terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Marcos 6, 1-6 O escândalo da encarnação.

* 1 Jesus foi para Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. 2 Quando chegou o sábado, Jesus começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde vem tudo isso? Onde foi que arranjou tanta sabedoria? E esses milagres que são realizados pelas mãos dele? 3 Esse homem não é o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? E suas irmãs não moram aqui conosco?” E ficaram escandalizados por causa de Jesus. 4 Então Jesus dizia para eles que um profeta só não é estimado em sua própria pátria, entre seus parentes e em sua família. 5 E Jesus não pôde fazer milagres em Nazaré. Apenas curou alguns doentes, pondo as mãos sobre eles. 6 E Jesus ficou admirado com a falta de fé deles. Comentário: * 6,1-6a: Os conterrâneos de Jesus se escandalizam: não querem admitir que alguém como eles possa ter sabedoria superior à dos profissionais e realize ações que indiquem uma presença de Deus. Para eles, o empecilho para a fé é a encarnação: Deus feito homem, situado num contexto social. Marcos descreve o desprezo e a incredulidade dos conterrâneos de Jesus. Na pequena cidade de Nazaré, que na época teria menos de mil habitantes, certamente todos se conheciam e conheciam Jesus, que ali cresceu. Segundo a tradição, após a volta do Egito, quando Jesus tinha cerca de três anos, foi em Nazaré que a Sagrada Família se instalou. Jesus certamente seguiu o pai José no ofício da carpintaria, circulando por toda a vila para realizar os trabalhos com a madeira, muito comuns na época. Talvez por conhecerem tão bem a humanidade de Jesus, eles tenham dificuldade em reconhecer sua divindade. Jesus, que já tinha rompido os laços sanguíneos, indicando que agora tem uma nova família, rompe agora seus laços com a pequena Nazaré, mostrando que sua missão não se limita a determinado espaço e tempo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Marcos 5, 21-43 Restaurar os homens na vida total.

* 21 Jesus atravessou de barca novamente para o outro lado do mar. Uma numerosa multidão se reuniu junto dele, e Jesus ficou na praia. 22 Aproximou-se um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Quando viu Jesus, caiu a seus pés, 23 e pediu com insistência: “Minha filhinha está morrendo. Vem e põe as mãos sobre ela, para que sare e viva.” 24 Jesus acompanhou Jairo. E numerosa multidão o seguia e o apertava de todos os lados. 25 Aí chegou uma mulher que sofria de hemorragia já há doze anos; 26 tinha padecido na mão de muitos médicos, gastou tudo o que tinha e, em vez de melhorar, piorava sempre mais. 27 A mulher tinha ouvido falar de Jesus. Então ela foi no meio da multidão, aproximou-se de Jesus por trás e tocou na roupa dele, 28 porque pensava: “Ainda que eu toque só na roupa dele, ficarei curada.” 29 A hemorragia parou imediatamente. E a mulher sentiu no corpo que estava curada da doença. 30 Jesus percebeu imediatamente que uma força tinha saído dele. Então virou-se no meio da multidão e perguntou: “Quem foi que tocou na minha roupa?” 31 Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te aperta e ainda perguntas: ‘quem me tocou?’”32 Mas Jesus ficou olhando em volta para ver quem tinha feito aquilo. 33 A mulher, cheia de medo e tremendo, percebeu o que lhe havia acontecido. Então foi, caiu aos pés de Jesus e contou toda a verdade. 34 Jesus disse à mulher: “Minha filha, sua fé curou você. Vá em paz e fique curada dessa doença.” 35 Jesus ainda estava falando, quando chegaram algumas pessoas da casa do chefe da sinagoga e disseram a Jairo: “Sua filha morreu. Por que você ainda incomoda o Mestre?” 36 Jesus ouviu a notícia e disse ao chefe da sinagoga: “Não tenha medo; apenas tenha fé!” 37 E Jesus não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e seu irmão João. 38 Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu a confusão e ouviu as pessoas chorando e gritando. 39 Jesus entrou e disse: “Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu. Ela está apenas dormindo.” 40 As pessoas começaram a zombar dele. Mas Jesus mandou que todos saíssem, menos o pai e a mãe da menina, e os três discípulos que o acompanhavam. Depois entraram no quarto onde a menina estava. 41 Jesus pegou a menina pela mão e disse: “Talita cúmi”, que quer dizer: “Menina, - eu lhe digo - levante-se!” 42 A menina levantou-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos. E todos ficaram muito admirados. 43 Jesus recomendou com insistência que ninguém ficasse sabendo disso. E mandou dar comida para a menina. Comentário: * 21-43: Toda mulher menstruada ou sofrendo corrimento de sangue, era considerada impura (Lv 15,19.25), e impuros ficavam também os que fossem tocados por ela. A fé em Jesus faz que essa mulher viole a Lei e seja curada. A missão de Jesus é restaurar os homens na vida total: não só libertá-los da doença que os diminui e exclui do convívio social, mas também salvá-los da morte, que os exclui da vida antes do tempo. Enquanto se encaminhava para atender ao pedido de um chefe da sinagoga chamado Jairo, Jesus encontra ao longo do percurso diversas outras pessoas que também precisam ser curadas, de modo particular uma mulher, cujo nome Marcos não apresenta, mas indica o mal de que sofria há doze anos. O simples fato de tocar o Mestre é suficiente para a mulher ser curada. Eis um exemplo de fé verdadeira. A simples presença de Jesus cura e salva. E como Jesus prometeu estar sempre ao nosso lado, até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20), sempre que precisarmos do seu auxílio e conforto, basta termos fé que ele agirá.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Lucas 2, 22-40 O Messias é pobre.

