sábado, 3 de maio de 2025

João 21, 1-14 A missão da comunidade.

-* 1 Jesus apareceu aos discípulos na margem do mar de Tiberíades. E apareceu deste modo: 2 Estavam juntos Simão Pedro, Tomé chamado Gêmeo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. 3 Simão Pedro disse: “Eu vou pescar.” Eles disseram: “Nós também vamos.” Saíram e entraram na barca. Mas naquela noite não pescaram nada. 4 Quando amanheceu, Jesus estava na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5 Então Jesus disse: “Rapazes, vocês têm alguma coisa para comer?” Eles responderam: “Não.” 6 Então Jesus falou: “Joguem a rede do lado direito da barca, e vocês acharão peixe.” Eles jogaram a rede e não conseguiam puxá-la para fora, de tanto peixe que pegaram. 7 Então o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor.” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu a roupa, pois estava nu, e pulou dentro d’água. 8 Os outros discípulos foram na barca, que estava a uns cem metros da margem. Eles arrastavam a rede com os peixes. 9 Logo que pisaram em terra firme, viram um peixe na brasa e pão. 10 Jesus disse: “Tragam alguns peixes que vocês acabaram de pescar.” 11 Então Simão Pedro subiu na barca e arrastou a rede para a praia. Estava cheia de cento e cinquenta e três peixes grandes. Apesar de tantos peixes, a rede não arrebentou. 12 Jesus disse para eles: “Vamos, comam.” Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13 Jesus se aproximou, tomou o pão e distribuiu para eles. Fez a mesma coisa com o peixe. 14 Essa foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos. Comentário: * 1-14: A comunidade cristã que age sem estar unida à pessoa e missão de Jesus continua nas trevas e não produz fruto, pois trabalha sem perceber a presença do ressuscitado e sem conhecer o modo correto de realizar a ação. No momento em que ela segue a palavra de Jesus, o fruto surge abundante. A missão termina sempre na Eucaristia, onde se realiza a comunhão com Jesus. O Ressuscitado aparece aos discípulos no trabalho de subsistência. Não podemos, porém, tomar o texto como uma crônica jornalística. O autor quer informar sobre a experiência que os apóstolos fizeram do Ressuscitado. O texto de hoje pode ser dividido em duas partes: a pesca abundante e a missão de Pedro. O relato da pesca pode demonstrar a crise que a comunidade está passando: pesca infrutífera numa noite. Ao amanhecer de um novo dia e a pedido do Ressuscitado, conseguem abundante pesca. A partir disso, reconheceram-no. O fruto da missão depende da presença e da adesão à Palavra de Jesus: joguem a rede à direita da barca. Assim como para os discípulos, para nós também não é fácil perceber a nova realidade da presença do Ressuscitado, mas é ela que dá sentido à nossa vida e à missão da comunidade. Para conhecer e seguir fielmente o Mestre, é indispensável o amor. A pergunta a Pedro é dirigida também a nós: vocês me amam? O amor é a prova de que somos discípulos de Jesus.

Apocalipse 5, 11-14 Jesus ressuscitado revela e realiza o projeto de Deus.

11 Em minha visão, ouvi ainda o clamor de uma multidão de anjos em volta do trono, dos Seres vivos e dos Anciãos. Eram milhões e milhões e milhares de milhares, 12 que proclamavam em alta voz: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor.” 13 Nessa hora, todas as criaturas do céu, da terra, de debaixo da terra, e do mar, todos os seres vivos proclamaram: “O louvor, a honra, a glória e o poder pertencem àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro pelos séculos dos séculos.” 14 Os quatro Seres vivos diziam: “Amém!” E os Anciãos se ajoelharam e adoraram. Comentário: * 1-4: O livro completamente fechado (sete selos ou lacres) e inteiramente escrito (por dentro e por fora) está na mão de Deus, porque contém o projeto de Deus sobre a vida e a história. Podemos dizer que o Antigo Testamento é esse livro fechado, que se torna plenamente compreendido na pessoa de Jesus (cf. Lc 24,25-27). João chora: é grande o desespero da comunidade diante da impossibilidade de conhecer o projeto de Deus na história. * 5-7: Cristo morto e ressuscitado é o Cordeiro pascal (cf. Ex 12), imolado pelos pecados do mundo. Está de pé porque ressuscitou. Ele é o Messias (Leão e Rebento) que tem a plenitude do poder (sete chifres) e a plenitude do Espírito de Deus, pois ele vê tudo o que acontece na história (sete olhos e sete espíritos). Ele pode receber e abrir o livro, porque, na sua morte e ressurreição, já realizou o projeto de Deus, que é a salvação. Doravante, a história dos homens está nas mãos de Cristo; e o projeto de Deus vai ser cumprido por todos. * 8-14: Quando o Cordeiro recebe o livro, ouvem-se três grandes louvores. O primeiro é da criação e do povo de Deus, mostrando por que o Cordeiro pode receber o livro. O segundo é dos anjos, atribuindo a Jesus todas as qualidades possíveis; pois o Senhor da história é somente Jesus, e não os poderes que se absolutizam. O terceiro é de todas as criaturas, que reconhecem Deus e o Cordeiro no mesmo plano. O povo de Deus adora somente a Deus e a Jesus Cristo, e não os homens nem as coisas.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

João 14, 6-14 Jesus é o caminho que leva ao Pai.

