sexta-feira, 22 de maio de 2026

João 21, 20-25 O testemunho continua sempre.

20 Pedro virou-se e viu atrás de si aquele outro discípulo que Jesus amava, o mesmo que estivera bem perto de Jesus durante a ceia e que havia perguntado: “Senhor, quem é que vai traí-lo?” 21 Quando Pedro viu aquele discípulo, perguntou a Jesus: “Senhor, o que vai acontecer a ele?” 22 Jesus respondeu: “Se eu quero que ele viva até que eu venha, o que é que você tem com isso? Quanto a você, siga-me.” 23 Então correu a notícia entre os irmãos de que aquele discípulo não iria morrer. Porém Jesus não disse que ele não ia morrer, mas disse: “Se eu quero que ele viva até que eu venha, o que é que você tem com isso?” O Evangelho é testemunho -* 24 Este é o discípulo que deu testemunho dessas coisas e que as escreveu. E nós sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. 25 Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que não caberiam no mundo os livros que seriam escritos. Comentário: * 15-23: A ideia de superioridade e domínio no exercício do pastoreio é absolutamente contrária ao ensino e atitude de Jesus, que considera todos os seus discípulos como amigos e irmãos. O verdadeiro pastor é aquele que segue a Jesus, colocando-se a serviço da comunidade e sendo capaz de amá-la até o fim, dando por ela até a própria vida. * 24-25: A segunda conclusão do evangelho salienta novamente o tema do testemunho. O Evangelho não é ensinamento de doutrina, nem exposição de verdades ou sistemas, nem conjunto de fórmulas jurídicas, às quais todos deveriam se ajustar. Evangelho é o testemunho de uma comunidade que se transforma cada vez mais ao seguir Jesus na experiência do amor.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

João 21, 15-19 Para dirigir a comunidade, é preciso amar.

* 15 Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, você me ama mais do que estes outros?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.” Jesus disse: “Cuide dos meus cordeiros.” 16 Jesus perguntou de novo a Pedro: “Simão, filho de João, você me ama?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.” Jesus disse: “Tome conta das minhas ovelhas.” 17 Pela terceira vez Jesus perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, você me ama?” Então Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Disse a Jesus: “Senhor, tu conheces tudo, e sabes que eu te amo.” Jesus disse: “Cuide das minhas ovelhas. 18 Eu garanto a você: quando você era mais moço, você colocava o cinto e ia para onde queria. Quando você ficar mais velho, estenderá as suas mãos, e outro colocará o cinto em você e o levará para onde você não quer ir.” 19 Jesus falou isso aludindo ao tipo de morte com que Pedro iria glorificar a Deus. E Jesus acrescentou: “Siga-me.” Comentário: * 15-23: A ideia de superioridade e domínio no exercício do pastoreio é absolutamente contrária ao ensino e atitude de Jesus, que considera todos os seus discípulos como amigos e irmãos. O verdadeiro pastor é aquele que segue a Jesus, colocando-se a serviço da comunidade e sendo capaz de amá-la até o fim, dando por ela até a própria vida. Jesus Cristo confia a Pedro a liderança do seu rebanho. Neste profundo e ao mesmo tempo enigmático diálogo entre Jesus e Pedro, vemos expressa a vontade do Mestre de dar continuidade à missão através dos seus discípulos. São eles que levarão o Evangelho a todos os povos, fazendo com que Cristo possa encarnar em cada rosto humano. Mais importante nesse diálogo, porém, é o sentido de unidade e comunhão que Cristo confere simbolicamente ao apóstolo. Pedro, a rocha sobre a qual se edifica a Igreja, não apenas “alimenta as suas ovelhas”, mas garante a presença de Jesus junto ao rebanho, junto a nós, guiando-nos e protegendo-nos contra as ameaças do mundo. A nossa fidelidade a Cristo deve hoje se revelar e prolongar, portanto, na fidelidade ao papa, o seu vigário no mundo.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

João 16, 20-26 A unidade no amor.

