terça-feira, 27 de abril de 2021

João 12, 44-50 A palavra de Jesus julga os homens.

 44Jesus exclamou em alta voz: “Quem crê em mim não é em mim que crê, mas naquele que me enviou. 45Quem me vê, vê aquele que me enviou. 46Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. 47Se alguém ouvir as minhas palavras e não as observar, eu não o julgo, porque eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. 48Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras já tem o seu juiz: a palavra que eu falei o julgará no último dia. 49Porque eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele é quem me ordenou o que eu devia dizer e falar. 50E eu sei que o seu mandamento é vida eterna. Portanto, o que eu digo, eu o digo conforme o Pai me falou”.

Comentário:

* 44-50: Toda ideia ou teoria sobre Deus que não esteja de acordo com a palavra e ação de Jesus é falsa. Porque Jesus é a revelação do próprio Deus. E a missão de Jesus se estende a todos, mas cada um permanece livre de aceitar a sua oferta. A recusa da vida, porém, traz consigo a escolha da própria morte.

Chegamos ao final da primeira parte do Evangelho de João, o livro dos sinais. No texto de hoje, o evangelista revela a íntima união que há entre Jesus e seu Pai: acreditar nele é acreditar no Pai; vê-lo é ver o Pai. Jesus é o autêntico revelador de Deus, e rejeitá-lo é rejeitar o próprio Pai. Jesus veio como luz para iluminar o caminho que conduz a Deus e levar ao encontro dos irmãos e irmãs. Ele não condena, pois veio para salvar; quem julga é a sua Palavra. Diante de sua mensagem, torna-se necessário decidir: comprometer-se com seu projeto e romper com os projetos perversos ou rejeitar a luz e andar nas trevas. Continuamente, ao longo da vida, somos chamados a optar por uma coisa ou outra. A missão dos cristãos é levar a luz, que é o próprio Jesus, aos que vivem nas trevas e tornarem-se, eles próprios, luz para os outros.

Oração
Ó Jesus, vieste como “luz para iluminar o mundo”, a fim de que não permaneça nas trevas aquele que acredita em ti. Ajuda-nos, Senhor, a compreender que estás unido ao Pai e proferes as palavras que o Pai te mandou dizer. E que o mandamento do Pai é vida eterna. Amém.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

João 10, 22-30 As credenciais de Jesus são as suas obras.

 22Celebrava-se, em Jerusalém, a festa da Dedicação do templo. Era inverno. 23Jesus passeava pelo templo, no pórtico de Salomão. 24Os judeus rodeavam-no e disseram: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente”. 25Jesus respondeu: “Já vo-lo disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim; 26vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu dou-lhes a vida eterna, e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. 29Meu Pai, que me deu essas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”.

Comentário:

* 22-39: Jesus define sua condição de Messias, apresentando-se como o Filho de Deus. As provas de seu messianismo não são teorias jurídicas, mas fatos concretos: suas ações comprovam que é Deus quem age nele.

O texto de hoje está ambientado no templo de Jerusalém por ocasião da festa da dedicação do templo. Enquanto Jesus circula pelo templo, alguns judeus aproximam-se dele e o interrogam: “És ou não o Cristo?”. Os judeus não acreditam nas palavras nem nas obras de Jesus. Elas – palavras e obras – seriam suficientes para revelar quem é Jesus, mas eles não compreendem nem fazem esforço para aceitar as propostas do Mestre, porque não fazem parte dos seus seguidores. Quem reconhece que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e se compromete com ele, esse não se decepciona, escuta sua voz, compreende sua mensagem e procura comunicá-la aos outros. Estabelece-se assim uma comunhão de vidas entre o Mestre e os discípulos. Quem faz parte da comunhão com Jesus se une também ao seu Pai, pois ele e o Pai são um.

Oração
Ó Cristo Jesus, para pertencer à tua comunidade, precisamos acreditar em ti e obedecer aos teus ensinamentos. Alguns ouvintes teus se recusaram a ouvir tua voz e seguir teus passos. Recusaram-se a tomar parte no teu “rebanho”. Queremos, Senhor, renovar o propósito de seguir-te agora e sempre. Amém.

 

domingo, 25 de abril de 2021

João 10, 1-10 O povo conhece a voz de Jesus

 1“Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. 5Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. 6Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. 

Jesus é o único caminho - 7Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. 8Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. 9Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. 10O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

Comentário:

* 10,1-6: Nesta comparação, o curral representa a instituição que explora e domina o povo. Os ladrões e assaltantes são os dirigentes. Jesus mostra que sua mensagem é incompatível com qualquer instituição opressora e que sua missão é conduzir para fora da influência dela os que nele acreditam, a fim de formar uma comunidade que possa ter vida plena e liberdade.

