quarta-feira, 15 de maio de 2024
João 17, 20-26 A unidade no amor.
-* 20 “Eu não te peço só por estes, mas também por aqueles que vão acreditar em mim por causa da palavra deles, 21 para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. E para que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo acredite que tu me enviaste. 22 Eu mesmo dei a eles a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um. 23 Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade, e para que o mundo reconheça que tu me enviaste e que os amaste, como amaste a mim.
24 Pai, aqueles que tu me deste, eu quero que eles estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória que tu me deste, pois me amaste antes da criação do mundo.
25 Pai justo, o mundo não te reconheceu, mas eu te reconheci. Estes também reconheceram que tu me enviaste. 26 E eu tornei o teu nome conhecido para eles. E continuarei a torná-lo conhecido, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu mesmo esteja neles.”
Comentário:
* 20-26: Graças ao testemunho dos discípulos, as comunidades cristãs do futuro vão acreditar e se comprometer com Jesus. Na unidade do amor, as comunidades serão o sacramento ou expressão da presença atuante de Jesus, lembrando continuamente o próprio Jesus, que é o dom que o Pai concedeu aos homens.
Jesus conclui sua oração de despedida usando o apelativo “Pai justo”. Ele reza por nós, e sua prece atravessa os séculos e atinge as pessoas de todos os tempos. O pedido recai sobre a unidade dos seus seguidores: “Para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti”. Essa união entre Jesus e o Pai é um dos ensinamentos e testemunhos que os discípulos deverão oferecer ao mundo. É importante que todos conheçam esse movimento da Trindade em benefício da humanidade: o Pai ama o Filho e o envia ao mundo; o Filho ama o Pai e lhe é fiel em tudo e, ao encerrar sua missão terrena, Jesus envia o Espírito Santo. A unidade será um sinal para que o mundo creia em Jesus como o Enviado de Deus. Ainda estamos longe desse ideal!
terça-feira, 14 de maio de 2024
João 17, 11-19 Os discípulos de Jesus rompem com o mundo.
11 Eu já não estou no mundo. Eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti.
Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que tu me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um. 12 Quando eu estava com eles, eu os guardava em teu nome, o nome que tu me deste. Eu os protegi e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. 13 Agora eu vou para junto de ti. Entretanto, continuo a dizer essas coisas neste mundo, para que eles possuam toda a minha alegria. 14 Eu dei a eles a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não pertencem ao mundo, como eu não pertenço ao mundo.
15 Não te peço para tirá-los do mundo, mas para guardá-los do Maligno. 16 Eles não pertencem ao mundo, como eu não pertenço ao mundo. 17 Consagra-os com a verdade: a verdade é a tua palavra. 18 Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os envio ao mundo. 19 Em favor deles eu me consagro, a fim de que também eles sejam consagrados com a verdade.”
Comentário:
* 6-19: Os discípulos vão continuar a missão de Jesus. Como Jesus, eles romperam com a mentalidade perversa do sistema que rege a sociedade. A missão deles, porém, não é sair do “mundo”, e sim permanecerem unidos, presentes no meio da sociedade, dando testemunho de Jesus. O Pai os protegerá de se contaminarem com o espírito do “mundo”», a cujas ameaças e seduções eles não cederão.
Jesus tinha avisado aos discípulos que voltaria ao Pai, mas não os deixaria órfãos; enviaria para eles o Espírito da Verdade. Agora, nesta oração de despedida, recomenda que o Pai cuide deles: “guarda-os no teu nome”, “guarda os do mal”, “santifica-os na verdade”. São as mesmas atitudes de Jesus em relação a eles. Como se vê, há perfeita união entre Jesus e o Pai na condução da história da salvação: não há interrupção da assistência e da ação divinas na vida do povo. Os discípulos são escolhidos e preparados para dar continuidade à obra de Jesus. A missão de Jesus passa a ser a missão da Igreja. A oração de Jesus por nós robustece nossa vontade de seguirmos fiéis a ele até chegarmos à comunhão definitiva com ele, com o Pai e com o Espírito Santo.
segunda-feira, 13 de maio de 2024
João 15, 9-17 O fruto do discípulo é o amor.
9 Assim como meu Pai me amou, eu também amei vocês: permaneçam no meu amor. 10 Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11 Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa.
12 O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês. 13 Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos. 14 Vocês são meus amigos, se fizerem o que eu estou mandando. 15 Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos, porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai. 16 Não foram vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês. Eu os destinei para ir e dar fruto, e para que o fruto de vocês permaneça. O Pai dará a vocês qualquer coisa que vocês pedirem em meu nome. 17 O que eu mando é isto: amem-se uns aos outros.”
