sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Evangelho: Mateus 17,14-20

* 14 Eles foram em direção à multidão. Um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se, 15 e disse: “Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epilético, e tem ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. 16 Eu o levei aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!” 17 Jesus respondeu: “Gente sem fé e pervertida! Até quando deverei ficar com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam o menino aqui.” 18 Então Jesus ordenou, e o demônio saiu. E na mesma hora o menino ficou curado. 19 Os discípulos se aproximaram de Jesus, e lhe perguntaram em particular: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?” 20 Jesus respondeu: “É porque vocês não têm bastante fé. Eu garanto a vocês: se vocês tiverem fé do tamanho de uma semente de mostarda, podem dizer a esta montanha: ‘Vá daqui para lá’, e ela irá. E nada será impossível para vocês. Comentário: * 14-21: Cf. nota em Mc 9,14-29. Os discípulos, que estão iniciando o trabalho de continuar a obra de Jesus, falham nas primeiras tentativas. O motivo é a falta de fé, ou seja, não acreditam que o poder de Deus se expressa através da ação concreta deles. Considerar impossível a desalienação dos homens é não acreditar no poder de Deus que age na pessoa de Jesus e em nós. O grão de mostarda, que Jesus já havia usado como referência para o Reino, por ser a menor das sementes, agora serve para ilustrar o tamanho da fé dos discípulos, menor do que a menor de todas as sementes. De que serviu todo o ensinamento de Jesus, especialmente a parábola do semeador? Parece que os discípulos não aprenderam nada, e os que o procuram também ainda não compreenderam o sentido da sua messianidade. Jesus é paciente, acolhe novamente os que sofrem para libertá-los de todo mal (simbolizado no menino epilético, que na época era visto como sinal de possessão demoníaca), a fim de ensinar o povo a ter fé autêntica, mesmo que seja pequena como um grão de mostarda.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Mateus 16, 24-28 O seguimento de Jesus.

* 24 Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. 25 Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26 Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida? 27 Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a própria conduta. 28 Eu garanto a vocês: alguns daqueles que estão aqui, não morrerão sem terem visto o Filho do Homem vindo com o seu Reino.” Comentário: * 24-28: Cf. nota em Mc 8,34-38: A morte de cruz era reservada a criminosos e subversivos. Quem quer seguir a Jesus esteja disposto a se tornar marginalizado por uma sociedade injusta (perder a vida) e mais, a sofrer o mesmo destino de Jesus: morrer como subversivo (tomar a cruz). Todos os dias, Jesus continua a dizer a cada um de nós: “Renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. A questão é: sou capaz de renunciar a mim mesmo, tomar a cruz de Cristo e o seguir? Não nos faltam exemplos de pessoas que assumiram esse desafio ao longo da história da Igreja, desde os apóstolos e as primeiras comunidades até os santos contemporâneos. Particular testemunho foi dado pelos mártires. De fato, a palavra “mártir” vem do grego martyria e significa exatamente “testemunha”, aquele que testemunhou a sua fé de modo radical, entregando-se até à morte. O exemplo destes santos nos inspira a sermos fiéis ao Evangelho e a nos dedicarmos, mesmo que em grau muito menor, à mesma causa do Reino.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Mateus 17, 1-9 O sinal da vitória.

* 1 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, os irmãos Tiago e João, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. 2 E se transfigurou diante deles: o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz. 3 Nisso lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Jesus. 4 Então Pedro tomou a palavra, e disse a Jesus: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.” 5 Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra, e da nuvem saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz.” 6 Quando ouviram isso, os discípulos ficaram muito assustados, e caíram com o rosto por terra. 7 Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantem-se, e não tenham medo.” 8 Os discípulos ergueram os olhos, e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. 9 Ao descerem da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não contem a ninguém essa visão, até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos.” Comentário: * 17,1-9: Cf. nota em Mc 9,1-13: A vida e ação de Jesus não terminam na sua morte. A transfiguração é sinal da Ressurreição: a sociedade não conseguirá deter a pessoa e a atividade de Jesus, que irão continuar através de seus discípulos. A voz de Deus mostra que, daqui por diante, Jesus é a única autoridade. Todos os que ouvem o convite de Deus e seguem a Jesus até o fim, começam desde já a participar da sua vitória final, quando ressuscitarão com ele. Jesus toma consigo três apóstolos mais próximos e, no alto da montanha, se transfigura diante deles. Nisso, apareceu-lhes Moisés, representante da Lei, e Elias, representante dos profetas, falando com ele. Há um paralelismo entre Jesus no monte da Transfiguração e Moisés no Sinai. Tal como o rosto de Moisés, também o de Jesus irradia uma luz resplandecente. Mais do que a Moisés, é preciso escutar Jesus. Ele é o novo legislador que veio dar novo sentido à Lei mosaica. Moisés e Elias dão testemunho dele. Pedro se entusiasma e propõe ao Mestre ficar naquele lugar maravilhoso, construindo três tendas. Nisso, uma voz se faz ouvir: este é meu Filho amado, escutai-o. Escutando Jesus, escutaremos também seu Pai. A proposta de Pedro de permanecer na montanha é fugir da missão, que se realiza na planície.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Mateus 15, 21-28 Jesus veio para todos.

