domingo, 23 de agosto de 2026
João 1, 45-51 As testemunhas apontam o Salvador.
45 Filipe se encontrou com Natanael e disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei e também os profetas: é Jesus de Nazaré, o filho de José.” 46 Natanael disse: “De Nazaré pode sair coisa boa?” Filipe respondeu: “Venha, e você verá.”
47 Jesus viu Natanael aproximar-se e comentou: “Eis aí um israelita verdadeiro, sem falsidade.” 48 Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe chamasse você, eu o vi quando você estava debaixo da figueira.” 49 Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel!” 50 Jesus disse: “Você está acreditando só porque eu lhe disse: ‘Vi você debaixo da figueira’? No entanto, você verá coisas maiores do que essas.” 51 E Jesus continuou: “Eu lhes garanto: vocês verão o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.”
Comentário:
* 35-51: João descreve os sete dias da nova criação. No primeiro dia, João Batista afirma: “No meio de vocês existe alguém que vocês não conhecem.” Nos dias seguintes vemos como João Batista, João, André, Simão, Filipe e Natanael descobrem a Jesus. É sempre uma testemunha que aponta Jesus para outra. O último dia será o casamento em Caná, onde Jesus manifestará a sua glória.
“O que vocês estão procurando?” São estas as primeiras palavras de Jesus neste evangelho. Essa pergunta, ele a faz a todos os homens. Nós queremos saber quem é Jesus, e ele nos pergunta sobre o que buscamos na vida.
Os homens que encontraram Jesus começaram a conviver com ele. E no decorrer do tempo vão descobrindo que ele é o Mestre, o Messias, o Filho de Deus. O mesmo acontece conosco: enquanto caminhamos com Cristo, vamos progredindo no conhecimento a respeito dele.
João Batista era apenas testemunha de Jesus, a quem tudo se deve dirigir. João sabia disso; por isso convida seus próprios discípulos para que se dirijam a Jesus. E os dois primeiros vão buscar outros. É desse mesmo modo que nós encontramos a Jesus: porque outra pessoa nos falou dele ou nos comprometeu numa tarefa apostólica.
Jesus sempre reconhece aqueles que o Pai coloca em seu caminho. Ele reconhece Natanael debaixo da figueira e também Simão, escolhido para ser a primeira Pedra da Igreja.
Vereis o céu aberto: No sonho de Jacó, os anjos subiam e desciam por uma escada que ligava a terra ao céu (leia Gn 28,10-22). Doravante é Jesus, o Filho do Homem, a nova ligação entre Deus e os homens.
Bartolomeu, ou, em hebraico, Natanael, como é chamado pelo evangelista João, era pescador, como a maioria dos apóstolos. Era natural de Caná, oito quilômetros ao norte de Nazaré, por isso se acredita que estava presente nas famosas Bodas de Caná, local do primeiro milagre de Jesus, que o próprio Bartolomeu reconheceu como o Filho de Deus, rei de Israel, assim que o viu. Inicialmente, movido pelo preconceito, havia duvidado que Jesus, filho de José e Maria, habitante da pequena Nazaré, era verdadeiramente o Messias. Assim que o viu, porém, seu coração se encheu de alegria, confirmando as palavras de Filipe: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas” (v. 45). Segundo a tradição, Bartolomeu evangelizou a Índia e a Armênia, onde foi martirizado.
sábado, 22 de agosto de 2026
Romanos 11, 33-36 As decisões de Deus são insondáveis.
* 33 Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus! Como são insondáveis as suas decisões, e como são impenetráveis seus caminhos! 34 Quem poderá compreender o pensamento do Senhor? Quem foi o seu conselheiro? 35 Quem lhe emprestou alguma coisa, para que ele tenha algo a devolver? 36 Porque todas as coisas vêm dele, por meio dele e vão para ele. A ele pertence a glória para sempre. Amém.
Comentário:
* 33-36: Contemplando o final da história, quando a humanidade toda se reúne, salva por Deus, Paulo tem exclamações de admiração e de adoração.
Mateus 16, 13-20 Jesus é o Messias.
* 13 Jesus chegou à região de Cesaréia de Filipe, e perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?” 14 Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias, ou algum dos profetas.” 15 Então Jesus perguntou-lhes: “E vocês, quem dizem que eu sou?” 16 Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.” 17 Jesus disse: “Você é feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que lhe revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18 Por isso eu lhe digo: você é Pedro, e sobre essa pedra construirei a minha Igreja, e o poder da morte nunca poderá vencê-la. 19 Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu, e o que você ligar na terra será ligado no céu, e o que você desligar na terra será desligado no céu.” 20 Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias.
Comentário:
* 13-23: Cf. nota em Mc 8,27-33. Pedro é estabelecido como o fundamento da comunidade que Jesus está organizando e que deverá continuar no futuro. Jesus concede a Pedro o exercício da autoridade sobre essa comunidade, autoridade de ensinar e de excluir ou introduzir os homens nela. Para que Pedro possa exercer tal função, a condição fundamental é ele admitir que Jesus não é messias triunfalista e nacionalista, mas o Messias que sofrerá e morrerá na mão das autoridades do seu tempo. Caso contrário, ele deixa de ser Pedro para ser Satanás. Pedro será verdadeiro chefe, se estiver convicto de que os princípios que regem a comunidade de Jesus são totalmente diferentes daqueles em que se baseiam as autoridades religiosas do seu tempo.
O texto que lemos neste domingo constitui um marco importante no Evangelho de Mateus. Numa região pagã (Cesareia de Filipe), Jesus quer saber o que seus seguidores mais próximos pensam dele, e Pedro (porta-voz do grupo) reconhece nele o Messias, o Filho do Deus vivo. Jesus é mais que um simples profeta, ele é a revelação verdadeira do Pai. Ele é o Emanuel, a presença e a ação de Deus no meio da humanidade. A resposta de Pedro traz a essência da fé cristológica: Jesus é Messias, Filho de Deus. Pela resposta, revelada pelo Pai, Pedro é proclamado feliz, testemunha a fé da comunidade e recebe as chaves para abrir as portas do Reino de Deus, para que todos os que desejarem tenham acesso a ele. Ele tem o poder de discernir quem de fato pertence à comunidade comprometida com a justiça do Reino. A pergunta de Jesus continua soando em nossos dias: “Vocês, quem dizem que eu sou?”. A resposta deve ser dada pela nossa prática, pelo nosso compromisso com o projeto de Jesus, que exige liberdade e vida digna para todos.
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Lucas 1, 26-38 O Messias vai chegar.
* 26 No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré. 27 Foi a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José, que era descendente de Davi. E o nome da virgem era Maria. 28 O anjo entrou onde ela estava, e disse: “Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!” 29 Ouvindo isso, Maria ficou preocupada, e perguntava a si mesma o que a saudação queria dizer. 30 O anjo disse: “Não tenha medo, Maria, porque você encontrou graça diante de Deus. 31 Eis que você vai ficar grávida, terá um filho, e dará a ele o nome de Jesus. 32 Ele será grande, e será chamado Filho do Altíssimo. E o Senhor dará a ele o trono de seu pai Davi, 33 e ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó. E o seu reino não terá fim.” 34 Maria perguntou ao anjo: “Como vai acontecer isso, se não vivo com nenhum homem?” 35 O anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com sua sombra. Por isso, o Santo que vai nascer de você será chamado Filho de Deus. 36 Olhe a sua parenta Isabel: apesar da sua velhice, ela concebeu um filho. Aquela que era considerada estéril, já faz seis meses que está grávida. 37 Para Deus nada é impossível.” 38 Maria disse: “Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” E o anjo a deixou.
Comentário:
* 26-38: Maria é outra representante da comunidade dos pobres que esperam pela libertação. Dela nasce Jesus Messias, o Filho de Deus. O fato de Maria conceber sem ainda estar morando com José indica que o nascimento do Messias é obra da intervenção de Deus. Aquele que vai iniciar nova história surge dentro da história de maneira totalmente nova.
No quinto mistério glorioso, contemplamos a coroação de Maria como Rainha do Céu e da Terra, ao lado de seu Filho, o Rei do Universo. Alguns poderiam dizer que se trata de resquícios da tradição medieval, marcada pelas relações entre reis e súditos. Porém, é significativo celebrar a memória que hoje a liturgia nos apresenta, pois ela ressalta a beleza da Assunção de Nossa Senhora, celebrada há uma semana, e nos recorda que Maria é modelo e sinal de esperança para os cristãos que, já revestidos da dignidade real do Senhor no batismo, são chamados a reinar eternamente com ele.
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Mateus 22, 34-40 O centro da vida.
* 34 Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito os saduceus se calarem. Então eles se reuniram em grupo, 35 e um deles perguntou a Jesus para o tentar: 36 “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” 37 Jesus respondeu: “Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. 38 Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39 O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo. 40 Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos.”
Comentário:
* 34-40: Cf. nota em Mc 12,28-34: Jesus resume a essência e o espírito da vida humana num ato único com duas faces inseparáveis: amar a Deus com entrega total de si mesmo, porque o Deus verdadeiro e absoluto é um só e, entregando-se a Deus, o homem desabsolutiza a si mesmo, o próximo e as coisas; amar ao próximo como a si mesmo, isto é, a relação num espírito de fraternidade e não de opressão ou de submissão. O dinamismo da vida é o amor que tece as relações entre os homens, levando todos aos encontros, confrontos e conflitos que geram uma sociedade cada vez mais justa e mais próxima do Reino de Deus.
Uma armadilha dos fariseus serve para Jesus ensinar o mandamento do amor, coração de toda a Lei e essência da mensagem dos profetas. É importante aqui recordar que no judaísmo do tempo de Jesus existia um catálogo com 365 mandamentos ou preceitos negativos (não pode…) e 248 positivos (deve…). Um “fardo” pesado para o povo seguir. Qualquer desvio era punido, ou duramente criticado, como vimos nas discussões dos fariseus com Jesus sobre o sábado ou sobre as abluções. O novo mandamento é simples e, ao mesmo tempo, extremamente exigente: amar a Deus e ao próximo. Trata-se, na verdade, de um único e mesmo amor, visto que o próximo é o rosto de Deus no mundo: “Tive fome e vocês me deram de comer, tive sede e me deram de beber, era estrangeiro e me acolheram, estava nu e me vestiram, estava doente e me visitaram, estava na cadeia e vieram me ver…” (cf. Mt 25,31-46). Toda vez que manifestamos amor ao próximo, é uma prova de amor ao próprio Jesus Cristo.
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Mateus 22, 1-14 O novo povo de Deus.
* 1 Jesus voltou a falar em parábolas aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo. 2 Ele dizia: “ Reino do Céu é como um rei que preparou a festa de casamento do seu filho. 3 E mandou seus empregados chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram ir. 4 O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Falem aos convidados que eu já preparei o banquete, os bois e animais gordos já foram abatidos, e tudo está pronto. Que venham para a festa’. 5 Mas os convidados não deram a menor atenção; um foi para o seu campo, outro foi fazer os seus negócios, 6 e outros agarraram os empregados, bateram neles, e os mataram. 7 Indignado, o rei mandou suas tropas, que mataram aqueles assassinos, e puseram fogo na cidade deles.
8 Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não a mereceram. 9 Portanto, vão até as encruzilhadas dos caminhos, e convidem para a festa todos os que vocês encontrarem’. 10 Então os empregados saíram pelos caminhos, e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados.
11 Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí alguém que não estava usando o traje de festa. 12 E lhe perguntou: ‘Amigo, como foi que você entrou aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem nada respondeu. 13 Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrem os pés e as mãos desse homem, e o joguem fora na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes’. 14 Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos.”
Comentário:
* 1-14: É em Jesus que Deus convoca os homens para uma nova aliança, simbolizada pela festa de casamento. Os que rejeitam o convite são aqueles que se apegam ao sistema religioso que defende seus interesses e, por isso, não aceitam o chamado de Jesus. Estes serão julgados e destruídos juntamente com o sistema que defendem. O convite é dirigido então aos que não estão comprometidos com tal sistema, mas, ao contrário, são até marginalizados por ele. Começa na história novo povo de Deus, formado de pobres e oprimidos. Os vv. 11-14, porém, mostram que até mesmo estes últimos serão excluídos, se não realizarem a prática da nova justiça (traje de festa).
