sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Lucas 8, 4-15 Uma colheita custosa.

-* 4 Ajuntou-se uma grande multidão, e de todas as cidades as pessoas iam até Jesus. Então ele contou esta parábola: 5 “O semeador saiu para semear a sua semente. Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada e os passarinhos foram, e comeram tudo. 6 Outra parte caiu sobre pedras; brotou e secou, porque não havia umidade. 7 Outra parte caiu no meio de espinhos; os espinhos brotaram junto, e a sufocaram. 8 Outra parte caiu em terra boa; brotou e deu fruto, cem por um.” Dizendo isso, Jesus exclamou: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.” O mistério da missão de Jesus -* 9 Os discípulos perguntaram a Jesus o significado dessa parábola. 10 Jesus respondeu: “A vocês foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus. Mas, aos outros ele vem por meio de parábolas, para que olhando não vejam, e ouvindo não compreendam.” Compreender a Palavra nos conflitos -* 11 “A parábola quer dizer o seguinte: a semente é a Palavra de Deus. 12 Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouviram; mas, depois chega o diabo, e tira a Palavra do coração deles, para que não acreditem, nem se salvem. 13 Os que caíram sobre a pedra são aqueles que, ouvindo, acolheram com alegria a Palavra. Mas eles não têm raiz: por um momento, acreditam; mas na hora da tentação voltam atrás. 14 O que caiu entre os espinhos são aqueles que ouvem, mas, continuando a caminhar, se afogam nas preocupações, na riqueza e nos prazeres da vida, e não chegam a amadurecer. 15 O que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo de coração bom e generoso, conservam a Palavra, e dão fruto na perseverança.” Comentário: * 4-8: Cf. nota em Mt 13,1-9: Cf. nota em Mc 4,1-9. Se o Reino já está aqui, por que existem fracassos e conflitos? Jesus trouxe as sementes do Reino, e elas se espalharam pelo mundo. Mas, assim como Jesus encontrou resistência no meio do seu próprio povo, do mesmo modo pessoas e estruturas continuam impedindo a justiça do Reino de se estabelecer entre os homens. Sem dúvida, haverá uma colheita, mas à custa de muitas perdas, isto é, muitos procurarão sufocar as sementes do Reino, antes que chegue a vitória final. Querer negar e fugir dessas dificuldades para a implantação do Reino é não compreender o seu mistério. * 9-10: Cf. nota em Mc 4,10-12: As parábolas são histórias que ajudam a ler e compreender toda a missão de Jesus. Mas é preciso “estar dentro”, isto é, seguir a Jesus, para perceber que o Reino de Deus está se aproximando através de sua ação. Os que não seguem a Jesus ficam “por fora”, e nada podem compreender. * 11-15: Cf. notas em Mc 4,13-20: A explicação da parábola focaliza os vários terrenos, mostrando o efeito que a missão de Jesus (contada pela palavra do Evangelho) tem sobre os ouvintes ou leitores. Cada pessoa vê e entende a partir do lugar que ocupa na sociedade e das dificuldades que encontra para se comprometer com Jesus e para continuar a ação dele. e Mt 13, 18-23: Os obstáculos para compreender a Palavra do Reino (= ensinamento de Jesus) são: a alienação, que tira o poder de decisão humana; as perseguições concretas que causam desânimo; as estruturas políticas e econômicas que fascinam e seduzem. A compreensão da Palavra do Reino se realiza na dramaticidade dos conflitos pessoais e sociais. A Palavra de Deus é como uma semente lançada no mundo, que germina e produz frutos de acordo com a qualidade do terreno que a acolhe, ou seja, de acordo com o modo como é cultivada no coração de cada ouvinte. Ao longo de toda a história da Igreja, repetiu-se esse processo iniciado pelos apóstolos, e viu-se o mesmo resultado: muitas vezes rejeitada, deixada de lado, ouvida sem atenção, aceita sem compromisso, sufocada… Mas às vezes acolhida e colocada em prática, gerando muitos frutos. Nós, hoje, com que terreno nos identificamos? A Palavra que é semeada em nosso coração é cultivada ou é sufocada e desprezada? Que frutos ela produz em mim, na minha família, na minha comunidade?

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Lucas 8, 1-3 As mulheres servem a Jesus.

-* 1 Depois disso, Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus. Os Doze iam com ele, 2 e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos maus e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios; 3 Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres, que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam. Comentário: * 8,1-3: Jesus continua sua missão, e vai formando uma comunidade nova, a partir daqueles que são marginalizados pela sociedade do seu tempo, como eram as mulheres. Elas também são parte integrante do grupo que acompanha Jesus. A liturgia nos presenteia hoje com um texto de extrema atualidade, que deveria ser lido e aprofundado por todas as comunidades cristãs, pois destaca o papel e a presença da mulher ao lado de Jesus. Também elas seguiram o Mestre ao longo de toda a sua vida pública e certamente estavam com ele no momento da Última Ceia, na instituição da Eucaristia, e no momento do envio em missão com a autoridade de curar doentes, expulsar demônios e anunciar o Evangelho. Uma dessas mulheres que se destacaram ao lado de Jesus é Maria Madalena, que é claramente identificada aqui como a mulher “da qual tinham saído sete demônios”, não sendo, portanto, uma prostituta, como muitas vezes a tradição e a arte cristã a representaram. Não é por acaso que Maria Madalena recebe o título de “apóstola dos apóstolos”. Ela nos ajuda a refletir sobre o fato de que a mulher tem participação ativa desde o início da Igreja, por isso deveria ser mais valorizada e respeitada hoje em todos os âmbitos da Igreja e da sociedade.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Lucas 7, 36-50 O perdão gera o amor.

