quinta-feira, 30 de abril de 2026
João 14, 1-6 Jesus é o caminho que leva ao Pai.
* 1 Jesus continuou dizendo: “Não fique perturbado o coração de vocês. Acreditem em Deus e acreditem também em mim. 2 Existem muitas moradas na casa de meu Pai. Se não fosse assim, eu lhes teria dito, porque vou preparar um lugar para vocês. 3 E quando eu for e lhes tiver preparado um lugar, voltarei e levarei vocês comigo, para que onde eu estiver, estejam vocês também. 4 E para onde eu vou, vocês já conhecem o caminho.’ 5 Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais; como podemos conhecer o caminho?” 6 Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7 Se vocês me conhecem, conhecerão também o meu Pai. Desde agora vocês o conhecem e já o viram.”
Comentário:
* 1-14: Jesus é o verdadeiro caminho para a vida. Através da encarnação, Deus, doador da vida, se manifesta inteiramente na pessoa e ação de Jesus. A comunidade que segue Jesus não caminha para o fracasso, pois a meta é a vida. Jesus não apresenta apenas uma utopia, mas convida a percorrer um caminho historicamente concreto. Inspirada nos sinais que Jesus realizou, a comunidade criará novos sinais dentro do mundo, abrindo espaços de esperança e vida fraterna.
quarta-feira, 29 de abril de 2026
João 13, 16-20 Quem segue Jesus deve servir.
16 Eu garanto a vocês: o servo não é maior do que o seu senhor, nem o mensageiro é maior do que aquele que o enviou. 17 Se vocês compreenderam isso, serão felizes se o puserem em prática.”
Jesus é traído por um discípulo -* 18 “Eu não falo de todos vocês. Eu conheço aqueles que escolhi, mas é preciso que se cumpra o que está na Escritura: ‘Aquele que come pão comigo, é o primeiro a me trair!’ 19 Digo isso agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, vocês acreditem que Eu Sou. 20 Eu garanto a vocês: quem recebe aquele que eu envio, está recebendo a mim, e quem me recebe, está recebendo aquele que me enviou.”
Comentário:
* 1-17: A morte de Jesus abre a passagem para o Pai, e testemunha o amor supremo que mostra o sentido de toda a sua vida. O gesto de Jesus é ensinamento: a autoridade só pode ser entendida como função de serviço aos outros. Pedro resiste, porque ainda acredita que a desigualdade é legítima e necessária, e não entende que o amor produz igualdade e fraternidade. Na comunidade cristã existe diferença de funções, mas todas elas devem concorrer para que o amor mútuo seja eficaz. Já não se justifica nenhum tipo de superioridade, mas somente a relação pessoal de irmãos e amigos.
* 18-30: A longa noite da paixão começa com a traição de Judas, símbolo da traição que pode estar presente dentro da própria comunidade cristã.
Aproxima-se a hora de Jesus, e João inicia a narração desta etapa da sua vida com o acontecimento da última ceia. Após lavar os pés dos apóstolos e recomendar-lhes que façam o mesmo, ou seja, que sirvam o próximo sempre com humildade, Jesus inicia um discurso no qual anuncia a traição de Judas e a negação de Pedro. É nesse contexto que encontramos o trecho do Evangelho proposto para a nossa meditação de hoje, com dois ensinamentos presentes inclusive nos sinóticos e que aqui são declarados como bem-aventuranças: se praticarem isso serão “felizes”. O primeiro recorda que “o servo não é maior do que o seu senhor”; portanto, se o Senhor deu o exemplo de humildade e doação, os discípulos devem imitá-lo. O segundo ensinamento diz que “quem recebe algum dos enviados de Jesus é a ele que recebe”, e quem receber Jesus está abrindo as portas de sua casa para o Pai que o enviou.
terça-feira, 28 de abril de 2026
João 12, 44-50 A palavra de Jesus julga os homens.
* 44 Então Jesus disse, gritando: “Quem acredita em mim, não é em mim que acredita, mas naquele que me enviou. 45 Quem me vê, vê também aquele que me enviou. 46 Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que acredita em mim não fique nas trevas. 47 Eu não condeno quem ouve as minhas palavras e não obedece a elas, porque eu não vim para condenar o mundo, mas para salvar o mundo. 48 Quem me rejeita e não aceita minhas palavras, já tem o seu juiz: a palavra que eu falei será o seu juiz no último dia. 49 Porque eu não falei por mim mesmo. O Pai que me enviou, ele é quem me ordenou o que eu devia dizer e falar. 50 E eu sei que o mandamento dele é a vida eterna. Portanto, o que digo, eu o digo conforme o Pai me disse.”
Comentário:
* 44-50: Toda ideia ou teoria sobre Deus que não esteja de acordo com a palavra e ação de Jesus é falsa. Porque Jesus é a revelação do próprio Deus. E a missão de Jesus se estende a todos, mas cada um permanece livre de aceitar a sua oferta. A recusa da vida, porém, traz consigo a escolha da própria morte.
João conclui a primeira parte do seu Evangelho com uma síntese sobre a origem da autoridade de Jesus, que ajuda a compreender todos os sinais que ele fez e que foram descritos ao longo desta primeira parte, normalmente intitulada “sinais e discursos de revelação” ou simplesmente “livro dos sinais”. Sua autoridade vem do Pai, que o enviou como luz do mundo. Jesus Cristo é o único revelador do Pai e a única salvação para nós. Ele fala o que o Pai lhe ordenou, por isso quem acredita e acolhe suas palavras, acredita no próprio Deus que julga cada um de nós. Quem escuta sua palavra está pronto para testemunhar o “cumprimento do amor”, descrito na segunda parte do Evangelho de João.
segunda-feira, 27 de abril de 2026
João 10, 22-30 As credenciais de Jesus são as suas obras.
* 22 Em Jerusalém estava sendo celebrada a festa da Dedicação. Era inverno. 23 Jesus passeava pelo Templo, andando no pórtico de Salomão. 24 Então as autoridades dos judeus o rodearam e disseram: “Até quando nos irás deixar em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente.”
25 Jesus respondeu: “Eu já disse, mas vocês não acreditam em mim. As obras que eu faço em nome do meu Pai, dão testemunho de mim; 26 vocês, porém, não querem acreditar, porque vocês não são minhas ovelhas. 27 Minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem. 28 Eu dou a elas vida eterna, e elas nunca morrerão. Ninguém vai arrancá-las da minha mão. 29 O Pai, que tudo entregou a mim, é maior do que todos. Ninguém pode arrancar coisa alguma da mão do Pai. 30 O Pai e eu somos um.”
Comentário:
* 22-39: Jesus define sua condição de Messias, apresentando-se como o Filho de Deus. As provas de seu messianismo não são teorias jurídicas, mas fatos concretos: suas ações comprovam que é Deus quem age nele.
A narrativa de hoje é rica de detalhes e referências. O fato de Jesus caminhar (em grego, “peripatein”) no templo alude à uma famosa escola de filosofia grega, os peripatéticos; assim como o pórtico (“stoá”) faz lembrar do estoicismo, outra escola filosófica grega. Jesus é um mestre maior do que qualquer um dos filósofos, pois ele é a Sabedoria encarnada. Outro detalhe destacado pelo evangelista João é o contexto da festa da Dedicação, que durava oito dias. Essa festa (em hebraico, Hanukkah) celebrava a dedicação e a reconsagração do templo de Jerusalém, profanado por Antíoco IV, após a vitória de Judas Macabeu sobre Israel, no ano 164 a.C. Jesus associa essa festa a si mesmo, referindo-se à sua própria consagração pelo Pai, que será mencionada mais adiante, no v. 36.
domingo, 26 de abril de 2026
João 10, 11-18 Jesus é o único caminho.
11 Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. 12 O mercenário, que não é pastor a quem pertencem, e as ovelhas não são suas, quando vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e sai correndo. Então o lobo ataca e dispersa as ovelhas. 13 O mercenário foge porque trabalha só por dinheiro, e não se importa com as ovelhas.
14 Eu sou o bom pastor: conheço minhas ovelhas, e elas me conhecem, 15 assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou a vida pelas ovelhas. 16 Tenho também outras ovelhas que não são deste curral. Também a elas eu devo conduzir; elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 17 O Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la de novo. 18 Ninguém tira a minha vida; eu a dou livremente. Tenho poder de dar a vida e tenho poder de retomá-la. Esse é o mandamento que recebi do meu Pai.”
Comentário:
* 7-21: O único meio de libertar-se de opressores ou de uma instituição opressora é comprometer-se com Jesus, pois ele é a única alternativa (a porta). Jesus é o modelo de pastor: ele não busca seus próprios interesses; ao contrário, ele dá a sua própria vida a todos aqueles que aceitam sua proposta. Jesus provoca divisão: para uns, suas palavras são loucura; para outros, sua ação é sinal de libertação.
Jesus conhece cada um de nós, ovelhas do seu rebanho. Isso porque ele nos escolheu e nos chamou para fazer parte desse rebanho. Ele é o bom pastor, único e verdadeiro. Ele nos conduz e protege. É interessante também a ênfase que Jesus dá ao fato de que tem ainda muitas ovelhas que não estão no curral. Isso nos remete a outra parábola do Mestre, da ovelha perdida. Ele não nos abandona no momento em que somos atacados, em que os “lobos” vêm à nossa procura para nos devorar (e quantos lobos existem na sociedade atual, que nos ameaçam e aterrorizam!), mas também é incapaz de deixar para trás uma de suas ovelhas. Quando sente que estamos seguros, ele retorna para procurar aquela que se perdeu. Uma imagem muito atual, pois são inúmeras as situações e ocasiões que nos levam hoje a nos afastarmos de Jesus e do seu caminho.
sábado, 25 de abril de 2026
João 10, 1-10 O povo conhece a voz de Jesus.
* 1 “Eu garanto a vocês: aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2 Mas aquele que entra pela porta, é o pastor das ovelhas. 3 O porteiro abre a porta para ele, e as ovelhas ouvem a sua voz; ele chama cada uma de suas ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4 Depois de fazer sair todas as suas ovelhas, ele caminha na frente delas; e as ovelhas o seguem porque conhecem a sua voz. 5 Elas nunca vão seguir um estranho; ao contrário, vão fugir dele, porque elas não conhecem a voz dos estranhos.” 6 Jesus contou-lhes essa parábola, mas eles não entenderam o que Jesus queria dizer.
Jesus é o único caminho -* 7 Jesus continuou dizendo: “Eu garanto a vocês: eu sou a porta das ovelhas. 8 Todos os que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os ouviram. 9 Eu sou a porta. Quem entra por mim, será salvo. Entrará, e sairá, e encontrará pastagem. 10 O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.
Comentário:
* 1-6: Nesta comparação, o curral representa a instituição que explora e domina o povo. Os ladrões e assaltantes são os dirigentes. Jesus mostra que sua mensagem é incompatível com qualquer instituição opressora e que sua missão é conduzir para fora da influência dela os que nele acreditam, a fim de formar uma comunidade que possa ter vida plena e liberdade.
* 7-21: O único meio de libertar-se de opressores ou de uma instituição opressora é comprometer-se com Jesus, pois ele é a única alternativa (a porta). Jesus é o modelo de pastor: ele não busca seus próprios interesses; ao contrário, ele dá a sua própria vida a todos aqueles que aceitam sua proposta. Jesus provoca divisão: para uns, suas palavras são loucura; para outros, sua ação é sinal de libertação.
No Evangelho de hoje, Jesus se apresenta como a porta para entrada e saída de pastores e ovelhas. Como porta, Jesus é o acesso à segurança e à liberdade. A prática de Jesus é libertadora. Conduzindo para fora, ele liberta de tudo o que oprime e explora o povo. Jesus está sempre aberto para acolher os que querem fazer parte de sua caminhada e, ao mesmo tempo, deixa a liberdade para quem não se sente à vontade. Ele propõe entrar pela porta, que é ele, e não por outros subterfúgios que podem denotar outros interesses. Jesus vai na frente e, ouvindo sua voz, seus seguidores podem caminhar com segurança. Quem segue outras vozes pode ser manipulado e explorado. Quem passa pela porta, encontrará pastagem, vida plena e abundante, tudo o que necessita para uma vida digna. O Evangelho conclui: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”. O Mestre de Nazaré dedicou toda a sua vida para cuidar das “ovelhas” abandonadas. Seguindo sua voz, teremos vida e liberdade.
