sábado, 31 de janeiro de 2026

Mateus 5, 1-12 Bem-aventuranças: anseio por um mundo novo.

* 1 Jesus viu as multidões, subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos se aproximaram, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. 4 Felizes os aflitos, porque serão consolados. 5 Felizes os mansos, porque possuirão a terra. 6 Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. 8 Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. 11 Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim. 12 Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vocês.” Comentário: * 1-12: As bem-aventuranças são o anúncio da felicidade, porque proclamam a libertação, e não o conformismo ou a alienação. Elas anunciam a vinda do Reino através da palavra e ação de Jesus. Estas tornam presente no mundo a justiça do próprio Deus. Justiça para aqueles que são inúteis ou incômodos para uma estrutura de sociedade baseada na riqueza que explora e no poder que oprime. Os que buscam a justiça do Reino são os “pobres em espírito.” Sufocados no seu anseio pelos valores que a sociedade injusta rejeita, esses pobres estão profundamente convictos de que eles têm necessidade de Deus, pois só com Deus esses valores podem vigorar, surgindo assim uma nova sociedade. Jesus se dirige às multidões e aos seus discípulos para lhes transmitir uma mensagem de felicidade e confiança. Ao sentar-se, o Mestre toma posição de quem ensina e forma seus discípulos para continuarem a missão pelo mundo. Apresenta aos ouvintes as propostas fundamentais do seu Reino: felicidade e compromisso. São as conhecidas bem-aventuranças ou felicidade evangélica. Não são um anúncio de acomodação, ao contrário, convocam para o não conformismo, para uma busca dos valores do Reino de Deus. A palavra hebraica para “feliz” (ashrei) denota busca do fundamental para uma vida digna. Nem é uma tentativa de tranquilizar os pobres para se manterem assim e depois ganharem o céu. A presença de pobres, aflitos, famintos e perseguidos é sinal de que a proposta do Reinado de Jesus está longe de ser concretizada. As bem-aventuranças incentivam as pessoas a superarem a situação de miséria e sofrimento, como Jesus demonstrou com sua prática, libertando as pessoas de seus males.

1 Coríntios 1, 26-31 Deus subverte os projetos humanos.

26 Portanto, irmãos, vocês que receberam o chamado de Deus, vejam bem quem são vocês: entre vocês não há muitos intelectuais, nem muitos poderosos, nem muitos de alta sociedade.27 Mas, Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e Deus escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte. 28 E aquilo que o mundo despreza, acha vil e diz que não tem valor, isso Deus escolheu para destruir o que o mundo pensa que é importante. 29 Desse modo, nenhuma criatura pode se orgulhar na presença de Deus. 30 Ora, é por iniciativa de Deus que vocês existem em Jesus Cristo, o qual se tornou para nós sabedoria que vem de Deus, justiça, santificação e libertação, 31 a fim de que, como diz a Escritura: “Aquele que se gloria, que se glorie no Senhor”. Comentário: * 17-31: O projeto de Deus é contrário aos projetos dos homens. Os homens valorizam e dão lugar aos ricos, aos poderosos, aos intelectuais, aos que têm “status”, beleza física, facilidade de expressão etc. Consequentemente, desprezam e não dão importância àqueles que não se encaixam nesses padrões. Deus, porém, subverte a sociedade e os projetos humanos: para estabelecer e realizar os seus projetos, ele se alia aos pobres, fracos e simples, porque estes não são autossuficientes e se abrem para Deus. É na pobreza e fraqueza destes que Deus manifesta a sua força (cf. 2Cor 12,9). E a manifestação máxima do poder e da graça de Deus é Jesus crucificado, pois a cruz é o símbolo da fraqueza, do fracasso e da vergonha, porque nela eram executados os criminosos. A verdadeira comunidade cristã é a dos pobres: ela está aliada à sabedoria do projeto de Deus; por isso, é portadora da novidade que provoca transformações radicais.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Marcos 4, 35-41 Jesus é o Senhor da história.

* 35 Nesse dia, quando chegou a tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para o outro lado do mar.” 36 Então os discípulos deixaram a multidão e o levaram na barca, onde Jesus já se encontrava. E outras barcas estavam com ele. 37 Começou a soprar um vento muito forte, e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já estava se enchendo de água. 38 Jesus estava na parte de trás da barca, dormindo com a cabeça num travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, não te importa que nós morramos?” 39 Então Jesus se levantou e ameaçou o vento e disse ao mar: “Cale-se! Acalme-se!” O vento parou e tudo ficou calmo. 40 Depois Jesus perguntou aos discípulos: “Por que vocês são tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?” 41 Os discípulos ficaram muito cheios de medo e diziam uns aos outros: “Quem é esse homem, a quem até o vento e o mar obedecem?” Comentário: * 35-41: Jesus atravessa com os discípulos para a terra dos pagãos. O mar agitado é símbolo das nações pagãs que ameaçam destruir a comunidade cristã. Mas Jesus é o Senhor da história e dos povos. O medo dos discípulos é sinal da falta de fé: eles não conseguem ver que a ação de Jesus transforma as situações. Após recorrer a parábolas para transmitir sua Palavra, Jesus realiza uma série de milagres descritos por Marcos com grande riqueza de detalhes e distribuídos ao longo de um dia, símbolo do trabalho constante de Jesus para semear no mundo o seu Reino. O primeiro milagre revela a sua autoridade divina, fazendo calar a tempestade. Uma ação espontânea para Jesus, mas que causa admiração e surpresa, demonstrando que os apóstolos ainda não o conhecem plenamente e não amadureceram na fé. O próprio fato de terem medo da tempestade enquanto Jesus está com eles é sinal de falta de fé. Hoje sabemos que, com Jesus ao nosso lado, somos capazes de superar qualquer adversidade ou intempérie que o mundo nos impõe. Você concorda?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Marcos 4, 26-34 A missão de Jesus é irresistível.

* 26 E Jesus continuou dizendo: “O Reino de Deus é como um homem que espalha a semente na terra. 27 Depois ele dorme e acorda, noite e dia, e a semente vai brotando e crescendo, mas o homem não sabe como isso acontece. 28 A terra produz fruto por si mesma: primeiro aparecem as folhas, depois a espiga e, por fim, os grãos enchem a espiga. 29 Quando as espigas estão maduras, o homem corta com a foice, porque o tempo da colheita chegou.” A missão atinge o mundo inteiro -* 30 Jesus dizia ainda: “Com que coisa podemos comparar o Reino de Deus? Que parábola podemos usar? 31 O Reino é como uma semente de mostarda, que é a menor de todas as sementes da terra. 32 Mas, quando é semeada, a mostarda cresce e torna-se maior que todas as plantas; ela dá ramos grandes, de modo que os pássaros do céu podem fazer ninhos em sua sombra.” 33 Jesus anunciava a Palavra usando muitas outras parábolas como essa, conforme eles podiam compreender. 34 Para a multidão Jesus só falava com parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, ele explicava tudo. Comentário: * 26-29: A missão de Jesus é portadora do Reino de Deus e da transformação que ele provoca. Uma vez iniciada, a ação de Jesus cresce e produz fruto de maneira imprevisível e irresistível. * 30-34: Diante das estruturas e ações deste mundo, a atividade de Jesus e daqueles que o seguem parece impotente, e mesmo ridícula. Mas ela crescerá, até atingir o mundo inteiro. Diante de pessoas simples, muitas delas agricultores, Jesus recorre aos símbolos da terra para explicar as coisas do céu; a elementos visíveis e próximos para fazê-los compreender realidades invisíveis e eternas. Fala da semente que, uma vez lançada na terra, germina e cresce espontaneamente; e do grão de mostarda, que se transforma na maior das hortaliças conhecidas na época. O Reino de Deus age do mesmo modo: após ser semeado por Jesus e seus discípulos (e por nós, hoje), crescerá infinitas vezes, envolvendo todo o mundo e abrigando todas as pessoas sob a sua sombra.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Marcos 4, 21-25 Ouvir e agir.

* 21 Jesus continuou: “Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha ou debaixo da cama? Não a coloca no candeeiro? 22 Com efeito, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. 23 Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.” 24 E Jesus dizia ainda: “Prestem atenção no que vocês ouvem: com a mesma medida com que vocês medirem, também vocês serão medidos; e será dado ainda mais para vocês. 25 Para aquele que tem alguma coisa, será dado ainda mais; para aquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem.” Comentário: * 21-25: A libertação iniciada por Jesus não é para ser abafada ou ficar escondida, mas para se tornar conhecida e contagiar a todos. Quem acolhe a Boa Notícia, aprende a ver e agir de acordo com a visão e a ação de Jesus. E a compreensão vai aumentando à medida que se age. Quem não age, perde até mesmo a pouca compreensão que já tem. Mais do que palavras, o Evangelho de hoje propõe alguns ditos de Jesus em forma de provérbios sapienciais. Como o Evangelho é uma recolha posterior das palavras e ações de Jesus, provavelmente estes provérbios eram utilizados com frequência pelo Mestre, para tocar profundamente o coração de seus ouvintes, na sua maioria povo simples e pobre. Jesus recorre a provérbios conhecidos para gravar mais facilmente na mente dos que o seguiam as verdades fundamentais da sua Boa-nova. O ensinamento que Jesus transmite não pode ser uma lâmpada colocada debaixo de uma vasilha, ou ser ouvido sem atenção. Seria pregação inútil e estéril. Não! Suas palavras devem se transformar em luz e vida. Devem gerar frutos, multiplicando os dons que cada um possui. Todo aquele que as escutar será transformado e passará a ter sua vida medida pelos seus efeitos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Marcos 4, 1-20 Jesus terá êxito na sua missão.