Ao longo desta semana, refletimos sobre a questão da riqueza como empecilho para entrar no Reino de Deus. Hoje Mateus nos apresenta outros empecilhos, a partir da parábola do banquete de casamento. O maior deles é a falta de preparação adequada e a ausência de comprometimento, simbolicamente expressos na “roupa de festa”. A recusa de Israel em receber o Reino trazido pelo Filho de Deus (recusa em participar da festa) abre a possibilidade de todos serem admitidos a essa festa (serem batizados, fazerem parte da Igreja e um dia entrarem no Reino), mas isso exige de cada um de nós uma resposta de aliança, que é dada através da fé.
terça-feira, 18 de agosto de 2026
Mateus 20, 1-16 O Reino é dom gratuito.
-* 1 “De fato, o Reino do Céu é como um patrão, que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. 3 Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo. Viu outros que estavam desocupados na praça, 4 e lhes disse: ‘Vão vocês também para a minha vinha. Eu lhes pagarei o que for justo’. 5 E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. 6 Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: ‘Por que vocês estão aí o dia inteiro desocupados?’ 7 Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. O patrão lhes disse: ‘Vão vocês também para a minha vinha’. 8 Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chame os trabalhadores, e pague uma diária a todos. Comece pelos últimos, e termine pelos primeiros’. 9 Chegaram aqueles que tinham sido contratados pelas cinco da tarde, e cada um recebeu uma moeda de prata. 10 Em seguida chegaram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. No entanto, cada um deles recebeu também uma moeda de prata. 11 Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12 ‘Esses últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor do dia inteiro!’ 13 E o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto com você. Não combinamos uma moeda de prata? 14 Tome o que é seu, e volte para casa. Eu quero dar também a esse, que foi contratado por último, o mesmo que dei a você. 15 Por acaso não tenho o direito de fazer o que eu quero com aquilo que me pertence? Ou você está com ciúme porque estou sendo generoso?’ 16 Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos.”
Comentário:
* 1-16: No Reino não existem marginalizados. Todos têm o mesmo direito de participar da bondade e misericórdia divinas, que superam tudo o que os homens consideram como justiça. No Reino não há lugar para o ciúme. Aqueles que julgam possuir mais méritos do que os outros devem aprender que o Reino é dom gratuito.
É curioso que, após transmitir alguns ensinamentos sobre a riqueza, Jesus conte a parábola dos trabalhadores da vinha. Serve-nos como exemplo de aplicação prática de tal ensinamento, sobretudo para os empresários cristãos. O “patrão” cristão deve desejar o bem de todos e que todos tenham o mínimo necessário para ter uma vida digna. Se os últimos não tiveram a oportunidade de desempenhar o mesmo trabalho que os primeiros, isso não significa que tenham que passar fome ou outra necessidade. Ao chegar em casa, todo trabalhador deveria se alegrar por poder sustentar sua família, proporcionando-lhe uma vida feliz, e isso pode ser assegurado pelos empresários e empreendedores cristãos, se seguirem a Doutrina Social da Igreja e as indicações de Jesus Cristo presentes no Evangelho de hoje.
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Mateus 19, 23-30 O Reino é dom e partilha.
23 Então Jesus disse aos discípulos: “Eu garanto a vocês: um rico dificilmente entrará no Reino do Céu. 24 E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus.” 25 Ouvindo isso, os discípulos ficaram muito espantados, e perguntaram: “Então, quem pode ser salvo?” 26 Jesus olhou para os discípulos, e disse: “Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível.”
27 Então Pedro tomou a palavra, e disse: Vê! Nós deixamos tudo e te seguimos. O que vamos receber?” 28 Jesus respondeu: “Eu garanto a vocês: no mundo novo, quando o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória, vocês, que me seguiram, também se sentarão em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. 29 E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais, e terá como herança a vida eterna. 30 Muitos que agora são os primeiros, serão os últimos; e muitos que agora são os últimos, serão os primeiros.”
Comentário:
* 16-30: Cf. nota em Mc 10,17-31. Mateus salienta: quem se engaja completamente no seguimento de Jesus, participará como juiz, quando a história for julgada.
Mais um ensinamento sobre a riqueza, unido ao Evangelho de ontem, do jovem rico. Hoje temos dois temas principais para refletir: o risco da riqueza e a recompensa dos que renunciam a ela. Na cultura judaica, retomada por algumas Igrejas evangélicas, reina a teologia da prosperidade, ou seja, a riqueza é vista como sinal de bênção, portanto acumular riquezas significa ser muito abençoado por Deus. Jesus mostra que essa interpretação é errônea, pois Deus quer a misericórdia e o sacrifício, quer a solidariedade e o amor. Essa é a verdadeira bênção, que torna possível até mesmo um camelo passar pelo buraco de uma agulha. Os que renunciam à riqueza e dedicam-se a amar e servir ao próximo, esses serão recompensados e herdarão a vida eterna.
domingo, 16 de agosto de 2026
Mateus 19, 16-22 O Reino é dom e partilha.
* 16 Um jovem se aproximou, e disse a Jesus: “Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?” 17 Jesus respondeu: “Por que você me pergunta sobre o que é bom? Um só é o bom. Se você quer entrar para a vida, guarde os mandamentos.” 18 O homem perguntou: “Quais mandamentos?” Jesus respondeu: “Não mate; não cometa adultério; não roube; não levante falso testemunho; 19 honre seu pai e sua mãe; e ame seu próximo como a si mesmo.” 20 O jovem disse a Jesus: “Tenho observado todas essas coisas. O que é que ainda me falta fazer?” 21 Jesus respondeu: “Se você quer ser perfeito, vá, venda tudo o que tem, dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois venha, e siga-me.” 22 Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico.
Comentário:
* 16-30: Cf. nota em Mc 10,17-31. Mateus salienta: quem se engaja completamente no seguimento de Jesus, participará como juiz, quando a história for julgada.
Os Profetas e toda a Lei, sobretudo o Decálogo, se resumem no mandamento do amor, mas precisamos recordar que o mandamento tem duas dimensões: amor a Deus e amor ao próximo. O jovem que dialoga com Jesus no Evangelho de hoje não compreendeu essa dinâmica. Pensava que estava sendo fiel a Deus por seguir o Decálogo e os preceitos da tradição judaica, esquecendo-se de que nada disso tem valor se somos egoístas e não nos sensibilizamos com os irmãos mais necessitados. Ainda hoje muitos cristãos pensam ser fiéis a Deus e à Igreja porque vão à missa, fazem ofertas, ajudam vez ou outra a própria paróquia ou um santuário (ou talvez algum influenciador digital), mas negligenciam o amor ao próximo, aquele que está ao seu lado, sentado na rua, desabrigado, com fome, com sede, doente, sem perspectiva… Se você quer ser perfeito, Jesus tem um bom conselho: “use os seus bens para ajudar os pobres e transformar vidas!”.
sábado, 15 de agosto de 2026
1 Coríntios 15, 20-27 Deus será tudo em todos.
* 20 Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos como primeiro fruto dos que morreram. 21 De fato, já que a morte veio através de um homem, também por um homem vem a ressurreição dos mortos.22 Como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos receberão a vida.23 Cada um, porém, na sua própria ordem: Cristo como primeiro fruto; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24 A seguir, chegará o fim, quando Cristo entregar o Reino a Deus Pai, depois de ter destruído todo principado, toda autoridade, todo poder. 25 Pois é preciso que ele reine, até que tenha posto todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. 26 O último inimigo a ser destruído será a morte, 27 pois Deus tudo colocou debaixo dos pés de Cristo. Mas, quando se diz que tudo lhe será submetido, é claro que se deve excluir Deus, que tudo submeteu a Cristo.
Comentário:
* 20-28: Dois estados da humanidade se opõem: o pecado e a morte, dos quais Adão é o símbolo; a graça e a vida, realizadas em Cristo (cf. Rm 5,17-21). A partir do pecado, existem na sociedade forças e estruturas que invertem o destino humano, desagregando, pervertendo, e até mesmo levando os homens à morte. Cristo foi morto por essas estruturas, mas Deus o ressuscitou e lhe deu poder de destruí-las. Após vencer essas forças, também a morte será vencida; então, o triunfo será definitivo. Unida a Cristo, a humanidade estará de novo submetida a Deus e o Reino de Deus se manifestará completamente.
Lucas 1, 39-56 João aponta o Messias.
* 39 Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, às pressas, a uma cidade da Judéia. 40 Entrou na casa de Zacarias, e saudou Isabel. 41 Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança se agitou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42 Com um grande grito exclamou: “Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre! 43 Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar? 44 Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu ventre. 45 Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu.”
O cântico de Maria -* 46 Então Maria disse: “Minha alma proclama a grandeza do Senhor, 47 meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, 48 porque olhou para a humilhação de sua serva. Doravante todas as gerações me felicitarão, 49 porque o Todo-poderoso realizou grandes obras em meu favor: seu nome é santo, 50 e sua misericórdia chega aos que o temem, de geração em geração. 51 Ele realiza proezas com seu braço: dispersa os soberbos de coração,52 derruba do trono os poderosos e eleva os humildes; 53 aos famintos enche de bens, e despede os ricos de mãos vazias. 54 Socorre Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55 conforme prometera aos nossos pais em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre.” 56 Maria ficou três meses com Isabel; e depois voltou para casa.
Comentário:
* 39-45: Ainda no seio de sua mãe, João Batista recebe o Espírito prometido (1,15). Reconhece o Messias e o aponta através da exclamação de sua mãe Isabel.
* 46-56: O cântico de Maria é o cântico dos pobres que reconhecem a vinda de Deus para libertá-los através de Jesus. Cumprindo a promessa, Deus assume o partido dos pobres, e realiza uma transformação na história, invertendo a ordem social: os ricos e poderosos são depostos e despojados, e os pobres e oprimidos são libertos e assumem a direção dessa nova história.
Dois grandes sinais aparecem no texto: a mulher e o dragão. A mulher é vista como figura de Maria e como representante do povo fiel. O dragão é símbolo do mal, da força opressora que se opõe ao projeto de Jesus e se encarna em pessoas e sistemas. / Cristo, vencedor da morte, é primícias dos seus seguidores. Sua ressurreição é a certeza da nossa vitória final. Se o estrago do “pecado de Adão” foi grande, a vitória de Jesus supera a própria morte. / Duas mulheres se encontram e partilham a vida e a mútua ajuda. Os filhos em seu ventre mudarão a história da humanidade e, junto com elas, são uma bênção para todas as gerações. Isabel proclama Maria bem-aventurada por acreditar no que o Senhor lhe prometeu. Por sua vez, Maria proclama a grandeza de Deus, que não apenas fez grandes coisas em seu favor, mas também exalta os pobres, dispersa os soberbos e derruba os poderosos.
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Mateus 19, 13-15 O Reino pertence aos pobres.
* 13 Então levaram crianças para que Jesus pusesse as mãos sobre elas, e rezasse. Mas os discípulos as repreendiam. 14 Jesus, porém, disse: “Deixem as crianças, e não lhes proíbam de vir a mim, porque o Reino do Céu pertence a elas.” 15 E depois de pôr as mãos sobre as crianças, Jesus partiu daí.
Comentário:
* 13-15: Cf. nota em Mc 10, 13-16: Aqui a criança serve de exemplo não pela inocência ou pela perfeição moral. Ela é o símbolo do ser fraco, sem pretensões sociais: é simples, não tem poder nem ambições. Principalmente na sociedade do tempo de Jesus, a criança não era valorizada, não tinha nenhuma significação social. A criança é, portanto, o símbolo do pobre marginalizado, que está vazio de si mesmo, pronto para receber o Reino.