1 Pedro 2, 20-25 Só Deus é Senhor.
20 Que mérito haveria em suportar com paciência, se vocês fossem esbofeteados por terem agido errado? Pelo contrário, se vocês são pacientes no sofrimento quando fazem o bem, isto sim é ação louvável diante de Deus. 21 De fato, para isso é que vocês foram chamados, pois Cristo também sofreu por vocês, deixando-lhes exemplo para que sigam os passos dele. 22 Ele não cometeu nenhum pecado e mentira nenhuma foi encontrada em sua boca. 23 Quando insultado, não revidava; ao sofrer, não ameaçava. Antes, depositava sua causa nas mãos daquele que julga com justiça. 24 Sobre o madeiro levou os nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que nós, mortos para nossos pecados, vivêssemos para a justiça. Através dos ferimentos dele é que vocês foram curados, 25 pois estavam desgarrados como ovelhas, mas agora retornaram ao seu Pastor e Guardião.
Comentário:
* 18-25: O ponto importante é que os cristãos devem sempre fazer o bem (v. 20), em qualquer condição, mesmo que para isso tenham de suportar sofrimentos. Quando nem se pensava em abolição da escravatura, esta exortação mostra que Deus não quer a escravidão. De fato, Pedro considera os sofrimentos como injustos (v. 19). Se na época era impensável deixar de ser escravo, torna-se claro que essa submissão é feita por temor a Deus a exemplo de Jesus Cristo e não como submissão servil aos patrões (no v. 18 “com todo temor” se refere a Deus). A resistência cristã numa situação sem saída consiste em fazer o bem. Se aqui não há nenhuma referência ao comportamento dos patrões é porque estes, provavelmente, não fazem parte dos destinatários da carta. Já vimos (cf. Introdução) que se trata de gente fora da pátria e em situação de oprimidos.
sexta-feira, 24 de abril de 2026
Marcos 16, 15-20 Aparições de Jesus ressuscitado.
15 Então Jesus disse-lhes: “Vão pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia para toda a humanidade. 16 Quem acreditar e for batizado, será salvo. Quem não acreditar, será condenado. 17 Os sinais que acompanharão aqueles que acreditarem são estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; 18 se pegarem cobras ou beberem algum veneno, não sofrerão nenhum mal; quando colocarem as mãos sobre os doentes, estes ficarão curados.” 19 Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. 20 Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e, por meio dos sinais que os acompanhavam, provava que o ensinamento deles era verdadeiro.
Comentário:
* 9-20: Este trecho difere muito do livro até aqui; por isso é considerado obra de outro autor. Os cristãos da primeira geração provavelmente quiseram completar o livro de Marcos com um resumo das aparições de Jesus e uma apresentação global da missão da Igreja. Parece que se inspiraram no último capítulo de Mateus (28,18-20), em Lucas (24,10-53), em João (20,11-23) e no início do livro dos Atos dos Apóstolos (1,4-14).
Embora seja acréscimo de retalhos tomados de outros escritos do Novo Testamento, o trecho conserva o pensamento de Marcos, isto é: os discípulos devem continuar a ação de Jesus.
Marcos não era um dos apóstolos de Jesus, mas, segundo a tradição, pertencia a uma família de Jerusalém que pôs sua casa à disposição dos primeiros cristãos (At 12,12-16) e acompanhou o apóstolo Paulo em sua primeira viagem missionária (At 12,25; 13,5). Desentendendo-se com Paulo, passa então a acompanhar Pedro, ajudando-o durante a sua prisão em Roma, algo que depois se repetiu com Paulo (cf. 2Tm 4,11). Provavelmente nesse período, escreveu o Evangelho que leva seu nome, a partir da tradição oral que chegou até ele ao escutar os que viveram e conviveram com Jesus. Por isso, o foco central de sua obra é mostrar quem é Jesus, através da experiência de seus discípulos. Seu Evangelho foi o primeiro a ser escrito, servindo como base para Mateus e Lucas, os chamados Evangelhos sinóticos.
quinta-feira, 23 de abril de 2026
João 6, 52-59 Jesus é o pão que sustenta para sempre.
* 51 E Jesus continuou: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá para sempre. E o pão que eu vou dar é a minha própria carne, para que o mundo tenha a vida.”
52 As autoridades dos judeus começaram a discutir entre si: “Como pode esse homem dar-nos a sua carne para comer?” 53 Jesus respondeu: “Eu garanto a vocês: se vocês não comem a carne do Filho do Homem e não bebem o seu sangue, não terão a vida em vocês. 54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55 Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida.
56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue vive em mim e eu vivo nele. 57 E como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, assim, aquele que me receber como alimento viverá por mim. 58 Este é o pão que desceu do céu. Não é como o pão que os pais de vocês comeram e depois morreram. Quem come deste pão viverá para sempre.”
59 Jesus disse essas coisas quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum.
Comentário:
* 51-59: A vida definitiva se encontra justamente na condição humana de Jesus (carne): Jesus é o Filho de Deus que se encarnou para dar vida aos homens, isto é, para viver em favor dos homens. A vida definitiva começa quando os homens, comprometendo-se com Jesus, aceitam a própria condição humana e vivem em favor dos outros. E Jesus dá um passo além: ele vai oferecer sua própria vida (carne e sangue) em favor dos homens. Por isso, o compromisso com Jesus exige que também o fiel esteja disposto a dar a própria vida em favor dos outros.
A Eucaristia é o sacramento que manifesta eficazmente na comunidade esse compromisso com a encarnação e a morte de Jesus.
A união plena do discípulo com o Mestre acontece na ceia sagrada, mais precisamente na comunhão do seu corpo e sangue partido e partilhado conosco. Quem comunga do seu corpo, comunga da sua missão, por isso viverá por causa de Jesus e sustentado sempre por ele. Se temos Jesus em nossa vida, nada nos pode ameaçar ou amedrontar, pois sabemos que não morreremos jamais. A Eucaristia, corpo e sangue de Cristo, é verdadeira comida e verdadeira bebida. Não é símbolo ou representação, não é encenação ou teatro. Por isso nossa participação na Eucaristia é um ato de fé exigente e comprometedor. Não podemos participar da missa e comungar se não estivermos em comunhão com o corpo de Cristo (a Igreja), ou se não nos sentirmos plenamente preparados. Por isso a Igreja pede que façamos sempre um exame de consciência antes de comungar e, caso necessário, procuremos o sacramento da penitência.
quarta-feira, 22 de abril de 2026
João 6, 44-51 Jesus é o pão da vida.
44 Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrai, e eu o ressuscitarei no último dia. 45 Está escrito nos Profetas: ‘Todos os homens serão instruídos por Deus’. Todo aquele que escuta o Pai e recebe sua instrução vem a mim. 46 Não que alguém já tenha visto o Pai. O único que viu o Pai é aquele que vem de Deus.
47 Eu garanto a vocês: quem acredita possui a vida eterna. 48 Eu sou o pão da vida. 49 Os pais de vocês comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50 Eis aqui o pão que desceu do céu: quem dele comer nunca morrerá.”
Jesus é o pão que sustenta para sempre -* 51 E Jesus continuou: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá para sempre. E o pão que eu vou dar é a minha própria carne, para que o mundo tenha a vida.”
Comentário:
* 35-50: Jesus se apresenta como aquele que veio de Deus para dar a vida definitiva aos homens. Seus adversários não admitem que um homem possa ter origem divina e, portanto, possa dar a vida definitiva.
* 51-59: A vida definitiva se encontra justamente na condição humana de Jesus (carne): Jesus é o Filho de Deus que se encarnou para dar vida aos homens, isto é, para viver em favor dos homens. A vida definitiva começa quando os homens, comprometendo-se com Jesus, aceitam a própria condição humana e vivem em favor dos outros. E Jesus dá um passo além: ele vai oferecer sua própria vida (carne e sangue) em favor dos homens. Por isso, o compromisso com Jesus exige que também o fiel esteja disposto a dar a própria vida em favor dos outros.
A Eucaristia é o sacramento que manifesta eficazmente na comunidade esse compromisso com a encarnação e a morte de Jesus.
Seguimos meditando o discurso de Jesus como “pão vivo descido do céu”. Confrontando os judeus que exigiam um sinal, Jesus recorda que os pais deles, mesmo recebendo um sinal do céu (o maná), morreram, porque não souberam responder adequadamente ao amor de Deus. Os antepassados não foram fiéis a Deus, interpretando de modo equivocado a liberdade que ganharam ao sair do Egito. Exatamente por isso foram novamente punidos, com o exílio na Babilônia, quase mil anos depois do êxodo. Jesus dá ao povo de Israel uma nova chance de conquistar a liberdade plena, mas parece que os judeus não querem aceitar, daí a indignação do Mestre. Somente quem crê em Jesus, comungando do seu Evangelho e do seu corpo e sangue dados na Eucaristia, conquista a verdadeira liberdade e a vida eterna.
terça-feira, 21 de abril de 2026
João 6, 35-40 Jesus é o pão da vida.
* 35 Jesus disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem acredita em mim nunca mais terá sede. 36 Eu já disse: vocês me viram e não acreditaram. 37 Todos aqueles que o Pai me dá, virão a mim. E eu nunca rejeitarei aquele que vem a mim, 38 pois eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim para fazer a vontade daquele que me enviou. 39 E a vontade daquele que me enviou é esta: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas que eu os ressuscite no último dia. 40 Esta é a vontade do meu Pai: que todo homem que vê o Filho e nele acredita, tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.”
Comentário:
* 35-50: Jesus se apresenta como aquele que veio de Deus para dar a vida definitiva aos homens. Seus adversários não admitem que um homem possa ter origem divina e, portanto, possa dar a vida definitiva.
No Evangelho de hoje, temos uma verdadeira catequese mistagógica, ou seja, que nos ajuda a adentrar no mistério de Cristo e de sua missão no mundo. Jesus expõe de modo muito claro e objetivo que ele é o pão da vida, que quem nele crer terá a vida eterna, ou seja, ressuscitará no último dia, nunca mais sentindo fome ou sede, material ou espiritual. Essa é a vontade de Deus Pai, pois é ele quem envia o Filho ao mundo para redimir a humanidade do pecado cometido por Adão e que manchou todos os seus descendentes. A opção por acreditar no “pão da vida”, porém, é livre. Ele nos transmitiu o seu ensinamento, deixou-nos o seu testemunho, deu-nos muitos sinais, mas depende de cada ser humano a decisão de acreditar ou não, de segui-lo ou não, afirmando que quem o procura, jamais será rejeitado ou abandonado. E você, acredita de verdade no Filho de Deus? Como manifesta essa fé no seu dia a dia?
segunda-feira, 20 de abril de 2026
João 6, 30-35 Deus dá um pão que sustenta para sempre.
30 Eles perguntaram: “Que sinal realizas para que possamos ver e acreditar em ti? Qual é a tua obra? 31 Nossos pais comeram o maná no deserto, como diz a Escritura: ‘Ele deu-lhes um pão que veio do céu’ “.
32 Jesus respondeu: “Eu garanto a vocês: Moisés não deu para vocês o pão que veio do céu. É o meu Pai quem dá para vocês o verdadeiro pão que vem do céu, 33 porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.” 34 Então eles pediram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão.”
Jesus é o pão da vida -* 35 Jesus disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem acredita em mim nunca mais terá sede.
Comentário:
* 22-34: A multidão procura Jesus, desejando continuar na situação de abundância, isto é, governada por um líder político que decide e providencia tudo, sem exigir esforço. Jesus mostra que essa não é a solução; é preciso buscar a vida plena, mas isso exige o empenho do homem. Além do alimento que sustenta a vida material, é necessária a adesão pessoal a Jesus para que essa vida se torne definitiva.
Pedindo um milagre como o do maná do deserto, a multidão impõe condições para aceitar Jesus. Mas o desejo da multidão fica sem efeito, se ela não se compromete com Jesus, o pão da vida que dura para sempre.
* 35-50: Jesus se apresenta como aquele que veio de Deus para dar a vida definitiva aos homens. Seus adversários não admitem que um homem possa ter origem divina e, portanto, possa dar a vida definitiva.
O Salmo 78,24 diz: “Abriu as portas do céu, fazendo chover sobre eles maná para comer, e lhes deu trigo do céu”. A esse sinal extraordinário de Deus no deserto fazem referência os judeus, exigindo, assim, que Jesus também dê um sinal semelhante para provar sua divindade. Obviamente, querem provocá-lo, pois os sinais que Jesus deu são semelhantes a esse, por exemplo, na multiplicação dos pães e peixes. Por mais sinais materiais que Jesus dê, os judeus são incapazes de crer, porque têm o coração endurecido e os olhos vendados. Jesus é o verdadeiro “maná”, que veio do céu para alimentar de modo definitivo. Ele é o pão da vida, quem dele se alimentar nunca mais terá fome ou sede. E nós podemos nos alimentar dele todos os dias, participando da missa e comungando do seu corpo e sangue consagrados e distribuídos a todos no sacramento da Eucaristia.
domingo, 19 de abril de 2026
João 6, 22-29 Deus dá um pão que sustenta para sempre.
