terça-feira, 3 de novembro de 2026

Lucas 14, 25-33 Para ser discípulo de Jesus.

* 25 Grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele disse: 26 “Se alguém vem a mim, e não dá preferência mais a mim que ao seu pai, à sua mãe, à mulher, aos filhos, aos irmãos, às irmãs, e até mesmo à sua própria vida, esse não pode ser meu discípulo. 27 Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. 28 De fato, se alguém de vocês quer construir uma torre, será que não vai primeiro sentar-se e calcular os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? 29 Caso contrário, lançará o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso, começarão a caçoar, dizendo: 30 ‘Esse homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’ 31 Ou ainda: Se um rei pretende sair para guerrear contra outro, será que não vai sentar-se primeiro e examinar bem, se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32 Se ele vê que não pode, envia mensageiros para negociar as condições de paz, enquanto o outro rei ainda está longe. 33 Do mesmo modo, portanto, qualquer de vocês, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo. Comentário: * 25-35: Seguir a Jesus e continuar o seu projeto (= ser discípulo) é viver um clima novo na relação com as pessoas, com as coisas materiais e consigo mesmo. Trata-se de assumir com liberdade e fidelidade a condição humana, sem superficialismo, conveniência ou romantismo. O discípulo de Jesus deve ser realista, a fim de evitar ilusões e covardias vergonhosas. Quais são as condições para seguir Jesus? A resposta nos é dada no Evangelho de hoje. São várias coisas, mas que podem ser resumidas em duas ações fundamentais: renunciar a tudo e pôr o amor a Jesus acima de tudo. Cada um deve avaliar bem as suas capacidades antes de decidir seguir o Mestre, pois o caminho será exigente, as “cruzes” serão frequentes e pesadas. Será que esses mesmos critérios são ainda válidos hoje, na sociedade em que vivemos? O que significa “deixar tudo” para nós hoje? Certamente compreende a radicalidade de renunciar ao conforto e ao comodismo para empreender uma luta pela justiça e pela equidade proposta pelo Evangelho.

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Lucas 14, 15-24 O Reino é para todos.

* 15 Ouvindo isso, um homem que estava à mesa disse a Jesus: “Feliz aquele que come pão no Reino de Deus!»”16 Jesus respondeu: “Um homem deu grande banquete, e convidou muitas pessoas. 17 Na hora do banquete, mandou seu empregado dizer aos convidados: ‘Venham, pois tudo está pronto’. 18 Mas todos, um a um, começaram a dar desculpas. O primeiro disse: ‘Comprei um campo, e preciso ir vê-lo. Peço-lhe que aceite minhas desculpas’. 19 Outro disse: ‘Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-las. Peço-lhe que aceite minhas desculpas’. 20 Um terceiro disse: ‘Acabo de me casar e, por isso, não posso ir’. 21 O empregado voltou, e contou tudo ao patrão. Então o dono da casa ficou muito zangado, e disse ao empregado: ‘Saia depressa pelas praças e ruas da cidade. Traga para cá os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos’. 22 O empregado disse: ‘Senhor, o que mandaste fazer, foi feito, e ainda há lugar’. 23 O patrão disse ao empregado: ‘Saia pelas estradas e caminhos, e faça as pessoas virem aqui, para que a casa fique cheia. 24 Pois eu digo a vocês: nenhum daqueles que foram convidados vai provar do meu banquete’.” Comentário: * 15-24: O Reino de Deus é apresentado como banquete em que Deus reúne os seus convidados. Ainda que os representantes oficiais e os habituados à religião recusem o convite, dando mais importância aos seus próprios afazeres, o Reino permanece aberto para aqueles que comumente são julgados como excluídos: os marginalizados da sociedade e da religião. Enquanto Mateus conclui a narração do banquete celeste com a frase “Muitos são os chamados, poucos os escolhidos”, Lucas enfatiza o fato de que há lugar para todos, sendo excluído apenas aquele que negar o convite, ou seja, refutar a fé. Deus quer que seu Reino (casa) fique cheio, que todos entrem para gozar da vida e da felicidade eternas. Nas entrelinhas da parábola de Lucas, vemos ainda que os primeiros a entrar no Reino são os pobres, os excluídos, os desabrigados, os migrantes, todos os que “vivem pelas estradas”. Os ricos e nobres, que vivem “ocupados” e “sem tempo” para Deus, se autoexcluem do banquete celeste preparado pelo Senhor.

domingo, 1 de novembro de 2026

Lucas 12, 35-40 Vigilância e responsabilidade.