* 1 Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galileia. Uma multidão se reuniu em volta dele. Por isso, Jesus entrou numa barca e sentou-se. A barca estava no mar, enquanto a multidão estava junto ao mar, na praia. 2 Jesus ensinava-lhes muitas coisas com parábolas. No seu ensinamento dizia para eles: 3 “Escutem. Um homem saiu para semear. 4 Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; os passarinhos foram e comeram tudo. 5 Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda. 6 Porém, quando saiu o sol, os brotos se queimaram e secaram, porque não tinham raiz. 7 Outra parte caiu no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto. 8 Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, brotando e crescendo: rendeu trinta, sessenta e até cem por um.” 9 E Jesus dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!” O mistério da missão de Jesus -* 10 Quando Jesus ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram o que significavam as parábolas. 11 Jesus disse para eles: “Para vocês, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora tudo acontece em parábolas, 12 para que olhem, mas não vejam, escutem, mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados.” Os homens diante da missão de Jesus -* 13 Jesus lhes perguntou: “Vocês não compreendem essa parábola? Como então vão compreender todas as outras parábolas? 14 O semeador semeia a Palavra. 15 Os que estão à beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a ouvem, chega Satanás e tira a Palavra que foi semeada neles. 16 Do mesmo modo, os que recebem a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e a recebem com alegria; 17 mas eles não têm raiz em si mesmos: são inconstantes, e, quando chega uma tribulação ou perseguição por causa da Palavra, eles logo desistem. 18 Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; 19 mas surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, que sufocam a Palavra, e ela fica sem dar fruto. 20 Por fim, aqueles que receberam a semente em terreno bom, são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um.” Comentário: * 1-9: Apesar de todos os obstáculos, o semeador realiza seu trabalho, confiando na colheita que vai ter. Jesus também: apesar de todas as reações, obstáculos e incompreensões, sua missão chegará ao fim e será bem sucedida. * 10-12: As parábolas são histórias que ajudam a ler e compreender toda a missão de Jesus. Mas é preciso “estar dentro”, isto é, seguir a Jesus, para perceber que o Reino de Deus está se aproximando através de sua ação. Os que não seguem a Jesus ficam “por fora”, e nada podem compreender. * 13-20: A explicação da parábola focaliza os vários terrenos, mostrando o efeito que a missão de Jesus (contada pela palavra do Evangelho) tem sobre os ouvintes ou leitores. Cada pessoa vê e entende a partir do lugar que ocupa na sociedade e das dificuldades que encontra para se comprometer com Jesus e para continuar a ação dele. Estamos diante da primeira de uma série de cinco parábolas de Jesus descritas por Marcos (cf. 4,1-34). A particularidade desta parábola do semeador é que o próprio Jesus explica o seu significado aos discípulos, indicando que essa será a sua estratégia pedagógica para ensinar o povo simples sobre a beleza do Reino e a importância de cada ouvinte fazer germinar no seu coração a palavra-mensagem anunciada.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Marcos 3, 31-35 A verdadeira família de Jesus.

* 31 Nisso chegaram a mãe e os irmãos de Jesus; ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo: 32 Havia uma multidão sentada ao redor de Jesus. Então lhe disseram: “Olha, tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram.” 33 Jesus perguntou: “Quem é minha mãe e meus irmãos?” 34 Então Jesus olhou para as pessoas que estavam sentadas ao seu redor e disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. 35 Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.” Comentário: * 31-35: Enquanto a família segundo a carne está “fora”, a família segundo o compromisso da fé está “dentro”, ao redor de Jesus. Sua verdadeira família é formada por aqueles que realizam na própria vida a vontade de Deus, que consiste em continuar a missão de Jesus. O Evangelho de hoje dá continuidade ao episódio envolvendo os parentes de Jesus, que meditamos no sábado. Naquele trecho, vimos que os familiares procuravam detê-lo porque pensavam que Jesus estava louco. Agora vemos que a mãe e os primos se aproximam de Jesus. É sempre importante recordar que na cultura judaica o termo “irmãos” é utilizado para indicar todos os familiares próximos, sejam eles filhos dos mesmos pais ou dos tios. Ao serem anunciados, é a vez de Jesus refutá-los e afastá-los, não porque despreze sua mãe e seus primos-irmãos, mas porque a sua família agora é outra, composta por todos os que escutam atentamente a sua Palavra e a põem em prática. Os novos irmãos de Jesus partilham os mesmos sentimentos e anseios do Mestre, mais do que seus consanguíneos. Os parentes de sangue que também se colocam no caminho do discipulado obviamente são acolhidos nesta nova família, como sua mãe Maria e seu irmão Tiago, que liderou a comunidade de Jerusalém após a morte de Jesus (cf. Gl 1,19).

domingo, 25 de janeiro de 2026

Lucas 10, 1-9 Os anunciadores do Reino.

-* 1 O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos, e os enviou dois a dois, na sua frente, para toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E lhes dizia: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita. 3 Vão! Estou enviando vocês como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não levem bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não parem no caminho, para cumprimentar ninguém. 5 Em qualquer casa onde entrarem, digam primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 Se aí morar alguém de paz, a paz de vocês irá repousar sobre ele; se não, ela voltará para vocês. 7 Permaneçam nessa mesma casa, comam e bebam do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não fiquem passando de casa em casa. 8 Quando entrarem numa cidade, e forem bem recebidos, comam o que servirem a vocês, 9 curem os doentes que nela houver. E digam ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vocês!’ Comentário: * 1-16: Os discípulos são organizados por Jesus para anunciarem a Boa Notícia no caminho e começarem a realizar os atos que concretizam o Reino. Aqueles que não quiserem aderir à Boa Notícia ficarão fora da nova história. Depois de escolher os doze apóstolos e conviver com eles, Jesus escolhe outros discípulos para irem à sua frente e prepararem o anúncio do Reino. Setenta e dois é o número das nações da terra elencadas no capítulo 10 do livro do Gênesis, portanto significa todos os povos. Esse grupo Jesus envia com orientações bem precisas que revelam a ação missionária da Igreja de todos os tempos: ovelhas no meio de lobos, que renunciam aos bens terrenos para anunciar a paz, curar as enfermidades e semear o Reino de Deus.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Mateus 4, 12-23 A esperança começa na Galileia.

* 12 Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. 13 Deixou Nazaré, e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, nos confins de Zabulon e Neftali, 14 para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15 “Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos que não são judeus! 16 O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e uma luz brilhou para os que viviam na região escura da morte.” 17 Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: “Convertam-se, porque o Reino do Céu está próximo.” Seguir a Jesus é comprometer-se -* 18 Jesus andava à beira do mar da Galileia, quando viu dois irmãos: Simão, também chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam jogando a rede no mar, pois eram pescadores. 19 Jesus disse para eles: “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens.” 20 Eles deixaram imediatamente as redes, e seguiram a Jesus. 21 Indo mais adiante, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca com seu pai Zebedeu, consertando as redes. E Jesus os chamou. 22 Eles deixaram imediatamente a barca e o pai, e seguiram a Jesus. A atividade de Jesus -* 23 Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando a Boa Notícia do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. Comentário: * 12-25: Jesus começa sua atividade na Galileia, região distante do centro econômico, político e religioso do seu país. A esperança da salvação se inicia justamente numa região da qual nada se espera. A pregação de Jesus tem a mesma radicalidade que a de João Batista: é preciso total mudança de vida, porque o Reino do Céu está próximo. * 18-22: Cf. nota em Mc 1,16-20: O chamado dos primeiros discípulos é um convite aberto a todos os que ouvem as palavras de Jesus. Simão e André deixam a profissão; Tiago e João deixam a família... Seguir a Jesus implica deixar as seguranças que possam impedir o compromisso com uma ação transformadora. * 23-25: A atividade de Jesus consiste na palavra (ensinar, pregar) e ação (curar). É atividade dirigida aos mais pobres, necessitados e marginalizados. O conteúdo dela é descrito em Mt 5-9. João Batista saindo de cena, Jesus, após o batismo e a prova no deserto, entra completamente na missão. Começa sua atividade na Galileia, região periférica e distante do centro econômico, político e religioso. Estabelece sua morada em Cafarnaum. A chegada de Jesus é como uma luz que ilumina o povo sofrido que vivia nas trevas da dominação romana. O primeiro apelo do Mestre de Nazaré é um convite ao arrependimento, porque o Reino do Céu está próximo. Jesus não trabalha sozinho, por isso convida pescadores para que o auxiliem na missão. Deixando o trabalho no mar, tornam-se “pescadores de gente”, missão um pouco mais exigente do que simplesmente pescar peixes. Isso significa que não precisamos deixar de fazer o que fazíamos, mas devemos passar a fazê-lo em favor de outros. É através do nosso trabalho e de nossa profissão que podemos ajudar na construção do Reino da justiça. Podemos colaborar com o Mestre, contribuindo para uma vida mais digna e feliz para os outros.