-* 22 No dia seguinte, a multidão, que tinha ficado do outro lado do mar, viu que aí havia só uma barca. Viu também que Jesus não tinha subido na barca com os discípulos e que eles tinham ido sozinhos. 23 Então chegaram outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde eles tinham comido o pão, depois que o Senhor agradeceu a Deus. 24 Quando a multidão viu que nem Jesus nem os discípulos estavam aí, as pessoas subiram nas barcas e foram procurar Jesus em Cafarnaum.
25 Quando encontraram Jesus no outro lado do lago, perguntaram: “Rabi, quando chegaste aqui?” 26 Jesus respondeu: “Eu garanto a vocês: vocês estão me procurando, não porque viram os sinais, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos. 27 Não trabalhem pelo alimento que se estraga; trabalhem pelo alimento que dura para a vida eterna. É este alimento que o Filho do Homem dará a vocês, porque foi ele quem Deus Pai marcou com seu selo.”
28 Então eles perguntaram: “O que é que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” 29 Jesus respondeu: “A obra de Deus é que vocês acreditem naquele que ele enviou.”
Comentário:
* 22-34: A multidão procura Jesus, desejando continuar na situação de abundância, isto é, governada por um líder político que decide e providencia tudo, sem exigir esforço. Jesus mostra que essa não é a solução; é preciso buscar a vida plena, mas isso exige o empenho do homem. Além do alimento que sustenta a vida material, é necessária a adesão pessoal a Jesus para que essa vida se torne definitiva.
Pedindo um milagre como o do maná do deserto, a multidão impõe condições para aceitar Jesus. Mas o desejo da multidão fica sem efeito, se ela não se compromete com Jesus, o pão da vida que dura para sempre.
Jesus, o “pão da vida”, fornece o alimento material, mas garante, sobretudo, o alimento espiritual, aquele que “dura para uma vida eterna”. No Evangelho de hoje, vemos contrapostas a mentalidade do mundo, que busca apenas a saciedade e o prazer físico, e a mentalidade cristã, que almeja coisas maiores, do alto, que vão muito além do material. Para merecermos o “pão vivo” que alimenta o corpo e o espírito, nos é exigida a fé no Filho do Homem, aceitando o seu Evangelho e imitando-o na vivência do amor a Deus e ao próximo.
sábado, 18 de abril de 2026
Lucas 24, 13-35 Jesus caminha com os homens.
-* 13 Nesse mesmo dia, dois discípulos iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14 Conversavam a respeito de tudo o que tinha acontecido. 15 Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou, e começou a caminhar com eles. 16 Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. 17 Então Jesus perguntou: “O que é que vocês andam conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste. 18 Um deles, chamado Cléofas, disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que aí aconteceu nesses últimos dias?” 19 Jesus perguntou: “O que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em ação e palavras, diante de Deus e de todo o povo. 20 Nossos chefes dos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram. 21 Nós esperávamos que fosse ele o libertador de Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que tudo isso aconteceu! 22 É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo, 23 e não encontraram o corpo de Jesus. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos, e estes afirmaram que Jesus está vivo. 24 Alguns dos nossos foram ao túmulo, e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas ninguém viu Jesus.”
25 Então Jesus disse a eles: “Como vocês custam para entender, e como demoram para acreditar em tudo o que os profetas falaram! 26 Será que o Messias não devia sofrer tudo isso, para entrar na sua glória?” 27 Então, começando por Moisés e continuando por todos os Profetas, Jesus explicava para os discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele.
28 Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29 Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando.” Então Jesus entrou para ficar com eles. 30 Sentou-se à mesa com os dois, tomou o pão e abençoou, depois o partiu e deu a eles. 31 Nisso os olhos dos discípulos se abriram, e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles.
32 Então um disse ao outro: “Não estava o nosso coração ardendo quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” 33 Na mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém, onde encontraram os Onze, reunidos com os outros. 34 E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou, e apareceu a Simão!” 35 Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus quando ele partiu o pão.
Comentário:
* 13-35: Lucas salienta os “lugares” da presença de Jesus ressuscitado. Primeiro, ele continua a caminhar entre os homens, solidarizando-se com seus problemas e participando de suas lutas. Segundo, Jesus está presente no anúncio da Palavra das Escrituras, que mostra o sentido da sua vida e ação. Terceiro, na celebração eucarística, onde o pão repartido relembra o dom da sua vida e refontiza a partilha e a fraternidade, que estão no cerne do seu projeto.
Dois discípulos tristonhos retornam de Jerusalém após o drama da paixão e morte do Mestre. Parecia tudo acabado, não havia mais esperança. Só restava agora voltar à vidinha do dia a dia. Durante a caminhada, o Ressuscitado se aproxima e caminha com os dois, mas eles não o reconhecem. Os três meditam sobre a Escritura e a confrontam com os últimos acontecimentos. Iluminados pela Palavra, começam a entender tudo o que aconteceu. Ao partir o pão, reconheceram-no e perceberam que o “coração ardia” enquanto conversavam sobre a Escritura. A morte eliminou a pessoa de Jesus, mas sua mensagem e seu projeto continuam vivos até nossos dias. Entenderam que ele continua vivo e presente na caminhada do dia a dia, no diálogo fraterno e na partilha do pão. Onde se reparte o pão, Jesus Cristo está presente. Entenderam que o que estava morto vive novamente e vem ao nosso encontro. A fé deles vai despertando e ficando cada vez mais clara. Jesus voltou ao Pai, mas sem abandonar a humanidade.
1 Pedro 1, 17-21 Libertos para a vida nova.
17 Vocês chamam Pai àquele que não faz distinção entre as pessoas, mas que julga cada um segundo as próprias obras. Portanto, comportem-se com temor durante esse tempo em que se acham fora da pátria. 18 Pois vocês sabem que não foi com coisas perecíveis, isto é, com prata nem ouro, que vocês foram resgatados da vida inútil que herdaram dos seus antepassados. 19 Vocês foram resgatados pelo precioso sangue de Cristo, como o de um cordeiro sem defeito e sem mancha. 20 Ele era conhecido antes da fundação do mundo, mas foi manifestado no fim dos tempos por causa de vocês. 21 Por meio dele é que vocês acreditam em Deus, que o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, de modo que a fé e a esperança de vocês estão em Deus.
Comentário:
* 13-21: O texto apresenta o código cristão da santidade. Pela conversão e batismo, o cristão começa uma vida nova que, por uma série de motivos, exige constante empenho de santificação: imitação da santidade de Deus que o chamou à fé; perspectiva do julgamento conforme as obras de cada um; o caro resgate realizado por Jesus Cristo. O clima da vida cristã é apresentado aqui como permanente conversão: de escravos do mundo e das paixões, os cristãos foram libertos por Cristo para serem filhos de Deus, que se reúnem formando nova família. Para os que vivem num ambiente onde são discriminados, humilhados e até perseguidos, essa é a base fundamental para que eles se sintam em casa e possam enfrentar o clima hostil.
João 6, 16-21 Não tenham medo!
* 16 Ao cair da tarde, os discípulos de Jesus desceram ao mar. 17 Entraram na barca e foram em direção a Cafarnaum, do outro lado do mar. Já era noite, e Jesus ainda não tinha ido ao encontro deles. 18 Soprava vento forte e o mar estava agitado. 19 Os discípulos tinham remado mais ou menos cinco ou seis quilômetros, quando viram Jesus andando sobre as águas e aproximando-se da barca. Então ficaram com medo, 20 mas Jesus disse: “Sou eu. Não tenham medo.” 21 Eles quiseram recolher Jesus na barca, mas nesse instante a barca chegou à margem para onde estavam indo.
Comentário:
* 16-21: A proposta de Jesus não é entendida pela multidão e é mal interpretada pelos discípulos. A multidão quer fazê-lo rei, o Messias da abundância. Os discípulos se retiram, talvez pretendendo voltar à vida de antes. Jesus vai ao encontro deles, e a crise é superada, embora não completamente resolvida.
Após a multiplicação dos pães, Jesus caminha sobre as águas, mostrando duplamente a sua divindade e preparando assim o leitor para compreender a sobrenaturalidade da Eucaristia, discurso que virá a seguir. Novamente, vemos a referência à noite, frequente em João para sinalizar que Jesus estava ausente, ou seja, a “luz do mundo” não estava presente. Sem a luz, encontramo-nos na escuridão; assim como sem Jesus encontramo-nos como que em meio à tempestade, ameaçados pelos ventos fortes e pela agitação da sociedade ateia. Só Jesus nos traz segurança. Dissipamos o medo e chegamos à terra firme somente quando o encontramos. Jesus nos conduz pela passagem do mar Vermelho definitivamente, libertando-nos de uma vez por todas e nos conduzindo à verdadeira Terra Prometida, que é o Reino dos Céus.
quinta-feira, 16 de abril de 2026
João 6,16-21 Não tenham medo!
* 16 Ao cair da tarde, os discípulos de Jesus desceram ao mar. 17 Entraram na barca e foram em direção a Cafarnaum, do outro lado do mar. Já era noite, e Jesus ainda não tinha ido ao encontro deles. 18 Soprava vento forte e o mar estava agitado. 19 Os discípulos tinham remado mais ou menos cinco ou seis quilômetros, quando viram Jesus andando sobre as águas e aproximando-se da barca. Então ficaram com medo, 20 mas Jesus disse: “Sou eu. Não tenham medo.” 21 Eles quiseram recolher Jesus na barca, mas nesse instante a barca chegou à margem para onde estavam indo.
Comentário:
* 16-21: A proposta de Jesus não é entendida pela multidão e é mal interpretada pelos discípulos. A multidão quer fazê-lo rei, o Messias da abundância. Os discípulos se retiram, talvez pretendendo voltar à vida de antes. Jesus vai ao encontro deles, e a crise é superada, embora não completamente resolvida.
Após a multiplicação dos pães, Jesus caminha sobre as águas, mostrando duplamente a sua divindade e preparando assim o leitor para compreender a sobrenaturalidade da Eucaristia, discurso que virá a seguir. Novamente, vemos a referência à noite, frequente em João para sinalizar que Jesus estava ausente, ou seja, a “luz do mundo” não estava presente. Sem a luz, encontramo-nos na escuridão; assim como sem Jesus encontramo-nos como que em meio à tempestade, ameaçados pelos ventos fortes e pela agitação da sociedade ateia. Só Jesus nos traz segurança. Dissipamos o medo e chegamos à terra firme somente quando o encontramos. Jesus nos conduz pela passagem do mar Vermelho definitivamente, libertando-nos de uma vez por todas e nos conduzindo à verdadeira Terra Prometida, que é o Reino dos Céus.
João 6, 1-15 Jesus sacia a fome do povo.
* 1 Depois disso, Jesus foi para a outra margem do mar da Galileia, também chamado Tiberíades. 2 Uma grande multidão seguia Jesus porque as pessoas viram os sinais que ele fazia, curando os doentes. 3 Jesus subiu a montanha e sentou-se aí com seus discípulos. 4 Estava próxima a Páscoa, festa dos judeus. 5 Jesus ergueu os olhos e viu uma grande multidão que vinha ao seu encontro. Então Jesus disse a Filipe: “Onde vamos comprar pão para eles comerem?” 6 Jesus falou assim para testar Filipe, pois sabia muito bem o que ia fazer. 7 Filipe respondeu: “Nem meio ano de salário bastaria para dar um pedaço para cada um.” 8 Um discípulo de Jesus, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9 “Aqui há um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas, o que é isso para tanta gente?” 10 Então Jesus disse: “Falem para o povo sentar.” Havia muita grama nesse lugar e todos sentaram. Estavam aí cinco mil pessoas, mais ou menos. 11 Jesus pegou os pães, agradeceu a Deus e distribuiu aos que estavam sentados. Fez a mesma coisa com os peixes. E todos comeram o quanto queriam. 12 Quando ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: “Recolham os pedaços que sobraram, para não se desperdiçar nada.” 13 Eles recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães que haviam comido. 14 As pessoas viram o sinal que Jesus tinha realizado e disseram: “Este é mesmo o Profeta que devia vir ao mundo.” 15 Mas Jesus percebeu que iam pegá-lo para fazê-lo rei. Então ele se retirou sozinho, de novo, para a montanha.
Comentário:
* 1-15: Jesus propõe a missão da sua comunidade: ser sinal do amor generoso de Deus, assegurando para todos a possibilidade de subsistência e dignidade. A segurança da subsistência não está no muito que poucos possuem e retêm para si, mas no pouco de cada um que é repartido entre todos. A garantia da dignidade não se encontra no poder de um líder que manda, mas no serviço de cada um que organiza a comunidade para o bem de todos.