* 21 Jesus saiu daí, e foi para a região de Tiro e Sidônia. 22 Nisso, uma mulher Cananéia, que morava nessa região, gritou para Jesus: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim. Minha filha está sendo cruelmente atormentada por um demônio.” 23 Mas Jesus nem lhe deu resposta. Então os discípulos se aproximaram e pediram: “Manda embora essa mulher, porque ela vem gritando atrás de nós.” 24 Jesus respondeu: “Eu fui mandado somente para as ovelhas perdidas do povo de Israel.” 25 Mas a mulher, aproximando-se, ajoelhou-se diante de Jesus, e começou a implorar: “Senhor, ajuda-me.” 26 Jesus lhe disse: “Não está certo tirar o pão dos filhos, e jogá-lo aos cachorrinhos.” 27 A mulher disse: “Sim, Senhor, é verdade; mas também os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.” 28 Diante disso, Jesus lhe disse: “Mulher, é grande a sua fé! Seja feito como você quer.” E desde esse momento a filha dela ficou curada. Comentário: * 21-28: Cf. nota em Mc 7,24-30. A mulher pagã reconhece que Jesus não é só uma personalidade moral e religiosa, mas alguém que realiza um projeto concreto: constituir o povo de Deus na história. Esse reconhecimento faz que ela participe, com sua filha, desse projeto. Não são os atos de purificação ou as crenças particulares que engajam alguém no povo de Deus, mas o fato de acreditar que Jesus é o guia desse povo. As ações de Jesus ao longo de Mateus 14-15 procuram, sobretudo, responder a questões específicas enfrentadas pelos discípulos na comunidade a que se dirige, composta principalmente por judeu-cristãos. A questão discutida hoje é a primazia do povo “escolhido”, Israel. Deve ser mantida ou não? Vemos que não, pois a missão de Jesus se abriu aos pagãos após a recusa de Israel. A atitude da mulher pagã serve de paradigma da fé que salva: reconhece e aceita Jesus como o Salvador, e vai ao seu encontro, mesmo sabendo que não tem direito a ela (por causa do pecado).

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Mateus 15, 1-2.10-14 Condição para ser verdadeiro guia.

* 1 Alguns fariseus e diversos doutores da Lei, de Jerusalém, se aproximaram de Jesus, e perguntaram: 2 “Por que os teus discípulos desobedecem à tradição dos antigos? De fato, comem pão sem lavar as mãos!”10 Em seguida, Jesus chamou a multidão para perto dele, e disse: “Escutem e compreendam. 11 Não é o que entra na boca que torna o homem impuro, mas o que sai da boca, isso torna o homem impuro.” 12 Então os discípulos se aproximaram, e disseram a Jesus: “Sabes que os fariseus ficaram escandalizados com o que disseste?” 13 Jesus respondeu: “Toda planta que não foi plantada pelo meu Pai celeste será arrancada. 14 Não se preocupem com eles. São cegos guiando cegos. Ora, se um cego guia outro cego, os dois cairão num buraco.” Comentário: * 1-20: Através de sua moralidade casuística, os doutores da Lei e os fariseus são condutores cegos do povo. Com suas interpretações desobedecem aos próprios mandamentos de Deus, sob a pretensão de observá-los. Também Pedro e os discípulos não serão verdadeiros guias, enquanto não entenderem que só é impuro aquilo que estraga o relacionamento fraterno entre os homens. Cf. também nota em Mc 7,1-13 e 7,14-23. Nova discussão sobre as tradições seguidas no tempo de Jesus. É importante notar aqui que mesmo entre os diversos grupos judaicos não existia um consenso sobre essas tradições orais. De fato, o historiador Flávio Josefo assim escreveu: “Os fariseus transmitiram ao povo algumas regras recebidas por sucessão de seus pais e que não estão escritas nas leis de Moisés, e por isso os saduceus as rejeitam, porque, dizem, é preciso observar apenas as normas escritas e não aquelas recebidas pela tradição”. Portanto, Jesus não é questionado propriamente por não seguir a Lei mosaica, mas por não respeitar a tradição oral (ou seja, o conjunto de interpretações sobre as questões de pureza), passada através das gerações, e que depois do tempo de Jesus seria recolhida no conhecido Talmude e na Mishná.

domingo, 2 de agosto de 2026

Mateus 14, 22-36 A fé nos momentos difíceis.