1 Coríntios 1, 10-13.17 Cristo está dividido?

* 10 Eu lhes peço, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo mantenham-se de acordo uns com os outros, para que não haja divisões. Sejam estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar. 11 Meus irmãos, alguns da casa de Cloé me informaram que entre vocês existem brigas. 12 Eu me explico. É que uns dizem: “Eu sou de Paulo!” E outros: “Eu sou de Apolo!” E outros mais: “Eu sou de Pedro!” Outros ainda: “Eu sou de Cristo!” 13 Será que Cristo está dividido? Será que Paulo foi crucificado em favor de vocês? Ou será que vocês foram batizados em nome de Paulo? Deus subverte os projetos humanos -* 17 De fato, Cristo não me enviou para batizar, mas para anunciar o Evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a cruz de Cristo. Comentário: * 10-16: O que faz a unidade da comunidade cristã é o batismo em nome de Jesus e a submissão a ele como único Senhor. Os evangelizadores e líderes são apenas instrumentos para levar a comunidade a Jesus Cristo. Absolutizando as pessoas, ela se divide, submetendo-se a outros senhores e falsificando a função dos líderes. * 17-31: O projeto de Deus é contrário aos projetos dos homens. Os homens valorizam e dão lugar aos ricos, aos poderosos, aos intelectuais, aos que têm “status”, beleza física, facilidade de expressão etc. Consequentemente, desprezam e não dão importância àqueles que não se encaixam nesses padrões. Deus, porém, subverte a sociedade e os projetos humanos: para estabelecer e realizar os seus projetos, ele se alia aos pobres, fracos e simples, porque estes não são autossuficientes e se abrem para Deus. É na pobreza e fraqueza destes que Deus manifesta a sua força (cf. 2Cor 12,9). E a manifestação máxima do poder e da graça de Deus é Jesus crucificado, pois a cruz é o símbolo da fraqueza, do fracasso e da vergonha, porque nela eram executados os criminosos. A verdadeira comunidade cristã é a dos pobres: ela está aliada à sabedoria do projeto de Deus; por isso, é portadora da novidade que provoca transformações radicais.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Marcos 3, 20-21 O pecado sem perdão.

* 20 Jesus foi para casa, e de novo se reuniu tanta gente que eles não podiam comer nem sequer um pedaço de pão. 21 Quando souberam disso, os parentes de Jesus foram segurá-lo, porque eles mesmos estavam dizendo que Jesus tinha ficado louco. Comentário: * 20-30: Em Jesus está presente o Espírito Santo, que o leva à missão de libertar e desalienar os homens. Por isso ele é acusado de estar “possuído por um espírito mau.” Tal acusação é pecado sem perdão. Para os acusadores, o bem é mal, e o mal é bem. Eles, na verdade, estão comprometidos e tiram proveito do mal; por isso, não reconhecem e não aceitam Jesus. Marcos nos apresenta hoje um texto intrigante e curioso: Jesus é incompreendido pela própria família. Em outro momento, o mesmo Jesus reconheceu que “nenhum profeta é bem recebido na própria terra”, mas aqui vemos uma recusa e hostilidade alargada, que envolve seus parentes, a princípio pessoas que o conheciam perfeitamente e sabiam da sua origem divina. Segundo a tradição, nesta ocasião seu pai José já não estava vivo, mas sua mãe Maria sim. Portanto, é estranho acharem que “ele ficou louco” por curar os doentes e anunciar a libertação do pecado. Alguns estudiosos dizem que a tradução correta deveria ser outra, que de fato quem estava “louca” era a multidão, e os familiares tentavam apenas proteger Jesus, afastando-o da multidão fora de controle. Esses parentes provavelmente eram seus tios e primos, que viviam juntos e unidos, seguindo a tradição judaica, marcada pela cultura tribal. Inclusive, a palavra hebraica para designar “irmãos” e “primos” é a mesma: “ach”. Por outro lado, se seguirmos a interpretação tradicional deste episódio, estamos diante do momento em que Jesus rompe os laços de sangue para dar início a uma família muito maior, não marcada pela genética e pelo sangue, mas pela comum vocação de seguidores, tendo no sacramento do batismo o ponto de referência para esta nova filiação divina.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Marcos 3, 13-19 A formação do novo povo de Deus.

* 13 Jesus subiu ao monte e chamou os que desejava escolher. E foram até ele. 14 Então Jesus constituiu o grupo dos Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, 15 com autoridade para expulsar os demônios. 16 Constituiu assim os Doze: Simão, a quem deu o nome de Pedro; 17 Tiago e João, filhos de Zebedeu, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer “filhos do trovão”; 18 André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão o cananeu, 19 e Judas Iscariotes, aquele que depois o traiu. Comentário: * 13-19: Dentre a multidão e os discípulos Jesus escolhe doze. Um pequeno grupo que será o começo de novo povo. A missão desse grupo compreende três atitudes: comprometer-se com Jesus (estar com ele) para anunciar o Reino (pregar), libertando os homens de tudo aquilo que os escraviza e aliena (expulsar os demônios). Dentre todos os seus seguidores e discípulos, Jesus escolhe doze para o acompanharem mais de perto, viverem em comunidade com ele e serem preparados para darem continuidade à sua missão no futuro. O número doze remete às tribos de Jacó, que saíram do Egito e deram início à nação de Israel, simbolizando que a Igreja nascente é o novo povo de Deus, o novo Israel. Entre os doze, temos homens de origens diversas, de diferentes idades e profissões. Temos inclusive um traidor (Judas) e uma “rocha” (Pedro), que assumirá a liderança do grupo e da Igreja nascente por ordem do próprio Cristo. Marcos não nos revela nenhum critério claro nas escolhas de Jesus, nem mesmo os outros evangelistas tocam nesse tema. Simplesmente chamou doze que provavelmente considerou mais disponíveis para a missão, certamente não os doze melhor preparados ou mais justos. É importante compreender isso para perceber que a Igreja não é composta por pessoas “perfeitas”, mas sim por pessoas disponíveis para a missão e para seguir Cristo sempre e em tudo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Marcos 3, 7-12 Jesus e a multidão.

* 7 Jesus se retirou para a beira do mar, junto com seus discípulos. Muita gente da Galileia o seguia. 8 E também muita gente da Judéia, de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e da Sidônia, foi até Jesus, porque tinha ouvido falar de tudo o que ele fazia. 9 Então Jesus pediu aos discípulos que arrumassem uma barca, para ele não ficar espremido no meio da multidão. 10 Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal se jogavam sobre ele para tocá-lo. 11 Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés gritando: “Tu és o Filho de Deus!” 12 Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era. Comentário: * 7-12: Jesus se retira, mas atrai a multidão de todos os lugares. Ele acolhe o povo, mas também toma distância. O projeto de Jesus não pode ser atrapalhado por um assistencialismo que só atende às necessidades imediatas. É preciso destruir pela raiz as estruturas injustas; estas é que produzem todo tipo de necessidades na vida do povo. Em pouco tempo, a fama de Jesus se espalhou e pessoas de todas as regiões vinham ao seu encontro, procurando cura e paz para o coração. Seus milagres atraíam multidões, mas Jesus não queria simplesmente curar; ele veio para salvar a humanidade doente e promover uma nova atitude. Cada pessoa deve compreender isso e ser movida por esse objetivo. Até que todos tenham entendido por si mesmos e pelos sinais que veem, Jesus repreende os espíritos impuros e os proíbe de divulgar quem ele é. Será que hoje, dois milênios depois, conhecendo todas as ações de Jesus, somos capazes de o reconhecer como verdadeiro Messias e Senhor? Ou vemos Jesus apenas como um guru espiritual que faz milagres e fala coisas bonitas? Algo importante para nos questionarmos!

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Marcos 3, 1-6 A lei de Jesus é salvar o homem.

* 1 Jesus entrou de novo na sinagoga, onde estava um homem com a mão seca. 2 Havia aí algumas pessoas espiando, para verem se Jesus ia curá-lo em dia de sábado, e assim poderem acusá-lo. 3 Jesus disse ao homem da mão seca: “Levante-se e fique no meio.” 4 Depois perguntou aos outros: “O que é que a Lei permite no sábado: fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou matá-la?” Mas eles não disseram nada. 5 Jesus então olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eles eram duros de coração. Depois disse ao homem: “Estenda a mão.” O homem estendeu a mão e ela ficou boa. 6 Logo depois, os fariseus saíram da sinagoga e, junto com alguns do partido de Herodes, faziam um plano para matar Jesus. Comentário: * 1-6: Jesus mostra que a lei do sábado deve ser interpretada como libertação e vida para o homem. Ao mesmo tempo, partidos que eram inimigos entre si reúnem-se para planejar a morte desse profeta: afinal, ele está destruindo a ideia de religião e sociedade que eles tinham. O sábado é o dia de repouso absoluto para os israelitas, mas há algumas exceções, como o ato de salvar uma vida em perigo. Jesus alarga a reflexão e questiona se, além de salvar uma vida, não seria permitido também fazer o bem. Na prática, quer mostrar aos seus opositores que existem muitos modos de salvar uma vida. Expulsar um espírito mau ou então curar um paralítico ou um leproso são formas de devolver a vida a uma pessoa que estava excluída da sociedade e limitada em tudo o que fazia. O que Jesus quer mostrar, no fundo, é que a prática religiosa não pode se limitar a uma série de preceitos e ritos, mas deve envolver a vida toda. Somos chamados a fazer o bem o tempo todo, em todas as situações e contextos. Essa é a regra de vida do cristão.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Marcos 2, 23-28 Jesus liberta da lei.

