quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Lucas 17, 20-25 A presença do Reino.


* 20 Os fariseus perguntaram a Jesus sobre o momento em que chegaria o Reino de Deus. Jesus respondeu: “O Reino de Deus não vem ostensivamente. 21 Nem se poderá dizer: ‘Está aqui’ ou: ‘está ali’, porque o Reino de Deus está no meio de vocês.”
A vinda do Filho do Homem -* 22 Jesus disse aos discípulos: “Chegarão dias em que vocês desejarão ver um só dia do Filho do Homem, e não poderão ver. 23 Dirão a vocês: ‘Ele está aliou: ‘Ele está aqui’. Não saiam para procurá-lo. 24 Pois como o relâmpago brilha de um lado a outro do céu, assim também será o Filho do Homem. 25 Antes, porém, ele deverá sofrer muito e ser rejeitado por esta geração.
Comentário:
* 20-21: É inútil procurar sinais misteriosos da vinda do Reino. Ele já está presente em qualquer lugar onde a ação de Jesus é continuada.
* 22-37: Juntamente com o Reino de Deus, o julgamento do Filho do Homem se realiza na história: ele vem para manifestar a verdade da vida de todos. Essa manifestação do Filho do Homem é sempre momento grave e decisivo: dele depende a salvação ou a destruição de cada um. Serão salvos somente aqueles que, como Jesus, fazem da própria vida dom para os outros (v. 33).
Os fariseus imaginavam que o Reino de Deus só chegaria quando todo o povo observasse a Lei em suas mínimas prescrições. Pedem a Jesus uma definição: quando iria chegar esse Reino? Jesus responde que a vinda do Reino não depende de cálculos ou grandes rumores. O Reino de Deus começou na pessoa e na prática de Jesus no meio de seus contemporâneos. O Reino se torna presente e visível sempre que as pessoas praticam a justiça, criando relações de fraternidade. O dia do Filho do Homem (Jesus) é o tempo após sua ressurreição, que será coroado com sua manifestação final. Então, quando ele vier na sua glória, o fato será evidente para todos. Entretanto, “primeiro ele deve sofrer muito e ser rejeitado por esta geração”. A paixão de Jesus será momento crucial e fundamental para o desenvolvimento do Reino.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Lucas 17, 11-19 Fé e gratidão.


* 11 Caminhando para Jerusalém, aconteceu que Jesus passava entre a Samaria e a Galiléia. 12 Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos foram ao encontro dele. Pararam de longe, e gritaram: 13 Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!” 14 Ao -los, Jesus disse: “Vão apresentar-se aos sacerdotes.” Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. 15 Ao perceber que estava curado, um deles voltou atrás dando glória a Deus em alta voz. 16 Jogou-se no chão, aos pés de Jesus, e lhe agradeceu. E este era um samaritano. 17 Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? 18 Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” 19 E disse a ele: “Levante-se e . Sua o salvou.”
Comentário:
* 11-19: O ponto alto da narrativa é a fé do samaritano. É fé madura: nasce da esperança (vv. 12-13), cresce na obediência à palavra de Jesus (v. 14) e se manifesta na gratidão (v. 16). Com isso, ele não só recebe a cura, mas é salvo. Sua vida chega à plenitude, ao reconhecer que em Jesus o amor de Deus leva os homens a viver na alegria da gratidão. A vida que Deus dá em Jesus Cristo é gratuita, é graça.
A gravidade da doença (lepra) engrandece o gesto do terapeuta (Jesus) e salienta a falta de gratidão da maioria dos agraciados. Considerada contagiosa, a lepra mantinha seus portadores afastados do convívio humano. Ora, os dez leprosos mantêm- se à distância e pedem a compaixão de Jesus, que exige deles um ato de fé: sem ainda serem curados, que se apresentem aos sacerdotes; estes comprovarão a veracidade da cura. No caminho, os dez se veem purificados da doença, mas apenas um retorna “glorificando a Deus”, e o faz “em alta voz”, a fim de que todos participem da sua alegria e se conscientizem do poder de Deus. Era um samaritano. Prostra-se, confirmando sua fé em Jesus. E os outros nove? Deixam de ouvir dos lábios do Mestre o coroamento da cura: “Levante-se e vá! Sua fé o salvou”.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Lucas 17, 7-10 Atitudes do discípulo.


7 Se alguém de vocês tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Venha depressa para a mesa’? 8 Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepare-me o jantar, cinja-se e sirva-me, enquanto eu como e bebo; depois disso você vai comer e beber’? 9 Será que vai agradecer ao empregado, porque este fez o que lhe havia mandado? 10 Assim também vocês: quando tiverem cumprido tudo o que lhes mandarem fazer, digam: ‘Somos empregados inúteis; fizemos o que devíamos fazer’.”
Comentário:
* 1-10: Lucas reúne aqui sentenças de Jesus sobre o escândalo, a correção fraterna, o perdão, o poder da fé e a necessidade de estar desinteressadamente a serviço de Deus. São atitudes fundamentais para a vida do discípulo de Jesus.
Jesus convida seus discípulos a entregar-se inteiramente à missão, sem buscar regalias incompatíveis com a urgência da implantação do Reino de Deus. Ele é o modelo do servo fiel: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mc 10,45). Generoso e gratuito deve ser o serviço que prestamos ao Reino de Jesus. São Paulo dizia aos líderes religiosos de Éfeso: “Eu servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações… Nunca deixei de ensinar o que pudesse ser útil para vocês” (At 20,19-20). A recompensa virá, pois Deus está atento ao menor gesto de amor. Com humildade e alegria, façamos o que nos compete, segundo os dons que de Deus recebemos.


segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Lucas 17, 1-6 Atitudes do discípulo.


