terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Marcos 1, 29-39 Ser livre para servir.
* 29 Saíram da sinagoga e foram logo para a casa de Simão e André, junto com Tiago e João. 30 A sogra de Simão estava de cama, com febre, e logo eles contaram isso a Jesus. 31 Jesus foi aonde ela estava, segurou sua mão e ajudou-a a se levantar. Então a febre deixou a mulher, e ela começou a servi-los.
32 À tarde, depois do pôr-do-sol, levavam a Jesus todos os doentes e os que estavam possuídos pelo demônio. 33 A cidade inteira se reuniu na frente da casa. 34 Jesus curou muitas pessoas de vários tipos de doença e expulsou muitos demônios. Os demônios sabiam quem era Jesus, e por isso Jesus não deixava que eles falassem.
Jesus rejeita a popularidade fácil -* 35 De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. 36 Simão e seus companheiros foram atrás de Jesus 37 e, quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando.” 38 Jesus respondeu: “Vamos para outros lugares, às aldeias da redondeza. Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim.” 39 E Jesus andava por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios.
Comentário:
* 29-34: Para os antigos, a febre era de origem demoníaca. Libertos do demônio, os homens podem levantar-se e pôr-se a serviço. Os demônios reconhecem quem é Jesus, porque sentem que a palavra e ação dele ameaça o domínio que eles têm sobre o homem.
* 35-39: O deserto é o ponto de partida para a missão. Aí Jesus encontra o Pai, que o envia para salvar os homens. Mas encontra também a tentação: Pedro sugere que Jesus aproveite a popularidade conseguida num dia. É o primeiro diálogo com os discípulos, e já se nota tensão.
Jesus é procurado por todos porque cura muitos doentes e expulsa muitos demônios. Isso faz parte de sua missão no mundo, mas ainda não é tudo. A parte mais importante será revelada mais tarde, quando chegar a hora. Até lá, Jesus não quer ser exposto ou ter um testemunho que não provenha da fé, por isso proíbe os espíritos impuros de falar e se refugia nos lugares desertos. Nesse trecho do Evangelho, vemos como é importante unir a oração à ação. Ao mesmo tempo que Jesus tinha uma atividade muito intensa de cura e libertação, também se recolhia em oração silenciosa, dirigindo-se ao Pai. Esse equilíbrio é pedido a todos os seus discípulos, inclusive a nós, hoje.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Marcos 1, 21-28 Jesus vence a alienação.
-* 21 Foram à cidade de Cafarnaum e, no sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. 22 As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento, porque Jesus ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da Lei.
23 Nesse momento, estava na sinagoga um homem possuído por um espírito mau, que começou a gritar: 24 “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!” 25 Jesus ameaçou o espírito mau: “Cale-se, e saia dele!” 26 Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu dele. 27 Todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “O que é isso? Um ensinamento novo, dado com autoridade... Ele manda até nos espíritos maus e eles obedecem!” 28 E a fama de Jesus logo se espalhou por toda parte, em toda a redondeza da Galileia.
Comentário:
* 21-28: A ação demoníaca escraviza e aliena o homem, impedindo-o de pensar e de agir por si mesmo (por exemplo: ideologias, propagandas, estruturas, sistemas etc.): outros pensam e agem através dele. O primeiro milagre de Jesus é fazer o homem voltar à consciência e à liberdade. Só assim o homem pode segui-lo.
Marcos não diz qual era o ensinamento de Jesus; contudo, mencionando-o junto com uma ação de cura, ele sugere que o ensinamento com autoridade repousa numa prática concreta de libertação: com sua ação Jesus interpreta as Escrituras de modo superior a toda a cultura dos doutores da Lei.
O sábado é o dia santo para o judeu, por isso é um dia dedicado à oração e ao estudo da Escritura. Jesus segue a tradição e dedica seus sábados em Cafarnaum para ir à sinagoga e ensinar, causando admiração porque seus ensinamentos não se baseavam na autoridade da Escritura ou dos mestres que o precederam, como faziam os escribas da época, mas em sua própria autoridade, seu testemunho de vida, sua divindade, que aqui podemos comprovar que se manifestava já desde o início da sua missão ou vida pública. O exorcismo ou cura que Jesus realiza do homem possuído por um espírito impuro (símbolo de todas as doenças e tentações) é um sinal claro desta autoridade que Jesus transmite através de suas palavras e ações. Seu ensinamento é diferente, é Palavra viva, tanto que permanece inalterado até os nossos dias.
domingo, 11 de janeiro de 2026
Marcos 1, 14-20 A pregação de Jesus.
* 14 Depois que João Batista foi preso, Jesus voltou para a Galileia, pregando a Boa Notícia de Deus: 15 “O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia.”