* 35 “Estejam com os rins cingidos e com as lâmpadas acesas. 36 Sejam como homens que estão esperando o seu senhor voltar da festa de casamento: tão logo ele chega e bate, eles imediatamente vão abrir a porta. 37 Felizes dos empregados que o senhor encontra acordados quando chega. Eu garanto a vocês: ele mesmo se cingirá, os fará sentar à mesa, e, passando, os servirá. 38 E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão se assim os encontra! 39 Mas, fiquem certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que lhe arrombasse a casa. 40 Vocês também estejam preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que vocês menos esperarem.” Comentário: * 35-48: Esperando continuamente a chegada imprevisível do Senhor que serve, a comunidade cristã permanece atenta, concretizando a busca do Reino através da prontidão para o serviço fraterno. Os vv. 41-46 mostram que isso vale ainda mais para os dirigentes da comunidade, que receberam de Jesus o encargo de servir, provendo às necessidades da comunidade. A responsabilidade é ainda maior, quando se sabe o que deve ser feito (vv. 47-48). Eis uma bonita expressão de fé da parte de Jó: “Eu sei que meu Redentor está vivo e eu mesmo o verei”. O desejo de Jó é o desejo de todos nós: um dia contemplar a Deus face a face. Aos falecidos já é concedido viver essa realidade. A ressurreição de Cristo marca o início de uma nova história, com o surgimento de uma nova humanidade. Adão simboliza o pecado e a morte, Cristo realizou a graça e a vida. Neste dia de Finados, o apelo do Evangelho é à vigilância. Estar com os rins cingidos e as lâmpadas acesas traduz a disposição de não esmorecer no cotidiano da vida, mas estarmos sempre atentos aos desejos de Deus. Seremos felizes se o Senhor nos encontrar vigilantes quando chegar. Dia de Finados: Celebrar os falecidos é boa ocasião para refletir sobre a vida, sua brevidade e imprevisibilidade. Podemos nos perguntar: por que tanta ambição, tanta intolerância, tanto ódio, se tudo isso não serve para prolongar a vida? Os poucos anos que vivemos são oportunidade para vivermos sempre melhor. O que semearmos aqui poderemos colher no além. A vida eterna começa nesta vida. A flor que depositamos no túmulo é nosso gesto de gratidão pela pessoa que já partiu para a eternidade.

1 Coríntios 15, 20-24a.25-28 Deus será tudo em todos.

* 20 Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos como primeiro fruto dos que morreram. 21 De fato, já que a morte veio através de um homem, também por um homem vem a ressurreição dos mortos.22 Como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos receberão a vida.23 Cada um, porém, na sua própria ordem: Cristo como primeiro fruto; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24 A seguir, chegará o fim, quando Cristo entregar o Reino a Deus Pai. 25 Pois é preciso que ele reine, até que tenha posto todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. 26 O último inimigo a ser destruído será a morte, 27 pois Deus tudo colocou debaixo dos pés de Cristo. Mas, quando se diz que tudo lhe será submetido, é claro que se deve excluir Deus, que tudo submeteu a Cristo.28 E quando todas as coisas lhe tiverem sido submetidas, então o próprio Filho se submeterá àquele que tudo lhe submeteu, para que Deus seja tudo em todos. Comentário: * 20-28: Dois estados da humanidade se opõem: o pecado e a morte, dos quais Adão é o símbolo; a graça e a vida, realizadas em Cristo (cf. Rm 5,17-21). A partir do pecado, existem na sociedade forças e estruturas que invertem o destino humano, desagregando, pervertendo, e até mesmo levando os homens à morte. Cristo foi morto por essas estruturas, mas Deus o ressuscitou e lhe deu poder de destruí-las. Após vencer essas forças, também a morte será vencida; então, o triunfo será definitivo. Unida a Cristo, a humanidade estará de novo submetida a Deus e o Reino de Deus se manifestará completamente.

sábado, 31 de outubro de 2026

Mateus 5, 1-12 Bem-aventuranças: anseio por um mundo novo.

* 1 Jesus viu as multidões, subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos se aproximaram, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. 4 Felizes os aflitos, porque serão consolados. 5 Felizes os mansos, porque possuirão a terra. 6 Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. 8 Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. 11 Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim. 12 Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vocês.” Comentário: *1-12: As bem-aventuranças são o anúncio da felicidade, porque proclamam a libertação, e não o conformismo ou a alienação. Elas anunciam a vinda do Reino através da palavra e ação de Jesus. Estas tornam presente no mundo a justiça do próprio Deus. Justiça para aqueles que são inúteis ou incômodos para uma estrutura de sociedade baseada na riqueza que explora e no poder que oprime. Os que buscam a justiça do Reino são os “pobres em espírito.” Sufocados no seu anseio pelos valores que a sociedade injusta rejeita, esses pobres estão profundamente convictos de que eles têm necessidade de Deus, pois só com Deus esses valores podem vigorar, surgindo assim uma nova sociedade. O Evangelho de hoje nos apresenta o caminho perene da santidade: as bem-aventuranças. Elas são o melhor programa para viver a santidade, pois representam aquilo que o próprio Mestre viveu. As bem-aventuranças não são um convite à passividade ou acomodação dos pobres e dos sofredores. Longe disso. Muitos mártires continuam morrendo em defesa da vida dos empobrecidos e explorados. A motivação primeira à busca e vivência da santidade é o próprio Deus, porque ele é o santo por excelência. A santidade de Deus convida todos os seres humanos a serem santos. Ao nos criar, Deus colocou em nosso coração o desejo de santidade.