Depois dos encontros particulares, nos quais Jesus ensina e mostra sua autoridade como Mestre e Senhor, como luz verdadeira e água de sabedoria, chegou o momento de se manifestar à multidão, multiplicando e distribuindo o alimento: pães e peixes. Este sinal, presente também nos Evangelhos sinóticos, é o ponto de partida para o discurso de Jesus sobre o pão da vida, o único que nutre corpo e espírito, o único que sacia de modo definitivo.
quarta-feira, 15 de abril de 2026
João 3.31-36 O Pai entregou tudo a Jesus.
* 31 “Aquele que vem do alto, está acima de todos. Quem é da terra, pertence à terra e fala como terrestre. Aquele que vem do céu, 32 dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. 33 E quem aceita o seu testemunho, comprova que Deus é verdadeiro.
34 De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque Deus lhe dá o Espírito sem medida. 35 O Pai ama o Filho, e entregou tudo em sua mão. 36 Aquele que acredita no Filho, possui a vida eterna. Quem rejeita o Filho nunca verá a vida, pois a ira de Deus permanece sobre ele.”
Comentário:
* 31-36: Jesus veio de junto do Pai, e só ele revela o verdadeiro Deus que dá vida aos homens. Quem não aceita o testemunho de Jesus, acaba servindo os ídolos do mundo e correndo para a morte.
Depois de se revelar como Filho do Homem a Nicodemos, Jesus se apresenta como o Filho de Deus, revelador do Pai e doador do Espírito Santo. Do Espírito nasce o homem novo e, portanto, o discípulo. Quem aceita o testemunho de Jesus, aceitando o Espírito que vem do alto, professa que Deus é verdadeiro e começa a fazer parte desta comunhão de amor que brota da Santíssima Trindade. O discípulo de Jesus se torna discípulo da Trindade e, por isso, possui a vida eterna. Da mesma forma, quem rejeita Jesus e o seu Evangelho, rejeita as três Pessoas da Trindade e atrai sobre ele a ira de Deus e a condenação eterna. O encontro com Jesus é um encontro decisivo, porque não nos encontramos diante de um enviado qualquer, mas do próprio Filho de Deus. Só ele vem de junto de Deus. Qual é, então, a nossa decisão? E o que fazemos para nutrir nosso relacionamento com Jesus e para demonstrar essa nossa opção na vida cotidiana?
terça-feira, 14 de abril de 2026
João 3, 16-21 Jesus provoca decisão.
* 16 “Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna. 17 De fato, Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, e sim para que o mundo seja salvo por meio dele. 18 Quem acredita nele, não está condenado; quem não acredita, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus.
19 O julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. 20 Quem pratica o mal, tem ódio da luz, e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam desmascaradas. 21 Mas, quem age conforme à verdade, se aproxima da luz, para que suas ações sejam vistas, porque são feitas como Deus quer.”
Comentário:
* 16-21: Deus não quer que os homens se percam, nem sente prazer em condená-los. Ele manifesta todo o seu amor através de Jesus, para salvar e dar a vida a todos. Mas a presença de Jesus é incômoda, pois coloca o mundo dos homens em julgamento, provocando divisão e conflito, e exigindo decisão. De um lado, os que acreditam em Jesus e vivem o amor, continuando a palavra e a ação dele em favor da vida. De outro lado, os que não acreditam nele e não vivem o amor, mas permanecem fechados em seus próprios interesses e egoísmo, que geram opressão e exploração; por isso estes sempre escondem suas verdadeiras intenções: não se aproximam da luz.
No final do seu diálogo com Nicodemos, Jesus ressalta o amor do Pai pela humanidade, a ponto de dar seu Filho unigênito “para que o mundo seja salvo por meio dele” (v. 17). Acena ainda ao modo como se dará o Juízo Final, com a condenação ou a salvação sendo determinadas pela fé, ou seja, pela nossa atitude interior. E conclui com o tema da luz, símbolo forte do Evangelho de João e do tempo pascal. Jesus é a luz que veio ao mundo para iluminar a humanidade, mas muitos ainda hoje preferem viver nas trevas, fechando o seu coração para esta luz que conduz à verdade. A origem do mal no mundo está ligada à falta de luz, ou melhor, à recusa do ser humano em acolher a luz verdadeira, que vem de Deus.
segunda-feira, 13 de abril de 2026
João 3, 7-15 A fé é o nascimento para a vida nova.
7 Não se espante se eu digo que é preciso vocês nascerem do alto. 8 O vento sopra onde quer, você ouve o barulho, mas não sabe de onde ele vem, nem para onde vai. Acontece a mesma coisa com quem nasceu do Espírito.”
A vida nova vem de Jesus -* 9 Nicodemos perguntou: “Como é que isso pode acontecer?” 10 Jesus respondeu: “Você é o mestre em Israel e não sabe essas coisas? 11 Eu garanto a você: nós falamos aquilo que sabemos, e damos testemunho daquilo que vimos, mas, apesar disso, vocês não aceitam o nosso testemunho. 12 Se vocês não acreditam quando eu falo sobre as coisas da terra, como poderão acreditar quando eu lhes falar das coisas do céu?
13 Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu: o Filho do Homem. 14 Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, do mesmo modo é preciso que o Filho do Homem seja levantado. 15 Assim, todo aquele que nele acreditar, nele terá a vida eterna.”
Comentário:
* 3,1-8: Ter fé em Jesus não é só admirar o que ele diz e faz. É entrega para o compromisso total com Jesus, o que exige transformação profunda, um novo nascimento. Isso implica não apegar-se a esquemas e estruturas estabelecidas, mas relativizá-las, a fim de estar sempre aberto para a novidade de Deus. Quem se converte é guiado pelo Espírito de Deus e se torna imprevisível para os homens. Essa liberdade da fé cristã é celebrada eficazmente através de rito significativo: o batismo.
* 9-15: A grande novidade que Deus tem para os homens está em Jesus, que vai revelar na cruz a vida nova. Aí ele demonstra o maior ato de amor: a doação de sua própria vida em favor dos homens.
Jesus continua seu diálogo com Nicodemos, que, apesar de ser um mestre para os judeus, tem necessidade de aprender muitas coisas com o verdadeiro Mestre. A humildade de Nicodemos é notória, pois ele se coloca de fato como um discípulo que aprende do seu rabi coisas sobre o céu e a terra. Jesus repete a ele muitas coisas que já ensinou pelas estradas da Judeia e da Galileia, mas o faz na certeza de que Nicodemos se converterá. No momento da sua morte, será Nicodemos, juntamente com José de Arimateia, quem preparará o corpo de Jesus, “com mais de trinta quilos de uma mistura feita de mirra e aloés” (Jo 19,39). A Nicodemos é atribuído um evangelho apócrifo que narra, sobretudo, os atos de Pilatos.
domingo, 12 de abril de 2026
João 3, 1-8 A fé é o nascimento para a vida nova.
* 1 Entre os fariseus havia um homem chamado Nicodemos. Era um judeu importante. 2 Ele foi encontrar-se de noite com Jesus, e disse: “Rabi, sabemos que tu és um Mestre vindo da parte de Deus. Realmente, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, se Deus não está com ele.” 3 Jesus respondeu: “Eu garanto a você: se alguém não nasce do alto, não poderá ver o Reino de Deus.” 4 Nicodemos disse: “Como é que um homem pode nascer de novo, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mãe e nascer?” 5 Jesus respondeu: “Eu garanto a você: ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nasce da água e do Espírito. 6 Quem nasce da carne é carne, quem nasce do Espírito é espírito. 7 Não se espante se eu digo que é preciso vocês nascerem do alto. 8 O vento sopra onde quer, você ouve o barulho, mas não sabe de onde ele vem, nem para onde vai. Acontece a mesma coisa com quem nasceu do Espírito.”
Comentário:
* 1-8: Ter fé em Jesus não é só admirar o que ele diz e faz. É entrega para o compromisso total com Jesus, o que exige transformação profunda, um novo nascimento. Isso implica não se apegar a esquemas e estruturas estabelecidas, mas relativizá-las, a fim de estar sempre aberto para a novidade de Deus. Quem se converte é guiado pelo Espírito de Deus e se torna imprevisível para os homens. Essa liberdade da fé cristã é celebrada eficazmente através de rito significativo: o batismo.
Na primeira seção do seu Evangelho, João narra o encontro de Jesus com três personagens particulares. O primeiro deles, e o único cujo nome conhecemos, é Nicodemos, um fariseu, líder dos judeus, mas que reconhece Jesus como rabi (mestre) e demonstra interesse em conhecê-lo melhor. Ele vai ao encontro de Jesus de noite, que significa ausência de fé e de compreensão, mas volta daquele encontro bem iluminado e cheio de sabedoria, a ponto de, no futuro, defender Jesus diante do Sinédrio (Jo 7,50-51) e acompanhar José de Arimateia no momento da sepultura do Messias (Jo 19,38-40). Os outros dois encontros foram com a samaritana e com o oficial do rei.
sábado, 11 de abril de 2026
João 20, 19-31 Jesus ressuscitado está vivo na comunidade.
* 19 Era o primeiro dia da semana. Ao anoitecer desse dia, estando fechadas as portas do lugar onde se achavam os discípulos por medo das autoridades dos judeus, Jesus entrou. Ficou no meio deles e disse: “A paz esteja com vocês.” 20 Dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos ficaram contentes por ver o Senhor. 21 Jesus disse de novo para eles: “A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.” 22 Tendo falado isso, Jesus soprou sobre eles, dizendo: “Recebam o Espírito Santo. 23 Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados.”
A comunidade é testemunha de Jesus ressuscitado -* 24 Tomé, chamado Gêmeo, que era um dos Doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25 Os outros discípulos disseram para ele: “Nós vimos o Senhor.” Tomé disse: “Se eu não vir a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o meu dedo na marca dos pregos, e se eu não colocar a minha mão no lado dele, eu não acreditarei.” 26 Uma semana depois, os discípulos estavam reunidos de novo. Dessa vez, Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou. Ficou no meio deles e disse: “A paz esteja com vocês.” 27 Depois disse a Tomé: “Estenda aqui o seu dedo e veja as minhas mãos. Estenda a sua mão e toque o meu lado. Não seja incrédulo, mas tenha fé.” 28 Tomé respondeu a Jesus: “Meu Senhor e meu Deus!” 29 Jesus disse: “Você acreditou porque viu? Felizes os que acreditaram sem ter visto.”
Para que João escreveu este evangelho? -* 30 Jesus realizou diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. 31 Estes sinais foram escritos para que vocês acreditem que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, acreditando, vocês tenham a vida em seu nome.
Comentário:
* 24-29: Tomé simboliza aqueles que não acreditam no testemunho da comunidade e exigem uma experiência particular para acreditar. Jesus, porém, se revela a Tomé dentro da comunidade. Todas as gerações do futuro acreditarão em Jesus vivo e ressuscitado através do testemunho da comunidade cristã.
* 30-31: O autor conclui o relato da vida de Jesus, chamando a atenção para o conteúdo e a finalidade do seu evangelho, que contém apenas alguns dos muitos sinais realizados por Jesus. E estes aqui foram narrados para despertar o compromisso da fé que leva a experimentar a vida trazida por Jesus.
Ao anoitecer do primeiro dia da semana, as portas estão trancadas por medo dos judeus. Ao aparecer aos discípulos reunidos, a primeira coisa que o Ressuscitado lhes deseja é: “a paz esteja convosco”, o que ele repete duas vezes. Para tirar as dúvidas dos discípulos, mostra-lhes os sinais da crucificação. Com isso, eles o reconhecem e se alegram. Tomé, que não estava presente, não acreditou no testemunho dos colegas. Oito dias depois, o Ressuscitado lhes aparece novamente e lhes deseja novamente a paz, censura Tomé por não acreditar nos irmãos e o convida a tocá-lo. Tomé proclama uma bonita profissão de fé: meu Senhor e meu Deus. São felizes todos os que acreditam sem ver, diz o Ressuscitado. Com a ressurreição de Jesus, acontece nova criação, nova era da humanidade. A nova realidade que o Ressuscitado propõe é uma comunidade que vive a paz, supera o medo, busca a reconciliação, não se fecha em si mesma, mas é uma comunidade em saída, como insiste o papa Francisco.
1 Pedro 1, 3-9 A obra do Pai.
* 3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo por sua grande misericórdia. Ressuscitando a Jesus Cristo dos mortos, ele nos fez renascer para uma esperança viva, 4 para uma herança que não se corrompe, não se mancha e não murcha. Essa herança está reservada no céu para vocês 5 que, graças à fé, estão guardados pela força de Deus para a salvação que está prestes a revelar-se no final dos tempos.
