente para com nós mesmos. Não se trata de visão calculista - dar para receber -, mas de uma compreensão do que seja o amor do Pai. * 13-14: Tanto a opção fundamental pelo Reino e sua justiça (entrar pela porta), como continuar nessa busca fundamental (caminho), não são fáceis. A escolha verdadeira nunca será feita pelos indecisos e acomodados. Estes ficam relutando, ou escolhem a estrada mais larga proposta pelos ídolos. Encaminhando-nos para a conclusão do Sermão da montanha, Mateus reúne vários ditos de Jesus sobre a prudência, a caridade e a decisão em prol do Evangelho. Iniciamos com a prudência relacionada aos valores do Evangelho e do Reino, considerados sagrados, que nem todos entendem nem estão dispostos a acolher. Só quem tem um coração disponível é capaz de discernir e acolher a Palavra e os valores do Reino. A caridade é definida na chamada “regra de ouro”, ou seja, “façam às pessoas o mesmo que vocês desejam que elas façam a vocês”. O discípulo procura agir sempre pensando no bem do próximo e espera receber o mesmo dele. O difícil, às vezes, está em praticar isso em todos os momentos nas nossas relações com os outros, e assim chegamos ao terceiro dito de Jesus, sobre a decisão: optar pela porta estreita ou pela porta larga. Nem sempre é fácil trilhar o caminho proposto por Jesus, mas é com liberdade que optamos e decidimos pela felicidade ou infelicidade, pela salvação ou condenação.

domingo, 21 de junho de 2026

Mateus 7, 1-5 Ninguém pode julgar.

-* 1 “Não julguem, e vocês não serão julgados. 2 De fato, vocês serão julgados com o mesmo julgamento com que vocês julgarem, e serão medidos com a mesma medida com que vocês medirem. 3 Por que você fica olhando o cisco no olho do seu irmão, e não presta atenção à trave que está no seu próprio olho? 4 Ou, como você se atreve a dizer ao irmão: ‘deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando você mesmo tem uma trave no seu? 5 Hipócrita, tire primeiro a trave do seu próprio olho, e então você enxergará bem para tirar o cisco do olho do seu irmão.” Comentário: * 1-5: Deus nos julga com a mesma medida que usamos para os outros. O rigor do nosso julgamento sobre o nosso próximo (cisco) mostra que desconhecemos a nossa própria fragilidade e a nossa condição de pecadores diante de Deus (trave). A liturgia nos propõe hoje um texto breve, mas muito rico de ensinamentos. Em primeiro lugar, nos ensina que não fomos criados por Deus para julgar, mas para amar, ou seja, não somos juízes, mas irmãos. Se tomamos outro caminho, procurando julgar e condenar o nosso irmão, também Deus nos condenará. No fundo, Jesus mostra aos discípulos que todos os seres humanos são limitados, têm algum “cisco no olho”. Faz parte da natureza humana, que, com o pecado original, perdeu sua condição de “imagem e semelhança” de Deus, a perfeição. Entretanto, podemos trilhar o caminho da perfeição, e para tal somos auxiliados pelo Pai, que nos ama, e por Cristo, que é o nosso Caminho, Verdade e Vida. O Sermão da montanha, que estamos meditando nestes dias, mostra o caminho de retorno ao Pai, desviado pelo pecado de Adão e Eva.

sábado, 20 de junho de 2026

Romanos 5, 12-15 A vida supera a morte.

* 12 Assim como o pecado entrou no mundo através de um só homem e com o pecado veio a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. 13 De fato, já antes da Lei existia pecado no mundo, embora o pecado não possa ser levado em conta quando não existe Lei. 14 Ora, a morte reinou de Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não haviam pecado, cometendo uma transgressão igual à de Adão, o qual é figura daquele que devia vir. 15 O dom da graça, porém, não é como a falta. Se todos morreram devido à falta de um só, muito mais abundantemente se derramou sobre todos a graça de Deus e o dom gratuito de um só homem, Jesus Cristo. Comentário: * 12-21: Paulo contrapõe duas figuras, dois reinos e duas consequências: Adão-Cristo, pecado-graça; morte-vida. Adão é o início e a personificação da humanidade mergulhada no reino do pecado e caminhando para a morte; Cristo, o novo Adão, é início e personificação da humanidade introduzida no reino da graça e caminhando para a vida. Paulo não está interessado nas semelhanças entre Cristo e Adão. Ele os contrapõe apenas para mostrar a supremacia de Cristo e do reino da graça sobre Adão e o reino do pecado; pois o dom de Deus supera de longe o pecado dos homens.

Mateus 10, 26-33 Não tenham medo.

* 26 “Não tenham medo deles, pois não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não existe nada de oculto que não venha a ser conhecido. 27 O que digo a vocês na escuridão, repitam à luz do dia, e o que vocês escutam em segredo, proclamem sobre os telhados. 28 Não tenham medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Pelo contrário, tenham medo daquele que pode arruinar a alma e o corpo no inferno! 29 Não se vendem dois pardais por alguns trocados? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do Pai de vocês. 30 Quanto a vocês, até os cabelos da cabeça estão todos contados. 31 Não tenham medo! Vocês valem mais do que muitos pardais. 32 Portanto, todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante do meu Pai que está no céu. 33 Aquele, porém, que me renegar diante dos homens, eu também o renegarei diante do meu Pai que está no céu.” Comentário: * 26-33: Os discípulos não devem ter medo, porque a missão se baseia na verdade, que põe a descoberto toda a mentira de um sistema social que não mostra a sua verdadeira face. Os homens podem até matar o corpo dos discípulos, mas não conseguirão tirar-lhes a vida, pois é Deus quem dá e conserva ou tira a vida para sempre. A segurança do discípulo está na promessa: quem é fiel a Jesus, terá Jesus a seu favor diante de Deus. O medo impede o anúncio do Evangelho, o qual não pode permanecer oculto. As forças do mal colocam em perigo os valores do Reino. Uns mais e outros menos, todos temos algum medo: da morte, da violência, da escuridão, dos “monstros”… Tudo isso é muito normal. O Mestre apresenta também os motivos para não temer. Poderíamos dizer que há certa hierarquia de medos: uns têm fundamentos, outros nem tanto. A exemplo de Jesus, a coragem do cristão se fundamenta na confiança no Pai. Estando nas mãos de Deus, vivemos de forma mais serena e tranquila. O cristão se identifica pela sua coragem para enfrentar os desafios da vida. Jesus venceu o mundo e a morte, nessa vitória se fundamenta nossa esperança. Não podemos nos esquecer da Providência divina. O Pai celeste se preocupa até com os cabelos e com os pássaros, e nossa vida vale muito mais que um pássaro.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Mateus 6, 24-34 A escolha fundamental.

24 Ninguém pode servir a dois senhores. Porque, ou odiará a um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e às riquezas.” A busca fundamental -* 25 “Por isso é que eu lhes digo: não fiquem preocupados com a vida, com o que comer; nem com o corpo, com o que vestir. Afinal, a vida não vale mais do que a comida? E o corpo não vale mais do que a roupa? 26 Olhem os pássaros do céu: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, o Pai que está no céu os alimenta. Será que vocês não valem mais do que os pássaros? 27 Quem de vocês pode crescer um só centímetro, à custa de se preocupar com isso? 28 E por que vocês ficam preocupados com a roupa? Olhem como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29 Eu, porém, lhes digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 30 Ora, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, muito mais ele fará por vocês, gente de pouca fé! 31 Portanto, não fiquem preocupados, dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir? 32 Os pagãos é que ficam procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. 33 Pelo contrário, em primeiro lugar busquem o Reino de Deus e a sua justiça, e Deus dará a vocês, em acréscimo, todas essas coisas. 34 Portanto, não se preocupem com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações. Basta a cada dia a própria dificuldade.” Comentário: * 19-24: Todo homem, consciente ou inconscientemente, tem na vida um valor fundamental, um absoluto que determina toda a sua forma de ser e viver. Qual é o absoluto: Deus ou as riquezas? Deus leva o homem à liberdade e à vida, através da justiça que gera a partilha e a fraternidade. As riquezas são resultado da opressão e da exploração, levando o homem à escravidão e à morte. É preciso escolher a qual dos dois queremos servir. * 25-34: A aquisição de bens necessários para viver se torna ansiedade contínua e pesada, se não for precedida pela busca da justiça do Reino, isto é, a promoção de relações de partilha e fraternidade. O necessário para a vida virá junto com essa justiça, como fruto natural de árvore boa. Jesus continua ensinando os discípulos sobre os males da ganância, não por acaso considerada um dos sete pecados capitais. O cristão, discípulo de Cristo, não pode prostrar-se diante do falso deus da riqueza ou do poder; não pode submeter-se ao falso deus do dinheiro, tão cultuado nos nossos tempos. Deus garante o pão nosso de cada dia e nos dá tudo o que precisamos, desde que o sigamos com o coração puro, como a criança que confia nos seus pais e recebe toda atenção e cuidado. Devemos procurar sempre e em tudo a justiça de Deus, e tudo nos será dado, aqui na terra ou no céu.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Mateus 6, 19-23 A escolha fundamental,