Pequeno trecho do Evangelho, mas com um profundo ensinamento: o Reino dos Céus pertence aos pequenos e fracos. Para compreender plenamente a mensagem de Jesus, precisamos recordar o que ele tinha dito pouco antes, em Mateus 18,1-5, que meditamos na última terça-feira. Vale a pena reler o Evangelho e a reflexão, pois ali vemos a associação do Reino com a atitude de humildade e respeito para com os simples e frágeis, assim como as pequenas crianças. Mas hoje Jesus vai além, afirmando que ele é o caminho e a porta para o Reino, por isso nenhum desses pequenos pode ser impedido de o seguir, ou melhor, eles devem ser auxiliados no itinerário de aproximação de Jesus. Essa é a função dos discípulos, por isso são reprimidos quando fazem o contrário. Não temos hoje a mesma tentação de facilitar o acesso dos ricos e influentes à Igreja? É verdade que nosso discurso sempre fala dos pobres e oprimidos, mas, na prática, são eles que são acolhidos de modo privilegiado na Igreja? Eles que participam das grandes festas? Eles que são homenageados e condecorados? Algo que nos deve fazer refletir e mudar algumas práticas atuais para retomarmos o caminho indicado por Jesus.
Mateus 19, 3-12 Matrimônio e celibato.
3 Alguns fariseus se aproximaram de Jesus, e perguntaram, para o tentar: “É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo?” 4 Jesus respondeu: “Vocês nunca leram que o Criador, desde o início, os fez homem e mulher? 5 E que ele disse: ‘Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne’? 6 Portanto, eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não deve separar.” 7 Os fariseus perguntaram: “Então, como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio ao despedir a mulher?” 8 Jesus respondeu: “Moisés permitiu o divórcio, porque vocês são duros de coração. Mas não foi assim desde o início. 9 Eu, por isso, digo a vocês: quem se divorciar de sua mulher, a não ser em caso de fornicação, e casar-se com outra, comete adultério.”
10 Os discípulos disseram a Jesus: “Se a situação do homem com a mulher é assim, então é melhor não se casar.” 11 Jesus respondeu: “Nem todos entendem isso, a não ser aqueles a quem é concedido. 12 De fato, há homens castrados, porque nasceram assim; outros, porque os homens os fizeram assim; outros, ainda, se castraram por causa do Reino do Céu. Quem puder entender, entenda.”
Comentário:
* 1-12: Cf. nota em Mc 10,1-12. Diante do matrimônio indissolúvel, os discípulos observam que o celibato é melhor. Jesus mostra que a escolha do celibato é dom de Deus, e que este só adquire todo o seu valor quando é assumido com plena liberdade em vista de serviço ao Reino.
Jesus Cristo apresenta e justifica a razão de ser de duas vocações cristãs: o matrimônio e o celibato. Quem optar pelo matrimônio, deve estar consciente de que é um elo indissolúvel. O que Deus uniu, o ser humano não separe, mostrando o valor do sacramento do matrimônio e a importância de tomar a decisão com plena consciência e fortes motivações ligadas ao amor entre homem e mulher. Os que optam pelo celibato, como os sacerdotes e consagrados, também devem fazê-lo com consciência e tendo em vista uma causa maior: o Reino dos Céus.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Mateus 18, 21-19,1 Perdoar sem limites.
* 21 Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22 Jesus respondeu: “Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. 25 Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: ‘Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo’. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. 28 Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague logo o que me deve’. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dê-me um prazo, e eu pagarei a você’. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. 32 O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: ‘Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. 33 E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?’ 34 O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.”
Matrimônio e celibato -* 1 Quando Jesus acabou de dizer essas palavras, ele partiu da Galileia, e foi para o território da Judéia, no outro lado do rio Jordão.
Comentário:
* 21-35: Na comunidade de Jesus não existem limites para o perdão (setenta vezes sete). Ao entrar na comunidade, cada pessoa já recebeu do Pai um perdão sem limites (dez mil talentos). A vida na comunidade precisa, portanto, basear-se no amor e na misericórdia, compartilhando entre todos esse perdão que cada um recebeu.
* 19,1-12: Cf. nota em Mc 10,1-12. Diante do matrimônio indissolúvel, os discípulos observam que o celibato é melhor. Jesus mostra que a escolha do celibato é dom de Deus, e que este só adquire todo o seu valor quando é assumido com plena liberdade em vista de serviço ao Reino.
Um ensinamento sobre o perdão sem limites conclui o discurso comunitário de Jesus. Como é já característico do Evangelho de Mateus, o discurso é seguido por uma parábola que ajuda a refletir, aprofundar e fixar na mente e no coração o sentido daquele ensinamento. Nossa mesquinhez humana é incapaz de perdoar uma pequena dívida, demonstrando não reconhecer a generosidade enorme do Rei divino que perdoou uma fortuna. Além do perdão ao próximo como consequência do infinito perdão proporcionado por Deus a nós, a parábola nos faz refletir, portanto, sobre o sentido da gratidão, que muitas vezes deixamos em segundo plano.
terça-feira, 11 de agosto de 2026
Mateus 18, 15-20 E quando o irmão peca?
* 15 “Se o seu irmão pecar, vá e mostre o erro dele, mas em particular, só entre vocês dois. Se ele der ouvidos, você terá ganho o seu irmão. 16 Se ele não lhe der ouvidos, tome com você mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. 17 Caso ele não dê ouvidos, comunique à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele der ouvidos, seja tratado como se fosse um pagão ou um cobrador de impostos. 18 Eu lhes garanto: tudo o que vocês ligarem na terra, será ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra, será desligado no céu. 19 E lhes digo ainda mais: se dois de vocês na terra estiverem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está no céu. 20 Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles.”
Comentário:
* 15-20: Quando um irmão peca, prejudicando o bem comum, a comunidade age com prudência e justiça, procurando corrigir o irmão. Reunida em nome e no espírito de Jesus, a comunidade tem o poder de incluir ou excluir pessoas do seu meio (cf. 16,19), isto é, incluir ou excluir pessoas. A missão dela, porém, não termina com a exclusão do pecador: ela deve procurá-lo, como o pastor que sai em busca da ovelha perdida (18,11-14).
Após apresentar as crianças como modelos da comunidade comprometida, Jesus transmite algumas instruções para a correção fraterna e a oração em comum, aqui colocadas em extrema unidade. De fato, nenhuma comunidade pode rezar serenamente se antes não reinar a harmonia e a paz entre seus membros. Seria uma hipocrisia e uma afronta ao Pai misericordioso, que nos trata a todos como filhos. Se um irmão da comunidade pecar, ou seja, se desviar do caminho evangélico, não deve ser julgado e excluído. Ao contrário. Jesus nos diz que deve ser procurado em particular para ser conscientizado sobre sua falta. Se isso não for o suficiente, temos um novo passo: um grupo converse e tente ajudá-lo, abrindo seus olhos e propondo um itinerário de correção. Na nossa comunidade ou mesmo na nossa família, é assim que agimos?
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Mateus 18, 1-5.10.12-14 Quem é o maior na comunidade?
* 1 Naquele momento, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino do Céu?” 2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles, 3 e disse: “Eu lhes garanto: se vocês não se converterem, e não se tornarem como crianças, vocês nunca entrarão no Reino do Céu. 4 Quem se abaixa, e se torna como essa criança, esse é o maior no Reino do Céu. 5 E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe.”
Por que alguém se afasta da comunidade? -* 10 “Cuidado para não desprezar nenhum desses pequeninos, pois eu digo a vocês: os anjos deles no céu estão sempre na presença do meu Pai que está no céu. 12 O que vocês acham? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, será que ele não vai deixar as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? 13 Eu garanto a vocês: quando ele a encontra, fica muito mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. 14 Do mesmo modo, o Pai que está no céu não quer que nenhum desses pequeninos se perca.”
Comentário:
* 1-5: A comunidade cristã não é a reprodução de uma sociedade que se baseia na riqueza e no poder. Nela, é maior ou mais importante aquele que se converte, deixando todas as pretensões sociais, para pertencer a um grupo que acolhe fraternalmente Jesus na pessoa dos pequenos, fracos e pobres.
* 10-14: Por que alguém se extravia, isto é, se distancia da comunidade? Certamente por causa do escândalo (vv. 6-9), ou do desprezo daqueles que buscam poder e prestígio. A parábola mostra que a comunidade inteira deve preocupar-se e procurar aquele que se extraviou. A comunidade se alegra quando ele volta para o seu meio, porque a vontade do Pai foi cumprida.
Com o Evangelho de hoje, iniciamos um novo discurso de Jesus, que se estenderá por todo o capítulo 18, chamado “discurso comunitário”, pois apresenta a comunidade comprometida com o Reino e sua justiça. Como é característico do Mestre, para abrir este discurso, ele usa uma imagem eloquente: a presença de uma pequena criança, símbolo da humildade, da pureza e da total submissão ao Pai, não por medo, mas porque vê nele um modelo a imitar. Cada discípulo deve se fazer como uma criança, mas deve também prover os que são fracos e necessitados como as crianças, sem jamais excluí-los ou desprezá-los. Eis a dupla função da comunidade comprometida.
domingo, 9 de agosto de 2026
João 12, 24-26 A missão do verdadeiro Messias.
24 Eu garanto a vocês: se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas se morre, produz muito fruto. 25 Quem tem apego à sua vida, vai perdê-la; quem despreza a sua vida neste mundo, vai conservá-la para a vida eterna. 26 Se alguém quer servir a mim, que me siga. E onde eu estiver, aí também estará o meu servo. Se alguém serve a mim, o Pai o honrará.
Comentário:
* 12-36: Temos aqui duas concepções sobre o Messias. Seguindo a tradição transmitida pelos dirigentes, o povo aclama Jesus como um rei político. Mais tarde, essa ideia será transformada em motivo da condenação de Jesus. Por outro lado, Jesus se apresenta como o Messias predito pelas Escrituras, mostrando, porém, sua verdadeira missão: dar a vida para salvar e reunir o povo.
O Evangelho escolhido para a festa de São Lourenço explica o sentido do próprio martírio que este e inúmeros outros santos sofreram ao longo da história do cris-tianismo. A morte não é o fim para quem crê em Jesus Cristo e na vida eterna. É uma passagem e uma mudança para algo muito superior, assim como o simples grão de trigo que precisa morrer para produzir muitos frutos. Assim como Lourenço, muitos outros aceitaram entregar a própria vida para seguir o Messias, estando ao seu lado na vida, na morte e na ressurreição. É por isso que temos a certeza de que esses santos estão ao lado de Deus no céu, pois o próprio Cristo nos afirmou que, por servi-lo, seriam honrados pelo Pai. Para o cristão, uma vida doada é chamada de amor: amor a Deus e amor ao próximo. Por isso, o caminho do cristão não pode ser diferente daquele trilhado por Jesus, passando pela cruz, mas com destino à esperança e à glória. Esse é o caminho da felicidade eterna.
sábado, 8 de agosto de 2026
Mateus 14, 22-33 A fé nos momentos difíceis.
* 22 Logo em seguida, Jesus obrigou os discípulos a entrar na barca, e ir na frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despedia as multidões. 23 Logo depois de despedir as multidões, Jesus subiu sozinho ao monte, para rezar. Ao anoitecer, Jesus continuava aí sozinho. 24 A barca, porém, já longe da terra, era batida pelas ondas, porque o vento era contrário.
25 Entre as três e as seis da madrugada, Jesus foi até os discípulos, andando sobre o mar. 26 Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: “É um fantasma!” E gritaram de medo. 27 Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo.”
28 Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água.” 29 Jesus respondeu: “Venha.” Pedro desceu da barca, e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30 Mas ficou com medo quando sentiu o vento e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me.” 31 Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que você duvidou?”
32 Então eles subiram na barca. E o vento parou. 33 Os que estavam na barca se ajoelharam diante de Jesus, dizendo: “De fato, tu és o Filho de Deus.”