6 Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7 Se vocês me conhecem, conhecerão também o meu Pai. Desde agora vocês o conhecem e já o viram.” 8 Filipe disse a Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso basta para nós.” 9 Jesus respondeu: “Faz tanto tempo que estou no meio de vocês, e você ainda não me conhece, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que você diz: ‘Mostra-nos o Pai’? 10 Você não acredita que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que digo a vocês, não as digo por mim mesmo, mas o Pai que permanece em mim, ele é que realiza suas obras. 11 Acreditem em mim: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditem nisso, ao menos por causa destas obras. 12 Eu garanto a vocês: quem acredita em mim, fará as obras que eu faço, e fará maiores do que estas, porque eu vou para o Pai. 13 O que vocês pedirem em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. 14 Se vocês pedirem qualquer coisa em meu nome, eu o farei.” Comentário: * 1-14: Jesus é o verdadeiro caminho para a vida. Através da encarnação, Deus, doador da vida, se manifesta inteiramente na pessoa e ação de Jesus. A comunidade que segue Jesus não caminha para o fracasso, pois a meta é a vida. Jesus não apresenta apenas uma utopia, mas convida a percorrer um caminho historicamente concreto. Inspirada nos sinais que Jesus realizou, a comunidade criará novos sinais dentro do mundo, abrindo espaços de esperança e vida fraterna. Filipe, nascido em Betsaida, tornou-se apóstolo de Jesus depois de ter seguido João Batista. Tiago, filho de Alfeu, chamado “menor”, é identificado pela tradição como primo de Jesus. Dirigiu a comunidade de Jerusalém e teve papel importante no primeiro Concílio de Jerusalém. Os dois foram exemplos de fé e seguimento a Cristo e à sua Palavra, da qual foram testemunhas privilegiadas, como podemos comprovar na meditação do Evangelho de hoje. Selaram com o martírio a missão que Jesus lhes confiara, provando, assim, que acreditaram em Jesus, assumindo-o como único “Caminho, Verdade e Vida”, através do qual chegamos ao Pai.

quinta-feira, 1 de maio de 2025

João 6, 1-15 Jesus sacia a fome do povo.

* 1 Depois disso, Jesus foi para a outra margem do mar da Galileia, também chamado Tiberíades. 2 Uma grande multidão seguia Jesus porque as pessoas viram os sinais que ele fazia, curando os doentes. 3 Jesus subiu a montanha e sentou-se aí com seus discípulos. 4 Estava próxima a Páscoa, festa dos judeus. 5 Jesus ergueu os olhos e viu uma grande multidão que vinha ao seu encontro. Então Jesus disse a Filipe: “Onde vamos comprar pão para eles comerem?” 6 Jesus falou assim para testar Filipe, pois sabia muito bem o que ia fazer. 7 Filipe respondeu: “Nem meio ano de salário bastaria para dar um pedaço para cada um.” 8 Um discípulo de Jesus, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9 “Aqui há um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas, o que é isso para tanta gente?” 10 Então Jesus disse: “Falem para o povo sentar.” Havia muita grama nesse lugar e todos sentaram. Estavam aí cinco mil pessoas, mais ou menos. 11 Jesus pegou os pães, agradeceu a Deus e distribuiu aos que estavam sentados. Fez a mesma coisa com os peixes. E todos comeram o quanto queriam. 12 Quando ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: “Recolham os pedaços que sobraram, para não se desperdiçar nada.” 13 Eles recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães que haviam comido. 14 As pessoas viram o sinal que Jesus tinha realizado e disseram: “Este é mesmo o Profeta que devia vir ao mundo.” 15 Mas Jesus percebeu que iam pegá-lo para fazê-lo rei. Então ele se retirou sozinho, de novo, para a montanha. Comentário: * 1-15: Jesus propõe a missão da sua comunidade: ser sinal do amor generoso de Deus, assegurando para todos a possibilidade de subsistência e dignidade. A segurança da subsistência não está no muito que poucos possuem e retêm para si, mas no pouco de cada um que é repartido entre todos. A garantia da dignidade não se encontra no poder de um líder que manda, mas no serviço de cada um que organiza a comunidade para o bem de todos. João prossegue com a narração de sinais realizados por Jesus que comprovam sua divindade. No trecho que hoje meditamos, relata-nos o milagre da multiplicação dos pães, presente nos quatro Evangelhos e muito estimado pelas primeiras comunidades, pois recorda a necessidade da partilha e da fraternidade. Além disso, o ato de dar a bênção e partir o pão nos recorda o significado profundo da celebração eucarística como memorial de sua paixão e ressurreição.

quarta-feira, 30 de abril de 2025

João 3, 31-36 O Pai entregou tudo a Jesus.

