quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Lucas 8, 1-3 As mulheres servem a Jesus.
-* 1 Depois disso, Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus. Os Doze iam com ele, 2 e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos maus e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios; 3 Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres, que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam.
Comentário:
* 8,1-3: Jesus continua sua missão, e vai formando uma comunidade nova, a partir daqueles que são marginalizados pela sociedade do seu tempo, como eram as mulheres. Elas também são parte integrante do grupo que acompanha Jesus.
A liturgia nos presenteia hoje com um texto de extrema atualidade, que deveria ser lido e aprofundado por todas as comunidades cristãs, pois destaca o papel e a presença da mulher ao lado de Jesus. Também elas seguiram o Mestre ao longo de toda a sua vida pública e certamente estavam com ele no momento da Última Ceia, na instituição da Eucaristia, e no momento do envio em missão com a autoridade de curar doentes, expulsar demônios e anunciar o Evangelho. Uma dessas mulheres que se destacaram ao lado de Jesus é Maria Madalena, que é claramente identificada aqui como a mulher “da qual tinham saído sete demônios”, não sendo, portanto, uma prostituta, como muitas vezes a tradição e a arte cristã a representaram. Não é por acaso que Maria Madalena recebe o título de “apóstola dos apóstolos”. Ela nos ajuda a refletir sobre o fato de que a mulher tem participação ativa desde o início da Igreja, por isso deveria ser mais valorizada e respeitada hoje em todos os âmbitos da Igreja e da sociedade.
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Lucas 7, 36-50 O perdão gera o amor.
* 36 Certo fariseu convidou Jesus para uma refeição em casa. Jesus entrou na casa do fariseu, e se pôs à mesa. 37 Apareceu então certa mulher, conhecida na cidade como pecadora. Ela, sabendo que Jesus estava à mesa na casa do fariseu, levou um frasco de alabastro com perfume. 38 A mulher se colocou por trás, chorando aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés. Em seguida, os enxugava com os cabelos, cobria-os de beijos, e os ungia com perfume. 39 Vendo isso, o fariseu que havia convidado Jesus ficou pensando: “Se esse homem fosse mesmo um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, porque ela é pecadora.” 40 Jesus disse então ao fariseu: “Simão, tenho uma coisa para dizer a você.” Simão respondeu: “Fala, mestre.” 41” Certo credor tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentas moedas de prata, e o outro lhe devia cinquenta. 42 Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?” 43 Simão respondeu: “Acho que é aquele a quem ele perdoou mais.” Jesus lhe disse: “Você julgou certo.” 44 Então Jesus voltou-se para a mulher e disse a Simão: “Está vendo esta mulher? Quando entrei em sua casa, você não me ofereceu água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos. 45 Você não me deu o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. 46 Você não derramou óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. 47 Por essa razão, eu declaro a você: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor. Aquele a quem foi perdoado pouco, demonstra pouco amor.” 48 E Jesus disse à mulher: “Seus pecados estão perdoados.” 49 Então os convidados começaram a pensar: “Quem é esse que até perdoa pecados?” 50 Mas Jesus disse à mulher: “Sua fé salvou você. Vá em paz!”
Comentário:
* 36-50: O fariseu não se considera pecador; por isso, fica numa atitude de julgamento, e não é capaz de entender e experimentar o perdão e o amor. Jesus mostra que a justiça de Deus se manifesta como amor que perdoa os pecados e transforma as condições das pessoas. O amor é expressão e sinal do perdão recebido.
Em diversas passagens do Evangelho, vemos os fariseus contrapondo-se a Jesus ou colocando-o à prova, como ferozes inimigos. Na passagem de hoje, porém, constatamos que, apesar de todos os ataques, Jesus procura se aproximar deles, indo inclusive jantar na casa de um fariseu chamado Simão. Mais do que uma crítica, o texto parece expressar a incompreensão de Simão, que não entende o porquê de Jesus se deixar tocar por uma pecadora. O Mestre, sempre paciente, explica-lhe. Ainda hoje temos dificuldade em aceitar que um grande pecador receba as bênçãos de Deus, por isso Jesus nos ensina que quem mais é perdoado, mais ama.
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Lucas 5, 31-35 Os filhos da sabedoria.