22 Terminados os dias da purificação deles, conforme a Lei de Moisés, levaram o menino para Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor, 23 conforme está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito de sexo masculino será consagrado ao Senhor.” 24 Foram também para oferecer em sacrifício um par de rolas ou dois pombinhos, conforme ordena a Lei do Senhor. O Messias, sinal de contradição -* 25 Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Era justo e piedoso. Esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava com ele. 26 O Espírito Santo tinha revelado a Simeão que ele não morreria sem primeiro ver o Messias prometido pelo Senhor. 27 Movido pelo Espírito, Simeão foi ao Templo. Quando os pais levaram o menino Jesus, para cumprirem as prescrições da Lei a respeito dele, 28 Simeão tomou o menino nos braços, e louvou a Deus, dizendo: 29 “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar o teu servo partir em paz. 30 Porque meus olhos viram a tua salvação, 31 que preparaste diante de todos os povos: 32 luz para iluminar as nações e glória do teu povo, Israel.” 33 O pai e a mãe estavam maravilhados com o que se dizia do menino. 34 Simeão os abençoou, e disse a Maria, mãe do menino: “Eis que este menino vai ser causa de queda e elevação de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 35 Quanto a você, uma espada há de atravessar-lhe a alma. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações.” 36 Havia também uma profetisa chamada Ana, de idade muito avançada. Ela era filha de Fanuel, da tribo de Aser. Tinha-se casado bem jovem, e vivera sete anos com o marido. 37 Depois ficou viúva, e viveu assim até os oitenta e quatro anos. Nunca deixava o Templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. 38 Ela chegou nesse instante, louvava a Deus, e falava do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39 Quando acabaram de cumprir todas as coisas, conforme a Lei do Senhor, voltaram para Nazaré, sua cidade, que ficava na Galileia. 40 O menino crescia e ficava forte, cheio de sabedoria. E a graça de Deus estava com ele. Comentário: * 21-24: Todo primogênito pertencia a Deus, e devia ser resgatado por meio de um sacrifício. Nessa ocasião, também se fazia a purificação da mãe, e se oferecia um cordeiro. Quem era pobre podia oferecer duas rolas ou dois pombinhos, em lugar do cordeiro (cf. Lv 5,1-8). O Messias nasce como dominado, em lugar pobre, e vem pobre, para os pobres. * 25-40: Simeão e Ana também representam os pobres que esperam a libertação. E Deus responde à esperança deles. O cântico de Simeão relembra a vida e missão do Messias: Jesus será sinal de contradição, isto é, julgamento para os ricos e poderosos, e libertação para os pobres e oprimidos (cf. Lc 6,20-26). A narração da apresentação de Jesus no templo de Jerusalém comprova que Jesus, verdadeiro Deus, é também verdadeiro homem, nascido de uma mulher e submetido à Lei. Exatamente por isso, após os quarenta dias que indicavam o tempo de purificação da mulher que deu à luz um filho, ela e o menino vão ao templo, conduzidos pelo fiel e justo José, para cumprir as práticas indicadas pela Lei, ou seja, consagrar o primogênito a Deus e oferecer o sacrifício de purificação. A indicação de que oferecem dois pombinhos confirma a origem pobre da família de Nazaré, pois os ricos da época ofereciam um cordeiro (cf. Lv 12).

sábado, 31 de janeiro de 2026

Mateus 5, 1-12 Bem-aventuranças: anseio por um mundo novo.

* 1 Jesus viu as multidões, subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos se aproximaram, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. 4 Felizes os aflitos, porque serão consolados. 5 Felizes os mansos, porque possuirão a terra. 6 Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. 8 Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. 11 Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim. 12 Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vocês.” Comentário: * 1-12: As bem-aventuranças são o anúncio da felicidade, porque proclamam a libertação, e não o conformismo ou a alienação. Elas anunciam a vinda do Reino através da palavra e ação de Jesus. Estas tornam presente no mundo a justiça do próprio Deus. Justiça para aqueles que são inúteis ou incômodos para uma estrutura de sociedade baseada na riqueza que explora e no poder que oprime. Os que buscam a justiça do Reino são os “pobres em espírito.” Sufocados no seu anseio pelos valores que a sociedade injusta rejeita, esses pobres estão profundamente convictos de que eles têm necessidade de Deus, pois só com Deus esses valores podem vigorar, surgindo assim uma nova sociedade. Jesus se dirige às multidões e aos seus discípulos para lhes transmitir uma mensagem de felicidade e confiança. Ao sentar-se, o Mestre toma posição de quem ensina e forma seus discípulos para continuarem a missão pelo mundo. Apresenta aos ouvintes as propostas fundamentais do seu Reino: felicidade e compromisso. São as conhecidas bem-aventuranças ou felicidade evangélica. Não são um anúncio de acomodação, ao contrário, convocam para o não conformismo, para uma busca dos valores do Reino de Deus. A palavra hebraica para “feliz” (ashrei) denota busca do fundamental para uma vida digna. Nem é uma tentativa de tranquilizar os pobres para se manterem assim e depois ganharem o céu. A presença de pobres, aflitos, famintos e perseguidos é sinal de que a proposta do Reinado de Jesus está longe de ser concretizada. As bem-aventuranças incentivam as pessoas a superarem a situação de miséria e sofrimento, como Jesus demonstrou com sua prática, libertando as pessoas de seus males.