* 23 Num dia de sábado, Jesus estava passando por uns campos de trigo. Os discípulos iam abrindo caminho, e arrancando as espigas. 24 Então os fariseus perguntaram a Jesus: “Vê: por que os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido em dia de sábado?” 25 Jesus perguntou aos fariseus: “Vocês nunca leram o que Davi e seus companheiros fizeram quando estavam passando necessidade e sentindo fome? 26 Davi entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu dos pães oferecidos a Deus e os deu também para os seus companheiros. No entanto só os sacerdotes podem comer desses pães.” 27 E Jesus acrescentou: “O sábado foi feito para servir ao homem, e não o homem para servir ao sábado. 28 Portanto, o Filho do Homem é senhor até mesmo do sábado.” Comentário: * 23-28: O centro da obra de Deus é o homem, e cultuar a Deus é fazer o bem ao homem. Não se trata de estreitar ou alargar a lei do sábado, mas de dar sentido totalmente novo a todas as estruturas e leis que regem as relações entre os homens. Porque só é bom aquilo que faz o homem crescer e ter mais vida. Toda lei que oprime o homem é lei contra a própria vontade de Deus, e deve ser abolida. A prática de Jesus mostra que a verdadeira religião não é simplesmente um conjunto de verdades para professar e de preceitos para observar. Não! A verdadeira religião se fundamenta na doação total da própria vida a Deus, seguindo na vida cotidiana o seu mandamento do amor e imitando, assim, a sua misericórdia e santidade. Esse é o cumprimento pleno da Lei, sem a deturpação gerada por séculos de institucionalização da religião. Jesus é o “Senhor do sábado” porque tem autoridade não apenas para explicar a Lei, mas também para renová-la. Essa nova Lei é a que ele transmitiu aos discípulos ao longo de três anos através de ações e palavras, e que chegou até nós através do Evangelho e do testemunho de todos os discípulos missionários que escreveram a história da Igreja de Cristo.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Marcos 2, 18-22 Jesus provoca ruptura.

* 18 Os discípulos de João Batista e os fariseus estavam fazendo jejum. Então alguns perguntaram a Jesus: “Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus fazem jejum e os teus discípulos não fazem?” 19 Jesus respondeu: “Vocês acham que os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está presente, os convidados não podem fazer jejum. 20 Mas vão chegar dias em que o noivo será tirado do meio deles. Nesse dia eles vão jejuar. 21 Ninguém põe um remendo de pano novo em roupa velha; porque o remendo novo repuxa o pano e o rasgo fica maior ainda. 22 Ninguém coloca vinho novo em barris velhos; porque o vinho novo arrebenta os barris velhos, e o vinho e os barris se perdem. Por isso, vinho novo deve ser colocado em barris novos.” Comentário: * 18-22: O jejum caracterizava o tempo de espera. Mas esse tempo já terminou. Chegou a hora da festa do casamento, isto é, da nova e alegre relação entre Deus e os homens. A atividade de Jesus mostra que o amor de Deus vem para salvar o homem concreto e não para manter as estruturas que sugam o homem. A novidade rompe estas estruturas simbolizadas pela roupa e barril velhos. Jesus não veio para reformar; ele exige mudança radical. No tempo de Jesus, o costume dizia que era preciso jejuar duas vezes por semana. Ora, os discípulos trabalhavam constantemente pela missão ao lado do Mestre, precisando se nutrir, e não faziam os jejuns, sendo criticados pelos fariseus. Em sua pedagogia criativa, Jesus utiliza então três analogias para mostrar aos opositores que há um tempo certo para cada coisa, como ensina o livro de Coélet. Enquanto o noivo (Jesus) estiver no mundo, é tempo de festa e alegria. Depois de sua morte, será tempo de jejum. Mas esse tempo durará pouco, pois logo o Senhor ressuscitará e permanecerá ao nosso lado eternamente. Eis a grande novidade, que não pode ser contida em uma vasilha ou roupa velha. Precisamos nos transformar em pessoas novas (interna e externamente).

sábado, 17 de janeiro de 2026

João 1, 29-34 A testemunha reconhece o Salvador.

* 29 No dia seguinte, João viu Jesus, que se aproximava dele. E disse: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo. 30 Este é aquele de quem eu falei: ‘Depois de mim vem um homem que passou na minha frente, porque existia antes de mim’. 31 Eu também não o conhecia. Mas vim batizar com água, a fim de que ele se manifeste a Israel.” 32 E João testemunhou: “Eu vi o Espírito descer do céu, como uma pomba, e pousar sobre ele. 33 Eu também não o conhecia. Aquele que me enviou para batizar com água, foi ele quem me disse: ‘Aquele sobre quem você vir o Espírito descer e pousar, esse é quem batiza com o Espírito Santo’. 34 E eu vi, e dou testemunho de que este é o Filho de Deus.” Comentário: * 29-34: No idioma dos judeus, a mesma palavra pode significar servo e cordeiro. Jesus é o Servo de Deus, anunciado pelos profetas, aquele que devia sacrificar-se pelos seus irmãos. Também é o verdadeiro Cordeiro, que substitui o cordeiro pascal. João Batista, chamando Jesus de Cordeiro, mostra que ele é o Messias que vem tirar a humanidade da escravidão em que se encontra e conduzi-la a uma vida na liberdade. A Igreja propõe para este segundo domingo do Tempo Comum um texto do Evangelho de João. A intenção é apresentar Jesus e sua missão. Quem entra em cena para apresentar o Mestre é João Batista. Segundo o testemunho de João, Jesus é o Cordeiro de Deus, sobre o qual repousa o Espírito, e o eleito de Deus para a missão. João Batista apresenta aquele que considera mais importante e que deve passar na frente dele. Não engrandece a si mesmo, mas exalta aquele que está chegando, o Messias, o Filho de Deus. Ele tem a missão de vencer o pecado da humanidade decaída. A alegria com a qual João apresenta sua personagem deve contagiar todos os que se propõem a segui-lo. Com Jesus, finalmente chegou o tão esperado Messias, o Redentor da humanidade. Cada comunidade cristã é convidada a apresentar com alegria o Deus que se torna carne, gente como a gente. É o “Deus encarnado” que batiza com o Espírito Santo para purificar e renovar o coração dos que se propõem a segui-lo.

1 Coríntios 1, 1-3 Endereço e saudação.

-* 1 Paulo, apóstolo de Jesus Cristo por vontade e chamado de Deus, e o irmão Sóstenes, 2 à igreja de Deus que está em Corinto. Dirigimo-nos àqueles que foram santificados em Jesus Cristo e chamados a ser santos, juntamente com todos os que invocam em todo lugar o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso. 3 Graça e paz a vocês da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Comentário: * 1-3: Desde o início, Paulo já salienta o aspecto da unidade, que é um dos temas fundamentais da carta: o único Senhor das igrejas é Jesus Cristo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Marcos 2, 13-17 Jesus rejeita a hipocrisia social.

* 13 Jesus saiu de novo para a beira do mar. Toda a multidão ia ao seu encontro. E Jesus os ensinava. 14 Enquanto ia caminhando, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse para ele: “Siga-me.” Levi se levantou e o seguiu. 15 Mais tarde, Jesus estava comendo na casa de Levi. Havia vários cobradores de impostos e pecadores na mesa com Jesus e seus discípulos; com efeito, eram muitos os que o seguiam. 16 Alguns doutores da Lei, que eram fariseus, viram que Jesus estava comendo com pecadores e cobradores de impostos. Então eles perguntaram aos discípulos: “Por que Jesus come e bebe junto com cobradores de impostos e pecadores?” 17 Jesus ouviu e respondeu: “As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes. Eu não vim para chamar justos, e sim pecadores.” Comentário: * 13-17: Os cobradores de impostos eram desprezados e marginalizados porque colaboravam com a dominação romana, cobrando imposto e, em geral, aproveitando para roubar. Jesus rompe os esquemas sociais que dividem os homens em bons e maus, puros e impuros. Chamando um cobrador de impostos para ser seu discípulo, e comendo com os pecadores, Jesus mostra que sua missão é reunir e salvar aqueles que a sociedade hipócrita rejeita como maus. Jesus ensinava na sinagoga, lugar onde os israelitas se reúnem para o exercício do culto, mas também ensinava nas ruas, nas praças, na beira do mar, como vemos no Evangelho de hoje. O local de trabalho é, portanto, um ambiente propício para evangelizar. Diversos santos ao longo da história da Igreja compreenderam isso perfeitamente e fundaram movimentos próprios para anunciar a Palavra de Deus nos locais de trabalho. Entretanto, cada cristão é convidado também hoje a santificar o seu trabalho, testemunhando sua fé e a verdade do Evangelho a todos com quem convive no dia a dia. O chamado de Levi mostra que as profissões e os ambientes de trabalho são mais propensos à corrupção e à injustiça, e por isso precisam ser tocados por Jesus e pela sua Boa-nova, porque “não são os que têm saúde que precisam de médico, e sim os doentes”.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Marcos 2, 1-12 Jesus liberta pela raiz.