Comentário:
* 7-17: O fruto que a comunidade é chamada a produzir é o amor. Ora, Jesus não quer uma adesão de servos que obedeçam a um senhor, mas uma adesão livre, de amigos. E a amizade é dom: Jesus é o amigo que dá a vida pelos amigos. A missão da comunidade não nasce da obediência a uma lei, mas do dom livre que participa com alegria da tarefa comum, que é testemunhar o amor de Deus que quer dar vida.
Para o lugar de Judas Iscariotes, os Onze escolheram Matias, por este ter seguido Jesus durante seu ministério público, desde João Batista até o dia da Ascensão (cf. At 1,15-20). Desse modo, Matias tornou-se testemunha qualificada da ressurreição de Jesus. Se há um tema sobre o qual Jesus não se cansa de insistir, é o amor: “Permaneçam no meu amor”. O amor de Jesus é concreto, real, feito de obediência à vontade do Pai. Jesus é e sente-se infinitamente amado pelo Pai e, por sua vez, ama intensamente seus discípulos, a ponto de entregar-lhes a própria vida. Este é o modelo de amor: dar a vida pela pessoa amada. Mas o amor de Jesus pede nossa resposta. De que maneira podemos expressar o nosso amor a Jesus? Mediante nosso amor a Deus e aos irmãos.
domingo, 12 de maio de 2024
João 16, 29-33 A vitória sobre o mundo.
29 Os discípulos disseram: “Agora estás falando claramente e sem comparações. 30 Agora sabemos que tu sabes todas as coisas, e que é inútil alguém te fazer perguntas. Agora sim, acreditamos que saíste de junto de Deus.” 31 Jesus disse: “Agora vocês acreditam? 32 Vem a hora, e já chegou, em que vocês se espalharão, cada um para o seu lado, e me deixarão sozinho. Mas eu não estou sozinho, pois o Pai está comigo. 33 Eu disse essas coisas, para que vocês tenham a minha paz. Neste mundo vocês terão aflições, mas tenham coragem; eu venci o mundo.”
Comentário:
* 25-33: Jesus não engana seus seguidores: o futuro é tempo de testemunho em meio a lutas e perseguições. Mas é também tempo de confiança e paz, pois os cristãos podem contar com o amor do Pai. E desde já podem estar certos da vitória: Jesus já venceu todos os adversários. Para quem acredita em Jesus, a ordem social injusta, que condena o justo inocente, está condenada ao fracasso para sempre.
Os discípulos manifestam a Jesus entusiasta declaração de fé: “Nós acreditamos que tu saíste de junto de Deus”. Jesus, porém, retruca-lhes mostrando que essa fé não tem base sólida: “Vem a hora, e já chegou, em que vocês […] me deixarão sozinho”. Não basta uma fé superficial, fruto, talvez, de euforia ou emoção passageira. A fé em Jesus implica acompanhá-lo em todas as circunstâncias, também no caminho para a cruz. Os Evangelhos comprovam que, no momento da paixão, os discípulos se dispersaram “cada um para o seu lado”. Jesus não se sente só, porque o Pai está com ele. Não obstante o abandono dos discípulos, Jesus não os repreende; ao contrário, conforta-os diante das tribulações próprias da missão cristã: “Neste mundo vocês terão aflições, mas tenham coragem: Eu venci o mundo”.
sábado, 11 de maio de 2024
Marcos 16, 15-20 Aparições de Jesus ressuscitado.
15 Então Jesus disse-lhes: “Vão pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia para toda a humanidade. 16 Quem acreditar e for batizado, será salvo. Quem não acreditar, será condenado. 17 Os sinais que acompanharão aqueles que acreditarem são estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; 18 se pegarem cobras ou beberem algum veneno, não sofrerão nenhum mal; quando colocarem as mãos sobre os doentes, estes ficarão curados.” 19 Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. 20 Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e, por meio dos sinais que os acompanhavam, provava que o ensinamento deles era verdadeiro.
Comentário:
* 9-20: Este trecho difere muito do livro até aqui; por isso é considerado obra de outro autor. Os cristãos da primeira geração provavelmente quiseram completar o livro de Marcos com um resumo das aparições de Jesus e uma apresentação global da missão da Igreja. Parece que se inspiraram no último capítulo de Mateus (28,18-20), em Lucas (24,10-53), em João (20,11-23) e no início do livro dos Atos dos Apóstolos (1,4-14).
Embora seja acréscimo de retalhos tomados de outros escritos do Novo Testamento, o trecho conserva o pensamento de Marcos, isto é: os discípulos devem continuar a ação de Jesus.