Comentário
* 22-33: Sobressai aqui a figura de Pedro, protótipo da comunidade que, nas grandes crises, duvida da presença de Jesus em seu meio e, por isso, pede um sinal. E mesmo vendo sinais, continua com medo das ambiguidades da situação e, por isso, a sua fé fica paralisada. Então faz o seu pedido de socorro. Jesus atende ao pedido da comunidade. Mas deixa bem claro que ela precisa crescer na fé e não temer os passos dados dentro das águas agitadas do mundo.
Elias foge para o monte Horeb, onde faz a experiência de Deus. O Senhor não se manifesta mediante os elementos tradicionais – o vento, o terremoto e o fogo –, e sim na brisa mansa. Ele sempre se revela de maneiras inesperadas e variadas, também no silêncio do coração e na solidão. / O Evangelho é recusado pelos que deviam ser os primeiros a acolhê-lo. Isso atormenta Paulo, que, porém, não perde a esperança. Mais cedo ou mais tarde, os inumeráveis dons de Deus darão seus frutos. / Caminhando sobre o mar, diante dos poderes da morte, Jesus se revela como Senhor. Ele convida a comunidade a encarar os desafios para fazer a travessia do “mar”, pois a outra margem do lago é o lugar da missão. Por causa de nossa pouca fé, corremos o risco de ser tragados pelas ondas sufocantes; neste momento, precisamos apelar para o Senhor: “Salva-nos!”
Romanos 9, 1-5 Os privilégios de Israel.
* 1 Digo a verdade em Cristo, não minto, e disso me dá testemunho a minha consciência pelo Espírito Santo: 2 tenho uma grande dor e um contínuo sofrimento no coração. 3 Sim, eu gostaria de ser amaldiçoado e separado de Cristo em favor dos meus irmãos de raça e sangue. 4 Eles são israelitas e possuem a adoção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; 5 deles são os patriarcas e deles nasceu Cristo segundo a condição humana, que está acima de tudo. Deus seja bendito para sempre. Amém.
Comentário:
* 1-5: Nos capítulos 9-11, Paulo analisa a situação do povo de Israel, procurando responder à difícil questão: “Não é uma contradição o fato de que o próprio povo escolhido, portador da história da salvação, tenha rejeitado Jesus e se tenha excluído da salvação?” Esse problema escandalizava judeus e pagãos e comprometia o êxito do Evangelho.
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Evangelho: Mateus 17,14-20
* 14 Eles foram em direção à multidão. Um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se, 15 e disse: “Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epilético, e tem ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. 16 Eu o levei aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!” 17 Jesus respondeu: “Gente sem fé e pervertida! Até quando deverei ficar com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam o menino aqui.” 18 Então Jesus ordenou, e o demônio saiu. E na mesma hora o menino ficou curado.
19 Os discípulos se aproximaram de Jesus, e lhe perguntaram em particular: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?” 20 Jesus respondeu: “É porque vocês não têm bastante fé. Eu garanto a vocês: se vocês tiverem fé do tamanho de uma semente de mostarda, podem dizer a esta montanha: ‘Vá daqui para lá’, e ela irá. E nada será impossível para vocês.
Comentário:
* 14-21: Cf. nota em Mc 9,14-29. Os discípulos, que estão iniciando o trabalho de continuar a obra de Jesus, falham nas primeiras tentativas. O motivo é a falta de fé, ou seja, não acreditam que o poder de Deus se expressa através da ação concreta deles. Considerar impossível a desalienação dos homens é não acreditar no poder de Deus que age na pessoa de Jesus e em nós.
O grão de mostarda, que Jesus já havia usado como referência para o Reino, por ser a menor das sementes, agora serve para ilustrar o tamanho da fé dos discípulos, menor do que a menor de todas as sementes. De que serviu todo o ensinamento de Jesus, especialmente a parábola do semeador? Parece que os discípulos não aprenderam nada, e os que o procuram também ainda não compreenderam o sentido da sua messianidade. Jesus é paciente, acolhe novamente os que sofrem para libertá-los de todo mal (simbolizado no menino epilético, que na época era visto como sinal de possessão demoníaca), a fim de ensinar o povo a ter fé autêntica, mesmo que seja pequena como um grão de mostarda.
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Mateus 16, 24-28 O seguimento de Jesus.
* 24 Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. 25 Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26 Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida? 27 Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a própria conduta. 28 Eu garanto a vocês: alguns daqueles que estão aqui, não morrerão sem terem visto o Filho do Homem vindo com o seu Reino.”
Comentário:
* 24-28: Cf. nota em Mc 8,34-38: A morte de cruz era reservada a criminosos e subversivos. Quem quer seguir a Jesus esteja disposto a se tornar marginalizado por uma sociedade injusta (perder a vida) e mais, a sofrer o mesmo destino de Jesus: morrer como subversivo (tomar a cruz).
Todos os dias, Jesus continua a dizer a cada um de nós: “Renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. A questão é: sou capaz de renunciar a mim mesmo, tomar a cruz de Cristo e o seguir? Não nos faltam exemplos de pessoas que assumiram esse desafio ao longo da história da Igreja, desde os apóstolos e as primeiras comunidades até os santos contemporâneos. Particular testemunho foi dado pelos mártires. De fato, a palavra “mártir” vem do grego martyria e significa exatamente “testemunha”, aquele que testemunhou a sua fé de modo radical, entregando-se até à morte. O exemplo destes santos nos inspira a sermos fiéis ao Evangelho e a nos dedicarmos, mesmo que em grau muito menor, à mesma causa do Reino.
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Mateus 17, 1-9 O sinal da vitória.
* 1 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, os irmãos Tiago e João, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. 2 E se transfigurou diante deles: o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz. 3 Nisso lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Jesus. 4 Então Pedro tomou a palavra, e disse a Jesus: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.” 5 Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra, e da nuvem saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz.” 6 Quando ouviram isso, os discípulos ficaram muito assustados, e caíram com o rosto por terra. 7 Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantem-se, e não tenham medo.” 8 Os discípulos ergueram os olhos, e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. 9 Ao descerem da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não contem a ninguém essa visão, até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos.”
Comentário:
* 17,1-9: Cf. nota em Mc 9,1-13: A vida e ação de Jesus não terminam na sua morte. A transfiguração é sinal da Ressurreição: a sociedade não conseguirá deter a pessoa e a atividade de Jesus, que irão continuar através de seus discípulos. A voz de Deus mostra que, daqui por diante, Jesus é a única autoridade. Todos os que ouvem o convite de Deus e seguem a Jesus até o fim, começam desde já a participar da sua vitória final, quando ressuscitarão com ele.
Jesus toma consigo três apóstolos mais próximos e, no alto da montanha, se transfigura diante deles. Nisso, apareceu-lhes Moisés, representante da Lei, e Elias, representante dos profetas, falando com ele. Há um paralelismo entre Jesus no monte da Transfiguração e Moisés no Sinai. Tal como o rosto de Moisés, também o de Jesus irradia uma luz resplandecente. Mais do que a Moisés, é preciso escutar Jesus. Ele é o novo legislador que veio dar novo sentido à Lei mosaica. Moisés e Elias dão testemunho dele. Pedro se entusiasma e propõe ao Mestre ficar naquele lugar maravilhoso, construindo três tendas. Nisso, uma voz se faz ouvir: este é meu Filho amado, escutai-o. Escutando Jesus, escutaremos também seu Pai. A proposta de Pedro de permanecer na montanha é fugir da missão, que se realiza na planície.
terça-feira, 4 de agosto de 2026
Mateus 15, 21-28 Jesus veio para todos.
* 21 Jesus saiu daí, e foi para a região de Tiro e Sidônia. 22 Nisso, uma mulher Cananéia, que morava nessa região, gritou para Jesus: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim. Minha filha está sendo cruelmente atormentada por um demônio.” 23 Mas Jesus nem lhe deu resposta. Então os discípulos se aproximaram e pediram: “Manda embora essa mulher, porque ela vem gritando atrás de nós.” 24 Jesus respondeu: “Eu fui mandado somente para as ovelhas perdidas do povo de Israel.” 25 Mas a mulher, aproximando-se, ajoelhou-se diante de Jesus, e começou a implorar: “Senhor, ajuda-me.” 26 Jesus lhe disse: “Não está certo tirar o pão dos filhos, e jogá-lo aos cachorrinhos.” 27 A mulher disse: “Sim, Senhor, é verdade; mas também os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.” 28 Diante disso, Jesus lhe disse: “Mulher, é grande a sua fé! Seja feito como você quer.” E desde esse momento a filha dela ficou curada.
Comentário:
* 21-28: Cf. nota em Mc 7,24-30. A mulher pagã reconhece que Jesus não é só uma personalidade moral e religiosa, mas alguém que realiza um projeto concreto: constituir o povo de Deus na história. Esse reconhecimento faz que ela participe, com sua filha, desse projeto. Não são os atos de purificação ou as crenças particulares que engajam alguém no povo de Deus, mas o fato de acreditar que Jesus é o guia desse povo.
As ações de Jesus ao longo de Mateus 14-15 procuram, sobretudo, responder a questões específicas enfrentadas pelos discípulos na comunidade a que se dirige, composta principalmente por judeu-cristãos. A questão discutida hoje é a primazia do povo “escolhido”, Israel. Deve ser mantida ou não? Vemos que não, pois a missão de Jesus se abriu aos pagãos após a recusa de Israel. A atitude da mulher pagã serve de paradigma da fé que salva: reconhece e aceita Jesus como o Salvador, e vai ao seu encontro, mesmo sabendo que não tem direito a ela (por causa do pecado).
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Mateus 15, 1-2.10-14 Condição para ser verdadeiro guia.
* 1 Alguns fariseus e diversos doutores da Lei, de Jerusalém, se aproximaram de Jesus, e perguntaram: 2 “Por que os teus discípulos desobedecem à tradição dos antigos? De fato, comem pão sem lavar as mãos!”10 Em seguida, Jesus chamou a multidão para perto dele, e disse: “Escutem e compreendam. 11 Não é o que entra na boca que torna o homem impuro, mas o que sai da boca, isso torna o homem impuro.”
12 Então os discípulos se aproximaram, e disseram a Jesus: “Sabes que os fariseus ficaram escandalizados com o que disseste?” 13 Jesus respondeu: “Toda planta que não foi plantada pelo meu Pai celeste será arrancada. 14 Não se preocupem com eles. São cegos guiando cegos. Ora, se um cego guia outro cego, os dois cairão num buraco.”
Comentário:
* 1-20: Através de sua moralidade casuística, os doutores da Lei e os fariseus são condutores cegos do povo. Com suas interpretações desobedecem aos próprios mandamentos de Deus, sob a pretensão de observá-los. Também Pedro e os discípulos não serão verdadeiros guias, enquanto não entenderem que só é impuro aquilo que estraga o relacionamento fraterno entre os homens. Cf. também nota em Mc 7,1-13 e 7,14-23.
Nova discussão sobre as tradições seguidas no tempo de Jesus. É importante notar aqui que mesmo entre os diversos grupos judaicos não existia um consenso sobre essas tradições orais. De fato, o historiador Flávio Josefo assim escreveu: “Os fariseus transmitiram ao povo algumas regras recebidas por sucessão de seus pais e que não estão escritas nas leis de Moisés, e por isso os saduceus as rejeitam, porque, dizem, é preciso observar apenas as normas escritas e não aquelas recebidas pela tradição”. Portanto, Jesus não é questionado propriamente por não seguir a Lei mosaica, mas por não respeitar a tradição oral (ou seja, o conjunto de interpretações sobre as questões de pureza), passada através das gerações, e que depois do tempo de Jesus seria recolhida no conhecido Talmude e na Mishná.
domingo, 2 de agosto de 2026
Mateus 14, 22-36 A fé nos momentos difíceis.
* 22 Logo em seguida, Jesus obrigou os discípulos a entrar na barca, e ir na frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despedia as multidões. 23 Logo depois de despedir as multidões, Jesus subiu sozinho ao monte, para rezar. Ao anoitecer, Jesus continuava aí sozinho. 24 A barca, porém, já longe da terra, era batida pelas ondas, porque o vento era contrário.