1 Coríntios 1, 26-31 Deus subverte os projetos humanos.

26 Portanto, irmãos, vocês que receberam o chamado de Deus, vejam bem quem são vocês: entre vocês não há muitos intelectuais, nem muitos poderosos, nem muitos de alta sociedade.27 Mas, Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e Deus escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte. 28 E aquilo que o mundo despreza, acha vil e diz que não tem valor, isso Deus escolheu para destruir o que o mundo pensa que é importante. 29 Desse modo, nenhuma criatura pode se orgulhar na presença de Deus. 30 Ora, é por iniciativa de Deus que vocês existem em Jesus Cristo, o qual se tornou para nós sabedoria que vem de Deus, justiça, santificação e libertação, 31 a fim de que, como diz a Escritura: “Aquele que se gloria, que se glorie no Senhor”. Comentário: * 17-31: O projeto de Deus é contrário aos projetos dos homens. Os homens valorizam e dão lugar aos ricos, aos poderosos, aos intelectuais, aos que têm “status”, beleza física, facilidade de expressão etc. Consequentemente, desprezam e não dão importância àqueles que não se encaixam nesses padrões. Deus, porém, subverte a sociedade e os projetos humanos: para estabelecer e realizar os seus projetos, ele se alia aos pobres, fracos e simples, porque estes não são autossuficientes e se abrem para Deus. É na pobreza e fraqueza destes que Deus manifesta a sua força (cf. 2Cor 12,9). E a manifestação máxima do poder e da graça de Deus é Jesus crucificado, pois a cruz é o símbolo da fraqueza, do fracasso e da vergonha, porque nela eram executados os criminosos. A verdadeira comunidade cristã é a dos pobres: ela está aliada à sabedoria do projeto de Deus; por isso, é portadora da novidade que provoca transformações radicais.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Marcos 4, 35-41 Jesus é o Senhor da história.

* 35 Nesse dia, quando chegou a tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para o outro lado do mar.” 36 Então os discípulos deixaram a multidão e o levaram na barca, onde Jesus já se encontrava. E outras barcas estavam com ele. 37 Começou a soprar um vento muito forte, e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já estava se enchendo de água. 38 Jesus estava na parte de trás da barca, dormindo com a cabeça num travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, não te importa que nós morramos?” 39 Então Jesus se levantou e ameaçou o vento e disse ao mar: “Cale-se! Acalme-se!” O vento parou e tudo ficou calmo. 40 Depois Jesus perguntou aos discípulos: “Por que vocês são tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?” 41 Os discípulos ficaram muito cheios de medo e diziam uns aos outros: “Quem é esse homem, a quem até o vento e o mar obedecem?” Comentário: * 35-41: Jesus atravessa com os discípulos para a terra dos pagãos. O mar agitado é símbolo das nações pagãs que ameaçam destruir a comunidade cristã. Mas Jesus é o Senhor da história e dos povos. O medo dos discípulos é sinal da falta de fé: eles não conseguem ver que a ação de Jesus transforma as situações. Após recorrer a parábolas para transmitir sua Palavra, Jesus realiza uma série de milagres descritos por Marcos com grande riqueza de detalhes e distribuídos ao longo de um dia, símbolo do trabalho constante de Jesus para semear no mundo o seu Reino. O primeiro milagre revela a sua autoridade divina, fazendo calar a tempestade. Uma ação espontânea para Jesus, mas que causa admiração e surpresa, demonstrando que os apóstolos ainda não o conhecem plenamente e não amadureceram na fé. O próprio fato de terem medo da tempestade enquanto Jesus está com eles é sinal de falta de fé. Hoje sabemos que, com Jesus ao nosso lado, somos capazes de superar qualquer adversidade ou intempérie que o mundo nos impõe. Você concorda?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Marcos 4, 26-34 A missão de Jesus é irresistível.

* 26 E Jesus continuou dizendo: “O Reino de Deus é como um homem que espalha a semente na terra. 27 Depois ele dorme e acorda, noite e dia, e a semente vai brotando e crescendo, mas o homem não sabe como isso acontece. 28 A terra produz fruto por si mesma: primeiro aparecem as folhas, depois a espiga e, por fim, os grãos enchem a espiga. 29 Quando as espigas estão maduras, o homem corta com a foice, porque o tempo da colheita chegou.” A missão atinge o mundo inteiro -* 30 Jesus dizia ainda: “Com que coisa podemos comparar o Reino de Deus? Que parábola podemos usar? 31 O Reino é como uma semente de mostarda, que é a menor de todas as sementes da terra. 32 Mas, quando é semeada, a mostarda cresce e torna-se maior que todas as plantas; ela dá ramos grandes, de modo que os pássaros do céu podem fazer ninhos em sua sombra.” 33 Jesus anunciava a Palavra usando muitas outras parábolas como essa, conforme eles podiam compreender. 34 Para a multidão Jesus só falava com parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, ele explicava tudo. Comentário: * 26-29: A missão de Jesus é portadora do Reino de Deus e da transformação que ele provoca. Uma vez iniciada, a ação de Jesus cresce e produz fruto de maneira imprevisível e irresistível. * 30-34: Diante das estruturas e ações deste mundo, a atividade de Jesus e daqueles que o seguem parece impotente, e mesmo ridícula. Mas ela crescerá, até atingir o mundo inteiro. Diante de pessoas simples, muitas delas agricultores, Jesus recorre aos símbolos da terra para explicar as coisas do céu; a elementos visíveis e próximos para fazê-los compreender realidades invisíveis e eternas. Fala da semente que, uma vez lançada na terra, germina e cresce espontaneamente; e do grão de mostarda, que se transforma na maior das hortaliças conhecidas na época. O Reino de Deus age do mesmo modo: após ser semeado por Jesus e seus discípulos (e por nós, hoje), crescerá infinitas vezes, envolvendo todo o mundo e abrigando todas as pessoas sob a sua sombra.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Marcos 4, 21-25 Ouvir e agir.