* 1 Alguns dias depois, Jesus entrou de novo na cidade de Cafarnaum. Logo se espalhou a notícia de que Jesus estava em casa. 2 E tanta gente se reuniu aí que já não havia lugar nem na frente da casa. E Jesus anunciava a palavra. 3 Levaram então um paralítico, carregado por quatro homens. 4 Mas eles não conseguiam chegar até Jesus, por causa da multidão. Então fizeram um buraco no teto, bem em cima do lugar onde Jesus estava, e pela abertura desceram a cama em que o paralítico estava deitado. 5 Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os seus pecados estão perdoados.” 6 Ora, alguns doutores da Lei estavam aí sentados, e começaram a pensar: 7 “Por que este homem fala assim? Ele está blasfemando! Ninguém pode perdoar pecados, porque só Deus tem poder para isso!” 8 Jesus logo percebeu o que eles estavam pensando no seu íntimo, e disse: “Por que vocês pensam assim? 9 O que é mais fácil dizer ao paralítico: ‘Os seus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levante-se, pegue a sua cama e ande?’ 10 Pois bem, para que vocês saibam que o Filho do Homem tem poder na terra para perdoar pecados, - disse Jesus ao paralítico - 11 eu ordeno a você: Levante-se, pegue a sua cama e vá para casa.” 12 O paralítico então se levantou e, carregando a sua cama, saiu diante de todos. E todos ficaram muito admirados e louvaram a Deus dizendo: “Nunca vimos uma coisa assim!” Comentário: * 1-12: Segundo os antigos, a doença era causada pelo pecado. Para libertar o homem, Jesus vai direto à raiz: o pecado invisível que causa os males externos e visíveis. A oposição a Jesus começa: os doutores da Lei só se preocupam com teorias religiosas, e não em transformar a situação do homem. A ação de Jesus é completa. É um dizer e fazer que cura por dentro e por fora, fazendo o homem reconquistar a capacidade de caminhar por si. Somente Deus pode perdoar os pecados! Portanto, Jesus é Deus e traz ao mundo uma nova lei: a lei do amor e do perdão. Exatamente isso é o que Marcos nos revela através da sua narração da cura do paralítico, a primeira de cinco narrações sentenciosas que constituem uma coletânea catequética das disputas de Jesus com seus adversários. Jesus não cura apenas o corpo, mas o ser humano integralmente, salvando-o de todo pecado e culpa.

Marcos 1, 40-45 Jesus e os marginalizados.

* 40 Um leproso chegou perto de Jesus e pediu de joelhos: “Se queres, tu tens o poder de me purificar.” 41 Jesus ficou cheio de ira, estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fique purificado.” 42 No mesmo instante a lepra desapareceu e o homem ficou purificado. 43 Então Jesus o mandou logo embora, ameaçando-o severamente: 44 “Não conte nada para ninguém! Vá pedir ao sacerdote para examinar você, e depois ofereça pela sua purificação o sacrifício que Moisés ordenou, para que seja um testemunho para eles.” 45 Mas o homem foi embora e começou a pregar muito e a espalhar a notícia. Por isso, Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade: ele ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte as pessoas iam procurá-lo. Comentário: * 40-45: O leproso era marginalizado, devendo viver fora da cidade, longe do convívio social, por motivos higiênicos e religiosos (Lv 13,45-46). Jesus fica irado contra uma sociedade que produz a marginalização. Por isso, o homem curado deve apresentar-se para dar testemunho contra um sistema que não cura, mas só declara quem pode ou não participar da vida social. O marginalizado agora se torna testemunho vivo, que anuncia Jesus, aquele que purifica. E Jesus está fora da cidade, lugar que se torna o centro de nova relação social: o lugar dos marginalizados é o lugar onde se pode encontrar Jesus. Quando somos tomados por uma grande alegria, é difícil nos conter, queremos anunciar a todos o motivo da nossa felicidade. Podemos imaginar, portanto, a enorme exultação do leproso após ter sido curado por Jesus, tão grande que era impossível para ele se conter e não divulgar a notícia. É importante recordar que os leprosos eram considerados impuros, excluídos da sociedade e afastados inclusive da relação com seus familiares. Viviam isolados, distantes da comunidade. Ninguém podia tocar neles. Ao curar aquele homem, Jesus contrariou a Lei mosaica, mas devolveu-lhe sua dignidade, reintegrando-o na comunidade e no convívio social. Esse episódio, em que Jesus abertamente viola a lei, introduz as cinco controvérsias (2,1-3,6), nas quais dissertará sobre o verdadeiro sentido da Lei de Deus.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Marcos 1, 29-39 Ser livre para servir.

* 29 Saíram da sinagoga e foram logo para a casa de Simão e André, junto com Tiago e João. 30 A sogra de Simão estava de cama, com febre, e logo eles contaram isso a Jesus. 31 Jesus foi aonde ela estava, segurou sua mão e ajudou-a a se levantar. Então a febre deixou a mulher, e ela começou a servi-los. 32 À tarde, depois do pôr-do-sol, levavam a Jesus todos os doentes e os que estavam possuídos pelo demônio. 33 A cidade inteira se reuniu na frente da casa. 34 Jesus curou muitas pessoas de vários tipos de doença e expulsou muitos demônios. Os demônios sabiam quem era Jesus, e por isso Jesus não deixava que eles falassem. Jesus rejeita a popularidade fácil -* 35 De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. 36 Simão e seus companheiros foram atrás de Jesus 37 e, quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando.” 38 Jesus respondeu: “Vamos para outros lugares, às aldeias da redondeza. Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim.” 39 E Jesus andava por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios. Comentário: * 29-34: Para os antigos, a febre era de origem demoníaca. Libertos do demônio, os homens podem levantar-se e pôr-se a serviço. Os demônios reconhecem quem é Jesus, porque sentem que a palavra e ação dele ameaça o domínio que eles têm sobre o homem. * 35-39: O deserto é o ponto de partida para a missão. Aí Jesus encontra o Pai, que o envia para salvar os homens. Mas encontra também a tentação: Pedro sugere que Jesus aproveite a popularidade conseguida num dia. É o primeiro diálogo com os discípulos, e já se nota tensão. Jesus é procurado por todos porque cura muitos doentes e expulsa muitos demônios. Isso faz parte de sua missão no mundo, mas ainda não é tudo. A parte mais importante será revelada mais tarde, quando chegar a hora. Até lá, Jesus não quer ser exposto ou ter um testemunho que não provenha da fé, por isso proíbe os espíritos impuros de falar e se refugia nos lugares desertos. Nesse trecho do Evangelho, vemos como é importante unir a oração à ação. Ao mesmo tempo que Jesus tinha uma atividade muito intensa de cura e libertação, também se recolhia em oração silenciosa, dirigindo-se ao Pai. Esse equilíbrio é pedido a todos os seus discípulos, inclusive a nós, hoje.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Marcos 1, 21-28 Jesus vence a alienação.

-* 21 Foram à cidade de Cafarnaum e, no sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. 22 As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento, porque Jesus ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da Lei. 23 Nesse momento, estava na sinagoga um homem possuído por um espírito mau, que começou a gritar: 24 “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!” 25 Jesus ameaçou o espírito mau: “Cale-se, e saia dele!” 26 Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu dele. 27 Todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “O que é isso? Um ensinamento novo, dado com autoridade... Ele manda até nos espíritos maus e eles obedecem!” 28 E a fama de Jesus logo se espalhou por toda parte, em toda a redondeza da Galileia. Comentário: * 21-28: A ação demoníaca escraviza e aliena o homem, impedindo-o de pensar e de agir por si mesmo (por exemplo: ideologias, propagandas, estruturas, sistemas etc.): outros pensam e agem através dele. O primeiro milagre de Jesus é fazer o homem voltar à consciência e à liberdade. Só assim o homem pode segui-lo. Marcos não diz qual era o ensinamento de Jesus; contudo, mencionando-o junto com uma ação de cura, ele sugere que o ensinamento com autoridade repousa numa prática concreta de libertação: com sua ação Jesus interpreta as Escrituras de modo superior a toda a cultura dos doutores da Lei. O sábado é o dia santo para o judeu, por isso é um dia dedicado à oração e ao estudo da Escritura. Jesus segue a tradição e dedica seus sábados em Cafarnaum para ir à sinagoga e ensinar, causando admiração porque seus ensinamentos não se baseavam na autoridade da Escritura ou dos mestres que o precederam, como faziam os escribas da época, mas em sua própria autoridade, seu testemunho de vida, sua divindade, que aqui podemos comprovar que se manifestava já desde o início da sua missão ou vida pública. O exorcismo ou cura que Jesus realiza do homem possuído por um espírito impuro (símbolo de todas as doenças e tentações) é um sinal claro desta autoridade que Jesus transmite através de suas palavras e ações. Seu ensinamento é diferente, é Palavra viva, tanto que permanece inalterado até os nossos dias.

domingo, 11 de janeiro de 2026

Marcos 1, 14-20 A pregação de Jesus.