O papel do Filho -* 6 Por isso, vocês devem alegrar-se, mesmo que agora, se necessário, fiquem tristes por um pouco de tempo, devido às várias provações. 7 Desse modo, a fé que vocês têm será provada como o ouro que passa pelo fogo. O ouro vai desaparecer, mas a fé que vocês têm, e que vale muito mais, não se perderá, até o dia da revelação de Jesus Cristo. Então, por essa fé, vocês receberão louvor, glória e honra. 8 Vocês nunca viram Jesus e, apesar disso, o amam; não o veem, mas acreditam. E por isso sentem alegria extraordinária e gloriosa, 9 porque alcançam a meta da fé, que é a salvação de vocês.
Comentário:
* 3-5: O novo nascimento pelo batismo é participação na vida de Jesus ressuscitado. Trata-se de nascimento para outra vida e outra história, dando aos cristãos esperança incomparavelmente superior a qualquer outro ideal humano. Assim como Deus havia concedido a herança da terra ao povo da antiga aliança, também o povo da nova aliança recebe como herança a própria vida de Deus (cf. 2Pd 1,4). O cristão vive impulsionado para a vida plena que está sempre em via de se manifestar.
* 6-9: A fé é compromisso permanente com Cristo, até a morte. Cristo chegou à glória da ressurreição e da vida através de perseguições e sofrimentos. O cristão segue o mesmo caminho: mediante o testemunho de vida em meio às provas, pouco a pouco nele se manifesta o próprio Cristo, que comunica a alegria da ressurreição.
sexta-feira, 10 de abril de 2026
Marcos 16, 9-15 Aparições de Jesus ressuscitado.
* 9 Depois de ressuscitar na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios. 10 Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. 11 Quando ouviram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar. 12 Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam a caminho do campo. 13 Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros, que não acreditaram nem mesmo nestes.14 Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo. Jesus os repreendeu por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado. 15 Então Jesus disse-lhes: “Vão pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia para toda a humanidade.
Comentário:
* 9-20: Este trecho difere muito do livro até aqui; por isso é considerado obra de outro autor. Os cristãos da primeira geração provavelmente quiseram completar o livro de Marcos com um resumo das aparições de Jesus e uma apresentação global da missão da Igreja. Parece que se inspiraram no último capítulo de Mateus (28,18-20), em Lucas (24,10-53), em João (20,11-23) e no início do livro dos Atos dos Apóstolos (1,4-14).
Embora seja acréscimo de retalhos tomados de outros escritos do Novo Testamento, o trecho conserva o pensamento de Marcos, isto é: os discípulos devem continuar a ação de Jesus.
Assim como enviou os apóstolos, Cristo envia cada um de nós hoje em missão. Cada batizado é um discípulo missionário e tem por missão anunciar o Evangelho no local onde se encontra, às pessoas com quem convive, no contexto no qual está inserido. Todos nós somos convocados para comunicar o Evangelho, tarefa muito exigente. Neste tempo no qual vivemos, marcado sobretudo pela cultura digital, somos chamados a ser testemunhas e protagonistas da evangelização no ambiente virtual, levando Cristo e o seu Evangelho sobretudo às redes sociais. Bem-aventurados os que testemunham a Palavra de Deus na cultura da comunicação, diria hoje Jesus. Para nos inspirar nesta missão, temos muitos exemplos, como o bem-aventurado Tiago Alberione e São Carlo Acutis, mas tantos outros podem nos ajudar no caminho de seguimento e testemunho “onlife”.
quinta-feira, 9 de abril de 2026
João 21, 1-14 A missão da comunidade.
* 1 Jesus apareceu aos discípulos na margem do mar de Tiberíades. E apareceu deste modo: 2 Estavam juntos Simão Pedro, Tomé chamado Gêmeo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. 3 Simão Pedro disse: “Eu vou pescar.” Eles disseram: “Nós também vamos.” Saíram e entraram na barca. Mas naquela noite não pescaram nada. 4 Quando amanheceu, Jesus estava na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5 Então Jesus disse: “Rapazes, vocês têm alguma coisa para comer?” Eles responderam: “Não.” 6 Então Jesus falou: “Joguem a rede do lado direito da barca, e vocês acharão peixe.” Eles jogaram a rede e não conseguiam puxá-la para fora, de tanto peixe que pegaram. 7 Então o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor.” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu a roupa, pois estava nu, e pulou dentro d’água. 8 Os outros discípulos foram na barca, que estava a uns cem metros da margem. Eles arrastavam a rede com os peixes. 9 Logo que pisaram em terra firme, viram um peixe na brasa e pão. 10 Jesus disse: “Tragam alguns peixes que vocês acabaram de pescar.” 11 Então Simão Pedro subiu na barca e arrastou a rede para a praia. Estava cheia de cento e cinquenta e três peixes grandes. Apesar de tantos peixes, a rede não arrebentou. 12 Jesus disse para eles: “Vamos, comam.” Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13 Jesus se aproximou, tomou o pão e distribuiu para eles. Fez a mesma coisa com o peixe. 14 Essa foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos.
Comentário:
* 1-14: A comunidade cristã que age sem estar unida à pessoa e missão de Jesus continua nas trevas e não produz fruto, pois trabalha sem perceber a presença do ressuscitado e sem conhecer o modo correto de realizar a ação. No momento em que ela segue a palavra de Jesus, o fruto surge abundante. A missão termina sempre na Eucaristia, onde se realiza a comunhão com Jesus.
Cristo encontra alguns discípulos às margens do lago de Tiberíades. Confusos com a condenação e morte de Jesus, aqueles discípulos foram tentados a retornar à vida anterior, deixando de lado tudo o que aprenderam com o Mestre para voltarem a ser simples pescadores. Quantas vezes também nós somos tentados a voltar atrás quando enfrentamos uma dificuldade, ou não vemos claro o nosso destino! Cristo nos ensina a olhar para a frente, pois ele caminha conosco sempre, mesmo quando somos incapazes de reconhecê-lo. Devemos resistir à tentação de abandonar Jesus, de trocar o Evangelho pelas propostas fugazes do mundo, pois, uma vez transformados pelo encontro com ele, já não é possível voltar atrás.
quarta-feira, 8 de abril de 2026
Lucas 24, 35-48 Jesus caminha com os homens.
35 Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus quando ele partiu o pão.
A realidade da ressurreição -* 36 Ainda estavam falando, quando Jesus apareceu no meio deles, e disse: “A paz esteja com vocês.” 37 Espantados e cheios de medo, pensavam estar vendo um espírito. 38 Então Jesus disse: “Por que vocês estão perturbados, e por que o coração de vocês está cheio de dúvidas? 39 Vejam minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo. Toquem-me e vejam: um espírito não tem carne e ossos, como vocês podem ver que eu tenho.” 40 E dizendo isso, Jesus mostrou as mãos e os pés. 41 E como eles ainda não estivessem acreditando, por causa da alegria e porque estavam espantados, Jesus disse: “Vocês têm aqui alguma coisa para comer?” 42 Eles ofereceram a Jesus um pedaço de peixe grelhado. 43 Jesus pegou o peixe, e o comeu diante deles.
A missão cristã -* 44 Jesus disse: “São estas as palavras que eu lhes falei, quando ainda estava com vocês: é preciso que se cumpra tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.” 45 Então Jesus abriu a mente deles para entenderem as Escrituras. 46 E continuou: “Assim está escrito: ‘O Messias sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, 47 e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém’. 48 E vocês são testemunhas disso.
Comentário:
* 13-35: Lucas salienta os “lugares” da presença de Jesus ressuscitado. Primeiro, ele continua a caminhar entre os homens, solidarizando-se com seus problemas e participando de suas lutas. Segundo, Jesus está presente no anúncio da Palavra das Escrituras, que mostra o sentido da sua vida e ação. Terceiro, na celebração eucarística, onde o pão repartido relembra o dom da sua vida e refontiza a partilha e a fraternidade, que estão no cerne do seu projeto.
* 36-43: A ressurreição não é fruto da imaginação dos discípulos, nem se reduz a fenômeno puramente espiritual. A ressurreição é fato que atinge o próprio corpo; daí a identidade do ressuscitado com o Jesus terrestre. Qualquer ação humana que traz mais vida para os corpos oprimidos, doentes, torturados, famintos e sedentos, não é apenas obra de misericórdia, mas é sinal concreto do fato central da fé cristã: a ressurreição do próprio Senhor Jesus.
* 44-53: A missão cristã nasce da leitura das Escrituras, onde se percebe o testemunho de Jesus (vida-morte-ressurreição) como seu centro e significado. Essa missão continua no anúncio de Jesus a todos os povos, e provoca a transformação da história a partir da atividade de Jesus voltada para os pobres e oprimidos. A conversão e o perdão supõem percorrer o caminho de Jesus na própria vida e nos caminhos da história. A missão é iluminada pelo Espírito do Pai e de Jesus (a “força que vem do alto”).
Cristo vai ao encontro dos apóstolos. Ele sabe que seus discípulos estão confusos, perturbados, com medo, cheios de dúvidas e questionamentos. São ainda incapazes de compreender o mistério da salvação na sua plenitude. “Agora vemos como em espelho e de maneira confusa; mas depois veremos com clareza” (1Cor 13,12). O ponto de partida para esse processo é a paz. Somente quando estamos em paz, serenos, começamos a ver as coisas como são, com clareza, e somos capazes de abrir a nossa casa e o nosso coração para acolher Jesus Cristo. Por isso, o cristão deve ser promotor da paz, sempre e em todo lugar. Semeando a paz, estaremos semeando o Evangelho e o amor de Jesus Cristo.
terça-feira, 7 de abril de 2026
Lucas 24, 13-35 Jesus caminha com os homens.
* 13 Nesse mesmo dia, dois discípulos iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14 Conversavam a respeito de tudo o que tinha acontecido. 15 Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou, e começou a caminhar com eles. 16 Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. 17 Então Jesus perguntou: “O que é que vocês andam conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste. 18 Um deles, chamado Cléofas, disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que aí aconteceu nesses últimos dias?” 19 Jesus perguntou: “O que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em ação e palavras, diante de Deus e de todo o povo. 20 Nossos chefes dos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram. 21 Nós esperávamos que fosse ele o libertador de Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que tudo isso aconteceu! 22 É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo, 23 e não encontraram o corpo de Jesus. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos, e estes afirmaram que Jesus está vivo. 24 Alguns dos nossos foram ao túmulo, e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas ninguém viu Jesus.”
25 Então Jesus disse a eles: “Como vocês custam para entender, e como demoram para acreditar em tudo o que os profetas falaram! 26 Será que o Messias não devia sofrer tudo isso, para entrar na sua glória?” 27 Então, começando por Moisés e continuando por todos os Profetas, Jesus explicava para os discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele.
28 Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29 Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando.” Então Jesus entrou para ficar com eles. 30 Sentou-se à mesa com os dois, tomou o pão e abençoou, depois o partiu e deu a eles. 31 Nisso os olhos dos discípulos se abriram, e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles.32 Então um disse ao outro: “Não estava o nosso coração ardendo quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” 33 Na mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém, onde encontraram os Onze, reunidos com os outros. 34 E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou, e apareceu a Simão!” 35 Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus quando ele partiu o pão.
Comentário:
* 13-35: Lucas salienta os “lugares” da presença de Jesus ressuscitado. Primeiro, ele continua a caminhar entre os homens, solidarizando-se com seus problemas e participando de suas lutas. Segundo, Jesus está presente no anúncio da Palavra das Escrituras, que mostra o sentido da sua vida e ação. Terceiro, na celebração eucarística, onde o pão repartido relembra o dom da sua vida e refontiza a partilha e a fraternidade, que estão no cerne do seu projeto.
Cristo vai ao encontro dos discípulos de Emaús. Ofuscados pela aparente derrota de Jesus, esses dois jovens desanimam e saem de Jerusalém. Dão as costas ao Mestre e ao que aprenderam ao longo dos meses que passaram ao seu lado. Fogem! Afastam-se do lugar onde o Mestre foi crucificado, com a falsa ilusão de que encontrarão luz e paz no isolamento. Mas Cristo não nos deixa sós, não dá as costas aos seus amigos. Cristo não nos abandona jamais, e por isso também nós devemos resistir à tentação de o abandonar, de trocar o Evangelho pelas coisas que a vida “mundana” nos oferece.
segunda-feira, 6 de abril de 2026
João 20, 11-18 Jesus ressuscitado é descoberto pela fé.
* 11 Maria tinha ficado fora, chorando junto ao túmulo. Enquanto ainda chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12 Viu então dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus tinha sido colocado, um na cabeceira e outro nos pés. 13 Então os anjos perguntaram: “Mulher, por que você está chorando?” Ela respondeu: “Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o colocaram.” 14 Depois de dizer isso, Maria virou-se e viu Jesus de pé; mas não sabia que era Jesus. 15 E Jesus perguntou: “Mulher, por que você está chorando? Quem é que você está procurando?” Maria pensou que fosse o jardineiro, e disse: “Se foi o senhor que levou Jesus, diga-me onde o colocou, e eu irei buscá-lo.” 16 Então Jesus disse: “Maria.” Ela virou-se e exclamou em hebraico: “Rabuni!” (que quer dizer: Mestre). 17 Jesus disse: “Não me segure, porque ainda não voltei para o Pai. Mas vá dizer aos meus irmãos: ‘Subo para junto do meu Pai, que é Pai de vocês, do meu Deus, que é o Deus de vocês.’ “ 18 Então Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: “Eu vi o Senhor.” E contou o que Jesus tinha dito.