1 João 3, 1-3 Deus é justo.

1 Vejam que prova de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus. E nós de fato o somos! Se o mundo não nos reconhece, é porque também não reconheceu a Deus. 2 Amados, desde agora já somos filhos de Deus, embora ainda não se tenha tornado claro o que vamos ser. Sabemos que quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque nós o veremos como ele é. Romper com o pecado -* 3 Todo aquele que deposita essa esperança em Jesus se purifica, para ser puro como Jesus é puro. Comentário: * 29-3,2: João começa novo tema: Deus é justo. Jesus Cristo manifestou inteiramente a Deus porque, através de sua vida, mostrou concretamente o que é a justiça divina. Do mesmo modo, quem pratica a justiça mostra que é filho do Deus justo, à semelhança de Jesus. Não basta ser batizado para ser filho de Deus: é preciso praticar a justiça. Essa realidade, porém, ainda está em crescimento, e só se realizará totalmente quando puderem contemplar toda a glória de Jesus Cristo. O mundo não reconhece o Deus justo, porque o princípio que rege a vida do mundo é a injustiça. Desse modo, o mundo considera como inimigos perigosos o Deus justo e seus filhos que revelam a justiça. * 3-10: Praticar a justiça é amar o irmão: esta é a vida na graça de quem conheceu a justiça de Deus - seu amor pelos homens - revelada em Jesus Cristo. Quem não ama o irmão pratica a injustiça, isto é, está do lado do Diabo e vive no pecado, que é odiar o irmão. Esse ódio, porém, não é apenas sentimento interior; é princípio de vida que rege todo pensamento e ação, e se manifesta através de preconceitos, separatismo, exploração e opressão. Com Jesus começou a era da justiça: o amor ao irmão leva à relação, à comunhão, à partilha e fraternidade.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Lucas 14, 1.7-11 Festejar o sábado é dar vida aos homens.

* 1 Num dia de sábado aconteceu que Jesus foi comer em casa de um dos chefes dos fariseus, que o observavam. A verdadeira honra -* 7 Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. Então contou a eles uma parábola: 8 “Se alguém convida você para uma festa de casamento, não ocupe o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que você; 9 e o dono da casa, que convidou os dois, venha dizer a você: ‘Dê o lugar para ele’. Então você ficará envergonhado e irá ocupar o último lugar. 10 Pelo contrário, quando você for convidado, vá sentar-se no último lugar. Assim, quando chegar quem o convidou, ele dirá a você: ‘Amigo, venha mais para cima’. E isso vai ser uma honra para você na presença de todos os convidados. 11 De fato, quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado.” Comentário: * 14,1-6: A lei do sábado deve ser interpretada como libertação e vida para o homem. * 7-14: Nos vv. 8-11, Jesus critica o conceito de honra baseado no orgulho e ambição, que geram aparências de justiça, mas escondem os maiores contrastes sociais. A honra do homem depende de Deus, o único que conhece a situação real e global do homem; essa honra supera a crença que o homem pode ter nos seus próprios méritos. Nos vv. 12-14, Jesus mostra que o amor verdadeiro não é comércio, mas serviço gratuito, pois o pobre não pode pagar e o inimigo não pode merecer. Só Deus pode retribuir ao amor gratuito. Dando continuidade ao Evangelho de ontem, e no mesmo contexto da casa de um fariseu, Jesus ensina que a humildade é qualidade essencial para participarmos do banquete celestial. A lógica do Reino é muito diferente da lógica do mundo, por isso os que aqui na terra gozam de privilégios e benefícios não terão o mesmo tratamento no Reino. A soberba, a busca por reconhecimento, o desejo de ocupar os primeiros lugares, tudo isso será obstáculo para entrar no Reino, assim como a riqueza e a pretensão de grandeza. O mesmo vale para todos aqueles que, na Igreja, hoje, alimentam o carreirismo, buscando títulos e reconhecimentos. Os que conseguirem dominar seus instintos e manifestar humildade, colocando-se a serviço, serão recompensados com a acolhida imediata: “Amigo, venha mais para cima”.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Lucas 14, 1-6 Festejar o sábado é dar vida aos homens.

