quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Marcos 4, 21-25 Ouvir e agir.
* 21 Jesus continuou: “Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha ou debaixo da cama? Não a coloca no candeeiro? 22 Com efeito, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. 23 Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.”
24 E Jesus dizia ainda: “Prestem atenção no que vocês ouvem: com a mesma medida com que vocês medirem, também vocês serão medidos; e será dado ainda mais para vocês. 25 Para aquele que tem alguma coisa, será dado ainda mais; para aquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem.”
Comentário:
* 21-25: A libertação iniciada por Jesus não é para ser abafada ou ficar escondida, mas para se tornar conhecida e contagiar a todos. Quem acolhe a Boa Notícia, aprende a ver e agir de acordo com a visão e a ação de Jesus. E a compreensão vai aumentando à medida que se age. Quem não age, perde até mesmo a pouca compreensão que já tem.
Mais do que palavras, o Evangelho de hoje propõe alguns ditos de Jesus em forma de provérbios sapienciais. Como o Evangelho é uma recolha posterior das palavras e ações de Jesus, provavelmente estes provérbios eram utilizados com frequência pelo Mestre, para tocar profundamente o coração de seus ouvintes, na sua maioria povo simples e pobre. Jesus recorre a provérbios conhecidos para gravar mais facilmente na mente dos que o seguiam as verdades fundamentais da sua Boa-nova. O ensinamento que Jesus transmite não pode ser uma lâmpada colocada debaixo de uma vasilha, ou ser ouvido sem atenção. Seria pregação inútil e estéril. Não! Suas palavras devem se transformar em luz e vida. Devem gerar frutos, multiplicando os dons que cada um possui. Todo aquele que as escutar será transformado e passará a ter sua vida medida pelos seus efeitos.
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Marcos 4, 1-20 Jesus terá êxito na sua missão.
* 1 Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galileia. Uma multidão se reuniu em volta dele. Por isso, Jesus entrou numa barca e sentou-se. A barca estava no mar, enquanto a multidão estava junto ao mar, na praia. 2 Jesus ensinava-lhes muitas coisas com parábolas. No seu ensinamento dizia para eles:
3 “Escutem. Um homem saiu para semear. 4 Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; os passarinhos foram e comeram tudo. 5 Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda. 6 Porém, quando saiu o sol, os brotos se queimaram e secaram, porque não tinham raiz. 7 Outra parte caiu no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto. 8 Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, brotando e crescendo: rendeu trinta, sessenta e até cem por um.” 9 E Jesus dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”
O mistério da missão de Jesus -* 10 Quando Jesus ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram o que significavam as parábolas. 11 Jesus disse para eles: “Para vocês, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora tudo acontece em parábolas, 12 para que olhem, mas não vejam, escutem, mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados.”
Os homens diante da missão de Jesus -* 13 Jesus lhes perguntou: “Vocês não compreendem essa parábola? Como então vão compreender todas as outras parábolas?
14 O semeador semeia a Palavra. 15 Os que estão à beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a ouvem, chega Satanás e tira a Palavra que foi semeada neles. 16 Do mesmo modo, os que recebem a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e a recebem com alegria; 17 mas eles não têm raiz em si mesmos: são inconstantes, e, quando chega uma tribulação ou perseguição por causa da Palavra, eles logo desistem. 18 Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; 19 mas surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, que sufocam a Palavra, e ela fica sem dar fruto. 20 Por fim, aqueles que receberam a semente em terreno bom, são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um.”
Comentário:
* 1-9: Apesar de todos os obstáculos, o semeador realiza seu trabalho, confiando na colheita que vai ter. Jesus também: apesar de todas as reações, obstáculos e incompreensões, sua missão chegará ao fim e será bem sucedida.
* 10-12: As parábolas são histórias que ajudam a ler e compreender toda a missão de Jesus. Mas é preciso “estar dentro”, isto é, seguir a Jesus, para perceber que o Reino de Deus está se aproximando através de sua ação. Os que não seguem a Jesus ficam “por fora”, e nada podem compreender.
* 13-20: A explicação da parábola focaliza os vários terrenos, mostrando o efeito que a missão de Jesus (contada pela palavra do Evangelho) tem sobre os ouvintes ou leitores. Cada pessoa vê e entende a partir do lugar que ocupa na sociedade e das dificuldades que encontra para se comprometer com Jesus e para continuar a ação dele.
Estamos diante da primeira de uma série de cinco parábolas de Jesus descritas por Marcos (cf. 4,1-34). A particularidade desta parábola do semeador é que o próprio Jesus explica o seu significado aos discípulos, indicando que essa será a sua estratégia pedagógica para ensinar o povo simples sobre a beleza do Reino e a importância de cada ouvinte fazer germinar no seu coração a palavra-mensagem anunciada.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Marcos 3, 31-35 A verdadeira família de Jesus.