Seguir a Jesus é comprometer-se -* 16 Ao passar pela beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e seu irmão André; estavam jogando a rede ao mar, pois eram pescadores. 17 Jesus disse para eles: “Sigam-me, e eu farei vocês se tornarem pescadores de homens.” 18 Eles imediatamente deixaram as redes e seguiram a Jesus.
19 Caminhando mais um pouco, Jesus viu Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes. 20 Jesus logo os chamou. E eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados e partiram, seguindo a Jesus.
Comentário:
* 14-15: São as primeiras palavras de Jesus: elas apresentam a chave para interpretar toda a sua atividade. Cumprimento: em Jesus, Deus se entrega totalmente. Não é mais tempo de esperar. É hora de agir. O Reino é o amor de Deus que provoca a transformação radical da situação injusta que domina os homens. Está próximo: o Reino é dinâmico e está sempre crescendo. Conversão: a ação de Jesus exige mudança radical da orientação de vida. Acreditar na Boa Notícia: é aceitar o que Jesus realiza e empenhar-se com ele.
* 16-20: O chamado dos primeiros discípulos é um convite aberto a todos os que ouvem as palavras de Jesus. Simão e André deixam a profissão; Tiago e João deixam a família... Seguir a Jesus implica deixar as seguranças que possam impedir o compromisso com uma ação transformadora.
Abrindo o Tempo Comum, a liturgia nos oferece para meditação o trecho do Evangelho em que Jesus anuncia a proximidade do Reino, convocando todos à conversão. É o início da chamada “vida pública” de Jesus, que durará cerca de três anos. Para ajudá-lo na missão de anunciar a todos o Reino que se aproxima, Jesus escolhe alguns discípulos, gente pobre e humilde, sem grande instrução, a exemplo dos irmãos Simão e André, e Tiago e João, simples pescadores da Galileia. Eles atendem prontamente o convite e deixam profissão e família por amor de Jesus e para tornarem-se, como ele, pescadores de homens. Instruídos pelo Mestre e auxiliados pelo Espírito, estes apóstolos anunciarão a conversão e a fé muito além da Galileia, chegando a todos os confins do mundo.
sábado, 10 de janeiro de 2026
Mateus 3, 13-17 A justiça vai ser realizada.
* 13 Jesus foi da Galileia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João, e ser batizado por ele. 14 Mas João procurava impedi-lo, dizendo: “Sou eu que devo ser batizado por ti, e tu vens a mim?” 15 Jesus, porém, lhe respondeu: “Por enquanto deixe como está! Porque devemos cumprir toda a justiça.” E João concordou.
16 Depois de ser batizado, Jesus logo saiu da água. Então o céu se abriu, e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e pousando sobre ele. 17 E do céu veio uma voz, dizendo: “Este é o meu Filho amado, que muito me agrada.”
Comentário:
* 13-17: Neste Evangelho, as primeiras palavras de Jesus apresentam o programa de toda a sua vida e ação: cumprir toda a justiça, isto é, realizar plenamente a vontade de Deus e seu projeto salvador. Cf. também nota em Mc 1,9-11.
Em torno dos 30 anos, Jesus, saindo do anonimato, vai ao encontro de João Batista e, misturado com a multidão pecadora, busca o batismo. Eis o paradoxo da justiça de Deus: o santo e inocente fez-se pecador por nós. Com o batismo, Jesus inaugura sua vida pública e dá início à missão. João tenta resistir; Jesus, porém, insiste para ser batizado, pois tem a missão de “cumprir toda a justiça”. Durante o batismo, uma voz do alto se faz ouvir: “Este é o meu Filho amado”. Com o batismo de Jesus, o céu se abriu, não há mais obstáculos entre Deus e a humanidade. Batizado, inicia sua caminhada missionária, manifestando-se publicamente ao mundo com a prática que é a própria ação de Deus. Sua grande missão é revelar a justiça, a misericórdia e a bondade do Pai, contagiando a humanidade para torná-la mais fraterna e solidária. A exemplo de Jesus Cristo, pelo batismo, somos inseridos no mundo para realizar a missão que o Pai nos confiou. Com o batismo de Jesus, conclui-se o tempo natalino.
Atos 10, 34-38 A essência da catequese de Pedro.
-* 34 Pedro então começou a falar: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz diferença entre as pessoas. 35 Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, seja qual for a nação a que pertença. 36 Deus enviou sua palavra aos israelitas, e lhes anunciou a Boa Notícia da paz por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37 Vocês sabem o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João. 38 Eu me refiro a Jesus de Nazaré: Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder. E Jesus andou por toda parte, fazendo o bem e curando todos os que estavam dominados pelo diabo; porque Deus estava com Jesus.