25 Entre as três e as seis da madrugada, Jesus foi até os discípulos, andando sobre o mar. 26 Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: “É um fantasma!” E gritaram de medo. 27 Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo.”
28 Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água.” 29 Jesus respondeu: “Venha.” Pedro desceu da barca, e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30 Mas ficou com medo quando sentiu o vento e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me.” 31 Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que você duvidou?”
32 Então eles subiram na barca. E o vento parou. 33 Os que estavam na barca se ajoelharam diante de Jesus, dizendo: “De fato, tu és o Filho de Deus.”
Jesus e os doentes -* 34 Acabando de atravessar, desembarcaram em Genesaré. 35 Os homens desse lugar, reconhecendo-os, espalharam a notícia por toda a região. Então levaram a Jesus todos os doentes, 36 e pediram que pudessem ao menos tocar a barra da roupa dele. E todos os que tocaram, ficaram curados.
Comentário:
* 22-33: Sobressai aqui a figura de Pedro, protótipo da comunidade que, nas grandes crises, duvida da presença de Jesus em seu meio e, por isso, pede um sinal. E mesmo vendo sinais, continua com medo das ambiguidades da situação e, por isso, a sua fé fica paralisada. Então faz o seu pedido de socorro. Jesus atende ao pedido da comunidade. Mas deixa bem claro que ela precisa crescer na fé e não temer os passos dados dentro das águas agitadas do mundo.
* 34-36: Jesus exerce sua missão em benefício de todo o povo, e não de acordo com os critérios e interesses de privilegiados ou especialistas da religião. Estes consideravam um escândalo deixar-se tocar pela multidão doente.
Mateus repete na narração de hoje alguns elementos presentes no milagre da tempestade (8,23-27), como o poder sobre as forças da natureza e a decepção diante da falta de fé dos discípulos traduzida no medo. Nas entrelinhas, colhemos em ambas as narrativas o ensinamento de que a vitória do discípulo de Cristo no mundo depende da fé em Jesus Salvador (v. 30; 8,25), fé que exprime o grito de socorro e de confiança naquele que pode salvar. Quando cremos em Jesus Cristo, todo medo se dissipa, as ondas e o vento já não nos preocupam, a serenidade e a paz voltam a reinar.
sábado, 1 de agosto de 2026
Mateus 14, 13-21 O banquete da vida.
* 13 Quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu, e foi de barca para um lugar deserto e afastado. Mas, quando as multidões ficaram sabendo disso, saíram das cidades, e o seguiram a pé. 14 Ao sair da barca, Jesus viu grande multidão. Teve compaixão deles, e curou os que estavam doentes.
15 Ao entardecer, os discípulos chegaram perto de Jesus, e disseram: “Este lugar é deserto, e a hora já vai adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar alguma coisa para comer.” 16 Mas Jesus lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Vocês é que têm de lhes dar de comer.” 17 Os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes.” 18 Jesus disse: “Tragam isso aqui.” 19 Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Depois pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães, e os deu aos discípulos; os discípulos distribuíram às multidões. 20 Todos comeram, ficaram satisfeitos, e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços que sobraram. 21 O número dos que comeram era mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.
Comentário:
* 13-21: Cf. nota em Mc 6,31-44. Mateus salienta o comportamento de Jesus: ele não é fanático, querendo enfrentar imediatamente Herodes; mas também não é fatalista, deixando as coisas correr como estão. Ele continua fiel à missão de servir ao seu povo. Reúne e alimenta as multidões sofredoras, realizando os sinais de um novo modo de vida e de anúncio do Reino. A Eucaristia é o sacramento-memória dessa presença de Jesus, lembrando continuamente qual é a missão a que nós, cristãos, fomos chamados.
Embora ainda tímidos, os discípulos entreveem saída no sinal simbólico dos cinco pães e dois peixes. A partir daí, o milagre acontece. O pouco que cada um tem, quando partilhado e abençoado por Deus, é suficiente para transformar a realidade para melhor. O episódio se conclui com a constatação: todos ficaram saciados e ainda sobrou (v. 20). Com esse ensinamento, os discípulos aprenderam que, para seguir Jesus, é necessário decidir-se em favor da vida, sendo sinais visíveis de misericórdia daquele que veio para que todos tenham vida e a tenham em plenitude (Jo 10,10). Essa é também nossa missão!
Romanos 8, 35.37-39 Ninguém pode impedir o projeto de Deus.
35 Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? 37 Mas, em todas essas coisas somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou. 38 Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes 39 nem as forças das alturas ou das profundidades, nem qualquer outra criatura, nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor.
Comentário:
* 31-39: Com o amor de Deus, manifestado em seu Filho, nada mais temos a temer: nem dificuldades, nem perseguições, nem martírio, nem qualquer forma de dominação. Nada poderá desfazer o que Deus já realizou. Nada poderá impedir o testemunho dos cristãos. E nada poderá opor-se à plena realização do projeto de Deus.
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Mateus 14, 1-12 O banquete da morte.
* 1 Naquele tempo, Herodes, governador da Galileia, ouviu falar da fama de Jesus. 2 Disse então a seus oficiais: “Ele é João Batista, que ressuscitou dos mortos. É por isso que os poderes agem nesse homem.” 3 De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, a mulher do seu irmão. 4 Porque João dizia a Herodes: “Não é permitido você se casar com ela.” 5 Herodes queria matar João, mas tinha medo da multidão, porque esta considerava João um profeta.
6 Quando chegou o aniversário de Herodes, a filha de Herodíades dançou diante de todos, e agradou a Herodes. 7 Então Herodes prometeu com juramento que lhe daria tudo o que ela pedisse. 8 Pressionada pela mãe, ela disse: “Dê-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista.” 9 O rei ficou triste, mas por causa do juramento na frente dos convidados, ordenou que atendessem o pedido dela, 10 e mandou cortar a cabeça de João na prisão. 11 Depois a cabeça foi levada num prato, foi entregue à moça, e esta a levou para a sua mãe. 12 Os discípulos de João foram buscar o cadáver, e o enterraram. Depois foram contar a Jesus o que tinha acontecido.
Comentário:
* 1-12: A morte brutal de João Batista anuncia a morte de Jesus. Os compromissos que obrigaram Herodes a cortar a cabeça do Precursor vão levar, com muito maior razão, as autoridades a tramar e exigir a execução de Jesus. Isso porque tanto João como Jesus põem em perigo os princípios éticos vigentes.
No Evangelho de ontem, vimos a rejeição a Jesus em Nazaré; hoje, vemos a rejeição a João Batista, por ter sido coerente com sua missão de profeta. O Herodes mencionado aqui não é o mesmo que procurava matar o menino Jesus e que motivou a fuga para o Egito (cf. Mt 2,13). Aqui se fala de Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande, que morreu quando a Sagrada Família estava no Egito. Segundo sua vontade, o reino foi dividido entre três dos quatro filhos que ainda estavam vivos, gerando a chamada Tetrarquia de Herodes: Herodes Arquelau foi rei da Judeia (incluindo Samaria e Idumeia), Herodes Antipas foi tetrarca da Galileia (incluindo a Pereia) e Filipe foi tetrarca da Traconítida.
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Mateus 13, 54-58 Jesus é rejeitado como os profeta.
54 e voltou para a sua terra. Ensinava as pessoas na sinagoga, de modo que ficavam admiradas. Diziam: “De onde vêm essa sabedoria e esses milagres? 55 Esse homem não é o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? 56 E suas irmãs, não moram conosco? Então, de onde vem tudo isso?” 57 E ficaram escandalizados por causa de Jesus. Mas Jesus disse: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família.” 58 E Jesus não fez muitos milagres aí, por causa da falta de fé deles.
Comentário:
* 53-58: Cf. nota em Mc 6,1-6. Os conterrâneos de Jesus colocam a questão sobre a origem da autoridade dele, admirados de seu ensinamento e poderes milagrosos. É impossível que Jesus, sendo um deles, tenha a autoridade de Deus. Por isso, eles o rejeitam. Essa rejeição não é acidental: é apenas mais uma prova de que Jesus é o enviado de Deus. De fato, todos os profetas do Antigo Testamento também foram rejeitados.
Santo Inácio de Loyola foi um exemplo vivo do questionamento presente no Evangelho de hoje: “De onde lhe vem tudo isso?” De fato, como um militar convertido pôde ser sinal de renovação da evangelização e de disseminação dos valores católicos em tempos tão conturbados como os do século 16? Somente alguém que tivesse feito uma experiência profunda de Deus poderia demonstrar tanta sabedoria e virtude a ponto de fundar uma comunidade de vida consagrada que viria a ter participação decisiva nos rumos da Igreja naquele momento histórico, bem como nos tempos subsequentes.
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Mateus 13, 47-53 A consumação do Reino.
* 47 “O Reino do Céu é ainda como uma rede lançada ao mar. Ela apanha peixes de todo o tipo. 48 Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e escolhem: os peixes bons vão para os cestos, os que não prestam são jogados fora. 49 Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são bons. 50 E lançarão os maus na fornalha de fogo. Aí eles vão chorar e ranger os dentes”.
Um novo sentido para tudo -* 51 “Vocês compreenderam tudo isso?” Eles responderam: “Sim.” 52 Então Jesus acrescentou: “E assim, todo doutor da Lei que se torna discípulo do Reino do Céu é como pai de família que tira do seu baú coisas novas e velhas.”
Comentário:
* 47-50: A consumação do Reino se realiza através do julgamento que separa os bons dos maus. Os que vivem a justiça anunciada por Jesus tomarão parte definitiva no Reino; os que não vivem serão excluídos para sempre. É preciso decidir desde já.
* 51-52: As parábolas revelam o segredo de Deus para aqueles que têm fé. Por isso, o doutor da Lei que se torna discípulo de Jesus é capaz de ver a ligação entre o Antigo e o Novo Testamento. Em Jesus tudo se renova e toma novo sentido.
* 53-58: Cf. nota em Mc 6,1-6. Os conterrâneos de Jesus colocam a questão sobre a origem da autoridade dele, admirados de seu ensinamento e poderes milagrosos. É impossível que Jesus, sendo um deles, tenha a autoridade de Deus. Por isso, eles o rejeitam. Essa rejeição não é acidental: é apenas mais uma prova de que Jesus é o enviado de Deus. De fato, todos os profetas do Antigo Testamento também foram rejeitados.
Jesus utiliza-se de um discurso apocalíptico, apresentando o final dos tempos sob uma imagem de purificação e de extinção do mal existente. Ele não pretende nos assustar, mas sim nos convidar a assumir nossa vocação cristã com fidelidade. À medida que buscarmos viver o mais próximo possível do que Jesus nos propõe, mais felizes seremos já desde esta vida terrena.
terça-feira, 28 de julho de 2026
João 11, 19-27 Jesus é a ressurreição e a vida.
19 Muitos judeus tinham ido à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão. 20 Quando Marta ouviu que Jesus estava chegando, foi ao encontro dele. Maria, porém, ficou sentada em casa.
21 Então Marta disse a Jesus: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. 22 Mas ainda agora eu sei: tudo o que pedires a Deus, ele te dará.” 23 Jesus disse: “Seu irmão vai ressuscitar.” 24 Marta disse: “Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição, no último dia.” 25 Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá. 26 E todo aquele que vive e acredita em mim, não morrerá para sempre. Você acredita nisso?” 27 Ela respondeu: “Sim, Senhor. Eu acredito que tu és o Messias, o Filho de Deus que devia vir a este mundo.”
Comentário:
* 17-27: Jesus se apresenta como a ressurreição e a vida, mostrando que a morte é apenas uma necessidade física. Para a fé cristã a vida não é interrompida com a morte, mas caminha para a sua plenitude. A vida plena da ressurreição já está presente naqueles que pertencem à comunidade de Jesus.