* 31 Nisso chegaram a mãe e os irmãos de Jesus; ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo: 32 Havia uma multidão sentada ao redor de Jesus. Então lhe disseram: “Olha, tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram.” 33 Jesus perguntou: “Quem é minha mãe e meus irmãos?” 34 Então Jesus olhou para as pessoas que estavam sentadas ao seu redor e disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. 35 Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”
Comentário:
* 31-35: Enquanto a família segundo a carne está “fora”, a família segundo o compromisso da fé está “dentro”, ao redor de Jesus. Sua verdadeira família é formada por aqueles que realizam na própria vida a vontade de Deus, que consiste em continuar a missão de Jesus.
O Evangelho de hoje dá continuidade ao episódio envolvendo os parentes de Jesus, que meditamos no sábado. Naquele trecho, vimos que os familiares procuravam detê-lo porque pensavam que Jesus estava louco. Agora vemos que a mãe e os primos se aproximam de Jesus. É sempre importante recordar que na cultura judaica o termo “irmãos” é utilizado para indicar todos os familiares próximos, sejam eles filhos dos mesmos pais ou dos tios. Ao serem anunciados, é a vez de Jesus refutá-los e afastá-los, não porque despreze sua mãe e seus primos-irmãos, mas porque a sua família agora é outra, composta por todos os que escutam atentamente a sua Palavra e a põem em prática. Os novos irmãos de Jesus partilham os mesmos sentimentos e anseios do Mestre, mais do que seus consanguíneos. Os parentes de sangue que também se colocam no caminho do discipulado obviamente são acolhidos nesta nova família, como sua mãe Maria e seu irmão Tiago, que liderou a comunidade de Jerusalém após a morte de Jesus (cf. Gl 1,19).
domingo, 25 de janeiro de 2026
Lucas 10, 1-9 Os anunciadores do Reino.
-* 1 O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos, e os enviou dois a dois, na sua frente, para toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E lhes dizia: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita. 3 Vão! Estou enviando vocês como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não levem bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não parem no caminho, para cumprimentar ninguém. 5 Em qualquer casa onde entrarem, digam primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 Se aí morar alguém de paz, a paz de vocês irá repousar sobre ele; se não, ela voltará para vocês. 7 Permaneçam nessa mesma casa, comam e bebam do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não fiquem passando de casa em casa. 8 Quando entrarem numa cidade, e forem bem recebidos, comam o que servirem a vocês, 9 curem os doentes que nela houver. E digam ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vocês!’
Comentário:
* 1-16: Os discípulos são organizados por Jesus para anunciarem a Boa Notícia no caminho e começarem a realizar os atos que concretizam o Reino. Aqueles que não quiserem aderir à Boa Notícia ficarão fora da nova história.
Depois de escolher os doze apóstolos e conviver com eles, Jesus escolhe outros discípulos para irem à sua frente e prepararem o anúncio do Reino. Setenta e dois é o número das nações da terra elencadas no capítulo 10 do livro do Gênesis, portanto significa todos os povos. Esse grupo Jesus envia com orientações bem precisas que revelam a ação missionária da Igreja de todos os tempos: ovelhas no meio de lobos, que renunciam aos bens terrenos para anunciar a paz, curar as enfermidades e semear o Reino de Deus.
sábado, 24 de janeiro de 2026
Mateus 4, 12-23 A esperança começa na Galileia.
* 12 Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. 13 Deixou Nazaré, e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, nos confins de Zabulon e Neftali, 14 para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15 “Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos que não são judeus! 16 O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e uma luz brilhou para os que viviam na região escura da morte.”
17 Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: “Convertam-se, porque o Reino do Céu está próximo.”
Seguir a Jesus é comprometer-se -* 18 Jesus andava à beira do mar da Galileia, quando viu dois irmãos: Simão, também chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam jogando a rede no mar, pois eram pescadores. 19 Jesus disse para eles: “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens.” 20 Eles deixaram imediatamente as redes, e seguiram a Jesus. 21 Indo mais adiante, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca com seu pai Zebedeu, consertando as redes. E Jesus os chamou. 22 Eles deixaram imediatamente a barca e o pai, e seguiram a Jesus.
A atividade de Jesus -* 23 Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando a Boa Notícia do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo.
Comentário:
* 12-25: Jesus começa sua atividade na Galileia, região distante do centro econômico, político e religioso do seu país. A esperança da salvação se inicia justamente numa região da qual nada se espera. A pregação de Jesus tem a mesma radicalidade que a de João Batista: é preciso total mudança de vida, porque o Reino do Céu está próximo.
* 18-22: Cf. nota em Mc 1,16-20: O chamado dos primeiros discípulos é um convite aberto a todos os que ouvem as palavras de Jesus. Simão e André deixam a profissão; Tiago e João deixam a família... Seguir a Jesus implica deixar as seguranças que possam impedir o compromisso com uma ação transformadora.
* 23-25: A atividade de Jesus consiste na palavra (ensinar, pregar) e ação (curar). É atividade dirigida aos mais pobres, necessitados e marginalizados. O conteúdo dela é descrito em Mt 5-9.