* 19 “Não ajuntem riquezas aqui na terra, onde a traça e a ferrugem corroem, e onde os ladrões assaltam e roubam. 20 Ajuntem riquezas no céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem, e onde os ladrões não assaltam nem roubam. 21 De fato, onde está o seu tesouro, aí estará também o seu coração. 22 A lâmpada do corpo é o olho. Se o olho é sadio, o corpo inteiro fica iluminado. 23 Se o olho está doente, o corpo inteiro fica na escuridão. Assim, se a luz que existe em você é escuridão, como será grande a escuridão! Comentário: * 19-24: Todo homem, consciente ou inconscientemente, tem na vida um valor fundamental, um absoluto que determina toda a sua forma de ser e viver. Qual é o absoluto: Deus ou as riquezas? Deus leva o homem à liberdade e à vida, através da justiça que gera a partilha e a fraternidade. As riquezas são resultado da opressão e da exploração, levando o homem à escravidão e à morte. É preciso escolher a qual dos dois queremos servir. Depois de falar sobre a esmola, a oração e o jejum, Jesus alerta os discípulos para o perigo da cobiça e da ganância. Esses pecados entram no ser humano pelo “olho”. Deixamos de ver as coisas como são e passamos a ver de modo confuso, confusos pela escuridão. A ganância entra pelo nosso olho e enche nosso coração, cegando e pervertendo o senso moral, apagando a luz de toda a vida do espírito. Ver com clareza significa deixar a luz de Cristo e do evangelho iluminar sempre nossa vida e nossas escolhas. Não precisamos juntar riquezas ou títulos além dos necessários para viver dignamente, pois tudo isso passa, é corroído pela traça e pela ferrugem, acabará se perdendo. Devemos priorizar a justiça divina que conduz à salvação e passa pelo tripé da vida cristã meditado nos dias anteriores: caridade, oração e jejum. Como estamos vivendo este tripé?

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Mateus 6, 7-15 O “Pai nosso”.

* 7 “Quando vocês rezarem, não usem muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por causa do seu palavreado. 8 Não sejam como eles, pois o Pai de vocês sabe do que é que vocês precisam, ainda antes que vocês façam o pedido. 9 Vocês devem rezar assim: Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome; 10 venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. 11 Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia. 12 Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. 13 E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. 14 De fato, se vocês perdoarem aos homens os males que eles fizeram, o Pai de vocês que está no céu também perdoará a vocês. 15 Mas, se vocês não perdoarem aos homens, o Pai de vocês também não perdoará os males que vocês tiverem feito.” Comentário: * 7-15: Mateus aproveita o tema da oração para inserir aqui o Pai-nosso (cf. Lc 11,1-4), contrapondo a oração cristã à oração dos fariseus e dos pagãos. O Pai-nosso mostra a simplicidade e intimidade do homem com Deus. Na primeira parte, pede-se que Deus manifeste o seu projeto de salvação; na segunda, pede-se o essencial para que o homem possa viver segundo o projeto de Deus: pão para o sustento, bom relacionamento com os irmãos e perseverança até o fim. A oração é um encontro, um diálogo sincero com Deus, no qual abrimos nosso coração e expomos nossas alegrias e tristezas, nossas necessidades e anseios. Exatamente por ser um diálogo, há momento para falarmos, mas também momento para escutarmos o que Deus nos diz. É inútil a oração que tenta convencer Deus com muitas palavras, mesmo que sejam bonitas e bem articuladas. Jesus nos mostra o essencial da oração: poucas palavras, porém muita fé e muito amor. Na oração do pai-nosso, ele ensina os apóstolos, e nós, hoje, a pedir humildemente ao Pai o pão, o perdão e a salvação. Assim devemos rezar todos os dias: Pai nosso, que estais nos céus…

terça-feira, 16 de junho de 2026

Mateus 6, 1-6.16-18 Superar a justiça dos hipócritas.

* 1 “Prestem atenção! Não pratiquem a justiça de vocês diante dos homens, só para serem elogiados por eles. Fazendo assim, vocês não terão a recompensa do Pai de vocês que está no céu.” Relação com o próximo -* 2 “Por isso, quando você der esmola, não mande tocar trombeta na frente, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Eu garanto a vocês: eles já receberam a recompensa. 3 Ao contrário, quando você der esmola, que a sua esquerda não saiba o que a sua direita faz, 4 para que a sua esmola fique escondida; e seu Pai, que vê o escondido, recompensará você.” Relação com Deus -* 5 “Quando vocês rezarem, não sejam como os hipócritas, que gostam de rezar em pé nas sinagogas e nas esquinas, para serem vistos pelos homens. Eu garanto a vocês: eles já receberam a recompensa. 6 Ao contrário, quando você rezar, entre no seu quarto, feche a porta, e reze ao seu Pai ocultamente; e o seu Pai, que vê o escondido, recompensará você.” Relação consigo mesmo -* 16 “Quando vocês jejuarem, não fiquem de rosto triste, como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto para que os homens vejam que estão jejuando. Eu garanto a vocês: eles já receberam a recompensa. 17 Quando você jejuar, perfume a cabeça e lave o rosto, 18 para que os homens não vejam que você está jejuando, mas somente seu Pai, que vê o escondido; e seu Pai, que vê o escondido, recompensará você.” Comentário: * 1: O termo justiça se refere, aqui, a atitudes práticas em relação ao próximo (esmola), a Deus (oração), e a si mesmo (jejum). Jesus não nega o valor dessas práticas. Ele mostra como devem ser feitas para que se tornem autênticas. * 2-4: A esmola é um gesto de partilha, e deve ser o sinal da compaixão que busca a justiça, relativizando o egoísmo da posse. Dar esmola para ser elogiado é servir a si mesmo e, portanto, falsificá-la. * 5-6: Na oração, o homem se volta para Deus, reconhecendo-o como único absoluto, e reconhecendo a si mesmo como criatura, relativizando a auto-suficiência. Por isso, rezar para ser elogiado é colocar-se como centro, falsificando a oração. * 16-18: Jejuar é privar-se de algo imediato e necessário, a fim de ver perspectivas novas e mais amplas para a realização da vida. Trata-se de deixar o egocentrismo, para crescer e dispor-se a realizar novo projeto de justiça. Jejuar para aparecer é perder de uma vez o sentido do jejum. Durante o tempo da Quaresma, a Igreja pede que vivamos intensamente o jejum, a oração e a esmola/caridade, tripé que nos ajuda a elevar o espírito e alcançar a santidade. Mas não é apenas durante a Quaresma que devemos exercitar esse tripé, por isso a liturgia nos propõe o Evangelho de hoje em pleno Tempo Comum. Esses são sinais externos de algo que devemos viver internamente, por isso devem ser praticados com autenticidade e sinceridade, com generosidade e humildade. Caso contrário, perdem o sentido e não produzem o fruto esperado.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Mateus 5,43-48 Amar como o Pai ama.

* 43 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!’ 44 Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! 45 Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. 46 Pois, se vocês amam somente aqueles que os amam, que recompensa vocês terão? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47 E se vocês cumprimentam somente seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48 Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu.” Comentário: * 43-48: O Evangelho abre a perspectiva do relacionamento humano para além das fronteiras que os homens costumam construir. Amar o inimigo é entrar em relação concreta com aquele que também é amado por Deus, mas que se apresenta como problema para mim. Os conflitos também são uma tarefa do amor. O v. 48 é a conclusão e a chave para se compreender todo o conjunto formado por 5,17-47: os discípulos são convidados a um comportamento que os torne filhos testemunhando a justiça do Pai. Sobre os cobradores de impostos, cf. nota em Mc 2,13-17. Depois de revolucionar a lei do talião (Evangelho que lemos ontem), Jesus apresenta também uma nova versão para a lei do amor ao próximo (cf. Lv 19,18). Agora Jesus nos diz que não basta amar ao próximo, mas é preciso amar até mesmo os inimigos, pois, afinal, “se amarmos somente aqueles que nos amam, que recompensa teremos?”. Até mesmo os injustos e maus fazem isso. Para ser perfeito ou santo como o Pai, devemos ir além e aprender a amar até mesmo aqueles que são para nós “distantes”, ou seja, os rivais e inimigos, mas também os membros de outro partido político, torcedores dos times de futebol rivais, os estrangeiros, os sem-teto, os excluídos… A lista é muito extensa. Pense por alguns instantes, para identificar alguém que Jesus pede que você ame hoje!

domingo, 14 de junho de 2026

Mateus 5, 38-42 Violência e resistência.

-* 38 “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ 39 Eu, porém, lhes digo: não se vinguem de quem fez o mal a vocês. Pelo contrário: se alguém lhe dá um tapa na face direita, ofereça também a esquerda! 40 Se alguém faz um processo para tomar de você a túnica, deixe também o manto! 41 Se alguém obriga você a andar um quilômetro, caminhe dois quilômetros com ele! 42 Dê a quem lhe pedir, e não vire as costas a quem lhe pedir emprestado.” Comentário: * 38-42: Como se pode superar a vingança ou até mesmo a “justa” punição? O Evangelho propõe atitude nova, a fim de eliminar pela raiz o círculo infernal da violência: a resistência ao inimigo não deve ser feita com as mesmas armas usadas por ele, mas através de comportamento que o desarme. A chamada lei do talião (do latim talio, que significa tal ou idêntico) é extremamente justa, pois consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena, evitando retaliações e vinganças que excedam o mal praticado. Jesus, porém, vai além da justiça e da lógica humanas e propõe a lei do amor e do perdão em substituição à lei do talião. Essa é a grande novidade trazida por ele. Já não revela apenas o rosto do Deus justo do Antigo Testamento, mas mostra que Deus é justo e bom, é um Pai compassivo e misericordioso, um Pai cheio de amor pela sua criatura. A nova lei, portanto, propõe que o cristão imite a paciência e o respeito de Deus para conosco: se alguém lhe bater na face direita, ofereça-lhe também a outra… Dê a quem lhe pede, e não vire as costas a quem necessita da sua ajuda. Será que estamos prontos para aplicar tal lei na nossa vida? Estamos prontos a dar a quem nos pede e a perdoar incondicionalmente a quem nos ofende?

sábado, 13 de junho de 2026

Mateus 9, 36-10,8 A origem da missão.

