sábado, 27 de setembro de 2025

1 Timóteo 6, 11-16 O verdadeiro doutor.

* 11 Você, porém, homem de Deus, fuja dessas coisas. Procure a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança, a mansidão. 12 Combata o bom combate da fé, conquiste a vida eterna, para a qual você foi chamado. Isso, você o reconheceu numa bela profissão de fé diante de muitas testemunhas. 13 Diante de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Jesus Cristo, que deu testemunho diante de Pôncio Pilatos numa bela profissão de fé, eu ordeno a você: 14 guarde o mandamento puro, de modo irrepreensível, até a Aparição de nosso Senhor Jesus Cristo. 15 Essa Aparição mostrará, nos tempos estabelecidos, o Bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, 16 o único que possui a imortalidade, que habita uma luz inacessível, que nenhum homem viu, nem pode ver. A ele, honra e poder eterno. Amém! Comentário: * 11-16: O verdadeiro doutor é aquele que foge da ambição e vive com sobriedade. Seu compromisso primeiro é com a verdade, a qual se manifesta no ministério de Cristo, relembrado nos vv. 15-16.

Lucas 16, 19-31 O rico e o pobre.

* 19 ‘Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino, e dava banquete todos os dias. 20 E um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, que estava caído à porta do rico. 21 Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E ainda vinham os cachorros lamber-lhe as feridas. 22 Aconteceu que o pobre morreu, e os anjos o levaram para junto de Abraão. Morreu também o rico, e foi enterrado. 23 No inferno, em meio aos tormentos, o rico levantou os olhos, e viu de longe Abraão, com Lázaro a seu lado. 24 Então o rico gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque este fogo me atormenta’. 25 Mas Abraão respondeu: ‘Lembre-se, filho: você recebeu seus bens durante a vida, enquanto Lázaro recebeu males. Agora, porém, ele encontra consolo aqui, e você é atormentado. 26 Além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, nunca poderia passar daqui para junto de vocês, nem os daí poderiam atravessar até nós’. 27 O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de meu pai, 28 porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não acabem também eles vindo para este lugar de tormento’. 29 Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas: que os escutem!’ 30 O rico insistiu: ‘Não, pai Abraão! Se um dos mortos for até eles, eles vão se converter’. 31 Mas Abraão lhe disse: ‘Se eles não escutam a Moisés e aos profetas, mesmo que um dos mortos ressuscite, eles não ficarão convencidos’.” Comentário: * 19-31: A parábola é uma crítica à sociedade classista, onde o rico vive na abundância e no luxo, enquanto o pobre morre na miséria. O problema é o isolamento e afastamento em que o rico vive, mantendo um abismo de separação que o pobre não consegue transpor. Para quebrar esse isolamento, o rico precisa se converter. Nada o levará a essa conversão, se ele não for capaz de abrir o coração para a palavra de Deus, o que o leva a voltar-se para o pobre. Assim, mais do que explicação da vida no além, a parábola é exigência de profunda transformação social, para criar uma sociedade onde haja partilha de bens entre todos. Jesus conta a parábola para os fariseus. A narrativa gira em torno do conflito social entre ricos e pobres, tema caro a Lucas. O rico se veste de luxo e tem comida farta, mas não tem nome. O pobre se alimenta das migalhas do rico, mas tem nome. Os dois morrem: o rico foi enterrado, e o pobre, levado ao seio de Abraão. O diálogo entre o rico e Abraão revela o caminho da superação do abismo entre ricos e pobres: a Palavra de Deus. A parábola não está enfatizando a existência do céu ou do inferno. Ela questiona o abismo que há entre riqueza e pobreza. A desgraça da riqueza é quando ela se torna “mamona”, isto é, adorada como um deus, e se torna obstáculo ao acesso ao Reino de Deus. O amor à riqueza torna cega a pessoa e a desfigura socialmente. A função social da riqueza é favorecer o bem-estar de todo cidadão. Não é humano fechar-se na “sociedade do bem-estar”, ignorando a “sociedade do mal-estar”. Não podemos ficar indiferentes diante de “tanta riqueza” em contraste com “tanta miséria”.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Lucas 9, 43-45 O Filho do Homem vai ser entregue.