Maria escuta Jesus, para com ele aprender. Marta, seduzida pelo seu ativismo e concentrada em obter bons resultados, pensa deter a verdade e saber o que é melhor para todos, por isso ousa indicar até mesmo a Jesus o que ele deve fazer e dizer. Quando acreditamos ser completos e eficientes, somos incapazes de nos aprimorar, de mudar, de melhorar. Somente a escuta e o confronto com o diferente permitem a evolução no processo dialético. Somente através da escuta é possível criar relações, comunidades e redes, pois ela é acolhedora, compreensiva, sábia. É a escuta e o diálogo que nos fazem crescer e melhorar, como tanto insiste o papa Francisco. Por isso, Jesus diz que Maria, aquela que escuta, escolheu a melhor parte.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Mateus 13, 36-43 A dinâmica do Reino na história.
* 36 Então Jesus deixou as multidões, e foi para casa. Os discípulos se aproximaram dele, e disseram: “Explica-nos a parábola do joio.” 37 Jesus respondeu: “Quem semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38 O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. 39 O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos. 40 Assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, o mesmo também acontecerá no fim dos tempos: 41 o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles recolherão todos os que levam os outros a pecar e os que praticam o mal, 42 e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí eles vão chorar e ranger os dentes. 43 Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça.”
Comentário:
* 36-43: A explicação da parábola é alegoria que apresenta a dinâmica do Reino na história. Jesus instaurou o Reino dentro da história, e esta é feita pela ação de bons e maus. A vinda do Reino, porém, entra em luta contra o espírito do mal, e conduz os justos à vitória final. A história é tensão contínua voltada para a manifestação gloriosa do Reino.
Mais uma “homilia” de Jesus após proclamar sua mensagem, a exemplo do que fez com a parábola do semeador, que vimos na última sexta-feira. Na explicação da parábola do trigo e do joio, Jesus apresenta a história humana dividida em dois grupos opostos, um sob a liderança do divino semeador (composto por membros do Reino) e outro composto por sequazes do maligno. Deus é paciente e permite que os filhos do semeador maligno cresçam no campo (ou seja, movimentem-se pelo mundo), mas isso para não correr o risco de eliminar o trigo juntamente com o joio (cf. Mt 13,29). No dia do Julgamento, uns e outros serão separados e o Cristo glorioso purificará inteiramente sua Igreja de todo mal. Na Igreja e no mundo hoje, conseguimos distinguir o “trigo” do “joio”? Conseguimos ver claramente o que é obra de Deus e o que é obra do maligno?
Mateus 13, 31-35 A força do Reino.
* 31 E Jesus contou outra parábola: “O Reino do Céu é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. 32 Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E se torna uma árvore, de modo que os pássaros do céu vêm e fazem ninhos em seus ramos.”
O Reino transforma -* 33 Jesus contou-lhes ainda outra parábola: “O Reino do Céu é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado.”
Jesus revela o mistério escondido -* 34 Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, 35 para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para usar parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo.”
Comentário:
* 31-32: Por que será que o Reino parece não estar se expandindo no mundo? Cf. nota em Mc 4,30-34.
* 33: A comunidade dos discípulos parece desaparecer no meio dos homens. Num segundo momento, porém, ela exerce ação transformadora no seio da sociedade.
* 34-35: Somente através da pessoa e missão de Jesus é possível compreender o mistério do Reino de Deus, escondido na história desde o início do mundo.
sábado, 25 de julho de 2026
Mateus 13, 44-52 A decisão pelo Reino.
* 44 “O Reino do Céu é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra, e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens, e compra esse campo.
45 O Reino do Céu é também como um comprador que procura pérolas preciosas. 46 Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens, e compra essa pérola.”
A consumação do Reino -* 47 “O Reino do Céu é ainda como uma rede lançada ao mar. Ela apanha peixes de todo o tipo. 48 Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e escolhem: os peixes bons vão para os cestos, os que não prestam são jogados fora. 49 Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são bons. 50 E lançarão os maus na fornalha de fogo. Aí eles vão chorar e ranger os dentes.”
Um novo sentido para tudo -* 51 “Vocês compreenderam tudo isso?” Eles responderam: “Sim.” 52 Então Jesus acrescentou: “E assim, todo doutor da Lei que se torna discípulo do Reino do Céu é como pai de família que tira do seu baú coisas novas e velhas.”
Comentário:
* 44-46: Para entrar no Reino é necessária decisão total. Apegar-se a seguranças, mesmo religiosas, que são falsas ou puras imitações, em troca da justiça do Reino, é preferir bijuterias a uma pedra preciosa.
* 47-50: A consumação do Reino se realiza através do julgamento que separa os bons dos maus. Os que vivem a justiça anunciada por Jesus tomarão parte definitiva no Reino; os que não vivem serão excluídos para sempre. É preciso decidir desde já.
* 51-52: As parábolas revelam o segredo de Deus para aqueles que têm fé. Por isso, o doutor da Lei que se torna discípulo de Jesus é capaz de ver a ligação entre o Antigo e o Novo Testamento. Em Jesus tudo se renova e toma novo sentido.
Jesus continua ensinando sobre o Reino dos Céus com três parábolas: tesouro, pérola e rede. As duas primeiras (tesouro e pérola) ensinam o valor do investimento no Reino de Deus, considerado um bem maior. A terceira (rede) revela a realidade da comunidade (sociedade), composta de pessoas comprometidas e pessoas descompromissadas. Essas parábolas mostram a complexidade do mistério do Reino dos Céus. Com as três parábolas, Jesus nos convida a acolher o Reino, considerado um bem maior, que merece investimento acima de tudo. O que Deus nos oferece tem valor infinito, precisamos fazer todo esforço para tornar o Reino sempre mais uma realidade, abandonando o que não contribui para com ele. Devemos ser como o “dono da casa que tira de seu cofre coisas novas e velhas”. A Bíblia é o baú que guarda coisas “novas e velhas”, temos a chave para abri-la e tirar dela as propostas do Reino. Precisamos ser pessoas sábias para discernir aquilo que realmente é valioso daquilo que não traz benefícios à vida.
Romanos 8, 28-30 O projeto de Deus.
* 28 Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o projeto dele. 29 Aqueles que Deus antecipadamente conheceu, também os predestinou a serem conformes à imagem do seu Filho, para que este seja o primogênito entre muitos irmãos. 30 E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E aos que chamou, também os tornou justos. E aos que tornou justos, também os glorificou.
Comentário:
* 28-30: O projeto eterno de Deus é predestinar, chamar, tornar justo e glorificar a cada um e a todos os homens, fazendo com que todos se tornem imagem do seu Filho e se reúnam como a grande família de Deus. O projeto não exclui ninguém. Mas o homem é livre: pode aceitar ou recusar tal projeto, pode escolher a vida ou a morte, salvar-se ou condenar-se.
sexta-feira, 24 de julho de 2026
Mateus 20,20-28 Autoridade é serviço.
20 A mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos, e ajoelhou-se para pedir alguma coisa. 21 Jesus perguntou: “O que você quer?” Ela respondeu: “Promete que meus dois filhos se sentem, um à tua direita e o outro à tua esquerda, no teu Reino.” 22 Jesus, então, disse: “Vocês não sabem o que estão pedindo. Por acaso, vocês podem beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos.” 23 Então Jesus disse: “Vocês vão beber do meu cálice. Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou esquerda. É meu Pai quem dará esses lugares àqueles para os quais ele mesmo preparou.” 24 Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram com raiva dos dois irmãos. 25 Mas Jesus chamou-os, e disse: “Vocês sabem: os governadores das nações têm poder sobre elas, e os grandes têm autoridade sobre elas. 26 Entre vocês não deverá ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês; 27 e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se servo de vocês. 28 Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir, e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos.”
Comentário:
* 17-28: Cf. nota em Mc 10, 32-45: Jesus anuncia a sua morte como consequência de toda a sua vida. Enquanto isso, Tiago e João sonham com poder e honrarias, suscitando discórdia e competição entre os outros discípulos. Jesus mostra que a única coisa importante para o discípulo é seguir o exemplo dele: servir e não ser servido. Em a nova sociedade que Jesus projeta, a autoridade não é exercício de poder, mas a qualificação para serviço que se exprime na entrega de si mesmo para o bem comum.
Todos nós certamente já ouvimos falar do Caminho de Santiago, meta de peregrinações de milhares de pessoas desde o século IX. Já no ano 1075 começou a ser construída a basílica no local onde, segundo a tradição, foi encontrado o túmulo de Tiago, filho de Zebedeu e Salomé, irmão de João e o primeiro apóstolo a ser martirizado (cf. At 12,1-2), cumprindo a profecia de Jesus narrada no Evangelho de hoje (v. 22). Isso significa que a chamada de atenção de Jesus à “ousadia” da mãe dos apóstolos funcionou e os dois irmãos continuaram a seguir o Mestre cheios de humildade e dedicação. Tanto que os Evangelhos descrevem a presença de Tiago bem próxima de Jesus, por exemplo no monte da transfiguração e naquele da agonia, no horto do Getsêmani.
quinta-feira, 23 de julho de 2026
Mateus 13, 18-23 Compreender a Palavra nos conflitos.
* 18 “Ouçam, portanto, o que a parábola do semeador quer dizer: 19 Todo aquele que ouve a Palavra do Reino e não a compreende, é como a semente que caiu à beira do caminho: vem o Maligno e rouba o que foi semeado no coração dele. 20 A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a Palavra, e logo a recebe com alegria. 21 Mas ele não tem raiz em si mesmo, é inconstante: quando chega uma tribulação ou perseguição por causa da Palavra, ele desiste logo. 22 A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a Palavra, mas a preocupação do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a Palavra, e ela fica sem dar fruto. 23 A semente que caiu em terra boa é aquele que ouve a Palavra e a compreende. Esse com certeza produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta por um.”
Comentário:
* 18-23: Os obstáculos para compreender a Palavra do Reino (= ensinamento de Jesus) são: a alienação, que tira o poder de decisão humana; as perseguições concretas que causam desânimo; as estruturas políticas e econômicas que fascinam e seduzem. A compreensão da Palavra do Reino se realiza na dramaticidade dos conflitos pessoais e sociais.
Durante a celebração eucarística, após a proclamação do Evangelho, o sacerdote faz uma homilia, popularmente chamada de “sermão”. Segundo o papa Francisco, a homilia “deve ajudar a transferir a Palavra de Deus do livro para a vida” e “deve ser curta: uma imagem, um pensamento e um sentimento”. Podemos dizer que o Evangelho que meditamos hoje é exatamente uma “homilia” feita pelo próprio Jesus, explicando e transferindo para a vida prática uma de suas parábolas. Nessa homilia, Jesus caracteriza quatro categorias de pessoas, segundo a atitude assumida no ato de escutar a Palavra de Deus.
quarta-feira, 22 de julho de 2026
Mateus 13, 10-17 A felicidade de compreender.
* 10 Os discípulos aproximaram-se, e perguntaram a Jesus: “Por que usas parábolas para falar com eles?” 11 Jesus respondeu: “Porque a vocês foi dado conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não. 12 Pois, a quem tem, será dado ainda mais, será dado em abundância; mas daquele que não tem, será tirado até o pouco que tem. 13 É por isso que eu uso parábolas para falar com eles: assim eles olham e não veem, ouvem e não escutam nem compreendem. 14 Desse modo se cumpre para eles a profecia de Isaías: ‘É certo que vocês ouvirão, porém nada compreenderão. É certo que vocês enxergarão, porém nada verão. 15 Porque o coração desse povo se tornou insensível. Eles são duros de ouvido e fecharam os olhos, para não ver com os olhos, e não ouvir com os ouvidos, não compreender com o coração e não se converter. Assim eles não podem ser curados’. 16 Vocês, porém, são felizes, porque seus olhos veem e seus ouvidos ouvem. 17 Eu garanto a vocês: muitos profetas e justos desejaram ver o que vocês estão vendo, e não puderam ver; desejaram ouvir o que vocês estão ouvindo, e não puderam ouvir.”