* 20 “Eu não te peço só por estes, mas também por aqueles que vão acreditar em mim por causa da palavra deles, 21 para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. E para que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo acredite que tu me enviaste. 22 Eu mesmo dei a eles a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um. 23 Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade, e para que o mundo reconheça que tu me enviaste e que os amaste, como amaste a mim. 24 Pai, aqueles que tu me deste, eu quero que eles estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória que tu me deste, pois me amaste antes da criação do mundo. 25 Pai justo, o mundo não te reconheceu, mas eu te reconheci. Estes também reconheceram que tu me enviaste. 26 E eu tornei o teu nome conhecido para eles. E continuarei a torná-lo conhecido, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu mesmo esteja neles.” Comentário: * 20-26: Graças ao testemunho dos discípulos, as comunidades cristãs do futuro vão acreditar e se comprometer com Jesus. Na unidade do amor, as comunidades serão o sacramento ou expressão da presença atuante de Jesus, lembrando continuamente o próprio Jesus, que é o dom que o Pai concedeu aos homens. Chegamos à terceira e última parte da “oração sacerdotal de Jesus”. Além de rezar pelos apóstolos, o Mestre pede por todos os futuros seguidores, ou seja, por todos os que fizeram, fazem e farão parte da Igreja. À unidade, Jesus junta agora o tema do amor. Isso mostra que a força da Igreja se alicerça sobre esses dois grandes pilares, que vêm de Deus Uno e Trino, e são por ele mantidos. Unidade e amor têm suas fontes no Pai, chegam até nós pelo Filho e são vividos pelos fiéis sob a proteção e guia do Espírito Santo.

terça-feira, 19 de maio de 2026

João 17, 11-19 Os discípulos de Jesus rompem com o mundo.

11 Eu já não estou no mundo. Eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que tu me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um. 12 Quando eu estava com eles, eu os guardava em teu nome, o nome que tu me deste. Eu os protegi e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. 13 Agora eu vou para junto de ti. Entretanto, continuo a dizer essas coisas neste mundo, para que eles possuam toda a minha alegria. 14 Eu dei a eles a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não pertencem ao mundo, como eu não pertenço ao mundo.15 Não te peço para tirá-los do mundo, mas para guardá-los do Maligno. 16 Eles não pertencem ao mundo, como eu não pertenço ao mundo. 17 Consagra-os com a verdade: a verdade é a tua palavra. 18 Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os envio ao mundo. 19 Em favor deles eu me consagro, a fim de que também eles sejam consagrados com a verdade.” Comentário: * 6-19: Os discípulos vão continuar a missão de Jesus. Como Jesus, eles romperam com a mentalidade perversa do sistema que rege a sociedade. A missão deles, porém, não é sair do “mundo”, e sim permanecerem unidos, presentes no meio da sociedade, dando testemunho de Jesus. O Pai os protegerá de se contaminarem com o espírito do “mundo”, a cujas ameaças e seduções eles não cederão. A “oração sacerdotal de Jesus”, posta no contexto da última ceia, como conclusão do sermão de adeus, cheia de confidência, doçura e amor, é altamente inspirada, porque nela Jesus se apresenta em atitude de sacerdote, intercedendo pelos seus apóstolos (e todos os seguidores), no momento em que está para deixá-los sozinhos no mundo. Também o trecho que lemos hoje é dirigido ao grupo dos doze. Jesus pede a unidade dos apóstolos, a exemplo da unidade fundamental que une a Santíssima Trindade, tema central da parte final que meditaremos amanhã. Pede ainda que o Pai conserve os apóstolos, que sejam preservados do mal e santificados na verdade para poderem cumprir com perfeição a missão à qual são enviados.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

João 17, 1-11 O que é a vida eterna?

* 1 Depois de falar essas coisas, Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: “Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o Filho glorifique a ti, 2 pois lhe deste poder sobre todos os homens, para que ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe deste. 3 Ora, a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que tu enviaste, Jesus Cristo. 4 Eu te glorifiquei na terra, completei a obra que me deste para fazer. 5 E agora, Pai, glorifica-me junto a ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse.” Os discípulos de Jesus rompem com o mundo -* 6 “Eu manifestei o teu nome aos homens que me deste do meio do mundo. Eles eram teus e tu os deste a mim, e eles guardaram a tua palavra. 7 Agora eles conhecem que tudo o que me deste provém de ti, 8 e que as palavras que eu lhes dei são aquelas que tu me deste. Eles as receberam, e conheceram verdadeiramente que eu saí de junto de ti, e acreditaram que tu me enviaste. 9 Eu peço por eles. Não peço pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10 E tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu, e assim sou glorificado neles. 11 Eu já não estou no mundo. Eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti. Comentário: * 17,1-5: A vida eterna consiste em comprometer-se com o verdadeiro Deus e o verdadeiro homem, que se manifestaram na vida e ação de Jesus. O Deus verdadeiro é o Pai que ama os homens, a ponto de entregar seu Filho até à morte, para dar vida. Todo deus que não dá vida ao homem é falso, é ídolo. O homem verdadeiro é aquele que se abre para se tornar filho do Deus que dá vida e para ser irmão dos outros homens, dando a vida por eles, como Jesus fez. Todo homem que se fecha para Deus e para os irmãos é um falso homem. * 6-19: Os discípulos vão continuar a missão de Jesus. Como Jesus, eles romperam com a mentalidade perversa do sistema que rege a sociedade. A missão deles, porém, não é sair do “mundo”, e sim permanecerem unidos, presentes no meio da sociedade, dando testemunho de Jesus. O Pai os protegerá de se contaminarem com o espírito do “mundo”, a cujas ameaças e seduções eles não cederão. Hoje começamos a ler e meditar a chamada “oração sacerdotal”, na qual Jesus pede, sobretudo, o amor e a unidade dos seus, sinais que atraem o mundo para a fé. A reunião escatológica iniciou em Jesus e será cumprida no fim dos tempos. Esta primeira parte divide-se em dois trechos: os cinco primeiros versículos convergem para o ponto central da glória, ou seja, chegou a hora da paixão e da morte, que é a hora da glorificação de Jesus e do Pai. Nos v. 6-11, Jesus pensa em seus apóstolos, a quem comunicou toda a revelação recebida do Pai. Eles responderam com a fé; por isso, Jesus será glorificado nos seus, mediante a fé que opera no amor.