* 21 Jesus continuou: “Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha ou debaixo da cama? Não a coloca no candeeiro? 22 Com efeito, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. 23 Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.” 24 E Jesus dizia ainda: “Prestem atenção no que vocês ouvem: com a mesma medida com que vocês medirem, também vocês serão medidos; e será dado ainda mais para vocês. 25 Para aquele que tem alguma coisa, será dado ainda mais; para aquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem.” Comentário: * 21-25: A libertação iniciada por Jesus não é para ser abafada ou ficar escondida, mas para se tornar conhecida e contagiar a todos. Quem acolhe a Boa Notícia, aprende a ver e agir de acordo com a visão e a ação de Jesus. E a compreensão vai aumentando à medida que se age. Quem não age, perde até mesmo a pouca compreensão que já tem. Mais do que palavras, o Evangelho de hoje propõe alguns ditos de Jesus em forma de provérbios sapienciais. Como o Evangelho é uma recolha posterior das palavras e ações de Jesus, provavelmente estes provérbios eram utilizados com frequência pelo Mestre, para tocar profundamente o coração de seus ouvintes, na sua maioria povo simples e pobre. Jesus recorre a provérbios conhecidos para gravar mais facilmente na mente dos que o seguiam as verdades fundamentais da sua Boa-nova. O ensinamento que Jesus transmite não pode ser uma lâmpada colocada debaixo de uma vasilha, ou ser ouvido sem atenção. Seria pregação inútil e estéril. Não! Suas palavras devem se transformar em luz e vida. Devem gerar frutos, multiplicando os dons que cada um possui. Todo aquele que as escutar será transformado e passará a ter sua vida medida pelos seus efeitos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Marcos 4, 1-20 Jesus terá êxito na sua missão.

* 1 Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galileia. Uma multidão se reuniu em volta dele. Por isso, Jesus entrou numa barca e sentou-se. A barca estava no mar, enquanto a multidão estava junto ao mar, na praia. 2 Jesus ensinava-lhes muitas coisas com parábolas. No seu ensinamento dizia para eles: 3 “Escutem. Um homem saiu para semear. 4 Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; os passarinhos foram e comeram tudo. 5 Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda. 6 Porém, quando saiu o sol, os brotos se queimaram e secaram, porque não tinham raiz. 7 Outra parte caiu no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto. 8 Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, brotando e crescendo: rendeu trinta, sessenta e até cem por um.” 9 E Jesus dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!” O mistério da missão de Jesus -* 10 Quando Jesus ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram o que significavam as parábolas. 11 Jesus disse para eles: “Para vocês, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora tudo acontece em parábolas, 12 para que olhem, mas não vejam, escutem, mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados.” Os homens diante da missão de Jesus -* 13 Jesus lhes perguntou: “Vocês não compreendem essa parábola? Como então vão compreender todas as outras parábolas? 14 O semeador semeia a Palavra. 15 Os que estão à beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a ouvem, chega Satanás e tira a Palavra que foi semeada neles. 16 Do mesmo modo, os que recebem a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e a recebem com alegria; 17 mas eles não têm raiz em si mesmos: são inconstantes, e, quando chega uma tribulação ou perseguição por causa da Palavra, eles logo desistem. 18 Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; 19 mas surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, que sufocam a Palavra, e ela fica sem dar fruto. 20 Por fim, aqueles que receberam a semente em terreno bom, são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um.” Comentário: * 1-9: Apesar de todos os obstáculos, o semeador realiza seu trabalho, confiando na colheita que vai ter. Jesus também: apesar de todas as reações, obstáculos e incompreensões, sua missão chegará ao fim e será bem sucedida. * 10-12: As parábolas são histórias que ajudam a ler e compreender toda a missão de Jesus. Mas é preciso “estar dentro”, isto é, seguir a Jesus, para perceber que o Reino de Deus está se aproximando através de sua ação. Os que não seguem a Jesus ficam “por fora”, e nada podem compreender. * 13-20: A explicação da parábola focaliza os vários terrenos, mostrando o efeito que a missão de Jesus (contada pela palavra do Evangelho) tem sobre os ouvintes ou leitores. Cada pessoa vê e entende a partir do lugar que ocupa na sociedade e das dificuldades que encontra para se comprometer com Jesus e para continuar a ação dele. Estamos diante da primeira de uma série de cinco parábolas de Jesus descritas por Marcos (cf. 4,1-34). A particularidade desta parábola do semeador é que o próprio Jesus explica o seu significado aos discípulos, indicando que essa será a sua estratégia pedagógica para ensinar o povo simples sobre a beleza do Reino e a importância de cada ouvinte fazer germinar no seu coração a palavra-mensagem anunciada.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Marcos 3, 31-35 A verdadeira família de Jesus.

