sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Lucas 14, 1.7-11 Festejar o sábado é dar vida aos homens.

* 1 Num dia de sábado aconteceu que Jesus foi comer em casa de um dos chefes dos fariseus, que o observavam. A verdadeira honra -* 7 Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. Então contou a eles uma parábola: 8 “Se alguém convida você para uma festa de casamento, não ocupe o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que você; 9 e o dono da casa, que convidou os dois, venha dizer a você: ‘Dê o lugar para ele’. Então você ficará envergonhado e irá ocupar o último lugar. 10 Pelo contrário, quando você for convidado, vá sentar-se no último lugar. Assim, quando chegar quem o convidou, ele dirá a você: ‘Amigo, venha mais para cima’. E isso vai ser uma honra para você na presença de todos os convidados. 11 De fato, quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado.” Comentário: * 14,1-6: A lei do sábado deve ser interpretada como libertação e vida para o homem. * 7-14: Nos vv. 8-11, Jesus critica o conceito de honra baseado no orgulho e ambição, que geram aparências de justiça, mas escondem os maiores contrastes sociais. A honra do homem depende de Deus, o único que conhece a situação real e global do homem; essa honra supera a crença que o homem pode ter nos seus próprios méritos. Nos vv. 12-14, Jesus mostra que o amor verdadeiro não é comércio, mas serviço gratuito, pois o pobre não pode pagar e o inimigo não pode merecer. Só Deus pode retribuir ao amor gratuito. Dando continuidade ao Evangelho de ontem, e no mesmo contexto da casa de um fariseu, Jesus ensina que a humildade é qualidade essencial para participarmos do banquete celestial. A lógica do Reino é muito diferente da lógica do mundo, por isso os que aqui na terra gozam de privilégios e benefícios não terão o mesmo tratamento no Reino. A soberba, a busca por reconhecimento, o desejo de ocupar os primeiros lugares, tudo isso será obstáculo para entrar no Reino, assim como a riqueza e a pretensão de grandeza. O mesmo vale para todos aqueles que, na Igreja, hoje, alimentam o carreirismo, buscando títulos e reconhecimentos. Os que conseguirem dominar seus instintos e manifestar humildade, colocando-se a serviço, serão recompensados com a acolhida imediata: “Amigo, venha mais para cima”.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Lucas 14, 1-6 Festejar o sábado é dar vida aos homens.

* 1 Num dia de sábado aconteceu que Jesus foi comer em casa de um dos chefes dos fariseus, que o observavam. 2 Havia um homem hidrópico diante de Jesus. 3 Tomando a palavra, Jesus falou aos especialistas em leis e aos fariseus: “A Lei permite ou não permite curar em dia de sábado?” 4 Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, o curou, e o despediu. 5 Depois disse a eles: “Se alguém de vocês tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tiraria logo, mesmo em dia de sábado?” 6 E eles não foram capazes de responder a isso. Comentário: *1-6: A lei do sábado deve ser interpretada como libertação e vida para o homem. A hidropisia é uma enfermidade caracterizada pelo inchaço com acumulação excessiva de líquidos no corpo. Lucas é o único evangelista a citar essa cura do hidrópico. Na verdade, é a única vez na Bíblia que a doença aparece, certamente como símbolo para indicar o “inchaço” causado pela vaidade e soberba nos fariseus. A cura se dá em dia de sábado, para enfatizar que serve para um bem maior: além de curar o doente, Jesus o salva, devolvendo-lhe a vida plena, a dignidade e até mesmo o convívio social. Os fariseus servem de testemunhas da ação salvífica de Jesus, que se contrapõe à possível “cilada” preparada por aquele grupo, visto que o tinha convidado para um banquete, mesmo vendo-o como um “inimigo”. Esse trecho serve ao evangelista como introdução à discussão que se desenvolverá nos próximos versículos, que leremos amanhã.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Lucas 13, 31-35 Jesus vai até o fim.