As últimas informações do Evangelho de Marcos parecem refletir a realidade que a Igreja primitiva estava vivendo. O breve texto registra o envio dos onze discípulos para proclamarem o Evangelho em todo o mundo; elenca alguns sinais prodigiosos que vão acompanhar os missionários; resume o relato da ascensão de Jesus; finalmente, menciona a confirmação das anteriores promessas de Jesus: “O Senhor agia com eles e confirmava a Palavra, por meio dos sinais que a acompanhavam”. A ascensão de Jesus não o afasta do nosso mundo; ao contrário, torna-o sempre presente, de modo ilimitado. Cabe a nós prolongarmos a prática de Jesus, com a garantia de sua constante e animadora presença, utilizando todos os meios e técnicas que o progresso humano põe à nossa disposição.
Efésios 1, 17-23 Agradecimento e pedido.
17 Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, lhes dê um espírito de sabedoria que lhes revele Deus, e faça que vocês o conheçam profundamente. 18 Que lhes ilumine os olhos da mente, para que compreendam a esperança para a qual ele os chamou; para que entendam como é rica e gloriosa a herança destinada ao seu povo; 19 e compreendam o grandioso poder com que ele age em favor de nós que acreditamos, conforme a sua força poderosa e eficaz. 20 Ele a manifestou em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita no céu, 21 muito acima de qualquer principado, autoridade, poder e soberania, e de qualquer outro nome que se possa nomear, não só no presente, mas também no futuro. 22 De fato, Deus colocou tudo debaixo dos pés de Cristo e o colocou acima de todas as coisas, como Cabeça da Igreja, 23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que plenifica tudo em todas as coisas.
Comentário:
* 15-23: Pela fé, os cristãos possuem uma sabedoria que supera qualquer outro conhecimento: sabem que Deus manifestou em Jesus Cristo a sua força, destronizando todos os poderes que até agora aprisionam a vida, e libertando os homens para uma esperança nova diante do futuro.
Nesta carta, a Igreja ideal se identifica praticamente com o Reino e, portanto, ultrapassa meras concretizações históricas. Como corpo e plenitude de Cristo, ela se torna a meta para a qual caminhamos. Paulo se refere a uma Igreja santa, a um modelo ideal que exige conversão contínua da Igreja real que vive na história.
sexta-feira, 10 de maio de 2024
João 16, 23-28 A angústia se transformará em alegria.
23 Nesse dia, vocês não me farão mais perguntas. Eu garanto a vocês: se vocês pedirem alguma coisa a meu Pai em meu nome, ele a concederá. 24 Até agora vocês não pediram nada em meu nome: peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja completa.”
A vitória sobre o mundo -* 25 “Até agora falei para vocês através de comparações. Está chegando a hora em que não falarei mais através de comparações, mas falarei a vocês claramente a respeito do Pai. 26 Nesse dia vocês pedirão em meu nome e não será necessário que eu os recomende ao Pai, 27 pois o próprio Pai ama vocês, porque vocês me amaram e acreditaram que eu saí de junto de Deus. 28 Eu saí de junto do Pai e vim ao mundo; agora deixo o mundo e volto para o Pai.” 2
Comentário:
* 16-24: A morte de Jesus significará ausência e tristeza. Mas é morte fecunda, pois dará lugar à alegria, uma vez que será o princípio de uma presença nova, a presença do Ressuscitado, que age mediante o Espírito Santo. O que acontece com Jesus acontece com todos: para dar fruto, o grão de trigo deve morrer. Também a comunidade é chamada ao testemunho que pode ir até à morte, como entrega em favor do homem, morrendo para dar a vida.
* 25-33: Jesus não engana seus seguidores: o futuro é tempo de testemunho em meio a lutas e perseguições. Mas é também tempo de confiança e paz, pois os cristãos podem contar com o amor do Pai. E desde já podem estar certos da vitória: Jesus já venceu todos os adversários. Para quem acredita em Jesus, a ordem social injusta, que condena o justo inocente, está condenada ao fracasso para sempre.
Encontramos, aqui, a essência da fé cristã: Jesus vem do Pai e volta ao Pai, e nos arrasta nesse movimento de ascensão. Então, podemos viver na confiança total em relação a Jesus, a quem expressamos nossas necessidades e súplicas: “O que vocês pedirem a meu Pai em meu nome, ele vai lhes dar”. A oração feita em nome de Jesus nasce de profunda intimidade com ele, com o Pai e com o Espírito Santo. O Espírito, de fato, é quem garante a eficácia de nossa oração, pois não sabemos o que pedir: “É o próprio Espírito que intercede com insistência por nós, com gemidos que não se exprimem” (Rm 8,26). Então, pedir o quê? Tudo o que contribui para a vida individual e comunitária do ser humano e para a comunicação dessa vida a outros. Pedir com a certeza de que vamos receber.
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