quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Marcos 7, 31-37 Jesus inicia uma nova criação.
* 31 Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32 Levaram então a Jesus um homem surdo e que falava com dificuldade, e pediram que Jesus pusesse a mão sobre ele. 33 Jesus se afastou com o homem para longe da multidão; em seguida pôs os dedos no ouvido do homem, cuspiu e com a sua saliva tocou a língua dele. 34 Depois olhou para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abra-se!” 35 Imediatamente os ouvidos do homem se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. 36 Jesus recomendou com insistência que não contassem nada a ninguém. No entanto, quanto mais ele recomendava, mais eles pregavam. 37 Estavam muito impressionados e diziam: “Jesus faz bem todas as coisas. Faz os surdos ouvir e os mudos falar.”
Comentário:
* 31-37: A missão de Jesus inicia nova criação (Gn 1,31). Para isso ele abre os ouvidos e a boca dos homens, para que eles sejam capazes de ouvir e falar, isto é, discernir a realidade e dizer a palavra que a transforma.
Segundo os profetas do Antigo Testamento, um sinal claro da chegada do Messias era o fato de os surdos ouvirem e os mudos falarem. Não há dúvida, portanto, de que Jesus é o Messias esperado. Jesus pede que os presentes não espalhem essa boa notícia, não por vergonha ou medo, mas porque ainda não chegou a sua hora. Até lá, há muito por fazer, e o melhor é continuar sua ação sem a interferência dos líderes invejosos e mal-intencionados da época. Os gestos descritos por Marcos para Jesus realizar a cura são carregados de simbologia. De fato, não era preciso toda essa série de sinais para ele realizar um milagre, mas tais gestos são pedagógicos: remetem ao batismo e aos efeitos que esse sacramento de iniciação cristã tem na nossa vida, tirando-nos do mundo e abrindo nossos olhos, boca e ouvidos para a novidade do Evangelho.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Marcos 7, 24-30 Jesus veio para todos.
* 24 Então Jesus saiu daí e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido. 25 Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito mau, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. 26 A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. 27 Jesus disse: “Deixe que primeiro os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos.” 28 A mulher respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos ficam debaixo da mesa e comem as migalhas que as crianças deixam cair.” 29 Então Jesus disse: “Por causa disso que você acaba de dizer, pode voltar para casa; o demônio já saiu da sua filha.” 30 Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já tinha saído dela.
Comentário:
* 24-30: A salvação trazida por Jesus não é privilégio de um povo determinado, mas é para todos os que acreditam nele e na sua missão, mesmo que sejam considerados como cães, isto é, estrangeiros. Não é mais a raça e o sangue que unem as pessoas a Deus, mas a fé em Jesus e no mundo novo e transformado que ele desperta.
Tiro era uma cidade litorânea no extremo norte da Palestina. Uma terra considerada pagã, ou seja, onde se adoravam falsos deuses. O diálogo de Jesus se dá exatamente com uma mulher pagã, mas que demonstra grande fé no Filho de Deus. Na narração de Marcos, vemos claramente a hesitação de Jesus em atender o pedido de uma mulher que não pertencia ao “povo escolhido”. Essa peculiaridade reforça a ideia de que Jesus se dirigiu inicialmente aos judeus, mas, diante da recusa e da dureza de coração deles, alargou a sua missão a todos os povos, incluindo os pagãos. A continuidade da missão junto aos pagãos feita pelos apóstolos, especialmente por São Paulo, possibilitou que o Evangelho chegasse a todo o mundo, inclusive a nós hoje.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Marcos 7, 14-23 Jesus anuncia uma nova moralidade.
* 14 Em seguida, Jesus chamou de novo a multidão para perto dele e disse: “Escutem todos e compreendam: 15 o que vem de fora e entra numa pessoa, não a torna impura; as coisas que saem de dentro da pessoa é que a tornam impura. 16 Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”
17 Quando Jesus entrou em casa, longe da multidão, os discípulos lhe perguntaram sobre essa parábola. 18 Jesus disse: “Será que nem vocês entendem? Vocês não compreendem que nada do que vem de fora e entra numa pessoa pode torná-la impura, 19 porque não entra em seu coração, mas em seu estômago, e vai para a privada?” (Assim Jesus declarava que todos os alimentos eram puros). 20 Jesus continuou a dizer: “É o que sai da pessoa que a torna impura. 21 Pois é de dentro do coração das pessoas que saem as más intenções, como a imoralidade, roubos, 22 crimes, adultérios, ambições sem limite, maldades, malícia, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. 23 Todas essas coisas más saem de dentro da pessoa, e são elas que a tornam impura.”
