segunda-feira, 22 de junho de 2026

Mateus 7, 6.12-14 Saber discernir.

-* 6 «Não deem aos cães o que é santo, nem atirem pérolas aos porcos; eles poderiam pisá-las com os pés e, virando-se, despedaçar vocês.” A regra de ouro -* 12 “Tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles. Pois nisso consistem a Lei e os Profetas.” O Reino exige esforço -* 13 “Entrem pela porta estreita, porque é larga a porta e espaçoso o caminho que levam para a perdição, e são muitos os que entram por ela! 14 Como é estreita a porta e apertado o caminho que levam para a vida, e são poucos os que a encontram!” Comentário: * 6: Esta sentença provavelmente significa que é desperdício e perigo anunciar o Reino aos que não estão preocupados com ele. Se ligada à sentença sobre os dois senhores (Mt 6,24), poderia significar que é inútil e até perigoso anunciar os princípios evangélicos àqueles cujo deus são as riquezas. O coração deles está em outro lugar; fizeram outra opção fundamental. Em todo caso, a sentença parece fora de contexto, e é de difícil interpretação. * 12: No tempo de Jesus, “Lei e Profetas” indicava todo o Antigo Testamento. Esta “regra de ouro” convida-nos a ter para com os outros a mesma preocupação que temos espontaneamente para com nós mesmos. Não se trata de visão calculista - dar para receber -, mas de uma compreensão do que seja o amor do Pai. * 13-14: Tanto a opção fundamental pelo Reino e sua justiça (entrar pela porta), como continuar nessa busca fundamental (caminho), não são fáceis. A escolha verdadeira nunca será feita pelos indecisos e acomodados. Estes ficam relutando, ou escolhem a estrada mais larga proposta pelos ídolos. Encaminhando-nos para a conclusão do Sermão da montanha, Mateus reúne vários ditos de Jesus sobre a prudência, a caridade e a decisão em prol do Evangelho. Iniciamos com a prudência relacionada aos valores do Evangelho e do Reino, considerados sagrados, que nem todos entendem nem estão dispostos a acolher. Só quem tem um coração disponível é capaz de discernir e acolher a Palavra e os valores do Reino. A caridade é definida na chamada “regra de ouro”, ou seja, “façam às pessoas o mesmo que vocês desejam que elas façam a vocês”. O discípulo procura agir sempre pensando no bem do próximo e espera receber o mesmo dele. O difícil, às vezes, está em praticar isso em todos os momentos nas nossas relações com os outros, e assim chegamos ao terceiro dito de Jesus, sobre a decisão: optar pela porta estreita ou pela porta larga. Nem sempre é fácil trilhar o caminho proposto por Jesus, mas é com liberdade que optamos e decidimos pela felicidade ou infelicidade, pela salvação ou condenação.

domingo, 21 de junho de 2026

Mateus 7, 1-5 Ninguém pode julgar.

-* 1 “Não julguem, e vocês não serão julgados. 2 De fato, vocês serão julgados com o mesmo julgamento com que vocês julgarem, e serão medidos com a mesma medida com que vocês medirem. 3 Por que você fica olhando o cisco no olho do seu irmão, e não presta atenção à trave que está no seu próprio olho? 4 Ou, como você se atreve a dizer ao irmão: ‘deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando você mesmo tem uma trave no seu? 5 Hipócrita, tire primeiro a trave do seu próprio olho, e então você enxergará bem para tirar o cisco do olho do seu irmão.” Comentário: * 1-5: Deus nos julga com a mesma medida que usamos para os outros. O rigor do nosso julgamento sobre o nosso próximo (cisco) mostra que desconhecemos a nossa própria fragilidade e a nossa condição de pecadores diante de Deus (trave). A liturgia nos propõe hoje um texto breve, mas muito rico de ensinamentos. Em primeiro lugar, nos ensina que não fomos criados por Deus para julgar, mas para amar, ou seja, não somos juízes, mas irmãos. Se tomamos outro caminho, procurando julgar e condenar o nosso irmão, também Deus nos condenará. No fundo, Jesus mostra aos discípulos que todos os seres humanos são limitados, têm algum “cisco no olho”. Faz parte da natureza humana, que, com o pecado original, perdeu sua condição de “imagem e semelhança” de Deus, a perfeição. Entretanto, podemos trilhar o caminho da perfeição, e para tal somos auxiliados pelo Pai, que nos ama, e por Cristo, que é o nosso Caminho, Verdade e Vida. O Sermão da montanha, que estamos meditando nestes dias, mostra o caminho de retorno ao Pai, desviado pelo pecado de Adão e Eva.

sábado, 20 de junho de 2026

Romanos 5, 12-15 A vida supera a morte.