Comentário:
* 11-18: Jesus está vivo, mas já não se manifesta de modo físico, como o Mestre durante a sua vida na história. Doravante, ele está presente no mistério da vida de Deus, e torna-se presente e atuante através do anúncio feito por aqueles que nele acreditam. Chegou o tempo das relações da nova aliança: Deus é Pai, e os homens são filhos de Deus e irmãos de Jesus.
Segundo o Evangelho de João, Maria Madalena é a primeira testemunha da ressurreição de Jesus. É interessante notar que ela não reconhece o Mestre imediatamente, o que nos mostra que, assim como a fé, a compreensão da ressurreição é um processo. Inicia com uma preparação, aqui simbolizada pela presença dos anjos, mensageiros de Deus, que dialogam com Madalena. Depois segue com uma visão parcial, pois, ao se voltar, Maria “vê” um homem, mas não consegue identificar nele o Mestre. Somente após “escutá-lo”, ela consegue enxergar claramente. Um processo de amadurecimento espiritual que cada um de nós também deve fazer para conseguir “enxergar” Jesus como nosso Mestre e Senhor.
domingo, 5 de abril de 2026
Mateus 28, 8-15 Jesus está vivo!
8 As mulheres saíram depressa do túmulo; estavam com medo, mas correram com muita alegria para dar a notícia aos discípulos. 9 De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: “Alegrem-se!” As mulheres se aproximaram, e se ajoelharam diante de Jesus, abraçando seus pés. 10 Então Jesus disse a elas: “Não tenham medo. Vão anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão.”
Reação dos inimigos -* 11 Quando as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos chefes dos sacerdotes tudo o que havia acontecido. 12 Os chefes dos sacerdotes se reuniram com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, 13 dizendo-lhes: “Digam que os discípulos dele foram durante a noite, e roubaram o corpo, enquanto vocês dormiam. 14 Se o governador ficar sabendo disso, nós o convenceremos, e vocês não precisam ficar preocupados.” 15 Os soldados pegaram o dinheiro, e agiram de acordo com as instruções recebidas. E assim, tal boato espalhou-se entre os judeus, até o dia de hoje.
Comentário:
* 1-10: A manhã desse primeiro dia da semana marca uma transformação radical na compreensão a respeito do homem e da vida. O projeto vivido por Jesus não é caminho para a morte, mas caminho aprovado por Deus, que, através da morte, leva para a vida. Doravante, o encontro com Jesus se realiza no momento em que os homens se dispõem a anunciar o coração da fé cristã (Jesus morreu e ressuscitou), e a continuar em todos os tempos e lugares a atividade que Jesus desenvolveu na Galileia. Só essa fé ativa transformará o medo da morte na alegria da vida.
* 11-15: O sistema que gera a morte apela para um último recurso: usa a mentira e o suborno, tentando neutralizar o surgimento da plenitude de vida.
sábado, 4 de abril de 2026
João 20, 1-9 Jesus não está morto.
* 1 No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus bem de madrugada, quando ainda estava escuro. Ela viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2 Então saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo que Jesus amava. E disse para eles: “Tiraram do túmulo o Senhor, e não sabemos onde o colocaram.”
3 Então Pedro e o outro discípulo saíram e foram ao túmulo. 4 Os dois corriam juntos. Mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao túmulo. 5 Inclinando-se, viu os panos de linho no chão, mas não entrou. 6 Então Pedro, que vinha correndo atrás, chegou também e entrou no túmulo. Viu os panos de linho estendidos no chão 7 e o sudário que tinha sido usado para cobrir a cabeça de Jesus. Mas o sudário não estava com os panos de linho no chão; estava enrolado num lugar à parte.
8 Então o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também. Ele viu e acreditou. 9 De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura que diz: “Ele deve ressuscitar dos mortos.”
Comentário:
* 1-10: A fé na ressurreição tem dois aspectos. O primeiro é negativo: Jesus não está morto. Ele não é falecido ilustre, ao qual se deve construir um monumento. O sepulcro vazio mostra que Jesus não ficou prisioneiro da morte. O segundo aspecto da ressurreição é positivo: Jesus está vivo, e o discípulo que o ama intui essa realidade.
Colossenses 3,1-4 Procurar as coisas do alto.
* 1 Se vocês foram ressuscitados com Cristo, procurem as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. 2 Pensem nas coisas do alto, e não nas coisas da terra. 3 Vocês estão mortos, e a vida de vocês está escondida com Cristo em Deus. 4 Quando Cristo se manifestar, ele que é a nossa vida, então vocês também se manifestarão com ele na glória.
Comentário:
* 1-4: Paulo não despreza as realidades terrestres. “Procurar as coisas do alto” significa descobrir a vida nova revelada em Jesus Cristo. O cristão já participa da vida que Jesus vive no mistério de Deus. Essa participação deve crescer e concretizar-se cada vez mais na história; quando Jesus estiver plenamente manifesto através do testemunho dos cristãos, então essa participação também se tornará completamente manifesta. Estes, conhecendo a vida de Cristo, são capazes de discernir e criticar tudo o que não conduz à plena realização humana.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Mateus 28, 1-10 Jesus está vivo!
* 1 Depois do sábado, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver a sepultura. 2 De repente houve um grande tremor de terra: o anjo do Senhor desceu do céu e, aproximando-se, retirou a pedra, e sentou-se nela. 3 Sua aparência era como a de um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve. 4 Os guardas tremeram de medo diante do anjo, e ficaram como mortos. 5 Então o anjo disse às mulheres: “Não tenham medo. Eu sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. 6 Ele não está aqui. Ressuscitou, como havia dito! Venham ver o lugar onde ele estava. 7 E vão depressa contar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos, e que vai à frente de vocês para a Galileia. Lá vocês o verão. É o que tenho a lhes dizer.” 8 As mulheres saíram depressa do túmulo; estavam com medo, mas correram com muita alegria para dar a notícia aos discípulos. 9 De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: “Alegrem-se!” As mulheres se aproximaram, e se ajoelharam diante de Jesus, abraçando seus pés. 10 Então Jesus disse a elas: “Não tenham medo. Vão anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão.”
Comentário:
* 1-10: A manhã desse primeiro dia da semana marca uma transformação radical na compreensão a respeito do homem e da vida. O projeto vivido por Jesus não é caminho para a morte, mas caminho aprovado por Deus, que, através da morte, leva para a vida. Doravante, o encontro com Jesus se realiza no momento em que os homens se dispõem a anunciar o coração da fé cristã (Jesus morreu e ressuscitou), e a continuar em todos os tempos e lugares a atividade que Jesus desenvolveu na Galileia. Só essa fé ativa transformará o medo da morte na alegria da vida.
Genesis 22, 1-2.9ª.10-13.15-18 A grande prova.
* 1 Depois desses acontecimentos, Deus pôs Abraão à prova, e lhe disse: “Abraão, Abraão!” Ele respondeu: “Estou aqui”. 2 Deus disse: “Tome seu filho, o seu único filho Isaac, a quem você ama, vá à terra de Moriá e ofereça-o aí em holocausto, sobre uma montanha que eu vou lhe mostrar”. 9 Quando chegaram ao lugar que Deus lhe indicara, Abraão construiu o altar, colocou a lenha, depois amarrou seu filho e o colocou sobre o altar, em cima da lenha. 10 Abraão estendeu a mão e pegou a faca para imolar seu filho.11 Nesse momento, o anjo de Javé o chamou lá do céu e disse: “Abraão, Abraão!” Ele respondeu: “Aqui estou!” 12 O anjo continuou: “Não estenda a mão contra o menino! Não lhe faça nenhum mal! Agora sei que você teme a Deus, pois não me recusou seu filho único”. 13 Abraão ergueu os olhos e viu um cordeiro, preso pelos chifres num arbusto; pegou o cordeiro e o ofereceu em holocausto no lugar do seu filho. 15 O anjo de Javé chamou lá do céu uma segunda vez a Abraão, 16 dizendo: “Juro por mim mesmo, palavra de Javé: porque você me fez isso, porque não me recusou seu filho único, 17 eu o abençoarei, eu multiplicarei seus descendentes como as estrelas do céu e a areia da praia. Seus descendentes conquistarão as cidades de seus inimigos. 18 Por meio da descendência de você, todas as nações da terra serão abençoadas, porque você me obedeceu”.
Comentário:
* 1-19: Deus tira todas as seguranças de Abraão, para lhe fazer sua promessa e entregar-lhe seu dom (cf. Gn 12,1-9 e nota). Muitos obstáculos parecem tornar impossível a realização desse dom e promessa (velhice, esterilidade). Quando a promessa começa a cumprir-se com o nascimento de Isaac, Abraão poderia acomodar-se e perder de vista o grande projeto, para o qual Deus o chamara. Por isso, Deus lhe pede um novo ato de fé que confirme sua obediência. Deus não promete nova segurança para o homem se acomodar; pelo contrário, desafia o homem a estar sempre alerta, a fim de relacionar-se com Deus e criar uma nova história. Só assim o projeto de Deus não será confundido com as limitações dos projetos humanos.
quinta-feira, 2 de abril de 2026
João 18, 1-19, 42 Jesus se entrega livremente
-* 1 Tendo dito isso, Jesus saiu com seus discípulos, e foi para o outro lado do riacho do Cedron, onde havia um jardim. Ele entrou no jardim com os discípulos. 2 Jesus já tinha se reunido aí muitas vezes com seus discípulos. Por isso, Judas, que estava traindo Jesus, também conhecia o lugar. 3 Judas arrumou uma tropa e alguns guardas dos chefes dos sacerdotes e fariseus e chegou ao jardim com lanternas, tochas e armas.
4 Então Jesus, sabendo tudo o que lhe ia acontecer, saiu e perguntou a eles: “Quem é que vocês estão procurando?” 5 Eles responderam: “Jesus de Nazaré.” Jesus disse: “Sou eu.” Judas, que estava traindo Jesus, também estava com eles. 6 Quando Jesus disse: “Sou eu”, eles recuaram e caíram no chão. 7 Então Jesus perguntou de novo: “Quem é que vocês estão procurando?” Eles responderam: “Jesus de Nazaré.” 8 Jesus falou: “Já lhes disse que sou eu. Se vocês estão me procurando, deixem os outros ir embora.” 9 Era para se cumprir a Escritura que diz: “Não perdi nenhum daqueles que me deste.”
10 Simão Pedro tinha uma espada. Desembainhou a espada e feriu o empregado do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. O nome do empregado era Malco. 11 Mas Jesus disse a Pedro: “Guarde a espada na bainha. Por acaso não vou beber o cálice que o Pai me deu?” 12 Então a tropa, o comandante e os guardas das autoridades dos judeus prenderam e amarraram Jesus. 13 A primeira coisa que fizeram foi levar Jesus até Anás, que era sogro de Caifás, sumo sacerdote naquele ano. 14 Caifás é aquele que tinha dado um conselho aos judeus: “É preciso que um homem morra pelo povo.”
Pedro nega ser discípulo -* 15 Simão Pedro e o outro discípulo seguiam Jesus. Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote, e entrou com Jesus no pátio do chefe do sacerdote. 16 Mas Pedro ficou fora, perto da porta. Então o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, conversou com a porteira e levou Pedro para dentro. 17 A empregada, que tomava conta da porta, perguntou a Pedro: “Você não é também um dos discípulos desse homem?” Pedro disse: “Eu não.” 18 Os empregados e os guardas estavam fazendo uma fogueira para se esquentar, porque fazia frio. Pedro ficou se esquentando junto com eles.
Testemunho de Jesus diante do poder religioso - 19 Então o sumo sacerdote interrogou Jesus a respeito dos seus discípulos e do seu ensinamento. 20 E Jesus respondeu: “Eu falei às claras para o mundo. Eu sempre ensinei nas sinagogas e no Templo, onde todos os judeus se reúnem. Não falei nada escondido. 21 Por que você me interroga? Pergunte aos que ouviram o que eu lhes falei. Eles sabem o que eu disse.” 22 Quando Jesus falou isso, um dos guardas que estavam aí deu uma bofetada em Jesus e disse: “É assim que respondes ao sumo sacerdote?” 23 Jesus respondeu: “Se falei mal, mostre o que há de mal. Mas se falei bem, por que você bate em mim?” 24 Então Anás mandou Jesus amarrado para o sumo sacerdote Caifás.