Comentário:
* 14-23: O que vem de fora não torna o homem pecador, e sim o que sai do coração, isto é, da consciência humana, que cria os projetos e dá uma direção às coisas. Jesus anuncia uma nova forma de moralidade, onde os homens podem relacionar-se entre si na liberdade e na justiça. Com isso, aboliu a lei sobre a pureza e impureza (Lv 11), cuja interpretação era o fundamento de uma sociedade injusta, baseada em tabus que criavam e solidificavam diferenças entre as pessoas, gerando privilegiados e marginalizados, opressores e oprimidos.
A Lei mosaica previa uma série de ritos de purificação, mas sempre enfocando a limpeza física, hoje diríamos os hábitos de higiene pessoal. Jesus ensina que isso é importante, mas não são essas abluções que tornam o ser humano “puro”. Elas limpam o exterior, mas são incapazes de purificar o interior, o coração humano. Quando uma pessoa traz dentro de si más intenções e más inclinações (o elenco é enorme, como podemos ver nos v. 21-22), aí sim ela precisa ser purificada, o que é possível somente através da conversão e da mudança de vida.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
Marcos 7, 1-13 Jesus desmascara as falsas tradições.
* 1 Os fariseus e alguns doutores da Lei foram de Jerusalém e se reuniram em volta de Jesus. 2 Eles viram então que alguns discípulos comiam pão com mãos impuras, isto é, sem lavar as mãos. 3 Os fariseus, assim como todos os judeus, seguem a tradição que receberam dos antigos: só comem depois de lavar bem as mãos. 4 Quando chegam da praça pública, eles se lavam antes de comer. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre.
5 Os fariseus e os doutores da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, pois comem pão sem lavar as mãos?” 6 Jesus respondeu: «Isaías profetizou bem sobre vocês, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim. 7 Não adianta nada eles me prestarem culto, porque ensinam preceitos humanos’. 8 Vocês abandonam o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens.”
9 E Jesus acrescentou: “Vocês são bastante espertos para deixar de lado o mandamento de Deus a fim de guardar as tradições de vocês. 10 Com efeito, Moisés ordenou: ‘Honre seu pai e sua mãe’. E ainda: ‘Quem amaldiçoa o pai ou a mãe, deve morrer’. 11 Mas vocês ensinam que é lícito a alguém dizer a seu pai e à sua mãe: ‘O sustento que vocês poderiam receber de mim é Corbã, isto é, consagrado a Deus’. 12 E essa pessoa fica dispensada de ajudar seu pai ou sua mãe. 13 Assim vocês esvaziam a Palavra de Deus com a tradição que vocês transmitem. E vocês fazem muitas outras coisas como essas.”
Comentário:
*1-13: Jesus desmascara o que está por trás de certas práticas apresentadas como religiosas. E toma um exemplo concreto referente ao quarto mandamento. Corbã era o voto, pelo qual uma pessoa consagrava a Deus os próprios bens, tornando-os intocáveis e reservados ao tesouro do Templo. Aparentemente Deus era louvado, mas na realidade os pais ficavam privados de sustento necessário, enquanto o Templo e os sacerdotes ficavam ainda mais ricos.
Jesus não questiona ou se contrapõe à tradição e aos rituais de purificação, mas à interpretação que seus conterrâneos deram à Lei dos antepassados e à centralidade que deram às práticas rituais na vivência da religiosidade. Ou seja, questiona o fato de colocarem o superficial e secundário no lugar do essencial e prioritário, que é o amor e a doação total a Deus e ao Reino. Hoje, nossa vida cristã é marcada pela observância de normativas e rituais ou se caracteriza pela imitação de Jesus Cristo?
Marcos 6, 53-56 Jesus é a presença de Deus.
53 Acabando de atravessar, chegaram à terra, em Genesaré, e amarraram a barca. 54 Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus. 55 Iam de toda a região, levando os doentes deitados em suas camas para o lugar onde ouviam falar que Jesus estava. 56 E onde ele chegava, tanto nos povoados como nas cidades ou nos campos, colocavam os doentes nas praças e pediam que pudessem ao menos tocar a barra da roupa de Jesus. E todos os que tocaram, ficaram curados.
Comentário:
* 45-56: O episódio mostra o verdadeiro Deus sendo revelado em Jesus (“Eu Sou” - cf. Ex 3,14). Os discípulos não conseguem ver a presença de Deus em Jesus, porque não entenderam o acontecimento dos pães. Para quem não entende que o comércio e a posse devem ser substituídos pelo dom e pela partilha, Jesus se torna fantasma ou apenas fazedor de milagres que provoca medo, e não a presença do Deus verdadeiro.