* 31 Nisso chegaram a mãe e os irmãos de Jesus; ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo: 32 Havia uma multidão sentada ao redor de Jesus. Então lhe disseram: “Olha, tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram.” 33 Jesus perguntou: “Quem é minha mãe e meus irmãos?” 34 Então Jesus olhou para as pessoas que estavam sentadas ao seu redor e disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. 35 Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.” Comentário: * 31-35: Enquanto a família segundo a carne está “fora”, a família segundo o compromisso da fé está “dentro”, ao redor de Jesus. Sua verdadeira família é formada por aqueles que realizam na própria vida a vontade de Deus, que consiste em continuar a missão de Jesus. O Evangelho de hoje dá continuidade ao episódio envolvendo os parentes de Jesus, que meditamos no sábado. Naquele trecho, vimos que os familiares procuravam detê-lo porque pensavam que Jesus estava louco. Agora vemos que a mãe e os primos se aproximam de Jesus. É sempre importante recordar que na cultura judaica o termo “irmãos” é utilizado para indicar todos os familiares próximos, sejam eles filhos dos mesmos pais ou dos tios. Ao serem anunciados, é a vez de Jesus refutá-los e afastá-los, não porque despreze sua mãe e seus primos-irmãos, mas porque a sua família agora é outra, composta por todos os que escutam atentamente a sua Palavra e a põem em prática. Os novos irmãos de Jesus partilham os mesmos sentimentos e anseios do Mestre, mais do que seus consanguíneos. Os parentes de sangue que também se colocam no caminho do discipulado obviamente são acolhidos nesta nova família, como sua mãe Maria e seu irmão Tiago, que liderou a comunidade de Jerusalém após a morte de Jesus (cf. Gl 1,19).

domingo, 25 de janeiro de 2026

Lucas 10, 1-9 Os anunciadores do Reino.

-* 1 O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos, e os enviou dois a dois, na sua frente, para toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E lhes dizia: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita. 3 Vão! Estou enviando vocês como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não levem bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não parem no caminho, para cumprimentar ninguém. 5 Em qualquer casa onde entrarem, digam primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 Se aí morar alguém de paz, a paz de vocês irá repousar sobre ele; se não, ela voltará para vocês. 7 Permaneçam nessa mesma casa, comam e bebam do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não fiquem passando de casa em casa. 8 Quando entrarem numa cidade, e forem bem recebidos, comam o que servirem a vocês, 9 curem os doentes que nela houver. E digam ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vocês!’ Comentário: * 1-16: Os discípulos são organizados por Jesus para anunciarem a Boa Notícia no caminho e começarem a realizar os atos que concretizam o Reino. Aqueles que não quiserem aderir à Boa Notícia ficarão fora da nova história. Depois de escolher os doze apóstolos e conviver com eles, Jesus escolhe outros discípulos para irem à sua frente e prepararem o anúncio do Reino. Setenta e dois é o número das nações da terra elencadas no capítulo 10 do livro do Gênesis, portanto significa todos os povos. Esse grupo Jesus envia com orientações bem precisas que revelam a ação missionária da Igreja de todos os tempos: ovelhas no meio de lobos, que renunciam aos bens terrenos para anunciar a paz, curar as enfermidades e semear o Reino de Deus.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Mateus 4, 12-23 A esperança começa na Galileia.

* 12 Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. 13 Deixou Nazaré, e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, nos confins de Zabulon e Neftali, 14 para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15 “Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos que não são judeus! 16 O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e uma luz brilhou para os que viviam na região escura da morte.” 17 Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: “Convertam-se, porque o Reino do Céu está próximo.” Seguir a Jesus é comprometer-se -* 18 Jesus andava à beira do mar da Galileia, quando viu dois irmãos: Simão, também chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam jogando a rede no mar, pois eram pescadores. 19 Jesus disse para eles: “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens.” 20 Eles deixaram imediatamente as redes, e seguiram a Jesus. 21 Indo mais adiante, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca com seu pai Zebedeu, consertando as redes. E Jesus os chamou. 22 Eles deixaram imediatamente a barca e o pai, e seguiram a Jesus. A atividade de Jesus -* 23 Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando a Boa Notícia do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. Comentário: * 12-25: Jesus começa sua atividade na Galileia, região distante do centro econômico, político e religioso do seu país. A esperança da salvação se inicia justamente numa região da qual nada se espera. A pregação de Jesus tem a mesma radicalidade que a de João Batista: é preciso total mudança de vida, porque o Reino do Céu está próximo. * 18-22: Cf. nota em Mc 1,16-20: O chamado dos primeiros discípulos é um convite aberto a todos os que ouvem as palavras de Jesus. Simão e André deixam a profissão; Tiago e João deixam a família... Seguir a Jesus implica deixar as seguranças que possam impedir o compromisso com uma ação transformadora. * 23-25: A atividade de Jesus consiste na palavra (ensinar, pregar) e ação (curar). É atividade dirigida aos mais pobres, necessitados e marginalizados. O conteúdo dela é descrito em Mt 5-9. João Batista saindo de cena, Jesus, após o batismo e a prova no deserto, entra completamente na missão. Começa sua atividade na Galileia, região periférica e distante do centro econômico, político e religioso. Estabelece sua morada em Cafarnaum. A chegada de Jesus é como uma luz que ilumina o povo sofrido que vivia nas trevas da dominação romana. O primeiro apelo do Mestre de Nazaré é um convite ao arrependimento, porque o Reino do Céu está próximo. Jesus não trabalha sozinho, por isso convida pescadores para que o auxiliem na missão. Deixando o trabalho no mar, tornam-se “pescadores de gente”, missão um pouco mais exigente do que simplesmente pescar peixes. Isso significa que não precisamos deixar de fazer o que fazíamos, mas devemos passar a fazê-lo em favor de outros. É através do nosso trabalho e de nossa profissão que podemos ajudar na construção do Reino da justiça. Podemos colaborar com o Mestre, contribuindo para uma vida mais digna e feliz para os outros.