* 1 Num dia de sábado aconteceu que Jesus foi comer em casa de um dos chefes dos fariseus, que o observavam. 2 Havia um homem hidrópico diante de Jesus. 3 Tomando a palavra, Jesus falou aos especialistas em leis e aos fariseus: “A Lei permite ou não permite curar em dia de sábado?” 4 Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, o curou, e o despediu. 5 Depois disse a eles: “Se alguém de vocês tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tiraria logo, mesmo em dia de sábado?” 6 E eles não foram capazes de responder a isso. Comentário: *1-6: A lei do sábado deve ser interpretada como libertação e vida para o homem. A hidropisia é uma enfermidade caracterizada pelo inchaço com acumulação excessiva de líquidos no corpo. Lucas é o único evangelista a citar essa cura do hidrópico. Na verdade, é a única vez na Bíblia que a doença aparece, certamente como símbolo para indicar o “inchaço” causado pela vaidade e soberba nos fariseus. A cura se dá em dia de sábado, para enfatizar que serve para um bem maior: além de curar o doente, Jesus o salva, devolvendo-lhe a vida plena, a dignidade e até mesmo o convívio social. Os fariseus servem de testemunhas da ação salvífica de Jesus, que se contrapõe à possível “cilada” preparada por aquele grupo, visto que o tinha convidado para um banquete, mesmo vendo-o como um “inimigo”. Esse trecho serve ao evangelista como introdução à discussão que se desenvolverá nos próximos versículos, que leremos amanhã.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Lucas 13, 31-35 Jesus vai até o fim.

Evangelho: Lucas 13,31-35 * 31 Nesse momento, alguns fariseus se aproximaram, e disseram a Jesus: “Deves ir embora daqui, porque Herodes quer te matar.” 32 Jesus disse: “Vão dizer a essa raposa: eu expulso demônios, e faço curas hoje e amanhã; e no terceiro dia terminarei o meu trabalho. 33 Entretanto preciso caminhar hoje, amanhã e depois de amanhã, porque não convém que um profeta morra fora de Jerusalém.” O julgamento sobre Jerusalém -* 34 “Jerusalém, Jerusalém, você que mata os profetas e apedreja os que lhe foram enviados! Quantas vezes eu quis reunir seus filhos, como a galinha reúne os pintinhos debaixo das asas, mas você não quis! 35 Eis que a casa de vocês ficará abandonada. Eu lhes digo: vocês não me verão mais, até que chegue o tempo em que vocês mesmos dirão: Bendito aquele que vem em nome do Senhor.” Comentário: * 31-33: A atividade de Jesus provoca temor e reação das autoridades. Jesus não as teme, e continua a realizar a missão que liberta as pessoas e ao mesmo tempo vai levá-lo à morte. * 34-35: Cf. nota em Mt 23, 37-39: Jerusalém personifica o sistema que se fechou em si mesmo, e recusou a novidade trazida por Jesus. Por isso, seu destino já está traçado: em Jerusalém Jesus vai ser morto, e sua morte trará o julgamento definitivo sobre ela. Jerusalém é a Cidade Santa, o centro político e econômico de Israel. Os principais eventos da história de Israel se passaram ali, assim como inúmeros profetas foram hostilizados e mortos dentro de seus muros. Jerusalém é também o centro de referência em toda a vida de Jesus, pois se torna palco para o anúncio da sua Palavra e, a seguir, para o mistério pascal, concretização e ápice desse anúncio. Ali Jesus oferecerá a si mesmo como sacrifício eterno e definitivo. Jerusalém, que refutou a mensagem de tantos profetas e que refutou o próprio Filho de Deus, será a primeira testemunha da salvação que virá após três dias de “abandono”, com a ressurreição de Jesus, o único Mestre e Messias, aquele que “vem em nome do Senhor!”.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Lucas 6, 12-19 Os doze apóstolos.

* 12 Nesses dias, Jesus foi para a montanha a fim de rezar. E passou toda a noite em oração a Deus. 13 Ao amanhecer, chamou seus discípulos, e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de apóstolos: 14 Simão, a quem também deu o nome de Pedro, e seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15 Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelota; 16 Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que se tornou traidor. Anseio por um mundo novo -* 17 Jesus desceu da montanha com os doze apóstolos, e parou num lugar plano. Estava aí numerosa multidão de seus discípulos com muita gente do povo de toda a Judéia, de Jerusalém, e do litoral de Tiro e Sidônia. 18 Foram para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças. E aqueles que estavam atormentados por espíritos maus, foram curados. 19 Toda a multidão procurava tocar em Jesus, porque uma força saía dele, e curava a todos. Comentário: * 6-11: Jesus mostra que a lei do sábado deve ser interpretada como libertação e vida para o homem. Por isso, os que preferem ficar com o velho sistema se reúnem para planejar a morte de Jesus: ele está destruindo as ideias de religião e sociedade que eles tinham. * 12-16: Jesus escolhe os doze apóstolos, que formarão o núcleo da comunidade nova que ele veio criar. A palavra apóstolo significa aquele que Jesus envia para continuar a sua obra. Simão, chamado “zelota”, e São Judas Tadeu, filho de Tiago, para o diferenciar do traidor, foram dois apóstolos que acompanharam Jesus ao longo da sua vida pública, constituindo o grupo dos doze. Depois de uma noite em oração no alto da montanha, Jesus escolhe esse pequeno grupo, dentre os inúmeros discípulos que o seguiam. Os apóstolos são o fundamento do novo povo de Deus, daí o número doze, como as tribos de Israel. Eles são enviados por Jesus para evangelizar, curar, expulsar demônios, enfim, para ser no mundo a presença do próprio Jesus. O Mestre se preocupa em escolher e constituir uma comunidade formada por discípulos e apóstolos comprometidos com ele, que dão continuidade à missão até hoje.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Lucas 13, 18-21 O Reino atingirá o mundo inteiro.