Comentário:
* 10-17: Cf. nota em Mc 4,10-12. Os mistérios do Reino só serão conhecidos por aqueles que já tiverem acolhido Jesus como Messias (os discípulos). Aceitar Jesus como o Messias, mesmo nos seus “fracassos”, faz compreender as contínuas dificuldades que sofre a implantação do Reino do Céu. E isso é uma bem-aventurança
Hoje temos a possibilidade de ver Jesus presente na Eucaristia e escutar sua Palavra na proclamação do Evangelho. Toda celebração eucarística é uma oportunidade de encontrarmos Jesus, de entrarmos em contato com ele, de o tocarmos, criarmos comunhão com seu corpo e sangue. Sabemos aproveitar essas oportunidades ou as evitamos, como se fossem uma obrigação indesejada? Será que também o nosso coração não ficou insensível? Talvez também nós, hoje, ouçamos de má vontade e fechemos os olhos, tornando-nos, por isso, incapazes de compreender com o coração e, assim, ser curados de muitos males. Talvez devamos voltar a ler e interpretar as parábolas de Jesus para responder a questões atuais!
terça-feira, 21 de julho de 2026
João 20, 1-2.11-18 Jesus não está morto.
* 1 No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus bem de madrugada, quando ainda estava escuro. Ela viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2 Então saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo que Jesus amava. E disse para eles: “Tiraram do túmulo o Senhor, e não sabemos onde o colocaram.”
Jesus ressuscitado é descoberto pela fé -* 11 Maria tinha ficado fora, chorando junto ao túmulo. Enquanto ainda chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12 Viu então dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus tinha sido colocado, um na cabeceira e outro nos pés. 13 Então os anjos perguntaram: “Mulher, por que você está chorando?” Ela respondeu: “Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o colocaram.”
14 Depois de dizer isso, Maria virou-se e viu Jesus de pé; mas não sabia que era Jesus. 15 E Jesus perguntou: “Mulher, por que você está chorando? Quem é que você está procurando?” Maria pensou que fosse o jardineiro, e disse: “Se foi o senhor que levou Jesus, diga-me onde o colocou, e eu irei buscá-lo.” 16 Então Jesus disse: “Maria.” Ela virou-se e exclamou em hebraico: “Rabuni!” (que quer dizer: Mestre). 17 Jesus disse: “Não me segure, porque ainda não voltei para o Pai. Mas vá dizer aos meus irmãos: ‘Subo para junto do meu Pai, que é Pai de vocês, do meu Deus, que é o Deus de vocês.’ “ 18 Então Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: “Eu vi o Senhor.” E contou o que Jesus tinha dito.
Comentário:
* 1-10: A fé na ressurreição tem dois aspectos. O primeiro é negativo: Jesus não está morto. Ele não é falecido ilustre, ao qual se deve construir um monumento. O sepulcro vazio mostra que Jesus não ficou prisioneiro da morte. O segundo aspecto da ressurreição é positivo: Jesus está vivo, e o discípulo que o ama intui essa realidade.
* 11-18: Jesus está vivo, mas já não se manifesta de modo físico, como o Mestre durante a sua vida na história. Doravante, ele está presente no mistério da vida de Deus, e torna-se presente e atuante através do anúncio feito por aqueles que nele acreditam. Chegou o tempo das relações da nova aliança: Deus é Pai, e os homens são filhos de Deus e irmãos de Jesus.
Cristo vai ao encontro da sua amiga Maria Madalena. Ela não o reconhece de imediato, pois tem o coração obscurecido pela tristeza e pelos preconceitos, traz na mente apenas o Jesus humano e não consegue contemplar ainda o Cristo glorioso. Quantas vezes também nós vemos apenas o homem Jesus: um sábio, um guru que propõe uma bela filosofia de vida, belos ensinamentos de autoajuda. Não! Cristo é muito mais. Ele é o Filho de Deus que se doou para nos salvar. Ele é o nosso único Mestre (Rabuni), o nosso único Messias, e assim devemos reconhecê-lo no nosso cotidiano.
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Mateus 12, 46-50 Uma nova geração.
* 46 Jesus ainda estava falando às multidões. Sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. 47 Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo.” 48 Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” 49 E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos, 50 pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está no céu, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”
Comentário:
* 46-50: Cf. nota em Mc 3,31-35. Mateus salienta que a família de Jesus são os seus discípulos, isto é, a comunidade que já se dispôs a segui-lo. São eles que aprendem os ensinamentos de Jesus, para levá-los aos outros; são eles que trilham o caminho da vontade do Pai, isto é, a obediência à radicalização da Lei proposta por Jesus. Desse modo, começa nova geração, diferente da geração má dos fariseus.
No hebraico antigo, a palavra “mãe” (ima) se escrevia com a junção das letras alef (cabeça de touro, que representa a força) e mem (ondas, que representam a água), significando “água forte”, nome dado à “cola” ou “gosma” que surgia quando se fervia o couro e que era usada para construir, fixar, unir ou consertar as tendas. É importante recordar que os israelitas eram um povo nômade, vivendo por anos em tendas. Assim como a “água forte” dava sustento e mantinha a tenda em pé, “mãe” é aquela que sustenta e une, neste caso, a família (sua casa ou lar); aquela que mantém todos protegidos debaixo da sua “tenda”. No Evangelho de hoje, não vemos desprezo de Jesus pela sua “ima”, pela sua Mãe, mas sim o rosto materno de Deus que sustenta e une uma nova família, muito maior. Deus é a “água forte” que une todos os que se identificam com Jesus, que estão dentro de casa (sob a tenda) ao lado dele e que aceitam fazer a vontade do Pai.
domingo, 19 de julho de 2026
Mateus 12, 38-42 O sinal que leva para a fé.
* 38 Então alguns doutores da Lei e fariseus disseram a Jesus: “Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti.” 39 Jesus respondeu: “Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas. 40 De fato, assim como Jonas passou três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem passará três dias e três noites no seio da terra. 41 No dia do julgamento, os homens da cidade de Nínive ficarão de pé contra esta geração, e a condenarão. Porque eles fizeram penitência quando ouviram Jonas pregar. E aqui está quem é maior do que Jonas. 42 No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará contra esta geração, e a condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão.”
Comentário:
* 38-42: Jesus recusa dar um sinal para provar a sua missão, porque nenhum milagre é capaz de despertar a fé naqueles que não querem se comprometer com Jesus. O único sinal que Jesus dá é o da sua morte e ressurreição, consequência e selo da autenticidade de toda a sua missão.
Mesmo Jesus tendo realizado vários sinais, as autoridades religiosas e políticas (doutores da Lei e fariseus) são incapazes de aceitá-lo e reconhecê-lo como o Messias. Na verdade, não o reconheciam nem mesmo como Rabi, senão teriam seguido sua Palavra. O fato de usarem a expressão “mestre” como vocativo (v. 38) denota mais ironia do que discipulado. Queriam pôr Jesus à prova, mas ele responde com grande sabedoria, maior do que a do famoso rei Salomão. Jesus quer mostrar aos seus interlocutores que a fé não nasce da visão, não é consequência dos sinais; mas, ao contrário, deve preceder os milagres, é um pré-requisito para os sinais acontecerem. Todos os milagres narrados até agora por Mateus têm a fé como ponto de partida.
sábado, 18 de julho de 2026
Romanos 8, 26-27 Esperando um mundo novo.
26 Do mesmo modo, também o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois nem sabemos o que convém pedir; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. 27 E aquele que sonda os corações sabe quais são os desejos do Espírito, pois o Espírito intercede pelos cristãos de acordo com a vontade de Deus.
Comentário:
* 18-27: A luta contra o egoísmo é possível para aqueles que entraram no âmbito do Espírito. Essa luta não terminou, mas está em contínuo processo: vivemos na esperança de conseguir a vitória final. Esse anseio é universal e se expressa nos clamores da natureza e do homem. A natureza espera ser libertada do uso egoísta, para ser partilhada e colocada a serviço de todos. Os homens esperam ser libertos de toda exploração e opressão que escravizam seus corpos, a fim de sempre mais se projetarem gratuitamente a serviço dos irmãos. Entretanto, a salvação plena é uma realidade futura e inimaginável. Cegos pelo sistema egoísta, muitas vezes não conseguimos enxergar o caminho. É o clamor do Espírito que nos dirige, então, orientando-nos conforme a vontade de Deus.
Mateus 13, 24-43 O inimigo do Reino.
* 24 Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino do Céu é como um homem que semeou boa semente no seu campo. 25 Uma noite, quando todos dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. 26 Quando o trigo cresceu, e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. 27 Os empregados foram procurar o dono, e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’ 28 O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que arranquemos o joio?’ 29 O dono respondeu: ‘Não. Pode acontecer que, arrancando o joio, vocês arranquem também o trigo. 30 Deixem crescer um e outro até à colheita. E no tempo da colheita direi aos ceifadores: arranquem primeiro o joio, e o amarrem em feixes para ser queimado. Depois recolham o trigo no meu celeiro!’ “
A força do Reino -* 31 E Jesus contou outra parábola: “O Reino do Céu é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. 32 Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E se torna uma árvore, de modo que os pássaros do céu vêm e fazem ninhos em seus ramos.”
O Reino transforma -* 33 Jesus contou-lhes ainda outra parábola: “O Reino do Céu é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado.”
Jesus revela o mistério escondido -* 34 Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, 35 para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para usar parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo.”
A dinâmica do Reino na história -* 36 Então Jesus deixou as multidões, e foi para casa. Os discípulos se aproximaram dele, e disseram: “Explica-nos a parábola do joio.” 37 Jesus respondeu: “Quem semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38 O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. 39 O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos. 40 Assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, o mesmo também acontecerá no fim dos tempos: 41 o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles recolherão todos os que levam os outros a pecar e os que praticam o mal, 42 e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí eles vão chorar e ranger os dentes. 43 Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça.”
Comentário:
* 24-30: O Messias já veio. Então, por que o Reino ainda não se instalou definitivamente? Resposta de Jesus: Isso não se deve à imperfeição natural dos homens, mas a uma sabotagem premeditada, feita por aquele que quer usurpar a autoridade de Deus no mundo. Não cabe aos homens fazer a separação entre bons e maus, pois só Deus pode fazer o julgamento.
* 31-32: Por que será que o Reino parece não estar se expandindo no mundo? Cf. nota em Mc 4, 30-34: Diante das estruturas e ações deste mundo, a atividade de Jesus e daqueles que o seguem parece impotente, e mesmo ridícula. Mas ela crescerá, até atingir o mundo inteiro.
* 33: A comunidade dos discípulos parece desaparecer no meio dos homens. Num segundo momento, porém, ela exerce ação transformadora no seio da sociedade.
* 34-35: Somente através da pessoa e missão de Jesus é possível compreender o mistério do Reino de Deus, escondido na história desde o início do mundo.
* 36-43: A explicação da parábola é alegoria que apresenta a dinâmica do Reino na história. Jesus instaurou o Reino dentro da história, e esta é feita pela ação de bons e maus. A vinda do Reino, porém, entra em luta contra o espírito do mal, e conduz os justos à vitória final. A história é tensão contínua voltada para a manifestação gloriosa do Reino.
A parábola do trigo e do joio recebe uma explicação do próprio Jesus. Essa parábola nos mostra que na sociedade ainda existe o joio, a erva daninha, que destrói os valores do Reino de Deus. Ela convida à paciência e combate o espírito de intolerância e de vingança. A sociedade e a comunidade são formadas de pessoas mais ou menos santas e pecadoras. Cada um de nós é um pouco trigo e um pouco joio. A tentação dos discípulos, talvez, seja nossa também: extirpar o joio. A separação entre o trigo e o joio (julgamento) pertence a Deus. As outras duas parábolas (lidas na forma longa do Evangelho deste domingo) convidam a ser perseverantes e não desistir. É com pequenos gestos de amor e solidariedade que se constrói o Reino de Deus. Uma pequena semente dá uma árvore e uma pitadinha de fermento leveda toda a massa. O importante é não ficar com a semente na mão, mas plantá-la, nem deixar o fermento apodrecer.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Mateus 12, 14-21 O bem do homem está acima da lei.