36 Vendo as multidões, Jesus teve compaixão, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. 37 Então Jesus disse a seus discípulos: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos! 38 Por isso, peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita.” O núcleo da nova comunidade -* 1 Então Jesus chamou seus discípulos e deu-lhes poder para expulsar os espíritos maus, e para curar qualquer tipo de doença e enfermidade. 2 São estes os nomes dos Doze Apóstolos: primeiro Simão, chamado Pedro, e seu irmão André; Tiago e seu irmão João, filhos de Zebedeu; 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. A missão dos apóstolos -* 5 Jesus enviou os Doze com estas recomendações: “Não tomem o caminho dos pagãos, e não entrem nas cidades dos samaritanos. 6 Vão primeiro às ovelhas perdidas da casa de Israel. 7 Vão e anunciem: ‘O Reino do Céu está próximo’. 8 Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios. Vocês receberam de graça, deem também de graça! Comentário: * 35-38: Mateus apresenta um resumo da atividade de Jesus (cf. 4,23), mostrando a raiz da ação dele: nasce da visão da realidade, que o leva a compadecer-se, isto é, a sentir junto com o povo cansado e abatido. O trabalho é grande, e necessita de pessoas dispostas a continuar a obra de Jesus. A comunidade deve assumir a preocupação de levar a Boa Notícia do Reino ao mundo inteiro, consciente da necessidade de trabalhadores disponíveis para essa missão divina. * 10,1-4: Os discípulos recebem o mesmo poder de Jesus: desalienar os homens (expulsar demônios) e libertá-los de todos os males (curar doenças). Os doze apóstolos formam o núcleo da nova comunidade, chamada a continuar a palavra e ação de Jesus. * 5-15: A missão é reunir o povo para seguir a Jesus, o novo Pastor. Ela se realiza mediante o anúncio do Reino e pela ação que concretiza os sinais da presença do Reino. A missão se desenvolve em clima de gratuidade, pobreza e confiança, e comunica o bem fundamental da paz, isto é, da plena realização de todas as dimensões da vida humana. Os enviados são portadores da libertação; rejeitá-los é rejeitar a salvação e atrair sobre si o julgamento. Vendo as multidões abandonadas e angustiadas, Jesus se enche de compaixão (sente a dor delas). Chama a atenção para a necessidade de mais trabalhadores e convoca alguns que o auxiliem na missão – são os apóstolos. Eles devem acompanhar o Mestre, aprender com ele e dar continuidade à obra libertadora, que não pode ser interrompida. Essas multidões sofridas são como “ovelhas” sem pastor, abandonadas à própria sorte. Todos podem participar da atividade de Jesus, comprometendo-se com o Reino de Deus, que é vida e liberdade para todos. O fiel seguidor de Jesus não pode ficar indiferente diante da dor do irmão e da irmã que encontra ao longo do dia. O cristão é convidado a se compadecer diante da miséria que provoca tanto sofrimento. Os enviados por Jesus recebem a “autoridade” para fazer o bem, expulsando os espíritos que atormentam e alienam as pessoas. As multidões abandonadas exigem pessoas comprometidas que apontem para uma existência vivida com mais dignidade.

Romanos 5, 6-11 O motivo da nossa esperança.

6 De fato, quando ainda éramos fracos, Cristo, no momento oportuno, morreu pelos ímpios. 7 Dificilmente se encontra alguém disposto a morrer em favor de um justo; talvez haja alguém que tenha coragem de morrer por um homem de bem. 8 Mas Deus demonstra seu amor para conosco porque Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores. 9 Assim, tornados justos pelo sangue de Cristo, com maior razão seremos salvos da ira por meio dele. 10 Se quando éramos inimigos fomos reconciliados com Deus por meio da morte do seu Filho, muito mais agora, já reconciliados, seremos salvos por sua vida. 11 E não só isso. Também nos gloriamos em Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual obtivemos agora a reconciliação. Comentário: * 1-11: Justificados pela fé em Jesus Cristo, estamos em paz com Deus; por isso, começamos a viver a esperança da salvação. Essa esperança é vivida em meio a uma luta perseverante, ancorada na certeza, garantida pelo Espírito Santo que nos foi dado (vv. 1-5). Deus manifestou seu amor em Jesus Cristo, que morreu por nós quando ainda éramos pecadores (vv. 6-8). Agora que já fomos reconciliados podemos crer com maior razão e esperar que seremos salvos pela vida-ressurreição de Jesus (vv. 9-11). O termo “tribulação”, que aparece muitas vezes no Novo Testamento, se refere às opressões e repressões de que é vítima o povo de Deus. Opressões e repressões por parte dos poderes humanos, que procuram reduzir o alcance do testemunho cristão para que este não abale a estrutura vigente na sociedade.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Lucas 2, 41-51 O Messias é o Filho de Deus.

* 41 Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. 42 Quando o menino completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. 43 Passados os dias da Páscoa, voltaram, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. 44 Pensando que o menino estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre parentes e conhecidos. 45 Não o tendo encontrado, voltaram a Jerusalém à procura dele. 46 Três dias depois, encontraram o menino no Templo. Estava sentado no meio dos doutores, escutando e fazendo perguntas. 47 Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com a inteligência de suas respostas. 48 Ao vê-lo, seus pais ficaram emocionados. Sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que você fez isso conosco? Olhe que seu pai e eu estávamos angustiados, à sua procura.” 49 Jesus respondeu: “Por que me procuravam? Não sabiam que eu devo estar na casa do meu Pai?” 50 Mas eles não compreenderam o que o menino acabava de lhes dizer. 51 Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e permaneceu obediente a eles. E sua mãe conservava no coração todas essas coisas. Comentário: * 41-52: Neste Evangelho, as primeiras palavras de Jesus mostram que toda a sua missão decorre da sua relação filial com o Pai. Isto significa que essa missão provém do próprio mistério de Deus e da realização de sua vontade entre os homens. Contudo, ela se processa dentro do mistério da Encarnação, onde Jesus vai aprendendo a viver a vida humana como qualquer outro homem. O coração, na linguagem bíblica, não se restringe ao âmbito afetivo, como simbolizamos hoje, mas representa a pessoa toda: sentimentos, pensamentos, consciência, memória, decisões. Ao menos duas vezes os Evangelhos se referem diretamente ao coração de Maria, em Lucas 2,19 (no contexto da visita dos pastores na gruta de Belém) e Lucas 2,51 (Evangelho de hoje). Ao longo do seu Evangelho, Lucas nos apresenta sempre Maria como a perfeita discípula de Jesus, aquela que escuta e guarda no coração a Palavra, por isso é para nós modelo de seguimento. A devoção ao Imaculado Coração tornou-se mais conhecida após as aparições de Fátima (1917), que assim falou aos pequenos pastores: “Jesus quer estabelecer no mundo a devoção do meu Imaculado Coração”.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Mateus 11, 25-30 Os pobres evangelizam.

-* 25 Naquele tempo, Jesus disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27 Meu Pai entregou tudo a mim. Ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar. 28 Venham para mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso. 29 Carreguem a minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas vidas. 30 Porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve.” Comentário: * 25-30: Com sua palavra e ação, Jesus revela a vontade do Pai, que é instaurar o Reino. Contudo, os sábios e inteligentes não são capazes de perceber a presença do Reino e sua justiça através de Jesus. Ao contrário, os desfavorecidos e os pobres é que conseguem penetrar o sentido dessa atividade de Jesus e continuá-la. Jesus veio tirar a carga pesada que os sábios e inteligentes haviam criado para o povo. Em troca, ele traz novo modo de viver na justiça e na misericórdia: doravante, os pobres serão evangelizados e partirão para evangelizar. Jesus eleva uma prece de gratidão ao Pai por ter escondido sua mensagem aos sábios e tê-la revelado aos pequeninos. Os sábios e entendidos já têm uma ideia formada e não conseguem se abrir à novidade do Reino. Provavelmente não lhes interessam as propostas do Mestre periférico de Nazaré. É difícil mudar a mentalidade de quem se fecha em si mesmo, considerando-se autossuficiente e acima dos outros. Jesus agradece principalmente porque os pequeninos estão disponíveis para acolher essa novidade e seguir os seus passos. Os pobres e pecadores ocuparam lugar importante no coração do Mestre, que está cheio de amor misericordioso para os deserdados da vida. Jesus nos diz que nossa vida deveria ser sempre leve e feliz.