* 36 Certo fariseu convidou Jesus para uma refeição em casa. Jesus entrou na casa do fariseu, e se pôs à mesa. 37 Apareceu então certa mulher, conhecida na cidade como pecadora. Ela, sabendo que Jesus estava à mesa na casa do fariseu, levou um frasco de alabastro com perfume. 38 A mulher se colocou por trás, chorando aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés. Em seguida, os enxugava com os cabelos, cobria-os de beijos, e os ungia com perfume. 39 Vendo isso, o fariseu que havia convidado Jesus ficou pensando: “Se esse homem fosse mesmo um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, porque ela é pecadora.” 40 Jesus disse então ao fariseu: “Simão, tenho uma coisa para dizer a você.” Simão respondeu: “Fala, mestre.” 41” Certo credor tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentas moedas de prata, e o outro lhe devia cinquenta. 42 Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?” 43 Simão respondeu: “Acho que é aquele a quem ele perdoou mais.” Jesus lhe disse: “Você julgou certo.” 44 Então Jesus voltou-se para a mulher e disse a Simão: “Está vendo esta mulher? Quando entrei em sua casa, você não me ofereceu água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos. 45 Você não me deu o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. 46 Você não derramou óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. 47 Por essa razão, eu declaro a você: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor. Aquele a quem foi perdoado pouco, demonstra pouco amor.” 48 E Jesus disse à mulher: “Seus pecados estão perdoados.” 49 Então os convidados começaram a pensar: “Quem é esse que até perdoa pecados?” 50 Mas Jesus disse à mulher: “Sua fé salvou você. Vá em paz!” Comentário: * 36-50: O fariseu não se considera pecador; por isso, fica numa atitude de julgamento, e não é capaz de entender e experimentar o perdão e o amor. Jesus mostra que a justiça de Deus se manifesta como amor que perdoa os pecados e transforma as condições das pessoas. O amor é expressão e sinal do perdão recebido. Em diversas passagens do Evangelho, vemos os fariseus contrapondo-se a Jesus ou colocando-o à prova, como ferozes inimigos. Na passagem de hoje, porém, constatamos que, apesar de todos os ataques, Jesus procura se aproximar deles, indo inclusive jantar na casa de um fariseu chamado Simão. Mais do que uma crítica, o texto parece expressar a incompreensão de Simão, que não entende o porquê de Jesus se deixar tocar por uma pecadora. O Mestre, sempre paciente, explica-lhe. Ainda hoje temos dificuldade em aceitar que um grande pecador receba as bênçãos de Deus, por isso Jesus nos ensina que quem mais é perdoado, mais ama.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Lucas 5, 31-35 Os filhos da sabedoria.

* 31 “Com quem eu vou comparar os homens desta geração? Com quem se parecem eles? 32 São como crianças que se sentam nas praças, e se dirigem aos colegas, dizendo: ‘Tocamos flauta, e vocês não dançaram; cantamos música triste, e vocês não choraram’. 33 Pois veio João Batista, que não comia nem bebia, e vocês disseram: ‘Ele tem um demônio!’ 34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vocês dizem: ‘Ele é um comilão e beberrão, amigo dos cobradores de impostos e dos pecadores!’ 35 Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos.” Comentário: * 31-35: As autoridades religiosas do tempo de Jesus se comportam de maneira infantil: acusam João Batista de louco, porque é severo demais; acusam Jesus de boa-vida, porque parece muito condescendente. O povo e os cobradores de impostos se comportam de maneira sábia: acolhem João Batista e Jesus, reconhecendo neles a revelação da misericordiosa justiça de Deus. Em Lucas 7,18 vemos que os discípulos de João Batista informam-no sobre a ação de Jesus. João quer confirmar se Jesus é de fato o Messias, por isso manda seus discípulos para perguntarem diretamente a ele: “És tu aquele que deve vir, ou devemos esperar outro?”. João é prático e direto, homem de ação, indo direto ao ponto. Jesus é igualmente um homem de ação, por isso responde aos discípulos com o eloquente testemunho das suas curas e milagres. Isso tudo para dizer que o Evangelho que hoje meditamos só faz sentido à luz do contexto anterior, ou seja, quem tem o coração aberto para ver os sinais da messianidade anunciada pelos profetas consegue identificar Jesus como “aquele que devia vir”, o Messias. Os demais, fariseus, doutores da Lei e todos os que têm o coração endurecido, encontrarão sempre desculpas para “não verem” os sinais do Reino que transforma o mundo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

João 19, 25-27 A relação entre Israel e a comunidade de Jesus.