Pedro confirma sua negação - 25 Simão Pedro ainda estava lá fora se esquentando. Perguntaram a ele: “Você também não é um dos discípulos dele?” Pedro negou: “Eu não.” 26 Então um dos empregados do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha decepado a orelha, disse: “Por acaso eu não vi você no jardim com ele?” 27 Pedro negou de novo. E, na mesma hora, o galo cantou.
Jesus entregue ao poder romano -* 28 De Caifás levaram Jesus para o palácio do governador. Era de manhã. Mas eles não entraram no palácio, pois não queriam ficar impuros, para poderem comer a ceia pascal. 29 Então Pilatos saiu para fora e conversou com eles: “Que acusação vocês apresentam contra esse homem?” 30 Eles responderam: “Se ele não fosse malfeitor, não o teríamos trazido até aqui.” 31 Pilatos disse: “Encarreguem-se vocês mesmos de julgá-lo, conforme a lei de vocês.” Os judeus responderam: “Não temos permissão de condenar ninguém à morte.” 32 Era para se cumprir o que Jesus tinha dito, significando o tipo de morte com que ele deveria morrer.
A realeza de Jesus -* 33 Então Pilatos entrou de novo no palácio. Chamou Jesus e perguntou: “Tu és o rei dos judeus?” 34 Jesus respondeu: “Você diz isso por si mesmo, ou foram outros que lhe disseram isso a meu respeito?” 35 Pilatos falou: “Por acaso eu sou judeu? O teu povo e os chefes dos sacerdotes te entregaram a mim. O que fizeste?” 36 Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue às autoridades dos judeus. Mas agora o meu reino não é daqui.” 37 Pilatos disse a Jesus: “Então tu és rei?” Jesus respondeu: “Você está dizendo que eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade. Todo aquele que está com a verdade, ouve a minha voz.” 38 Pilatos disse: “O que é a verdade?”
A opção pela violência -* Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro das autoridades dos judeus, e disse-lhes: “Eu não encontro nele nenhum motivo de condenação. 39 Contudo, existe um costume entre vocês: que eu lhes solte alguém na Páscoa. Vocês querem que eu lhes solte o rei dos judeus?” 40 Então eles começaram a gritar de novo: “Ele não. Solte Barrabás.” Barrabás era um bandido.
A realeza do mundo é caçoada -* 19,1 Então Pilatos pegou Jesus e o mandou flagelar. 2 Os soldados trançaram uma coroa de espinhos e a colocaram na cabeça de Jesus. Vestiram Jesus com um manto vermelho. 3 Aproximaram-se dele e diziam: “Salve, rei dos judeus!” E lhe davam bofetadas.
Jesus é o Homem, Filho de Deus -* 4 Pilatos saiu de novo e disse: “Vejam. Eu vou mandar trazer aqui fora o homem, para que vocês saibam que não encontro nenhuma culpa nele.” 5 Então Jesus foi para fora. Levava a coroa de espinhos e o manto vermelho. Pilatos disse-lhes: “Eis o homem!” 6 Vendo Jesus, os chefes dos sacerdotes e os guardas começaram a gritar: “Crucifique. Crucifique.” Pilatos disse-lhes: “Encarreguem-se vocês mesmos de crucificá-lo, pois eu não encontro nenhum crime nele.” 7 Os judeus responderam: “Nós temos uma lei, e segundo a lei ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus.” 8 Quando ouviu essas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda.
Só Deus tem autoridade -* 9 Pilatos entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus: “”e onde és tu?” Jesus ficou calado. 10 Então Pilatos perguntou: “Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?” 11 Jesus respondeu: “Você não teria nenhuma autoridade sobre mim, se ela não lhe fosse dada por Deus. Por isso, aquele que me entregou a você, tem pecado maior.” 12 Por causa disso, Pilatos se esforçava para soltar Jesus.
Jesus é o supremo juiz -* Mas os judeus gritavam: “Se você soltar esse homem, você não é amigo de César. Todo aquele que pretende ser rei, se coloca contra César.” 13 Ouvindo essas palavras, Pilatos levou Jesus para fora. Fez que Jesus se sentasse numa cadeira de juiz, no lugar chamado “Pavimento”, que em hebraico se diz “Gábata.” 14 Era véspera da Páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: “Aqui está o rei de vocês.” 15 Eles começaram a gritar: “Fora! Fora! Crucifique.” Pilatos perguntou: “Mas eu vou crucificar o rei de vocês?” Os chefes dos sacerdotes responderam: “Não temos outro rei além de César.” 16 Então, finalmente, Pilatos entregou Jesus a eles para que fosse crucificado.
O crucificado -* Eles levaram Jesus. 17 Jesus carregou a cruz nas costas e saiu para um lugar chamado “Lugar da Caveira”, que em hebraico se diz “Gólgota.” 18 E aí crucificaram Jesus com outros dois homens, um de cada lado, e Jesus no meio.
Jesus é o Rei universal -* 19 Pilatos mandou também escrever um letreiro e colocou-o na cruz. Estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. 20 Muitos judeus puderam ver o letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade. O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego. 21 Então os chefes dos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: “Não deixe escrito: ‘O rei dos judeus’, mas coloque: ‘Este homem disse: Eu sou rei dos judeus.’ “ 22 Mas Pilatos respondeu: “O que escrevi, está escrito.”
A comunidade de Jesus é universal -* 23 Quando crucificaram Jesus, os soldados repartiram as roupas dele em quatro partes. Uma parte para cada soldado. Deixaram de lado a túnica. Era uma túnica sem costura, feita de uma peça única, de cima até em baixo. 24 Então eles combinaram: “Não vamos repartir a túnica. Vamos tirar a sorte, para ver com quem fica.” Isso era para se cumprir a Escritura que diz: “Repartiram minha roupa e sortearam minha túnica.” E foi assim que os soldados fizeram.
A relação entre Israel e a comunidade de Jesus -* 25 A mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cléofas, e Maria Madalena estavam junto à cruz. 26 Jesus viu a mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava. Então disse à mãe: “Mulher, eis aí o seu filho.” 27 Depois disse ao discípulo: “Eis aí a sua mãe.” E dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa.
Jesus amou até o fim -* 28 Depois disso, sabendo que tudo estava realizado, para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse: “Tenho sede.” 29 Havia aí uma jarra cheia de vinagre. Amarraram uma esponja ensopada de vinagre numa vara, e aproximaram a esponja da boca de Jesus. 30 Ele tomou o vinagre e disse: “Tudo está realizado.” E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
A morte de Jesus é o maior sinal de vida -* 31 Era dia de preparativos para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque esse sábado era muito solene para eles. Então pediram que Pilatos mandasse quebrar as pernas dos crucificados e os tirasse da cruz. 32 Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro, que estavam crucificados com Jesus. 33 E se aproximaram de Jesus. Vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas, 34 mas um soldado lhe atravessou o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água.
35 E aquele que viu, dá testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro. E ele sabe que diz a verdade, para que também vocês acreditem.
36 Aconteceu isso para se cumprir a Escritura que diz: “Não quebraram nenhum osso dele.” 37 E outra passagem que diz: “Olharão para aquele que transpassaram.”
O sepultamento de Jesus -* 38 José de Arimatéia era discípulo de Jesus, mas às escondidas, porque ele tinha medo das autoridades dos judeus. Depois disso, ele foi pedir a Pilatos para retirar o corpo de Jesus. Pilatos deu a autorização. Então ele foi e retirou o corpo de Jesus. 39 Nicodemos também foi. Nicodemos era aquele que antes tinha ido de noite encontrar-se com Jesus. Levou mais de trinta quilos de uma mistura de mirra e resina perfumada. 40 Então eles pegaram o corpo de Jesus e o enrolaram com panos de linho junto com os perfumes, do jeito que os judeus costumam sepultar.
41 No lugar onde Jesus fora crucificado havia um jardim, onde estava um túmulo, em que ninguém ainda tinha sido sepultado. 42 Então, por causa do dia de preparativos para a Páscoa e porque o túmulo estava perto, lá colocaram Jesus.
Comentário:
* 18,1-14: O jardim recorda o paraíso do Gênesis, de onde o homem tinha sido expulso. Jesus entra no jardim para enfrentar e derrotar a serpente, símbolo do mal que oprime e mata os homens. Ninguém tem poder para prender Jesus ou defendê-lo. Ele é preso porque entrega livremente a própria vida, cumprindo até o fim a missão que o Pai lhe confiou.
* 15-27: O testemunho dado por Jesus está entre as negações de Pedro. Há um contraste de atitudes. Antes Pedro usara a violência e Jesus se entregara livremente. Agora Jesus corajosamente dá testemunho diante das autoridades, sem nada negar de sua atividade anterior; Pedro, ao contrário, nega covardemente sua condição de discípulo e seu passado de adesão a Jesus. Jesus terminou o tempo da sua atividade terrestre. Agora seu testemunho deve ser continuado pelos seus seguidores.
* 28-32: Os representantes do poder religioso e do poder político se encontram para resolver o caso Jesus de Nazaré. É a véspera da Páscoa, a festa da libertação, transformada agora em mero rito. As autoridades dos judeus já decidiram a morte de Jesus: querem apenas a aprovação de Pilatos.
* 33-38a: Jesus confirma que é rei. Sua realeza, porém, não é semelhante à dos poderosos deste mundo. Estes exploram e oprimem o povo, enganando-o com um sistema de ideias, para esconder sua ação. É o mundo da mentira. Jesus, ao contrário, é o Rei que dá a vida, trazendo aos homens o conhecimento do verdadeiro Deus e do verdadeiro homem. Seu reino é o reino da verdade, onde a exploração dá lugar à partilha, e a opressão dá lugar à fraternidade.
* 38b-40: O bandido Barrabás é símbolo da violência que busca o poder, que perpetua o modo de ser dos reinos deste mundo. As autoridades preferem Barrabás, porque a pessoa de Jesus põe em risco os reinos deste mundo.
* 19,1-3: Jesus é caricaturado como rei (coroa e manto vermelho). Caçoando de Jesus assim fantasiado, os soldados na verdade ridicularizam o ideal de realeza dos poderosos deste mundo.
* 4-8: Manifesta-se agora a verdadeira realeza, a do Homem que entrega sua própria vida pelos outros homens. Os opressores o rejeitam e pedem sua morte, acusando-o do crime que é justamente a verdade mais profunda do Homem: ser Filho de Deus. Como instrumento do poder, a lei torna-se inimiga do homem.
* 9-12a: Jesus não se aproveita do medo supersticioso de Pilatos para conseguir sua liberdade. Os chefes dos judeus veem Jesus como perigoso para seus interesses e aliam-se ao opressor, exigindo a sentença de morte. O dilema de Pilatos é o dilema do homem dependente do sistema injusto de poder: ou arrisca a própria posição ou sacrifica o inocente. Deus, o único que tem autoridade absoluta, permite que Pilatos e os chefes judeus tomem a decisão e assumam a responsabilidade.
* 12b-16a: Ao meio-dia, os sacerdotes do templo começavam a matança dos cordeiros para a Páscoa, festa que celebrava o fim da escravidão no Egito. No mesmo instante, os chefes dos sacerdotes fazem sua profissão de ateísmo, declarando-se súditos do opressor romano. Sentado na cadeira de juiz, Jesus ratifica em silêncio a condenação que os chefes escolhem para si próprios.
* 16b-18: A cruz é o trono de onde Jesus exerce a sua realeza. Ele não está só, mas é o centro daqueles que o acompanham, dando a vida como ele.
* 19-22: O letreiro apresenta Jesus crucificado como a Escritura da nova aliança de Deus com a humanidade: Jesus é o Rei que entrega sua vida por todos. Doravante, a cruz será o símbolo do amor de Deus, que vai até o fim. A nova Escritura é compreensível a todos, porque a linguagem do amor é universal e permanece escrita para sempre.
* 23-24: A roupa de Jesus é a sua herança, espalhada pelos quatro cantos da terra. Deverá ser vestida por todos os que querem seguir a Jesus, tornando-se seus herdeiros na prática do serviço ao homem, dando até mesmo a própria vida. Apesar de espalhadas por todos os tempos e lugares, as comunidades cristãs participarão de um só e mesmo Espírito, o Espírito que guiou toda a atividade de Jesus.
* 25-27: A mãe de Jesus representa aqui o povo da antiga aliança que se conservou fiel às promessas e espera pelo salvador. E o discípulo amado representa o novo povo de Deus, formado por todos os que dão sua adesão a Jesus. Na relação mãe-filho, o evangelista mostra a unidade e continuação do povo de Deus, fiel à promessa e herdeiro da sua realização.