1 João 4, 7-16 Deus é amor.

* 7 Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus. E todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus. 8 Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. 9 Nisto se tornou visível o amor de Deus entre nós: Deus enviou o seu Filho único a este mundo, para dar-nos a vida por meio dele. 10 E o amor consiste no seguinte: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou, e nos enviou o seu Filho como vítima expiatória por nossos pecados. 11 Amados, se Deus nos amou a tal ponto, também nós devemos amar-nos uns aos outros. 12 Ninguém jamais viu Deus. Se nos amamos uns aos outros, Deus está conosco, e o seu amor se realiza completamente entre nós. 13 Nisto reconhecemos que permanecemos com Deus, e ele conosco: ele nos deu o seu Espírito. 14 E nós vimos e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. 15 Quando alguém confessa que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece com ele, e ele com Deus. 16 E nós reconhecemos o amor que Deus tem por nós e acreditamos nesse amor. Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele. Comentário: * 7-21: O centro da vida é a prática do amor. Esse amor testemunha concreta e visivelmente o conhecimento e a união que temos com Deus, com seu Filho e com o Espírito. De fato, Deus Pai torna-se conhecido pelos homens no ato de dar, por amor, o seu Filho ao mundo (Jo 3,16). O Filho é conhecido pela entrega de si mesmo, no amor, até o fim (Jo 13,1). O Espírito gera a memória do Pai e do Filho nos cristãos, isto é, a própria vida no amor. A fé na Trindade é a teoria de uma prática que se expressa no amor concreto aos irmãos, a quem Deus ama. A incoerência fundamental seria afirmar uma fé na Trindade que não correspondesse à prática do amor. João deixa claro que o julgamento de Deus será feito sobre a prática do amor vivida ou não (cf. Mt 25,31-46). Por isso, quem ama não teme o julgamento.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Mateus 10, 7-13 A missão dos apóstolos.

7 Vão e anunciem: ‘O Reino do Céu está próximo’. 8 Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios. Vocês receberam de graça, deem também de graça! 9 Não levem nos cintos moedas de ouro, de prata ou de cobre; 10 nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão, porque o operário tem direito ao seu alimento. 11 Em qualquer cidade ou povoado onde vocês entrarem, informem-se para saber se há alguém que é digno. E aí permaneçam até vocês se retirarem. 12 Ao entrarem na casa, façam a saudação. 13 Se a casa for digna, desça sobre ela a paz de vocês; se ela não for digna, que a paz volte para vocês. Comentário: * 5-15: A missão é reunir o povo para seguir a Jesus, o novo Pastor. Ela se realiza mediante o anúncio do Reino e pela ação que concretiza os sinais da presença do Reino. A missão se desenvolve em clima de gratuidade, pobreza e confiança, e comunica o bem fundamental da paz, isto é, da plena realização de todas as dimensões da vida humana. Os enviados são portadores da libertação; rejeitá-los é rejeitar a salvação e atrair sobre si o julgamento. Embora não fizesse parte do grupo dos doze, Barnabé foi chamado apóstolo, assim como Paulo. É interessante recordar que foi exatamente Barnabé o primeiro a acolher Paulo em Jerusalém, após a conversão na estrada de Damasco e o tempo que passou naquela cidade. Todos os demais seguidores de Cristo estavam receosos e duvidavam da conversão daquele que até então perseguia os cristãos, mas Barnabé não teve medo ou preconceito, acolhendo-o e inserindo-o na comunidade. Pouco sabemos sobre este apóstolo, judeu natural da ilha de Chipre e chamado José, que vendeu seus terrenos e colocou o dinheiro à disposição da comunidade, como nos relata os Atos dos Apóstolos 4,32-37. Barnabé encontra-se entre as pessoas mais influentes da Igreja nascente, sendo por isso considerado apóstolo.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Mateus 5, 17-19 A lei e a justiça.

-* 17 “Não pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento. 18 Eu garanto a vocês: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem sequer uma letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça. 19 Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu. Comentário: * 17-20: A lei não deve ser observada simplesmente por ser lei, mas por aquilo que ela realiza de justiça. Cumprir a lei fielmente não significa subdividi-la em observâncias minuciosas, criando uma burocracia escravizante; significa, isto sim, buscar nela inspiração para a justiça e a misericórdia, a fim de que o homem tenha vida e relações mais fraternas. Em 5,21-48, Mateus apresenta cinco exemplos, para mostrar como é que uma lei deve ser entendida. O julgamento no fim dos tempos está diretamente associado à vivência do Evangelho, ou seja, seremos julgados pelas nossas ações de amor a Deus, pela nossa fé, mas também pelo amor ao próximo, ou seja, pelo nosso compromisso com a fé, que é a prática de boas obras, transformando o Evangelho em vida e sinais concretos. Jesus não veio para abolir a Lei (o ensinamento de Moisés) nem os Profetas (mensageiros do amor de Deus que exortaram o povo no passado), mas para dar novo significado a eles, cumprindo-os plenamente. Enquanto os patriarcas e os profetas revelaram aspectos específicos de Deus, partes da sua totalidade, Jesus é o próprio Deus, por isso o revela de modo pleno e definitivo. Sua encarnação mostra-nos a face de Deus, sua imagem, a concretização do seu plano de salvação, enquanto as revelações do Antigo Testamento mostravam-nos apenas a sua voz e suas expectativas. Estejamos atentos para praticar e ensinar tudo o que Jesus nos revelou.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Mateus 5, 13-16 A força do testemunho.

* 13 “Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal perde o gosto, com que poderemos salgá-lo? Não serve para mais nada; serve só para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. 14 Vocês são a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15 Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha, e sim para colocá-la no candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. 16 Assim também: que a luz de vocês brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que vocês fazem, e louvem o Pai de vocês que está no céu.” Comentário: * 13-16: Os discípulos de Jesus devem estar conscientes de que se acham unidos com todos aqueles que anseiam por um mundo novo. Eles não podem se subtrair a essa missão, mas precisam dar testemunho através de suas obras. Não se comprometer com isso é deixar de ser discípulo do Reino. Através do testemunho visível dos discípulos é que os homens podem descobrir a presença e a ação do Deus invisível. Depois de nos mostrar o caminho para a felicidade (bem-aventuranças), Jesus afirma que nós, seus seguidores, somos o sal da terra e a luz do mundo. O cristão deve levar ao mundo a luz, que é o próprio Cristo, deve dar testemunho da luz, daquela alegria e paz que tem dentro de si e que vem de Jesus, contribuindo, assim, para eliminar as “trevas” e as “sombras” que dominam o mundo. O cristão deve também levar ao mundo o sal, que é o Evangelho, purificando e dando sabor a tudo o que faz e a todos os lugares por onde anda. Sendo no nosso cotidiano o sal e a luz que penetram todas as pessoas e todas as realidade, estaremos dando o melhor testemunho possível de amor a Deus e de seguimento do seu Filho Jesus Cristo.

domingo, 7 de junho de 2026

Mateus 5,1-12 Bem-aventuranças: anseio por um mundo novo.

* 1 Jesus viu as multidões, subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos se aproximaram, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. 4 Felizes os aflitos, porque serão consolados. 5 Felizes os mansos, porque possuirão a terra. 6 Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. 8 Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. 11 Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim. 12 Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vocês.” Comentário: * 1-12: As bem-aventuranças são o anúncio da felicidade, porque proclamam a libertação, e não o conformismo ou a alienação. Elas anunciam a vinda do Reino através da palavra e ação de Jesus. Estas tornam presente no mundo a justiça do próprio Deus. Justiça para aqueles que são inúteis ou incômodos para uma estrutura de sociedade baseada na riqueza que explora e no poder que oprime. Os que buscam a justiça do Reino são os “pobres em espírito.” Sufocados no seu anseio pelos valores que a sociedade injusta rejeita, esses pobres estão profundamente convictos de que eles têm necessidade de Deus, pois só com Deus esses valores podem vigorar, surgindo assim uma nova sociedade. As bem-aventuranças propõem um caminho de vida e destacam as bênçãos maravilhosas prometidas a nós, se desenvolvermos a lógica do amor. Elas são o cântico da nova felicidade evangélica. Segundo o Catecismo da Igreja Católica (n. 1.717), as bem-aventuranças “retratam o rosto de Jesus Cristo e descrevem-nos a sua caridade: exprimem a vocação dos fiéis associados à glória da sua paixão e ressurreição; definem os atos e atitudes características da vida cristã; são as promessas paradoxais que sustentam a esperança no meio das tribulações; anunciam aos discípulos as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas; já estão inauguradas na vida da Virgem Maria e de todos os santos”.

sábado, 6 de junho de 2026

Romanos 4, 18-25 O que é ter fé.

* 18 Esperando contra toda esperança, Abraão acreditou e tornou-se o pai de muitas nações, conforme foi dito a ele: “Assim será a sua descendência.” 19 Ele não fraquejou na fé, embora já estivesse vendo o próprio corpo sem vigor - ele tinha quase cem anos - e o ventre de Sara já estivesse amortecido. 20 Diante da promessa divina, ele não duvidou, mas foi fortalecido pela fé e deu glória a Deus. 21 Ele estava plenamente convencido de que Deus podia realizar o que havia prometido. 22 Eis o motivo pelo qual isso lhe foi creditado como justiça. 23 Ora, não é para um só que está escrito: “Isso lhe foi creditado”; 24 mas também para nós. Será igualmente creditado para nós, pois acreditamos naquele que ressuscitou dos mortos, Jesus nosso Senhor, 25 o qual foi entregue à morte pelos nossos pecados e foi ressuscitado para nos tornar justos. Comentário: * 18-25: Ter fé e entregar a própria vida a Deus é esperar contra toda esperança. Abraão acreditou que ia ser pai quando sua velhice e a esterilidade de Sara diziam o contrário. A justiça de Abraão é a fé confiante de que Deus pode realizar tudo o que promete. Nós também somos justificados por Deus quando acreditamos que ele ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos, para nos livrar da morte do pecado e nos dar a vida nova.