domingo, 17 de maio de 2026

João 16, 29-33 A vitória sobre o mundo.

29 Os discípulos disseram: “Agora estás falando claramente e sem comparações. 30 Agora sabemos que tu sabes todas as coisas, e que é inútil alguém te fazer perguntas. Agora sim, acreditamos que saíste de junto de Deus.” 31 Jesus disse: “Agora vocês acreditam? 32 Vem a hora, e já chegou, em que vocês se espalharão, cada um para o seu lado, e me deixarão sozinho. Mas eu não estou sozinho, pois o Pai está comigo. 33 Eu disse essas coisas, para que vocês tenham a minha paz. Neste mundo vocês terão aflições, mas tenham coragem; eu venci o mundo.” Comentário: * 25-33: Jesus não engana seus seguidores: o futuro é tempo de testemunho em meio a lutas e perseguições. Mas é também tempo de confiança e paz, pois os cristãos podem contar com o amor do Pai. E desde já podem estar certos da vitória: Jesus já venceu todos os adversários. Para quem acredita em Jesus, a ordem social injusta, que condena o justo inocente, está condenada ao fracasso para sempre. Jesus Cristo vence o mundo e mostra que nós também podemos superar qualquer mal ou ameaça. Também nós, se estivermos unidos a Cristo, venceremos toda a dimensão negativa do mundo, todas as suas tramas. Também nós temos ao nosso lado o Pai e o próprio Jesus, por isso não estamos sozinhos ou órfãos. Os apóstolos afirmam conhecer Jesus, mas são advertidos de que ainda há muito por conhecer, porque muitas coisas ainda estão por vir. Jesus não veio ao mundo para transmitir uma filosofia de vida, nem algumas orientações práticas de vida feliz, ao estilo dos coaches atuais. Não! Ele veio para salvar o mundo, para provocar mudança, para exigir conversão e transformação de vida. Ele veio para revelar o projeto de Deus para o ser humano, que deve responder, através da fé, se aceita ou não fazer parte deste projeto de vida e salvação.

sábado, 16 de maio de 2026

Mateus 28, 16-20 Jesus é o Senhor da história.

* 16 Os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. 17 Quando viram Jesus, ajoelharam-se diante dele. Ainda assim, alguns duvidaram. 18 Então Jesus se aproximou, e falou: “Toda a autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra. 19 Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, 20 e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo.” Comentário: * 16-20: Doravante, Jesus é a única autoridade entre Deus e os homens. Ele dá apenas uma ordem àqueles que o seguem: fazer com que todos os povos se tornem discípulos. Todos são chamados a participar de uma nova comunidade (batismo), que se compromete a viver de acordo com o que Jesus ensinou: praticar a justiça (3,15; 5,20) em favor dos pobres e marginalizados (25,31-46). O Evangelho se encerra com a promessa já feita no início: Jesus está vivo e sempre presente no meio da comunidade, como o Emanuel, o Deus-conosco (1,23). Obedecendo ao pedido do Mestre, os discípulos se dirigem à Galileia, onde acontece o último encontro com o Ressuscitado. Na Galileia Jesus iniciou sua missão e lá a conclui. É nas periferias, fora do grande centro religioso e político, que o pequeno grupo também é convidado a iniciar sua missão. Antes de deixar os apóstolos, Jesus lhes transmite as últimas instruções, entrega-lhes o programa de vida. Com o poder recebido de Deus, Jesus lhes confia a tarefa de ensinar “todas as nações”. Todos somos convidados a seguir os passos do Mestre. A prática do batismo em nome da Santíssima Trindade nasceu no início da Igreja e perdura até hoje. Mateus conclui seu Evangelho confirmando o que disse no início: Jesus é o Emanuel, o Deus conosco, “estarei com vocês todos os dias”. Com sua ascensão, Jesus não abandona a humanidade, assim como não abandonou o céu quando desceu à terra. Cristo