43 Todos ficaram admirados com a grandeza de Deus. O povo estava admirado com tudo o que Jesus fazia. Então Jesus disse aos discípulos: 44 “Prestem atenção ao que eu vou dizer: o Filho do Homem vai ser entregue na mão dos homens.” 45 Mas os discípulos não compreendiam o que Jesus dizia. Isso estava escondido a eles, para que não entendessem. E tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto. Comentário: * 37-45: Enquanto os discípulos não mudarem sua ideia sobre o Messias, jamais realizarão atos de libertação, que dão continuidade à missão de Jesus. Jesus desperta a admiração de todos, mas seu olhar está fixo na obra decisiva da salvação, na sua entrega pela humanidade, anunciada pela segunda vez aos discípulos. A expressão “Filho do Homem” é usada, originalmente, na apocalíptica judaica, aparecendo pela primeira vez na Bíblia no livro de Daniel, como força transformadora de Deus que desce à terra e destrói os poderes deste mundo, estabelecendo os fundamentos do novo Reino de Deus. Jesus é o verdadeiro “Filho do Homem”, capaz de transformar o mundo, não a partir dos interesses humanos, mas segundo a lógica da cruz. A cruz é o fundamento sobre o qual está assente a nova Jerusalém, que acolhe todos os homens e mulheres capazes de olhar para a cruz como árvore da vida nova.

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Lucas 9, 18-22 Jesus é o Messias.

* 18 Certo dia, Jesus estava rezando num lugar retirado, e os discípulos estavam com ele. Então Jesus perguntou: “Quem dizem as multidões que eu sou?” 19 Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que tu és algum dos antigos profetas que ressuscitou.” 20 Jesus perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Pedro respondeu: “O Messias de Deus.” 21 Então Jesus proibiu severamente que eles contassem isso a alguém. 22 E acrescentou: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto, e ressuscitar no terceiro dia.” Comentário: * 18-27: Não basta declarar e aceitar que Jesus é o Messias; é preciso rever a ideia a respeito do Messias, o qual, para construir a nova história, enfrenta os que não querem transformações. Por isso, ele vai sofrer, ser rejeitado e morto. Sua ressurreição será a sua vitória. E quem quiser acompanhar Jesus na sua ação messiânica e participar da sua vitória, terá que percorrer caminho semelhante: renunciar a si mesmo e às glórias do poder e da riqueza. Normalmente, para descrever de modo adequado e completo a identidade de uma pessoa, precisamos conhecê-la bem, de perto, intimamente. Pedro ama profundamente Jesus e, por isso, afirma com segurança: “És o Messias de Deus”. Jesus é o Filho de Deus prometido desde todos os tempos para resgatar a humanidade de seu pecado e devolver-lhe a verdadeira condição de filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança. Muitos batizados, hoje, não conseguem responder da mesma forma porque não se relacionam intimamente com Cristo, que transforma nosso ser corruptível e nos conduz ao Reino do amor e da vida plena. Conhecer Jesus deve ser um esforço constante do cristão, pois só assim conseguiremos viver como ele viveu e amar como ele amou. Só assim poderemos saber quem ele é e o que espera de nós.

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Lucas 9, 7-9 Jesus começa a inquietar.