Mateus 9, 9-13 Justiça e misericórdia.

* 9 Saindo daí, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e lhe disse: “Siga-me!” Ele se levantou, e seguiu a Jesus. 10 Estando Jesus à mesa em casa de Mateus, muitos cobradores de impostos e pecadores foram e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. 11 Alguns fariseus viram isso, e perguntaram aos discípulos: “Por que o mestre de vocês come com os cobradores de impostos e os pecadores?” 12 Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes. 13 Aprendam, pois, o que significa: ‘Eu quero a misericórdia e não o sacrifício’. Porque eu não vim para chamar justos, e sim pecadores.” Comentário: * 9-13: Cf. nota em Mc 2,13-17. Com a citação de Oséias 6,6, Mateus esclarece o sentido da missão de Jesus: a justiça do Reino é inseparável da misericórdia. O Evangelho deste domingo apresenta o chamado de Mateus, cobrador de impostos, pecador segundo a mentalidade dos líderes religiosos, por colaborar com o Império Romano. Após o convite, Mateus prontamente se coloca no caminho com Jesus. O chamado se dá num ambiente de trabalho, e não religioso. Mateus convida Jesus para uma refeição em sua casa. Nessa refeição, havia publicanos e pecadores. É uma festa entre Jesus e os convidados na casa de Mateus. Como sempre, os fariseus começam suas críticas pelo fato de Jesus fazer refeição com pobres e pecadores. Em resposta, Jesus diz que “os doentes são os que necessitam de médico”, não os que se dizem “pessoas de bem”. Jesus se mostra livre e não se deixa aprisionar pelos esquemas humanos, nem pelas teorias religiosas.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Marcos 12, 38-44 Jesus condena a dominação intelectual.

* 38 E Jesus continuava ensinando: “Tenham cuidado com os doutores da Lei. Eles gostam de andar com roupas compridas, de ser cumprimentados nas praças públicas; 39 gostam dos primeiros lugares nas sinagogas e dos lugares de honra nos banquetes. 40 No entanto, exploram as viúvas e roubam suas casas, e para disfarçar fazem longas orações. Por isso eles vão receber uma condenação mais severa.” A verdadeira atitude religiosa -* 41 Jesus estava sentado diante do Tesouro do Templo e olhava a multidão que depositava moedas no Tesouro. Muitos ricos depositavam muito dinheiro. 42 Então, chegou uma viúva pobre, e depositou duas pequenas moedas, que valiam uns poucos centavos. 43 Então Jesus chamou os discípulos, e disse: “Eu garanto a vocês: essa viúva pobre depositou mais do que todos os outros que depositaram moedas no Tesouro. 44 Porque todos depositaram do que estava sobrando para eles. Mas a viúva na sua pobreza depositou tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver.” Comentário: * 38-40: Jesus critica os intelectuais da classe dominante, que transformam o saber em poder, aproveitando-se da própria situação para viverem ricamente à custa das camadas mais pobres do povo. Disfarçando tal exploração com orações, isto é, com motivo religioso, tornam-se ainda mais culpados. * 41-44: Enquanto os doutores da Lei “exploram as viúvas e roubam suas casas”, uma viúva pobre deposita no Tesouro do Templo “tudo o que possuía para viver”. É o único fato positivo que Jesus vê em Jerusalém. Por isso proclama solenemente esse gesto (“eu garanto a vocês”), em contraposição à solenidade ostensiva dos ricos. Mostra, assim, o significado dessa oferta: as relações econômicas que devem vigorar numa sociedade que crê em Deus são as relações de doação total, que deixam as próprias seguranças, e não as relações baseadas no supérfluo. Infelizmente, vemos também na nossa Igreja estas cenas criticadas por Jesus no Evangelho que agora meditamos. Em geral, quem tem menos condições econômicas é quem mais ajuda na Igreja, seja através da sua solidariedade, doando alimentos ou dinheiro nas pequenas ofertas da missa, seja através dos vários serviços, doando seu tempo para ser catequista, ministro, agente de pastoral, líder comunitário e assim por diante. Os ricos normalmente “fogem” da vida cotidiana da Igreja, apesar de serem eles que ocupam os lugares de honra nos momentos festivos. Do mesmo modo, quantos “gostam de andar por aí com largas túnicas, de serem saudados nas praças públicas e de ocupar os primeiros lugares…”. Jesus certamente criticaria todos eles hoje também.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Marcos 12, 35-37 Jesus está acima de Davi.

* 35 Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Como é que os doutores da Lei falam que o Messias é filho de Davi? 36 O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘O Senhor disse ao meu Senhor: sente-se à minha direita, até que eu ponha seus inimigos debaixo de seus pés’. 37 Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?” E uma grande multidão o escutava com gosto. Comentário: * 35-37: O título “filho de Davi” indicava a origem e o projeto do Messias: o descendente iria refazer a família real e a glória do reino de Davi. Mas Jesus critica essa concepção do Messias. Ele está acima de Davi e não veio instaurar uma monarquia. Jesus cita aqui uma passagem dos Salmos (Sl 110,1), cântico atribuído ao rei Davi: “Sente-se à minha direita, até que eu faça dos seus inimigos um suporte para seus pés”. Também o livro de Samuel nos recorda que, nas suas últimas palavras, Davi afirmou: “O espírito do Senhor falou através de mim, e sua palavra está em minha língua” (2Sm 23,2). Tudo isso para confirmar que Davi foi escolhido por Deus e ungido para realizar uma missão específica, liderando o povo do Senhor, mas não é um ser divino, não é o Messias, nem o Filho de Deus. O único Filho encarnado é Jesus, que, como sabemos pelos Evangelhos da infância, era descendente de Davi, porém, por ser Filho de Deus, se torna Senhor de Davi. Uma relação complexa que será compreendida apenas à luz da ressurreição. O messianismo de Jesus, portanto, não é político, mas existencial, libertando a própria natureza humana do domínio do pecado, e não simplesmente o povo do domínio romano. Nós, hoje, compreendemos que Cristo é o nosso único Senhor e libertador? Que impacto tem essa verdade na nossa vida cotidiana?

quarta-feira, 3 de junho de 2026

João 6, 51-58 Jesus é o pão que sustenta para sempre.

* 51 E Jesus continuou: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá para sempre. E o pão que eu vou dar é a minha própria carne, para que o mundo tenha a vida.” 52 As autoridades dos judeus começaram a discutir entre si: “Como pode esse homem dar-nos a sua carne para comer?” 53 Jesus respondeu: “Eu garanto a vocês: se vocês não comem a carne do Filho do Homem e não bebem o seu sangue, não terão a vida em vocês. 54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55 Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. 56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue vive em mim e eu vivo nele. 57 E como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, assim, aquele que me receber como alimento viverá por mim. 58 Este é o pão que desceu do céu. Não é como o pão que os pais de vocês comeram e depois morreram. Quem come deste pão viverá para sempre.” Comentário: * 51-59: A vida definitiva se encontra justamente na condição humana de Jesus (carne): Jesus é o Filho de Deus que se encarnou para dar vida aos homens, isto é, para viver em favor dos homens. A vida definitiva começa quando os homens, comprometendo-se com Jesus, aceitam a própria condição humana e vivem em favor dos outros. E Jesus dá um passo além: ele vai oferecer sua própria vida (carne e sangue) em favor dos homens. Por isso, o compromisso com Jesus exige que também o fiel esteja disposto a dar a própria vida em favor dos outros. A Eucaristia é o sacramento que manifesta eficazmente na comunidade esse compromisso com a encarnação e a morte de Jesus. Jesus é o “pão vivo” enviado pelo Pai celeste. Quem adere a ele (comer do pão) terá vida plena. Os judeus não compreenderam o linguajar de Jesus. O Mestre volta, então, a dizer-lhes que ele é o pão que precisa ser consumido e o sangue a ser bebido. Comer a carne de Jesus e beber seu sangue significa aderir a ele de forma total. É a solidariedade com os sofredores deste mundo, a exemplo do Mestre. Jesus, Palavra encarnada, nos conscientiza de que o ser humano “não vive somente do pão material”, mas necessita também de outro alimento, que é ele mesmo. Comer a carne e beber o sangue de Cristo é justamente inebriar-se de sua mensagem e suas propostas de vida digna, e se comprometer com a vida concreta das pessoas. A oferta de sua carne e seu sangue simboliza a doação total da própria vida.

