terça-feira, 2 de junho de 2026

Marcos 12, 18-27 Deus comprometido com a vida.

* 18 Os saduceus afirmam que não existe ressurreição. Alguns deles foram até Jesus, e lhe propuseram este caso: 19 “Mestre, Moisés escreveu para nós: ‘Se alguém morrer, e deixar a esposa sem filho, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de que possam ter filhos em nome do irmão que morreu’. 20 Ora, havia sete irmãos: o primeiro casou-se, e morreu sem ter filhos. 21 O segundo casou-se com a viúva, e morreu sem ter filhos. A mesma coisa aconteceu com o terceiro. 22 E nenhum dos sete teve filhos. Por último, morreu também a mulher. 23 Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem ela será? Todos os sete se casaram com ela!” 24 Jesus respondeu: “Vocês estão enganados, porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus. 25 Com efeito, quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu. 26 E, quanto ao fato de que os mortos vão ressuscitar, vocês não leram, no livro de Moisés, a passagem da sarça ardente? Deus falou a Moisés: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’. 27 Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vocês estão muito enganados.” Comentário: * 18-27: Jesus desmoraliza os saduceus, apresentando o cerne das Escrituras: Deus é o Deus comprometido com a vida. Ele não criou ninguém para a morte, mas para a aliança consigo para sempre. A vida da ressurreição não pode ser imaginada como cópia do modo de vida deste mundo. Continua a série de “pegadinhas” ou “armadilhas” que os opositores de Jesus prepararam para ver se ele entra em contradição. O tema agora é a ressurreição dos mortos. É importante recordar que entre os próprios judeus não havia um consenso sobre esse tema, ou como se dá a ressurreição. Basta recordar a discussão com o apóstolo Paulo, relatada em Atos 23. Quando Paulo percebeu que alguns do Sinédrio eram do partido dos saduceus e outros do partido dos fariseus, exclamou: “Meus irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. É por nossa esperança, a ressurreição dos mortos, que estou sendo julgado”. Voltando ao Evangelho, Jesus novamente responde com sabedoria e sutileza, sem agredir os saduceus, mas mostrando a sua falta de entendimento das Escrituras.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Marcos 12, 13-17 Jesus condena qualquer dominação.

-* 13 Então as autoridades mandaram alguns fariseus e alguns partidários de Herodes, para apanharem Jesus em alguma palavra. 14 Quando chegaram, disseram a Jesus: “Mestre, sabemos que tu és verdadeiro, porque não dás preferência a ninguém. Com efeito, não levas em conta as aparências, e ensinas de verdade o caminho de Deus. Dize-nos: é lícito ou não pagar o imposto a César? Devemos pagar ou não?” 15 Jesus percebeu a hipocrisia deles, e respondeu: “Por que vocês me tentam? Tragam uma moeda para eu ver.” 16 Eles levaram a moeda, e Jesus perguntou: “De quem é a figura e a inscrição que está nessa moeda?” Eles responderam: “É de César.” 17 Então Jesus disse: “Pois devolvam a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” E eles ficaram admirados com Jesus. Comentário: * 13-17: O imposto era o sinal da dominação romana; os fariseus a rejeitavam, mas os partidários de Herodes a aceitavam. Se Jesus responde “sim”, os fariseus o desacreditarão diante do povo; se ele diz “não”, os partidários de Herodes poderão acusá-lo de subversão. Mas Jesus não discute a questão do imposto. Ele se preocupa é com o povo: a moeda é “de César”, mas o povo é “de Deus”. O imposto só é justo quando reverte em benefício do bem comum. Jesus condena a transformação do povo em mercadoria que enriquece e fortalece tanto a dominação interna como a estrangeira. A resposta de Jesus à “armadilha” que os fariseus prepararam é muito perspicaz e significativa. Por um lado, mostra que devemos separar as coisas de Deus das coisas do “mundo”, aquilo que é sacro daquilo que é profano. Não necessariamente significa separar a fé da política e da vida social, mas sim inundar de fé todas as nossas ações públicas. O cristão tem o dever de se preocupar com questões políticas, pois elas dizem respeito ao bem comum. Não podemos é tornar a política um partidarismo, e fazer dele uma crença. Aí entra o segundo significado da resposta de Jesus, ou seja, uma crítica aos fariseus que tornaram a fé e a religião uma indústria e comércio.