João Batista saindo de cena, Jesus, após o batismo e a prova no deserto, entra completamente na missão. Começa sua atividade na Galileia, região periférica e distante do centro econômico, político e religioso. Estabelece sua morada em Cafarnaum. A chegada de Jesus é como uma luz que ilumina o povo sofrido que vivia nas trevas da dominação romana. O primeiro apelo do Mestre de Nazaré é um convite ao arrependimento, porque o Reino do Céu está próximo. Jesus não trabalha sozinho, por isso convida pescadores para que o auxiliem na missão. Deixando o trabalho no mar, tornam-se “pescadores de gente”, missão um pouco mais exigente do que simplesmente pescar peixes. Isso significa que não precisamos deixar de fazer o que fazíamos, mas devemos passar a fazê-lo em favor de outros. É através do nosso trabalho e de nossa profissão que podemos ajudar na construção do Reino da justiça. Podemos colaborar com o Mestre, contribuindo para uma vida mais digna e feliz para os outros.
1 Coríntios 1, 10-13.17 Cristo está dividido?
* 10 Eu lhes peço, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo mantenham-se de acordo uns com os outros, para que não haja divisões. Sejam estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar. 11 Meus irmãos, alguns da casa de Cloé me informaram que entre vocês existem brigas. 12 Eu me explico. É que uns dizem: “Eu sou de Paulo!” E outros: “Eu sou de Apolo!” E outros mais: “Eu sou de Pedro!” Outros ainda: “Eu sou de Cristo!” 13 Será que Cristo está dividido? Será que Paulo foi crucificado em favor de vocês? Ou será que vocês foram batizados em nome de Paulo?
Deus subverte os projetos humanos -* 17 De fato, Cristo não me enviou para batizar, mas para anunciar o Evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a cruz de Cristo.
Comentário:
* 10-16: O que faz a unidade da comunidade cristã é o batismo em nome de Jesus e a submissão a ele como único Senhor. Os evangelizadores e líderes são apenas instrumentos para levar a comunidade a Jesus Cristo. Absolutizando as pessoas, ela se divide, submetendo-se a outros senhores e falsificando a função dos líderes.
* 17-31: O projeto de Deus é contrário aos projetos dos homens. Os homens valorizam e dão lugar aos ricos, aos poderosos, aos intelectuais, aos que têm “status”, beleza física, facilidade de expressão etc. Consequentemente, desprezam e não dão importância àqueles que não se encaixam nesses padrões. Deus, porém, subverte a sociedade e os projetos humanos: para estabelecer e realizar os seus projetos, ele se alia aos pobres, fracos e simples, porque estes não são autossuficientes e se abrem para Deus. É na pobreza e fraqueza destes que Deus manifesta a sua força (cf. 2Cor 12,9). E a manifestação máxima do poder e da graça de Deus é Jesus crucificado, pois a cruz é o símbolo da fraqueza, do fracasso e da vergonha, porque nela eram executados os criminosos. A verdadeira comunidade cristã é a dos pobres: ela está aliada à sabedoria do projeto de Deus; por isso, é portadora da novidade que provoca transformações radicais.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Marcos 3, 20-21 O pecado sem perdão.
* 20 Jesus foi para casa, e de novo se reuniu tanta gente que eles não podiam comer nem sequer um pedaço de pão. 21 Quando souberam disso, os parentes de Jesus foram segurá-lo, porque eles mesmos estavam dizendo que Jesus tinha ficado louco.
Comentário:
* 20-30: Em Jesus está presente o Espírito Santo, que o leva à missão de libertar e desalienar os homens. Por isso ele é acusado de estar “possuído por um espírito mau.” Tal acusação é pecado sem perdão. Para os acusadores, o bem é mal, e o mal é bem. Eles, na verdade, estão comprometidos e tiram proveito do mal; por isso, não reconhecem e não aceitam Jesus.
Marcos nos apresenta hoje um texto intrigante e curioso: Jesus é incompreendido pela própria família. Em outro momento, o mesmo Jesus reconheceu que “nenhum profeta é bem recebido na própria terra”, mas aqui vemos uma recusa e hostilidade alargada, que envolve seus parentes, a princípio pessoas que o conheciam perfeitamente e sabiam da sua origem divina. Segundo a tradição, nesta ocasião seu pai José já não estava vivo, mas sua mãe Maria sim. Portanto, é estranho acharem que “ele ficou louco” por curar os doentes e anunciar a libertação do pecado. Alguns estudiosos dizem que a tradução correta deveria ser outra, que de fato quem estava “louca” era a multidão, e os familiares tentavam apenas proteger Jesus, afastando-o da multidão fora de controle. Esses parentes provavelmente eram seus tios e primos, que viviam juntos e unidos, seguindo a tradição judaica, marcada pela cultura tribal. Inclusive, a palavra hebraica para designar “irmãos” e “primos” é a mesma: “ach”. Por outro lado, se seguirmos a interpretação tradicional deste episódio, estamos diante do momento em que Jesus rompe os laços de sangue para dar início a uma família muito maior, não marcada pela genética e pelo sangue, mas pela comum vocação de seguidores, tendo no sacramento do batismo o ponto de referência para esta nova filiação divina.
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