1 Coríntios 10, 16-17 Não pactuar com a idolatria.

16 O cálice da bênção que nós abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? 17 E como há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, pois participamos todos desse único pão. Comentário: * 14-22: Participar do culto é entrar em comunhão com a divindade cultuada. Paulo opõe radicalmente a Eucaristia aos banquetes sagrados dos cultos pagãos, dizendo que é urgente a opção e coerência dos cristãos. Ao mesmo tempo salienta o lugar central da celebração eucarística: a Eucaristia expressa e cria a unidade do Corpo de Cristo, que é a Igreja.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Marcos 12, 18-27 Deus comprometido com a vida.

* 18 Os saduceus afirmam que não existe ressurreição. Alguns deles foram até Jesus, e lhe propuseram este caso: 19 “Mestre, Moisés escreveu para nós: ‘Se alguém morrer, e deixar a esposa sem filho, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de que possam ter filhos em nome do irmão que morreu’. 20 Ora, havia sete irmãos: o primeiro casou-se, e morreu sem ter filhos. 21 O segundo casou-se com a viúva, e morreu sem ter filhos. A mesma coisa aconteceu com o terceiro. 22 E nenhum dos sete teve filhos. Por último, morreu também a mulher. 23 Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem ela será? Todos os sete se casaram com ela!” 24 Jesus respondeu: “Vocês estão enganados, porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus. 25 Com efeito, quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu. 26 E, quanto ao fato de que os mortos vão ressuscitar, vocês não leram, no livro de Moisés, a passagem da sarça ardente? Deus falou a Moisés: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’. 27 Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vocês estão muito enganados.” Comentário: * 18-27: Jesus desmoraliza os saduceus, apresentando o cerne das Escrituras: Deus é o Deus comprometido com a vida. Ele não criou ninguém para a morte, mas para a aliança consigo para sempre. A vida da ressurreição não pode ser imaginada como cópia do modo de vida deste mundo. Continua a série de “pegadinhas” ou “armadilhas” que os opositores de Jesus prepararam para ver se ele entra em contradição. O tema agora é a ressurreição dos mortos. É importante recordar que entre os próprios judeus não havia um consenso sobre esse tema, ou como se dá a ressurreição. Basta recordar a discussão com o apóstolo Paulo, relatada em Atos 23. Quando Paulo percebeu que alguns do Sinédrio eram do partido dos saduceus e outros do partido dos fariseus, exclamou: “Meus irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. É por nossa esperança, a ressurreição dos mortos, que estou sendo julgado”. Voltando ao Evangelho, Jesus novamente responde com sabedoria e sutileza, sem agredir os saduceus, mas mostrando a sua falta de entendimento das Escrituras.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Marcos 12, 13-17 Jesus condena qualquer dominação.

-* 13 Então as autoridades mandaram alguns fariseus e alguns partidários de Herodes, para apanharem Jesus em alguma palavra. 14 Quando chegaram, disseram a Jesus: “Mestre, sabemos que tu és verdadeiro, porque não dás preferência a ninguém. Com efeito, não levas em conta as aparências, e ensinas de verdade o caminho de Deus. Dize-nos: é lícito ou não pagar o imposto a César? Devemos pagar ou não?” 15 Jesus percebeu a hipocrisia deles, e respondeu: “Por que vocês me tentam? Tragam uma moeda para eu ver.” 16 Eles levaram a moeda, e Jesus perguntou: “De quem é a figura e a inscrição que está nessa moeda?” Eles responderam: “É de César.” 17 Então Jesus disse: “Pois devolvam a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” E eles ficaram admirados com Jesus. Comentário: * 13-17: O imposto era o sinal da dominação romana; os fariseus a rejeitavam, mas os partidários de Herodes a aceitavam. Se Jesus responde “sim”, os fariseus o desacreditarão diante do povo; se ele diz “não”, os partidários de Herodes poderão acusá-lo de subversão. Mas Jesus não discute a questão do imposto. Ele se preocupa é com o povo: a moeda é “de César”, mas o povo é “de Deus”. O imposto só é justo quando reverte em benefício do bem comum. Jesus condena a transformação do povo em mercadoria que enriquece e fortalece tanto a dominação interna como a estrangeira. A resposta de Jesus à “armadilha” que os fariseus prepararam é muito perspicaz e significativa. Por um lado, mostra que devemos separar as coisas de Deus das coisas do “mundo”, aquilo que é sacro daquilo que é profano. Não necessariamente significa separar a fé da política e da vida social, mas sim inundar de fé todas as nossas ações públicas. O cristão tem o dever de se preocupar com questões políticas, pois elas dizem respeito ao bem comum. Não podemos é tornar a política um partidarismo, e fazer dele uma crença. Aí entra o segundo significado da resposta de Jesus, ou seja, uma crítica aos fariseus que tornaram a fé e a religião uma indústria e comércio.

domingo, 31 de maio de 2026

Marcos 12, 1-12 Jesus acusa as autoridades.

* 1 Jesus começou a falar para eles em parábolas: “Um homem plantou uma vinha, cercou-a, fez um tanque para pisar a uva e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou a vinha para alguns agricultores, e viajou para o estrangeiro. 2 Na época da colheita, ele mandou um empregado aos agricultores para receber a sua parte dos frutos da vinha. 3 Mas os agricultores pegaram o empregado, bateram nele, e o mandaram de volta sem nada. 4 Então o dono da vinha mandou mais um empregado. Os agricultores bateram na cabeça dele e o insultaram. 5 Então o dono mandou mais um, e eles o mataram. Trataram da mesma maneira muitos outros, batendo em uns e matando outros. 6 Sobrou para o dono apenas um: seu filho querido. Por último, ele mandou o filho até aos agricultores, pensando: ‘Eles vão respeitar meu filho’. 7 Mas os agricultores comentaram: ‘Esse é o herdeiro. Venham, vamos matá-lo, e a herança será nossa’. 8 Então agarraram o filho, o mataram, e o jogaram fora da vinha. 9 Que fará o dono da vinha? Ele virá, destruirá os agricultores, e entregará a vinha a outros. 10 Por acaso, vocês não leram na Escritura: ‘A pedra que os construtores deixaram de lado, tornou-se a pedra mais importante; 11 isso foi feito pelo Senhor e é admirável aos nossos olhos’?” 12 Então os chefes dos judeus procuraram prender Jesus. Eles tinham entendido muito bem que Jesus havia contado essa parábola contra eles. Mas ficaram com medo da multidão e, por isso, deixaram Jesus e foram embora. Comentário: * 1-12: Jesus passa ao ataque. A figueira não dá frutos, e o Templo tornou-se lugar de roubo, porque as autoridades (chefes dos sacerdotes, doutores da Lei, anciãos do Sinédrio) exploram e oprimem, apoderando-se daquilo que pertence a Deus, isto é, o povo da aliança (vinha). Depois de muitos profetas que pregavam a justiça (empregados), Deus envia o próprio Filho com o Reino. A rejeição e morte do Filho trazem a sentença: o povo de Deus, agora congregado em torno de Jesus (pedra), passa a outros chefes, que não devem tomar posse, mas servir. Jesus e os discípulos estão em Jerusalém para celebrar a Páscoa. Em breve, Jesus manifestará plenamente sua messianidade. A parábola que lemos hoje é colocada pelo evangelista Marcos no contexto da discussão com os chefes dos sacerdotes e doutores da Lei que questionam Jesus: “Com que autoridade fazes estas coisas?” (Mc 11,28). Sua autoridade, portanto, vem do Pai, o Criador de todas as coisas, o dono da vinha. A Terra Prometida foi dada ao povo judeu para que ali crescesse e se desenvolvesse, mas esse povo não foi fiel a Deus, matando profetas e o próprio Filho. Será agora dada a outro povo, a todos nós que cremos e seguimos o Messias.

sábado, 30 de maio de 2026

2 Coríntios 13, 11-13 Saudações finais.

11 Ademais, irmãos, fiquem alegres. Procurem a perfeição e animem-se. Tenham os mesmos sentimentos, vivam na paz e o Deus do amor e da paz estará com vocês. 12 Saúdem-se uns aos outros com o beijo santo. Todos os cristãos enviam saudações. 13 Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vocês. Comentário: * 5-10: O essencial é que os coríntios se convertam. Depois disso, a ameaça de intervenção com autoridade será apenas uma vaga lembrança. Se eles se converterem, Paulo não terá como usar o seu poder. Os coríntios parecerão fortes, e Paulo fraco e derrotado, porque os adversários continuarão a dizer que as ameaças dele são puramente verbais. No entanto, ele não busca vitória nem sucesso pessoal; prefere a última hipótese, humilhante para ele, mas gloriosa para os fiéis.

João 3, 16-18 Jesus provoca decisão.