* 14 Depois que João Batista foi preso, Jesus voltou para a Galileia, pregando a Boa Notícia de Deus: 15 “O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia.” Seguir a Jesus é comprometer-se -* 16 Ao passar pela beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e seu irmão André; estavam jogando a rede ao mar, pois eram pescadores. 17 Jesus disse para eles: “Sigam-me, e eu farei vocês se tornarem pescadores de homens.” 18 Eles imediatamente deixaram as redes e seguiram a Jesus. 19 Caminhando mais um pouco, Jesus viu Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes. 20 Jesus logo os chamou. E eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados e partiram, seguindo a Jesus. Comentário: * 14-15: São as primeiras palavras de Jesus: elas apresentam a chave para interpretar toda a sua atividade. Cumprimento: em Jesus, Deus se entrega totalmente. Não é mais tempo de esperar. É hora de agir. O Reino é o amor de Deus que provoca a transformação radical da situação injusta que domina os homens. Está próximo: o Reino é dinâmico e está sempre crescendo. Conversão: a ação de Jesus exige mudança radical da orientação de vida. Acreditar na Boa Notícia: é aceitar o que Jesus realiza e empenhar-se com ele. * 16-20: O chamado dos primeiros discípulos é um convite aberto a todos os que ouvem as palavras de Jesus. Simão e André deixam a profissão; Tiago e João deixam a família... Seguir a Jesus implica deixar as seguranças que possam impedir o compromisso com uma ação transformadora. Abrindo o Tempo Comum, a liturgia nos oferece para meditação o trecho do Evangelho em que Jesus anuncia a proximidade do Reino, convocando todos à conversão. É o início da chamada “vida pública” de Jesus, que durará cerca de três anos. Para ajudá-lo na missão de anunciar a todos o Reino que se aproxima, Jesus escolhe alguns discípulos, gente pobre e humilde, sem grande instrução, a exemplo dos irmãos Simão e André, e Tiago e João, simples pescadores da Galileia. Eles atendem prontamente o convite e deixam profissão e família por amor de Jesus e para tornarem-se, como ele, pescadores de homens. Instruídos pelo Mestre e auxiliados pelo Espírito, estes apóstolos anunciarão a conversão e a fé muito além da Galileia, chegando a todos os confins do mundo.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Mateus 3, 13-17 A justiça vai ser realizada.

* 13 Jesus foi da Galileia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João, e ser batizado por ele. 14 Mas João procurava impedi-lo, dizendo: “Sou eu que devo ser batizado por ti, e tu vens a mim?” 15 Jesus, porém, lhe respondeu: “Por enquanto deixe como está! Porque devemos cumprir toda a justiça.” E João concordou. 16 Depois de ser batizado, Jesus logo saiu da água. Então o céu se abriu, e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e pousando sobre ele. 17 E do céu veio uma voz, dizendo: “Este é o meu Filho amado, que muito me agrada.” Comentário: * 13-17: Neste Evangelho, as primeiras palavras de Jesus apresentam o programa de toda a sua vida e ação: cumprir toda a justiça, isto é, realizar plenamente a vontade de Deus e seu projeto salvador. Cf. também nota em Mc 1,9-11. Em torno dos 30 anos, Jesus, saindo do anonimato, vai ao encontro de João Batista e, misturado com a multidão pecadora, busca o batismo. Eis o paradoxo da justiça de Deus: o santo e inocente fez-se pecador por nós. Com o batismo, Jesus inaugura sua vida pública e dá início à missão. João tenta resistir; Jesus, porém, insiste para ser batizado, pois tem a missão de “cumprir toda a justiça”. Durante o batismo, uma voz do alto se faz ouvir: “Este é o meu Filho amado”. Com o batismo de Jesus, o céu se abriu, não há mais obstáculos entre Deus e a humanidade. Batizado, inicia sua caminhada missionária, manifestando-se publicamente ao mundo com a prática que é a própria ação de Deus. Sua grande missão é revelar a justiça, a misericórdia e a bondade do Pai, contagiando a humanidade para torná-la mais fraterna e solidária. A exemplo de Jesus Cristo, pelo batismo, somos inseridos no mundo para realizar a missão que o Pai nos confiou. Com o batismo de Jesus, conclui-se o tempo natalino.

Atos 10, 34-38 A essência da catequese de Pedro.

-* 34 Pedro então começou a falar: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz diferença entre as pessoas. 35 Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, seja qual for a nação a que pertença. 36 Deus enviou sua palavra aos israelitas, e lhes anunciou a Boa Notícia da paz por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37 Vocês sabem o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João. 38 Eu me refiro a Jesus de Nazaré: Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder. E Jesus andou por toda parte, fazendo o bem e curando todos os que estavam dominados pelo diabo; porque Deus estava com Jesus. Comentário: * 34-43: O texto reflete a essência da catequese primitiva. Na estrutura dessa catequese podemos ver a estrutura dos atuais evangelhos escritos; estes não são mais do que a cristalização da catequese realizada em comunidades particulares. O ponto de partida da evangelização e da catequese é o reconhecimento de que o povo de Deus é formado por todos aqueles que o respeitam e praticam a sua vontade, ainda que de forma inconsciente e anônima. É essa prática da justiça que a evangelização visa a descobrir, fazer crescer e educar, mostrando tudo o que Deus realizou em favor dos homens através de Jesus Cristo. Note-se que toda a atividade de Jesus está resumida numa frase que define o programa da ação cristã: fazer o bem e curar todos os que estão dominados pelo diabo. Em outras palavras, trata-se de despertar relações justas entre os homens, a fim de que eles vençam a alienação e construam uma sociedade voltada para a vida que Deus quer.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

João 3, 22-30 Jesus é maior que a sua testemunha.

-* 22 Depois disso, Jesus foi para a região da Judéia com seus discípulos. Ficou aí com eles e batizava. 23 João também estava batizando em Enon, perto de Salim, onde havia bastante água. As pessoas iam e eram batizadas. 24 João ainda não tinha sido preso. 25 Então começou uma discussão entre os discípulos de João e um judeu sobre a purificação. 26 Eles foram a João e disseram: “Rabi, aquele que estava com você na outra margem do Jordão, e do qual você deu testemunho, agora ele está batizando, e todos correm para ele!” 27 E João respondeu: “Ninguém pode receber alguma coisa se esta não lhe for dada do céu. 28 Vocês mesmos são testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Messias, mas fui enviado na frente dele’. 29 É o noivo que recebe a noiva e o amigo, que está aí esperando, se enche de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é muito grande. 30 É preciso que ele cresça e eu diminua.” Comentário: * 22-30: João Batista não é rival de Jesus. Confessa claramente que sua missão é tornar Jesus conhecido e seguido, e não se servir de Jesus como trampolim para angariar seguidores. Os seguidores de João estão confusos. Certamente não entenderam as palavras do Batista que apontaram o Cordeiro de Deus, ou não estavam presentes na ocasião em que João batizou Jesus no Jordão. Não há problema. O Batista reforça que é apenas um enviado para preparar o caminho do verdadeiro Redentor, como o padrinho que acompanha o noivo no dia do seu casamento. Aos poucos, João deve diminuir e desaparecer para que todos sigam o único e verdadeiro Mestre, Jesus Cristo. O mesmo vale hoje, sobretudo para o mundo virtual: todos os que surgem como “influenciadores” devem apenas apontar para o Mestre, Jesus Cristo, o único a ser “seguido”.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Lucas 5, 12-16 Jesus reintegra os marginalizados.

-* 12 Aconteceu que Jesus estava numa cidade, e havia aí um homem leproso. Vendo Jesus, caiu a seus pés, e pediu: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar.” 13 Jesus estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero, fique purificado.” No mesmo instante a lepra o deixou. 14 Jesus lhe ordenou que não dissesse nada a ninguém. E falou: “Vá pedir ao sacerdote para examinar você, e depois ofereça pela sua purificação o sacrifício que Moisés ordenou, para que seja um testemunho para eles.” 15 No entanto, a fama de Jesus espalhava-se cada vez mais, e numerosas multidões se reuniam para ouvi-lo e serem curadas de suas doenças. 16 Mas Jesus se retirava para lugares desertos, a fim de rezar. Comentário: * 12-16: Cf. nota em Mt 8,1-4. Enquanto o leproso curado testemunha a ação de Jesus, este se retira para refontizar a sua missão em Deus Pai, e assim continuar a sua obra. Segundo a Lei judaica, expressa no livro do Levítico (c. 13), o leproso é um ser impuro e por isso deveria permanecer afastado (excluído) da comunidade. Jesus não tem medo de se contaminar e, estendendo a mão, toca o leproso, demonstrando grande compaixão. Em respeito à Lei, porém, manda-o cumprir o que Moisés prescrevera para a purificação (Levítico 14). Essa ação do mestre, por um lado, mostra que sua divindade está acima de qualquer lei humana, mas, por outro lado, ele age em continuidade com a tradição e com a revelação feita aos antepassados (patriarcas e profetas). Assim como o leproso, cada um de nós deve ter a coragem de ir ao encontro de Jesus Cristo, conscientes de que necessitamos da sua ajuda e de que ele é o Messias que nos cura de todos os males pessoais e sociais.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Lucas 4,14-22 O programa da atividade de Jesus.

* 14 Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. 15 Ele ensinava nas sinagogas, e todos o elogiavam. 16 Jesus foi à cidade de Nazaré, onde se havia criado. Conforme seu costume, no sábado entrou na sinagoga, e levantou-se para fazer a leitura. 17 Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem onde está escrito: 18 “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, 19 e para proclamar um ano de graça do Senhor.” 20 Em seguida Jesus fechou o livro, o entregou na mão do ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Então Jesus começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês acabam de ouvir.” Reação do povo -* 22 Todos aprovavam Jesus, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. Comentário: * 14-21: Colocada no início da vida pública de Jesus, esta passagem constitui, conforme Lucas, o programa de toda a atividade de Jesus. Is 61,1-2 anunciara que o Messias iria realizar a missão libertadora dos pobres e oprimidos. Jesus aplica a passagem a si mesmo, assumindo-a no hoje concreto em que se encontra. No ano da graça eram perdoadas todas as dívidas e se redistribuíam fraternalmente todas as terras e propriedades: Jesus encaminha a humanidade para uma situação de reconciliação e partilha, que tornam possíveis a igualdade, a fraternidade e a comunhão. * 22-30: A dúvida e a rejeição de Jesus por parte de seus compatriotas fazem prever a hostilidade e a rejeição de toda a atividade de Jesus por parte de todo o seu povo. No entanto, Jesus prossegue seu caminho, para construir a nova história que engloba toda a humanidade. Na sua terra natal, Nazaré, Jesus segue a tradição judaica e frequenta a sinagoga. Como de costume, qualquer homem da comunidade pode se levantar para ler a Sagrada Escritura. Naquele dia, a leitura escolhida foi um trecho da profecia de Isaías, “coincidência” divina que deu a possibilidade para Jesus manifestar o sentido e o objetivo de sua missão no mundo: curar os doentes, libertar os oprimidos, anunciar a graça e a alegria do Senhor… salvar a humanidade do pecado e da morte! Somente Jesus nos tira da condição de escravidão, exploração e degradação, e são tantas essas condições que ainda hoje aprisionam o ser humano.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Marcos 6, 45-52 Jesus é a presença de Deus.