* 12 Assim como o pecado entrou no mundo através de um só homem e com o pecado veio a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. 13 De fato, já antes da Lei existia pecado no mundo, embora o pecado não possa ser levado em conta quando não existe Lei. 14 Ora, a morte reinou de Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não haviam pecado, cometendo uma transgressão igual à de Adão, o qual é figura daquele que devia vir. 15 O dom da graça, porém, não é como a falta. Se todos morreram devido à falta de um só, muito mais abundantemente se derramou sobre todos a graça de Deus e o dom gratuito de um só homem, Jesus Cristo. Comentário: * 12-21: Paulo contrapõe duas figuras, dois reinos e duas consequências: Adão-Cristo, pecado-graça; morte-vida. Adão é o início e a personificação da humanidade mergulhada no reino do pecado e caminhando para a morte; Cristo, o novo Adão, é início e personificação da humanidade introduzida no reino da graça e caminhando para a vida. Paulo não está interessado nas semelhanças entre Cristo e Adão. Ele os contrapõe apenas para mostrar a supremacia de Cristo e do reino da graça sobre Adão e o reino do pecado; pois o dom de Deus supera de longe o pecado dos homens.

Mateus 10, 26-33 Não tenham medo.

* 26 “Não tenham medo deles, pois não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não existe nada de oculto que não venha a ser conhecido. 27 O que digo a vocês na escuridão, repitam à luz do dia, e o que vocês escutam em segredo, proclamem sobre os telhados. 28 Não tenham medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Pelo contrário, tenham medo daquele que pode arruinar a alma e o corpo no inferno! 29 Não se vendem dois pardais por alguns trocados? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do Pai de vocês. 30 Quanto a vocês, até os cabelos da cabeça estão todos contados. 31 Não tenham medo! Vocês valem mais do que muitos pardais. 32 Portanto, todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante do meu Pai que está no céu. 33 Aquele, porém, que me renegar diante dos homens, eu também o renegarei diante do meu Pai que está no céu.” Comentário: * 26-33: Os discípulos não devem ter medo, porque a missão se baseia na verdade, que põe a descoberto toda a mentira de um sistema social que não mostra a sua verdadeira face. Os homens podem até matar o corpo dos discípulos, mas não conseguirão tirar-lhes a vida, pois é Deus quem dá e conserva ou tira a vida para sempre. A segurança do discípulo está na promessa: quem é fiel a Jesus, terá Jesus a seu favor diante de Deus. O medo impede o anúncio do Evangelho, o qual não pode permanecer oculto. As forças do mal colocam em perigo os valores do Reino. Uns mais e outros menos, todos temos algum medo: da morte, da violência, da escuridão, dos “monstros”… Tudo isso é muito normal. O Mestre apresenta também os motivos para não temer. Poderíamos dizer que há certa hierarquia de medos: uns têm fundamentos, outros nem tanto. A exemplo de Jesus, a coragem do cristão se fundamenta na confiança no Pai. Estando nas mãos de Deus, vivemos de forma mais serena e tranquila. O cristão se identifica pela sua coragem para enfrentar os desafios da vida. Jesus venceu o mundo e a morte, nessa vitória se fundamenta nossa esperança. Não podemos nos esquecer da Providência divina. O Pai celeste se preocupa até com os cabelos e com os pássaros, e nossa vida vale muito mais que um pássaro.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Mateus 6, 24-34 A escolha fundamental.

24 Ninguém pode servir a dois senhores. Porque, ou odiará a um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e às riquezas.” A busca fundamental -* 25 “Por isso é que eu lhes digo: não fiquem preocupados com a vida, com o que comer; nem com o corpo, com o que vestir. Afinal, a vida não vale mais do que a comida? E o corpo não vale mais do que a roupa? 26 Olhem os pássaros do céu: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, o Pai que está no céu os alimenta. Será que vocês não valem mais do que os pássaros? 27 Quem de vocês pode crescer um só centímetro, à custa de se preocupar com isso? 28 E por que vocês ficam preocupados com a roupa? Olhem como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29 Eu, porém, lhes digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 30 Ora, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, muito mais ele fará por vocês, gente de pouca fé! 31 Portanto, não fiquem preocupados, dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir? 32 Os pagãos é que ficam procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. 33 Pelo contrário, em primeiro lugar busquem o Reino de Deus e a sua justiça, e Deus dará a vocês, em acréscimo, todas essas coisas. 34 Portanto, não se preocupem com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações. Basta a cada dia a própria dificuldade.” Comentário: * 19-24: Todo homem, consciente ou inconscientemente, tem na vida um valor fundamental, um absoluto que determina toda a sua forma de ser e viver. Qual é o absoluto: Deus ou as riquezas? Deus leva o homem à liberdade e à vida, através da justiça que gera a partilha e a fraternidade. As riquezas são resultado da opressão e da exploração, levando o homem à escravidão e à morte. É preciso escolher a qual dos dois queremos servir. * 25-34: A aquisição de bens necessários para viver se torna ansiedade contínua e pesada, se não for precedida pela busca da justiça do Reino, isto é, a promoção de relações de partilha e fraternidade. O necessário para a vida virá junto com essa justiça, como fruto natural de árvore boa. Jesus continua ensinando os discípulos sobre os males da ganância, não por acaso considerada um dos sete pecados capitais. O cristão, discípulo de Cristo, não pode prostrar-se diante do falso deus da riqueza ou do poder; não pode submeter-se ao falso deus do dinheiro, tão cultuado nos nossos tempos. Deus garante o pão nosso de cada dia e nos dá tudo o que precisamos, desde que o sigamos com o coração puro, como a criança que confia nos seus pais e recebe toda atenção e cuidado. Devemos procurar sempre e em tudo a justiça de Deus, e tudo nos será dado, aqui na terra ou no céu.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Mateus 6, 19-23 A escolha fundamental,