1 Coríntios 1, 10-13.17 Cristo está dividido?

* 10 Eu lhes peço, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo mantenham-se de acordo uns com os outros, para que não haja divisões. Sejam estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar. 11 Meus irmãos, alguns da casa de Cloé me informaram que entre vocês existem brigas. 12 Eu me explico. É que uns dizem: “Eu sou de Paulo!” E outros: “Eu sou de Apolo!” E outros mais: “Eu sou de Pedro!” Outros ainda: “Eu sou de Cristo!” 13 Será que Cristo está dividido? Será que Paulo foi crucificado em favor de vocês? Ou será que vocês foram batizados em nome de Paulo? Deus subverte os projetos humanos -* 17 De fato, Cristo não me enviou para batizar, mas para anunciar o Evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a cruz de Cristo. Comentário: * 10-16: O que faz a unidade da comunidade cristã é o batismo em nome de Jesus e a submissão a ele como único Senhor. Os evangelizadores e líderes são apenas instrumentos para levar a comunidade a Jesus Cristo. Absolutizando as pessoas, ela se divide, submetendo-se a outros senhores e falsificando a função dos líderes. * 17-31: O projeto de Deus é contrário aos projetos dos homens. Os homens valorizam e dão lugar aos ricos, aos poderosos, aos intelectuais, aos que têm “status”, beleza física, facilidade de expressão etc. Consequentemente, desprezam e não dão importância àqueles que não se encaixam nesses padrões. Deus, porém, subverte a sociedade e os projetos humanos: para estabelecer e realizar os seus projetos, ele se alia aos pobres, fracos e simples, porque estes não são autossuficientes e se abrem para Deus. É na pobreza e fraqueza destes que Deus manifesta a sua força (cf. 2Cor 12,9). E a manifestação máxima do poder e da graça de Deus é Jesus crucificado, pois a cruz é o símbolo da fraqueza, do fracasso e da vergonha, porque nela eram executados os criminosos. A verdadeira comunidade cristã é a dos pobres: ela está aliada à sabedoria do projeto de Deus; por isso, é portadora da novidade que provoca transformações radicais.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Marcos 3, 20-21 O pecado sem perdão.

* 20 Jesus foi para casa, e de novo se reuniu tanta gente que eles não podiam comer nem sequer um pedaço de pão. 21 Quando souberam disso, os parentes de Jesus foram segurá-lo, porque eles mesmos estavam dizendo que Jesus tinha ficado louco. Comentário: * 20-30: Em Jesus está presente o Espírito Santo, que o leva à missão de libertar e desalienar os homens. Por isso ele é acusado de estar “possuído por um espírito mau.” Tal acusação é pecado sem perdão. Para os acusadores, o bem é mal, e o mal é bem. Eles, na verdade, estão comprometidos e tiram proveito do mal; por isso, não reconhecem e não aceitam Jesus. Marcos nos apresenta hoje um texto intrigante e curioso: Jesus é incompreendido pela própria família. Em outro momento, o mesmo Jesus reconheceu que “nenhum profeta é bem recebido na própria terra”, mas aqui vemos uma recusa e hostilidade alargada, que envolve seus parentes, a princípio pessoas que o conheciam perfeitamente e sabiam da sua origem divina. Segundo a tradição, nesta ocasião seu pai José já não estava vivo, mas sua mãe Maria sim. Portanto, é estranho acharem que “ele ficou louco” por curar os doentes e anunciar a libertação do pecado. Alguns estudiosos dizem que a tradução correta deveria ser outra, que de fato quem estava “louca” era a multidão, e os familiares tentavam apenas proteger Jesus, afastando-o da multidão fora de controle. Esses parentes provavelmente eram seus tios e primos, que viviam juntos e unidos, seguindo a tradição judaica, marcada pela cultura tribal. Inclusive, a palavra hebraica para designar “irmãos” e “primos” é a mesma: “ach”. Por outro lado, se seguirmos a interpretação tradicional deste episódio, estamos diante do momento em que Jesus rompe os laços de sangue para dar início a uma família muito maior, não marcada pela genética e pelo sangue, mas pela comum vocação de seguidores, tendo no sacramento do batismo o ponto de referência para esta nova filiação divina.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Marcos 3, 13-19 A formação do novo povo de Deus.