* 7 O governador Herodes ouviu falar de tudo o que estava acontecendo, e ficou sem saber o que pensar, porque alguns diziam que João Batista tinha ressuscitado dos mortos; 8 outros diziam que Elias tinha aparecido; outros ainda, que um dos antigos profetas tinha ressuscitado. 9 Então Herodes disse: “Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?” E queria ver Jesus. Comentário: * 7-9: A palavra e ação de Jesus deixam o povo e as autoridades sem saber o que pensar. É que a presença dele força todo mundo a se perguntar: “Quem é esse homem?” O encontro de Jesus e Herodes acontecerá na Paixão (23,6-12). A ação de Jesus ganha cada vez mais repercussão, e todos querem saber quem é esse homem que realiza grandes obras. Ele representa uma novidade tamanha que todos ficam confusos acerca da sua identidade. O próprio rei Herodes, ao ouvir relatos sobre a palavra e ação de Jesus, é tomado por um grande temor e curiosidade. Deseja vê-lo, quer conhecê-lo. Mas não basta ver Jesus para saber quem ele é. É preciso reconhecê-lo através da fé. Esse pequeno detalhe nos mostra que somente somos capazes de “ver” claramente quem é Jesus à luz do acontecimento pascal. Somos, portanto, privilegiados, pois hoje conhecemos Jesus verdadeiramente como ele é, mas só descobriremos a profundidade da mensagem evangélica quando abrirmos nosso coração para acolher Jesus como verdadeiro Messias.

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Lucas 9, 1-6 A missão dos discípulos.

* 1 Jesus convocou os Doze, e lhes deu poder e autoridade sobre os demônios e para curar as doenças. 2 E os enviou a pregar o Reino de Deus e a curar. 3 E disse-lhes: “Não levem nada para o caminho: nem bastão, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas. 4 Em qualquer casa onde vocês entrarem, fiquem aí, até vocês se retirarem do lugar. 5 E todos aqueles que não os acolherem, vocês, ao sair da cidade, sacudam a poeira dos pés, como protesto contra eles.” 6 Os discípulos partiram, e percorriam os povoados, anunciando a Boa Notícia, e fazendo curas em todos os lugares. Comentário: * 9,1-6: Cf. nota em Mc 6, 6b-13: Os discípulos são enviados para continuar a missão de Jesus: pedir mudança radical da orientação de vida (conversão), desalienar as pessoas (libertar dos demônios), restaurar a vida humana (curas). Os discípulos devem estar livres, ter bom senso e estar conscientes de que a missão vai provocar choque com os que não querem transformações. Enviando os discípulos, Jesus confere-lhes poder e autoridade sobre as coisas que escravizam as pessoas. O pecado pode ser entendido como uma forma de escravidão, através da qual nos sujeitamos aos instintos do mundo: egoísmo, idolatria, inveja, ira, ambição, inimizades, ciúmes e outras realidades semelhantes. Deus, que nunca nos abandona, atrai-nos continuamente para a liberdade, que se expressa na comunidade dos discípulos, enviados ao mundo para proclamar a Boa-nova do Reino e curar os enfermos. Os discípulos praticam a liberdade, indo de cidade em cidade sem levar nada pelo caminho: “nem bastão, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas”. O desprendimento total dos instintos e dos bens terrenos, associado à confiança em Deus, são características essenciais da comunidade liberta por Cristo da escravidão do pecado.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Lucas 8, 19-21 A verdadeira família de Jesus.

* 19 A mãe e os irmãos de Jesus se aproximaram, mas não podiam chegar perto dele por causa da multidão. 20 Então anunciaram a Jesus: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem te ver.” 21 Jesus respondeu: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática.” Comentário: * 19-21: Jesus instaura novas relações entre os homens, que começam a existir quando os homens põem em prática a palavra do Evangelho, continuando a missão de Jesus. Lucas também menciona a família biológica de Jesus. Isso serve para mostrar uma importante transformação na ação de Cristo: no início do Evangelho, vemos um lugar de grande destaque dado a Maria, que concebeu por ação do Espírito Santo; a Palavra de Deus que fecundou o ventre de Maria agora fecunda a comunidade dos discípulos, sua nova família, formada por todos os que aceitam e vivem seu Evangelho. Em Cristo, somos todos irmãos e irmãs, filhos e filhas de Deus, nosso Pai amoroso e misericordioso. Dessa família brota o mundo novo, cheio de vida e liberdade para todos.