* 19 “Não ajuntem riquezas aqui na terra, onde a traça e a ferrugem corroem, e onde os ladrões assaltam e roubam. 20 Ajuntem riquezas no céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem, e onde os ladrões não assaltam nem roubam. 21 De fato, onde está o seu tesouro, aí estará também o seu coração. 22 A lâmpada do corpo é o olho. Se o olho é sadio, o corpo inteiro fica iluminado. 23 Se o olho está doente, o corpo inteiro fica na escuridão. Assim, se a luz que existe em você é escuridão, como será grande a escuridão! Comentário: * 19-24: Todo homem, consciente ou inconscientemente, tem na vida um valor fundamental, um absoluto que determina toda a sua forma de ser e viver. Qual é o absoluto: Deus ou as riquezas? Deus leva o homem à liberdade e à vida, através da justiça que gera a partilha e a fraternidade. As riquezas são resultado da opressão e da exploração, levando o homem à escravidão e à morte. É preciso escolher a qual dos dois queremos servir. Depois de falar sobre a esmola, a oração e o jejum, Jesus alerta os discípulos para o perigo da cobiça e da ganância. Esses pecados entram no ser humano pelo “olho”. Deixamos de ver as coisas como são e passamos a ver de modo confuso, confusos pela escuridão. A ganância entra pelo nosso olho e enche nosso coração, cegando e pervertendo o senso moral, apagando a luz de toda a vida do espírito. Ver com clareza significa deixar a luz de Cristo e do evangelho iluminar sempre nossa vida e nossas escolhas. Não precisamos juntar riquezas ou títulos além dos necessários para viver dignamente, pois tudo isso passa, é corroído pela traça e pela ferrugem, acabará se perdendo. Devemos priorizar a justiça divina que conduz à salvação e passa pelo tripé da vida cristã meditado nos dias anteriores: caridade, oração e jejum. Como estamos vivendo este tripé?

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Mateus 6, 7-15 O “Pai nosso”.

* 7 “Quando vocês rezarem, não usem muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por causa do seu palavreado. 8 Não sejam como eles, pois o Pai de vocês sabe do que é que vocês precisam, ainda antes que vocês façam o pedido. 9 Vocês devem rezar assim: Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome; 10 venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. 11 Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia. 12 Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. 13 E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. 14 De fato, se vocês perdoarem aos homens os males que eles fizeram, o Pai de vocês que está no céu também perdoará a vocês. 15 Mas, se vocês não perdoarem aos homens, o Pai de vocês também não perdoará os males que vocês tiverem feito.” Comentário: * 7-15: Mateus aproveita o tema da oração para inserir aqui o Pai-nosso (cf. Lc 11,1-4), contrapondo a oração cristã à oração dos fariseus e dos pagãos. O Pai-nosso mostra a simplicidade e intimidade do homem com Deus. Na primeira parte, pede-se que Deus manifeste o seu projeto de salvação; na segunda, pede-se o essencial para que o homem possa viver segundo o projeto de Deus: pão para o sustento, bom relacionamento com os irmãos e perseverança até o fim. A oração é um encontro, um diálogo sincero com Deus, no qual abrimos nosso coração e expomos nossas alegrias e tristezas, nossas necessidades e anseios. Exatamente por ser um diálogo, há momento para falarmos, mas também momento para escutarmos o que Deus nos diz. É inútil a oração que tenta convencer Deus com muitas palavras, mesmo que sejam bonitas e bem articuladas. Jesus nos mostra o essencial da oração: poucas palavras, porém muita fé e muito amor. Na oração do pai-nosso, ele ensina os apóstolos, e nós, hoje, a pedir humildemente ao Pai o pão, o perdão e a salvação. Assim devemos rezar todos os dias: Pai nosso, que estais nos céus…