sábado, 24 de janeiro de 2026
Mateus 4, 12-23 A esperança começa na Galileia.
* 12 Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. 13 Deixou Nazaré, e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, nos confins de Zabulon e Neftali, 14 para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15 “Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos que não são judeus! 16 O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e uma luz brilhou para os que viviam na região escura da morte.”
17 Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: “Convertam-se, porque o Reino do Céu está próximo.”
Seguir a Jesus é comprometer-se -* 18 Jesus andava à beira do mar da Galileia, quando viu dois irmãos: Simão, também chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam jogando a rede no mar, pois eram pescadores. 19 Jesus disse para eles: “Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens.” 20 Eles deixaram imediatamente as redes, e seguiram a Jesus. 21 Indo mais adiante, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca com seu pai Zebedeu, consertando as redes. E Jesus os chamou. 22 Eles deixaram imediatamente a barca e o pai, e seguiram a Jesus.
A atividade de Jesus -* 23 Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando a Boa Notícia do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo.
Comentário:
* 12-25: Jesus começa sua atividade na Galileia, região distante do centro econômico, político e religioso do seu país. A esperança da salvação se inicia justamente numa região da qual nada se espera. A pregação de Jesus tem a mesma radicalidade que a de João Batista: é preciso total mudança de vida, porque o Reino do Céu está próximo.
* 18-22: Cf. nota em Mc 1,16-20: O chamado dos primeiros discípulos é um convite aberto a todos os que ouvem as palavras de Jesus. Simão e André deixam a profissão; Tiago e João deixam a família... Seguir a Jesus implica deixar as seguranças que possam impedir o compromisso com uma ação transformadora.
* 23-25: A atividade de Jesus consiste na palavra (ensinar, pregar) e ação (curar). É atividade dirigida aos mais pobres, necessitados e marginalizados. O conteúdo dela é descrito em Mt 5-9.
João Batista saindo de cena, Jesus, após o batismo e a prova no deserto, entra completamente na missão. Começa sua atividade na Galileia, região periférica e distante do centro econômico, político e religioso. Estabelece sua morada em Cafarnaum. A chegada de Jesus é como uma luz que ilumina o povo sofrido que vivia nas trevas da dominação romana. O primeiro apelo do Mestre de Nazaré é um convite ao arrependimento, porque o Reino do Céu está próximo. Jesus não trabalha sozinho, por isso convida pescadores para que o auxiliem na missão. Deixando o trabalho no mar, tornam-se “pescadores de gente”, missão um pouco mais exigente do que simplesmente pescar peixes. Isso significa que não precisamos deixar de fazer o que fazíamos, mas devemos passar a fazê-lo em favor de outros. É através do nosso trabalho e de nossa profissão que podemos ajudar na construção do Reino da justiça. Podemos colaborar com o Mestre, contribuindo para uma vida mais digna e feliz para os outros.
1 Coríntios 1, 10-13.17 Cristo está dividido?
* 10 Eu lhes peço, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo mantenham-se de acordo uns com os outros, para que não haja divisões. Sejam estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar. 11 Meus irmãos, alguns da casa de Cloé me informaram que entre vocês existem brigas. 12 Eu me explico. É que uns dizem: “Eu sou de Paulo!” E outros: “Eu sou de Apolo!” E outros mais: “Eu sou de Pedro!” Outros ainda: “Eu sou de Cristo!” 13 Será que Cristo está dividido? Será que Paulo foi crucificado em favor de vocês? Ou será que vocês foram batizados em nome de Paulo?
Deus subverte os projetos humanos -* 17 De fato, Cristo não me enviou para batizar, mas para anunciar o Evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a cruz de Cristo.
Comentário:
* 10-16: O que faz a unidade da comunidade cristã é o batismo em nome de Jesus e a submissão a ele como único Senhor. Os evangelizadores e líderes são apenas instrumentos para levar a comunidade a Jesus Cristo. Absolutizando as pessoas, ela se divide, submetendo-se a outros senhores e falsificando a função dos líderes.
* 17-31: O projeto de Deus é contrário aos projetos dos homens. Os homens valorizam e dão lugar aos ricos, aos poderosos, aos intelectuais, aos que têm “status”, beleza física, facilidade de expressão etc. Consequentemente, desprezam e não dão importância àqueles que não se encaixam nesses padrões. Deus, porém, subverte a sociedade e os projetos humanos: para estabelecer e realizar os seus projetos, ele se alia aos pobres, fracos e simples, porque estes não são autossuficientes e se abrem para Deus. É na pobreza e fraqueza destes que Deus manifesta a sua força (cf. 2Cor 12,9). E a manifestação máxima do poder e da graça de Deus é Jesus crucificado, pois a cruz é o símbolo da fraqueza, do fracasso e da vergonha, porque nela eram executados os criminosos. A verdadeira comunidade cristã é a dos pobres: ela está aliada à sabedoria do projeto de Deus; por isso, é portadora da novidade que provoca transformações radicais.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Marcos 3, 20-21 O pecado sem perdão.