* 28-30: O projeto de Deus a respeito do homem se completa na morte de Jesus, sinal do seu dom de amor até o fim. O Espírito que Jesus entrega é o mesmo que o conduziu em toda a sua atividade. Ele realiza o reino universal e constitui o novo povo de Deus, que continuará a obra de Jesus.
* 31-37: Morto na cruz, Jesus é o grande sinal, o ápice de todos os sinais narrados pelo evangelista. O sangue simboliza a morte; a água simboliza o Espírito que dá a vida: com sua morte Jesus trouxe a vida. Captar e testemunhar este sinal é questão decisiva, pois só através dele a história do homem vai encontrar a possibilidade de chegar à sua plenitude, dando lugar à sociedade livre e fraterna. É acreditando na vida de Jesus que o cristão continua a obra libertadora por ele iniciada.
* 38-42: O drama da paixão termina da mesma forma que havia começado: Jesus está dentro do jardim do paraíso. Tendo vencido a serpente, Jesus abre de novo para o homem a possibilidade de se realizar plenamente na comunhão com Deus.
Temos aqui uma questão crucial para o cristão: ou ele acredita em Jesus vivo hoje e dá testemunho, ou vê Jesus como vítima derrotada e sepultada no passado. Então fica paralisado diante da violência dos poderosos, e não é capaz de dar o testemunho de Jesus.
A narrativa do julgamento, condenação e morte de Jesus, segundo o Evangelho de João, mostra como Jesus enfrenta as forças que se opõem ao seu projeto. O justo é julgado e condenado pelas forças do mal. O relato inicia num jardim, como em Gênesis. Adão não resistiu às forças do mal, ao passo que Jesus não se rende e assume livremente o caminho do Calvário. A morte de Jesus não é vontade ou desejo de Deus, mas é consequência de sua fidelidade ao Pai. A cruz (castigo dos criminosos) demonstra a crueldade da inteligência humana inclinada ao pecado. Suas últimas palavras – tudo está consumado – revelam que a missão dele chega ao fim e ele foi fiel ao Pai ao extremo. Entregar o espírito significa colocar nas mãos de Deus sua vida e os projetos que realizou ao longo de sua vida em favor dos mais necessitados. Jesus entrega tudo ao Pai. Ao celebrar a paixão de Jesus, expressamos a rejeição da injustiça e nos solidarizamos com os injustiçados do mundo de hoje.
Hebreus 4, 14-16; 5, 7-9 Fidelidade e fé em Jesus.
14 Nós temos um sumo sacerdote eminente, que atravessou os céus: Jesus, o Filho de Deus. Por isso, mantenhamos firme a fé que professamos.
Jesus é misericordioso com os homens -* 15 De fato, não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado como nós, em todas as coisas, menos no pecado. 16 Portanto, aproximemo-nos do trono da graça com plena confiança, a fim de alcançarmos misericórdia, encontrarmos graça e sermos ajudados no momento oportuno.
7 Durante a sua vida na terra, Cristo fez orações e súplicas a Deus, em alta voz e com lágrimas, ao Deus que o podia salvar da morte. E Deus o escutou, porque ele foi submisso. 8 Embora sendo Filho de Deus, aprendeu a ser obediente através de seus sofrimentos. 9 E, depois de perfeito, tornou-se a fonte da salvação eterna para todos aqueles que lhe obedecem. 10 De fato, ele foi proclamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem do sacerdócio de Melquisedec.
Comentário:
* 3,7-4,14: Após uma exposição sobre a fidelidade de Jesus, o autor faz longa exortação, mostrando que os cristãos devem ser fiéis, professando a fé em Jesus. Moisés e Josué não conseguiram introduzir o povo no descanso de Deus, porque o povo se revoltou e foi infiel a Deus tanto no deserto como em Canaã. Jesus é o novo Josué, é o guia do novo povo de Deus. Ele alcançou a verdadeira terra prometida, o verdadeiro descanso. Os cristãos não devem ser infiéis, como o povo israelita no deserto, mas acreditar em Jesus e segui-lo, para também eles chegarem ao descanso prometido.
* 4,15-5,10: Os cristãos não devem temer a Jesus, mas aproximar-se dele confiantes, certos de sua acolhida misericordiosa. A figura do sumo sacerdote se realiza plenamente em Jesus, de modo superior ao sacerdócio de Aarão e de qualquer liturgia terrena. Cristo atravessou o céu (4,14) e, ressuscitado, vive para sempre aquela “justa compaixão” que testemunhou aos homens no momento da Paixão. Como Filho, e do mesmo modo que o misterioso Melquisedec, Jesus se empenha para sempre, com toda a sua pessoa, na súplica e no sacrifício. A Paixão é vista aqui como a mais solene prece de intercessão e o mais sublime ato de obediência.
Os vv. 9-10 anunciam o tema da próxima parte: levado à perfeição, Jesus tornou-se o princípio de salvação eterna, pois recebeu de Deus o título de sumo sacerdote.
quarta-feira, 1 de abril de 2026
João 13, 1-15 Jesus veio para servir.
-* 1 Antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que tinha chegado a sua hora. A hora de passar deste mundo para o Pai. Ele, que tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. 2 Durante a ceia, o diabo já tinha posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, o projeto de trair Jesus. 3 Jesus sabia que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos. Sabia também que tinha saído de junto de Deus e que estava voltando para Deus.
4 Então Jesus se levantou da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5 Colocou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando com a toalha que tinha na cintura. 6 Chegou a vez de Simão Pedro. Este disse: “Senhor, tu vais lavar os meus pés?” 7 Jesus respondeu: “Você agora não sabe o que estou fazendo. Ficará sabendo mais tarde.” 8 Pedro disse: “Tu não vais lavar os meus pés nunca!” Jesus respondeu: “Se eu não o lavar, você não terá parte comigo.” 9 Simão Pedro disse: “Senhor, então podes lavar não só os meus pés, mas até as mãos e a cabeça.” 10 Jesus falou: “Quem já tomou banho, só precisa lavar os pés, porque está todo limpo. Vocês também estão limpos, mas nem todos.” 11 Jesus sabia quem o iria trair; por isso é que ele falou: “Nem todos vocês estão limpos.”
Quem segue Jesus deve servir - 12 Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto, sentou-se de novo e perguntou: “Vocês compreenderam o que acabei de fazer? 13 Vocês dizem que eu sou o Mestre e o Senhor. E vocês têm razão; eu sou mesmo. 14 Pois bem: eu, que sou o Mestre e o Senhor, lavei os seus pés; por isso vocês devem lavar os pés uns dos outros. 15 Eu lhes dei um exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz.
Comentário:
* 1-17: A morte de Jesus abre a passagem para o Pai, e testemunha o amor supremo que mostra o sentido de toda a sua vida. O gesto de Jesus é ensinamento: a autoridade só pode ser entendida como função de serviço aos outros. Pedro resiste, porque ainda acredita que a desigualdade é legítima e necessária, e não entende que o amor produz igualdade e fraternidade. Na comunidade cristã existe diferença de funções, mas todas elas devem concorrer para que o amor mútuo seja eficaz. Já não se justifica nenhum tipo de superioridade, mas somente a relação pessoal de irmãos e amigos.
Justamente no aconchego fraterno de uma ceia acontece a traição por parte de um dos discípulos. Durante a ceia, Jesus realiza um gesto inusitado, lava os pés dos apóstolos. Segundo o relato de João, a instituição da Eucaristia acontece com o gesto de lavar os pés dos discípulos. Lavar os pés é símbolo de humildade e de serviço aos irmãos e irmãs. Da Eucaristia brota o serviço fraterno em favor daqueles que necessitam. O serviço aos irmãos não é algo secundário, mas é memorial daquilo que o Mestre fez em favor dos discípulos e discípulas. Ele nos deu o exemplo para que nós também sigamos no serviço de doação. A reação de Pedro mostra que ele não está disposto a assumir o projeto de Jesus, que propõe uma comunidade de iguais, onde não há privilegiados.
1 Coríntios 11, 23-26 Eucaristia e coerência.
23 De fato, eu recebi pessoalmente do Senhor aquilo que transmiti para vocês. Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão 24 e, depois de dar graças, o partiu e disse: “Isto é o meu corpo que é para vocês; façam isto em memória de mim.” 25 Do mesmo modo, após a Ceia, tomou também o cálice, dizendo: “Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que vocês beberem dele, façam isso em memória de mim.” 26 Portanto, todas as vezes que vocês comem deste pão e bebem deste cálice, estão anunciando a morte do Senhor, até que ele venha.
Comentário:
* 17-34: O texto é o mais antigo testemunho sobre a Eucaristia: foi escrito no ano 56, dez anos antes dos Evangelhos. No início, a celebração eucarística se fazia depois de uma ceia, onde todos repartiam os alimentos que cada um levava. Em Corinto surge um problema: nas celebrações está havendo divisão de classes sociais e de mentalidades diferentes. Muitos chegam atrasados, provavelmente porque estavam trabalhando, e não encontram mais nada. Resultado: em vez de ser um testemunho de partilha, a celebração está se tornando lugar de ostentação, foco de discriminação e contrastes gritantes. A situação oferece oportunidade para um discernimento: quem é cristão de fato?
Nesse contexto, Paulo relembra a instituição da Eucaristia. Ela é a memória permanente da morte de Jesus como dom de vida para todos (corpo e sangue). A Eucaristia é a celebração da Nova Aliança, isto é, da nova humanidade que nasce da participação no ato de Jesus, não só no culto, mas na vida prática. Por isso, a comunidade que celebra a Eucaristia anuncia o futuro de uma reunião de toda a humanidade.
Voltando ao problema, Paulo interpela a comunidade a examinar-se: Não será uma incoerência celebrar a Eucaristia quando na própria celebração se fazem distinções e se marginalizam os mais pobres? Anteriormente (10,17), Paulo salientara que, ao participar da Eucaristia, a comunidade forma um só corpo. Se a comunidade não entender isso (“sem discernir o Corpo”, v. 29), estará celebrando a sua própria condenação, pois desligará a Eucaristia do seu antecedente e de suas consequências práticas: solidariedade e partilha.
O julgamento do Senhor se manifesta de dois modos: a própria Eucaristia se torna testemunho contra a comunidade; ao mesmo tempo, a fraqueza, doença e morte de muitos membros testemunham a falta de partilha e solidariedade.
Paulo termina com duas orientações práticas: esperar que todos cheguem para começar juntos a reunião (v. 33), e não transformá-la em ocasião de ostentação e gula (vv. 21 e 34).
Mateus 26, 14-25 O Messias vai ser morto.
14 Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi aos chefes dos sacerdotes, 15 e disse: “O que é que vocês me darão para eu entregar Jesus a vocês?” Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16 E a partir desse momento, Judas procurava uma boa oportunidade para entregar Jesus.
O novo Cordeiro pascal -* 17 No primeiro dia dos ázimos, os discípulos se aproximaram de Jesus, e perguntaram: “Onde queres que façamos os preparativos para comermos a Páscoa?” 18 Jesus respondeu: “Vão à cidade, procurem certo homem, e lhe digam: ‘O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo, eu vou celebrar a Páscoa em sua casa, junto com os meus discípulos.’ “ 19 Os discípulos fizeram como Jesus mandou, e prepararam a Páscoa. 20 Ao cair da tarde, Jesus se pôs à mesa, com os doze discípulos. 21 Enquanto comiam, Jesus disse: “Eu lhes garanto: um de vocês vai me trair.” 22 Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: “Senhor, será que sou eu?” 23 Jesus respondeu: “Quem vai me trair, é aquele que comigo põe a mão no prato. 24 O Filho do Homem vai morrer, conforme a Escritura fala a respeito dele. Porém, ai daquele que trair o Filho do Homem. Seria melhor que nunca tivesse nascido!” 25 Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, será que sou eu?” Jesus lhe respondeu: “É como você acaba de dizer.”
Comentário:
* 26,1-16: Cf. nota em Mc 14,14,1-11: A atividade de Jesus vai levá-lo à morte. Entre a conspiração das autoridades e a decisão que Judas toma de trair Jesus, temos o gesto significativo de uma mulher: reconhecendo o verdadeiro sentido da pessoa de Jesus, ela o unge como Messias (unção na cabeça) que vai morrer. O que ela faz é mais importante do que dar esmola aos pobres: não é possível realmente fazer o bem a eles a não ser dentro do projeto de Jesus. A ausência física de Jesus será depois ocupada pelos pobres, que se tornarão sacramento da presença dele.
* 17-25: Cf. nota em Mc 14, 12-21: A celebração da Páscoa marcava a noite em que o povo de Deus foi libertado da escravidão do Egito. Jesus vai ser morto como o novo cordeiro pascal: sua vida e morte são o início de novo modo de vida, no qual não haverá mais escravidão do dinheiro e do poder.
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