* 31 “Com quem eu vou comparar os homens desta geração? Com quem se parecem eles? 32 São como crianças que se sentam nas praças, e se dirigem aos colegas, dizendo: ‘Tocamos flauta, e vocês não dançaram; cantamos música triste, e vocês não choraram’. 33 Pois veio João Batista, que não comia nem bebia, e vocês disseram: ‘Ele tem um demônio!’ 34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vocês dizem: ‘Ele é um comilão e beberrão, amigo dos cobradores de impostos e dos pecadores!’ 35 Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos.”
Comentário:
* 31-35: As autoridades religiosas do tempo de Jesus se comportam de maneira infantil: acusam João Batista de louco, porque é severo demais; acusam Jesus de boa-vida, porque parece muito condescendente. O povo e os cobradores de impostos se comportam de maneira sábia: acolhem João Batista e Jesus, reconhecendo neles a revelação da misericordiosa justiça de Deus.
Em Lucas 7,18 vemos que os discípulos de João Batista informam-no sobre a ação de Jesus. João quer confirmar se Jesus é de fato o Messias, por isso manda seus discípulos para perguntarem diretamente a ele: “És tu aquele que deve vir, ou devemos esperar outro?”. João é prático e direto, homem de ação, indo direto ao ponto. Jesus é igualmente um homem de ação, por isso responde aos discípulos com o eloquente testemunho das suas curas e milagres. Isso tudo para dizer que o Evangelho que hoje meditamos só faz sentido à luz do contexto anterior, ou seja, quem tem o coração aberto para ver os sinais da messianidade anunciada pelos profetas consegue identificar Jesus como “aquele que devia vir”, o Messias. Os demais, fariseus, doutores da Lei e todos os que têm o coração endurecido, encontrarão sempre desculpas para “não verem” os sinais do Reino que transforma o mundo.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
João 19, 25-27 A relação entre Israel e a comunidade de Jesus.
* 25 A mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cléofas, e Maria Madalena estavam junto à cruz. 26 Jesus viu a mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava. Então disse à mãe: “Mulher, eis aí o seu filho.” 27 Depois disse ao discípulo: “Eis aí a sua mãe.” E dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa.
Comentário:
* 25-27: A mãe de Jesus representa aqui o povo da antiga aliança que se conservou fiel às promessas e espera pelo salvador. E o discípulo amado representa o novo povo de Deus, formado por todos os que dão sua adesão a Jesus. Na relação mãe-filho, o evangelista mostra a unidade e continuação do povo de Deus, fiel à promessa e herdeiro da sua realização.
A devoção às dores de Maria tem origem popular, passando posteriormente para a liturgia, quando o papa Pio VII introduziu a celebração da Bem-aventurada Virgem Maria das Dores, que hoje celebramos. A participação dolorosa da Mãe do Salvador em sua obra de salvação é atestada na hora da cruz pelo evangelista João, que a recebeu em sua casa como verdadeira Mãe, tornando todo discípulo de Jesus Cristo também filho de Maria (“Mulher, eis aí o seu filho”). A tradição, difundida particularmente pelos servitas e pelos passionistas, especificou sete dores de Nossa Senhora, que são: 1. A profecia de Simeão sobre Jesus (Lc 2,22-35); A perseguição de Herodes e a fuga para o Egito (Mt 2,13-21); 3. A perda do menino Jesus no templo de Jerusalém (Lc 2,41-51); 4. O encontro doloroso de Maria com seu Filho Jesus carregando a cruz, no caminho para o Calvário (via crucis); Maria aos pés da cruz (Jo 19,25-27); 6. Maria recebe em seus braços o corpo do seu filho morto tirado da cruz (Mt 27,55-61); 7. Maria observa quando depositam o corpo de Jesus no sepulcro, ficando em triste solidão (Jo 19,38-42).
domingo, 13 de setembro de 2026
João 3, 13-17 A vida nova vem de Jesus.
13 Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu: o Filho do Homem. 14 Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, do mesmo modo é preciso que o Filho do Homem seja levantado. 15 Assim, todo aquele que nele acreditar, nele terá a vida eterna.”
Jesus provoca decisão -* 16 “Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna. 17 De fato, Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, e sim para que o mundo seja salvo por meio dele.
