segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Mateus 18, 1-5.10.12-14 Quem é o maior na comunidade?
* 1 Naquele momento, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino do Céu?” 2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles, 3 e disse: “Eu lhes garanto: se vocês não se converterem, e não se tornarem como crianças, vocês nunca entrarão no Reino do Céu. 4 Quem se abaixa, e se torna como essa criança, esse é o maior no Reino do Céu. 5 E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe.”
Por que alguém se afasta da comunidade? -* 10 “Cuidado para não desprezar nenhum desses pequeninos, pois eu digo a vocês: os anjos deles no céu estão sempre na presença do meu Pai que está no céu. 12 O que vocês acham? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, será que ele não vai deixar as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? 13 Eu garanto a vocês: quando ele a encontra, fica muito mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. 14 Do mesmo modo, o Pai que está no céu não quer que nenhum desses pequeninos se perca.”
Comentário:
* 1-5: A comunidade cristã não é a reprodução de uma sociedade que se baseia na riqueza e no poder. Nela, é maior ou mais importante aquele que se converte, deixando todas as pretensões sociais, para pertencer a um grupo que acolhe fraternalmente Jesus na pessoa dos pequenos, fracos e pobres.
* 10-14: Por que alguém se extravia, isto é, se distancia da comunidade? Certamente por causa do escândalo (vv. 6-9), ou do desprezo daqueles que buscam poder e prestígio. A parábola mostra que a comunidade inteira deve preocupar-se e procurar aquele que se extraviou. A comunidade se alegra quando ele volta para o seu meio, porque a vontade do Pai foi cumprida.
Com o Evangelho de hoje, iniciamos um novo discurso de Jesus, que se estenderá por todo o capítulo 18, chamado “discurso comunitário”, pois apresenta a comunidade comprometida com o Reino e sua justiça. Como é característico do Mestre, para abrir este discurso, ele usa uma imagem eloquente: a presença de uma pequena criança, símbolo da humildade, da pureza e da total submissão ao Pai, não por medo, mas porque vê nele um modelo a imitar. Cada discípulo deve se fazer como uma criança, mas deve também prover os que são fracos e necessitados como as crianças, sem jamais excluí-los ou desprezá-los. Eis a dupla função da comunidade comprometida.
domingo, 9 de agosto de 2026
João 12, 24-26 A missão do verdadeiro Messias.
24 Eu garanto a vocês: se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas se morre, produz muito fruto. 25 Quem tem apego à sua vida, vai perdê-la; quem despreza a sua vida neste mundo, vai conservá-la para a vida eterna. 26 Se alguém quer servir a mim, que me siga. E onde eu estiver, aí também estará o meu servo. Se alguém serve a mim, o Pai o honrará.
Comentário:
* 12-36: Temos aqui duas concepções sobre o Messias. Seguindo a tradição transmitida pelos dirigentes, o povo aclama Jesus como um rei político. Mais tarde, essa ideia será transformada em motivo da condenação de Jesus. Por outro lado, Jesus se apresenta como o Messias predito pelas Escrituras, mostrando, porém, sua verdadeira missão: dar a vida para salvar e reunir o povo.
O Evangelho escolhido para a festa de São Lourenço explica o sentido do próprio martírio que este e inúmeros outros santos sofreram ao longo da história do cris-tianismo. A morte não é o fim para quem crê em Jesus Cristo e na vida eterna. É uma passagem e uma mudança para algo muito superior, assim como o simples grão de trigo que precisa morrer para produzir muitos frutos. Assim como Lourenço, muitos outros aceitaram entregar a própria vida para seguir o Messias, estando ao seu lado na vida, na morte e na ressurreição. É por isso que temos a certeza de que esses santos estão ao lado de Deus no céu, pois o próprio Cristo nos afirmou que, por servi-lo, seriam honrados pelo Pai. Para o cristão, uma vida doada é chamada de amor: amor a Deus e amor ao próximo. Por isso, o caminho do cristão não pode ser diferente daquele trilhado por Jesus, passando pela cruz, mas com destino à esperança e à glória. Esse é o caminho da felicidade eterna.
sábado, 8 de agosto de 2026
Mateus 14, 22-33 A fé nos momentos difíceis.