* 18 E Jesus dizia: “A que é semelhante o Reino de Deus, e com o que eu poderia compará-lo? 19 Ele é como a semente de mostarda que um homem pega e joga no seu jardim. A semente cresce, torna-se árvore, e as aves do céu fazem seus ninhos nos ramos dela.” 20 Jesus disse ainda: “Com o que eu poderia comparar o Reino de Deus? 21 Ele é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado.” Comentário: * 18-21: Cf. nota em Mc 4, 30-34: Diante das estruturas e ações deste mundo, a atividade de Jesus e daqueles que o seguem parece impotente, e mesmo ridícula. Mas ela crescerá, até atingir o mundo inteiro. A missão de Jesus no mundo é implantar o Reino de Deus, ou seja, reconduzir toda a humanidade de volta à união com o Criador, perdida através do pecado de Adão e Eva. Esse Reino é semeado no coração de cada pessoa, mas seus frutos não são imediatos. Ele é semeado no mundo, mas precisa de tempo para crescer, assim como a mostarda ou o pão, dois exemplos muito próximos dos interlocutores de Jesus, por isso de fácil compreensão. Recordemos que, em outro momento, Jesus usou o mesmo exemplo do grão de mostarda para representar a fé capaz de mover montanhas (Mt 17,20). O fato de ser quase imperceptível na sua origem, ou seja, no início da missão de Jesus, não diminui a força e a potência do Reino, que em breve se tornará a maior das hortaliças e fermentará a massa toda. É preciso ter paciência para aguardar os frutos, confiança em Deus que os faz crescer e esperança para vê-los amadurecer e saciar a todos.

domingo, 25 de outubro de 2026

Lucas 13, 10-17 O sábado foi feito para o homem.

* 10 Jesus estava ensinando numa sinagoga em dia de sábado. 11 Havia aí uma mulher que, fazia dezoito anos, estava com um espírito que a tornava doente. Era encurvada e incapaz de se endireitar. 12 Vendo-a, Jesus dirigiu-se a ela, e disse: “Mulher, você está livre da sua doença.” 13 Jesus colocou as mãos sobre ela, e imediatamente a mulher se endireitou, e começou a louvar a Deus. 14 O chefe da sinagoga ficou furioso, porque Jesus tinha feito uma cura em dia de sábado. E tomando a palavra, começou a dizer à multidão: “Há seis dias para trabalhar. Venham, então, nesses dias e sejam curados, e não em dia de sábado.” 15 O Senhor lhe respondeu: “Hipócritas! Cada um de vocês não solta do curral o boi ou o jumento para dar-lhe de beber, mesmo que seja dia de sábado? 16 Aqui está uma filha de Abraão que Satanás amarrou durante dezoito anos. Será que não deveria ser libertada dessa prisão, em dia de sábado?” 17 Essa resposta deixou confusos todos os inimigos de Jesus. E toda a multidão se alegrava com as maravilhas que Jesus fazia. Comentário: * 10-17: O dia de sábado é expressão máxima daquilo que Jesus realiza ao curar a mulher: a comemoração da pessoa libertada. O povo se enche de alegria ao ver como o dia santificado é sinal da vida que Deus dá aos homens, e não um dia de simples rituais obrigatórios pré-estabelecidos. Hoje temos a aplicação prática do trecho do Evangelho de Mateus que lemos ontem, ou seja, amar ao próximo está em sintonia e é consequência de amar a Deus. Como esse mandamento se reflete no episódio da cura no sábado? O que Jesus quer mostrar aos seus adversários é que o louvor e o respeito a Deus (guardando o sábado) não entram em conflito com a ação de salvar uma pessoa. Negligenciando a natureza humana e as necessidades das pessoas, não estaremos dando maior atenção a Deus. Ao contrário, quando acolhemos o fraco, pobre e excluído é que estamos acolhendo Deus e rendendo graças a ele, pois estamos devolvendo a vida e a dignidade a uma de suas criaturas, a um de seus filhos.

sábado, 24 de outubro de 2026

Mateus 22, 34-40 O centro da vida.