* 22 Logo em seguida, Jesus obrigou os discípulos a entrar na barca, e ir na frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despedia as multidões. 23 Logo depois de despedir as multidões, Jesus subiu sozinho ao monte, para rezar. Ao anoitecer, Jesus continuava aí sozinho. 24 A barca, porém, já longe da terra, era batida pelas ondas, porque o vento era contrário. 25 Entre as três e as seis da madrugada, Jesus foi até os discípulos, andando sobre o mar. 26 Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: “É um fantasma!” E gritaram de medo. 27 Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo.” 28 Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água.” 29 Jesus respondeu: “Venha.” Pedro desceu da barca, e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30 Mas ficou com medo quando sentiu o vento e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me.” 31 Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que você duvidou?” 32 Então eles subiram na barca. E o vento parou. 33 Os que estavam na barca se ajoelharam diante de Jesus, dizendo: “De fato, tu és o Filho de Deus.” Jesus e os doentes -* 34 Acabando de atravessar, desembarcaram em Genesaré. 35 Os homens desse lugar, reconhecendo-os, espalharam a notícia por toda a região. Então levaram a Jesus todos os doentes, 36 e pediram que pudessem ao menos tocar a barra da roupa dele. E todos os que tocaram, ficaram curados. Comentário: * 22-33: Sobressai aqui a figura de Pedro, protótipo da comunidade que, nas grandes crises, duvida da presença de Jesus em seu meio e, por isso, pede um sinal. E mesmo vendo sinais, continua com medo das ambiguidades da situação e, por isso, a sua fé fica paralisada. Então faz o seu pedido de socorro. Jesus atende ao pedido da comunidade. Mas deixa bem claro que ela precisa crescer na fé e não temer os passos dados dentro das águas agitadas do mundo. * 34-36: Jesus exerce sua missão em benefício de todo o povo, e não de acordo com os critérios e interesses de privilegiados ou especialistas da religião. Estes consideravam um escândalo deixar-se tocar pela multidão doente. Mateus repete na narração de hoje alguns elementos presentes no milagre da tempestade (8,23-27), como o poder sobre as forças da natureza e a decepção diante da falta de fé dos discípulos traduzida no medo. Nas entrelinhas, colhemos em ambas as narrativas o ensinamento de que a vitória do discípulo de Cristo no mundo depende da fé em Jesus Salvador (v. 30; 8,25), fé que exprime o grito de socorro e de confiança naquele que pode salvar. Quando cremos em Jesus Cristo, todo medo se dissipa, as ondas e o vento já não nos preocupam, a serenidade e a paz voltam a reinar.

sábado, 1 de agosto de 2026

Mateus 14, 13-21 O banquete da vida.

* 13 Quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu, e foi de barca para um lugar deserto e afastado. Mas, quando as multidões ficaram sabendo disso, saíram das cidades, e o seguiram a pé. 14 Ao sair da barca, Jesus viu grande multidão. Teve compaixão deles, e curou os que estavam doentes. 15 Ao entardecer, os discípulos chegaram perto de Jesus, e disseram: “Este lugar é deserto, e a hora já vai adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar alguma coisa para comer.” 16 Mas Jesus lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Vocês é que têm de lhes dar de comer.” 17 Os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes.” 18 Jesus disse: “Tragam isso aqui.” 19 Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Depois pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães, e os deu aos discípulos; os discípulos distribuíram às multidões. 20 Todos comeram, ficaram satisfeitos, e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços que sobraram. 21 O número dos que comeram era mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. Comentário: * 13-21: Cf. nota em Mc 6,31-44. Mateus salienta o comportamento de Jesus: ele não é fanático, querendo enfrentar imediatamente Herodes; mas também não é fatalista, deixando as coisas correr como estão. Ele continua fiel à missão de servir ao seu povo. Reúne e alimenta as multidões sofredoras, realizando os sinais de um novo modo de vida e de anúncio do Reino. A Eucaristia é o sacramento-memória dessa presença de Jesus, lembrando continuamente qual é a missão a que nós, cristãos, fomos chamados. Embora ainda tímidos, os discípulos entreveem saída no sinal simbólico dos cinco pães e dois peixes. A partir daí, o milagre acontece. O pouco que cada um tem, quando partilhado e abençoado por Deus, é suficiente para transformar a realidade para melhor. O episódio se conclui com a constatação: todos ficaram saciados e ainda sobrou (v. 20). Com esse ensinamento, os discípulos aprenderam que, para seguir Jesus, é necessário decidir-se em favor da vida, sendo sinais visíveis de misericórdia daquele que veio para que todos tenham vida e a tenham em plenitude (Jo 10,10). Essa é também nossa missão!