* 22 Logo em seguida, Jesus obrigou os discípulos a entrar na barca, e ir na frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despedia as multidões. 23 Logo depois de despedir as multidões, Jesus subiu sozinho ao monte, para rezar. Ao anoitecer, Jesus continuava aí sozinho. 24 A barca, porém, já longe da terra, era batida pelas ondas, porque o vento era contrário.
25 Entre as três e as seis da madrugada, Jesus foi até os discípulos, andando sobre o mar. 26 Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: “É um fantasma!” E gritaram de medo. 27 Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo.”
28 Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água.” 29 Jesus respondeu: “Venha.” Pedro desceu da barca, e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30 Mas ficou com medo quando sentiu o vento e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me.” 31 Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que você duvidou?”
32 Então eles subiram na barca. E o vento parou. 33 Os que estavam na barca se ajoelharam diante de Jesus, dizendo: “De fato, tu és o Filho de Deus.”
Comentário
* 22-33: Sobressai aqui a figura de Pedro, protótipo da comunidade que, nas grandes crises, duvida da presença de Jesus em seu meio e, por isso, pede um sinal. E mesmo vendo sinais, continua com medo das ambiguidades da situação e, por isso, a sua fé fica paralisada. Então faz o seu pedido de socorro. Jesus atende ao pedido da comunidade. Mas deixa bem claro que ela precisa crescer na fé e não temer os passos dados dentro das águas agitadas do mundo.
Elias foge para o monte Horeb, onde faz a experiência de Deus. O Senhor não se manifesta mediante os elementos tradicionais – o vento, o terremoto e o fogo –, e sim na brisa mansa. Ele sempre se revela de maneiras inesperadas e variadas, também no silêncio do coração e na solidão. / O Evangelho é recusado pelos que deviam ser os primeiros a acolhê-lo. Isso atormenta Paulo, que, porém, não perde a esperança. Mais cedo ou mais tarde, os inumeráveis dons de Deus darão seus frutos. / Caminhando sobre o mar, diante dos poderes da morte, Jesus se revela como Senhor. Ele convida a comunidade a encarar os desafios para fazer a travessia do “mar”, pois a outra margem do lago é o lugar da missão. Por causa de nossa pouca fé, corremos o risco de ser tragados pelas ondas sufocantes; neste momento, precisamos apelar para o Senhor: “Salva-nos!”
Romanos 9, 1-5 Os privilégios de Israel.
* 1 Digo a verdade em Cristo, não minto, e disso me dá testemunho a minha consciência pelo Espírito Santo: 2 tenho uma grande dor e um contínuo sofrimento no coração. 3 Sim, eu gostaria de ser amaldiçoado e separado de Cristo em favor dos meus irmãos de raça e sangue. 4 Eles são israelitas e possuem a adoção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; 5 deles são os patriarcas e deles nasceu Cristo segundo a condição humana, que está acima de tudo. Deus seja bendito para sempre. Amém.
Comentário:
* 1-5: Nos capítulos 9-11, Paulo analisa a situação do povo de Israel, procurando responder à difícil questão: “Não é uma contradição o fato de que o próprio povo escolhido, portador da história da salvação, tenha rejeitado Jesus e se tenha excluído da salvação?” Esse problema escandalizava judeus e pagãos e comprometia o êxito do Evangelho.
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Evangelho: Mateus 17,14-20
* 14 Eles foram em direção à multidão. Um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se, 15 e disse: “Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epilético, e tem ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. 16 Eu o levei aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!” 17 Jesus respondeu: “Gente sem fé e pervertida! Até quando deverei ficar com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam o menino aqui.” 18 Então Jesus ordenou, e o demônio saiu. E na mesma hora o menino ficou curado.
19 Os discípulos se aproximaram de Jesus, e lhe perguntaram em particular: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?” 20 Jesus respondeu: “É porque vocês não têm bastante fé. Eu garanto a vocês: se vocês tiverem fé do tamanho de uma semente de mostarda, podem dizer a esta montanha: ‘Vá daqui para lá’, e ela irá. E nada será impossível para vocês.