* 34 Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito os saduceus se calarem. Então eles se reuniram em grupo, 35 e um deles perguntou a Jesus para o tentar: 36 “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” 37 Jesus respondeu: “Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. 38 Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39 O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo. 40 Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos.” Comentário: * 34-40: Cf. nota em Mc 12, 28-34: Jesus resume a essência e o espírito da vida humana num ato único com duas faces inseparáveis: amar a Deus com entrega total de si mesmo, porque o Deus verdadeiro e absoluto é um só e, entregando-se a Deus, o homem desabsolutiza a si mesmo, o próximo e as coisas; amar ao próximo como a si mesmo, isto é, a relação num espírito de fraternidade e não de opressão ou de submissão. O dinamismo da vida é o amor que tece as relações entre os homens, levando todos aos encontros, confrontos e conflitos que geram uma sociedade cada vez mais justa e mais próxima do Reino de Deus. Um doutor da Lei lança a pergunta a Jesus: Qual é o mandamento mais importante? Jesus responde que o primeiro mandamento (amar a Deus) está unido ao segundo (amar o próximo). Trata-se dos dois amores da vida; amando um, estaremos amando o outro. A melhor forma de mostrar que amamos a Deus é amando o próximo.

1 Tessalonicenses 1, 5-10 O anúncio provoca conversão.

5 De fato, o Evangelho que pregamos não foi apresentado somente com palavras, mas com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Vocês sabem o que fizemos entre vocês, para o bem de vocês mesmos. 6 E vocês imitaram o nosso exemplo e o exemplo do Senhor, acolhendo a Palavra com a alegria do Espírito Santo, apesar de tantas tribulações. 7 Assim vocês se tornaram modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia. 8 Partindo de vocês, a Palavra do Senhor se propagou, não apenas pela Macedônia e Acaia, mas também por toda parte se espalhou a fé que vocês têm em Deus, de modo que sobre isso nada precisamos dizer. 9 Eles mesmos falam da acolhida que tivemos entre vocês, e de como vocês se converteram, deixando os ídolos e voltando-se para Deus, a fim de servir ao Deus vivo e verdadeiro. 10 Falam também de como vocês esperam que Jesus venha do céu, o Filho de Deus, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos. É ele que nos liberta da ira futura. Comentário: * 4-10: Sobre a tribulação, cf. nota em Rm 5,1-11. Paulo relembra o primeiro anúncio (querigma) que provocou a conversão dos tessalonicenses. Conforme os vv. 9-10, esse primeiro anúncio do Evangelho era um convite à mudança radical: deixar os ídolos para servir unicamente ao Deus vivo. Os ídolos são valores considerados absolutos mas que, na realidade, sustentam uma estrutura de sociedade baseada na opressão e exploração do corpo e da consciência do homem. Servir ao Deus vivo é comprometer-se com Jesus Cristo, que manifesta na história a presença e ação do Deus verdadeiro, o qual está comprometido com a libertação e a vida do homem. A conversão é um processo contínuo na história. O cristão dá o seu testemunho, animado sempre pela espera da plena manifestação de Jesus Ressuscitado.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Lucas 13, 1-9 Urgência da conversão.

* 1 Nesse tempo, chegaram algumas pessoas levando notícias a Jesus sobre os galileus que Pilatos tinha matado, enquanto ofereciam sacrifícios. 2 Jesus respondeu-lhes: “Pensam vocês que esses galileus, por terem sofrido tal sorte, eram mais pecadores do que todos os outros galileus? 3 De modo algum, lhes digo eu. E se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo modo. 4 E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu em cima deles? Pensam vocês que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? 5 De modo algum, lhes digo eu. E se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo modo.” 6 Então Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada no meio da vinha. Foi até ela procurar figos, e não encontrou. 7 Então disse ao agricultor: ‘Olhe! Hoje faz três anos que venho buscar figos nesta figueira, e não encontro nada! Corte-a. Ela só fica aí esgotando a terra’. 8 Mas o agricultor respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e pôr adubo. 9 Quem sabe, no futuro ela dará fruto! Se não der, então a cortarás’.” Comentário: * 1-9: No caminho da vida há acontecimentos trágicos. Estes não significam que as vítimas são mais pecadoras do que os outros. Ao contrário, são convites abertos para que se pense no imprevisível dos fatos e na urgência da conversão, para se construir a nova história. A parábola (vv. 6-9) salienta que, em Jesus, Deus sempre dá uma última chance. Esse trecho do Evangelho é um exemplo concreto do tema abordado nos dias anteriores, ou seja, a atenção aos sinais dos tempos. Jesus utiliza dois eventos históricos ocorridos naquele momento como ponto de partida para desenvolver outra das exigências da vida cristã na espera escatológica. Mostra que a morte pode chegar de improviso, assim como o chamado e o Juízo de Deus chegam quando menos se espera. Para estarmos preparados, devemos nos converter, fazer penitência e realizar boas obras. A parábola que fecha o Evangelho reforça a necessidade de produzirmos frutos, pois a esterilidade leva à morte.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Lucas 12, 54-59 Interpretar o tempo presente.