* 25 A mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cléofas, e Maria Madalena estavam junto à cruz. 26 Jesus viu a mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava. Então disse à mãe: “Mulher, eis aí o seu filho.” 27 Depois disse ao discípulo: “Eis aí a sua mãe.” E dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa. Comentário: * 25-27: A mãe de Jesus representa aqui o povo da antiga aliança que se conservou fiel às promessas e espera pelo salvador. E o discípulo amado representa o novo povo de Deus, formado por todos os que dão sua adesão a Jesus. Na relação mãe-filho, o evangelista mostra a unidade e continuação do povo de Deus, fiel à promessa e herdeiro da sua realização. A devoção às dores de Maria tem origem popular, passando posteriormente para a liturgia, quando o papa Pio VII introduziu a celebração da Bem-aventurada Virgem Maria das Dores, que hoje celebramos. A participação dolorosa da Mãe do Salvador em sua obra de salvação é atestada na hora da cruz pelo evangelista João, que a recebeu em sua casa como verdadeira Mãe, tornando todo discípulo de Jesus Cristo também filho de Maria (“Mulher, eis aí o seu filho”). A tradição, difundida particularmente pelos servitas e pelos passionistas, especificou sete dores de Nossa Senhora, que são: 1. A profecia de Simeão sobre Jesus (Lc 2,22-35); A perseguição de Herodes e a fuga para o Egito (Mt 2,13-21); 3. A perda do menino Jesus no templo de Jerusalém (Lc 2,41-51); 4. O encontro doloroso de Maria com seu Filho Jesus carregando a cruz, no caminho para o Calvário (via crucis); Maria aos pés da cruz (Jo 19,25-27); 6. Maria recebe em seus braços o corpo do seu filho morto tirado da cruz (Mt 27,55-61); 7. Maria observa quando depositam o corpo de Jesus no sepulcro, ficando em triste solidão (Jo 19,38-42).

domingo, 13 de setembro de 2026

João 3, 13-17 A vida nova vem de Jesus.

13 Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu: o Filho do Homem. 14 Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, do mesmo modo é preciso que o Filho do Homem seja levantado. 15 Assim, todo aquele que nele acreditar, nele terá a vida eterna.” Jesus provoca decisão -* 16 “Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna. 17 De fato, Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, e sim para que o mundo seja salvo por meio dele. Comentário: * 9-15: A grande novidade que Deus tem para os homens está em Jesus, que vai revelar na cruz a vida nova. Aí ele demonstra o maior ato de amor: a doação de sua própria vida em favor dos homens. * 16-21: Deus não quer que os homens se percam, nem sente prazer em condená-los. Ele manifesta todo o seu amor através de Jesus, para salvar e dar a vida a todos. Mas a presença de Jesus é incômoda, pois coloca o mundo dos homens em julgamento, provocando divisão e conflito, e exigindo decisão. De um lado, os que acreditam em Jesus e vivem o amor, continuando a palavra e a ação dele em favor da vida. De outro lado, os que não acreditam nele e não vivem o amor, mas permanecem fechados em seus próprios interesses e egoísmo, que geram opressão e exploração; por isso estes sempre escondem suas verdadeiras intenções: não se aproximam da luz. As palavras do Evangelho seguem o colóquio de Jesus com Nicodemos e nos apresentam o objetivo da fé cristã que dá a vida: a paixão de Jesus e o amor de Deus, que, em seu Filho, quer a salvação da humanidade. A exemplo da serpente levantada por Moisés no deserto, assim Jesus será levantado no alto da cruz, donde atrairá as pessoas que acreditam nele para serem salvas. O Evangelho nos narra o grande amor de Deus por ter entregue seu Filho à condição humana e à morte. O objetivo dessa entrega é salvar e perdoar a humanidade, e não a condenar. Acreditando nesse amor, teremos a vida verdadeira e seremos libertos para sempre. A cruz de Cristo revela o grande amor de Deus pela humanidade. Da cruz de Cristo vem a misericórdia de Deus que abraça o mundo com amor.

sábado, 12 de setembro de 2026

Romanos 14, 7-9 Não brigar por coisas secundárias.

7 Porque nenhum de vocês vive para si mesmo, e ninguém morre para si mesmo. 8 Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. 9 Cristo morreu e voltou à vida para ser o Senhor dos mortos e dos vivos. Comentário: * 1-9: A comunidade cristã, que verdadeiramente possui objetivo e procura realizá-lo com convicção, não se perde em questões secundárias; estas podem provocar desunião e dispersar as forças necessárias para se atingir a meta proposta. E o principal na vida cristã é viver para Deus, dando testemunho de Jesus Cristo. Nas coisas secundárias, cada um deve agir segundo a sua própria convicção.