* 16 “Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna. 17 De fato, Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, e sim para que o mundo seja salvo por meio dele. 18 Quem acredita nele, não está condenado; quem não acredita, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus. Comentário: * 16-21: Deus não quer que os homens se percam, nem sente prazer em condená-los. Ele manifesta todo o seu amor através de Jesus, para salvar e dar a vida a todos. Mas a presença de Jesus é incômoda, pois coloca o mundo dos homens em julgamento, provocando divisão e conflito, e exigindo decisão. De um lado, os que acreditam em Jesus e vivem o amor, continuando a palavra e a ação dele em favor da vida. De outro lado, os que não acreditam nele e não vivem o amor, mas permanecem fechados em seus próprios interesses e egoísmo, que geram opressão e exploração; por isso estes sempre escondem suas verdadeiras intenções: não se aproximam da luz. O capítulo três do Evangelho de João inicia com um diálogo entre Jesus e Nicodemos e depois se transforma num monólogo, quando Jesus se revela não apenas a Nicodemos, mas a todos. No texto de hoje, Jesus revela o motivo de sua vinda ao mundo: trazer o amor de Deus pela salvação da humanidade. O Filho de Deus veio para que as pessoas tenham vida plena. A condição exigida é a fé nele, que implica adesão a ele. A acolhida do amor de Deus é um desafio à liberdade humana, que pode acolhê-lo ou rejeitá-lo. Só com pessoas capazes de amar é que se podem construir verdadeiras comunidades seguidoras de Jesus. Deus, no seu Filho, oferece vida plena a todas as pessoas. Estas são convidadas a acolher esse dom precioso. Ao celebrarmos a solenidade da Santíssima Trindade, revela-se o amor do Pai por meio de seu Filho e comunicado pelo Espírito Santo. A solenidade revela um Deus misericordioso para conosco: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito descem juntos ao encontro da humanidade.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Marcos 11, 27-33 Jesus silencia as autoridades.

* 27 Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Jesus estava andando no Templo. E os chefes dos sacerdotes, os doutores da Lei e os anciãos se aproximaram dele. 28 Perguntaram: “Com que autoridade fazes tais coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?” 29 Jesus respondeu: “Vou fazer uma só pergunta. Respondam-me, e eu direi com que autoridade faço isso. 30 O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondam-me.” 31 Eles comentavam entre si: “Se respondemos que vinha do céu, ele vai dizer: ‘Então, por que vocês não acreditaram em João?’ 32 Devemos então dizer que vinha dos homens?” Mas eles tinham medo da multidão, porque todos consideravam João como verdadeiro profeta. 33 Então eles responderam a Jesus: “Não sabemos.” E Jesus disse: “Pois eu também não vou dizer a vocês com que autoridade faço essas coisas.” Comentário: * 27-33: As autoridades tentam fazer uma armadilha para desmoralizar a autoridade de Jesus diante do povo. Mas Jesus usa o mesmo truque: se as autoridades responderem, elas é que ficarão desmoralizadas. Marcos mostra Jesus Cristo em peregrinação a Jerusalém no período da Páscoa judaica. Vemos que ele volta com os discípulos para dormir em Betânia, cerca de cinco quilômetros de Jerusalém, provavelmente na casa dos amigos Lázaro, Marta e Maria. No dia seguinte, volta à Cidade Santa e ao templo. Pelo caminho, é questionado: com que autoridade perdoa os pecados, realiza milagres, expulsa os comerciantes do templo? Traduzindo para uma linguagem de hoje, seria como perguntar a ele: “Quem você pensa que é?”. Jesus não se perturba, pois sabe bem quem é e de onde veio. Sabe que sua autoridade é muito superior à de qualquer chefe ou doutor da Lei. Questionam Jesus, mas não têm coragem de o enfrentar, pois não querem se comprometer e no fundo sabem que ele age em nome de Deus Pai.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Marcos 11, 11-26 O Rei-Messias.

11 Jesus entrou em Jerusalém, no Templo, e olhou tudo ao redor. Mas, como já era tarde, saiu para Betânia com os Doze. Uma sociedade estéril -* 12 No dia seguinte, quando voltavam de Betânia, Jesus sentiu fome. 13 Viu de longe uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. 14 Então Jesus disse à figueira: “Que ninguém mais coma de seus figos.” E os discípulos escutaram o que ele disse. O centro da sociedade estéril -* 15 Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no Templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. 16 Ele não deixava ninguém carregar nada através do Templo. 17 E ensinava o povo, dizendo: “Não está nas Escrituras: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? No entanto, vocês fizeram dela uma toca de ladrões.” 18 Os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei ouviram isso e começaram a procurar um modo de matá-lo. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada com o ensinamento dele. 19 Ao entardecer, Jesus e os discípulos saíram da cidade. Uma comunidade que dá frutos -* 20 Na manhã seguinte, Jesus e os discípulos, passando, viram a figueira que tinha secado até à raiz. 21 Pedro lembrou-se e disse a Jesus: “Olha, Mestre: a figueira que amaldiçoaste secou.” 22 Jesus disse para eles: “Tenham fé em Deus. 23 Eu garanto a vocês: se alguém disser a esta montanha: ‘Levante-se e jogue-se no mar, e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá’. 24 É por isso que eu digo a vocês: tudo o que vocês pedirem na oração, acreditem que já o receberam, e assim será. 25 Quando vocês estiverem rezando, perdoem tudo o que tiverem contra alguém, para que o Pai de vocês que está no céu também perdoe os pecados de vocês. 26 Mas, se vocês não perdoarem, o Pai de vocês que está no céu não perdoará os pecados de vocês.” Comentário: * 1-11: Jesus é o Rei-Messias que vai confrontar-se com o centro da sociedade judaica, simbolizada por Jerusalém e pelo Templo, sede do poder econômico, político, ideológico e religioso. Ele entra na cidade, não como rei guerreiro, mas como simples homem, humilde e pacífico. Ele traz consigo a inversão de um sistema de sociedade apoiado na violência da força militar, que defende os privilegiados. O povo o aclama como aquele que traz o reino da verdadeira justiça. * 12-14: A figueira simboliza a sociedade que Jesus encontra. Tem folhas, mas não tem frutos, tem aparência de vida, mas não alimenta o povo faminto. * 15-19: Acusando e atacando o comércio existente dentro do Templo, Jesus retira as bases sobre as quais se apoiava toda uma sociedade. Com efeito, era com esse comércio que se sustentava grande parte da economia do país. O gesto de Jesus mexe não só com um modo de vida religiosa, mas com toda uma estrutura que usa a religião para estabelecer e assegurar privilégios de uma classe e sustentar uma visão mesquinha de salvação. Por isso, os que se favorecem desse sistema, pensam em matar Jesus, mas temem o povo. * 20-26: A figueira secou: a sociedade que não acolhe a ação transformadora de Jesus morre sem dar frutos. Diante dela Jesus inicia uma comunidade que será o novo templo: comprometida com ele na fé e na confiança em Deus, a comunidade cristã será a semente de nova árvore frutífera para os homens. Marcos nos narra um episódio curioso, com forte carga simbólica: Jesus amaldiçoa e faz secar uma figueira. Essa figueira representa Israel, envolto em tantas práticas exteriores, mas vazio de frutos, incapaz de acolher o Messias e gerar vida nova. A expulsão dos vendilhões do templo é um complemento ao gesto profético anterior, que reforça a esterilidade espiritual dos judeus, preocupados apenas com o ritualismo e o comércio religioso. Quantas falsas igrejas e seitas deveriam ler e compreender o Evangelho de hoje. Enganam o povo com ritos e outras coisas aparentes, mas são incapazes de nos cuidar da alma do ser humano. Jesus convoca à oração verdadeira, a respeitar a casa do Pai, a consagrar-se a Deus e a nada mais. A fé não comporta comércio, é pura doação e reciprocidade.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Marcos 10, 46-52 O verdadeiro discípulo.

* 46 Chegaram a Jericó. Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. Na beira do caminho havia um cego que se chamava Bartimeu, o filho de Timeu; estava sentado, pedindo esmolas. 47 Quando ouviu dizer que era Jesus Nazareno que estava passando, o cego começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” 48 Muitos o repreenderam e mandaram que ficasse quieto. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” 49 Então Jesus parou e disse: “Chamem o cego.” Eles chamaram o cego e disseram: “Coragem, levante-se, porque Jesus está chamando você.” 50 O cego largou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. 51 Então Jesus lhe perguntou: “O que você quer que eu faça por você?” O cego respondeu: “Mestre, eu quero ver de novo.” 52 Jesus disse: “Pode ir, a sua fé curou você.” No mesmo instante o cego começou a ver de novo e seguia Jesus pelo caminho. Comentário: * 46-52: O último milagre de Jesus é uma cura significativa. Ele não abre apenas os olhos do cego, mas também o coração. E o cego curado reconhece Jesus como o Messias (filho de Davi). E, com mais coragem do que Pedro (8,32) e do que o homem rico (10,22), segue a Jesus no caminho para a morte. Desse modo, Bartimeu torna-se o modelo do verdadeiro discípulo. É significativo que a última cura realizada por Jesus tenha ocorrido em Jericó, cidade bastante citada na Sagrada Escritura. Quem não se recorda do cerco de Jericó, com a queda das muralhas da cidade diante dos israelitas liderados por Josué, ajudante e sucessor de Moisés? É em Jericó também que se encontra o monte das Tentações, local onde Jesus teria sido tentado pelo diabo antes de iniciar sua vida pública. Enfim, é simbólico que seja neste pequeno povoado próximo de Jerusalém que Jesus faça um cego ver, sinal messiânico segundo as profecias de Isaías, e deixe que o chamem de filho de Davi, outro sinal messiânico.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Marcos 10, 32-45 Autoridade é serviço.