* 31 “Aquele que vem do alto, está acima de todos. Quem é da terra, pertence à terra e fala como terrestre. Aquele que vem do céu, 32 dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. 33 E quem aceita o seu testemunho, comprova que Deus é verdadeiro. 34 De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque Deus lhe dá o Espírito sem medida. 35 O Pai ama o Filho, e entregou tudo em sua mão. 36 Aquele que acredita no Filho, possui a vida eterna. Quem rejeita o Filho nunca verá a vida, pois a ira de Deus permanece sobre ele.” Comentário: * 31-36: Jesus veio de junto do Pai, e só ele revela o verdadeiro Deus que dá vida aos homens. Quem não aceita o testemunho de Jesus, acaba servindo os ídolos do mundo e correndo para a morte. Os apóstolos, testemunhas do Ressuscitado, voltaram destemidos ao templo, anunciando: “É preciso obedecer a Deus antes que aos homens”. / Jesus se apresenta como aquele que Deus enviou. Ele nos revela o Pai, o qual nos dá o Espírito sem medida. Cabe a cada pessoa decidir-se, ou não, pela fé.

Mateus 13, 54-58 Jesus é rejeitado como os profetas.

-* 53 Quando Jesus terminou de contar essas parábolas, saiu desse lugar, 54 e voltou para a sua terra. Ensinava as pessoas na sinagoga, de modo que ficavam admiradas. Diziam: “De onde vêm essa sabedoria e esses milagres? 55 Esse homem não é o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? 56 E suas irmãs, não moram conosco? Então, de onde vem tudo isso?” 57 E ficaram escandalizados por causa de Jesus. Mas Jesus disse: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família.” 58 E Jesus não fez muitos milagres aí, por causa da falta de fé deles. Comentário: * 53-58: Cf. nota em Mc 6,1-6. Os conterrâneos de Jesus colocam a questão sobre a origem da autoridade dele, admirados de seu ensinamento e poderes milagrosos. É impossível que Jesus, sendo um deles, tenha a autoridade de Deus. Por isso, eles o rejeitam. Essa rejeição não é acidental: é apenas mais uma prova de que Jesus é o enviado de Deus. De fato, todos os profetas do Antigo Testamento também foram rejeitados. Apesar de ser uma memória facultativa, a liturgia reserva a São José Operário um Evangelho próprio, fazendo compreender ainda melhor o valor do pai adotivo de Jesus e esposo de Maria, cuja característica mais conhecida, além de ser um “homem justo”, era sua profissão: carpinteiro. Com o objetivo de dar um protetor aos trabalhadores e um sentido cristão ao trabalho, o papa Pio XII instituiu, em 1955, a memória litúrgica que hoje celebramos. Inseriu-a no contexto da festa dos trabalhadores, universalmente comemorada em 1º de maio, reconhecendo a dignidade do trabalho humano como dever e aperfeiçoamento do ser humano, exercício benéfico de seu domínio sobre o mundo criado, serviço à comunidade, prolongamento da obra do Criador e contribuição ao plano da salvação. No ano 2020, por ocasião do 150º aniversário da declaração de São José como Padroeiro da Igreja universal, o papa Francisco dedicou a ele uma bela carta apostólica intitulada Patris Corde (“Com coração de pai”).

João 3, 16-21 Jesus provoca decisão.

-* 16 “Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna. 17 De fato, Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, e sim para que o mundo seja salvo por meio dele. 18 Quem acredita nele, não está condenado; quem não acredita, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus. 19 O julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. 20 Quem pratica o mal, tem ódio da luz, e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam desmascaradas. 21 Mas, quem age conforme à verdade, se aproxima da luz, para que suas ações sejam vistas, porque são feitas como Deus quer.” Comentário: * 16-21: Deus não quer que os homens se percam, nem sente prazer em condená-los. Ele manifesta todo o seu amor através de Jesus, para salvar e dar a vida a todos. Mas a presença de Jesus é incômoda, pois coloca o mundo dos homens em julgamento, provocando divisão e conflito, e exigindo decisão. De um lado, os que acreditam em Jesus e vivem o amor, continuando a palavra e a ação dele em favor da vida. De outro lado, os que não acreditam nele e não vivem o amor, mas permanecem fechados em seus próprios interesses e egoísmo, que geram opressão e exploração; por isso estes sempre escondem suas verdadeiras intenções: não se aproximam da luz. Todos nós já fizemos a experiência de entrar num espaço cheio de luz, depois de sair de um lugar escuro. A sensação de desconforto para a vista, causada pelo contraste, instiga-nos a voltar para a escuridão. Essa imagem serve, por analogia, para explicar a luminosidade da mensagem de Cristo num mundo escurecido pelo formalismo da Lei. Jesus Cristo é a luz do mundo. Ele é o Filho unigênito enviado para nossa salvação. Muitos, porém, não aceitam essa verdade e optam por permanecer nas trevas. É dever de todos os cristãos hoje, a exemplo dos apóstolos, anunciar as maravilhas de Cristo, a fim de que mais pessoas creiam e sejam salvas. Os apóstolos não temiam as autoridades, nem a prisão, nem mesmo a morte. Queriam apenas que a verdade de Cristo iluminasse o mundo. Confiando em Deus, seguiremos esses mesmos passos e colheremos os mesmos frutos.