segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Lucas 14, 15-24 O Reino é para todos.

* 15 Ouvindo isso, um homem que estava à mesa disse a Jesus: “Feliz aquele que come pão no Reino de Deus!»”16 Jesus respondeu: “Um homem deu grande banquete, e convidou muitas pessoas. 17 Na hora do banquete, mandou seu empregado dizer aos convidados: ‘Venham, pois tudo está pronto’. 18 Mas todos, um a um, começaram a dar desculpas. O primeiro disse: ‘Comprei um campo, e preciso ir vê-lo. Peço-lhe que aceite minhas desculpas’. 19 Outro disse: ‘Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-las. Peço-lhe que aceite minhas desculpas’. 20 Um terceiro disse: ‘Acabo de me casar e, por isso, não posso ir’. 21 O empregado voltou, e contou tudo ao patrão. Então o dono da casa ficou muito zangado, e disse ao empregado: ‘Saia depressa pelas praças e ruas da cidade. Traga para cá os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos’. 22 O empregado disse: ‘Senhor, o que mandaste fazer, foi feito, e ainda há lugar’. 23 O patrão disse ao empregado: ‘Saia pelas estradas e caminhos, e faça as pessoas virem aqui, para que a casa fique cheia. 24 Pois eu digo a vocês: nenhum daqueles que foram convidados vai provar do meu banquete’.” Comentário: * 15-24: O Reino de Deus é apresentado como banquete em que Deus reúne os seus convidados. Ainda que os representantes oficiais e os habituados à religião recusem o convite, dando mais importância aos seus próprios afazeres, o Reino permanece aberto para aqueles que comumente são julgados como excluídos: os marginalizados da sociedade e da religião. Enquanto Mateus conclui a narração do banquete celeste com a frase “Muitos são os chamados, poucos os escolhidos”, Lucas enfatiza o fato de que há lugar para todos, sendo excluído apenas aquele que negar o convite, ou seja, refutar a fé. Deus quer que seu Reino (casa) fique cheio, que todos entrem para gozar da vida e da felicidade eternas. Nas entrelinhas da parábola de Lucas, vemos ainda que os primeiros a entrar no Reino são os pobres, os excluídos, os desabrigados, os migrantes, todos os que “vivem pelas estradas”. Os ricos e nobres, que vivem “ocupados” e “sem tempo” para Deus, se autoexcluem do banquete celeste preparado pelo Senhor.

domingo, 1 de novembro de 2026

Lucas 12, 35-40 Vigilância e responsabilidade.

* 35 “Estejam com os rins cingidos e com as lâmpadas acesas. 36 Sejam como homens que estão esperando o seu senhor voltar da festa de casamento: tão logo ele chega e bate, eles imediatamente vão abrir a porta. 37 Felizes dos empregados que o senhor encontra acordados quando chega. Eu garanto a vocês: ele mesmo se cingirá, os fará sentar à mesa, e, passando, os servirá. 38 E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão se assim os encontra! 39 Mas, fiquem certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que lhe arrombasse a casa. 40 Vocês também estejam preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que vocês menos esperarem.” Comentário: * 35-48: Esperando continuamente a chegada imprevisível do Senhor que serve, a comunidade cristã permanece atenta, concretizando a busca do Reino através da prontidão para o serviço fraterno. Os vv. 41-46 mostram que isso vale ainda mais para os dirigentes da comunidade, que receberam de Jesus o encargo de servir, provendo às necessidades da comunidade. A responsabilidade é ainda maior, quando se sabe o que deve ser feito (vv. 47-48). Eis uma bonita expressão de fé da parte de Jó: “Eu sei que meu Redentor está vivo e eu mesmo o verei”. O desejo de Jó é o desejo de todos nós: um dia contemplar a Deus face a face. Aos falecidos já é concedido viver essa realidade. A ressurreição de Cristo marca o início de uma nova história, com o surgimento de uma nova humanidade. Adão simboliza o pecado e a morte, Cristo realizou a graça e a vida. Neste dia de Finados, o apelo do Evangelho é à vigilância. Estar com os rins cingidos e as lâmpadas acesas traduz a disposição de não esmorecer no cotidiano da vida, mas estarmos sempre atentos aos desejos de Deus. Seremos felizes se o Senhor nos encontrar vigilantes quando chegar. Dia de Finados: Celebrar os falecidos é boa ocasião para refletir sobre a vida, sua brevidade e imprevisibilidade. Podemos nos perguntar: por que tanta ambição, tanta intolerância, tanto ódio, se tudo isso não serve para prolongar a vida? Os poucos anos que vivemos são oportunidade para vivermos sempre melhor. O que semearmos aqui poderemos colher no além. A vida eterna começa nesta vida. A flor que depositamos no túmulo é nosso gesto de gratidão pela pessoa que já partiu para a eternidade.

1 Coríntios 15, 20-24a.25-28 Deus será tudo em todos.

* 20 Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos como primeiro fruto dos que morreram. 21 De fato, já que a morte veio através de um homem, também por um homem vem a ressurreição dos mortos.22 Como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos receberão a vida.23 Cada um, porém, na sua própria ordem: Cristo como primeiro fruto; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24 A seguir, chegará o fim, quando Cristo entregar o Reino a Deus Pai. 25 Pois é preciso que ele reine, até que tenha posto todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. 26 O último inimigo a ser destruído será a morte, 27 pois Deus tudo colocou debaixo dos pés de Cristo. Mas, quando se diz que tudo lhe será submetido, é claro que se deve excluir Deus, que tudo submeteu a Cristo.28 E quando todas as coisas lhe tiverem sido submetidas, então o próprio Filho se submeterá àquele que tudo lhe submeteu, para que Deus seja tudo em todos. Comentário: * 20-28: Dois estados da humanidade se opõem: o pecado e a morte, dos quais Adão é o símbolo; a graça e a vida, realizadas em Cristo (cf. Rm 5,17-21). A partir do pecado, existem na sociedade forças e estruturas que invertem o destino humano, desagregando, pervertendo, e até mesmo levando os homens à morte. Cristo foi morto por essas estruturas, mas Deus o ressuscitou e lhe deu poder de destruí-las. Após vencer essas forças, também a morte será vencida; então, o triunfo será definitivo. Unida a Cristo, a humanidade estará de novo submetida a Deus e o Reino de Deus se manifestará completamente.