* 32 Jesus e os discípulos estavam a caminho, subindo para Jerusalém. Jesus ia na frente. Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo. Jesus chamou de novo os Doze à parte e começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com ele: 33 “Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos chefes dos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. 34 Vão caçoar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará.” 35 Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: “Mestre, queremos que faças por nós o que vamos te pedir.” 36 Jesus perguntou: “O que vocês querem que eu lhes conceda?” 37 Eles responderam: “Quando estiveres na glória, deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda.” 38 Jesus então lhes disse: “Vocês não sabem o que estão pedindo. Por acaso vocês podem beber o cálice que eu vou beber? Podem ser batizados com o batismo com que eu vou ser batizado?” 39 Eles responderam: “Podemos.” Jesus então lhes disse: “Vocês vão beber o cálice que eu vou beber, e vão ser batizados com o batismo com que eu vou ser batizado. 40 Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou esquerda. É Deus quem dará esses lugares àqueles, para os quais ele preparou.” 41 Quando os outros dez discípulos ouviram isso, começaram a ficar com raiva de Tiago e João. 42 Jesus chamou-os e disse: “Vocês sabem: aqueles que se dizem governadores das nações têm poder sobre elas, e os seus dirigentes têm autoridade sobre elas. 43 Mas, entre vocês não deverá ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês, 44 e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos. 45 Porque o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos.” Comentário: * 32-45: Jesus anuncia a sua morte como consequência de toda a sua vida. Enquanto isso, Tiago e João sonham com poder e honrarias, suscitando discórdia e competição entre os outros discípulos. Jesus mostra que a única coisa importante para o discípulo é seguir o exemplo dele: servir e não ser servido. Em a nova sociedade que Jesus projeta, a autoridade não é exercício de poder, mas a qualificação para serviço que se exprime na entrega de si mesmo para o bem comum. Jesus continua seu caminho em direção a Jerusalém. Os apóstolos o seguem, mas com medo e assustados. Ainda não conseguem acreditar totalmente na divindade do Mestre, não conseguem reconhecê-lo plenamente como o Messias enviado. Parecem estar mais preocupados com a ceia pascal que vão preparar ou com os lugares onde vão se sentar. Ironia do evangelista para mostrar que discutem coisas secundárias, interessam-se por coisas marginais, banais, em vez de procurarem o essencial e de valorizarem a presença de Jesus, que em breve não estará mais com eles. Pela terceira vez no Evangelho de Marcos, Jesus prenuncia sua paixão, morte e ressurreição.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Marcos 10, 28-31 O Reino é dom e partilha.

28 Pedro começou a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos.” 29 Jesus respondeu: “Eu garanto a vocês: quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e da Boa Notícia, 30 vai receber cem vezes mais. Agora, durante esta vida, vai receber casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, junto com perseguições. E, no mundo futuro, vai receber a vida eterna. 31 Muitos que agora são os primeiros serão os últimos, e muitos que agora são os últimos serão os primeiros.” Comentário: * 17-31: Para entrar no Reino (ou vida eterna) é preciso mais do que observar leis ou regras. O Reino é dom de Deus aos homens, e nele tudo deve ser partilhado entre todos. Isso significa repartir as riquezas em vista de uma igualdade, abolindo o sistema classista. É por isso que os ricos ficam tristes e dificilmente entram no Reino. E o que acontece quando a gente deixa tudo para seguir a Jesus e continuar o seu projeto? Encontra nova sociedade, embora em meio à perseguição, e já vive a certeza da plenitude que virá. Quem segue Jesus deve ser, acima de tudo, humilde e despojado. Os Evangelhos nos apresentam diversas situações em que Jesus pede que os discípulos deixem tudo para segui-lo. Seu próprio nascimento, numa gruta de Belém, rodeado apenas pelos pais e por alguns animais, é sinal do abandono total ao projeto do Pai, que pede o mesmo a todos os que querem segui-lo. Outro sinal é a obediência, aceitando ser o último em tudo. Aquele que está disposto a seguir Jesus não pode ambicionar riqueza ou poder, não pode almejar um alto posto, um cargo de liderança, um status privilegiado e assim por diante. Deve se colocar como o último, lavando os pés dos seus discípulos, abaixando a cabeça diante das acusações, renunciando a qualquer regalia ou privilégio. Essas mesmas características são pedidas a nós hoje, especialmente aos que lideram a Igreja em todos os âmbitos. Por isso, o Vaticano II exorta os bispos, os sacerdotes e toda a Igreja a seguir o modelo de Jesus Cristo. Humildade, obediência e dedicação total ao Reino.

domingo, 24 de maio de 2026

João 19, 25-34 A relação entre Israel e a comunidade de Jesus.

* 25 A mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cléofas, e Maria Madalena estavam junto à cruz. 26 Jesus viu a mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava. Então disse à mãe: “Mulher, eis aí o seu filho.” 27 Depois disse ao discípulo: “Eis aí a sua mãe.” E dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa. Jesus amou até o fim -* 28 Depois disso, sabendo que tudo estava realizado, para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse: “Tenho sede.” 29 Havia aí uma jarra cheia de vinagre. Amarraram uma esponja ensopada de vinagre numa vara, e aproximaram a esponja da boca de Jesus. 30 Ele tomou o vinagre e disse: “Tudo está realizado.” E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. A morte de Jesus é o maior sinal de vida -* 31 Era dia de preparativos para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque esse sábado era muito solene para eles. Então pediram que Pilatos mandasse quebrar as pernas dos crucificados e os tirasse da cruz. 32 Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro, que estavam crucificados com Jesus. 33 E se aproximaram de Jesus. Vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas, 34 mas um soldado lhe atravessou o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. Comentário: * 25-27: A mãe de Jesus representa aqui o povo da antiga aliança que se conservou fiel às promessas e espera pelo salvador. E o discípulo amado representa o novo povo de Deus, formado por todos os que dão sua adesão a Jesus. Na relação mãe-filho, o evangelista mostra a unidade e continuação do povo de Deus, fiel à promessa e herdeiro da sua realização. * 28-30: O projeto de Deus a respeito do homem se completa na morte de Jesus, sinal do seu dom de amor até o fim. O Espírito que Jesus entrega é o mesmo que o conduziu em toda a sua atividade. Ele realiza o reino universal e constitui o novo povo de Deus, que continuará a obra de Jesus. * 31-37: Morto na cruz, Jesus é o grande sinal, o ápice de todos os sinais narrados pelo evangelista. O sangue simboliza a morte; a água simboliza o Espírito que dá a vida: com sua morte Jesus trouxe a vida. Captar e testemunhar este sinal é questão decisiva, pois só através dele a história do homem vai encontrar a possibilidade de chegar à sua plenitude, dando lugar à sociedade livre e fraterna. É acreditando na vida de Jesus que o cristão continua a obra libertadora por ele iniciada. Maria viveu como ninguém as bem-aventuranças. É aquela que estremecia de júbilo na presença de Deus, aquela que conservava tudo no seu coração e que se deixou atravessar pela espada. É a santa entre os santos, a mais abençoada, aquela que nos acompanha e nos mostra o caminho da santidade. Quando caímos, não nos deixa por terra e, às vezes, carrega-nos em seus braços sem nos julgar. Conversar com ela consola-nos, liberta-nos, santifica-nos. A Mãe não necessita de muitas palavras, não precisa que nos esforcemos demasiado para lhe explicar o que sentimos ou precisamos. É suficiente sussurrar: “Ave, Maria…”.

sábado, 23 de maio de 2026

João 20, 19-23 Jesus ressuscitado está vivo na comunidade.

* 19 Era o primeiro dia da semana. Ao anoitecer desse dia, estando fechadas as portas do lugar onde se achavam os discípulos por medo das autoridades dos judeus, Jesus entrou. Ficou no meio deles e disse: “A paz esteja com vocês.” 20 Dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos ficaram contentes por ver o Senhor. 21 Jesus disse de novo para eles: “A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.” 22 Tendo falado isso, Jesus soprou sobre eles, dizendo: “Recebam o Espírito Santo. 23 Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados.” Comentário: * 19-23: O medo impede o anúncio e o testemunho. Jesus liberta do medo, mostrando que o amor doado até à morte é sinal de vitória e alegria. Depois, convoca seus seguidores para a missão no meio do mundo, infunde neles o Espírito da vida nova e mostra-lhes o objetivo da missão: continuar a atividade dele, provocando o julgamento. De fato, a aceitação ou recusa do amor de Deus, trazido por Jesus, é o critério de discernimento que leva o homem a tomar consciência da sentença que cada um atrai para si próprio: sentença de libertação ou de condenação. Não há mais barreiras que o Ressuscitado não possa atravessar. No mesmo dia da Páscoa, ele aparece aos apóstolos amedrontados e lhes deseja a paz: “A paz esteja com vocês”. É o desejo de plenitude que o Mestre lhes oferece. É a primeira Boa Notícia que recebem e a dádiva por excelência que os auxilia na superação do medo. Alegraram-se ao ver as marcas da crucificação, e pensaram: é ele mesmo. Após uma segunda saudação com o desejo da paz, os discípulos são convidados a dar continuidade à obra do Mestre, e para isso são enviados. Em seguida, sopra sobre eles o Espírito Santo, que é a certeza da sua presença e da sua força na missão dos seus. Com o sopro do Espírito, o Ressuscitado renova a ação de Deus criador que deu vida ao ser humano, criado para viver a paz, a reconciliação e a harmonia entre si. Com o sopro do Espírito, Jesus ressuscitado impele sua Igreja e cada fiel a sair de si, superando o medo e o comodismo, e levando à sociedade os valores do Reino de Deus.