segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Mateus 15, 1-2.10-14 Condição para ser verdadeiro guia.
* 1 Alguns fariseus e diversos doutores da Lei, de Jerusalém, se aproximaram de Jesus, e perguntaram: 2 “Por que os teus discípulos desobedecem à tradição dos antigos? De fato, comem pão sem lavar as mãos!”10 Em seguida, Jesus chamou a multidão para perto dele, e disse: “Escutem e compreendam. 11 Não é o que entra na boca que torna o homem impuro, mas o que sai da boca, isso torna o homem impuro.”
12 Então os discípulos se aproximaram, e disseram a Jesus: “Sabes que os fariseus ficaram escandalizados com o que disseste?” 13 Jesus respondeu: “Toda planta que não foi plantada pelo meu Pai celeste será arrancada. 14 Não se preocupem com eles. São cegos guiando cegos. Ora, se um cego guia outro cego, os dois cairão num buraco.”
Comentário:
* 1-20: Através de sua moralidade casuística, os doutores da Lei e os fariseus são condutores cegos do povo. Com suas interpretações desobedecem aos próprios mandamentos de Deus, sob a pretensão de observá-los. Também Pedro e os discípulos não serão verdadeiros guias, enquanto não entenderem que só é impuro aquilo que estraga o relacionamento fraterno entre os homens. Cf. também nota em Mc 7,1-13 e 7,14-23.
Nova discussão sobre as tradições seguidas no tempo de Jesus. É importante notar aqui que mesmo entre os diversos grupos judaicos não existia um consenso sobre essas tradições orais. De fato, o historiador Flávio Josefo assim escreveu: “Os fariseus transmitiram ao povo algumas regras recebidas por sucessão de seus pais e que não estão escritas nas leis de Moisés, e por isso os saduceus as rejeitam, porque, dizem, é preciso observar apenas as normas escritas e não aquelas recebidas pela tradição”. Portanto, Jesus não é questionado propriamente por não seguir a Lei mosaica, mas por não respeitar a tradição oral (ou seja, o conjunto de interpretações sobre as questões de pureza), passada através das gerações, e que depois do tempo de Jesus seria recolhida no conhecido Talmude e na Mishná.
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