* 54 Jesus também dizia às multidões: “Quando vocês veem uma nuvem vinda do ocidente, vocês logo dizem que vem chuva; e assim acontece. 55 Quando vocês sentem soprar o vento do sul, vocês dizem que vai fazer calor; e assim acontece. 56 Hipócritas! Vocês sabem interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que vocês não sabem interpretar o tempo presente? 57 Por que vocês não julgam por si mesmos o que é justo? 58 Quando, pois, você está para se apresentar com seu adversário diante do magistrado, procure resolver o caso com o adversário enquanto estão a caminho, senão este o levará ao juiz, e o juiz entregará você ao guarda, e o guarda o jogará na cadeia. 59 Eu digo: daí você não sairá, enquanto não pagar o último centavo.” Comentário: * 54-59: Assim como os homens podem prever o tempo a partir dos sinais da natureza, também é possível reconhecer na atividade de Jesus a manifestação do Reino de Deus. Essa tarefa empenhativa e urgente implica uma decisão a favor ou contra o Reino. É preciso agir enquanto é tempo. O Evangelho de hoje se divide em duas partes intimamente ligadas, sendo uma consequência da outra. Os primeiros versículos mostram a importância de saber reconhecer o sinal dos tempos, mais especificamente o tempo messiânico, tempo de salvação presente no ministério de Jesus. A segunda parte mostra que tudo isso está em função do Juízo final, ou seja, ao reconhecer que a salvação está próxima, devemos nos converter e nos apresentar de coração puro e consciência limpa diante do juiz. Estar atentos e perscrutar os sinais dos tempos é um dever permanente da Igreja peregrina, como bem nos recordou o Concílio Vaticano II, há 60 anos (cf. Gaudium et Spes, n. 4).

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Lucas 12, 49-53 Jesus é sinal de contradição.

* 49 “Eu vim para lançar fogo sobre a terra: e como gostaria que já estivesse aceso! 50 Devo ser batizado com um batismo, e como estou ansioso até que isso se cumpra! 51 Vocês pensam que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu lhes digo, vim trazer divisão. 52 Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas, e duas contra três. 53 Ficarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra.” Comentário: * 49-53: A missão de Jesus, desde o batismo até a cruz, é anunciar e tornar presente o Reino, entrando em choque com as concepções dominantes na sociedade. Por isso, é preciso tomar uma decisão diante de Jesus, e isso provoca divisões até mesmo no relacionamento familiar. Numa análise superficial do Evangelho de hoje, poderíamos acusar Jesus de promover a violência e a divisão. Logo ele, que é a paz verdadeira: “Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz” (Jo 14,27). Não, Jesus Cristo não quer a divisão e a guerra, mas exige decisão e uma atitude clara diante da proposta do Evangelho. Em certo sentido, é um “agitador político”, pois incita-nos a tomar posição: a favor ou contra o projeto de Deus, a favor ou contra o Evangelho, a favor ou contra a verdade, a favor ou contra a vida, a favor ou contra o mandamento do amor… O mesmo vale para nós, hoje. Como nos posicionamos diante das injustiças do mundo? Como reagimos diante da desigualdade, da corrupção política, da economia que mata, da falta de amor ao próximo, do aborto, da incoerência de tantos cristãos? O Evangelho nos questiona e nos pede ações.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Lucas 12, 39-48 Vigilância e responsabilidade.

39 Mas, fiquem certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que lhe arrombasse a casa. 40 Vocês também estejam preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que vocês menos esperarem.” 41 Então Pedro disse a Jesus: “Senhor, estás contando essa parábola só para nós, ou para todos?” 42 E o Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel e prudente, que o senhor coloca à frente do pessoal de sua casa, para dar a comida a todos na hora certa? 43 Feliz o empregado que o senhor, ao chegar, encontra fazendo isso! 44 Em verdade, eu digo a vocês: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. 45 Mas, se esse empregado pensar: ‘Meu patrão está demorando’, e se puser a surrar os criados e criadas, a comer, beber, e embriagar-se, 46 o senhor desse empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista. O senhor o expulsará de casa, e o fará tomar parte do destino dos infiéis. 47 Todavia aquele empregado que, mesmo conhecendo a vontade do seu senhor, não ficou preparado, nem agiu conforme a vontade dele, será chicoteado muitas vezes. 48 Mas, o empregado que não sabia, e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido.” Comentário: * 35-48: Esperando continuamente a chegada imprevisível do Senhor que serve, a comunidade cristã permanece atenta, concretizando a busca do Reino através da prontidão para o serviço fraterno. Os vv. 41-46 mostram que isso vale ainda mais para os dirigentes da comunidade, que receberam de Jesus o encargo de servir, provendo às necessidades da comunidade. A responsabilidade é ainda maior, quando se sabe o que deve ser feito (vv. 47-48). Continuamos a refletir sobre o tema da vigilância, ajudados agora por uma parábola. A participação de Pedro mostra que o testemunho primeiro deve ser dado pelos líderes religiosos, demonstrando atitude de espera vigilante, em plena sintonia com a vontade de Deus revelada no Evangelho. Os líderes não são os “donos da fazenda”, mas administradores a quem o Mestre confiou o cuidado dos “servos” e de todos os seus bens. Devem, portanto, fazer a vontade de Deus e garantir que todos tomem parte na “lavoura”. Quanto maior o bem confiado, mais lhe será cobrado.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Lucas 12, 35-38 Vigilância e responsabilidade.