Evangelho: Lucas 13,31-35 * 31 Nesse momento, alguns fariseus se aproximaram, e disseram a Jesus: “Deves ir embora daqui, porque Herodes quer te matar.” 32 Jesus disse: “Vão dizer a essa raposa: eu expulso demônios, e faço curas hoje e amanhã; e no terceiro dia terminarei o meu trabalho. 33 Entretanto preciso caminhar hoje, amanhã e depois de amanhã, porque não convém que um profeta morra fora de Jerusalém.” O julgamento sobre Jerusalém -* 34 “Jerusalém, Jerusalém, você que mata os profetas e apedreja os que lhe foram enviados! Quantas vezes eu quis reunir seus filhos, como a galinha reúne os pintinhos debaixo das asas, mas você não quis! 35 Eis que a casa de vocês ficará abandonada. Eu lhes digo: vocês não me verão mais, até que chegue o tempo em que vocês mesmos dirão: Bendito aquele que vem em nome do Senhor.” Comentário: * 31-33: A atividade de Jesus provoca temor e reação das autoridades. Jesus não as teme, e continua a realizar a missão que liberta as pessoas e ao mesmo tempo vai levá-lo à morte. * 34-35: Cf. nota em Mt 23, 37-39: Jerusalém personifica o sistema que se fechou em si mesmo, e recusou a novidade trazida por Jesus. Por isso, seu destino já está traçado: em Jerusalém Jesus vai ser morto, e sua morte trará o julgamento definitivo sobre ela. Jerusalém é a Cidade Santa, o centro político e econômico de Israel. Os principais eventos da história de Israel se passaram ali, assim como inúmeros profetas foram hostilizados e mortos dentro de seus muros. Jerusalém é também o centro de referência em toda a vida de Jesus, pois se torna palco para o anúncio da sua Palavra e, a seguir, para o mistério pascal, concretização e ápice desse anúncio. Ali Jesus oferecerá a si mesmo como sacrifício eterno e definitivo. Jerusalém, que refutou a mensagem de tantos profetas e que refutou o próprio Filho de Deus, será a primeira testemunha da salvação que virá após três dias de “abandono”, com a ressurreição de Jesus, o único Mestre e Messias, aquele que “vem em nome do Senhor!”.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Lucas 6, 12-19 Os doze apóstolos.

* 12 Nesses dias, Jesus foi para a montanha a fim de rezar. E passou toda a noite em oração a Deus. 13 Ao amanhecer, chamou seus discípulos, e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de apóstolos: 14 Simão, a quem também deu o nome de Pedro, e seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15 Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelota; 16 Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que se tornou traidor. Anseio por um mundo novo -* 17 Jesus desceu da montanha com os doze apóstolos, e parou num lugar plano. Estava aí numerosa multidão de seus discípulos com muita gente do povo de toda a Judéia, de Jerusalém, e do litoral de Tiro e Sidônia. 18 Foram para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças. E aqueles que estavam atormentados por espíritos maus, foram curados. 19 Toda a multidão procurava tocar em Jesus, porque uma força saía dele, e curava a todos. Comentário: * 6-11: Jesus mostra que a lei do sábado deve ser interpretada como libertação e vida para o homem. Por isso, os que preferem ficar com o velho sistema se reúnem para planejar a morte de Jesus: ele está destruindo as ideias de religião e sociedade que eles tinham. * 12-16: Jesus escolhe os doze apóstolos, que formarão o núcleo da comunidade nova que ele veio criar. A palavra apóstolo significa aquele que Jesus envia para continuar a sua obra. Simão, chamado “zelota”, e São Judas Tadeu, filho de Tiago, para o diferenciar do traidor, foram dois apóstolos que acompanharam Jesus ao longo da sua vida pública, constituindo o grupo dos doze. Depois de uma noite em oração no alto da montanha, Jesus escolhe esse pequeno grupo, dentre os inúmeros discípulos que o seguiam. Os apóstolos são o fundamento do novo povo de Deus, daí o número doze, como as tribos de Israel. Eles são enviados por Jesus para evangelizar, curar, expulsar demônios, enfim, para ser no mundo a presença do próprio Jesus. O Mestre se preocupa em escolher e constituir uma comunidade formada por discípulos e apóstolos comprometidos com ele, que dão continuidade à missão até hoje.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Lucas 13, 18-21 O Reino atingirá o mundo inteiro.