* 1 Jesus disse a seus discípulos: “É inevitável que aconteçam escândalos, mas, ai daquele que produz escândalos! 2 Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que escandalizar um desses pequeninos.
3 Prestem atenção! Se o seu irmão peca contra você, chame a atenção dele. Se ele se arrepender, perdoe. 4 Se ele pecar contra você sete vezes num só dia, e sete vezes vier a você, dizendo: ‘Estou arrependido’, você deve perdoá-lo.”
5 Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa !” 6 O Senhor respondeu: “Se vocês tivessem do tamanho de uma semente de mostarda, poderiam dizer a esta amoreira: ‘Arranque-se daí, e plante-se no mar’. E ela obedeceria a vocês.
Comentário:
* 1-10: Lucas reúne aqui sentenças de Jesus sobre o escândalo, a correção fraterna, o perdão, o poder da fé e a necessidade de estar desinteressadamente a serviço de Deus. São atitudes fundamentais para a vida do discípulo de Jesus.
Três importantes lembretes de Jesus: evitar o escândalo; praticar a correção fraterna unida ao perdão; viver na fé. Escandalizar é dar mau exemplo, dificultar a prática da justiça e o seguimento a Jesus. Para a boa vivência comunitária, quem errou deve manifestar arrependimento e pedir perdão. Se Jesus tanto recomendou o perdão, é por causa da dificuldade que temos de perdoar, e porque não há progresso na vida espiritual sem a atitude do perdão. O perdão que concedemos a quem nos ofende é a chave para obtermos de Deus seu perdão libertador. Finalmente, a fé é um exercício constante. À medida que obtivermos, pela fé, as graças de que necessitamos, nossa fé se fortalece. É um esforço cotidiano e atitude constante de confiança em Deus. A fé é dom de Deus, mas precisamos cultivá-la sem cessar.

domingo, 10 de novembro de 2019

Lucas 20, 27-38 Deus comprometido com a vida.


* 27 Os saduceus afirmam que não existe ressurreição. Alguns deles se aproximaram de Jesus, e lhe propuseram este caso: 28 Mestre, Moisés escreveu para nós: ‘Se alguém morrer, e deixar a esposa sem filhos, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de que possam ter filhos em nome do irmão que morreu’. 29 Ora, havia sete irmãos. O primeiro casou e morreu, sem ter filhos. 30 Também o segundo 31 e o terceiro casaram-se com a viúva. E assim os sete. Todos morreram sem deixar filhos. 32 Por fim, morreu também a mulher. 33 E agora? Na ressurreição, de quem a mulher vai ser esposa? Todos os sete se casaram com ela!” 34 Jesus respondeu: “Nesta vida, os homens e as mulheres se casam, 35 mas os que Deus julgar dignos da ressurreição dos mortos e de participar da vida futura, não se casarão mais, 36 porque não podem mais morrer, pois serão como os anjos. E serão filhos de Deus, porque ressuscitaram. 37 E que os mortos ressuscitam, Moisés indica na passagem da sarça, quando chama o Senhor de ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’. 38 Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, pois todos vivem para ele.”
Comentário:
* 27-40: Cf. nota em Mc 12,18-27 Deus comprometido com a vida -* 18 Os saduceus afirmam que não existe ressurreição. Alguns deles foram até Jesus, e lhe propuseram este caso: 19 Mestre, Moisés escreveu para nós: ‘Se alguém morrer, e deixar a esposa sem filho, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de que possam ter filhos em nome do irmão que morreu’. 20 Ora, havia sete irmãos: o primeiro casou-se, e morreu sem ter filhos. 21 O segundo casou-se com a viúva, e morreu sem ter filhos. A mesma coisa aconteceu com o terceiro. 22 E nenhum dos sete teve filhos. Por último, morreu também a mulher. 23 Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem ela será? Todos os sete se casaram com ela!”
24 Jesus respondeu: “Vocês estão enganados, porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus. 25 Com efeito, quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu. 26 E, quanto ao fato de que os mortos vão ressuscitar, vocês não leram, no livro de Moisés, a passagem da sarça ardente? Deus falou a Moisés: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’. 27 Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vocês estão muito enganados.”
* 18-27: Jesus desmoraliza os saduceus, apresentando o cerne das Escrituras: Deus é o Deus comprometido com a vida. Ele não criou ninguém para a morte, mas para a aliança consigo para sempre. A vida da ressurreição não pode ser imaginada como cópia do modo de vida deste mundo.
Jesus termina sua longa caminhada e já se encontra em Jerusalém. Lá enfrenta alguns adversários e procura esclarecer algumas dúvidas da comunidade. A dúvida do evangelho deste domingo é sobre a questão da ressurreição posta pelo grupo conservador dos saduceus. A ressurreição é o antigo e sempre atual questionamento sobre o que acontece depois da morte. Os saduceus são os sacerdotes guardiões do templo e da Lei. Eles só aceitavam o Pentateuco (a Lei), no qual nada se fala de ressurreição. Diante disso, apresentam o caso da mulher que teve sete maridos (lei do
levirato) e perguntam a Jesus de quem ela será esposa depois da ressurreição. Introduzem esse caso para mostrar o absurdo da ressurreição. Jesus responde aos saduceus em dois momentos: o outro mundo não é reprodução do presente; o Deus da revelação é Deus dos vivos (Abraão, Isaac e Jacó). O sentido da vida humana é viver para Deus. Uma vida assim vivida não conhece fim. Quem está com Deus estará sempre vivo. O Deus criador da vida é também o ressuscitador que leva o ser humano à sua plenitude. Amando o Deus que é amor estaremos nele nesta vida e na eternidade. O Deus do amor deseja para todos uma vida feliz e plena para sempre.