-* 45 Logo em seguida Jesus obrigou os discípulos a entrar na barca e ir na frente para Betsaida, enquanto ele despedia a multidão. 46 Logo depois de se despedir da multidão subiu ao monte para rezar. 47 Ao anoitecer, a barca estava no meio do mar e Jesus sozinho em terra. 48 Viu que os discípulos estavam cansados de remar, porque o vento era contrário. Então, entre as três e as seis horas da madrugada, Jesus foi até os discípulos andando sobre o mar, e queria passar na frente deles. 49 Quando os discípulos o avistaram andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e começaram a gritar. 50 Com efeito, todos o tinham visto e ficaram assustados. Mas Jesus logo falou: “Coragem! Sou eu, não tenham medo!” 51 Então subiu com eles na barca. E o vento parou. Mas os discípulos ficaram ainda mais espantados, 52 porque não tinham compreendido o acontecimento dos pães. O coração deles estava endurecido. Comentário: * 45-56: O episódio mostra o verdadeiro Deus sendo revelado em Jesus (“Eu Sou” - cf. Ex 3,14). Os discípulos não conseguem ver a presença de Deus em Jesus, porque não entenderam o acontecimento dos pães. Para quem não entende que o comércio e a posse devem ser substituídos pelo dom e pela partilha, Jesus se torna fantasma ou apenas fazedor de milagres que provoca medo, e não a presença do Deus verdadeiro. Andar sobre as águas é mais um sinal da divindade de Jesus Cristo. Ele é o Filho de Deus, que dá coragem e dissipa qualquer medo presente nos seus discípulos. Naquele momento, os apóstolos ainda não conseguiam compreender totalmente, pois estavam assustados e não lhes tinha sido revelada toda a verdade. Nós, hoje, porém, não temos desculpas para não confiarmos em Jesus, pois conhecemos a paz e a tranquilidade que têm nele sua origem e que nos são dadas através do Espírito Santo. Sabemos que ele sempre virá ao nosso encontro, acalmando qualquer tempestade. Quanto mais lermos e meditarmos a Sagrada Escritura, mais conheceremos Jesus Cristo e mais fortes e confiantes nos sentiremos.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Marcos 6, 34-44 O banquete da vida.

34 Quando saiu da barca, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão, porque eles estavam como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar muitas coisas para eles. 35 Quando estava ficando tarde, os discípulos chegaram perto de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e já é tarde. 36 Despede o povo, para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar alguma coisa para comer.” 37 Mas Jesus respondeu: “Vocês é que têm de lhes dar de comer.»”Os discípulos perguntaram: “Devemos gastar meio ano de salário e comprar pão para dar-lhes de comer?” 38 Jesus perguntou: “Quantos pães vocês têm? Vão ver.” Eles foram e responderam: “Cinco pães e dois peixes.” 39 Então Jesus mandou que todos se sentassem na grama verde, formando grupos. 40 E todos se sentaram, formando grupos de cem e de cinquenta pessoas. 41 Depois Jesus pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu entre todos também os dois peixes. 42 Todos comeram, ficaram satisfeitos, 43 e recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e também dos peixes. 44 O número dos que comeram os pães era de cinco mil homens. Comentário: * 30-44: Enquanto Herodes celebra o banquete da morte com os grandes, Jesus celebra o banquete da vida com o povo simples. Marcos não diz o que Jesus ensina, mas o grande ensinamento de toda a cena está no fato de que não é preciso muito dinheiro para comprar comida para o povo. É preciso simplesmente dar e repartir entre todos o pouco que cada um possui. Jesus projeta nova sociedade, onde o comércio é substituído pelo dom, e a posse pela partilha. Mas, para que isso realmente aconteça, é preciso organizar o povo. Dando e repartindo, todos ficam satisfeitos, e ainda sobra muita coisa. Jesus tem compaixão da multidão e começa a ser guia e mestre deste rebanho sem pastor, ensinando-lhe muitas coisas e dando-lhe o alimento espiritual (Palavra de Deus) e material (pães e peixes). Este episódio da multiplicação manifesta a divindade de Jesus, sendo associado ao novo Moisés, mas mostra também que o seu ensinamento envolve o ser humano integralmente: corpo, mente e espírito. Mostra-nos, sobretudo, o valor e a importância da partilha, porque, quando colocamos o pouco que temos à disposição de todos, todos ficam satisfeitos e saciados.

Mateus 4, 12-17.23-25 A esperança começa na Galileia.

* 12 Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. 13 Deixou Nazaré, e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, nos confins de Zabulon e Neftali, 14 para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15 «Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos que não são judeus! 16 O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e uma luz brilhou para os que viviam na região escura da morte.” 17 Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: “Convertam-se, porque o Reino do Céu está próximo.” A atividade de Jesus -* 23 Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando a Boa Notícia do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. 24 E a fama de Jesus espalhou-se por toda a Síria. Levaram-lhe todos os doentes atingidos por diversos males e tormentos: endemoninhados, epiléticos e paralíticos. E Jesus os curou. 25 Numerosas multidões da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judéia e do outro lado do rio Jordão começaram a seguir Jesus. Comentário: * 12-25: Jesus começa sua atividade na Galileia, região distante do centro econômico, político e religioso do seu país. A esperança da salvação se inicia justamente numa região da qual nada se espera. A pregação de Jesus tem a mesma radicalidade que a de João Batista: é preciso total mudança de vida, porque o Reino do Céu está próximo. * 23-25: A atividade de Jesus consiste na palavra (ensinar, pregar) e ação (curar). É atividade dirigida aos mais pobres, necessitados e marginalizados. O conteúdo dela é descrito em Mt 5-9. Mateus nos descreve o início da pregação de Jesus, que escolhe Cafarnaum como centro para sua missão na Galileia. A referência à profecia de Isaías é mais uma confirmação de que a atividade de Jesus segue o projeto de Deus, anunciado aos profetas e enfim realizado. Zabulon e Neftali são dois dos filhos de Jacó, portanto duas das tribos de Israel. Sobre eles, e sobre a região de Cafarnaum, no passado desceram as trevas da ocupação assíria, mas agora ali refulgem a luz e a promessa do Evangelho. Jesus é esta luz, mandado pelo Pai para iluminar novamente o povo, instaurando assim o seu Reino de amor, justiça e paz.

domingo, 4 de janeiro de 2026

Mateus 2, 1-12 Jesus, perigo ou salvação?

-* 1 Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2 e perguntaram: “Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para prestar-lhe homenagem.” 3 Ao saber disso, o rei Herodes ficou alarmado, assim como toda a cidade de Jerusalém. 4 Herodes reuniu todos os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei, e lhes perguntou onde o Messias deveria nascer. 5 Eles responderam: “Em Belém, na Judéia, porque assim está escrito por meio do profeta: 6 ‘E você, Belém, terra de Judá, não é de modo algum a menor entre as principais cidades de Judá, porque de você sairá um Chefe, que vai apascentar Israel, meu povo.’ “ 7 Então Herodes chamou secretamente os magos, e investigou junto a eles sobre o tempo exato em que a estrela havia aparecido. 8 Depois, mandou-os a Belém, dizendo: “Vão, e procurem obter informações exatas sobre o menino. E me avisem quando o encontrarem, para que também eu vá prestar-lhe homenagem.” 9 Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que parou sobre o lugar onde estava o menino. 10 Ao verem de novo a estrela, os magos ficaram radiantes de alegria. 11 Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e lhe prestaram homenagem. Depois, abriram seus cofres, e ofereceram presentes ao menino: ouro, incenso e mirra. 12 Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, partiram para a região deles, seguindo por outro caminho. Comentário: * 1-12: Jesus é o Rei Salvador prometido pelas Escrituras. Sua vinda, porém, desperta reações diferentes. Aqueles que conhecem as Escrituras, em vez de se alegrarem com a realização das promessas, ficam alarmados, vendo em Jesus uma séria ameaça para o seu próprio modo de viver. Outros, apenas guiados por um sinal, procuram Jesus e o acolhem como Rei Salvador. Não basta saber quem é o Messias; é preciso seguir os sinais da história que nos encaminham para reconhecê-lo e aceitá-lo. A cena mostra o destino de Jesus: rejeitado e morto pelas autoridades do seu próprio povo, é aceito pelos pagãos. A notícia dos magos, anunciando a chegada do “rei dos judeus”, abala o poderoso Herodes e as autoridades de Jerusalém. Os magos são guiados pela estrela que brilha sobre Belém. Chegando lá, adoram o menino e lhe oferecem os presentes: ouro (realeza), incenso (divindade) e mirra (humanidade). Jesus é a estrela que guia todos os povos. Este é justamente o significado da solenidade da Epifania: Jesus se revela a todos os povos, inclusive aos pagãos, simbolizados pelos magos. Como os magos se colocaram a caminho guiados pela “estrela”, somos convidados a buscar aquele que deve iluminar nossa caminhada ao longo de todos os dias deste novo ano. Pelo relato do Evangelho, percebemos que Jesus, desde o seu nascimento, provoca diferentes reações entre quem o aceita e quem o rejeita. O Messias veio para todas as pessoas e todas as nações, mas nem todos o aceitam e o acolhem. A exemplo dos magos e guiados pela estrela, coloquemo-nos a caminho daquele que nos proporciona esperança e alegria.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Mateus 2, 1-12 Jesus, perigo ou salvação?