Há poucos dias, lemos o Evangelho em que Marcos descreve a cura da mulher que sofria de hemorragias por doze anos e que ficou curada ao tocar a veste de Jesus. A fé daquela mulher era tão grande que sabia que bastava estar próxima de Cristo, em contato com ele, para ser curada de todos os males. Pelo visto, a multidão aprendeu com o exemplo da mulher, não apenas pelo fato de procurar Jesus para o tocar, pois isso não é sinônimo de cura. O verdadeiro sinônimo da cura é a fé: todo aquele que tem fé é acolhido e saciado pelo Mestre. Este é o ensinamento maior que devemos extrair do Evangelho de hoje. Somente a fé verdadeira pode nos salvar. E quando é verdadeira, a fé é seguida de obras, como já nos ensinou o apóstolo Tiago, chamado “irmão” de Jesus. Em qualquer lugar em que nos encontramos, seja cidade ou campo, montanha ou litoral, online ou offline, se entrarmos em contato sincero e verdadeiro com Jesus, seremos atendidos. Seu manto se estende hoje pelo mundo todo, não é difícil tocá-lo, basta procurá-lo com fé.
sábado, 7 de fevereiro de 2026
Mateus 5, 13-16 A força do testemunho.
* 13 “Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal perde o gosto, com que poderemos salgá-lo? Não serve para mais nada; serve só para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.
14 Vocês são a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15 Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha, e sim para colocá-la no candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. 16 Assim também: que a luz de vocês brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que vocês fazem, e louvem o Pai de vocês que está no céu.”
Comentário:
* 13-16: Os discípulos de Jesus devem estar conscientes de que se acham unidos com todos aqueles que anseiam por um mundo novo. Eles não podem se subtrair a essa missão, mas precisam dar testemunho através de suas obras. Não se comprometer com isso é deixar de ser discípulo do Reino. Através do testemunho visível dos discípulos é que os homens podem descobrir a presença e a ação do Deus invisível.
Jesus se refere a seus seguidores como “sal da terra e luz do mundo”. Todos conhecemos o valor e a importância do sal e da luz. O sal dá sabor ao alimento e o preserva; e a luz ilumina o caminho a seguir. O Mestre atribui a seus discípulos grande responsabilidade e enorme desafio: ser sal da terra e luz do mundo, sem pretensão de grandeza. Sal insosso não serve para nada, cristão sem testemunho não contribui para a construção do Reino. Luz apagada não ilumina, cristão indiferente não ilumina a sociedade. Não é suficiente ser sal e luz, é preciso agir como sal e como luz. Sal é para salgar, dar gosto e sentido à vida. A luz serve para iluminar o caminho que leva a Jesus. Assim, o cristão deve ser aquela pessoa que é fiel ao projeto de Jesus e procura mantê-lo sempre vivo na sociedade, preservando-o do desvio. O cristão é luz enquanto segue Jesus, luz do mundo. O discípulo brilha na sociedade com suas boas obras, não para se vangloriar, mas para que as pessoas louvem o Pai.
1 Coríntios 2, 1-5 A sabedoria de Deus.
* 1 Irmãos, eu mesmo, quando fui ao encontro de vocês, não me apresentei com o prestígio da oratória ou da sabedoria, para anunciar-lhes o mistério de Deus. 2 Entre vocês, eu não quis saber outra coisa a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado. 3 Estive no meio de vocês cheio de fraqueza, receio e tremor; 4 minha palavra e minha pregação não tinham brilho nem artifícios para seduzir os ouvintes, mas a demonstração residia no poder do Espírito,5 para que vocês acreditassem, não por causa da sabedoria dos homens, mas por causa do poder de Deus.
Comentário:
* 1-16: Paulo não se serviu de artifícios humanos para anunciar o Evangelho aos coríntios. Pelo contrário, foi através da sua fraqueza que ele anunciou o cerne do projeto de Deus: Jesus crucificado. Se os coríntios chegaram à fé foi pelo Espírito que agiu neles através de Paulo. Os cristãos que aprofundaram a fé possuem a verdadeira sabedoria, que consiste no seguinte: Deus salva o mundo por meio de Jesus Cristo. Esta compreensão da fé é obra do Espírito; o homem que só confia em sua própria capacidade não consegue atingir essa compreensão.
Assinar:
Comentários (Atom)