* 13 Jesus subiu ao monte e chamou os que desejava escolher. E foram até ele. 14 Então Jesus constituiu o grupo dos Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, 15 com autoridade para expulsar os demônios. 16 Constituiu assim os Doze: Simão, a quem deu o nome de Pedro; 17 Tiago e João, filhos de Zebedeu, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer “filhos do trovão”; 18 André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão o cananeu, 19 e Judas Iscariotes, aquele que depois o traiu. Comentário: * 13-19: Dentre a multidão e os discípulos Jesus escolhe doze. Um pequeno grupo que será o começo de novo povo. A missão desse grupo compreende três atitudes: comprometer-se com Jesus (estar com ele) para anunciar o Reino (pregar), libertando os homens de tudo aquilo que os escraviza e aliena (expulsar os demônios). Dentre todos os seus seguidores e discípulos, Jesus escolhe doze para o acompanharem mais de perto, viverem em comunidade com ele e serem preparados para darem continuidade à sua missão no futuro. O número doze remete às tribos de Jacó, que saíram do Egito e deram início à nação de Israel, simbolizando que a Igreja nascente é o novo povo de Deus, o novo Israel. Entre os doze, temos homens de origens diversas, de diferentes idades e profissões. Temos inclusive um traidor (Judas) e uma “rocha” (Pedro), que assumirá a liderança do grupo e da Igreja nascente por ordem do próprio Cristo. Marcos não nos revela nenhum critério claro nas escolhas de Jesus, nem mesmo os outros evangelistas tocam nesse tema. Simplesmente chamou doze que provavelmente considerou mais disponíveis para a missão, certamente não os doze melhor preparados ou mais justos. É importante compreender isso para perceber que a Igreja não é composta por pessoas “perfeitas”, mas sim por pessoas disponíveis para a missão e para seguir Cristo sempre e em tudo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Marcos 3, 7-12 Jesus e a multidão.

* 7 Jesus se retirou para a beira do mar, junto com seus discípulos. Muita gente da Galileia o seguia. 8 E também muita gente da Judéia, de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e da Sidônia, foi até Jesus, porque tinha ouvido falar de tudo o que ele fazia. 9 Então Jesus pediu aos discípulos que arrumassem uma barca, para ele não ficar espremido no meio da multidão. 10 Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal se jogavam sobre ele para tocá-lo. 11 Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés gritando: “Tu és o Filho de Deus!” 12 Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era. Comentário: * 7-12: Jesus se retira, mas atrai a multidão de todos os lugares. Ele acolhe o povo, mas também toma distância. O projeto de Jesus não pode ser atrapalhado por um assistencialismo que só atende às necessidades imediatas. É preciso destruir pela raiz as estruturas injustas; estas é que produzem todo tipo de necessidades na vida do povo. Em pouco tempo, a fama de Jesus se espalhou e pessoas de todas as regiões vinham ao seu encontro, procurando cura e paz para o coração. Seus milagres atraíam multidões, mas Jesus não queria simplesmente curar; ele veio para salvar a humanidade doente e promover uma nova atitude. Cada pessoa deve compreender isso e ser movida por esse objetivo. Até que todos tenham entendido por si mesmos e pelos sinais que veem, Jesus repreende os espíritos impuros e os proíbe de divulgar quem ele é. Será que hoje, dois milênios depois, conhecendo todas as ações de Jesus, somos capazes de o reconhecer como verdadeiro Messias e Senhor? Ou vemos Jesus apenas como um guru espiritual que faz milagres e fala coisas bonitas? Algo importante para nos questionarmos!

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Marcos 3, 1-6 A lei de Jesus é salvar o homem.

* 1 Jesus entrou de novo na sinagoga, onde estava um homem com a mão seca. 2 Havia aí algumas pessoas espiando, para verem se Jesus ia curá-lo em dia de sábado, e assim poderem acusá-lo. 3 Jesus disse ao homem da mão seca: “Levante-se e fique no meio.” 4 Depois perguntou aos outros: “O que é que a Lei permite no sábado: fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou matá-la?” Mas eles não disseram nada. 5 Jesus então olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eles eram duros de coração. Depois disse ao homem: “Estenda a mão.” O homem estendeu a mão e ela ficou boa. 6 Logo depois, os fariseus saíram da sinagoga e, junto com alguns do partido de Herodes, faziam um plano para matar Jesus. Comentário: * 1-6: Jesus mostra que a lei do sábado deve ser interpretada como libertação e vida para o homem. Ao mesmo tempo, partidos que eram inimigos entre si reúnem-se para planejar a morte desse profeta: afinal, ele está destruindo a ideia de religião e sociedade que eles tinham. O sábado é o dia de repouso absoluto para os israelitas, mas há algumas exceções, como o ato de salvar uma vida em perigo. Jesus alarga a reflexão e questiona se, além de salvar uma vida, não seria permitido também fazer o bem. Na prática, quer mostrar aos seus opositores que existem muitos modos de salvar uma vida. Expulsar um espírito mau ou então curar um paralítico ou um leproso são formas de devolver a vida a uma pessoa que estava excluída da sociedade e limitada em tudo o que fazia. O que Jesus quer mostrar, no fundo, é que a prática religiosa não pode se limitar a uma série de preceitos e ritos, mas deve envolver a vida toda. Somos chamados a fazer o bem o tempo todo, em todas as situações e contextos. Essa é a regra de vida do cristão.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Marcos 2, 23-28 Jesus liberta da lei.