14 Logo depois, os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus.
A missão do Servo de Javé -* 15 Jesus soube disso, e foi embora desse lugar. Numerosas multidões o seguiram, e ele curou a todos. 16 Jesus ordenou que não dissessem quem ele era. 17 Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 18 “Eis aqui o meu servo, que escolhi; o meu amado, no qual minha alma se compraz. Colocarei sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará o julgamento às nações. 19 Não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. 20 Não esmagará a cana quebrada, nem apagará o pavio que ainda fumega, até que leve o julgamento à vitória. 21 E em seu nome as nações depositarão a sua esperança.”
Comentário:
* 9-14: Cf. nota em Mc 3,1-6. Jesus sabe que os fariseus permitem salvar um animal em dia de sábado. E propõe um caso de consciência: um homem não vale mais do que um animal?
* 15-21: Jesus não é um demagogo que exige publicidade para suas ações. Ele é o Servo de Javé, isto é, o novo mediador que traz e garante para todos os homens a salvação misericordiosa de Deus.
Reunindo-se em uma espécie de conselho, os fariseus resolvem matar Jesus, com a desculpa de que ele desrespeita a Lei e blasfema contra Deus. Na verdade, sentem seu poder ameaçado com a novidade que Jesus anuncia, pois no Reino a ordem hierárquica será invertida e o poder e a riqueza de que agora usufruem não mais existirão. Serão certamente os últimos, como Jesus anunciou. Serão condenados por não dedicarem ao próximo o amor que o Pai dedica a eles. Jesus se retira, não por medo, mas para que se cumpra a profecia de Isaías. Em breve cumprirá sua missão, a justiça triunfará e todos reconhecerão que ele é o servo amado e escolhido de Deus, seu Filho, Senhor do céu e da terra, que devolve ao mundo a esperança perdida com o pecado.
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Mateus 12, 1-8 Jesus é o Senhor do sábado.
* 1 Naquele tempo, Jesus passou por uns campos de trigo, num dia de sábado. Seus discípulos ficaram com fome, e começaram a apanhar espigas para comer. 2 Vendo isso, os fariseus disseram: “Eis que os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido fazer em dia de sábado!” 3 Jesus perguntou aos fariseus: “Vocês nunca leram o que Davi e seus companheiros fizeram, quando estavam sentindo fome? 4 Como ele entrou na casa de Deus, e eles comeram os pães oferecidos a Deus? Ora, nem para Davi, nem para os que estavam com ele, era permitido comer os pães reservados apenas aos sacerdotes. 5 Ou vocês não leram também, na Lei, que em dia de sábado, no Templo, os sacerdotes violam o sábado, sem cometer falta? 6 Pois eu digo a vocês: aqui está quem é maior do que o Templo. 7 Se vocês tivessem compreendido o que significa: ‘Quero a misericórdia e não o sacrifício’, vocês não teriam condenado estes homens que não estão em falta. 8 Portanto, o Filho do Homem é senhor do sábado.”
Comentário:
* 1-8: Cf. nota em Mc 2,23-28. Mateus acrescenta um exemplo para mostrar que a lei do sábado não é absoluta. Jesus, como nova presença de Deus entre os homens, é maior do que o Templo, e é senhor do sábado. Por isso, ele tem poder para relativizar a lei, propondo a misericórdia como atitude fundamental de Deus para com os homens.
O livro do Êxodo 34,21 determina: “Trabalhe seis dias, mas no sétimo dia você descansará. Seja no plantio seja na colheita, você descansará”. É a aplicação concreta do quarto mandamento, que pede para santificar o dia de sábado. Com o passar do tempo, a casuística rabina elaborou uma lista enorme de “ações proibidas” no dia de sábado, tais como acender fogo, espremer uvas, caminhar mais do que 900 metros, trocar mercadorias, plantar… e colher espigas, que foi a ação realizada pelos discípulos de Jesus e criticada pelos fariseus. O Mestre, porém, demonstra a contradição desses preceitos acrescidos à Lei mosaica e que não passavam de puro ritualismo, desprovido de significado espiritual. Jesus é o Filho de Deus, portanto é também Senhor do sábado. Ele nos dá uma nova lei, o mandamento do amor, que conduz à justiça e à solidariedade.
Mateus 12, 46-50 Uma nova geração.
* 46 Jesus ainda estava falando às multidões. Sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. 47 Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo.” 48 Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” 49 E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos, 50 pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está no céu, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”
Comentário:
* 46-50: Cf. nota em Mc 3,31-35. Mateus salienta que a família de Jesus são os seus discípulos, isto é, a comunidade que já se dispôs a segui-lo. São eles que aprendem os ensinamentos de Jesus, para levá-los aos outros; são eles que trilham o caminho da vontade do Pai, isto é, a obediência à radicalização da Lei proposta por Jesus. Desse modo, começa nova geração, diferente da geração má dos fariseus.
Esta é a primeira presença de Maria na vida pública de Jesus, segundo o Evangelho de Mateus. Depois das narrativas da infância, com a genealogia, o sonho de José, a visita dos magos e a fuga para o Egito, Mateus cita apenas duas vezes a Mãe de Jesus: no episódio que hoje lemos; e na menção a Jesus como “o filho de José e filho de Maria” (Mt 13,53-58). É interessante notar que, nesta protomariologia de Mateus, Maria recebe lugar de destaque no plano de Deus, assumindo papel importante na história da salvação por causa de sua missão. No texto que hoje meditamos, vemos a definição da nova família de Jesus, composta agora pelos seus discípulos e pelos que aceitam a sua Palavra. Isso não significa que deixou sua família de sangue, mas sim que agora se acrescenta a ela uma família escatológica. Maria não se surpreende, nem reage às palavras do filho, pois sabe que o concebeu virginalmente e sabe que ele veio ao mundo para salvar o povo de seus pecados.
terça-feira, 14 de julho de 2026
Mateus 11, 25-27 Os pobres evangelizam.
* 25 Naquele tempo, Jesus disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27 Meu Pai entregou tudo a mim. Ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar.
Comentário:
* 25-30: Com sua palavra e ação, Jesus revela a vontade do Pai, que é instaurar o Reino. Contudo, os sábios e inteligentes não são capazes de perceber a presença do Reino e sua justiça através de Jesus. Ao contrário, os desfavorecidos e os pobres é que conseguem penetrar o sentido dessa atividade de Jesus e continuá-la. Jesus veio tirar a carga pesada que os sábios e inteligentes haviam criado para o povo. Em troca, ele traz novo modo de viver na justiça e na misericórdia: doravante, os pobres serão evangelizados e partirão para evangelizar.
O Filho revela de modo pleno e definitivo o mistério da salvação do Pai, que jamais deixou de amar a sua criatura. O Filho, Jesus, manifesta aos discípulos a sua enorme alegria por poder revelar as verdades do Pai e estender essa missão aos apóstolos e a todos os que o seguirem de coração sincero e disponível, todos aqueles que reconhecem Deus como Pai e, por isso, se unem na nova família de irmãos e irmãs de Jesus, a Igreja, corpo de Cristo e povo de Deus. Esses pequeninos são privilegiados, pois acolhem a revelação de coração aberto e livre. Os sábios, ao contrário, não receberão a revelação, por estarem fechados na soberba e na vaidade. Refere-se, certamente, aos doutores da Lei e aos fariseus, incapazes de abrir os olhos e acolher a verdade proclamada pelo único Mestre, Jesus. Os “sábios” serão os últimos a entrar no Reino, enquanto os pobres e simples serão os primeiros. Analisando a nossa vida e comportamento, podemos dizer que estamos mais próximos dos pobres e simples ou dos sábios e doutores?
segunda-feira, 13 de julho de 2026
Mateus 11, 20-24 O julgamento da auto-suficiência.
* 20 Então Jesus começou a falar contra as cidades onde havia realizado a maior parte de seus milagres, porque elas não tinham se convertido. 21 Ele dizia: “Ai de você, Corazin! Ai de você, Betsaida! Porque, se em Tiro e Sidônia tivessem sido realizados os milagres que foram feitos no meio de vocês, há muito tempo elas teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinzas. 22 Pois bem! Eu digo a vocês: no dia do julgamento, Tiro e Sidônia terão uma sentença menos dura que vocês. 23 E você, Cafarnaum! Será erguida até o céu? Será jogada é no inferno, isso sim! Porque, se em Sodoma tivessem acontecido os milagres que foram realizados no meio de você, ela existiria até o dia de hoje! 24 Eu lhe digo: no dia do julgamento, Sodoma terá uma sentença menos dura que você!”
Comentário:
* 20-24: Corazin, Betsaida e Cafarnaum são exemplos da auto-suficiência e orgulho que não reconhecem a presença do Reino nas ações realizadas por Jesus. Por isso serão julgadas com mais severidade do que as cidades pagãs de Tiro, Sidônia e Gomorra, símbolos da perdição.
Corazin, Betsaida e Cafarnaum eram três cidades às margens do lago de Genesaré, também chamado mar da Galileia. Essas cidades aparecem aqui como símbolos da falta de fé e da rejeição absoluta do Reino, apesar de testemunharem inúmeros milagres do Mestre. Sobre essas cidades que não se converteram e não acolheram a Palavra recairá um julgamento maior do que aquele que caiu sobre as cidades símbolos do pecado no Antigo Testamento, como Sodoma e as cidades fenícias de Tiro e Sidônia, todas elas destruídas como castigo por não acreditarem nos profetas. Cafarnaum, em particular, é acusada do pecado da soberba, um dos sete pecados capitais, infelizmente ainda hoje muito presente na nossa sociedade e até mesmo em diversos católicos.
domingo, 12 de julho de 2026
Mateus 10, 34-11,1 Perseverança em meio ao conflito.
* 34 “Não pensem que eu vim trazer paz à terra; eu não vim trazer a paz, e sim a espada. 35 De fato, eu vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. 36 E os inimigos do homem serão os seus próprios familiares. 37 Quem ama seu pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. 38 Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. 39 Quem procura conservar a própria vida, vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la.”
Jesus se identifica com os pequeninos -* 40 “Quem recebe a vocês, recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41 Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a recompensa de profeta. E quem recebe um justo, por ser justo, receberá a recompensa de justo. 42 Quem der ainda que seja apenas um copo de água fria a um desses pequeninos, por ser meu discípulo, eu garanto a vocês: não perderá a sua recompensa.”
Jesus é o Messias? -* 1 Quando Jesus terminou de dar essas instruções aos seus doze discípulos, partiu daí, a fim de ensinar e pregar nas cidades deles.
Comentário:
* 34-39: O anúncio da verdade provoca divisão e exige tomada de posição: uns aceitam, outros rejeitam. Os discípulos, porém, devem permanecer firmes no compromisso com Jesus, seguindo-o até o fim. Nem os laços familiares, nem as ameaças à própria vida, nada pode impedir o discípulo de testemunhar a justiça do Reino.
* 40-42: Os discípulos enviados para a missão são os “pequeninos”; Jesus se identifica com a pessoa deles, porque eles levam ao mundo a sua palavra e ação.
* 11,1-6: Será que Jesus é verdadeiramente o Messias esperado? A resposta não é dada em palavras, porque o messianismo não é simples ideia ou teoria. É uma atividade concreta que realiza o que se espera da era messiânica: a libertação dos pobres e oprimidos.
Jesus conclui seu discurso missionário com algumas declarações radicais aos discípulos. Sublinha a necessidade absoluta de adesão pessoal e de fidelidade para segui-lo, mesmo que isso envolva conflitos dolorosos. A espada, símbolo de divisão e de luta contra a injustiça, estabelece uma distinção entre quem é a favor do Reino de Deus e quem é contra ele. Seguir o Messias significa optar pela vida, não se fechar em si mesmo, mas solidarizar-se com os pequenos e fracos. Significa sair do próprio egoísmo para se doar, como Jesus Cristo. Quem consegue fazer isso é recompensado, afirma o Mestre.
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