* 20 Jesus foi para casa, e de novo se reuniu tanta gente que eles não podiam comer nem sequer um pedaço de pão. 21 Quando souberam disso, os parentes de Jesus foram segurá-lo, porque eles mesmos estavam dizendo que Jesus tinha ficado louco.
Comentário:
* 20-30: Em Jesus está presente o Espírito Santo, que o leva à missão de libertar e desalienar os homens. Por isso ele é acusado de estar “possuído por um espírito mau.” Tal acusação é pecado sem perdão. Para os acusadores, o bem é mal, e o mal é bem. Eles, na verdade, estão comprometidos e tiram proveito do mal; por isso, não reconhecem e não aceitam Jesus.
Marcos nos apresenta hoje um texto intrigante e curioso: Jesus é incompreendido pela própria família. Em outro momento, o mesmo Jesus reconheceu que “nenhum profeta é bem recebido na própria terra”, mas aqui vemos uma recusa e hostilidade alargada, que envolve seus parentes, a princípio pessoas que o conheciam perfeitamente e sabiam da sua origem divina. Segundo a tradição, nesta ocasião seu pai José já não estava vivo, mas sua mãe Maria sim. Portanto, é estranho acharem que “ele ficou louco” por curar os doentes e anunciar a libertação do pecado. Alguns estudiosos dizem que a tradução correta deveria ser outra, que de fato quem estava “louca” era a multidão, e os familiares tentavam apenas proteger Jesus, afastando-o da multidão fora de controle. Esses parentes provavelmente eram seus tios e primos, que viviam juntos e unidos, seguindo a tradição judaica, marcada pela cultura tribal. Inclusive, a palavra hebraica para designar “irmãos” e “primos” é a mesma: “ach”. Por outro lado, se seguirmos a interpretação tradicional deste episódio, estamos diante do momento em que Jesus rompe os laços de sangue para dar início a uma família muito maior, não marcada pela genética e pelo sangue, mas pela comum vocação de seguidores, tendo no sacramento do batismo o ponto de referência para esta nova filiação divina.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Marcos 3, 13-19 A formação do novo povo de Deus.
* 13 Jesus subiu ao monte e chamou os que desejava escolher. E foram até ele. 14 Então Jesus constituiu o grupo dos Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, 15 com autoridade para expulsar os demônios. 16 Constituiu assim os Doze: Simão, a quem deu o nome de Pedro; 17 Tiago e João, filhos de Zebedeu, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer “filhos do trovão”; 18 André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão o cananeu, 19 e Judas Iscariotes, aquele que depois o traiu.
Comentário:
* 13-19: Dentre a multidão e os discípulos Jesus escolhe doze. Um pequeno grupo que será o começo de novo povo. A missão desse grupo compreende três atitudes: comprometer-se com Jesus (estar com ele) para anunciar o Reino (pregar), libertando os homens de tudo aquilo que os escraviza e aliena (expulsar os demônios).
Dentre todos os seus seguidores e discípulos, Jesus escolhe doze para o acompanharem mais de perto, viverem em comunidade com ele e serem preparados para darem continuidade à sua missão no futuro. O número doze remete às tribos de Jacó, que saíram do Egito e deram início à nação de Israel, simbolizando que a Igreja nascente é o novo povo de Deus, o novo Israel. Entre os doze, temos homens de origens diversas, de diferentes idades e profissões. Temos inclusive um traidor (Judas) e uma “rocha” (Pedro), que assumirá a liderança do grupo e da Igreja nascente por ordem do próprio Cristo. Marcos não nos revela nenhum critério claro nas escolhas de Jesus, nem mesmo os outros evangelistas tocam nesse tema. Simplesmente chamou doze que provavelmente considerou mais disponíveis para a missão, certamente não os doze melhor preparados ou mais justos. É importante compreender isso para perceber que a Igreja não é composta por pessoas “perfeitas”, mas sim por pessoas disponíveis para a missão e para seguir Cristo sempre e em tudo.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Marcos 3, 7-12 Jesus e a multidão.
* 7 Jesus se retirou para a beira do mar, junto com seus discípulos. Muita gente da Galileia o seguia. 8 E também muita gente da Judéia, de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e da Sidônia, foi até Jesus, porque tinha ouvido falar de tudo o que ele fazia. 9 Então Jesus pediu aos discípulos que arrumassem uma barca, para ele não ficar espremido no meio da multidão. 10 Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal se jogavam sobre ele para tocá-lo. 11 Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés gritando: “Tu és o Filho de Deus!” 12 Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era.