* 23 Num dia de sábado, Jesus estava passando por uns campos de trigo. Os discípulos iam abrindo caminho, e arrancando as espigas. 24 Então os fariseus perguntaram a Jesus: “Vê: por que os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido em dia de sábado?” 25 Jesus perguntou aos fariseus: “Vocês nunca leram o que Davi e seus companheiros fizeram quando estavam passando necessidade e sentindo fome? 26 Davi entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu dos pães oferecidos a Deus e os deu também para os seus companheiros. No entanto só os sacerdotes podem comer desses pães.” 27 E Jesus acrescentou: “O sábado foi feito para servir ao homem, e não o homem para servir ao sábado. 28 Portanto, o Filho do Homem é senhor até mesmo do sábado.” Comentário: * 23-28: O centro da obra de Deus é o homem, e cultuar a Deus é fazer o bem ao homem. Não se trata de estreitar ou alargar a lei do sábado, mas de dar sentido totalmente novo a todas as estruturas e leis que regem as relações entre os homens. Porque só é bom aquilo que faz o homem crescer e ter mais vida. Toda lei que oprime o homem é lei contra a própria vontade de Deus, e deve ser abolida. A prática de Jesus mostra que a verdadeira religião não é simplesmente um conjunto de verdades para professar e de preceitos para observar. Não! A verdadeira religião se fundamenta na doação total da própria vida a Deus, seguindo na vida cotidiana o seu mandamento do amor e imitando, assim, a sua misericórdia e santidade. Esse é o cumprimento pleno da Lei, sem a deturpação gerada por séculos de institucionalização da religião. Jesus é o “Senhor do sábado” porque tem autoridade não apenas para explicar a Lei, mas também para renová-la. Essa nova Lei é a que ele transmitiu aos discípulos ao longo de três anos através de ações e palavras, e que chegou até nós através do Evangelho e do testemunho de todos os discípulos missionários que escreveram a história da Igreja de Cristo.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Marcos 2, 18-22 Jesus provoca ruptura.

* 18 Os discípulos de João Batista e os fariseus estavam fazendo jejum. Então alguns perguntaram a Jesus: “Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus fazem jejum e os teus discípulos não fazem?” 19 Jesus respondeu: “Vocês acham que os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está presente, os convidados não podem fazer jejum. 20 Mas vão chegar dias em que o noivo será tirado do meio deles. Nesse dia eles vão jejuar. 21 Ninguém põe um remendo de pano novo em roupa velha; porque o remendo novo repuxa o pano e o rasgo fica maior ainda. 22 Ninguém coloca vinho novo em barris velhos; porque o vinho novo arrebenta os barris velhos, e o vinho e os barris se perdem. Por isso, vinho novo deve ser colocado em barris novos.” Comentário: * 18-22: O jejum caracterizava o tempo de espera. Mas esse tempo já terminou. Chegou a hora da festa do casamento, isto é, da nova e alegre relação entre Deus e os homens. A atividade de Jesus mostra que o amor de Deus vem para salvar o homem concreto e não para manter as estruturas que sugam o homem. A novidade rompe estas estruturas simbolizadas pela roupa e barril velhos. Jesus não veio para reformar; ele exige mudança radical. No tempo de Jesus, o costume dizia que era preciso jejuar duas vezes por semana. Ora, os discípulos trabalhavam constantemente pela missão ao lado do Mestre, precisando se nutrir, e não faziam os jejuns, sendo criticados pelos fariseus. Em sua pedagogia criativa, Jesus utiliza então três analogias para mostrar aos opositores que há um tempo certo para cada coisa, como ensina o livro de Coélet. Enquanto o noivo (Jesus) estiver no mundo, é tempo de festa e alegria. Depois de sua morte, será tempo de jejum. Mas esse tempo durará pouco, pois logo o Senhor ressuscitará e permanecerá ao nosso lado eternamente. Eis a grande novidade, que não pode ser contida em uma vasilha ou roupa velha. Precisamos nos transformar em pessoas novas (interna e externamente).

sábado, 17 de janeiro de 2026

João 1, 29-34 A testemunha reconhece o Salvador.

* 29 No dia seguinte, João viu Jesus, que se aproximava dele. E disse: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo. 30 Este é aquele de quem eu falei: ‘Depois de mim vem um homem que passou na minha frente, porque existia antes de mim’. 31 Eu também não o conhecia. Mas vim batizar com água, a fim de que ele se manifeste a Israel.” 32 E João testemunhou: “Eu vi o Espírito descer do céu, como uma pomba, e pousar sobre ele. 33 Eu também não o conhecia. Aquele que me enviou para batizar com água, foi ele quem me disse: ‘Aquele sobre quem você vir o Espírito descer e pousar, esse é quem batiza com o Espírito Santo’. 34 E eu vi, e dou testemunho de que este é o Filho de Deus.” Comentário: * 29-34: No idioma dos judeus, a mesma palavra pode significar servo e cordeiro. Jesus é o Servo de Deus, anunciado pelos profetas, aquele que devia sacrificar-se pelos seus irmãos. Também é o verdadeiro Cordeiro, que substitui o cordeiro pascal. João Batista, chamando Jesus de Cordeiro, mostra que ele é o Messias que vem tirar a humanidade da escravidão em que se encontra e conduzi-la a uma vida na liberdade. A Igreja propõe para este segundo domingo do Tempo Comum um texto do Evangelho de João. A intenção é apresentar Jesus e sua missão. Quem entra em cena para apresentar o Mestre é João Batista. Segundo o testemunho de João, Jesus é o Cordeiro de Deus, sobre o qual repousa o Espírito, e o eleito de Deus para a missão. João Batista apresenta aquele que considera mais importante e que deve passar na frente dele. Não engrandece a si mesmo, mas exalta aquele que está chegando, o Messias, o Filho de Deus. Ele tem a missão de vencer o pecado da humanidade decaída. A alegria com a qual João apresenta sua personagem deve contagiar todos os que se propõem a segui-lo. Com Jesus, finalmente chegou o tão esperado Messias, o Redentor da humanidade. Cada comunidade cristã é convidada a apresentar com alegria o Deus que se torna carne, gente como a gente. É o “Deus encarnado” que batiza com o Espírito Santo para purificar e renovar o coração dos que se propõem a segui-lo.