Comentário:
* 34-43: O texto reflete a essência da catequese primitiva. Na estrutura dessa catequese podemos ver a estrutura dos atuais evangelhos escritos; estes não são mais do que a cristalização da catequese realizada em comunidades particulares.
O ponto de partida da evangelização e da catequese é o reconhecimento de que o povo de Deus é formado por todos aqueles que o respeitam e praticam a sua vontade, ainda que de forma inconsciente e anônima. É essa prática da justiça que a evangelização visa a descobrir, fazer crescer e educar, mostrando tudo o que Deus realizou em favor dos homens através de Jesus Cristo. Note-se que toda a atividade de Jesus está resumida numa frase que define o programa da ação cristã: fazer o bem e curar todos os que estão dominados pelo diabo. Em outras palavras, trata-se de despertar relações justas entre os homens, a fim de que eles vençam a alienação e construam uma sociedade voltada para a vida que Deus quer.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
João 3, 22-30 Jesus é maior que a sua testemunha.
-* 22 Depois disso, Jesus foi para a região da Judéia com seus discípulos. Ficou aí com eles e batizava. 23 João também estava batizando em Enon, perto de Salim, onde havia bastante água. As pessoas iam e eram batizadas. 24 João ainda não tinha sido preso. 25 Então começou uma discussão entre os discípulos de João e um judeu sobre a purificação. 26 Eles foram a João e disseram: “Rabi, aquele que estava com você na outra margem do Jordão, e do qual você deu testemunho, agora ele está batizando, e todos correm para ele!”
27 E João respondeu: “Ninguém pode receber alguma coisa se esta não lhe for dada do céu. 28 Vocês mesmos são testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Messias, mas fui enviado na frente dele’. 29 É o noivo que recebe a noiva e o amigo, que está aí esperando, se enche de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é muito grande. 30 É preciso que ele cresça e eu diminua.”
Comentário:
* 22-30: João Batista não é rival de Jesus. Confessa claramente que sua missão é tornar Jesus conhecido e seguido, e não se servir de Jesus como trampolim para angariar seguidores.
Os seguidores de João estão confusos. Certamente não entenderam as palavras do Batista que apontaram o Cordeiro de Deus, ou não estavam presentes na ocasião em que João batizou Jesus no Jordão. Não há problema. O Batista reforça que é apenas um enviado para preparar o caminho do verdadeiro Redentor, como o padrinho que acompanha o noivo no dia do seu casamento. Aos poucos, João deve diminuir e desaparecer para que todos sigam o único e verdadeiro Mestre, Jesus Cristo. O mesmo vale hoje, sobretudo para o mundo virtual: todos os que surgem como “influenciadores” devem apenas apontar para o Mestre, Jesus Cristo, o único a ser “seguido”.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Lucas 5, 12-16 Jesus reintegra os marginalizados.
-* 12 Aconteceu que Jesus estava numa cidade, e havia aí um homem leproso. Vendo Jesus, caiu a seus pés, e pediu: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar.” 13 Jesus estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero, fique purificado.” No mesmo instante a lepra o deixou. 14 Jesus lhe ordenou que não dissesse nada a ninguém. E falou: “Vá pedir ao sacerdote para examinar você, e depois ofereça pela sua purificação o sacrifício que Moisés ordenou, para que seja um testemunho para eles.” 15 No entanto, a fama de Jesus espalhava-se cada vez mais, e numerosas multidões se reuniam para ouvi-lo e serem curadas de suas doenças. 16 Mas Jesus se retirava para lugares desertos, a fim de rezar.
Comentário:
* 12-16: Cf. nota em Mt 8,1-4. Enquanto o leproso curado testemunha a ação de Jesus, este se retira para refontizar a sua missão em Deus Pai, e assim continuar a sua obra.
Segundo a Lei judaica, expressa no livro do Levítico (c. 13), o leproso é um ser impuro e por isso deveria permanecer afastado (excluído) da comunidade. Jesus não tem medo de se contaminar e, estendendo a mão, toca o leproso, demonstrando grande compaixão. Em respeito à Lei, porém, manda-o cumprir o que Moisés prescrevera para a purificação (Levítico 14). Essa ação do mestre, por um lado, mostra que sua divindade está acima de qualquer lei humana, mas, por outro lado, ele age em continuidade com a tradição e com a revelação feita aos antepassados (patriarcas e profetas). Assim como o leproso, cada um de nós deve ter a coragem de ir ao encontro de Jesus Cristo, conscientes de que necessitamos da sua ajuda e de que ele é o Messias que nos cura de todos os males pessoais e sociais.
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