Comentário:
* 7-12: Jesus se retira, mas atrai a multidão de todos os lugares. Ele acolhe o povo, mas também toma distância. O projeto de Jesus não pode ser atrapalhado por um assistencialismo que só atende às necessidades imediatas. É preciso destruir pela raiz as estruturas injustas; estas é que produzem todo tipo de necessidades na vida do povo.
Em pouco tempo, a fama de Jesus se espalhou e pessoas de todas as regiões vinham ao seu encontro, procurando cura e paz para o coração. Seus milagres atraíam multidões, mas Jesus não queria simplesmente curar; ele veio para salvar a humanidade doente e promover uma nova atitude. Cada pessoa deve compreender isso e ser movida por esse objetivo. Até que todos tenham entendido por si mesmos e pelos sinais que veem, Jesus repreende os espíritos impuros e os proíbe de divulgar quem ele é. Será que hoje, dois milênios depois, conhecendo todas as ações de Jesus, somos capazes de o reconhecer como verdadeiro Messias e Senhor? Ou vemos Jesus apenas como um guru espiritual que faz milagres e fala coisas bonitas? Algo importante para nos questionarmos!
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Marcos 3, 1-6 A lei de Jesus é salvar o homem.
* 1 Jesus entrou de novo na sinagoga, onde estava um homem com a mão seca. 2 Havia aí algumas pessoas espiando, para verem se Jesus ia curá-lo em dia de sábado, e assim poderem acusá-lo. 3 Jesus disse ao homem da mão seca: “Levante-se e fique no meio.” 4 Depois perguntou aos outros: “O que é que a Lei permite no sábado: fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou matá-la?” Mas eles não disseram nada. 5 Jesus então olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eles eram duros de coração. Depois disse ao homem: “Estenda a mão.” O homem estendeu a mão e ela ficou boa. 6 Logo depois, os fariseus saíram da sinagoga e, junto com alguns do partido de Herodes, faziam um plano para matar Jesus.
Comentário:
* 1-6: Jesus mostra que a lei do sábado deve ser interpretada como libertação e vida para o homem. Ao mesmo tempo, partidos que eram inimigos entre si reúnem-se para planejar a morte desse profeta: afinal, ele está destruindo a ideia de religião e sociedade que eles tinham.
O sábado é o dia de repouso absoluto para os israelitas, mas há algumas exceções, como o ato de salvar uma vida em perigo. Jesus alarga a reflexão e questiona se, além de salvar uma vida, não seria permitido também fazer o bem. Na prática, quer mostrar aos seus opositores que existem muitos modos de salvar uma vida. Expulsar um espírito mau ou então curar um paralítico ou um leproso são formas de devolver a vida a uma pessoa que estava excluída da sociedade e limitada em tudo o que fazia. O que Jesus quer mostrar, no fundo, é que a prática religiosa não pode se limitar a uma série de preceitos e ritos, mas deve envolver a vida toda. Somos chamados a fazer o bem o tempo todo, em todas as situações e contextos. Essa é a regra de vida do cristão.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Marcos 2, 23-28 Jesus liberta da lei.
* 23 Num dia de sábado, Jesus estava passando por uns campos de trigo. Os discípulos iam abrindo caminho, e arrancando as espigas. 24 Então os fariseus perguntaram a Jesus: “Vê: por que os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido em dia de sábado?” 25 Jesus perguntou aos fariseus: “Vocês nunca leram o que Davi e seus companheiros fizeram quando estavam passando necessidade e sentindo fome? 26 Davi entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu dos pães oferecidos a Deus e os deu também para os seus companheiros. No entanto só os sacerdotes podem comer desses pães.” 27 E Jesus acrescentou: “O sábado foi feito para servir ao homem, e não o homem para servir ao sábado. 28 Portanto, o Filho do Homem é senhor até mesmo do sábado.”
Comentário:
* 23-28: O centro da obra de Deus é o homem, e cultuar a Deus é fazer o bem ao homem. Não se trata de estreitar ou alargar a lei do sábado, mas de dar sentido totalmente novo a todas as estruturas e leis que regem as relações entre os homens. Porque só é bom aquilo que faz o homem crescer e ter mais vida. Toda lei que oprime o homem é lei contra a própria vontade de Deus, e deve ser abolida.
A prática de Jesus mostra que a verdadeira religião não é simplesmente um conjunto de verdades para professar e de preceitos para observar. Não! A verdadeira religião se fundamenta na doação total da própria vida a Deus, seguindo na vida cotidiana o seu mandamento do amor e imitando, assim, a sua misericórdia e santidade. Esse é o cumprimento pleno da Lei, sem a deturpação gerada por séculos de institucionalização da religião. Jesus é o “Senhor do sábado” porque tem autoridade não apenas para explicar a Lei, mas também para renová-la. Essa nova Lei é a que ele transmitiu aos discípulos ao longo de três anos através de ações e palavras, e que chegou até nós através do Evangelho e do testemunho de todos os discípulos missionários que escreveram a história da Igreja de Cristo.
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