* 7-21: O único meio de libertar-se de opressores ou de uma instituição opressora é comprometer-se com Jesus, pois ele é a única alternativa (a porta). Jesus é o modelo de pastor: ele não busca seus próprios interesses; ao contrário, ele dá a sua própria vida a todos aqueles que aceitam sua proposta. Jesus provoca divisão: para uns, suas palavras são loucura; para outros, sua ação é sinal de libertação.

O capítulo dez de João é o capítulo do “bom pastor” e inicia com a metáfora da porta: movimento de entrada e saída. A porta é a passagem que coloca em segurança quando se entra e em liberdade quando se sai. O assaltante não passa pela porta, vai às escondidas roubar as ovelhas; o pastor leva as ovelhas às pastagens. O ladrão se apossa das ovelhas; o pastor coloca-se a serviço delas. O ladrão destrói e mata; o pastor protege e salva. As ovelhas se aproximam do pastor, porque conhecem sua voz; elas fogem do ladrão, porque não conhecem sua voz. Jesus se apresenta como a porta por onde se pode entrar e sair com toda liberdade e sem medo, seguros de encontrar alimento necessário. A missão de Jesus é conduzir para fora de tudo o que possa aprisionar ou explorar e proporcionar vida, e vida em abundância. As comunidades necessitam estar sempre de portas abertas para ir às periferias e para acolher todos os que desejam.

Oração
Ó Jesus, porta das ovelhas, somos gratos a ti, porque és nosso forte protetor e guia seguro. Não nos deixes seguir caminhos contrários aos teus caminhos, nem correr atrás de vozes discordantes da tua voz. Acolhe-nos, Senhor, entre os que desejam com ardor a tua “vida em abundância”. Amém.

sábado, 24 de abril de 2021

João 10, 11-18 Jesus é o único caminho.

 11“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. 12O mercenário, que não é pastor e não é dono das ovelhas, vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge, e o lobo as ataca e dispersa. 13Pois ele é apenas um mercenário e não se importa com as ovelhas. 14Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, 15assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas. 16Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo conduzir; elas escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 17É por isto que o Pai me ama, porque dou a minha vida para depois recebê-la novamente. 18Ninguém tira a minha vida, eu a dou por mim mesmo; tenho poder de entregá-la e tenho poder de recebê-la novamente; essa é a ordem que recebi do meu Pai”.

Comentário:

* 7-21: O único meio de libertar-se de opressores ou de uma instituição opressora é comprometer-se com Jesus, pois ele é a única alternativa (a porta). Jesus é o modelo de pastor: ele não busca seus próprios interesses; ao contrário, ele dá a sua própria vida a todos aqueles que aceitam sua proposta. Jesus provoca divisão: para uns, suas palavras são loucura; para outros, sua ação é sinal de libertação.

Jesus se declara o bom pastor. As ovelhas são todos os povos. Ora, o bom pastor é aquele que está junto do rebanho, zela por ele e arrisca a própria vida para defendê-lo. Então, Jesus está disposto a sacrificar a vida em favor dos seres humanos: “Exponho a minha vida pelas ovelhas”. Outro aspecto importante na relação pastor-ovelhas é que o bom pastor conhece as suas ovelhas e por elas é conhecido. Trata-se de um conhecimento que vai além do nível intelectual. É um conhecimento que cria comunhão de vida, relações de amizade: “Vocês são meus amigos” (Jo 15,14). Jesus é um pastor singular, pois não se limita a pastorear uma nação apenas, mas quer ser o pastor de todos os povos da terra. Seu profundo desejo é que haja “um só rebanho com um só pastor”. Então, ainda estamos longe desse ideal!

Oração
Ó Jesus, bom Pastor, somos gratos a ti porque nos tratas como ovelhas do teu rebanho e arriscas tua vida por nós. Somos gratos a ti principalmente porque entregas ao Pai tua vida para que tenhamos vida em abundância. Gratidão a ti para sempre, Senhor. Amém.

1 João 3, 1-2 Deus é justo.

 1Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. 2Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é.

Comentário:

* 29-3,2: João começa novo tema: Deus é justo. Jesus Cristo manifestou inteiramente a Deus porque, através de sua vida, mostrou concretamente o que é a justiça divina. Do mesmo modo, quem pratica a justiça mostra que é filho do Deus justo, à semelhança de Jesus. Não basta ser batizado para ser filho de Deus: é preciso praticar a justiça. Essa realidade, porém, ainda está em crescimento, e só se realizará totalmente quando puderem contemplar toda a glória de Jesus Cristo. O mundo não reconhece o Deus justo, porque o princípio que rege a vida do mundo é a injustiça. Desse modo, o mundo considera como inimigos perigosos o Deus justo e seus filhos que revelam a justiça.