* 35 “Estejam com os rins cingidos e com as lâmpadas acesas. 36 Sejam como homens que estão esperando o seu senhor voltar da festa de casamento: tão logo ele chega e bate, eles imediatamente vão abrir a porta. 37 Felizes dos empregados que o senhor encontra acordados quando chega. Eu garanto a vocês: ele mesmo se cingirá, os fará sentar à mesa, e, passando, os servirá. 38 E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão se assim os encontra! Comentário: * 35-48: Esperando continuamente a chegada imprevisível do Senhor que serve, a comunidade cristã permanece atenta, concretizando a busca do Reino através da prontidão para o serviço fraterno. Os vv. 41-46 mostram que isso vale ainda mais para os dirigentes da comunidade, que receberam de Jesus o encargo de servir, provendo às necessidades da comunidade. A responsabilidade é ainda maior, quando se sabe o que deve ser feito (vv. 47-48). A “vigilância” é o tema central da liturgia de hoje. Na Bíblia, vigiar equivale a não ceder à preguiça ou ao desânimo (como os que dormem); significa escutar a vontade de Deus e responder sim em toda ocasião. Em diversos trechos da Sagrada Escritura, somos convidados a vigiar, rezar e dar graças constantemente, como no Evangelho que hoje meditamos. Apesar de pequeno, este trecho é carregado de símbolos e referências. Os “rins cingidos”, por exemplo, lembram a atitude dos hebreus em vias de deixar o Egito (Ex 12,11), enquanto as “lâmpadas acesas” remetem à parábola das dez virgens (Mt 25,1-13). Tudo isso mostra que a vida do cristão deve ser inteiramente voltada para preparar o encontro com o Senhor, numa espera vigilante, ou seja, ativa e perseverante. Mesmo que esta espera seja longa, devemos saber esperar, pois assim seremos “bem-aventurados” ou felizes (v. 37). E nós, vivemos em atitude de espera vigilante?

domingo, 18 de outubro de 2026

Lucas 12, 13-21 A vida é dom de Deus.

-* 13 Do meio da multidão, alguém disse a Jesus: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo.” 14 Jesus respondeu: “Homem, quem foi que me encarregou de julgar ou dividir os bens entre vocês?” 15 Depois Jesus falou a todos: “Atenção! Tenham cuidado com qualquer tipo de ganância. Porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a sua vida não depende de seus bens.” 16 E contou-lhes uma parábola: “A terra de um homem rico deu uma grande colheita. 17 E o homem pensou: ‘O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita’. 18 Então resolveu: ‘Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir outros maiores; e neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. 19 Então poderei dizer a mim mesmo: meu caro, você possui um bom estoque, uma reserva para muitos anos; descanse, coma e beba, alegre-se!’ 20 Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Nesta mesma noite você vai ter que devolver a sua vida. E as coisas que você preparou, para quem vão ficar?’ 21 Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico para Deus.” Comentário: * 13-21: No caminho da vida, o homem depara com o problema das riquezas. Jesus mostra que é idiotice acumular bens para assegurar a própria vida. Só Deus pode dar ao homem a riqueza que é a própria vida. Jesus não condena a riqueza nem critica o homem rico, mas sim a estultice daqueles que confundem os bens terrenos com os bens eternos. Ensina que o valor de uma pessoa está nas suas ações, e não nos seus bens, ou seja, quem age egoisticamente e só pensa em acumular tem pouco valor. Ao contrário, quem pensa no próximo, faz caridade, dá esmola, ajuda de algum modo na devolução da dignidade dos irmãos que sofrem e são excluídos, esses têm grande valor, são ricos para Deus e certamente serão acolhidos no Reino dos Céus. Temos, aqui, uma lição de como lidar com os bens terrenos, fazendo-os render espiritualmente, e não materialmente.