* 1 Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2 e perguntaram: “Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para prestar-lhe homenagem.” 3 Ao saber disso, o rei Herodes ficou alarmado, assim como toda a cidade de Jerusalém. 4 Herodes reuniu todos os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei, e lhes perguntou onde o Messias deveria nascer. 5 Eles responderam: “Em Belém, na Judéia, porque assim está escrito por meio do profeta: 6 ‘E você, Belém, terra de Judá, não é de modo algum a menor entre as principais cidades de Judá, porque de você sairá um Chefe, que vai apascentar Israel, meu povo.’ “ 7 Então Herodes chamou secretamente os magos, e investigou junto a eles sobre o tempo exato em que a estrela havia aparecido. 8 Depois, mandou-os a Belém, dizendo: “Vão, e procurem obter informações exatas sobre o menino. E me avisem quando o encontrarem, para que também eu vá prestar-lhe homenagem.” 9 Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que parou sobre o lugar onde estava o menino. 10 Ao verem de novo a estrela, os magos ficaram radiantes de alegria. 11 Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e lhe prestaram homenagem. Depois, abriram seus cofres, e ofereceram presentes ao menino: ouro, incenso e mirra. 12 Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, partiram para a região deles, seguindo por outro caminho. Comentário: * 1-12: Jesus é o Rei Salvador prometido pelas Escrituras. Sua vinda, porém, desperta reações diferentes. Aqueles que conhecem as Escrituras, em vez de se alegrarem com a realização das promessas, ficam alarmados, vendo em Jesus uma séria ameaça para o seu próprio modo de viver. Outros, apenas guiados por um sinal, procuram Jesus e o acolhem como Rei Salvador. Não basta saber quem é o Messias; é preciso seguir os sinais da história que nos encaminham para reconhecê-lo e aceitá-lo. A cena mostra o destino de Jesus: rejeitado e morto pelas autoridades do seu próprio povo, é aceito pelos pagãos. A notícia dos magos, anunciando a chegada do “rei dos judeus”, abala o poderoso Herodes e as autoridades de Jerusalém. Os magos são guiados pela estrela que brilha sobre Belém. Chegando lá, adoram o menino e lhe oferecem os presentes: ouro (realeza), incenso (divindade) e mirra (humanidade). Jesus é a estrela que guia todos os povos. Este é justamente o significado da solenidade da Epifania: Jesus se revela a todos os povos, inclusive aos pagãos, simbolizados pelos magos. Como os magos se colocaram a caminho guiados pela “estrela”, somos convidados a buscar aquele que deve iluminar nossa caminhada ao longo de todos os dias deste novo ano. Pelo relato do Evangelho, percebemos que Jesus, desde o seu nascimento, provoca diferentes reações entre quem o aceita e quem o rejeita. O Messias veio para todas as pessoas e todas as nações, mas nem todos o aceitam e o acolhem. A exemplo dos magos e guiados pela estrela, coloquemo-nos a caminho daquele que nos proporciona esperança e alegria.

Efésios 3, 2-3. 5-6 Paulo e o mistério de Cristo.

2 Certamente ouviram falar do modo como a graça de Deus me foi confiada em benefício de vocês. 3 Foi por revelação que Deus me fez conhecer o mistério que acabo de expor brevemente. 5 Deus não manifestou esse mistério para as gerações passadas da mesma forma com que o revelou agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: 6 em Jesus Cristo, por meio do Evangelho, os pagãos são chamados a participar da mesma herança, a formar o mesmo corpo e a participar da mesma promessa. Comentário: * 1-13: O mistério é o centro do anúncio de Paulo, e está inseparavelmente ligado à sua vocação de missionário entre os pagãos. Esse mistério é o projeto de Deus, que se realizou em Jesus Cristo e que manifesta toda a sua grandeza na Igreja, mediante o ministério de Paulo: os pagãos são chamados a pertencer ao povo de Deus.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

João 1, 29-34 A testemunha reconhece o Salvador.

* 29 No dia seguinte, João viu Jesus, que se aproximava dele. E disse: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo. 30 Este é aquele de quem eu falei: ‘Depois de mim vem um homem que passou na minha frente, porque existia antes de mim’. 31 Eu também não o conhecia. Mas vim batizar com água, a fim de que ele se manifeste a Israel.” 32 E João testemunhou: “Eu vi o Espírito descer do céu, como uma pomba, e pousar sobre ele. 33 Eu também não o conhecia. Aquele que me enviou para batizar com água, foi ele quem me disse: ‘Aquele sobre quem você vir o Espírito descer e pousar, esse é quem batiza com o Espírito Santo’. 34 E eu vi, e dou testemunho de que este é o Filho de Deus.” Comentário: * 29-34: No idioma dos judeus, a mesma palavra pode significar servo e cordeiro. Jesus é o Servo de Deus, anunciado pelos profetas, aquele que devia sacrificar-se pelos seus irmãos. Também é o verdadeiro Cordeiro, que substitui o cordeiro pascal. João Batista, chamando Jesus de Cordeiro, mostra que ele é o Messias que vem tirar a humanidade da escravidão em que se encontra e conduzi-la a uma vida na liberdade. João Batista abre os olhos da multidão, fazendo-a reconhecer o verdadeiro Mestre e Senhor, o Messias esperado. Anuncia que Jesus é o homem sobre o qual viu descer o Espírito Santo. Portanto, Jesus é o Filho de Deus, que batiza no Espírito, tão aguardado e que agora deve ser amado e seguido, não apenas pelos contemporâneos de João, mas por todos nós. Através do nosso batismo, assumimos um compromisso, tornando-nos filhos no Filho. E, como filhos, continuamos a missão de Jesus com seu Espírito a nós concedido no batismo e na crisma. Libertados pelo sangue de Cristo, o Cordeiro de Deus, somos chamados a segui-lo fielmente, transformando seu Evangelho em vida. Por isso, cada um de nós, cristãos, é hoje presença concreta de Cristo no mundo.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

João 1, 19-28 A testemunha não é o Salvador.

* 19 O testemunho de João foi assim. As autoridades dos judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntarem a João: “Quem é você?” 20 João confessou e não negou. Ele confessou: “Eu não sou o Messias.” 21 Eles perguntaram: “Então, quem é você? Elias?” João disse: “Não sou.” Eles perguntaram: “Você é o Profeta?” Ele respondeu: “Não.” Então perguntaram: 22 “«Quem é você? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. Quem você diz que é?” 23 João declarou: “Eu sou uma voz gritando no deserto: ‘Aplainem o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías.” 24 Os que tinham sido enviados eram da parte dos fariseus. 25 E eles continuaram perguntando: “Então, por que é que você batiza, se não é o Messias, nem Elias, nem o Profeta?” 26 João respondeu: “Eu batizo com água, mas no meio de vocês existe alguém que vocês não conhecem, 27 e que vem depois de mim. Eu não mereço nem sequer desamarrar a correia das sandálias dele.” 28 Isso aconteceu em Betânia, na outra margem do Jordão, onde João estava batizando. Comentário: * 19-28: Quando João Batista começou a pregação, os judeus estavam esperando o Messias, que iria libertá-los da miséria e da dominação estrangeira. João anunciava que a chegada do Messias estava próxima e pedia a adesão do povo, selando-a com o batismo. As autoridades religiosas estavam preocupadas e mandaram investigar se João pretendia ser ele o Messias. João nega ser o Messias, denuncia a culpa das autoridades, e dá uma notícia inquietante: o Messias já está presente a fim de inaugurar uma nova era para o povo. Messias é o nome que os judeus davam ao Salvador esperado. Também o chamavam o Profeta. E, conforme se acreditava, antes de sua vinda deveria reaparecer o profeta Elias. João Batista é a testemunha que tem como função preparar o caminho para os homens chegarem até Jesus. Ora, a testemunha deve ser sincera, e não querer o lugar da pessoa que ela está testemunhando. A cidade de Betânia mencionada no Evangelho de hoje não é a mesma onde viviam os amigos de Jesus – Marta, Maria e Lázaro –, local onde o Mestre encontrava descanso, repouso, carinho e amizade profunda e verdadeira. Trata-se de uma localidade às margens orientais do rio Jordão, hoje território da Jordânia. Ali João exercia sua missão de “precursor”, e ali batizou Jesus, apontando o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, sobre o qual desceu o Espírito Santo. Esse testemunho de João abre as portas para o anúncio do Messias e deve hoje nos recordar que somente Jesus é o verdadeiro Cristo, nosso Senhor e Salvador.