Comentário:
* 14-21: Cf. nota em Mc 9,14-29. Os discípulos, que estão iniciando o trabalho de continuar a obra de Jesus, falham nas primeiras tentativas. O motivo é a falta de fé, ou seja, não acreditam que o poder de Deus se expressa através da ação concreta deles. Considerar impossível a desalienação dos homens é não acreditar no poder de Deus que age na pessoa de Jesus e em nós.
O grão de mostarda, que Jesus já havia usado como referência para o Reino, por ser a menor das sementes, agora serve para ilustrar o tamanho da fé dos discípulos, menor do que a menor de todas as sementes. De que serviu todo o ensinamento de Jesus, especialmente a parábola do semeador? Parece que os discípulos não aprenderam nada, e os que o procuram também ainda não compreenderam o sentido da sua messianidade. Jesus é paciente, acolhe novamente os que sofrem para libertá-los de todo mal (simbolizado no menino epilético, que na época era visto como sinal de possessão demoníaca), a fim de ensinar o povo a ter fé autêntica, mesmo que seja pequena como um grão de mostarda.
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Mateus 16, 24-28 O seguimento de Jesus.
* 24 Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. 25 Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26 Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida? 27 Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a própria conduta. 28 Eu garanto a vocês: alguns daqueles que estão aqui, não morrerão sem terem visto o Filho do Homem vindo com o seu Reino.”
Comentário:
* 24-28: Cf. nota em Mc 8,34-38: A morte de cruz era reservada a criminosos e subversivos. Quem quer seguir a Jesus esteja disposto a se tornar marginalizado por uma sociedade injusta (perder a vida) e mais, a sofrer o mesmo destino de Jesus: morrer como subversivo (tomar a cruz).
Todos os dias, Jesus continua a dizer a cada um de nós: “Renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. A questão é: sou capaz de renunciar a mim mesmo, tomar a cruz de Cristo e o seguir? Não nos faltam exemplos de pessoas que assumiram esse desafio ao longo da história da Igreja, desde os apóstolos e as primeiras comunidades até os santos contemporâneos. Particular testemunho foi dado pelos mártires. De fato, a palavra “mártir” vem do grego martyria e significa exatamente “testemunha”, aquele que testemunhou a sua fé de modo radical, entregando-se até à morte. O exemplo destes santos nos inspira a sermos fiéis ao Evangelho e a nos dedicarmos, mesmo que em grau muito menor, à mesma causa do Reino.
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Mateus 17, 1-9 O sinal da vitória.
* 1 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, os irmãos Tiago e João, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. 2 E se transfigurou diante deles: o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz. 3 Nisso lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Jesus. 4 Então Pedro tomou a palavra, e disse a Jesus: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.” 5 Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra, e da nuvem saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz.” 6 Quando ouviram isso, os discípulos ficaram muito assustados, e caíram com o rosto por terra. 7 Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantem-se, e não tenham medo.” 8 Os discípulos ergueram os olhos, e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. 9 Ao descerem da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não contem a ninguém essa visão, até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos.”
Comentário:
* 17,1-9: Cf. nota em Mc 9,1-13: A vida e ação de Jesus não terminam na sua morte. A transfiguração é sinal da Ressurreição: a sociedade não conseguirá deter a pessoa e a atividade de Jesus, que irão continuar através de seus discípulos. A voz de Deus mostra que, daqui por diante, Jesus é a única autoridade. Todos os que ouvem o convite de Deus e seguem a Jesus até o fim, começam desde já a participar da sua vitória final, quando ressuscitarão com ele.
Jesus toma consigo três apóstolos mais próximos e, no alto da montanha, se transfigura diante deles. Nisso, apareceu-lhes Moisés, representante da Lei, e Elias, representante dos profetas, falando com ele. Há um paralelismo entre Jesus no monte da Transfiguração e Moisés no Sinai. Tal como o rosto de Moisés, também o de Jesus irradia uma luz resplandecente. Mais do que a Moisés, é preciso escutar Jesus. Ele é o novo legislador que veio dar novo sentido à Lei mosaica. Moisés e Elias dão testemunho dele. Pedro se entusiasma e propõe ao Mestre ficar naquele lugar maravilhoso, construindo três tendas. Nisso, uma voz se faz ouvir: este é meu Filho amado, escutai-o. Escutando Jesus, escutaremos também seu Pai. A proposta de Pedro de permanecer na montanha é fugir da missão, que se realiza na planície.
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