* 18 E Jesus dizia: “A que é semelhante o Reino de Deus, e com o que eu poderia compará-lo? 19 Ele é como a semente de mostarda que um homem pega e joga no seu jardim. A semente cresce, torna-se árvore, e as aves do céu fazem seus ninhos nos ramos dela.” 20 Jesus disse ainda: “Com o que eu poderia comparar o Reino de Deus? 21 Ele é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado.” Comentário: * 18-21: Cf. nota em Mc 4, 30-34: Diante das estruturas e ações deste mundo, a atividade de Jesus e daqueles que o seguem parece impotente, e mesmo ridícula. Mas ela crescerá, até atingir o mundo inteiro. A missão de Jesus no mundo é implantar o Reino de Deus, ou seja, reconduzir toda a humanidade de volta à união com o Criador, perdida através do pecado de Adão e Eva. Esse Reino é semeado no coração de cada pessoa, mas seus frutos não são imediatos. Ele é semeado no mundo, mas precisa de tempo para crescer, assim como a mostarda ou o pão, dois exemplos muito próximos dos interlocutores de Jesus, por isso de fácil compreensão. Recordemos que, em outro momento, Jesus usou o mesmo exemplo do grão de mostarda para representar a fé capaz de mover montanhas (Mt 17,20). O fato de ser quase imperceptível na sua origem, ou seja, no início da missão de Jesus, não diminui a força e a potência do Reino, que em breve se tornará a maior das hortaliças e fermentará a massa toda. É preciso ter paciência para aguardar os frutos, confiança em Deus que os faz crescer e esperança para vê-los amadurecer e saciar a todos.

domingo, 25 de outubro de 2026

Lucas 13, 10-17 O sábado foi feito para o homem.

* 10 Jesus estava ensinando numa sinagoga em dia de sábado. 11 Havia aí uma mulher que, fazia dezoito anos, estava com um espírito que a tornava doente. Era encurvada e incapaz de se endireitar. 12 Vendo-a, Jesus dirigiu-se a ela, e disse: “Mulher, você está livre da sua doença.” 13 Jesus colocou as mãos sobre ela, e imediatamente a mulher se endireitou, e começou a louvar a Deus. 14 O chefe da sinagoga ficou furioso, porque Jesus tinha feito uma cura em dia de sábado. E tomando a palavra, começou a dizer à multidão: “Há seis dias para trabalhar. Venham, então, nesses dias e sejam curados, e não em dia de sábado.” 15 O Senhor lhe respondeu: “Hipócritas! Cada um de vocês não solta do curral o boi ou o jumento para dar-lhe de beber, mesmo que seja dia de sábado? 16 Aqui está uma filha de Abraão que Satanás amarrou durante dezoito anos. Será que não deveria ser libertada dessa prisão, em dia de sábado?” 17 Essa resposta deixou confusos todos os inimigos de Jesus. E toda a multidão se alegrava com as maravilhas que Jesus fazia. Comentário: * 10-17: O dia de sábado é expressão máxima daquilo que Jesus realiza ao curar a mulher: a comemoração da pessoa libertada. O povo se enche de alegria ao ver como o dia santificado é sinal da vida que Deus dá aos homens, e não um dia de simples rituais obrigatórios pré-estabelecidos. Hoje temos a aplicação prática do trecho do Evangelho de Mateus que lemos ontem, ou seja, amar ao próximo está em sintonia e é consequência de amar a Deus. Como esse mandamento se reflete no episódio da cura no sábado? O que Jesus quer mostrar aos seus adversários é que o louvor e o respeito a Deus (guardando o sábado) não entram em conflito com a ação de salvar uma pessoa. Negligenciando a natureza humana e as necessidades das pessoas, não estaremos dando maior atenção a Deus. Ao contrário, quando acolhemos o fraco, pobre e excluído é que estamos acolhendo Deus e rendendo graças a ele, pois estamos devolvendo a vida e a dignidade a uma de suas criaturas, a um de seus filhos.

sábado, 24 de outubro de 2026

Mateus 22, 34-40 O centro da vida.

* 34 Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito os saduceus se calarem. Então eles se reuniram em grupo, 35 e um deles perguntou a Jesus para o tentar: 36 “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” 37 Jesus respondeu: “Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. 38 Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39 O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo. 40 Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos.” Comentário: * 34-40: Cf. nota em Mc 12, 28-34: Jesus resume a essência e o espírito da vida humana num ato único com duas faces inseparáveis: amar a Deus com entrega total de si mesmo, porque o Deus verdadeiro e absoluto é um só e, entregando-se a Deus, o homem desabsolutiza a si mesmo, o próximo e as coisas; amar ao próximo como a si mesmo, isto é, a relação num espírito de fraternidade e não de opressão ou de submissão. O dinamismo da vida é o amor que tece as relações entre os homens, levando todos aos encontros, confrontos e conflitos que geram uma sociedade cada vez mais justa e mais próxima do Reino de Deus. Um doutor da Lei lança a pergunta a Jesus: Qual é o mandamento mais importante? Jesus responde que o primeiro mandamento (amar a Deus) está unido ao segundo (amar o próximo). Trata-se dos dois amores da vida; amando um, estaremos amando o outro. A melhor forma de mostrar que amamos a Deus é amando o próximo.