Comentário:
* 9-15: A grande novidade que Deus tem para os homens está em Jesus, que vai revelar na cruz a vida nova. Aí ele demonstra o maior ato de amor: a doação de sua própria vida em favor dos homens.
* 16-21: Deus não quer que os homens se percam, nem sente prazer em condená-los. Ele manifesta todo o seu amor através de Jesus, para salvar e dar a vida a todos. Mas a presença de Jesus é incômoda, pois coloca o mundo dos homens em julgamento, provocando divisão e conflito, e exigindo decisão. De um lado, os que acreditam em Jesus e vivem o amor, continuando a palavra e a ação dele em favor da vida. De outro lado, os que não acreditam nele e não vivem o amor, mas permanecem fechados em seus próprios interesses e egoísmo, que geram opressão e exploração; por isso estes sempre escondem suas verdadeiras intenções: não se aproximam da luz.
As palavras do Evangelho seguem o colóquio de Jesus com Nicodemos e nos apresentam o objetivo da fé cristã que dá a vida: a paixão de Jesus e o amor de Deus, que, em seu Filho, quer a salvação da humanidade. A exemplo da serpente levantada por Moisés no deserto, assim Jesus será levantado no alto da cruz, donde atrairá as pessoas que acreditam nele para serem salvas. O Evangelho nos narra o grande amor de Deus por ter entregue seu Filho à condição humana e à morte. O objetivo dessa entrega é salvar e perdoar a humanidade, e não a condenar. Acreditando nesse amor, teremos a vida verdadeira e seremos libertos para sempre. A cruz de Cristo revela o grande amor de Deus pela humanidade. Da cruz de Cristo vem a misericórdia de Deus que abraça o mundo com amor.
sábado, 12 de setembro de 2026
Romanos 14, 7-9 Não brigar por coisas secundárias.
7 Porque nenhum de vocês vive para si mesmo, e ninguém morre para si mesmo. 8 Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. 9 Cristo morreu e voltou à vida para ser o Senhor dos mortos e dos vivos.
Comentário:
* 1-9: A comunidade cristã, que verdadeiramente possui objetivo e procura realizá-lo com convicção, não se perde em questões secundárias; estas podem provocar desunião e dispersar as forças necessárias para se atingir a meta proposta. E o principal na vida cristã é viver para Deus, dando testemunho de Jesus Cristo. Nas coisas secundárias, cada um deve agir segundo a sua própria convicção.
Mateus 18, 21-35 Perdoar sem limites.
-* 21 Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22 Jesus respondeu: “Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. 25 Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: ‘Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo’. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. 28 Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague logo o que me deve’. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dê-me um prazo, e eu pagarei a você’. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. 32 O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: ‘Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. 33 E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?’ 34 O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.”
Comentário:
* 21-35: Na comunidade de Jesus não existem limites para o perdão (setenta vezes sete). Ao entrar na comunidade, cada pessoa já recebeu do Pai um perdão sem limites (dez mil talentos). A vida na comunidade precisa, portanto, basear-se no amor e na misericórdia, compartilhando entre todos esse perdão que cada um recebeu.
Outra proposta a ser vivida na comunidade dos discípulos e discípulas de Jesus é a do perdão. Nossa mesquinhez procura estabelecer limite: até sete vezes? Toda vez que rezamos o pai-nosso, pedimos o perdão a Deus e nos dispomos a perdoar. Sempre desejamos o perdão divino, mas nem sempre estamos dispostos a estendê-lo aos irmãos e irmãs. Penso que se trata do perdão entre as pessoas da comunidade, onde o pobre endividado necessitava do cancelamento da sua dívida. Sabemos que a vivência em comunidade e na sociedade não é fácil, pois todos temos nossos defeitos, grandes ou pequenos. Aqui provavelmente se trata de pequenas ofensas entre as pessoas no seu dia a dia. Não se refere aos grandes roubos, que acontecem entre os grandes e na esfera pública e que mais lesam os cidadãos. O perdão também não significa permitir o desvio que acontece na sociedade, prejudicando o investimento no bem comum. O perdão é fundamental para construirmos uma “cultura da paz” e combatermos a “cultura da violência”.
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